quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. Quem será este estranho frade que parece querer trazer-nos a sua bênção à entrada do novo ano? Trata-se, nem mais nem menos, do José Moutinho (Grupo Desportivo 4 Caminhos) que, juntamente com uma série de atletas do seu clube, fez questão de marcar presença nos 10 km da popular Corrida de S. Silvestre Cidade do Porto. A prova cumpriu este ano a sua 15ª edição e juntou cinco milhares de atletas, entre os quais o ciclista espanhol Oscar Pereiro, vencedor da Volta a França em 2006. Amadora, Ermesinde, Valongo, Pinhel e Santo Tirso são ainda oportunidades de participar numa S. Silvestre e “queimar” alguns exageros da quadra natalícia antes do recomeço da temporada orientística nacional. E tem ainda as Corridas dos Reis em Faro e no Pico (Açores). Não quer aproveitar a sugestão?

2. Ecos do OriJovem continuam a fazer-se “ouvir” em numerosos órgãos de comunicação social, dos locais aos de maior expressão a nível nacional. Exemplo disso é o Jornal “Notícias de Vila Real” que, em 26 de Dezembro, publicou um artigo relativo ao evento e que pode ser lido na íntegra em
http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=4683 . Louve-se este cuidado de tornar público a presença em Ovar de cinco jovens e dois monitores do Orimarão – Clube de Orientação de Vila Real, EB 2,3/S Miguel Torga e da Associação Desportiva e Cultural SABRO, “promovendo assim a nossa escola, a nossa associação, o nosso clube e a nossa região.” Do lado de lá do Marão vem mais um exemplo a seguir. A promoção e valorização da comunicação e imagem da modalidade são indissociáveis destes pequenos contributos.

3. Ouviu a chuva a cair pesadamente no telhado. O céu carregado parecia querer retardar o início da manhã e convidava a permanecer no aconchego dos lençóis por mais uns largos minutos. Cheio de energia, levantou-se, enfiou o equipamento, calçou as sapatilhas e, como habituamente, lá foi dar a sua corrida com os amigos. Seguiram animados, falaram de tudo e de nada, brincaram, riram e nem deram pela chuva que continuava a cair. Depois dum belo duche retemperador, prepara-se agora para um resto de dia que se adivinha carregado de emoções fortes. Casa-se dentro dum par de horas e, garante, “este amor será para sempre”. Falo de António Aires a quem endereço os meus parabéns e os votos das maiores felicidades.

4. O Orientovar despede-se do Ano Velho com o sentimento de ter dado um bom salto qualitativo e de ter contribuído, naquilo que esteve ao seu alcance, para o crescimento da Orientação no nosso País. Para 2009 fica a promessa de, com a vossa ajuda, aqui continuar a trazer as “últimas”, pautando a sua linha de orientação pelo rigor e imparcialidade. E também fazer votos para que esta plataforma de convergência de interesses e valores da modalidade se torne mais interactiva, mais participada e que a partilha de opiniões e pontos de vista seja uma constante no dia-a-dia. A todos, um excelente 2009!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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2009 ISF WORLD SCHOOLS ORIENTEERING MADRID: DEFINIDAS AS SELECÇÕES


Concluído o processo de observação e análise dos alunos integrantes das Selecções Nacionais de Desporto Escolar participantes no ISF 2009 de Orientação, em Madrid, são já conhecidos os nomes dos nossos representantes nos vários escalões.

Foram critérios de escolha para as Selecções os dados recolhidos nas provas da Taça de Portugal (Coruche e Idanha-a-Nova) o 10º OriJovem (Ovar), os resultados dos Campeonatos Nacionais Desporto Escolar 2008 e o “ranking” actual da Taça de Portugal FPO. Pelo facto de não existirem ainda rankings locais ou regionais de Desporto Escolar 2008/2009, este indicador não foi utilizado.

Uma lista inicial de alunos em observação com cerca de 80 nomes, aos quais outros foram acrescentados ao longo do processo, foi sendo sucessivamente estratificada em função da aplicação dos critérios. A última observação teve lugar no decurso do Estágio de Natal realizado de 20 a 23 de Dezembro em Ovar.

Deste processo resulta a lista apresentada e da qual constam, para cada escalão, os cinco alunos que em condições normais integrarão a Selecção e dois alunos suplentes. São eles:

INICIADOS FEMININOS
Vera Alvarez (EB 2,3 Sarrazola, Sintra)
Inês Domingues (EB 2,3 G Stephens, Marinha Grande)
Catarina Dias (ERD A Ribeirinha, Vila do Conde)
Nádia Silva (EB 2,3 Sarrazola, Sintra)
Ana Tereso (EB 2,3 G Stephens, Marinha Grande)

Catarina Lopes (ES Pinhal Novo) – suplente
Sara Laje (ERD A Ribeirinha, Vila do Conde) – suplente

INICIADOS MASCULINOS

Luís Silva (ES Pinhal Novo)
Miguel Ferreira (ES Palmela)
Tiago Baltazar (EB 2,3 N R Soromenho, Sesimbra)
Sérgio Duarte (ES Maximinos, Braga)
Marcelo Aguiar (ES Estarreja)

Marco Martins (ES Entroncamento) – suplente
Henrique Silva (ERD A Ribeirinha, Vila do Conde) - suplente

JUVENIS FEMININOS
Mariana Moreira (ES Santa Maria, Sintra)
Joana Costa (ERD A Ribeirinha, Vila do Conde)
Isabel Sá (ERD A Ribeirinha, Vila do Conde)
Margarida Colares (ES Santa Maria, Sintra)
Marta Ferreira (ES Santa Maria, Sintra)

Fátima Alves (ES Valongo) – suplente
Ágata Cerqueira (ERD A Ribeirinha, Vila do Conde) – suplente

JUVENIS MASCULINOS
Gonçalo Cruz (ES Santa Maria, Sintra)
Rafael Miguel (ES Estarreja)
João Delgado (ERD A Ribeirinha, Vila do Conde)
Hélder Marcolino (ERD A Ribeirinha, Vila do Conde)
Paulo Falcão (EB 2,3 Cunha Rivara, Arraiolos)

Flávio Martins (EB 2,3 S. Rosendo, Santo Tirso) - suplente
João Martins (ERD A Ribeirinha, Vila do Conde) - suplente

Segue-se um período de preparação que compreende duas concentrações - participação no Portugal O-Meeting e um estágio na interrupção lectiva da Páscoa. Oportunamente será igualmente proposto um plano de preparação a ser implementado autonomamente por cada escola com alunos seleccionados e/ou equipas apuradas. Os alunos suplentes deverão cumprir o plano de preparação proposto e serão igualmente convidados para ambas as concentrações, mas apenas seguirão viagem para Madrid em caso de impossibilidade de um dos alunos titulares da equipa.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

OS VERDES ANOS: MARIANA MOREIRA


Olá

Sou a Mariana Moreira, nasci em Lisboa no dia 28 de Agosto de 1992 e sempre residi em Sintra, mais propriamente em Colares.

Frequento o 11º ano do curso de Ciências e Tecnologias na Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra, e, apesar de pensar continuar a estudar após concluir o 12º ano, não faço a mínima ideia do que irei seguir; aliás, nem quando tive de escolher a Área para que ia no 10º ano, tive 100% de certeza na escolha. Apenas sei que as minhas disciplinas preferidas são a Matemática e a Educação Física.

Sempre fui muito adepta de praticar desporto, tendo já passado por várias modalidades, entre as quais a Ginástica, a Natação, o Ténis, o Triatlo, mas foi a Orientação o desporto que me cativou mais e ao qual eu decidi dedicar-me.

Comecei a praticar Orientação quando integrei o grupo do Desporto Escolar na Escola da Sarrazola, durante o meu 5º ano. Nesse ano apenas participei em 2 ou 3 provas. Ainda não estava muito ligada à modalidade e no ano seguinte era para ter abandonado o grupo da Orientação da escola, mas a professora Avelina Alvarez (responsável pelo grupo) insistiu para que continuasse e assim o fiz… E ainda bem! Não sei como seria hoje a minha vida se não praticasse Orientação! (Foi através da Orientação que eu já viajei por muitos lugares e foi também através desta que já fiz muitos e bons amigos).

Nessa mesma época participei em mais algumas provas e foi assim que nasceu o meu fascínio por este desporto tão especial. Foi então, no ano a seguir, que decidi federar-me. Era a época 2004/2005 e estava assim federada pelo meu clube de sempre, o CPOC. A minha 1ª prova a correr com o nº 3156 (o meu número de federada) foram os 4 dias do “Vila Real O’Meeting”, no qual participei no escalão de Iniciadas e classifiquei-me em 3º lugar. Desde aí, participo em todas as provas da Taça de Portugal e, sempre que posso, também vou às regionais e locais.

Logo após a minha primeira época, fui convocada para representar a selecção no EYOC, que nesse ano se realizou na República Checa. Desde então já participei em quatro edições desta competição, tendo também já participado numa edição da Taça dos Países Latinos (este ano) e em quatro Campeonatos Ibéricos. Em 2006 participei também no Mundial de Desporto Escolar, na Eslováquia, e conto estar presente no do próximo ano que se realizará em Madrid.

Esta época, 2008/2009, é já a minha quinta e estou a participar no escalão de Juniores. As anteriores épocas foram feitas, a primeira em Iniciada e as três seguintes em Juvenis.

Na Orientação, quando se quer ser um bom atleta, é preciso treinar não só a parte física, mas também a parte técnica. Quanto à parte física, até ao inicio desta época eu nunca tinha adquirido hábitos de treino, pois sempre tive boa aptidão para correr e nunca tinha sentido grande necessidade de o fazer. Mas a partir, principalmente, da época passada, comecei a sentir dificuldades físicas durante as provas, o que fez com que este ano eu adquirisse alguns hábitos (o que só é possível com a ajuda dos meus pais que me acompanham nos treinos). Estes treinos, apesar de não serem “programados” nem regulares, acho que já contribuem para melhorar as minhas capacidades de corrida durante as provas. Quanto à parte técnica, um dos principais factores responsáveis pela minha evolução, foi a participação em estágios, dos quais destaco a participação nos dez OriJovens até agora realizados.

Quanto à participação em provas no estrangeiro, penso que sou uma “sortuda”, pois já tive oportunidade de praticar orientação em vários países Europeus como Espanha, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Hungria, Suécia, Itália, Suíça…

Para terminar, queria agradecer ao Joaquim Margarido por permitir aos jovens orientistas portugueses, com a disponibilização deste espaço, “apresentarem-se” a todos os praticantes da nossa modalidade e a todos os visitantes deste blogue, bem como felicitá-lo pelos excelentes artigos que aqui coloca, que tão bem nos permitem estar actualizados e informados acerca do que se passa no nosso mundo, o Mundo da Orientação!

Mariana Moreira

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. Levanto-me cedo e quebro a rotina. O quiosque é o meu primeiro objectivo e é com enorme ansiedade que folheio o Jornal de Notícias. De súbito esbarro com ela. Ocupa 3/5 da página e apresenta um título bastante chamativo: “De mapa e bússola no meio da mata durante três dias”. Uma fotografia a cores mostra dois jovens em plena floresta, analisando o mapa, bússola e “sportident” firmemente seguros nas mãos. Porquê este meu entusiasmo? Porque o Jornal de Notícias é o diário por excelência do Norte do País. Com uma tiragem média diária superior a 120.000 exemplares, chega a uma vasta franja da população e representa um veículo noticioso por excelência. Sabendo nós da dificuldade de penetração da nossa modalidade junto dos órgãos de comunicação social, esta é uma autêntica “lança em África”!

2. Mochilas, esteiras, sacos-cama e tudo o mais que se possa imaginar acantonam-se junto às paredes. No centro do Pavilhão, sessenta ou setenta jovens dão voltas e voltas, correndo uns atrás dos outros. Firmemente seguros nas mãos, um mapa, um cartão e um picotador são ferramentas do seu percurso virtual. O treino de simulação leva-os por parques e florestas do mundo inteiro sem sair daquele espaço reduzido. Reparo na sua enorme concentração, vejo-os a abrir a passada e imagino-os a descer a ladeira íngreme duma floresta da Polónia, agora abrandam e vejo-os numa zona pantanosa da Finlândia ou perdidos na fantástica noite da Tiomila. Fascinado, penso nas mil e uma possibilidades duma modalidade que, por vezes sem o parecer, tanto tem para oferecer!

3. Ovar, os miúdos das suas escolas e o próprio clube de Orientação estiveram à margem do OriJovem. Pergunto-me como é possível que se possa fazer tábua rasa de princípios e valores tão fundamentais na nossa sociedade e se repudie uma iniciativa que, promovendo a modalidade e apostando na formação, elevou e prestigiou o nome de Ovar e de toda esta bela e vasta região. Nesta quadra natalícia ficam os votos de boa vontade a todos os homens e que se revelem merecedores da paz por que todos ansiamos!

NOTA: O Orientovar faz umas mini-férias, regressando no próximo dia 30. A todos sem excepção, do fundo do coração, os votos dum Santo e Feliz Natal.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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10º ORIJOVEM: O BALANÇO DE TIAGO AIRES


Grande mentor e impulsionador duma iniciativa a todos os títulos louvável, Tiago Aires faz o balanço daquilo que foi, na sua perspectiva, o 10º OriJovem.


Orientovar - Seria possível enunciar dois ou três pontos fortes deste estágio?

Tiago Aires - Um dos aspectos que me deixou bastante satisfeito prende-se com o facto de ter aqui um bom grupo de monitores, a grande maioria deles envolvidos pela primeira vez no OriJovem. Poder contar com eles, com a sua total entrega e dedicação foi, inquestionavelmente, um dos factores de sucesso deste estágio. Gostaria de poder voltar a contar com esta equipa magnífica porque foi devido à colaboração deles que tudo correu tão bem. Outro aspecto muito importante e que eu valorizo em particular, prende-se com uma pessoa que não é visível no imediato e que trabalha completamente nos bastidores. Estou a falar do Miguel Morais, a quem se deve o excelente trabalho de composição e impressão de mapas. Finalmente, a adequada distribuição de tarefas permitiu libertar-me para aquilo onde me sinto mais à vontade e que gosto mais de fazer, que é o acompanhamento dos miúdos, a preparação das aulas teóricas, delinear os percursos, traçar os objectivos a atingir em cada um dos níveis. Desta vez tive essa felicidade e correu muito bem nesse sentido. Gostaria ainda de deixar uma palavra especial para duas pessoas que não puderam estar neste Estágio mas que têm sido referências do OriJovem. Sem desprimor para todos quantos cá estiveram, permitam-me referir o Manuel Dias e o Norman Jones, com quem espero poder voltar a contar em próximas edições. São eles que, com a sua experiência e veterania, acrescentam a 'pimenta' aos grupos.

Orientovar - Do ponto de vista pessoal, que aspectos considera terem sido mais enriquecedores?

Tiago Aires - Sobretudo o facto de ver o Desporto Escolar tão bem integrado e de ter técnicos envolvidos. Penso que as coisas têm de passar por aqui. Na minha opinião, a implementação deste tipo de estágios deveria passar pela obrigatoriedade dos clubes a disponibilizar técnicos para enquadrarem e apoiarem os participantes e, em particular, os jovens dos seus clubes. Nada disto é novo e se pensarmos como é que as coisas funcionam noutras modalidades, nomeadamente no Atletismo ou no Triatlo, vemos que é assim. Há um técnico internacional conceituado que vem cá, que durante o dia trabalha com os atletas e depois com os técnicos. Parece-me fundamental que os técnicos dos vários clubes venham ao estágio, que haja uma troca de experiências e que todos possamos evoluir uns com os outros. Acredito que é para isso que se caminha e ficou provado neste estágio, onde tivemos técnicos de vários clubes e eles próprios estiveram aqui a aprender.

Orientovar - É sabido que “quanto maior é a nau, maior é a tormenta”. Com um grupo tão numeroso, que aspectos correram menos bem?

Tiago Aires - Infelizmente são muitos miúdos e surgem sempre alguns atritos. Principalmente no penúltimo dia verificou-se uma ou outra situação menos agradável, mas tudo acabou por se resolver a bem. É claro que tivemos que impor alguns castigos mas julgo que todos percebem que tem de ser mesmo assim e que servem para os outros balizarem a sua conduta.

Orientovar - Qual a grande mais-valia deste género de iniciativas?

Tiago Aires - Esta grande alegria, animação e convívio entre os jovens é mesmo o mais importante. A seguir a um estágio destes, reparamos que os miúdos, por exemplo no solo duro, deixam de estar tão divididos por uma pretensa clubite que nos afecta a todos e passam a estar juntos pelo OriJovem, por algo que é realmente de todos eles. O OriJovem é o “clube” de referência, onde estão amigos de todos os outros clubes, independentemente de serem adversários durante a competição. Mas tirando esse período, tudo o resto é convivência e divertimento.

Orientovar - Até onde pode crescer o OriJovem?

Tiago Aires - Não sei até onde pode crescer. Os aspectos logísticos são sempre uma condicionante e estamos dependentes do tipo de alojamento, por exemplo. Neste OriJovem tivemos realmente o problema das refeições que nos atrasou sistematicamente o programa. Mas estando estes aspectos salvaguardados, tudo o resto se adapta.

Orientovar - Qual a perspectiva de Ovar voltar a receber o OriJovem?

Tiago Aires - Certamente que isso voltará a acontecer. Eu tenho a ideia de, dentro de dois anos, voltarmos a repetir os locais. Vai ser muito interessante nessa altura voltarmos aos locais, repetirmos alguns treinos e estes jovens, alguns deles já referências a nível nacional, perceberem o grau de evolução. Bem como irá ser motivador para todos os outros saberem que o percurso que agora fazem foi feito por um ou outro que agora é campeão da Europa ou do Mundo. Também espero ver mais gente de Ovar. Aliás, esse é um ponto que considero fundamental, que nessa altura já exista um clube em Ovar que agarre nos miúdos da terra e os traga ao estágio. É realmente um privilégio poder contar com todo este potencial, com a floresta em cima da cidade e seria uma pena que Ovar voltasse a desaproveitar tudo isto.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

10º ORIJOVEM: "LE GRAND FINALE"


A tão aguardada Estafeta constituiu o “grand finale” duma peça a vários actos e muitas mãos chamada 10º OriJovem. A aplicação dos cento e cinquenta executantes resultou num espectáculo rico, variado e colorido de ritmo e energia e à ovação prolongada respondem agora os responsáveis com a promessa de “bis”.

Em dias de sol e sonho e numa floresta de encantar, Ovar, Furadouro e Torrão de Lameiro revelaram-se magníficos palcos onde se desenrolaram os espectáculos. E que espectáculos! Ao longo de três dias, crianças e jovens de todo o País foram protagonistas privilegiados do 10º OriJovem, o estágio nacional de Orientação pedestre. Contando com os apoios da Câmara Municipal de Ovar, do Agrupamento de Escolas de Ovar e do Clube Ori-Estarreja e organizada pela Federação Portuguesa de Orientação, a iniciativa juntou participantes dos 8 aos 18 anos, com ou sem experiência na modalidade, oriundos de todos os pontos do País.

Aos artistas exigiu-se determinação e capacidade de execução. Apurou-se a técnica, afinaram-se instrumentos e trabalhou-se a leitura e interpretação da partitura (leia-se mapa). No final todos saíram agradados com este tempo e este espaço, referindo apenas que a duração do espectáculo foi curta. É isso, pelo menos que se infere das palavras do Domingos Martins (GD4 Caminhos), um jovem praticante e que assumiu, em simultâneo, o “desenho” da página oficial do evento: “Foi muito bom mas soube a pouco. Só falhei duas edições do OriJovem e sempre que vimos cá aprendemos algo de novo. Há sempre coisas para aprender e, por isso, vou continuar a vir. Esta floresta é excelente para treinar, sobretudo curvas de nível.” Apesar de tudo, o OriJovem de Vila Real continua a ser aquele que mais o marcou: “Houve pouca gente, treinámos muito mais e os treinos foram mais rigorosos. Não havia laranjinhas e neste houve e ainda bem. Os laranjinhas são o nosso futuro.”



Próxima paragem: Mira!

Pedro Leite (.COM) é um estreante no OriJovem e achou a experiência “espectacular e para repetir durante muito tempo, até atingir os 18 anos.” A capacidade dos monitores e a diversidade de mapas foram aspectos valorizados mas, sobretudo “o convívio. Foi espectacular!” Também Laurinda Alves (OriMarão) fez aqui a sua estreia neste tipo de iniciativas e ficou igualmente fascinada: “Convivemos entre todos, aprendemos a conhecer melhor estes terrenos e a orientar-nos mais. Isso é muito importante depois para as provas.” Para a Rute Gomes (ADFA) esta foi a sua quinta participação no OriJovem e achou que “foi giro, os treinos construtivos e muito úteis. Se tivesse que escolher entre todos, escolheria este. Foi o mais exigente em termos técnicos e do treino e trabalhámos melhor.”

Grande maestro duma orquestra bem afinada, Tiago Aires faz o balanço: “É bastante positivo e tivemos neste 10º OriJovem um número record de participantes. Parece-me que a evolução é impressionante, e deixa-nos bastante satisfeitos.” Referindo-se aos aspectos menos conseguidos, a máxima parece ser a de que “santos da casa não fazem milagres”: “Tivemos neste Estágio apenas duas participantes que são mesmo de Ovar e nessa parte falhámos claramente”, lamenta. Agora o OriJovem ruma a Mira, já nas férias da Páscoa, mas promete regressar brevemente às florestas de Ovar.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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10º ORIJOVEM NA RÁDIO ANTENA VAREIRA


A Rádio Antena Vareira abriu o seu habitual espaço de desporto das segundas-feiras à Orientação. Uma oportunidade rara, especialmente bem aproveitada por um painel de individualidades que são referência na Orientação nacional. Do programa conduzido pelo jornalista Fernando Souteiro, aqui ficam as linhas mestras de quase uma hora de emissão.

Tiago Aires
- O balanço é bastante positivo e temos neste 10º OriJovem um número record de participantes. Parece-me que a evolução é impressionante e que nos deixa bastante satisfeitos.

António Aires
- Que estes jovens continuem a praticar a modalidade é o nosso objectivo básico. Se, pelo caminho, se conseguirem criar campeões, tanto melhor.

Tiago Aires
- Há quem lhe chame uma caça ao tesouro, mas a Orientação está muito longe de ser isso. Uma caça ao tesouro implica sorte e a Orientação não tem nada de sorte.

Ricardo Chumbinho - É uma pergunta [como é que se conseguem motivar os alunos para a prática da Orientação?] que, se tivéssemos uma resposta cabal, teríamos a modalidade desenvolvida a altíssimo nível.

Tiago Aires
– Neste OriJovem temos sensivelmente trinta e cinco jovens que nunca tinham feito Orientação. Isto parece-me um número realmente impressionante e demonstrativo da capacidade que a Orientação está a ter neste momento de divulgar as suas iniciativas.

Vera Alvarez
- Tento convencer a minha família e os meus amigos a virem à provas de Orientação e, às vezes, até vêm.

Ricardo Chumbinho – Estes estágios não se cingem de forma nenhuma às questões físicas ou às questões técnicas. Têm uma fortíssima componente social e cultural e é de todo este conjunto que resulta a experiência enriquecedora que os jovens aqui colhem.

António Aires – É importante neste momento apostar-se no desenvolvimento técnico e levar os bons atletas o mais longe possível.

Tiago Aires
– Só temos uma participante que é mesmo aqui de Ovar. Nessa parte falhámos claramente.

António Aires
– É muito bom estarmos aqui. Oportunidades como esta que nos estão a dar são raras. E são tão raras que eu acredito que neste momento haja muita gente, principalmente ao nível da Internet, a ouvir este programa.

Tiago Aires – Tenho muitos amigos e familiares que começaram a experimentar a Orientação e mudaram por completamente as suas vidas. Parece que estamos aqui com um discurso um bocado religioso mas a realidade é mesmo esta.

Vera Alvarez
– [Renovar o título de campeã mundial] Penso que vai ser mais complicado. Este ano irei em Selecção e é maior a competição nesse escalão. Diria que o primeiro lugar é complicado mas espero, pelo menos numa das etapas, chegar aos primeiros cinco lugares.

António Aires
– Um ponto importante em que a Federação tem que apostar bastante é permitir que os atletas potencialmente de Selecção tenham mais hipóteses de ir ao estrangeiro.

António Aires –Venham experimentar, inscrevam-se numa prova e só assim é que poderão ver que toda esta paixão que se vai mostrando aqui é para todos. Experimentem, vão ver que vão gostar e que vão ficar aficionados.

[Escute aqui o programa na íntegra, numa gentileza de Nuno José Almeida e do espaço www.orienta-te.com/ ]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

10º ORIJOVEM DESCEU À CIDADE


“A Orientação é um desporto que considero absolutamente fantástico!” Foi com estas palavras de entusiasmo que o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ovar recebeu, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, os mais de cento e cinquenta participantes no 10º OriJOvem, o estágio nacional de Orientação que decorre até amanhã em Ovar.

A componente social ficou particularmente vincada na tarde de hoje com a visita à Cidade de Ovar. Embora que breve, o contacto com algum do rico património da cidade-museu do azulejo constituiu um momento alto do estágio e uma mais-valia a todos os títulos enriquecedora para os ilustres visitantes.

Qual excêntrica estrela do mar desdobrando os finos e convulsivos dedos, assim são as ruas e ruinhas que, a partir da Praça da República, se orientam em direcções mil. O Dr. Manuel Bernardo conduziu os grupos por alguns lugares emblemáticos da cidade, colocando a ênfase nesse ponto de encontro entre os dois grandes eixos que marcam indelevelmente a nossa História, o caminho do Mar e o caminho da Ria. No Atelier de Conservação e Restauro do Azulejo, a Dra.Isabel Ferreira recebeu os visitantes , dando a conhecer o enorme esforço desenvolvido na preservação dum património que tão querido é para as gentes de Ovar. Finalmente, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o Dr. David Almeida, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ovar, brindou os presentes com palavras de boas-vindas, fazendo vincar a sua admiração e estima por todas estas crianças e jovens e pela iniciativa em si.

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Sensibilizados com a recepção

Apesar do cansaço acumulado duma série de treinos que já vai longa, os jovens admiraram a nossa cidade, os belos azulejos dourados pelo sol e, na tarde amena, não se coibiram de dar a sua opinião. Ricardo Nunes (GC Figueirense) apreciou a Igreja, a Câmara Municipal, mas sobretudo as fachadas coloridas pelos azulejos: “Acho-as mais bonitas”, rematou. Para Fábio Aleixo (Ori-Estarreja), a visita foi “muito boa e aprendemos mais sobre Ovar.” E como não podia deixar de ser, também os azulejos lhe chamaram a atenção: “São bonitos e há muita variedade.”


Também Mykola Zaikin (ES Palmela) nos deixou as suas impressões: “É uma cidade diferente das outras e a recepção foi muito boa. Fomos muito bem recebidos e esta identificação do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ovar com a Orientação é especial.” Finalmente, Tiago Mota (ES Estarreja) mostrou-se igualmente agradado com a visita, apesar de já conhecer Ovar: “É muito fixe. É sempre bom aprender mais qualquer coisa e nunca pensei que, em vez de fazerem azulejos novos, se aplicassem em recuperar os antigos.” E deixa também elogios à forma como foram recebidos nos Paços do Concelho: “Achei as palavras do Vice-Presidente muito incentivadoras. Não se conhece assim muita gente com tanto entusiasmo pelo desporto e, em particular, pela Orientação. É muito bom!”

Boas perspectivas em relação ao futuro

Para António Aires, futuro Director Técnico Nacional, “é sempre importante a parte social num evento desta natureza, quanto mais não seja para criar laços entre todos e fazer com que mais facilmente fiquem ligados à modalidade.” Referindo-se ao apoio prestado pela autarquia ovarense a este 10’ OriJovem, Aires mostrou-se particularmente agradado: “É muito importante que as portas se abram e que a Câmara Municipal nos tenha acolhido desta forma tão generosa. Os apoios, não apenas financeiros mas sobretudo logísticos das Câmaras Municipais, são essenciais neste tipo de organizações.” A terminar, uma certeza: “Estou convicto que Ovar é um potencial candidato a receber mais edições do OriJovem e, pensando noutro tipo de estágios, das próprias Selecções Nacionais.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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10º ORIJOVEM: CAPITÃES DA AREIA


Os gritos estridentes das crianças e jovens sobrepõem-se ao bramido do mar. A manhã radiosa abraça os participantes do 10º OriJovem, subitamente investidos no papel de “Capitães da Areia”. São os miúdos-ladrões contra os monitores-polícias, uma actividade incontornável no âmbito do estágio.

O sol voltou a beijar a floresta e as tonalidades de Inverno adquirem uma intensidade e um brilho irreais. Laranjinhas e verdes aguardam ansiosamente o momento de entrar em acção, à procura dos pontos que valem “ouro”. Mas cuidado: Os polícias não vão perdoar qualquer desatenção e aquilo que parece um bom pecúlio pode ser rapidamente reduzido a zeros.

Assim foi com Laura Pinto (ES Júlio Dinis), que se deixou interceptar, permitindo aos polícias reaver o produto do saque. Já a Diana Rodrigues (CAAL) teve mais sorte: “Foi muito divertido, consegui encontrar os pontos e soube sempre onde estava. Os polícias apanharam-me no fim mas deixaram-me ir.” Em todo o caso não seria fácil descobrir o dinheiro roubado: “Escondi-o no soutien”, segreda.

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O Miguel Prates (GafanhOri) estava radiante, tendo chegado ao fim com o dinheiro todo. E os polícias até se esforçaram para o apanhar, mas “eu corri mais do que eles. Sou um ladrão perfeito, mais nada!” Arménia Silva (Ori-Estarreja) também chegou ao final com o máximo de dinheiro que pode roubar: “Deixei-me apanhar pelos polícias em duas alturas, mas sabia sempre onde estava e não me levaram o dinheiro.” Finalmente, o Fábio Custódio (ES Pinhal Novo) também estava satisfeito com a sua “performance” na arte de bem subtrair o dinheiro e burlar os polícias. “Fui interceptado duas vezes mas não me levaram o dinheiro porque eu soube sempre onde estava.” Mas correu um grande risco: “O dinheiro estava dentro das calças e podia ter de voltar em cuecas”, reconhece.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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10º ORIJOVEM: ORIENTISTAS VIRAM CARTÓGRAFOS


A tarde já vai alta quando os participantes no 10º OriJovem regressam aos treinos. A floresta do Torrão de Lameiro recebe-os de braços abertos e a proposta passa por desenhar um mapa e navegar nele. Os “orientistas-cartógrafos” mostram o que valem.

É uma actividade com tanto de lúdico como de educativo. Desenhar um mapa e o percurso é a tarefa de cada um. A atenção ao pormenor é valorizada de acordo com a máxima do “quem melhor fizer a cama, melhor se deita nela”. É que é sobre o desenho que cada um fará a sua prova. Esboços inextrincáveis ou obras elaboradas com “road-book” no verso, de tudo um pouco se pode apreciar. No final, os resultados são altamente motivadores e o grupo sai mais enriquecido.

Para o Bruno Madureira (ERD A Ribeirinha), “este é o meu mapa e vai dar para navegar. Não sei o que os outros podem pensar mas pelo menos eu percebo-o. Valorizei sobretudo os caminhos, a vala e uma cota num ponto.” Já o Nuno Coelho (CLAC Entroncamento) acha o seu desenho “não propriamente uma obra de arte mas vai dar para me desenrascar. Valorizei os caminhos e a vala, desenhei as opções e, como é um percurso pequeno, vou usar também a ajuda da memória.”

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“Um prémio para o melhor”

A Catarina Fernandes (DA Recardães) dá uma opinião do seu mapa no mínimo desconcertante, achando que “está estúpido”. Mas sente-se segura no que à navegação diz respeito: “Tem os caminhos entre os pontos e vai dar para fazer o meu percurso.” Margarida Macedo (GD4 Caminhos) também não está certa da sua obra de arte: “Não gosto do meu mapa”, observa. Mas também ela considera-o “explícito para fazer a minha prova. Tem os trilhos e a vala e vai ser suficiente.”

Os azuis e magentas estão embrenhados nessa verdadeira novidade que é o treino de escalas e aproveitamos para falar com Ana Porta-Nova, a responsável pelo escalão mais iniciático, os “laranjinhas”. É ela que nos fala da importância do treino de desenho do mapa: “É crucial saber interpretar os elementos considerados mais importantes para chegar a cada ponto. Não é preciso decalcar o mapa completo mas sim aquilo que é mesmo necessário para atingir o ponto. Valorizar demasiados elementos pode dificultar mais do que simplificar.” Ficámos também a perceber que um mapa é valorizado se forem utilizadas as cores adequadas e dado o devido valor à sinalética. É que, à espera dos nossos orientistas-desenhadores, há uma surpresa: “Vamos avaliar todos os mapas e, no fim, haverá um prémio para o melhor.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


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domingo, 21 de dezembro de 2008

10º ORIJOVEM: A ESTREIA DA FLORESTA


De animação e muita energia se fez a primeira manhã da edição 2008 do OriJovem. A luz e o calor dum esplendoroso sol de Inverno inundaram a floresta, transfigurando-a. E todos corresponderam com enorme entrega e generosidade, retirando da experiência proveitosos ensinamentos.

Algures no meio da floresta, centena e meia de crianças e jovens partem à descoberta. Os percursos estão traçados de acordo com o grau de exigência para cada um dos quatro grupos e os pontos lá estão no terreno à sua espera. Treino de relocalização e de memória para os mais avançados, treino de ida-e-volta e formal para os mais inexperientes. A floresta transforma-se rapidamente num fervilhar de vida e emoção e todos se aplicam em aproveitar estes preciosos momentos e alcançar os objectivos previamente definidos.

Rafael Miguel (Ori-Estarreja) não esconde o cansaço quando chega ao final do treino: “Fiz dois treinos de cinquenta minutos e estou todo lixado. Avaliar o grau de resistência física, ver até onde posso chegar, é um dos meus objectivos, bem como ler melhor o mapa e as curvas de nível. Foi bom e estou a aprender muito.” Já Carolina Delgado (GD4 Caminhos) achou este primeiro contacto com a floresta “muito interessante. O mapa estava com muitas curvas de nível e permitiu-me explorar bastante esse aspecto. O ambiente está excelente, estou a gostar muito e tenho grandes expectativas no que se refere ao resto do estágio.”

"Logo à tarde já vai ser melhor"

Outro dos participantes é João Carvoeira (CPOC), que considerou o treino da manhã “giro, mas muito puxado para mim. Resolvi fazer ‘magenta’ e agora é mais complicado. Saí-me melhor no treino de relocalização e na memória tive dificuldade nalgumas partes. De qualquer das formas é sempre bom para aprender.” Quem se saiu menos bem foi Cláudia Miranda (Ori-Estarreja), que considerou a manhã “muito má. Nunca tinha feito treinos de relocalização e não gostei muito. Acabei por empenhar o tempo todo neste tipo de treino e não cheguei a fazer treino de memória.” Mas mesmo assim os ânimos não parecem esfriar: “Estou motivada e empenhada em ultrapassar a situação. Logo à tarde já vai ser melhor.”

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Albino Magalhães, atleta de elite que representa o GD4 Caminhos, é um dos monitores deste 10º OriJovem. É ele quem traça o balanço duma manhã recheada de peripécias e de muita e boa Orientação: “Este primeiro contacto permite perceber se os atletas estão bem posicionados no nível que lhes foi atribuído. No caso da atleta que acompanhei, manifestamente o nível era elevado para ela. Teve imensas dificuldades no treino de relocalização e tivemos que fazer várias vezes a pernada para que ela percebesse os detalhes do terreno que a rodeavam. Isso levou-nos a manhã toda.” Falando da importância deste tipo de treino, o popular Bino valoriza o facto de “ser essencial que o atleta venha com a noção de que não está aqui para competir. Tem que vir com calma e espírito aberto para aprender. Se vem com ideias de competir, os erros que faz na competição repete-os aqui e não evolui.” A título pessoal, a experiência não poderia ser mais enriquecedora: “Para mim está a ser particularmente enriquecedor. Temos de ser humildes e reconhecer as nossas limitações e trabalhar com o Tiago está a ser extremamente gratificante.”

Votos de mais e melhor Orientação para Ovar

Quem não quis perder a oportunidade de dar uma saltada à floresta foi o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ovar, Dr. David Almeida, ele próprio um entusiasta da Orientação. “Está um dia extraordinário e este espaço constitui um cartão de visita perfeito para as cento e cinquenta crianças e jovens que aqui estão a praticar uma modalidade tão interessante como é a Orientação.” Referindo-se ao meio envolvente onde se desenrola a actividade, o Dr. David Almeida fez questão de referir “o enorme valor deste património natural e paisagístico, ideal para a prática de várias modalidades. Uma delas é seguramente a Orientação. Temos um mapa, temos um percurso permanente e há que fazer uso dele, que rentabilizá-lo. Para isso é preciso que surjam organizações deste género, que só nos valorizam e enriquecem.” Para concluir, em jeito de voto para o novo ano, o autarca pede “mais dinamismo, mais e melhor Orientação em Ovar. Aquilo que gostaria de ver era uma equipa de Orientação com muita força, com as pessoas certas e capazes de fazer o trabalho de motivação que a modalidade tanto precisa e merece.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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10º ORIJOVEM JÁ ESTÁ EM MARCHA


Mariana Moreira, Joana Costa e Vera Alvarez. São estas as três totalistas das dez edições do OriJovem realizadas até hoje. A elas coube a primazia de envergarem a “t-shirt” oficial do estágio. O 10º OriJovem já está em marcha e promete!

O dia já vai longo e, aos poucos, o silêncio regressa ao Pavilhão da EB 2,3 António Dias Simões, em Ovar. Cento e cinquenta participantes no 10º OriJovem procuram retemperar forças para aquilo que os espera nos próximos três dias: Muita e boa Orientação.

Apresentado em detalhe, o estágio nacional de Orientação começou com o forte aplauso às três atletas que, até ao momento, marcaram presença em todas as edições do certame. Mariana Moreira, Joana Costa e Vera Alvarez são hoje grandes certezas da Orientação nacional. “Em parte devido ao OriJovem”, interroga-se Tiago Aires, o planificador do estágio. Ele próprio responde: “Em certa medida, penso que sim!” Seguiu-se a leitura da mensagem do Presidente da FPO por um dos jovens participantes e passou-se à abordagem daquilo que se vai passar no longo dia de amanhã.

“Os castigos são treinar mais”

“Magentas”, “Azuis”, “Verdes” e “Laranjinhas” ficaram a saber o nome dos responsáveis por cada grupo e tomaram contacto com o “programa das festas”. Com entusiasmo, Tiago Aires falou dos treinos com o mesmo empenho com que abordou as regras. E deixou um sério aviso aos prevaricadores: “Os castigos são treinar mais.”


Susana Dias (COC) espera “aprender muito. Este é o meu primeiro OriJovem e também o primeiro contacto com este tipo de treinos. Fico com grandes expectativas quanto ao treino de memória. Nunca fiz nada do género”. Já Jorge Coelho (GafanhOri) não tem dúvidas que “este vai ser um grande OriJovem. Temos bons mapas, bons percursos e isso são factores importantes para que tenhamos uma boa aprendizagem. As minhas expectativas centram-se no treino de escalas, já que nunca fiz nada do género e penso que vai ser bom para provas futuras.” Também Inês Domingues (COC) confessa naturais expectativas: “Nunca vim a um estágio destes e acho que vai ser divertido. Há muitos tipos de treino diferentes que nunca experimentei e tudo vai valer a pena para aprender mais.”

“Tentar agarrá-los”

Para Isabel Sá (GD4 Caminhos), “o dia de amanhã vai ser aliciante. Gostei mesmo muito da apresentação e sobretudo do facto de definirmos objectivos antes dum treino. Nunca fizemos isso e julgo que é muito importante. Por vezes partimos sem saber o que pretendemos e uma boa preparação das aulas teóricas é fundamental. Este OriJovem tem todos os ingredientes para ser um grande OriJovem.”

Finalmente, Raquel Costa assume as “despesas” do lado da Organização: “As expectativas são elevadas. O estágio está muito bem preparado, com percursos muito interessantes para os quatro níveis. É impressionante ver tantos jovens, muitos mais do que o costume, e isso é fortemente motivador. Uma grande parte deles vem do Desporto Escolar, acabam de se filiar na Federação Portuguesa de Orientação e o nosso objectivo passa, claramente, por criar neles o gosto pela modalidade e tentar agarrá-los.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 20 de dezembro de 2008

10º ORIJOVEM: ELE AÍ ESTÁ!


Ele aí está! O 10º OriJovem arranca sob o signo da festa e da alegria. Centena e meia de jovens de todo o País prometem animar Ovar e as suas florestas, enriquecendo-se e fortalecendo a Orientação nacional.

A uma hora do início do 10º OriJovem, o espaço envolvente à EB 2,3 António Dias Simões começa a povoar-se de jovens de todas as idades. O estágio está prestes a começar e, com ele, a grande festa da Orientação neste Natal. Uma prenda no sapatinho de todos quantos farão de Ovar e das suas florestas o ponto de encontro para a prática do seu desporto favorito e para o convívio e partilha de conhecimentos e experiências a todos os títulos enriquecedoras.

A iniciativa gerou um inusitado interesse de Norte a Sul do País e rapidamente se esgotaram os 65 lugares colocados à disposição dos participantes. O enorme esforço e empenho da organização, a cargo da Federação Portuguesa de Orientação, e o apoio da Câmara Municipal de Ovar, Agrupamento de Escolas de Ovar e Clube Ori-Estarreja, permitiu ultrapassar obstáculos de ordem financeira e logística. Assim, é com elevadas expectativas que assistimos ao arranque do 10º OriJovem, o qual contabiliza a bonita soma de 155 inscritos, entre jovens atletas, técnicos, treinadores e monitores da Federação Portuguesa de Orientação.

Os melhores de Portugal


A lista é interminável e engloba os melhores orientistas nacionais nos escalões de Formação. Da bi-campeã latina Mariana Moreira à tri-campeã ibérica Isabel Sá ou do campeão ibérico Manuel Horta à campeã mundial Vera Alvarez, são muitos e grados os nomes que marcam presença no 10º OriJovem. O enquadramento técnico está garantido ao mais alto nível e nomes como Tiago Aires, António Aires (o novo Director Técnico Nacional), Ricardo Chumbinho (Coordenador Nacional de Orientação do Desporto Escolar) ou António Marcolino, garantem a mais-valia técnica necessária ao estágio. A estes juntam-se Raquel Costa, Tiago Romão, Maria Sá, Paula Nóbrega, Albino Magalhães, Tânia Covas Costa ou Ana Porta-Nova, referências inquestionáveis do actual panorama competitivo nacional.

Os mais prestigiados clubes portugueses fazem-se igualmente representar pelas suas jovens esperanças. Emblemas como o COC (Leiria), GD4 Caminhos (Senhora da Hora), .COM (Braga), CPOC (Oeiras), GafanhOri (Arraiolos), Ori-Estarreja, OriMarão (Vila Real), CAOS (Sintra), 20 km Almeirim, ADFA (Évora), GDU Azóia (Sesimbra), AA Mafra, GC Figueirense (Figueira da Foz), DA Recardães (Águeda) e CAAL (Lisboa) são presença certa no 10º OriJovem.

Desporto Escolar representa um ponto forte

Em Ovar estão igualmente as equipas- escola da EB 2,3/S Cunha Rivara (Arraiolos) e da ES Pinhal Novo, que representarão Portugal nos próximos Mundiais de Desporto de Escolar. A estas juntam-se os atletas em observação para integrarem as equipas-selecção nos referidos Mundiais, oriundos da ES Santa Maria (Sintra), ERD A Ribeirinha (Vila do Conde), EB 2,3 Sarrazola (Colares), ES Entroncamento, EB 2,3 Guilherme Stephens (Marinha Grande), ES Maximinos (Braga), ES Carlos Amarante (Braga), EB 2,3 S. Rosendo (Santo Tirso), Esc Sec Palmela e ES Estarreja.

Tudo se conjuga, pois, para uma edição memorável do OriJovem. Apesar das temperaturas baixas – e outra coisa não seria de esperar nesta altura do ano -, o sol promete ser presença constante ao longo dos próximos três dias, enchendo de cor e vida uma floresta enriquecida pela vida e cor desta centena e meia de jovens entusiastas. Que todos saiam enriquecidos da experiência são os nossos mais sinceros votos.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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10º ORIJOVEM: MENSAGEM DO PRESIDENTE DA FPO


"Caros amigos,

É com bastante alegria que vejo cada vez mais o OriJovem como uma referência dos jovens orientistas para evoluírem na modalidade.

De ano para ano a qualidade do estágio melhora, tanto a nível técnico, como social e de convívio entre todos os participantes, sendo revelador o cada vez maior número de inscritos, este ano complementados com a participação dos jovens que representarão Portugal no Campeonato do Mundo Escolar.

De há alguns anos a esta parte, a Direcção da FPO tem apostado na formação de jovens e no Desporto Escolar como um dos pilares da sua actuação, sabendo que o futuro só poderá ser promissor se contarmos com os jovens no presente.

Espero convictamente que este estágio seja proveitoso para todos vós, e que tirem dele todos os ensinamentos não só técnicos e físicos, como de camaradagem e de protecção da natureza, meio natural onde praticamos a nossa modalidade.

Para isso poderão contar com uma organização cuja qualidade já nos habituou a patamares altos, que por certo se elevarão cada vez mais.

Obrigado e divirtam-se"

António Rodrigues

Presidente da Federação Portuguesa de Orientação
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(DES) ORIENTAÇÃO


A SINALÉTICA

A Orientação é uma modalidade com muitos encantos e capaz de proporcionar diferentes emoções em diferentes pessoas. Mas uma característica está sempre presente: não há duas provas iguais. Tal ainda é mais notório quando temos a oportunidade de nosdeslocarmos a outro país para praticar Orientação. Vamos andar em florestas diferentes, mapas realizados por outros cartógrafos com outras formas de trabalho, os percursos seguem ideias diferentes, os 'adversários' vão ser outros, enfim, é como se fosse um novo começo. E existem ainda todos os aspectos organizativos, e de certa formaparalelos ao evento em si, que também são diferentes. Nestes casos torna-se ainda mais importante estudar bem todas as informações que a organização disponibiliza, para que não sejamos apanhados de surpresa quando chegar a altura da prova…
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Foi com este espírito que eu, a Susana e mais um casal amigo nos deslocámos à República Checa no verão passado. Fizemos a nossa inscrição via Internet e consultámos todas as informações disponibilizadas no site da prova. Imprimimos tudo o que julgámos necessário e estávamos preparados para nos divertirmos à grande.
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Chegou o primeiro dia de competição e lá nos dirigimos para o local da prova. Foram cerca de 25 km (de carro) até ao estacionamento e mais uns 500 m (a pé) até à Arena. Como a partida era a 1300 m de distância (com 100 m de desnível) e nós éramos logo dos primeiros a partir, não perdemos muito tempo, preparamos o nosso material e dirigimo-nos para a partida. Chegámos lá com o aquecimento já feito e com tempo mais do que suficiente para absorver o ambiente. O local não era muito amplo, por isso era fácil observar todos os outros orientistas que lá estavam também à espera da sua partida.
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Passado algum tempo observámos algo curioso. Todos, ou a esmagadora maioria, trazia o seu porta sinaléticas. A grande diferença é que os outros atletas já traziam a respectiva sinalética lá dentro, mas os nossos estavam vazios. Entretanto chegaram os nossos amigos, que partiam um pouco mais tarde, também para verem o ambiente. Comentámos a situação da sinalética com eles e disseram-nos que era normal. Já oano passado quanto estiveram na Eslovénia a sinalética estava junto das listas de partida na Arena. Aliás, até já tinham a deles. Não nos tinham dito nada pois partiram do princípio (errado…) que já sabíamos. Voltar a trás não era opção, pois já não tínhamos tempo. Pensamos que com certeza haveriam sinaléticas suplementares junto dosmapas para quem se esquecia. Sem medos e vamos a isto!
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Chega a altura de entrar para o funil das partidas e lá vamos nós. Mas sinalética suplementar, nem vê-la. Entrar à fala com quem lá se encontra não é fácil, pois a barreira linguística é grande, por isso nem tentamos. Que grande maçada, vamos ter de andar sempre a desdobrar o mapa para ver o código dos pontos. Chega a altura de partir, pegamos no mapa e… é o horror. Não existe sinalética no mapa! Vejam bem a situação: É a primeira etapa da prova, uma prova completamente desconhecida, num país diferente, com pessoas com quem não é fácil comunicar, temos o mapa na mão com o percurso mas não sabemos o elemento onde estão colocados os pontos de controlo nem o respectivo código, e o relógio já está a contar!
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As pernas ainda tremem um pouco mas temos mesmo de continuar. Na cabeça passam uma grande quantidade de pensamentos sobre a situação, mas não há nada a fazer. É olhar para o mapa e navegar. Sobe-se o caminho, sai-se do caminho no limite de vegetação, ultrapassa-se o ponto mais alto e começa-se a descer em direcção ao bosque, já dentro do bosque procura-se a colina e no outro lado dessa colina tem umapequena depressão onde deverá estar o ponto. Chegando lá vejo a baliza. É bom, mas será a certa? Só me resta picar. Na saída temos de ter tanto cuidado como no ataque ao ponto. Verifica-se tudo para ter a certeza de que era mesmo aquele ponto. Neste caso bateu certo. E assim continuei sem grandes hesitações até ao número 8. Aqui chegado, tenho a sensação que o ponto deveria estar mais abaixo e um pouco mais longe, mas avisto um ponto. Aproximo-me e ele está num fosso como está desenhado no mapa. Olho para o mapa e para a área circundante e faz algum sentido. Coloco a bússola e a orientação dos elementos é a correcta. Um pouco a medo mas pico o ponto. A saída é feita a andar e a olhar com muita atenção para a bússola. Tudo bate certo. Continuomas falho o ponto seguinte, onde eu pensava que ele deveria estar não há nada. Olho para o mapa e vejo que realmente estou muito em baixo no esporão, subo o esporão e vem um atleta desalmado a perguntar pelo 145 (em Inglês). Avisto o ponto na base da falésia e rindo-me aponto na direcção da baliza. Sei lá eu se é o 145, o 123 ou mesmo o 749! Ainda me vem a ideia de confirmar com ele se realmente é o meu ponto, masnão vale a pena, vamos em frente. Daqui até ao fim fiz normalmente sem grandes erros e sem dúvidas nos pontos.
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Chegou o momento de descarregar o SI. O ritmo cardíaco não baixou muito dos 170 e tal do sprint final (era a descer). Introduzo o chip na estação, ouço o bip bip, sai o respectivo recibo e olho apressadamente para o papel. Claro que é completamente diferente do que estou habituado, está tudo em Checo e não consigo perceber àprimeira onde está o resultado. Felizmente, depois de uma verificação mais cuidada, vejo que não falhei nenhum ponto. Ufa, afinal até tudo tinha corrido bem. A Susana também teve a mesma sorte do que eu e não falhou nenhum ponto. Tudo acabou bem mas não ganhámos para o susto. Afinal as preparações da prova não tinham sido feitas como deve de ser. Ficou mais uma vez provado que a preparação da prova é muito importante.
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É engraçado que, mesmo assim, a Susana acabou por ter o seu melhor resultado neste primeiro dia. No meu caso foi o segundo melhor dia dos seis dias da prova. Será que afinal a falta de sinalética até nos ajudou? Uma coisa é certa, a concentração teve de ser superior… Só uma última curiosidade. Ainda bem que não foi no mapa do segundo dia. Sendo o mapa mais difícil que tivemos, com certeza que o resultado não tinha sido o mesmo.

Rui Botão
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

VENHA CONHECER... INÊS DE ALMEIDA DURÃO


Chamo-me… INÊS DE ALMEIDA DURÃO
Nasci no dia… 12 de Agosto de 1976, nos Estados Unidos
Vivo … em Cascais
A minha profissão é… Professora de Educação Física
O meu clube… Grupo Desportivo União da Azóia
Pratico orientação desde… 1994

Na Orientação…

A Orientação é… uma modalidade fantástica!
Para praticá-la basta… sermos nós próprios!
A dificuldade maior é… encontrar os pontos!
A minha estreia foi … em Lisboa, na Faculdade de Motricidade Humana!
A maior alegria é… descobrir os pontos, aquela surpresa que sempre temos e que nos transforma em crianças!
A tremenda desilusão… fazer “mp”!
Um grande receio… não tenho!
O meu clube é… o meu clube, o meu coração!
Competir é… saudável!
A minha maior ambição é… acabar a prova com todos os pontos e sentir-me feliz!

… como na Vida!

Dizem que sou… bem disposta e uma pessoa que nunca desiste!
O meu grande defeito é … ser possessiva!
A minha maior virtude… não sei!
Como vejo o mundo… de forma um bocadinho negativa!
O grande problema social… não haver paz!
Um sonho… mais paz para o Mundo!
Um pesadelo… ficar sem ar!
Um livro… “O Cego de Sevilha”!
Um filme… “Braveheart”!
Na ilha deserta não dispensava… amor!

Na próxima semana venha conhecer Albano João.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

PELO BURACO DA FECHADURA...


A Orientação assenta arraiais em Ovar a partir do próximo sábado e até à terça-feira seguinte. A 10ª edição do OriJovem é já a mais participada de sempre e promete muita alegria, animação e excelentes momentos nas extensas manchas florestais do Furadouro e Torrão do Lameiro. Tiago Aires é o planificador do estágio e vai ajudar-nos a espreitar pelo buraco da fechadura.

“Terra de lavradores, pescadores, comerciantes de sal e artesãos”. Desta forma se refere a História a uma das mais belas regiões do nosso País. O mar, a ria e a floresta são vértices dum triângulo natural de rara qualidade ambiental e paisagística. O burgo, de ruas apertadas, casas recobertas por multicoloridos azulejos e pequenos recantos onde se sente intensamente o seu pulsar, convida à descoberta. Tudo envolvido pela suave doçura do Pão-de-Ló, pela dolência do Cantar os Reis ou pela batida animada dos ritmos carnavalescos.

É precisamente sobre Ovar que recai a escolha dos organizadores do 10º OriJovem, para aqui levarem a cabo o Estágio Nacional de Orientação para jovens dos 8 aos 18 anos. A iniciativa conta com os apoios da Câmara Municipal de Ovar, Agrupamento de Escolas de Ovar e Clube Ori-Estarreja e o interesse manifestado por atletas, clubes e escolas, de norte a sul do País, ultrapassou as expectativas. Em Ovar são esperadas quase cento e cinquenta pessoas, entre participantes, acompanhantes, monitores e responsáveis federativos. O Orientovar irá fazer a cobertura alargada do estágio e, em jeito de lançamento, escutou Tiago Aires, o melhor atleta português da actualidade, líder do “ranking” nacional, treinador do clube Gafanhori (Arraiolos) e um dos grandes obreiros deste 10º OriJovem.


Orientovar - Como planificador dos estágios OriJovem, há alguma razão especial para ter optado por Ovar como sede desta 10ª edição?

Tiago Aires – Faz parte da nossa estratégia de descentralização levar o OriJovem às mais variadas zonas do País. Ovar situa-se mais a norte em relação à localização das últimas edições do Orijovem e tem áreas muito interessantes para Orientação, quer seja para nível introdutório, quer nível avançado. Aliás, esta foi a minha terceira tentativa para organizar o OriJovem em Ovar e, desta vez, felizmente foi possível.

O. - Tendo em conta experiências anteriores, quais os aspectos mais relevantes numa iniciativa desta natureza?

T.A. - Além da existência na área escolhida de vários mapas com qualidade para executar os treinos, é muito importante que haja facilidades ao nível logístico (alimentação, alojamento, transporte, etc.). Relativamente aos participantes, e exceptuando o 3º OriJovem, tem havido bastante equilíbrio nos grupos de trabalho (laranjinhas, verdes, azuis e magentas), em termos quantitativos. O estágio menos participado foi o primeiro, com apenas 26 jovens e aquele que registou maior adesão foi o quinto, em Vila Nova de Santo André, com 90 inscritos. Número esse que será ultrapassado nesta 10ª edição.

O. - De que forma tem decorrido a programação e planificação do 10º OriJovem?

T.A. - Tem corrido bem, mas é pena que o clube Ori-Estarreja não tenha cedido o mapa das Gafanhas para o estágio. É a primeira vez que um clube não colabora a 100% com esta organização da Federação Portuguesa de Orientação.

O. - Do programa delineado, há algum aspecto que lhe merece uma particular referência?


T.A. - Pela primeira vez teremos treinos de simulação o que, para a maioria dos orientistas, será uma novidade. Terão oportunidade de perceber como é possível treinar durante a semana com um mapa, mas sem ir ao terreno.

O. - Quais as suas expectativas no que toca à participação, alcance e qualidade do evento?

T.A. - As expectativas são altíssimas. Será, de longe, o estágio com maior participação, principalmente devido à integração das equipas e atletas do Desporto Escolar. A qualidade será idêntica à dos estágios anteriores: bons treinos e boa disposição, mas sempre dentro de regras bem claras para todos. Os participantes são muitos, mas existem vários treinadores que estarão presentes acompanhando os maiores grupos e conto, naturalmente, também com a ajuda deles. No total temos 109 atletas inscritos, aos quais devemos acrescentar 18 técnicos, treinadores e monitores da Federação Portuguesa de Orientação.

O. - Gostaria de deixar uma mensagem a todos quantos, de alguma forma, estão implicados no 10º OriJovem?


T.A. - Divirtam-se, treinem, aproveitem todos os pontos que estão no terreno. Não percam estas oportunidades. Sempre que temos um mapa e um percurso montado para nós, devemos sentir-nos privilegiados e tentar aprender mais.
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...

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1. Minna Kauppi e Daniel Hubmann foram os brilhantes vencedores do título “The Orienteering Achievement of 2008”, uma iniciativa conjunta de World of O e Ultimate Orienteering. 3500 votantes de 52 países deram a vitória à finlandesa Minna Kauppi que, com 29,4 % dos votos, se superiorizou à suiça Vroni König-Salmi (23,7 % ) e à norueguesa Anne-Margrethe Hausken (18,0%). No sector masculino, o suíço Daniel Hubmann foi um claro vencedor com 53,4 % dos votos, quase cinco vezes e meia mais a percentagem de votos alcançadas ex-aequo pelo francês Thierry Gueorgiou e o checo Michal Smola (9,9 %). Reportagem, entrevistas e muitas fotos, tudo para conferir em http://news.worldofo.com/2008/12/12/kauppi-and-hubmann/.



2. É mais um contributo para a blogosfera e, em particular, para o dinâmico e entusiástico mundo da Orientação. Jorge Fortunato, uma das mais jovens certezas da Orientação nacional, está aí com o seu blogue. “A ideia surgiu, penso eu, por influência dos outros blogues que estão constantemente a aparecer. O Orientovar faz um excelente trabalho de propaganda da modalidade e de incentivo ao seu desenvolvimento e eu penso que esse facto deixa diversos atletas com vontade de fazer o mesmo. No meu caso esse é também um dos meus objectivos”, refere. O facto de estar escrito em inglês, para o Jorge, “não constitui um impedimento para a sua leitura e dá como que uma projecção do que se faz por cá.” E as coisas prometem: “Pretendo assim, mediante a minha disponibilidade, escrever acerca dos meus treinos, competições e trabalho do meu clube. Com o Portugal O’Summer à vista, espero também dar um forte contributo à divulgação da prova e incentivar o máximo número de pessoas possível a passar uma semana de férias na região da Tocha.” Resta apenas dizer que o blogue reside no seguinte endereço:
http://jorgemfortunato.blogspot.com/.

3. Ricardo Vieira questionou e Eduardo Oliveira respondeu. Ficámos a saber que está a ser desenvolvido um novo sistema para cálculo automático dos ‘rankings’, o qual se encontra já na fase dos últimos testes. Mais ficámos a saber que a grande vantagem do novo sistema é que está programado para ser ‘on-line’ no momento, tanto no caso da Orientação Pedestre como para a BTT. “E assim acabam as esperas e ansiedades pelo ‘ranking’; ele estará sempre lá, bastando para tal que a Organização carregue os resultados”, diz Eduardo Oliveira. O grande responsável por esta nova versão dos ‘rankings’ é Paulo Franco, que tem trabalhado intensivamente nestes últimos dias com o objectivo de nos dar a todos esta “prenda no sapatinho”. Assim, é com imenso gosto que junto a minha voz à do Eduardo Oliveira no “público agradecimento ao contributo e esforço do Paulo” e, para o Paulo Franco, com vossa licença, vai o meu Louvor da Semana.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

ESPAÇO CARTOGRAFIA: O MAPA DE IDANHA-A-NOVA OESTE


Um mapa é uma obra de arte e o cartógrafo é o seu artista. As mais das vezes incompreendido ou mal-amado, a ele é devido o respeito e a admiração que votamos aos criadores. É neste pressuposto que o Orientovar se orgulha de inaugurar um novo espaço exclusivamente dedicado à Cartografia. Periodicamente, aqui traremos assuntos relacionados com o fascínio do mundo dos mapas. Para começar, nada melhor do que uma análise apaixonante ao controverso mapa de Idanha-a-Nova Oeste. Que os comentários se possam pautar pela ponderação e responsabilidade de quem sente que tem algo a acrescentar ao debate, é o nosso maior desejo.


OS PRÓS…

Alexandre Reis
Cartógrafo e Traçador de Percursos


Estou interessado em "explicar" este mapa, até porque nestas alturas todos falamos sobre o que sabemos, o que julgamos que sabemos e até sobre o que ouvimos dizer que alguém disse. Efectivamente este mapa criou alguma discussão, quanto à suposta "corrente" do cartógrafo, mas a minha abordagem ao assunto não vai para a definição do meu estereótipo mas sim para um conjunto de circunstâncias que levaram ao produto final.

- O ISOM é claro e tem todas as medidas padrão definidas (ex.: pedra - 1m de tamanho mínimo);

- Na escala 1:10 000, o mapa tem de ser legível á escala definida para o tipo de competição. Essa definição é estabelecida pela IOF e não pelo cartógrafo que, quando faz um trabalho com demasiada informação, tornando-o de difícil leitura, recorre a uma escala mais ampliada.

- Particularidades da área cartografada, com grande densidade de pedra e com uma vegetação muito particular.

Na abordagem a este mapa, é exactamente neste ultimo ponto (vegetação) que se centra a discussão. Existe em 50% da área uma vegetação composta quase na sua totalidade por giesta, que perturba a progressão mas não a impede. É, também, uma área de pasto por onde se "passeiam" diariamente umas cinquenta cabeças de gado.

Aquando da execução do mapa, deparamo-nos com esta dicotomia: vegetação densa e uma enormidade de passagens, criadas diária e aleatoriamente pelo gado. Foi decisão nossa, apostarmos numa trama (V4 ou V5) para caracterizá-la. Quando fizemos as últimas passagens pelo terreno pareceu-nos a decisão ajustada, e não questionada pelo Supervisor. Na progressão em corrida era fácil a decisão de passar por aqui ou por ali, não reduzindo a velocidade de progressão.

Contudo, no dia da prova, surgiu um dado novo e completamente inesperado: o nevoeiro. Ora aquilo que parecia fácil (progredir pelas giestas), tornou-se mais difícil porque o raio de visão era muito reduzido não permitindo uma leitura geral da área, mas sim do pormenor. É aqui que está o cerne da questão: O atleta passa a ler metro a metro, dando importância a pormenores que por norma e por regra do ISOM são de ignorar, mas que naquele contexto parecem primordiais. Estou convicto que os mesmos atletas, no mesmo percurso e com bom tempo, fariam tempos muito melhores. De qualquer forma não podemos esquecer que também houve tempos de excelência naquelas condições!!!

Quero salientar, por último, que só num décimo do mapa (área envolvente aos 1º e 2º pontos) é que se verificava com maior intensidade este quadro. Todo o restante trabalho, assim como o mapa de domingo, não foram visados, considerando dessa forma (e conhecendo os nossos "atletas"), como sendo um tremendo elogio.


… E OS CONTRAS!

Pedro Pasión Rodriguez
Seleccionador Nacional de Espanha de Orientação Pedestre


Quero, em primeiro lugar, destacar a eleição desta zona para uma prova de Distância Média, num terreno com uma complexidade técnica muito elevada pela sua riqueza de detalhes rochosos, desnível variado e também muitas cambiantes de vegetação. Em minha opinião - salvaguardando o nevoeiro que afectou a percepção do terreno, reduzindo a visibilidade do atleta e aumentando a possibilidade de se cometerem erros -, queria destacar os comentários mais comuns que escutei dos meus corredores e com os quais estou de acordo:

- Critério de legibilidade do mapa: O mapa apresentava um critério de representação detalhada, mas que em zonas muito complexas (rochosas) e de difícil representação se tornava ilegível do ponto de vista do corredor. Julgo que o critério deveria ter sido mais simplificado, obviando os elementos rochosos pequenos e apostando numa representação fiel do terreno nas zonas por onde se podia deslocar o orientista (trilhos pequenos, zonas brancas, áreas abertas, etc.).

- Vegetação e caminhos: A vegetação foi uma das chaves da prova, já que era determinante obviá-la e penetrá-la nalguns momentos da corrida. Penso que o critério não era uniforme em todo o mapa, uma vez que o verde raiado 407 nalgumas zonas era muito mais impenetrável que o correspondente ao símbolo, pelo que alguns corredores acabaram por ser “travados”, vindo ao de cima o factor sorte. Talvez pudesse ter sido representado com o 409 nessas zonas mais densas. No que toca aos caminhos, dizer que alguns (nas zonas de vegetação densa) estavam exagerados no mapa com o símbolo 507 ou 506 e no terreno se revelaram de progressão difícil, pelo que sugeriria que tivessem sido nalguns casos o 508 ou 509.

- Zonas pedregosas e afloramentos: Alguns afloramentos rochosos 212 dificultavam a corrida visto não de tratarem de áreas rochosas uniformes mas sim zonas pedregosas muito densas, tornando mais lenta a progressão. A minha opção iria antes para uma representação de terreno rochoso 210. Por outro lado, nalgumas zonas de vegetação densa, havia terreno rochoso 210 que não estava representado. Estas circunstâncias faziam com que o atleta se visse confrontado com situações de incerteza, sendo obrigado a reduzir a sua velocidade de corrida.

- Factor terreno próximo à povoação: Este creio que é um factor acrescido de dificuldade de representação num mapa, uma vez que os animais (vacas, ovelhas, etc.) e as próprias pessoas fazem com que as zonas de vegetação sejam especialmente alteráveis, se modifiquem com facilidade e que não estejamos perante uma vegetação puramente “natural” ou uniforme como ocorre em zonas de floresta distantes das povoações.

Gostaria de salientar que, embora existam normas ISOM para os nossos mapas e que devem ser respeitadas, cada cartógrafo tem uma maneira própria de interpretá-las, marcando um estilo pessoal. Esta circunstância deve ser levada em conta em provas de qualidade como este último Campeonato Ibérico, pelo que se impunha uma informação mais completa sobre o terreno e o mapa, detalhando-a no que concerne ao tipo de superfície do terreno, vegetação, relevo, detalhes particulares de interesse, etc. Desta forma, o corredor pode adaptar-se mais facilmente ao mapa e aos seus critérios, ganhando as circunstâncias da prova em objectividade . Outra ideia que proporia é que, num terreno tão especial como o de Idanha, se poderia fazer um pequeno “model event” relevante no que respeita ao terreno de competição.

Por último, gostaria de sublinhar que estes comentários resultam da minha própria experiência no terreno em tão-somente quarenta minutos de corrida, pelo que não deixam de constituir apenas uma impressão geral. Quero ainda agradecer a oportunidade de colaborar neste debate, esperando que os meus comentários sejam entendidos dum ponto de vista construtivo e possam contribuir para uma melhoria de nosso querido desporto.

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OS VERDES ANOS: DAVIDE MACHADO


Olá a Todos!

O meu nome é Davide Machado, tenho 20 anos, moro na Póvoa de Lanhoso, Braga, e sou mais um de muitos “agarrados” ao desporto, desde Ténis de Mesa, Badminton, Futsal, Atletismo, mas principalmente desportos de montanha; e ai sim, é que entra o meu favoritismo pela Orientação e BTT.

Comecei a praticar Orientação em 1999, quando entrei para o 5º ano de escolaridade, mas apenas em 2000 comecei a fazer provas “a sério”, no Desporto Escolar. Em 2003, por insistência do meu Professor / Treinador de Orientação, comecei também a praticar Atletismo, o que me favoreceu bastante a nível físico.

Em 2004, e ainda pelo Desporto Escolar, fui apurado para os Campeonatos Mundiais na Bélgica, e ai integrado na Selecção e a competir pelo escalão de Juvenis é que eu realmente percebi a importância que a Orientação tinha para mim. O facto de estar num Mundial deu-me vontade e força de continuar a praticar esta modalidade. E assim foi, logo na época seguinte (2004/2005) federei-me e comecei a competir pelo .COM - Clube de Orientação do Minho, clube este que me acolheu da melhor maneira possível e no qual eu ainda me integro até hoje.

Se antes de me federar dizia que já fazia provas “a sério”, agora digo que a Orientação “a sério” para mim começou depois de me federar, pois foi a partir daí que comecei a ter a noção do que realmente era a Orientação, dos atletas que praticavam esta modalidade, da amizade criada entre atletas, da competitividade que existia, da regularidade de provas….e assim tem sido até agora. Com o passar dos anos vai aumentando o número de praticantes, vai aumentando o nivel de competição e o número de provas, o que demonstra que a Orientação é uma modalidade em continua e progressiva expansão!

Quanto aos resultados, classifico-os como positivos. A nível de Orientação Pedestre, subi este ano de escalão para o H21A, no qual e até ao momento me está a correr bem, mas também ainda estamos no início e muita coisa poderá acontecer. No entanto, embora tenha subido de escalão, a nível de competitividade a dificuldade, quer física quer técnica, é muito inferior à do escalão de Juniores no qual terminei a época passada. No que toca a Ori-BTT poderei dizer que ainda sou um “novato”, pois comecei a apenas há duas épocas através de outros elementos do clube que me convidaram a praticar. Eu gostava de BTT e praticava Orientação, pelo que achei muito interessante logo de início e após a primeira prova fiquei “viciado” e por cá ando eu! Estou a começar esta época como H21A, vamos lá a ver como corre!

No que se refere a treinos, há semanas que faço corrida ou dou umas voltas de bicicleta dois ou três dias, assim como há semanas que nem treino; ou seja, não sou nada regular…. Vamos lá ver se começo a treinar regularmente para esta época. Em termos de objectivos, para esta época não tenho nada assinalado, a não ser dar sempre o meu melhor em tudo, continuar a praticar Orientação, quer seja Pedestre ou BTT e conseguir um emprego na minha área profissional, que é Contabilidade; ou então, quem sabe, seguir uma carreira Militar!

Boas provas para todos, e “esforcem-se ao máximo para conseguirem os vossos objectivos”.

Abraços

Davide Machado

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O-LARANJITAS: NASCEU UM NOVO BLOGUE


É mais um espaço que vem agitar a blogosfera e, em particular, este território específico da Orientação. Chama-se “O-Laranjitas”, é da responsabilidade de três das nossas maiores jovens promessas - Mariana Moreira, Joana Costa e Isabel Sá - e promete informalidade, divertimento e, acima de tudo, sinceridade

Orientovar - Como é que surgiu a ideia do "o-laranjitas" e quem foi a grande mentora e responsável pelo projecto?

O-Laranjitas - A ideia surgiu porque tivemos conhecimento de alguns blogues colectivos de pessoas de outros países e achamos a ideia bastante divertida e interessante. A ideia não surgiu de nenhuma de nós em particular, é uma ideia que já tínhamos há bastante tempo mas tivemos recentemente oportunidade e tempo para a pôr em pratica.

O. - Porquê “O-Laranjitas”?

O-L. - O nome “O-Laranjitas” tem historia... Quando nos decidimos a fazer o blogue, a nossa grande dificuldade foi chegar ao nome. Andámos dias a falar, surgiam imensos nomes e imensas ideias, mas nada que se relacionasse com aquilo que somos: Raparigas, portuguesas e orientistas. Depois de tantos dias com a cabeça a deitar fumo, decidimos socorrer-nos da mãe da Isabel para alguma ideia. E como as mães sabem logo tudo, começou por "orangeandwhite” para logo passar a "laranjaebranco". Mas como queriamos que fosse Orientação e que fosse informal, nosso, feminino, ficou “O-Laranjitas”.

O. - Como é que pensam articular entre as três a administração do vosso blogue?

O-L. - Além de adversárias somos muito amigas e falamos diariamente sobre o que se vai passando na nossa vida quotidiana e também claro, sobre orientação. Pretendemos assim discutir em colectivo os assuntos que vão ser abordados em cada post e decidir quem o escreverá.

O. - Que tipo de conteúdos é que vamos poder encontrar?

O-L. - O O-laranjitas pretende ser um blog bastante informal, divertido e acima de tudo sincero. É um blog de três amigas que partilham uma paixão comum, a orientação. Se o tempo o permitir será sempre escrita uma versão em inglês e outra em português. Os principais assuntos vão ser os treinos que fizermos, as competições que formos e respectivos mapas com opções e parciais e algumas notícias do mundo da orientação e da nossa vida que influenciam a nossa performance na modalidade.

O. - Duas ou três boas razões para colocar o "o-laranjitas" nos "favoritos"?

O-L. - Um blog divertido, mas ao mesmo tempo actualizado relativamente à orientação em Portugal e no mundo. Poderá ser também uma forma para aqueles que estão a começar, de aprender um pouco vendo as opções de cada uma de nós em cada prova.


Agora não se esqueça de visitar o “O-Laranjitas” em http://o-laranjitas.blogspot.com/ e de o adicionar aos favoritos.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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DAS PROVAS PEQUENAS TAMBÉM REZA A HISTÓRIA


SOB O SIGNO DA INTEMPÉRIE

Num fim-de-semana marcado pelo mau tempo, os interesses estiveram orientados para os vários pontos do País onde se disputaram as provas locais e regionais. Provas mais pequenas, é certo, mas nem por isso menos dignas de atenção, como se poderá comprovar.

O Open de Ori-BTT de Sesimbra chamou à zona do Cabo Espichel, na tarde de sábado, quase duas centenas de atletas, entre os quais se contavam muitos dos nomes maiores da Ori-BTT nacional. Paulo Alípio e Joel Morgado, ambos do COC, travaram intenso duelo pela vitória no escalão de Seniores Masculinos A, com o primeiro a impor-se pela escassa margem de 12 segundos, gastando 2.46.22 para os 25,3 km de prova (29 pontos de controlo). No sector feminino, Susana Pontes (CPOC / Loja das Bicicletas) e Rita Guterres (CP Telecom) reeditaram a luta das provas mais recentes e, mais uma vez, a vitória sorriu à atleta do CPOC com 2.17.54 (17,9 km e 20 pontos de controlo) contra os 2.22.10 da sua adversária. Por equipas venceu o COC, logo seguido do CPA Abrunhos e do CP Telecom. Guilherme Marques (COC) levou de vencida o Prémio Especial para o melhor split final, gastando 3.16 a cobrir os 1000 metros entre o 200 e o Finish.

Para João Paulo Bernardo, Director da Prova, “o I Open de Orientação em BTT de Sesimbra foi para nós, GDU Azóia, um sucesso, não havendo a registar nenhum incidente. Apesar da chuva, vento, frio e muita lama, concluíram a prova mais de uma centena de atletas dos diversos escalões. Tivemos escalões em que os primeiros classificados ficaram separados por apenas alguns segundos o que diz bem da competitividade alcançada.” E a terminar: “Os atletas saíram daqui satisfeitos com as suas prestações, já que lhes proporcionámos uma prova muito dura, mas com um traçado de percurso muito aliciante.”

Mau tempo também em Oeiras

Subindo ligeiramente no mapa, atravessamos o Tejo ao encontro de Oeiras e do último “Mexa-se Mais” de 2008. Numa organização que juntou a Câmara Municipal de Oeiras, o CPOC e o Desporto Escolar de Setúbal, o mau tempo e a chuva constante duma cinzenta manhã de sábado não impediram 190 participantes de correrem pelas ruas e jardins de Oeiras. Uma série de imponderáveis chegaram mesmo a colocar em risco a realização da prova, cujos percursos tiveram início com uma hora e meia de atraso (uma hora, no caso do Desporto Escolar).
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Apesar de acusar um enorme desgaste pelo encadear de ocorrências negativas, Luís Santos era, no final, um homem apostado em ver as coisas pela positiva. Para o Presidente do CPOC, “no fim de semana de 29 a 1 Dezembro foram 3 dias de mau tempo na organização do estágio CPOC, no fim-de-semana do Ibérico foram 2 dias de mau tempo e agora foi só 1 dia de mau tempo...”.

Santo Tirso adia mas Braga vai em frente

A chuva impiedosa e constante levou os responsáveis pela organização deste “Orientação Para Todos”, a cargo dos Trampolins de Santo Tirso, a cancelar a actividade prevista para a manhã de sábado. A decisão foi tomada de comum acordo com os diversos responsáveis das escolas e apenas houve a possibilidade de, nas palavras do Professor Pinto André, “ministrar uma formação simples a algumas pessoas exteriores às escolas, com teoria e prática, esta muito rápida devido à chuva.” A iniciativa ficou adiada para o próximo sábado, dia 20 de Dezembro, esperando-se que, desta feita, o tempo colabore.

Quem não se deixou intimidar pelo tempo foram os responsáveis do Clube de Orientação do Minho, que prosseguiram com o programa do “Torneio .COM Mapa”. No mapa do Bom Jesus / Sameiro, entre os 48 orientistas presentes, Joaquim Sousa e Antonio Amador foram presenças notadas, assim como os “regressados” Luis Ferreira e José Carlos Ramalho. No que se refere à competição, Paula Serra Campos (.COM) e Joaquim Sousa (COC) levaram de vencida os escalões OPT 3 com relativa facilidade. Ana Falcão (Cons Mus Gulbenkian) e João Gomes (EDOM / ES Max) venceram em OPT 1, enquanto Carolina Cardoso e Sérgio Duarte, ambos da EDOM / ES Max, triunfaram em OPT 2. Para Paulo Torres, da organização, “acabou por se realizar um excelente evento, no qual mais uma vez o .COM soube fazer valer os seus pergaminhos como organizador, proporcionando bons mapas e bons traçados. Quem ficou abrigado da chuva acabou por se arrepender.”


Tiago Romão volta a impor-se no Alentejo

Teve lugar na localidade arraiolense de S. Pedro da Gafanhoeira a 3ª etapa do III Troféu Ori-Alentejo, combinado de provas com organização da responsabilidade da ADFA, Gafanhori, COAC e CN Alvito. Numa manhã onde só após as 11:00 a chuva fez a sua aparição, o campo de futebol da aldeia congregou todas as atenções. Ali funcionou a Arena, o bar, os balneários, o secretariado e ainda o ponto de espectadores que vibraram com a intensidade da luta posta no terreno pelos contendores.

A prova contou com a participação de 130 atletas, distribuídos por seis escalões de competição e um de iniciação. Com o tempo de 44.17 (7,1 km, 24 pontos de controlo), Tiago Romão (COC) foi o grande vencedor do escalão Difícil Masculino, batendo Manuel Horta (Gafanhori) por 3.39. Nuno Evangelista (20 km Almeirim) terminou na terceira posição com 52.31. Inês Pinto (Gafanhori), com 1.04.41, triunfou em Difícil Feminino, deixando atrás de si Lena Coradinho, com 1.05.39 e Ana Oliveira (Ori-Estarreja), com 1.19.16. José Canoa e Rita Rodrigues, ambos do Gafanhori, levaram de vencida o escalão Médio, enquanto no Fácil a vitória sorriu a Paulo Alves (COAC) e Teresa Maneta (Gafanhori).

[fotos e mapas gentilmente cedidos por João Bernardo, Luís Santos e Tiago Aires]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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