quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

EVA JUŘENÍKOVÁ: "GOSTO IMENSO DE PORTUGAL"


Actual nº 20 do “ranking” mundial, Eva Juřeníková esteve em Portugal, treinando em Castelo de Vide e competindo no NAOM, em Alter do Chão. Foi aqui, no final da sua prova de Distância Média, que falou para o Orientovar. Dessa curta conversa, de pouco mais de seis minutos, aqui damos conta.

Orientovar (O.) - Sei que não é a primeira vez que visita Portugal…

Eva Juřeníková (E. J.) - Não, de todo! Esta será a quinta ou sexta vez que estou em Portugal, mas é a primeira vez que visito o Alentejo. Nas restantes ocasiões fiquei na zona litoral. Há uma semana que estamos aqui, em Castelo de Vide, com treinos duas vezes por dia, utilizando os diferentes mapas que existem na região.

O. - Qual a primeira impressão?

E. J. - Fico com uma ideia muito positiva dos mapas e dos terrenos. São mapas bastante técnicos, na realidade muito mais técnicos do que aqueles que encontramos junto à costa, onde predominam as dunas de areia. Estes são terrenos muito diferentes, muito mais interessantes, tanto para mim como para todos os atletas do clube que estão cá. Para além disso devo realçar que o alojamento é excelente, tudo tem corrido na perfeição, não há nada a apontar, a não ser realmente o tempo. Mas quanto a isso não podemos fazer nada. Estamos em Janeiro e é natural que o tempo não ajude, apesar de hoje estar um dia muito bonito.

O. - Porque escolheu Portugal para a preparação da sua época?


E. J. - Uma ou duas vezes no Inverno procuramos campos de treino onde as características e qualidade dos terrenos sejam adequadas e as condições climatéricas ajudem. Na verdade, nesta altura do ano, com toda a neve existente na Suécia, onde vivo actualmente, é impossível correr na floresta. É muito importante o treino técnico de Orientação ao longo de todo o ano e, tanto Portugal como a Espanha, oferecem imensas oportunidades a quem busca campos de treino no Inverno. Gosto imenso de Portugal. No ano passado estive em Mira e fiquei particularmente agradada com a Organização dos campos de treino e as diferentes sessões. Voltei a contactar o Bruno [Nazário] e este ano optei por outro tipo de terrenos. Foi uma excelente opção, sobretudo pela qualidade dos terrenos que aqui encontramos.

O. - Que conhecimento tem da Orientação em Portugal?

E. J. - A primeira vez que cá estive foi em 2000 e, quando comparo as condições daquela altura e as que existem hoje, posso dizer que não é apenas o número de participantes em provas de Orientação que cresceu. Também o nível competitivo dos atletas portugueses aumentou, até porque Portugal tem tradição no meio-fundo e fundo. Mas é sobretudo ao nível da qualidade organizativa e do enorme número de excelentes mapas que entretanto surgiram, que salta à vista o desenvolvimento muito positivo da modalidade em Portugal. Definitivamente, recomendaria este País a qualquer atleta, como um local privilegiado para campos de treino, em particular nesta altura do ano.

O. - A República Checa começa a afirmar-se como uma das grandes potências mundiais na Orientação. Onde reside, do seu ponto de vista, o segredo?

E. J. - O segredo está em muito trabalho e na qualidade dos campos de treino. Temos, ao nível da Federação Checa, uma excelente organização e o técnico nacional tem vindo a desenvolver um trabalho muito bom. Ao longo dos meses de Inverno, temos tido campos de treino todos os meses, em terrenos muito diferentes uns dos outros. E julgo que também acaba por ser importante o facto de termos na Selecção Nacional atletas que conseguem atingir o topo e alcançar grandes resultados a nível mundial, servindo de exemplo e transmitindo uma enorme motivação ao resto da equipa.

O. - O que podemos esperar da Eva Juřeníková esta época?

E. J. - O meu clube está cada vez mais forte e proporciona aos seus atletas excelentes condições. Estou muito motivada, confio numa boa época e só espero que os resultados possam aparecer. Fazer boas provas e progredir no “ranking” é o meu objectivo. Se continuar a treinar assim, espero conseguir alcançar o “top 10”.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


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