sexta-feira, 27 de março de 2009

CAMPEONATO NACIONAL DE ESTAFETAS 2008 / 2009: A MAIOR DE TODAS AS FESTAS


Tal como sucede com o Campeonato Nacional de Distância Longa de Orientação Pedestre, também o Campeonato Nacional de Estafetas conhece este ano a sua 15ª edição. É já no próximo domingo, em Vieira do Minho, numa organização do .COM.

Com início na época de 1993 / 1994, o Nacional de Estafetas teve na Associação de Comandos (Seniores Masculinos) e no Alto Moinho (Seniores Femininos) os seus primeiros vencedores. Interrompidos na época seguinte, os Nacionais regressaram em 1995 / 1996 com um clube revelação, que viria a dominar de forma incontestável o panorama orientístico nacional nas seis temporadas seguintes. Referimo-nos ao Ori-Estarreja, que apresenta na sua vasta galeria, nada mais nada menos que 30 títulos nesta espectacular variante, 23 dos quais alcançados ao longo deste curto período de tempo. Particularmente significativo foi o domínio do Ori-Estarreja ao nível das camadas jovens, com cinco vitórias consecutivas em Juniores Masculinos (de 1995 a 2000), seis vitórias ininterruptas em Juniores Femininos (entre 1995 e 2001) e o pleno de títulos jovens em 1999 / 2000, feito único na história da Orientação nacional ao nível das Estafetas.

Neste período destaca-se igualmente o Lusitano Ginásio Clube, com a conquista de nove títulos, quatro dos quais no escalão de Seniores Masculinos e em épocas consecutivas (de 1997 a 2001). Porém, ao contrário do Ori-Estarreja, a Secção de Orientação da popular colectividade eborense teve no primeiro ano deste terceiro milénio o “canto do cisne”. A sua extinção, porém, acabou por dar lugar à Secção de Orientação da ADFA, clube que chamaria a si o protagonismo nos anos seguintes.

O “reinado” ADFA

Com efeito, a estreia da ADFA nas lides competitivas ao mais alto nível dá-se em 2001 / 2002 e logo com a conquista de cinco títulos numa só época (este desiderato apenas tinha sido conseguido pelo Ori-Estarreja em 1995 / 1996 e em 1998 / 1999, e apenas voltaria a repetir-se uma única vez mais, pelas mãos do COC, em 2002 / 2003). Nestas últimas sete épocas, o domínio é de tal forma avassalador que a ADFA alcançou doze dos catorze títulos em disputa no escalão sénior.

As “cedências”, ambas no sector masculino, foram feitas ao COC (2003 / 2004) e ao CPOC (2006 / 2007), já que no sector feminino as atletas da ADFA não permitiram veleidades de qualquer espécie à concorrência nos últimos sete anos. No cômputo geral, com um total de 23 títulos alcançados, a ADFA é o segundo clube português com mais títulos nacionais de Estafetas.

Um “caso muito sério” chamado COC

Mas a época de 2001 / 2002 marca igualmente o aparecimento em grande do Clube de Orientação do Centro. A turma leiriense, que em 1998 / 1999 conquistara o seu primeiro título nacional de Estafetas (em Juvenis Masculinos), alcança duma assentada mais três títulos e inicia uma série vitoriosa que a vai aproximando da ADFA a passos largos e cujo saldo, até ao momento, se cifra em 21 títulos.

Apesar de tudo, nos quatro últimos anos seria pretensioso falar de hegemonia de um único clube. Com efeito, Grupo Desportivo 4 Caminhos, CPOC e Lebres do Sado vieram baralhar os dados, colocando mais duas ou três pitadas de sal no já de si bem condimentado panorama. E como se tal não bastasse, na última temporada o clube que mais títulos arrecadou (precisamente quatro) foi o… Ori-Estarreja. Como um círculo que se encerra sobre si mesmo e nos preparamos para iniciar tudo de novo.

Vencedores no escalão sénior

1993 / 1994 – Associação Comandos e Alto do Moínho
1995 / 1996 – GNR e Ori-Estarreja
1996 / 1997 – Associação Comandos e Lusitano
1997 / 1998 – Lusitano e AA Mafra
1998 / 1999 – Lusitano e Ori-Estarreja
1999 / 2000 – Lusitano e ARCCa
2000 / 2001 – Lusitano e AA Mafra
2001 / 2002 – ADFA e ADFA
2002 / 2003 – ADFA e ADFA
2003 / 2004 – COC e ADFA
2004 / 2005 – ADFA e ADFA
2005 / 2006 – ADFA e ADFA
2006 / 2007 – CPOC e ADFA
2007 / 2008 - ADFA e ADFA


E agora?

Que novidades poderão trazer estes Campeonatos Nacionais de Estafetas 2008 / 2009? Aquela que se afigura como a mais provável será a inclusão do GafanhOri na lista de clubes que alcançaram títulos nacionais de Estafetas. Se tal acontecer, o popular emblema de S. Pedro da Gafanhoeira será o 20º nome nesta lista de clubes particularmente restrita.

Para que tal aconteça, basta que as suas equipas de Iniciados, com João Cascalho, Luís Tomé e João Pedro, por um lado, e Inês Catalão, Ana Anjos e Teresa Maneta, por outro, confirmem a excelente época que têm vindo a fazer e imponham as suas mais-valias técnicas e físicas. Também Rita Rodrigues, Ana Salgado e Inês Pinto parecem ter uma forte palavra a dizer no escalão de Juvenis Femininos, apesar do favoritismo aqui ser repartido com o CPOC, que conta com Vera Alvarez, Mariana Moreira e Nádia Silva nas suas fileiras. O mesmo acontece no escalão de Juniores Masculinos, com um Ori-Estarreja mais homogéneo e a parecer levar alguma vantagem, mas com um Manuel Horta na turma da Gafanhoeira que, num momento decisivo, poderá fazer toda a diferença. Finalmente, o escalão de Juniores Femininos encerra a maior incógnita, colocando frente-a-frente Lena Coradinho, Ana Coradinho e Isabel Salgado (GafanhOri) e Joana Costa, Maria Oliveira e Isabel Sá (GD4Caminhos).

COC tem tudo para fazer a “dobradinha”

No escalão Sénior Masculino estão inscritas 26 equipas de 12 clubes diferentes. E aqui, meus amigos, por aquilo que têm feito esta época, Tiago Romão, Joaquim Sousa e Celso Moiteiro parecem levar alguma vantagem sobre a concorrência e podem muito bem permitir ao COC renovar um título que apenas conquistou uma única vez (em 2003 / 2004). A falta de rotina de Marco Póvoa, associada a alguma irregularidade de Pedro Nogueira e Elísio Roque, colocam a ADFA numa posição muito difícil para revalidar o título. À espreita dum deslize vão estar CPOC (Miguel Silva, Nélson Graça e Alexandre Alvarez), GD4 Caminhos (Vitor Delgado, Luís Leite e Albino Magalhães) e uma “segunda” equipa do COC, constituída por Gildo Silva, André Ramos e Paulo Franco. Mas a grande surpresa poderá vir do Ori-Estarreja, com a equipa constituída por Diogo Miguel, Jorge Fortunato e David Sayanda a ter uma importante palavra a dizer.

Quanto ao escalão de Seniores Femininos, também aqui a vantagem vai para a turma leiriense, de forma quiçá mais esclarecida. Patrícia Casalinho, Catarina Ruivo e Andreia Silva não vão querer deixar os seus créditos por mãos alheias e só um enorme percalço fará com que não quebrem o longo ciclo de sete vitórias consecutivas da ADFA. Uma coisa é certa: Sandra Rodrigues, Maria Pereira e Lídia Magalhães irão vender cara a derrota.

Os suspeitos do costume

Quanto aos escalões de Veteranos Femininos, respectivamente I e II, CPOC (Alexandra Coelho, Sandra Silva e Susana Pontes) e COC (Luísa Mateus, Maria Palmira e Isabel Monteiro) não deverão deixar escapar a oportunidade de oferecer mais um título aos seus clubes. Em Veteranos Masculinos I, a ADFA parece apresentar alguma vantagem, sobretudo se atentarmos na excelente época que Jorge Correia, Francisco Cordeiro e Daniel Pires estão a fazer. A grande oposição deverá vir da parte do Ori-Estarreja, com um trio constituído por João Casal, António Amador e António Aguiar no taco-a-taco com a turma eborense. Também em Veteranos Masculinos II, o favoritismo vai para a ADFA, com Mário Duarte, Santos Sousa e Manuel Santos a formarem uma equipa forte e coesa. Aqui o grande adversário será o COC, onde pontificam Albano João, Mário Santos e Manuel Domingues. Finalmente, em Veteranos III, Gil Rua, Armandino Cramez e José Salgado vão ter de lutar muito para renovar o título alcançado em 2007 / 2008 pelo Ori-Estarreja. É que do outro lado, o Clube TAP mostra que tem asas para voar bem alto, graças às qualidades e capacidades de Francisco Coelho, Luís Sousa e Coelho dos Santos.

Certamente outros nomes haverão com fortes possibilidades de fazerem história nos Campeonatos. Na multiplicidade de factores que intervêm directamente no desenrolar dos acontecimentos e na enorme imponderabilidade dos resultados finais, reside um dos maiores fascínios da Orientação. A única certeza é a de que, à partida, são 111 as equipas, distribuídas por 13 escalões de competição (às quais se somam 22 equipas a disputar as Estafetas Popular Curta e Popular Longa), que tudo farão para chegar a um lugar do pódio. Domingo, por volta da uma da tarde, saber-se-á quem ganhou. E quem perdeu!


[foto gentilmente cedida por Jorge Correia Dias]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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