terça-feira, 20 de janeiro de 2009

ENTREVISTA: ANTÓNIO RODRIGUES


“ESTOU PREPARADO PARA DAR UM MURRO NA MESA”

JOAQUIM MARGARIDO (J.M.) - Apesar de curta, a sua experiência da vida federativa está marcada por um lugar de destaque. Neste último mandato foi um dos “homens do Presidente”. O que é que aprendeu ao longo deste tempo?

ANTÓNIO RODRIGUES (A.R.) - Aprendi bastante. De facto, a minha experiência é curta. Pratico Orientação apenas há cinco anos e entrei nas lides federativas há três. Não conhecia Augusto Almeida [o anterior Presidente] e foi apenas quando me convidou para Director Financeiro da lista dele que começámos a privar um pouco mais de perto. De facto, a sua capacidade de trabalho e o discernimento para dirigir a Federação foram qualquer coisa de extraordinário e ensinaram-me muito. Somos pessoas diferentes, temos estilos diferentes… Espero que os problemas que surgirem sejam resolvidos de forma consensual. Mas, se alguma vez tiver que o fazer, estou preparado para dar um murro na mesa.

J.M. - Qual é a saúde financeira da actual Federação?

A.R. - Temos, felizmente, alguma saúde financeira, mas que vai ter de durar o maior número de anos possível, não podendo ser desperdiçada brevemente. Por vezes é mais fácil gerir o dinheiro quando ele é pouco do que quando existe em maior quantidade. Felizmente, após o Campeonato do Mundo de Veteranos, dispomos de alguns meios que tornam bastante confortável a nossa gestão, mas é sobretudo na questão dos materiais que estamos bem servidos.

J.M. - As verbas que a Federação recebe provêm, fundamentalmente, de dinheiros públicos. Não se equaciona a possibilidade de encontrar, no sector privado, um “sponsor” que possa patrocinar as nossas Selecções, por exemplo?

A.R. - Claro que sim. As verbas são, em grande parte, aquelas atribuídas pelo IDP e estamos naturalmente abertos a esse tipo de parcerias. A Orientação não tem ainda a necessária projecção que a torne apetecível, digamos assim, por marcas ou produtos. Temos em marcha algumas iniciativas do género, mas mais na Ori-BTT. É uma disciplina onde se afigura mais fácil conseguir esses patrocínios. A mediatização é um dos eixos do nosso plano de acção e a tão necessária visibilidade que almejamos poderá, também, servir para atrair eventuais patrocinadores.

J.M. - Num programa que se adivinha “de continuidade”, há algum “dossier” que marque o arranque desta nova Direcção?

A.R. - Há dois, fundamentalmente. O primeiro é a realização do Campeonato do Mundo de Ori-BTT em 2010. Começámos já a preparar todo o programa de acção e a estruturar as equipas de trabalho. Pretendemos arrancar com a cartografia no início da primavera do próximo ano, numa altura em que receberemos a primeira visita do Supervisor Internacional e queremos, à semelhança do que aconteceu com o WMOC, uma organização de excelência. O segundo “dossier” tem a ver com a aposta num Director Técnico Nacional, alguém que veja a Orientação como um todo, que esteja no terreno a contactar mais de perto as Escolas e os Clubes, que tenha uma visão global da situação e que nos dê perspectivas futuras de evolução da modalidade.

J.M.- Há alguma possibilidade desse cargo poder vir a ser ocupado por um técnico estrangeiro?


A.R. - Não. Temos cá bons técnicos, perfeitamente identificados com as nossas realidades e vamos lançar mão da prata da casa. Por estranho que pareça, ao contrário de muitas outras estruturas federativas, a nossa Federação não possui nenhum técnico requisitado ao Ministério da Educação. Nesse sentido, vamos procurar o destacamento dum técnico que assuma o cargo.

J.M.- Qual é, no seu ponto de vista, o actual estado da Orientação em Portugal?

A.R. - Não tanto como gostaríamos, mas a Orientação está em expansão, tem aumentado o número de atletas federados e também se nota um aumento do conhecimento da modalidade no seio dos seus praticantes. Os Clubes estão bem organizados e há muitos jovens a despontar, para os quais temos traçado um plano de desenvolvimento que permita melhorar a sua formação e acarretar uma maior motivação. Assistimos a um ligeiro decréscimo na afluência às provas, mas julgo que a situação tem sobretudo a ver com a crise económica e financeira que o País atravessa. Acredito que, ultrapassada esta situação, o tão esperado “boom” possa aparecer. Cada vez há mais pessoas despertas para a Orientação e esta é uma modalidade apetecível para pessoas dos 7 aos 77 anos.

J.M. - O que é que podemos esperar deste novo elenco directivo?

A.R. - Espero que, comigo, possamos constituir uma equipa coesa, capaz de responder aos desafios que temos pela frente. Conheço muito bem as pessoas que compõem a actual Direcção e que, na sua grande maioria, transitaram da anterior. Todas elas deram já provas de trabalho e de conhecimento da Orientação. Basicamente espero que consigamos prosseguir com o bom trabalho feito pela anterior Direcção e seguir nesse caminho que vem sendo traçado. Procuraremos corrigir este ou aquele aspecto que, por condicionantes diversas, possa não ter sido tão desenvolvido mas, fundamentalmente, espero poder chegar ao fim destes quatro anos, olhar para trás e ver que a missão foi cumprida.

JOAQUIM MARGARIDO

[Depoimentos recolhidos em 8 de Novembro de 2008, dia da tomada de posse da nova Direcção da FPO; entrevista publicada na edição de Dezembro da Revista de Atletismo]

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