domingo, 29 de março de 2009

CAMPEONATO NACIONAL DE DISTÂNCIA LONGA 2008 / 2009: DIOGO MIGUEL E MARIA SÁ ENTRAM PARA A HISTÓRIA


Um vento glacial, uma paisagem de cortar a respiração e dois vencedores que rasgam um lugar na história, inscrevendo pela primeira vez o seu nome no Quadro de Honra da prova, no que ao escalão de Elite diz respeito. Foi assim na Serra da Cabreira, em Vieira do Minho, durante a realização, na tarde de ontem, dos Campeonatos Nacionais de Distância Longa de Orientação Pedestre.

Frio, muito frio mesmo, trazido por um gélido vento norte que varre a Serra. Montada num planalto no meio do nada, a Arena nestas condições deixa de ser o espaço convidativo a que nos habituámos, para se transformar num complexo emaranhado de tendas, donde ninguém parece querer sair. O sol envergonhado não chega para vencer as baixas temperaturas e, ironia das ironias, um incêndio lavra ali bem perto.

Foi neste cenário que decorreram os Campeonatos Nacionais de Distância Longa de Orientação Pedestre 2008 / 2009, numa organização do Clube de Orientação do Minho, que contou com o apoio da Câmara Municipal de Vieira do Minho e da Federação Portuguesa de Orientação. Um total de 424 atletas, distribuídos por 31 escalões de competição, aos quais se devem juntar mais uma centena nos escalões abertos, corporizaram um evento que teve, a despeito das condições climatéricas adversas, a grande virtude de mostrar a beleza e a pureza duma Serra em estado virgem. E de proporcionar um mapa e percursos do melhor que o nosso país pode oferecer!

Duelo de titãs

Um duelo de titãs - de jovens titãs, diga-se – foi aquilo que nos foi dado presenciar na prova-rainha destinada à Elite Masculina. Os 11,5 km de distância, com um desnível de 535 metros (24 pontos de controlo) e uma das pernadas, já à beirinha do fim, a “valer” quase três quilómetros, puseram à prova as qualidades físicas e técnicas dos atletas, bem como a sua capacidade estratégica. Diogo Miguel (Ori-Estarreja) e Tiago Romão (COC), duas estrelas em fulgurante ascensão - ainda em idade júnior e a fazer a sua primeira época na Elite -, acabaram por demonstrar todo o seu talento, disputando a vitória praticamente ombro-a-ombro. Venceu Diogo Miguel, como poderia ter vencido Tiago Romão. Isso é bem patente no tempo final dos dois atletas – 1.34.01 contra 1.34.34 – bem demonstrativo da ardorosa luta travada. Nas posições imediatas classificaram-se dois atletas da ADFA. Pedro Nogueira foi terceiro, com 1.41.34, enquanto Marco Póvoa, um dos nomes maiores na distância, com cinco títulos alcançados em épocas anteriores, foi quarto classificado, com 1.43.36. Gildo Silva (COC), com 1.43.45, obteria a quinta posição.

Nas senhoras, a prova foi inteiramente dominada por Maria Sá (GD4Caminhos). Apesar duma longa ausência relacionada com a sua actividade académica, é sempre de esperar tudo da atleta, sobretudo quando se sabe da sua grande apetência por este tipo de terrenos. Os 7,1 km de prova, com 305 metros de desnível (19 pontos de controlo) confirmariam isso mesmo, tendo sido cumpridos pela atleta em 1.10.46, menos 7.42 que Raquel Costa (GafanhOri), aquela que era apontada à priori como a grande favorita. Maria Sá conquista assim o seu primeiro título na Distância Longa no escalão de Elite (já o tinha alcançado enquanto júnior, em 2003 / 2004 e como juvenil, em 2002 / 2003), quebrando um ciclo de quatro vitórias consecutivas de Raquel Costa. O terceiro lugar coube a Patrícia Casalinho, após um recurso decidido em favor da atleta (este resultado, estranhamento, apenas foi divulgado durante a cerimónia de entrega de prémios e, à hora que escrevemos esta crónica, ainda não é conhecido o tempo da atleta). Paula Nóbrega (Orimarão) e Catarina Ruivo (COC), foram quarta e quinta classificadas com, respectivamente, 1.26.51 e 1.27.55.


Ori-Estarreja, “açambarcador”

Nos escalões mais jovens, não houve surpresas. Começando pelos Juvenis Masculinos, Rafael Miguel (irmão de Diogo Miguel e, também ele, atleta do Ori-Estarreja) impôs-se a Luís Silva da ADFA e alcançou um triunfo particularmente saboroso. O “viveiro” chamado GafanhOri deu o seu primeiro grande fruto, graças à sensacional vitória de Rita Rodrigues em Juvenis Femininos. Quanto aos Juniores Masculinos, David Sayanda levou de novo o emblema do Ori-Estarreja ao lugar mais alto do pódio, demonstrando ser o atleta português com maior potencial na distância, em particular neste tipo de terrenos. Em Juniores Femininos, Joana Costa (GD4Caminhos) não deixou os seus créditos por mãos alheias, somando o seu terceiro título nacional na distância, aos dois anteriores ainda como juvenil.

Quanto aos escalões de Veteranos, vitórias para todos os gostos, com muitas confirmações e uma ou outra surpresa. Começando pelas confirmações, António Amador (Ori-Estarreja) e Susana Pontes (CPOC) levaram de vencida a concorrência em H/D35. Alexandra Coelho (CPOC) e Santos Sousa (ADFA), continuam a acumular títulos e triunfaram nos escalões de D/40 e H45, respectivamente. Albano João e Isabel Monteiro, ambos do COC, venceram com naturalidade os escalões H/D50, o mesmo sucedendo com Manuel Dias (Individual) e Maria São João (CLAC), em H/D55, Armandino Cramez (Ori-Estarreja) em H65 e Bo Hallberg (CIMO), em H70. Meia surpresa, Francisco Cordeiro (ADFA) triunfou em H40, após acesa luta com Rui Botão (CPOC) e Rui Ferreira (Orimarão). O mesmo se poderá dizer no escalão D45, com Maria Palmira (COC), a atleta portuguesa com maior número de títulos nacionais, a quebrar um ano de jejum. Grande surpresa em H/60, onde Gil Rua (Ori-Estarreja) fechou um “sexteto de ouro” da popular colectividade do distrito de Aveiro, impondo-se aos “consagrados” Joaquim Patrício (CN Alvito) e Francisco Coelho (Clube TAP).

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

Cordeiro disse...

Boa tarde
Quero aqui deixar o meu simples comentário, tendo em conta de que o Joaquim não conhece bem o passado de um atleta como o Francisco Cordeiro que, de entre várias vitórias a nivel nacional, participou em diversos campeonatos do mundo civis e militares e taças do mundo, desde 1992 a 1997. Se a memória não me atraiçoa (actualmente com 44 anos de idade) atingiu uma final A em 1997 num campeonato do mundo militar em Pontevedra-Espanha, tendo sido campeão ibérico em 1996.
Ocupou o cargo de vogal da direcção da FPO durante 4 anos de 1996 até 2000.
Desde 1998, por motivos profissionais deixou de participar em provas nacionais, mas em nunca abandonar por completo o desenrolar das competições nacionais.
Saudações orientistas
Francisco Cordeiro