domingo, 18 de janeiro de 2009

GUERRA EM GAZA


A ofensiva lançada por Israel na Faixa de Gaza e que já se arrasta há três semanas, vem suscitando as mais variadas reacções em todo o Mundo. O conflito continua sem fim à vista, o mal-estar aumenta e as soluções vão sendo adiadas. Perante o sentimento geral de apreensão e de grande preocupação, o Orientovar publica hoje um artigo intitulado "War", da autoria do israelita Dan Chissick.

Não tinha qualquer intenção de escrever no meu blogue sobre a Guerra na Faixa de Gaza. Contudo, comecei a perceber que a maioria (mais de uma centena) dos orientistas estrangeiros que se registaram nos Campeonatos Abertos de Israel, que terão lugar nos dias 20 e 21 de Fevereiro, próximo da cidade de Zefat (Norte de Israel), cancelaram a sua visita por causa da Guerra. Assim, decidi dar a nossa versão da situação, principalmente do ponto de vista da Orientação.

Desde 1948 que Israel tem estado constantemente em guerra. No entanto, a maior parte do país está em paz durante quase todo o tempo, apesar de sujeito a eventuais ataques terroristas (à semelhança do que acontece também na Europa).

Desde o ano 2000, as cidades israelitas mais próximas de Gaza têm vindo a ser alvo de ataques com “rockets”, sobretudo desde que Israel se retirou da Faixa de Gaza em 2005. Isto não produziu qualquer efeito negativo sobre a Orientação, principalmente porque o número de mapas ou eventos nessa área é insignificante. No passado dia 27 de Dezembro, após uma nova carga de “rockets” sobre as nossas cidades e apesar das repetidas advertências, Israel decidiu retaliar com uma força avassaladora - como qualquer outro país soberano provavelmente faria em situação semelhante -, com o objectivo de dissuadir os palestinianos de prosseguirem com os ataques.

Actualmente ainda se verificam combates em Gaza, porque os “rockets” continuam a cair sobre Israel (embora em menor quantidade do que antes). Porém, repito, esta situação não teve absolutamente nenhum efeito sobre o resto do país, ou sobre a Orientação. A vida prossegue normalmente para lá dum perímetro circundante a Gaza e posso afirmar que há mesmo mais segurança do que o habitual, devido ao facto de a polícia estar em alerta elevado.

Compreendo que alguns atletas temam pela sua segurança, mas esse receio é infundado. Podemos garantir-vos que estarão tão seguros aqui como noutro lado qualquer. Admito que alguns possam ter cancelado a sua participação como forma de protesto pela situação, embora não esteja disposto a iniciar um debate político e serão eles que ficarão a perder.

Os israelitas e os Campeonatos do Mundo de Ori-BTT (MTBO WOC 2009) em Agosto, não serão afectadas pela actual situação e os trabalhos estão a avançar de acordo com o previsto, tal como os demais eventos de Orientação. Em qualquer caso, esperamos que esta guerra termine rapidamente e que o Sul de Israel se torne num lugar mais seguro.

Dan Chissick

[O artigo original pode ser lido em http://my.opera.com/chissick/blog/2009/01/13/war]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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4 comentários:

Vitor disse...

Que os dirigentes daqueles povos se ORIENTEM e encontrem rapidamente os caminhos da PAZ...

João Ferreira disse...

Sem dúvida que é um tema que afecta muitas pessoas e preocupa outras mais. As soluções tardam a aparecer mas a destruição continua...Paz é o que todos queremos. No último mundial de MTBO soube que o Mundial deste ano se iria realizar em Israel. Apesar de ainda ser junior, dado que este ano apenas há mundial de juniores(não havendo europeu de juniores), pensei na possibilidade de ir a Israel e participar como sénior. Não vou dizer que é indiferente a situação vivida em Israel já à bastante tempo. A ida ou não a esse Campeonato do Mundo será algo a decidir ainda com bastante ponderação e consuante o desenrolar da situação. Esperamos que isto não tenha influências na competição e que tudo possa correr como planeado.
Parabéns Margarido por trazer este assunto a conhecimento de todos.
João Ferreira
www.joaoferreira.net

Luís Santos disse...

Sinceramente tenho pena de não ter aqui também o ponto de vista de um habitante da Faixa de Gaza que até possa gostar de Orientação...

Claro que o ponto de vista deste senhor israelita é lamentável porque enquanto ele faz orientação sem problemas, e vai para o estrangeiro quando lhe apetecer, os palestinianos de Gaza (mesmo os que não mandam rockets que são muitos) nem podem saír de lá nem podem viver com tanta tranquilidade...

È que se do lado israelita, apesar de tantos atentados com rockets morreram 17 israelitas nos últimos 10 anos vítimas de atentados, nos últimos dias na Faixa de Gaza morrem mais de 150 palestinianos por dia...

E ainda vem este senhor dizer que "outro país agiria da mesma forma perante situação semelhante". Talvez esta complacência e indiferença perante a morte dos vizinhos seja um dos motivos porque tantos odeiem os israelitas...

Eu não tenho tais sentimentos por eles, apenas me entristece que tenham aprendido tão mal a lição do Holocausto por mais que a invoquem e façam a outros o que lhes fizeram a eles...

Ana Filipa disse...

Não estou surpreendida com o que o Dan diz... Acho que não caberia na
cabeça de ninguém fazer uma prova de orientação ou um campeonato mundial debaixo da guerra.

Aliás, pelos mapas que vi no Europeu de Itália, onde os israelitas
fizeram divulgação do evento, penso que vai ser um evento de grande
qualidade. Talvez com uma logística diferente das habituais, mas em
termos de mapas acho que ninguém se vai queixar muito. O terreno, no
entanto, e tal como a logística, pode também ser bastante diferente do normal e talvez menos
agradável (há avisos da organização para que os atletas estejam
preparados para os furos por causa das pedras nos caminhos) mas penso que não será isso que vá fazer com que seja um mundial para esquecer.
Penso até que pode vir a ser uma oportunidade única para muitos!
Espero que a "Portuguesada" vá confiante e que tudo corra tão bem ou melhor como nos outros mundiais e europeus.

Dum ponto de vista político... não ligo muito a isso. As notícias
aparecem-nos "desenhadas" pelos jornalistas e acabam por ser sempre
mais do mesmo. Como isto começou já algum tempo e nunca percebi muito
bem, agora também não sei exactamente o porquê disto nem nunca me deu
o bichinho para me informar. Para mim é apenas mais do mesmo e
continuamos a ser nós a alimentar isto. Destroem e nós pagamos para
reconstruir. Matam e orgulham-se disso. Não há respeito pelos outros e
parece não haver entendimento. Ninguém quer os familiares nisto mas
acabam sempre por ser um orgulho por estarem na guerra...

Cumprimentos,
Ana Filipa Silva.