domingo, 30 de novembro de 2008

À DESCOBERTA DA ORIENTAÇÃO


Jamor, 15 de Novembro

O desafio de participar numa prova de iniciação à Orientação surgiu por parte do Joaquim Margarido, que conheço através das crónicas que vai escrevendo e também de amigos comuns.


Nestes últimos anos, tenho sido uma assídua participante em corridas e caminhadas que, para além da componente desportiva e lúdica, têm-me proporcionado novos desafios e amigos… Descobrir a Orientação surgiu naturalmente neste percurso de actividades e depois de alguns contactos proporcionados pelo Joaquim Margarido lá fui rumo ao Estádio Nacional (ou do Jamor, como quiserem), na companhia da Paula (amiga e parceira nestes desafios), para uma prova de Orientação organizada pelo CPOC em parceria com a Câmara Municipal de Oeiras.

Previamente, o Luís Santos do CPOC teve a amabilidade de enviar-me alguma informação sobre Orientação (Manual de Orientação, básico q.b. para iniciados como eu!) e dediquei algum tempo a ler esta informação, a tentar perceber coisas tão simples (!!!) como ler um mapa e a memorizar alguma da sinalética utilizada, pois convinha levar já para o terreno, alguns “trunfos” na manga!

Num primeiro momento, não parece ser fácil orientar por entre escalas, curvas de nível, cores, símbolos, etc., etc., e tudo se complica quando, no terreno, percebemos que mesmo com toda a informação disponibilizada, as balizas, às vezes, são mesmo difíceis de encontrar…

A meteorologia, adivinhava uma manhã de sábado muito agradável e na verdade, as expectativas não foram defraudadas.

Na posse do mapa com o percurso mais fácil (2,4 Kms) e com 19 pontos, fizemos um breve briefing a três (entretanto tinha-se juntado a nós mais um colega de algumas caminhadas), descodificando, numa primeira etapa, o mapa e as indicações fornecidas; e depois, interpretando os sinais que permitiam encontrar as balizas e lá fomos nós, “orientistas” iniciados, à descoberta do percurso… e das balizas!

O terreno, não tinha dificuldades por aí além e, nesse aspecto, acabou por ser uma prova fácil a nível físico que não deu sequer para “suar”! Também é verdade, que fizemos o percurso em passo de caminhada, mas nesta fase teve mesmo que ser assim, dada a nossa inexperiência em “ler” o mapa!

Se algumas das balizas foram fáceis de encontrar, duas houve, mais difíceis (mais escondidas, diria eu), e por entre árvores e arbustos, marcos e elementos especiais… (e outras coisas mais), num trabalho de Equipa, lá descobrimos as 19 balizas e perfuramos o cartão de controle.

No final, satisfeitos com esta incursão pelo mundo da Orientação, ficamos ainda à conversa e a avaliação que fizemos não podia ser melhor: não nos perdemos (era difícil perder!), conseguimos encontrar todas as balizas e, para a próxima, pensamos que já nos podemos aventurar um pouco mais… para além, da manhã que desfrutamos, pois ficamos a conhecer melhor a área do Jamor, que é belíssima para correr ou simplesmente caminhar!

Ofereceram-nos também alguns mapas de diversos percursos nos arredores de Lisboa e que nos motivam para a sua descoberta em próximas caminhadas, agora já numa perspectiva mais “orientada” para a Orientação (ou des-orientação, vamos ver…).

Até breve!

Graça Roldão

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sábado, 29 de novembro de 2008

(DES) ORIENTAÇÃO


ORIENTAÇÃO: O VERDADEIRO CORTA-MATO

Ever tried?
Ever failed?
No matter
Try again
Fail better
........ S. Beckett


O céu estava cinzento-escuro, carregado de nuvens que tinham estacionado naquela zona, talvez a deliciarem-se com a vista. Sempre tinha sido um bom bocado a subir até chegar à Pedra Bela. Mas não havia tempo para a panorâmica, toca a despachar que já estava com dez minutos de prova e ainda não tinha partido. É incrível como até para chegar às provas um gajo se desorienta: desta vez o GPS mandava virar à esquerda quando a organização aconselhava a direita (ao que parece para facilitar o estacionamento). Pé fora do carro, chuvisco na tola, vamos lá a equipar, deixar os gafurinos no Baby-sitting, procurar a carrinha do clube por causa do chip e só depois fazer o aquecimento até à partida.

Tantas pedras, e algumas bem altas, para quem navega habitualmente em areias e dunas suaves do Pinhal, obrigava a uma maior concentração e esforço na compreensão do mapa: qualquer pequeno erro ou precipitação (além da chuva) paga um preço “físico” muito elevado. Mas lá se vai progredindo, contra o declive e a vegetação, contra o frio e o cansaço, contra o tempo e o outro tempo - o mau: o da chuva e do granizo (daquelas dificuldades que não aparecem no mapa). E então naquela altura em que nos aproximamos do final do percurso, que está quase a acabar o suplício, começamos a descontrair e a pensar que realmente custou um bocado mas está feito.

Faltam dois pontos: vejo a direcção que devo tomar para o ponto 17 e continuo até uma elevação donde vislumbro lá em baixo o caminho em forma de “U” onde estaria o objectivo. Nem olhei para trás, nem uma pequena dúvida ou desconfiança, vamos lá que até é a descer. A meio da descida toca uma pequena campainha: não deveria ser mais perto, ainda falta tanto?! Chegado à curva pretendida continuam as interrogações: deixa cá ver, o mapa era caminho ou estrada? Está ali outro que não aparece no mapa! Espera aí! Que lago é este? E aí a pancada é muito forte, não acredito! Que grande borrada! (um parênteses para referir que estou a fazer um esforço enorme para escolher outras palavras que não as que me saíram na altura)

Não digo que foi um balde de água fria por motivos óbvios, mas a sensação foi de uma profunda tristeza e angústia: sozinho no meio da mata, cheio de frio, de rastos e ainda ter que voltar atrás, a subir; pois! Não podia ficar ali, não é? É proibido desistir, tinha que descarregar o chip, tinha que ir para casa, os putos estavam à espera cheios de perguntas: Oh pai foste até qual número? Só chegaste agora?

Bem, dificilmente vou esquecer aquela rampa, não só pela dificuldade extrema com hora e tal de prova (água por todos os lados, até chuveiro gelado dos ramos mais baixos), como pelos “flashes” que nos passam pela cabeça num momento desses (as dúvidas, piadas disparatadas, os medos, caras de pessoas que só vimos uma vez, enfim). Então a chegada foi uma avalanche de sentimentos e emoções, um nó bem apertado na garganta: tinha conseguido, apesar de tudo tinha conseguido, tinha vencido. O que é curioso é como, mesmo ali no meio do burburinho e da névoa, eu continuava sozinho como na floresta – sozinho na minha vitória.

Ilídio Coelho
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. Arranca hoje e prolonga-se até ao dia 9 de Dezembro a votação para “The Orienteering Achievement of 2008”. A iniciativa, promovida pelos portais World of O e Ultimate Orienteering, visa premiar o grande feito internacional da Orientação, nas categorias masculina e feminina, neste ano que caminha a passos largos para o seu final. Para votar, basta aceder à página respectiva, clicando na imagem acima ou no “link” colocado na barra lateral direita, junto aos contadores (o Orientovar agradece que o faça a partir do blogue). Entretanto, são já conhecidos os melhores orientistas juniores 2008, da votação para “The Ultimate Junior Orienteer 2008” e que terminou na passada terça-feira. Johan Runesson e Beata Falk, ambos da Suécia, levaram de vencida a respectiva votação com 40,2 % e 33 % dos votos, respectivamente. Para conhecer melhor estes dois grandes nomes da Orientação mundial, leia as entrevistas em http://www.ultimate-orienteering.com/?p=460 e http://news.worldofo.com/2008/11/13/presentation-beata-falk/ .

2. Numa entrevista concedida no passado dia 8 de Novembro à Revista de Atletismo, António Rodrigues salientou que uma das prioridades da actual Direcção da Federação Portuguesa de Orientação prende-se com “a aposta num Director Técnico Nacional, alguém que veja a Orientação como um todo, que esteja no terreno a contactar mais de perto as Escolas e os Clubes, que tenha uma visão global da situação e que nos dê perspectivas futuras de evolução da modalidade” [N.R. - A entrevista poderá ser lida na íntegra na edição de Dezembro da Revista de Atletismo]. Os primeiros reflexos desta postura prendem-se com a abertura de concurso para o cargo de Director Técnico Nacional. A apresentação de propostas dos potenciais candidatos decorre até hoje (ou 30 de Novembro, envio por correio electrónico) e o processo estará concluído na primeira quinzena de Dezembro, altura em que a Direcção da FPO tomará uma decisão sobre as propostas recebidas. Assim é que é falar. Prometeu e está apostado em cumprir!

3. Atravessamos uma era particularmente activa. O lançamento ou ressurgimento de páginas pessoais relacionadas com a Orientação na blogosfera é uma constante e o conhecimento da modalidade sai reforçado com esta dinâmica. Vem isto a propósito do blogue do António Marcolino [ver aqui] onde, sob o lema “Uma Vida Correndo em Busca do Melhor!!!”, o atleta e treinador do Grupo Desportivo 4 Caminhos desenvolve a sua paixão pela Orientação, e não só… Revelando que a página foi criada “há cerca de um ano, para aí colocar algumas referências sobre treinos e outras informações úteis para os meus atletas”, António Marcolino volta à carga agora com mais energia, vendo nesta ferramenta a utilidade de “dividir com as outras pessoas tanto o que aprendemos como aquilo por que passámos.” E termina com uma convicção: “A partir de agora vou ter de me esforçar para o manter o mais actualizado possível, incidindo mais nos artigos referentes a planeamentos e métodos de treino.”

4.
O .COM – Clube de Orientação do Minho, foi nomeado para o Troféu “Reconhecer o Mérito”, do Instituto do Desporto de Portugal, cuja cerimónia se realiza no Governo Civil de Braga, no dia 2 de Dezembro, pelas 17h00. A distinção tem por base, entre muitos outros aspectos significativos, o reconhecimento do excelente trabalho do clube, tanto ao nível da dinamização da prática desportiva juvenil, como na formação de praticantes jovens. Para Carlos Pires, Presidente da Direcção do Clube de Orientação do Minho, “o resultado deste trabalho fica a dever-se em grande medida aos nossos parceiros e a todos quantos connosco colaboram e nos apoiam.” Para o .COM, com vossa licença, vai o meu louvor da semana.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

I HAVE A DREAM!


Hoje é um dia especial na vida do blogue. O Orientovar sopra a sua primeira vela e isto, só por si, é motivo de celebração. Assim, é da mais elementar justiça que partilhe com todos a minha alegria e emoção e comece por agradecer, desde logo, todo o apoio e carinho que me têm prestado.

Ao longo deste ano, o Orientovar foi-se afirmando como um espaço de convergência de interesses e opiniões acerca da modalidade de todos nós. E porque espero que assim continue a ser, gostava de partilhar convosco um sonho. O de podermos todos – mas mesmo todos! -, num mesmo dia e a uma mesma hora, fazer Orientação, independentemente do local onde nos encontremos.

Já imaginaram o que seria transformar o território português num gigantesco mapa onde cada percurso ocupasse uma pequenina parcela e fosse em simultâneo trilhado por cada um de nós, no Minho, nas Beiras, no Alentejo ou nas Ilhas? Já viram o impacto que teria vermos todos os clubes irmanados num mesmo ideal, promovendo esta iniciativa junto da população local, abrindo-lhes uma Escola, um largo, uma praia ou uma floresta? Já perceberam o que isto poderia representar em termos de impacto mediático, convocando as atenções de todo um País para esta maravilhosa realidade chamada Orientação?

DIA NACIONAL DA ORIENTAÇÃO! Eis o meu sonho. Como será? O que será? Está na nossa mão dizê-lo. Mas será, seguramente, um tempo de exaltação quando, nos mais diversos pontos do País, numa mesma data e a uma mesma hora, aos milhares que somos, se juntarem os milhares que traremos.

Juntos seremos capazes de transformar o simples sonho individual, numa realidade de todos. Nós seremos capazes!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

[Se teve disponibilidade para ler esta mensagem, vai ter de gastar só mais um minutinho a comentá-la. Os comentários são sempre válidos mas, neste caso, tornam-se fundamentais. Nem que seja para dizer apenas: “Estou nessa!”]

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VENHA CONHECER... ORIENTOVAR (EDIÇÃO ESPECIAL)


Chamo-me… Orientovar, mas também Portuguese Orienteering Blog (coisas do padrinho Jan Kocbach)!
Nasci em… Arez (Nisa), no dia 23 de Fevereiro de 2007, mas só nove meses mais tarde, em 26 de Novembro, é que fui registado em Ovar. Faço hoje, portanto, um aninho!
Vivo em… Ovar!
A minha profissão é… bem, não é tanto uma profissão; é mais uma paixão!
O meu clube… por questões éticas não devo responder. Mas tenho um fraquinho pelo… Beira-Mar!
Pratico Orientação desde… a verdade é que não pratico!

Na Orientação…

A Orientação é… uma ferramenta para uma vida melhor!
Para praticá-la basta… aceitar o desafio!
A dificuldade maior é… quando estou a meio dum texto e a comida está na mesa!
A minha estreia foi em… Ovar, numa prova “muito” local!
A maior alegria… ter sido o primeiro blogue em língua portuguesa do World of O!
A tremenda desilusão… ter sido impedido de desenvolver o trabalho no WOC 2008, impondo-me umas férias antecipadas!
Um grande receio… poder ferir involuntariamente as susceptibilidades de quem quer que seja!
O meu clube… pois, pois…!
Competir é… com cada um de nós, na busca de mais e melhor!
A minha maior ambição… ter tempo e disponibilidade para continuar por aqui!

… como na Vida!

Dizem que sou… liberal e que dou aquilo que tenho… e o que não tenho!
O meu grande defeito… não conseguir parar ou, pelo menos, abrandar um bocadinho!
A minha maior virtude… organização e método!
Como vejo o mundo… uma fonte de riqueza humana inesgotável, cada vez mais tomado pela inveja, pela mentira e pela demagogia!
O grande problema social… a exclusão!
Um sonho… ter tempo e saúde. A qualidade de vida vem por acréscimo!
Um pesadelo… a dependência!
Um livro… “Crónicas do NAOM”, já em fase de acabamento e com lançamento previsto para Alter do Chão, em finais de Janeiro de 2009!
Um filme… “Paris, Texas”. Absolutamente!
Na ilha deserta não dispensava… um computador e uma ligação à rede!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 25 de novembro de 2008

OS VERDES ANOS: JOÃO MEGA FIGUEIREDO


Olá,

Eu sou o João Figueiredo, mais conhecido por “Mega”, federado com a licença nº 3299. Tenho 16 anos e vivo em Viana do Alentejo. Pratico desporto desde 1997 e iniciei-me com apenas 5 anos, sempre no mesmo clube, começando na Natação, passando depois para o Atletismo e que mais tarde se veio a juntar à Orientação.

Antes de mais gostaria de dizer que “Mega” trata-se apenas de uma alcunha, a qual já leva cerca de 8 anos de existência. E como surgiu? Foi precisamente num estágio que o Clube da Natureza de Alvito organizou na serra do Alvão. Como nessa altura tinha cerca de 1,20 metros de altura e era o mais novo da comitiva, todos se metiam comigo. Até que num dos treinos, o pequeno rapaz (eu!) começou a subir os últimos 3 quilómetros da famosa Senhora da Graça com a maior das pressas e total conforto, ficando toda a gente de boca aberta (inclusive um ciclista que por lá treinava e eu passei por ele a correr). Lá no alto, quando todos me felicitavam e me diziam que eu tinha um grande futuro como atleta, uma voz surgiu por entre os meus colegas a dizer que eu era um “Mega-atleta”. O Joaquim Patrício, meu treinador desde então, ouviu e afirmou que era mesmo “Mega”. E foi assim que surgiu a famosa alcunha que todos pensam - ou pensavam! - que fazia parte do meu nome.

Desfeita a curiosidade, vou agora falar de mim. Nasci em Leiria e fui registado em Alcobaça. Já vivi em Albergaria dos Doze, concelho de Pombal, e em Alvito. Pode dizer-se que não gosto de viver muito tempo no mesmo sítio…

Neste momento habito em Viana do Alentejo, terra que aprecio por ser calma e relativamente pequena, já para não falar que tenho todas as condições de treino que necessito. Tem S. Bartolomeu do Outeiro a apenas 9 km e estradas municipais iluminadas, o que me permite treinar à noite sem ter que levar frontal, apenas tenho que levar o colete reflector. Ainda tem uma pequena serra e uma grande área de campo onde se pode correr ou andar de bicicleta. A minha escola situa-se exactamente no extremo oposto da vila em relação à minha casa, o que quer dizer que atravesso a vila 4 vezes por dia, 2 a pé e outras 2 de bicicleta (distância de 1,65 km, o que dá no final do dia um total de 6,6 km). A minha escola tem apenas 300 alunos mas quase todas as condições de trabalho, onde a aprendizagem, no meu ponto de vista, é muito boa, pois a relação aluno/professor é muito mais próxima. Só lamento que os alunos não saibam aproveitar o que lhes oferecem, visto que esta escola é uma das piores 10 do país em termos de exames nacionais no secundário em 2008.

Mas falemos agora daquilo que realmente é a minha paixão - paixão essa que a sinto todos os dias como nunca mais a pudesse sentir! -, paixão essa que é, nem mais nem menos, que a Orientação. Pratico-a desde 2004 (a minha estreia foi no campeonato nacional de Sprint realizado em Amieira do Tejo pelo GD4C), mas posso confessar que até essa prova não sabia o que era. Ouvia os meus colegas de Atletismo que praticavam Orientação a falarem em provas que duravam todo o fim-de-semana e faziam não sei bem o quê. Ora toda estas conversas despertaram a minha curiosidade e o meu treinador, Joaquim Patrício, terá visto que eu poderia ser bom atleta na Orientação, pois tinha “pernas” e “cabeça” (instrumentos fundamentais para a prática da modalidade). Tudo se conjugava para a minha grande estreia, que viria a acontecer. Desde então pratico a modalidade com o máximo de entrega e dedicação possível e ainda por cima adoro mapas e bússolas. Gosto de saber por onde ando.

Eu acho que a Orientação é uma excelente actividade de complemento aos estudos visto que exige tanto de nós física e psicologicamente (é pena que nem todas as pessoas vejam isto assim, nomeadamente muitos dos professores de Educação Física). E para aquelas pessoas que pensam que actividades fora da escola não são benéficas, desenganem-se pois eu sempre tive bons resultados, quer a nível escolar quer desportivo e treino todos os dias assim como estudo.

A minha mãe costuma dizer que, se algum dia, eu obtiver algum resultado menos positivo na escola, me proíbe de praticar Orientação ou outro desporto enquanto não obtiver um melhor resultado. Mas por enquanto vai-me apoiando, pois isso nunca aconteceu e espero que nunca aconteça, estou cá para impedir isso. Já os meus amigos são simplesmente espectaculares, apoiam-me e adoram os meus sucessos na Orientação, para não falar que muitos deles são atletas e companheiros da modalidade. Aqueles que não conhecem muito bem a modalidade estão sempre a dizer que quando eu for famoso não os posso esquecer. E depois ainda existem aqueles que dizem que quando eu for a uns Jogos Olímpicos tenho de enumerar quem eles são. O único problema que eles ainda não se aperceberam, é que a Orientação não é (mas espero que venha a ser) modalidade olímpica.

Mas antes que tudo isso aconteça já tive os meus êxitos e desventuras, como todos os atletas. Começando pelo pior, as desventuras, ainda não experimentei algo de muito grave e talvez a pior tenha sido mesmo a oportunidade que desperdicei de ir ao EYOC´07, por não ter feito as provas de apuramento suficientes (e aquelas que fiz não terem sido as melhores). Por outro lado uns dos maiores êxitos até ao momento foi o apuramento para o EYOC´08 e toda a época que passou, visto que obtive o título nacional de Sprint e um vice-título de Distância Média, no que diz respeito à Orientação Pedestre, e ainda os títulos de campeão nacional de Distância Longa e de campeão nacional de Distância Média, na disciplina de Ori–BTT. Estes últimos totalmente inesperados, pois pratico Ori–BTT na “desportiva”, aproveitando apenas para completar o treino para a Orientação Pedestre.

Agora que estou a chegar ao fim, basta referir uma ou duas coisinhas sobre o meu futuro (tempo que não gosto muito de falar, mas como qualquer pessoa tenho os meus objectivos). Em termos de Orientação, o meu futuro ainda é totalmente imprevisível, contudo sonho um dia subir a um pódio, quem sabe mesmo em 1º lugar, duma prova internacional. Já a nível profissional não sei o que realmente um dia serei, mas gostava de ser cardiologista. E cardiologista, porquê? Porque é um sonho que tenho desde que comecei a sonhar, pois nasci com um problema na artéria aorta (a artéria não deixava passar todo o sangue que o coração bombeava) e depois de os médicos intervirem para resolver o problema tive que ser vigiado durante cerca de 4 anos. Ora com 4 anos começam as primeiras ideias do que um dia queremos ser, a minha foi esta e mais nenhuma até os dias que decorrem.

Termino assim agradecendo ao Joaquim Margarido por me proporcionar um “cantinho” no seu blogue para eu poder falar um pouco de mim como atleta e pessoa que sou. Obrigado também a todas aquelas pessoas que me deram a conhecer a modalidade e me motivaram para a continuar a praticar, nomeadamente ao meu treinador Joaquim Patrício e também ao Tiago Aires e Raquel Costa por me “aturarem” em algumas provas que gentilmente me oferecem “boleia”.

João Mega

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

II ORI-BTT ROTA DA BAIRRADA: O BALANÇO DE CARLOS FERREIRA

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É o ponto final no II Ori-BTT Rota da Bairrada. Num evento que mostrou, uma vez mais, a excelência desta disciplina no âmbito dos desportos de natureza e aventura, importava ouvir a entidade organizadora, o DAR – Desportivo Atlético de Recardães. Da conversa mantida com Carlos Ferreira aqui damos conta, num registo que é ponto de chegada do evento e, simultaneamente, o arranque para novos e mais ambiciosos projectos.

Terminado o II Ori-BTT Rota da Bairrada, como é que viveu a experiência?

Este evento de Orientação em BTT é mais um marco importante na vida da colectividade, consagrando toda a postura do DAR na organização de provas de Orientação. Esta postura centra-se no voluntariado dos elementos da Direcção e dos seus atletas, que tudo fazem para garantir uma prova com altos níveis competitivos e de salutar convívio.

Do "feedback" recebido de todas as partes envolvidas, há algum aspecto que gostaria de realçar?

O realce vai para a riqueza técnica do mapa que requer dos atletas elevados níveis de concentração e decisões rápidas, uma vez que o terreno, bastante “rolante”, tem uma boa rede de caminhos necessitando constantemente de mudanças de direcção. Este foi, sem dúvida, o elemento que mais contribuiu para a satisfação final dos atletas, porque é isto que o atleta pretende, desafios de orientação, o físico deve vir por acréscimo. Gostaria de anotar que a presença do Presidente da FPO foi também uma surpresa, demonstrando um posicionamento institucional digno de relevo. Também o Presidente da Câmara Municipal de Águeda, acompanhado por dois vereadores, demonstrou a sua aposta em desenvolver os desportos de natureza na região, entre elas, as actividades desenvolvidas pelo DAR.
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Na sua perspectiva, onde é que residiu o melhor e o pior do evento?

Não é fácil referir o melhor e o pior quando, de um modo geral, tudo esteve à altura do acontecimento. Mas por vezes são pequenas soluções que ditam a diferença. As partidas dentro de uma fábrica de tijolo, com o pórtico construído com tijolos, com a envolvência dos stocks de barro e com os raios de sol a incidir sobre o todo, proporcionaram em cada um uma satisfação positiva. Esta surpresa foi motivadora e desenvolveu um espírito de bem-estar que foi crescendo ao longo da competição. O magusto com a geropiga e o tinto, fazendo desenvolver amizades e permitindo descarregar algum stress, foi mais um elemento de surpresa positiva. Infelizmente, há sempre uma ou outra situação menos controlada. A interacção bicicleta-automóvel nem sempre é perfeita, quando algum dos condutores desenvolvem manobras de alto risco. Felizmente que o atleta espanhol que interagiu negativamente com o veiculo no sábado não ficou ferido com gravidade. Refira-se que fez a prova de domingo e classificou-se em 6º lugar no resultado dos dois dias.

Se fosse possível voltar atrás, teria feito algo diferente?

Por uma ideia que chegou após o início da prova, teria realizado a linha de meta com um pórtico também em tijolo. Isto demonstra que ideia puxa ideia e que só o debate e a troca de experiências e o corporativismo podem levar ao sucesso das organizações.
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Em que medida a capacidade do DA Recardães sai reforçada com mais esta organização?

Antes de responder gostaria de tornar público um e-mail que para mim reflecte com bastante rigor o que se passou neste fim-de-semana. “Parabéns por uma excelente prova. Quando, num evento de dois dias, a única coisa que falha é o microfone, a Organização está de parabéns!”. O DAR embora não realize muitas provas, quando o faz, tenta dar aos atletas as melhores condições possíveis para que desfrutem da natureza com bastante agrado e possam competir em condições adequadas à prática da modalidade. Penso que esta aposta na Orientação em BTT na região bairradina é para continuar e que, cada vez, a bitola seja colocada mais alto. A construção do Centro de Alto Rendimento para o Ciclismo em Sangalhos deve proporcionar treinos variados, havendo a necessidade da existência de mapas de BTT. O DAR está atento a esta situação e a dotar-se de mapas capazes de responder aos interesses de clubes nacionais e internacionais.

[fotos gentilmente cedidas por João Ferreira]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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III TROFÉU ORI-ALENTEJO PROSSEGUIU NA AFEITEIRA


Na Afeiteira (Vendas Novas) teve lugar a segunda etapa do III Troféu Ori-Alentejo. Mais uma bela jornada de Orientação, na qual Tiago Romão e Mariana Moreira impuseram as suas mais-valias e venceram com naturalidade.

A simpática povoação da Afeiteira, em Vendas Novas, recebeu na manhã do passado sábado a segunda etapa do III Troféu Ori-Alentejo. Numa organização da ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas, a prova juntou 156 atletas, um número substancialmente superior aos 117 verificados em Mitra – Valverde, no arranque do Troféu. Percursos do agrado de todos, terreno bastante rápido, com pormenores de relevo e de vegetação e, ainda, uma área alagada que sujava os ténis de lama a todos os que lá passaram, fizeram as delícias dos participantes.

A nível logístico esperava-se um pouco mais e melhor. Mas a ADFA tem essa “boa desculpa” de vir duma prova logisticamente exigente (III CA do Exército / ADFA) e de estarmos às portas do Campeonato Ibérico. Daí que a gestão de recursos tenha colocado esta prova em plano secundário, notando-se uma quase total ausência de infra-estruturas e uma equipa organizativa bastante reduzida, mas que acabou por “chegar para as encomendas” graças à preciosa ajuda de última hora de outros elementos.

Tiago Romão, naturalmente

Quanto à prova em si, foi em Difícil Masculino que se correu mais rápido, a uma velocidade de 5.12 / km. Num escalão que contou com a participação de 42 atletas, Tiago Romão (COC) triunfou com naturalidade em 36.26, relegando o veterano Manuel Luís (CP Armada) para o segundo posto, a 2.02 de diferença. Manuel Horta (Gafanhori) foi terceiro, com 40.26 enquanto o credenciado Paulo Franco (AA Mafra) não foi além da 10ª posição e Pedro Nogueira (ADFA) viria a ser desclassificado por “mp”.

Num dia bonito e solarengo de Outono, Tiago Romão fez questão de realçar que esta foi “uma manhã bem passada com a melhor companhia possível.” Quanto à sua prova, “decorreu num mapa fácil do ponto de vista técnico, com um percurso interessante e bem traçado, reunindo as condições ideais para um bom treino. À parte o facto de ter cometido dois pequenos erros, o resto correu tudo bem.”
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Mariana Moreira vence por larga margem

Em Difícil Feminino e com um ritmo de 8.00 / km, Mariana Moreira (CPOC) fez 56.04 e bateu a concorrência por larga margem. Ana Oliveira (Ori-Estarreja) e Lena Coradinho (Gafanhori) completaram o pódio, a 9.54 e 11.15, respectivamente, da vencedora. Lídia Magalhães (ADFA) imitou o seu colega de equipa e, com um “mp”, constituiu a grande desilusão.

No final, Mariana Moreira não se mostrava particularmente contente: “A prova não me correu bem. Tecnicamente, não entrei bem no mapa e perdi tempo logo para os 2 primeiros pontos e em mais alguns no desenrolar da prova. Fisicamente também não foi o melhor, pois sentia-me muito cansada principalmente porque tinha corrido o corta-mato da escola no dia anterior.” A vitória acabou por ser, assim, uma surpresa: “Quando cheguei ao fim e antes de saber os tempos das adversárias, nunca pensei que tivesse ganho. Mas penso que isso só aconteceu porque não devo ter sido a única a perder tempo, mas sim a que perdeu menos tempo.”

Triunfos repartidos no Fácil e Médio

No percurso Médio, o melhor tempo foi mesmo feminino e feito por Rita Rodrigues (Gafanhori), 5.28 mais rápida que o melhor atleta masculino, Luciano Lucas (COALA). Em Fácil Feminino o Gafanhori fez o pleno e alcançou os primeiros três lugares do pódio com Rute Coradinho, a vencer no tempo de 37.52. Em Fácil Masculino, os jovens do COAC, Ruben Coutinho e Ricardo Coutinho alcançaram os lugares mais altos do pódio, com bons ritmos de execução da prova.

As atenções voltam-se agora para S. Pedro da Gafanhoeira (Arraiolos) onde terá lugar, no dia 14 de Dezembro, a terceira etapa do III Troféu Ori-Alentejo.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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domingo, 23 de novembro de 2008

DANIEL MARQUES E SUSANA PONTES VENCEM NA BAIRRADA


Com a disputa da prova de Distância Longa, chegou ao fim o II Ori-BTT Rota da Bairrada. O segundo dia não trouxe surpresas de vulto e tanto Daniel Marques como Susana Pontes saem de Aguada de Cima com os louros da vitória nos escalões de elite respectivos.

Um mesmo mapa, novos percursos e uma prova longa a multiplicar desafios e a ampliar o prazer que esta espectacular disciplina proporciona àqueles que a praticam. Foi isto, em resumo, o que se passou na esplendorosa manhã de hoje em Aguada de Cima. Mal refeitos das emoções da véspera, um a um os atletas regressaram à floresta e ao refrescante aroma do eucalipto, às cercanias das imponentes crateras de extracção de barro a céu aberto, ao suave relevo do sopé da Serra do Caramulo e à competição, pura e dura, com os adversários mas, acima de tudo, consigo próprios.

Os resultados finais espelham uma realidade incontornável no âmbito da nossa Ori-BTT: Daniel Marques (COC) e Susana Pontes (CPOC) permanecem na frente do “ranking” nacional, reforçando o seu favoritismo com a conquista de mais um triunfo. À semelhança do sucedido em Póvoa de Lanhoso, na abertura da Taça de Portugal 2008 / 2009, Daniel Marques voltou a perder a segunda etapa para o seu grande rival, Paulo Alípio (COC), mas por margem que não pôs em causa a vitória final. Alípio concluiu a sua prova em 1.16.09 e com a escassa vantagem de sete segundos sobre Marques. Luís Pires viria a ser o terceiro classificado, a distantes 10.47 do vencedor, ascendendo ao terceiro lugar final.

Promissor regresso de Maria Amador

Na elite feminina, Susana Pontes repetiu o triunfo da véspera gastando, desta feita, 1.46.19 para cumprir o seu percurso. Estreante nas provas da Taça de Portugal desta temporada, Maria Amador (ATV) demonstrou uma postura competitiva deveras interessante, travando com Susana Pontes um interessante duelo. O segundo lugar na etapa, a 3.12 da vencedora, deixa antever uma Maria Amador disposta a “recuperar o tempo perdido” e a animar o quadro competitivo deste escalão. Terceira classificada na etapa, com 1.50.49, e segunda classificada da Geral, Rita Guterres (CP Telecom) continua a dar mostras de excelente evolução e a prometer mais e melhores desempenhos num futuro que se antevê próximo.

Quanto aos restantes escalões, Pedro Neves (COC) e Inês Costa (GDU Azóia) confirmaram as vitórias nos escalões de Formação, o mesmo acontecendo com o Guilherme Marques (COC) e Ana Filipa Silva (CPOC) em H20 e D20, respectivamente. Em H17 João Mega Figueiredo (CN Alvito) viu-se batido na etapa de hoje pelo incontornável João Palhinha (CPA – Abrunhos), mas a vantagem angariada na prova de Distância Média foi suficiente para não deixar fugir a vitória final.


Davide Machado imparável

Em H21A, Davide Machado (.COM) esteve imparável e repetiu o triunfo da véspera, ante a forte concorrência de Hélder Silva (NADA) e Pedro Rodrigo (Ginásio Figuerense), respectivamente segundo e terceiro classificados. Menos bem esteve Filipe Gonçalves (Ori-Estarreja), vencedor em Póvoa de Lanhoso mas que aqui não foi além do 11º lugar final. Já em D21A, a ausência de Marisa Barroso (COC) deixou a porta aberta à vitória final de Joana Cordeiro (GD4 Caminhos), após luta intensa com Inês de Almeida Durão (GDU Azóia).

Nos Veteranos, Luísa Mateus (COC) foi a única atleta a bisar o triunfo nas duas etapas, levando de vencida o escalão de D45. Apesar de não ter ido além do 3º lugar na prova de Distância Longa, Nuno Liberal (CP Armada) conseguiu segurar o primeiro lugar em H35 trazido da etapa de ontem. O mesmo sucedeu com Ana Gomes (COA) em D35 e Albano João (COC) em H50, que hoje não conseguiram melhor que o segundo lugar. Mário Marques (COA) conseguiu dar a volta ao segundo lugar na prova de Distância Média e, com a vitória de hoje, ascender ao lugar cimeiro do escalão H45. A última referência vai para Pedro Serralheiro (COC), vencedor no escalão de H40, apesar do 2º lugar em ambas as etapas. O vencedor da etapa de ontem, João Germano (Individual) não foi hoje além do 11º lugar enquanto o vencedor desta segunda etapa, Jorge Baltazar (GDU Azóia) ontem não tinha feito melhor que a 17ª posição.

“Se isto fosse sempre igual, então deixava de ter piada”

Importa reafirmar a qualidade organizativa do DA Recardães e o bem receber das gentes de Aguada de Cima. O certame contou com uma boa adesão da parte dos atletas, saldando-se em 269 o número de participantes contabilizados no âmbito das duas provas. A organização soube dar adequada resposta aos problemas resultantes das constantes alterações no terreno, motivados pelos trabalhos de desflorestação e de extracção de inertes, que fazem deste mapa um autêntico ser vivo em constante mutação. Mesmo assim, o trabalho de cartografia, da autoria de Carlos Lisboa, não foi minimamente colocado em causa e revelou-se a contento dos participantes.

Uma referência final aos terrenos e percursos, demasiado macios para os apreciadores da Ori-BTT pura e dura. E aqui, permito-me parafrasear Jorge Elias, o Supervisor da Prova: “Tem de haver de tudo, percurso fáceis, percursos mais difíceis, percursos mais técnicos, percursos mais físicos. Se isto fosse sempre igual, então deixava de ter piada”. E temos de concordar com ele!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 22 de novembro de 2008

II ORI-BTT DA BAIRRADA JÁ ARRANCOU


Está em marcha o II Ori-BTT Rota da Bairrada. A prova de Distância Média marcou o arranque do certame, com Daniel Marques e Susana Pontes a confirmarem o favoritismo que lhes era atribuído à partida e a alcançarem saborosos triunfos.

Depois dos Nacionais de Abril passado, Aguada de Cima volta a receber um grande evento de Orientação em BTT. Organizado pelo DAR - Desportivo Atlético de Recardães, o II Ori-BTT Rota da Bairrada arrancou na tarde de hoje com a prova de Distância Média, utilizando maioritariamente a zona do mapa de Aguada de Cima ampliado a Sul.

Nesta segunda prova a contar para o “ranking” da Taça de Portugal 2008 / 2009, os orientistas depararam-se com uma organização esmerada, que tudo fez para surpreender pela positiva aqueles que aqui se deslocaram. Uma Arena paredes-meias com o pavilhão da LAAC – Liga de Amigos de Aguada de Cima, onde funcionam todas as estruturas de apoio, permitiu agilizar da melhor forma a articulação entre participantes e organização. As partidas funcionaram no interior duma fábrica de cerâmica, com um original pórtico de tijolos saudando os atletas e promovendo a indústria da região. Os percursos, acessíveis dos pontos de vista físico e técnico, atravessavam zonas de exploração de barros, proporcionando um espectáculo de enorme beleza. E a tarde não podia estar melhor, amena e convidativa, deixando-se espraiar até ao pôr-do-sol para então assistir ao salutar convívio entre todos, com uma boa mão cheia de castanhas e um copo de deliciosa jeropiga da região.

Vencedores esperados

A prova de hoje confirmou aquilo que se esperava, com Daniel Marques e Paulo Alípio, ambos do COC, a reincidirem no duelo pela vitória. Venceu o primeiro, com 59.03 e dois minutos e trinta e três segundos de vantagem sobre o seu colega de equipa. Apenas 7.20 mais tarde entraria o 3º classificado, Miguel Tolda (CLAC). E se é verdade que Paulo Alípio ainda terá uma palavra a dizer na prova de Distância Longa de amanhã, não é menos verdade que a luta pelo terceiro lugar irá ser mais renhida ainda, já que menos de quatro minutos separam o 3º lugar do… 12º! Nas senhoras Susana Pontes (CPOC / Loja das Bicicletas) voltou a não dar hipóteses à concorrência, triunfando em 1.20.20 contra 1.27.06 de Rita Guterres (CP Telecom), a segunda classificada.


Pedro Neves (COC) e Inês Costa (GDU Azóia) venceram nos escalões de Formação, enquanto João Mega Figueiredo (CN Alvito) impôs-se novamente em H17. Sem a concorrência de João Ferreira (DA Recardães) – hoje com funções de ‘speaker’ no seio da Organização -, Guilherme Marques (COC) triunfou facilmente em H20, enquanto Ana Filipa Silva (CPOC / Loja das Bicicletas) venceu em D20, provando uma vez mais o porquê de ser uma das maiores esperanças da Ori-BTT nacional. Em H21A, Davide Machado (.COM) provou que também sabe pedalar e venceu por larga margem a enorme concorrência (53 atletas) no seu escalão, cabendo a vitória em D21A a Inês de Almeida Durão (GDU Azóia). Quanto aos veteranos, duas vitórias para o COC por Luísa Mateus (D45) e Albano João (H50), uma para o Clube de Praças da Armada, por Nuno Liberal (H35), outra para o COA por Ana Gomes (D35),outra ainda para o Clube EDP por José João Moura (H45) e, finalmente, a título individual, para João Germano (H40).

Etapa marcada pelo acidente de Juan Jose Vasquez

Mas porque o imprevisto acontece, a etapa de hoje fica marcada pelo acidente sofrido pelo espanhol Juan Jose Vasques (Gallaecia Raid), número dois da Liga Espanhola 2008. Ao que tudo indica, uma desatenção do atleta levou-o a chocar com a parte traseira duma viatura, quando se dirigia a toda a velocidade para a chegada. Apesar de maltratado, o atleta viria a terminar a prova – onde alcançaria o 6º lugar, com 1.07.33 –, sendo em seguida transportado ao Hospital onde foi observado.

O II Ori-BTT Rota da Bairrada prossegue amanhã. A prova de Distância Longa volta a estender-se sobre a vertente sul do mapa de Aguada de Cima e, não sendo de esperar surpresas de vulto, o certo é que está tudo em aberto e muita coisa pode ainda acontecer. Duma coisa, porém, os orientistas podem ter a certeza: espera-os mais uma bela jornada de Orientação e… que ganhe o melhor!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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A MINHA PASSAGEM (FUGAZ) PELA ORIENTAÇÃO...


Tudo começou em 19 de Maio de 2007, em Montachique, no 13º Troféu de Orientação do CPOC. E não podia ser da pior maneira…com um famigerado “mp”! Da pior maneira tecnicamente, porque em termos de introdução à matéria foi do melhor! Bom mapa, bom apoio aos iniciados, excelente local que é aquele Parque Municipal de Montachique! Aliás, é a mais-valia da Orientação face ao Atletismo, por exemplo, que é levar-nos, primeiro, à natureza, e depois a locais paradisíacos que, doutra forma, dificilmente lá iríamos. Resumindo e concluindo: tinha elegido esta prova como teste, e o resultado foi… aprovado!

E assim, tomei a decisão de participar em alguma provas, intercalando-as, sempre que possível, no calendário das corridas. De seguida, comecei a pesquisar na net sítios com instruções e informações sobre sinalética, melhores opções, etc. etc.. Participei em acções de formação, inscrevi-me por duas vezes - sem êxito! - em cursos de cartografia do INATEL, dialoguei com atletas mais experientes, enfim, fiz tudo o que estava ao meu alcance para melhorar o meu desempenho na Orientação.

Nas provas seguintes – 9º G.P. RA 4, OPT1, 3º CLAC O´Meeting, OPT2, 14º Troféu do CPOC, OPT2, Open de Orientação da Nazaré, OPT2, 19º Troféu AAMafra, OPT1 com amigos, 3ª Jornada de Orientação Mexa-se Mais, Oeiras, OPT3, 3º Open ATV, OPT3, 4ª Jornada de Orientação Mexa-se Mais, Fábrica da Pólvora, OPT3, NAOM 2008, OPT3, O´Porto Park Race, Serralves, OPT1 com amigos – fui subindo no grau de dificuldade e o resultado foi um misto de boas e más prestações: boas, quando o mapa era menos técnico, e aí imperava a parte física da corrida; más, quando os mapas eram muito técnicos, e aí nem a minha melhor forma na corrida me salvavam! Havia sempre algo que corria mal, nestas ocasiões. Andava um pouco por intuição e atingia os pontos por tentativas (às vezes, muitas).

Ao fim desta dezena de provas, facilmente percebi que sem treinos técnicos dificilmente evoluía. Facilmente entrei no paradoxo do prazer/aborrecimento. Gostava de participar mas chegava ao fim e reconhecia que andava um pouco “ao calhas”. Pessoalmente gosto muito de marionetas, mas jamais serei uma marioneta. Quando faço algo, ou movimento, gosto de saber como e porquê. Andar lá no meio, só por andar, não é coisa que me alicie muito…

Facilmente percebi que a Orientação é uma modalidade espectacular, apaixonante e viciante. É uma modalidade que, para além de desenvolver a parte física, desenvolve a parte cognitiva, está permanentemente a pôr-nos à prova sobre a nossa capacidade de decisão. A escolha da melhor opção é um dilema permanente. Dificilmente se faz uma prova perfeita, há sempre um mas, ou um se…

Também percebi que na Orientação, à excepção de dois ou três clubes, a realidade clubista raramente tem uma identidade local. Há um grupo de pessoas de vários locais que se juntam nas provas. Ao contrário das corridas, em que se pode treinar, praticamente, em qualquer local e a qualquer hora, a Orientação exige muito o contacto com a natureza, e isso é mais complicado para o cidadão urbano e trabalhador por conta de outrém.

Também percebi que na Orientação, aliado aos aspectos atrás focados, há uma vertente económica muito forte. Raramente há provas nas redondezas da localidade de residência e as deslocações impõem-se. E se, noutros tempos, este era mais um factor aliciante para a modalidade, nos dias de hoje, não obstante a facilidade das dormidas nos pavilhões, torna-se tudo muito oneroso, já para não falar no preço das inscrições das provas…

Salvo melhor opinião, por tudo isto se justifica a minha, muito, fugaz participação! Porém, enquanto durou, foi bom, gostei! Se calhar… perdeu-se um orientista, mas um amante da modalidade, NUNCA!!!

Um Abraço e até uma próxima!

Orlando Duarte

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

VENHA CONHECER... PAULA COSTA


Chamo-me… PAULA Cristina Pontes COSTA
Nasci no dia… 21 de Setembro de 1973, na Maia
Vivo … na Maia
A minha profissão é… Administrativa
O meu clube… Às 11 no Farol – Clube de Aventura e Desporto (Moreira da Maia)
Pratico orientação desde… 2006

Na Orientação…

A Orientação é… desporto, é lazer, é companheirismo!
Para praticá-la basta… ter preparação física e calma!
A dificuldade maior é… a pessoa conseguir reorientar-se!
A minha estreia foi … no Parque da Cidade, no Porto!
A maior alegria é… ter ganho algumas medalhas!
A tremenda desilusão… a bem dizer nunca tive!
Um grande receio… cair, magoar-me e ninguém me acudir se precisar!
O meu clube é… um clube que promove o lazer, a aventura e o desporto em família!
Competir é… uma forma de ir progredindo!
A minha maior ambição é… aprender!

… como na Vida!

Dizem que sou… não faço a mínima ideia!
O meu grande defeito… a desconcentração!
A minha maior virtude é… ser sociável e sempre disposta a ajudar os outros!
Como vejo o mundo… menos cor-de-rosa do que já vi!
O grande problema social… a desigualdade!
Um sonho… ser feliz!
Um pesadelo… pensar que posso morrer sem deixar as coisas delineadas!
Um livro… “As Palavras Que Nunca Te Direi”!
Um filme… gosto de filmes de aventuras, mas não me lembro de nenhum em especial!
Na ilha deserta não dispensava… comida e bebida!

Na próxima semana venha conhecer Mário Fernandes.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

PELO BURACO DA FECHADURA...


Prossegue já este fim-de-semana a Taça de Portugal de Orientação em BTT com a disputa do II Ori-BTT Rota da Bairrada. O Orientovar foi até Aguada de Cima, no concelho de Águeda, ao encontro dos responsáveis do Desportivo Atlético de Recardães, entidade organizadora do evento. À conversa com Carlos Ferreira, Director da Prova, espreitamos pelo buraco da fechadura e percebemos que estão criadas todas as condições para uma grande jornada de Ori-BTT em terras do Cértima.

A caravana da Orientação em BTT desloca-se nos próximos sábado e domingo para o sopé da Serra do Caramulo. Depois do enorme sucesso da prova inaugural, o Ori-BTT Rota da Bairrada regressa com energias redobradas e promete, nesta segunda edição, mais qualidade, melhores percursos e as emoções ao rubro com um quadro competitivo onde pontificam os melhores valores da Ori-BTT nacional.

Segunda prova pontuável para o “ranking” da Taça de Portugal 2008 / 2009, o II Ori-BTT Rota da Bairrada tem prevista a participação de 275 atletas, distribuídos por 14 escalões de competição, 2 de formação e ainda 4 escalões OPT’s. O programa contempla uma prova de Distância Média no sábado e uma prova de Distância Longa no domingo e desenrolar-se-á no mapa de Aguada de Cima, agora ampliado a Sul. É precisamente nesta nova zona do mapa que se desenvolverão a maior parte dos percursos, cujo traçado é da responsabilidade de Carlos Lisboa.

Bons duelos em perspectiva

Com o Verão de S. Martinho a prolongar-se por este Novembro fora, os atletas irão ao encontro dum mapa desafiante e duma boa rede de caminhos, com boa e média transitabilidade e altimetria variada, de plano a algumas pequenas subidas. Largas zonas dos percursos fazem apelo à velocidade, convocando as capacidades de cada um sobre a máquina e exigindo o maior cuidado na navegabilidade, onde qualquer distracção mínima poderá ser fatal.

As atenções irão estar voltadas, uma vez mais, para o duelo entre os atletas do COC, Paulo Alípio e Daniel Marques, condimentado pela presença do segundo classificado da Liga Nacional Espanhola de Ori-BTT 2008, Juan Jose Vasquez (Gallaecia Raid). Nomes como os de MiguelTolda (CLAC), Joel Morgado (COC) e Mário Guterres (CP Telecom), entre outros, irão estar à espreita de qualquer deslize. No sector feminino Susana Pontes (CPOC) reúne a maior fatia de favoritismo, mas Sandra Rodrigues (ADFA), Joana Frazão (CIMO), Maria Amador (ATV) , Rita Guterres (CP Telecom) e Ângela Silvério (CN Alvito) têm igualmente uma palavra a dizer.

Só bons motivos

Para percebermos melhor aquilo que podemos esperar deste II Ori-BTT Rota da Bairrada, fomos ao encontro de Carlos Ferreira que, na primeira pessoa, nos dá conta das suas expectativas.

Depois do sucesso que constituiu a 1ª edição do Troféu, a Ori-BTT regressa à Bairrada. Está preparado um II Ori-BTT Rota da Bairrada melhor ainda?

O II Ori-BTT Rota da Bairrada já está em andamento há bastante tempo e encontra-se nos seus trabalhos finais. O empenho do DAR nas suas organizações tem permitido uma imagem positiva da Orientação como disciplina desportiva e como uma ferramenta de convívio e lazer. É este pressuposto que nos orienta e que colocamos em todas as nossas actividades, incluindo esta.

Que aspectos em particular permitem fundamentar esta ideia?

O DAR tenta apostar em algumas frentes, a saber: o mapa, os percursos, o ambiente de arena, o bar, os prémios, o convívio e a imagem das potencialidades bairradinas. Quanto ao mapa refira-se o emaranhado de caminhos, com vários pisos e várias envolvências, necessitando de uma constante atenção na passagem entre pontos. O sobe e desce irá aparecer desta vez, já que o mapa está no sopé da serra do Caramulo. Os percursos estão delineados de modo a que, em algumas opções, se fique bastante indeciso sobre qual a melhor opção. O ambiente de arena será enriquecido pela Silva, pela música, pelo ‘speaker’, pelas castanhas, pela envolvência e por uma empresa que fará a manutenção das Bikes. O Bar será o usual. Nos prémios realço o prato pintado à mão, com motivo de Orientação. Não faltará a imagem bairradina, com os pastéis de Águeda, os barros (atletas a passar nos barreiros e partidas em fábrica de barro), os espumantes e o Leitão. E quanto ao convívio, vamos oferecer um magusto regado com a geropiga da região.

Despertar curiosidades

Por uma questão quase cultural, essa é uma região onde a bicicleta tem uma forte implementação e onde se fizeram grandes campeões. Consegue-se perceber o impacto que o evento poderá ter junto da população local?

Esta prova irá mais uma vez despertar curiosidades e demonstrar que o desporto de floresta aposta numa ética de comportamento ambiental que é digno de enaltecer e desenvolver. Refira-se que existem inscrições de vários atletas principiantes que solicitaram guia para executarem o percurso do 1º dia. Há naturalmente algumas inscrições de atletas locais.

Quais os meios humanos e logísticos envolvidos na Organização do evento?

A equipa pode atingir três dezenas de voluntários. Em termos de apoios refira-se a estratégia de colocar dois elementos da Cruz Vermelha a circular em BTT, de forma a prestarem um apoio mais atempado, e ainda um posto de atendimento no Pavilhão.

Quer detalhar alguns apoios particularmente relevantes?

Os apoios são fundamentalmente institucionais e vêm das juntas de freguesia de Recardães e de Aguada de Cima e ainda da Câmara Municipal de Águeda.

Menos força física e mais Orientação

Pode levantar uma "pontinha do véu" relativamente a um ou outro aspecto que poderá constituir um grande desafio a todos quantos vierem até Aguada de Cima?

Penso que algumas partes do traçado farão deliciar os grandes amantes do BTT, não só pela facilidade de rolamento mas também pelas imagens de grandiosidade que as zonas de exploração dos barros irão permitir. Também o sorteio final de um belo Leitão Assado à Bairrada será um ponto alto do evento. Estes serão dois bons motivos para ninguém ficar em casa, aos quais se acrescentará o que cada um quiser usufruir das potencialidades existentes no concelho. Permito-me ainda acrescentar duas actividades desportivo-culturais previstas para a mesma altura, a saber: Concerto de Tributo a Manuel Alegre, nos dias 22 e 23, no Cine-Teatro São Pedro e, no dia 22, a inauguração do primeiro percurso pedestre de Águeda, “da Pateira ao Águeda”.

A finalizar, o maior desejo...

Que o tempo nos presenteie com um bonito sol, oferecendo a atletas e Organização um ambiente particularmente envolvente e revigorante e permitindo ainda que os resultados sejam mais a imagem da melhor Orientação realizada e menos da maior força física de cada um.

[foto gentilmente cedida por João Ferreira]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. Numa iniciativa conjunta de dois dos portais mais activos na promoção e divulgação da modalidade – World of O e Ultimate Orienteering – está lançado o desafio à comunidade orientista no sentido de se pronunciar sobre “The Ultimate Junior Orienteer of 2008” e “The Orienteering Achievement of 2008”, tanto nas categorias masculinas como femininas. Para além da apresentação dos nomeados, os dois “sites” têm on-line entrevistas com cada um deles, algumas bem preciosas. A votação para “The Ultimate Junior Orienteer of 2008” está patente até ao próximo dia 25, seguindo-se, a partir do dia 28, a votação para “The Orienteering Achievement of 2008”. Para votar, basta aceder a http://poll.worldofo.com/poll2008.html .

2. “You! You and Me! / I Feel So High / When I Think Orienteering”. É já um caso sério o CD intitulado “Songs for all Orienteering Friends”. Produzido em Fevereiro deste ano pela PWT - Park World Tour e por Gabriele Viale, o CD contém três canções interpretadas por Nicola Manfredi, uma das quais – “You and Me” – começa a ser presença constante nas cerimónias de entrega de prémios um pouco por todo o lado. Foi assim na 6ª etapa do O’Ringen 2008, com Nicola Manfredi a exibir-se perante um coro de luxo onde pontificavam os franceses Damien Renard, François Gonon e… Thierry Gueorgiou. O vídeo pode ser visualizado em
http://www.youtube.com/watch?v=YwusBQyUbWU

3. Tem início já no próximo sábado a segunda edição do Torneio COMmapa, uma iniciativa do .COM - Clube de Orientação do Minho. Constituído por 9 etapas, o torneio estender-se-á até Julho de 2009 e promete levar os amantes da Orientação a alguns lugares mágicos do Minho. O modelo de participação é muito simples, contemplando apenas três escalões possíveis (OPT1, OPT2 e OPT3) em cada classe (Feminino e Masculino). Em todas as etapas haverá técnicos do clube prontos a ajudar quem quiser experimentar a Orientação. A primeira etapa tem como palco o Parque do Bom Jesus, em Braga, e o início das partidas está marcado para as 10h00, em frente ao Hotel do Lago. Poderá fazer a sua inscrição em
geral.pontocom@gmail.com até às 23h00 do dia 20 de Novembro (depois desta data a participação fica sujeita à disponibilidade de mapas). Vá lá, não se atrase!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

III CA DO EXÉRCITO / ADFA: ESPANHÓIS SUPERIORIZAM-SE


Os amantes das Corridas de Aventura tiveram em Beja, no passado fim-de-semana, um dos pontos altos da temporada. A III CA do Exército / ADFA revestiu-se de enorme competitividade, muita emoção e contou, de permeio, com uma situação “daquelas que não lembra nem ao Diabo”. No final o saldo é muito positivo e todos saíram a ganhar.

Decorreu no passado fim-de-semana, nos concelhos de Beja e Ferreira do Alentejo, a III Corrida de Aventuras do Exército / ADFA. Pontuável para o “ranking” da Taça de Portugal de Corridas de Aventura, a prova reuniu um total de 48 equipas, distribuídas pelos escalões de “Elite Masculina”, “Elite Mista”, “Aventura” e “Promoção”. Este número superou em muito a média verificada no ano transacto e, nos escalões de Elite, marcaram presença algumas das equipas de topo do País vizinho, nesta que era a nona e decisiva etapa da LERA – Liga Española de Raid de Aventura 2008.

Entre a Elite Masculina merecem particular referência a presença da Salomon Santiveri, com provas dadas em 33 países dos cinco continentes, e ainda a Forum Sport, vinda de participar numa competição no Brasil. Com efeito, estas duas equipas acabaram por confirmar o favoritismo que lhes era atribuído à partida, discutindo entre si a vitória. Do lado português, destaque para o Clube de Praças da Armada, que tão boa conta deu de si em Belorado, aqui a concorrer no escalão de Elite Mista.

Cmd. Instrução e Doutrina começa melhor

A prova desenrolou-se com andamentos extraordinários, completamente fora do habitual. A primeira etapa, igual para todos os escalões, foi dominada surpreendentemente por uma formação do escalão “Aventura”, a equipa militar do CID – Cmd. Instrução e Doutrina, reforçada pelo tri-atleta Custódio António.

Na Elite Masculina, a Salomon Santiveri tomou a dianteira na 2ª etapa, seguida de muito perto pela Forum Sport. Esta toada manteve-se até à 4ª etapa, onde a turma espanhola falhou uma das multi-actividades, sendo penalizada com a perda de um Control Point (CP) e caindo para 7º lugar. Entretanto, na Elite Mista, o CP Armada / 9A Aventura tomou conta das operações nunca mais largando a dianteira até ao final enquanto no escalão Aventura eram três as equipas que seguiam na frente, separadas por um escasso minuto entre si: Clube Millenium BCP 2, Cmd. Instrução e Doutrina e Vulcano MIX.



Etapa anulada

Com a noite a aproximar-se teve inicio a etapa rainha, uma etapa com três secções - Canoagem, Corrida e BTT -, cuja ordem de execução era aleatória, fazendo apelo à capacidade estratégia das equipas. Tornava-se fundamental jogar com a última hora de luz natural e também com as capacidades das equipas em cada uma das disciplinas. Da equipa mais profissional até à mais modesta, foi possível assistir ao desenvolvimento das mais variadas estratégias, transformando a etapa no desfiar dum autêntico puzzle que se acompanhou com emoção e fascínio.

O pior, porém, viria a acontecer, com um imponderável ocorrido na secção pedestre. Tratou-se duma situação inédita, quiçá surreal, determinada pela recusa dum proprietário em franquear um caminho para a normal progressão das equipas. De nada valeu explicar que o espírito desta competição não era propriamente o de “roubar vacas” (!!!) e a Organização acabaria mesmo por se ver obrigada a anular a etapa.

Forum Sport segura primeiro lugar


Às 5h30 de domingo foi dada a partida para as derradeiras etapas, 47 km de BTT e 23 km de Corrida, respectivamente. A equipa Forum Sport manteve o primeiro lugar trazido do dia anterior e foi a grande vencedora desta III Corrida do Exército / ADFA no escalão de Elite Masculina. Mas o grande destaque do dia vai para a sensacional recuperação da Salomon Santiveri, que conseguiu ascender ao 2º lugar final e, dessa forma, vencer a Liga Espanhola de Raid de Aventura 2008. A competição da Elite Mista foi dominada, como já dissemos, pela equipa campeã Nacional do Clube de Praças da Armada, logo seguida da turma espanhola do Aventur.Es, com o mesmo número de pontos de controlo mas com mais 12.50 de tempo total. Na “Aventura” a equipa do Millennium superiorizou-se à equipa Militar do CID, que também concorria para o título de Campeão Militar. Neste escalão o destaque vai para o grande equilíbrio nos lugares da frente, com escassos dois minutos e meio a separarem o 2º do 4º lugar.

Num brevíssimo balanço, Alexandre Reis, Director Técnico da prova, destaca “como aspecto negativo, a anulação de uma etapa.” Mas houve aspectos bem positivos e esses foram, “o elevado nível competitivo, a presença das melhores equipas espanholas e o desportivismo demonstrado por todos os atletas.”

[foto gentilmente cedida por Nuno Leite. Os resultados completos podem ser consultados em http://oriadfa.no.sapo.pt/]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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A DUAS SEMANAS E MEIA DO IBÉRICO: PRIMEIRAS IMPRESSÕES


É um verdadeiro acontecimento, aguardado desde já com enorme expectativa. O 16º Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre promete trazer um milhar de atletas a Idanha-a-Nova e transformar-se num autêntico acontecimento desportivo. O Orientovar foi ao encontro de Luís Santos, o Supervisor Internacional, e procura fazer aqui o ponto da situação a duas semanas e meia do evento.

Quando começou o trabalho de Supervisão e quais os passos principais dados até ao momento?

O trabalho de supervisão começou no final de 2007 após a minha nomeação para este evento pelo Conselho de Arbitragem da FPO. A primeira saída de campo foi no dia 9 de Dezembro para avaliar os terrenos. E foi um processo curioso porque fiquei deslumbrado com a área escolhida para a prova de Distância Média mas não muito contente com a Longa. No entanto, ambas as áreas do evento acabaram por ser alteradas (a área do Sprint eu já conhecia). A Média continua a ser de grande qualidade e é muito mais segura (o ADFA optou - e com razão! - por alterar o local inicial, por considerar um pouco perigoso para os atletas e eu tinha ficado deslumbrado com tanta pedra naquela encosta mas era realmente perigoso, principalmente para os escalões com crianças) e a Longa acabou por ficar numa área muito mais interessante tecnicamente.

Como é que tem decorrido a articulação com a entidade organizadora, a ADFA?

Tem sido excelente. Sou o Supervisor Internacional e, como tal, afecto apenas ao WRE, mas gosto de me envolver a 100% nos projectos e acabei por acordar com o Supervisor Nacional envolver-me em todo o projecto, trabalhando em equipa com ele. Os nossos três interlocutores da ADFA (Jacinto Eleutério, Luís Quintanova e Alexandre Reis) têm sido muito atenciosos e nós esperamos estar a conseguir dar um bom contributo para a qualidade do evento, não desperdiçando o tempo que investem em nós.

Que aspectos há a destacar e que se perspectivam como "pontos altos" do evento?

Na minha opinião, 80% do valor de um evento deve ser avaliado pela qualidade técnica do mesmo. E é nesse âmbito que deixo os destaques do evento: A qualidade dos terrenos, com partes muito rápidas e outras bem difíceis, quer na Longa, quer na Média; o traçado dos percursos construídos pelo Alexandre Reis para todos; e a malha urbana de Idanha-a-Nova a proporcionar percursos interessantes, embora só para as Selecções Nacionais.


Que trabalho o espera ainda até ao momento do evento ir para o terreno?

Ainda há muito para fazer, quer da parte dos Supervisores quer da parte da Organização. O trabalho técnico está praticamente concluído, faltando apenas limar alguns aspectos, mas há questões logísticas a ultimar, sorteios de partidas para acompanhar, contagens de mapas para fazer e ir acompanhando a evolução do “site” que tem um grafismo muito bom e é certamente uma óptima janela de entrada para este evento [http://www.oriberico2008.com/]. Nos dias do evento, é reconfortante para o trabalho de Supervisor poder ver todos os pontos de controle já colocados no terreno antes do evento começar, mas infelizmente a janela de tempo entre a colocação de pontos e a entrada dos atletas em prova é curta e nem sempre é possível fazê-lo. Mas sempre que é possível tento cumprir essa missão para meu descanso e para descanso da equipa organizativa e dos participantes. Claro que é inútil, se o trabalho preparativo tiver sido bem feito, mas há sempre imponderáveis que não nos passam pela cabeça. Por isso não há que facilitar em nada até ao momento em que o relógio marca o momento da primeira partida.

Quer deixar aqui uma mensagem, não apenas àqueles que tencionam deslocar-se a Idanha, mas sobretudo aos indecisos?


Estou convencido que quem vier a Idanha vai participar numa das melhores provas da época 2008/2009. E não se arrependerá pela viagem longa, pois vai encontrar um evento de boa qualidade técnica e um concelho de magníficos pontos de visita, até para prolongar uma estada em Idanha até ao feriado de 2ª feira com as bonitas Monsanto, Idanha-a-Velha, Penha Garcia, as termas de Monfortinho, etc. Seja pela competição, pelo passeio ou pelo convívio, de certeza que irão ter um fim de semana bem passado.

Saudações orientistas.


JOAQUIM MARGARIDO
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ORIENTAÇÃO NA JÚLIO DINIS: OS PRIMEIROS PASSOS


Define-se a si mesma como “uma Escola de qualidade, aberta à reflexão, à sociedade e à mudança”. Falamos da Escola Secundária c/ 3º Ciclo do Ensino Básico Júlio Dinis (ESJD), de Ovar, este ano com uma novidade no seu Plano Anual de Actividades. Trata-se do Clube Desporto Escolar de Orientação, integrado no Departamento Curricular de Expressões, Grupo Educação Física.

A Escola Secundária Júlio Dinis constitui uma forte referência no âmbito do Desporto Escolar a nível nacional. Em modalidades como o Atletismo tem sido presença constante nos Campeonatos Nacionais, acumulando títulos individuais e colectivos no seu vastíssimo currículo. São incontornáveis os nomes de alguns atletas que aqui se formaram, casos de Rafael Gonçalves, já afastado das lides competitivas mas ainda recordista nacional do Salto em Altura, ou de Clarisse Cruz, atleta do Sporting CP que marcou presença em Pequim em Agosto passado, na exigente disciplina de 3.000 metros obstáculos. O Futsal foi igualmente figura de proa na época finda, com a equipa da “Júlio” a sagrar-se Campeã Nacional e a ter um comportamento meritório em Malta, nos Jogos da FISEC.

Mas nem só de Atletismo e Futsal vive a ESJD. A estas modalidades juntam-se o Voleibol, as Actividades Rítmicas Expressivas, a Ginástica Artística e, este ano lectivo, também o Xadrez e a Orientação. Lançada pelas mãos dos Professores António Beça e Eduardo Ferreira, a Orientação está ainda a dar os primeiros passos. No sábado passado, aproveitámos uma breve pausa antes do início de mais um treino na orla da floresta do Furadouro e procurámos fazer o ponto da situação. Recebeu-nos o Professor Eduardo Ferreira, que disse de sua justiça.

“Foi um desafio que decidi aceitar”

Como é que surge a Orientação na ESJD?


A necessidade de promover uma actividade de exploração da natureza com uma das turmas de Educação Física levou-me a pensar na Orientação. Isto foi há dois anos e desenvolvemos actividades dentro e fora da escola, aproveitando as excelentes condições naturais junto ao Parque de Campismo do Furadouro. Para além duma prova que os alunos tiveram que fazer e que serviu para avaliação, também tiveram a possibilidade de se dividirem em grupos e de organizarem percursos para os restantes grupos. Entretanto surgiu o convite para reimplementar a Secção de Orientação do Clube AFIS / Ovar e isso colocou-me em contacto com o Clube Ori-Estarreja. Com a sua ajuda organizámos algumas provas, abertas não apenas aos alunos mas a toda a comunidade, e esta dinâmica tem vindo a crescer e a desenvolver-se.

Hoje o projecto tem outra abrangência e outra ambição. Houve aqui um passo muito importante com o lançamento do Clube Desporto Escolar de Orientação ligado ao Desporto Escolar na ESJD. Quer explicar?

Teve a ver fundamentalmente com um convite do António Amador para a implementação da Orientação no Desporto Escolar. Foi um desafio que decidi aceitar, em conjunto com o meu colega Prof. António Beça. Contamos, actualmente, com 18 alunos, cuja faixa etária vai dos 13 aos 16 anos.

“Actualização do mapa do Furadouro”

Como é que são desenvolvidas as actividades de Orientação no seio do grupo?


Periodicamente organizamos treinos na floresta para os alunos. Fizemos um levantamento dos mapas fornecidos pela Federação Portuguesa de Orientação, procedemos à implementação de percursos próprios e distintos daqueles que o Clube Ori-Estarreja tem naquele mapa, e é aí que treinamos. Nos intervalos, fazemos as aulas de Educação Física normais na própria Escola, com a componente da corrida associada, embora isso não cative particularmente os miúdos. Apesar da Escola estar cartografada, não treinamos lá. Pensamos, no âmbito da disciplina de Práticas Desportivas e Recreativas, do Curso Tecnológico-Desporto, organizar uma actividade nesse mapa, dando a conhecer a Orientação dentro da própria Escola, indo ao encontro de professores mas, fundamentalmente, de outros alunos.

O apoio dos clubes passa por ser essencial na consolidação de projectos desta natureza e neste âmbito. Qual a ligação existente entre a ESJD e os clubes da região?

Está em vista a assinatura dum protocolo entre a Escola e o Clube AFIS no sentido de nos ser proporcionado apoio na área organizacional, sobretudo ao nível das facilidades de transporte e da cedência de materiais. O Ori-Estarreja tem-se mostrado disponível para desenvolver connosco acções de formação e esperamos que se possa concretizar aquele que é o nosso grande projecto, a actualização do mapa do Furadouro, uma ideia conjunta da ESJD, do Clube AFIS e do Clube Ori-Estarreja, cujo sucesso dependerá fundamentalmente do apoio da Câmara Municipal de Ovar.

“Ainda não sentimos os alunos agarrados àmodalidade”

Federar os alunos através do Clube AFIS não está nos vossos planos?


É uma hipótese. De momento seria prematuro fazê-lo, uma vez que ainda não sentimos os alunos agarrados à modalidade. Queremos ver um grupo minimamente fidelizado para, então, dar o salto. A grande aposta passa pelos alunos mais novos, a frequentar o 8º Ano de Escolaridade, com quem poderemos manter um trabalho sustentado por mais alguns anos. Vamos ver.

Percebe-se que, nesta fase, as ambições são contidas. De que forma está estruturado o “projecto-Orientação” na ESJD?

Enquanto os alunos não se mostrarem minimamente experientes, a sua participação passa exclusivamente pelo Desporto Escolar. Teremos brevemente duas provas de apuramento para o Regional onde nos iremos confrontar com a Escola Secundária de Estarreja. Estamos conscientes que as hipóteses são muito reduzidas, já que os nossos alunos irão competir com atletas de outro nível, alguns deles federados. Vai ser muito difícil, não tenho a menor dúvida.

No médio e longo prazo, quais as suas ambições?


Não tenho ambições. Um passo de cada vez. Estou nisto porque gosto, para já. Seria óptimo que pudessem aparecer pessoas muito mais dinâmicas do que eu, que não tivessem as minhas limitações. Face às potencialidades da nossa região para a prática da Orientação seria realmente necessário alguém com outra dinâmica. E eu poderia deixar de ser organizador e passar a ser praticante.


[visite a página oficial da ESJD clicando no banner acima]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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domingo, 16 de novembro de 2008

ARGENTINA: ENTREVISTA COM LORENA GISELA KLEINMANN


Lançada, há cinco séculos, a semente do nosso iberismo pelas quatro partidas do mundo, é em África e na América do Sul que encontramos maiores e mais saborosos frutos. Depois dos trabalhos sobre Moçambique e o Brasil, aqui apresentados em meses anteriores, chega agora a vez da Argentina. Hoje, estendemos o nosso olhar pela vastidão das pampas, indo ao encontro de Lorena Gisela Kleinmann e procurando conhecer um pouco mais da realidade da Orientação naquele País.

O que têm em comum figuras como o escritor Jorge Luís Borges, os políticos Che Guevara ou Eva Peron, os músicos Astor Piazzolla, Daniel Baremboim ou Martha Argerich, o futebolista Diego Maradona, os tenistas Guillermo Vilas ou David Nalbandián, a modelo Valeria Maza ou o cantor Carlos Gardel? Uma mesma pátria e bandeira, um mesmo nome: Argentina.

A República Argentina é o segundo maior país em tamanho da América do Sul, depois do Brasil, e o oitavo do mundo. Ocupa uma área de superfície continental de 2.766.889 quilómetros quadrados, entre a Cordilheira dos Andes a oeste e o Oceano Atlântico Sul a leste e sul, confinando com países como a Bolívia, o Paraguai, o Brasil, o Uruguai e o Chile. A sua capital é a cidade de Buenos Aires. O Estado argentino é uma República Federal Presidencialista e este vastíssimo país é aquele que apresenta o maior PIB per capita da América Latina e o mais elevado índice de desenvolvimento humano.

Orientação: Uma verdadeira paixão

Criada em 1996, a Federação del Deporte Orientación de la República Argentina levou três anos a estruturar-se, a criar as bases de actuação e a definir projectos de futuro consistentes e credíveis. Em 1999 teve lugar a primeira competição organizada e nela participou uma jovem de 30 anos, Lorena Gisela Kleinmann, recebendo aí o título de Campeã Nacional. Foi o começo duma verdadeira paixão, transformando-a no verdadeiro motor da promoção e divulgação da modalidade junto de colégios e clubes, entre professores de Educação Física e nas Universidades de Buenos Aires.

Licenciada em Actividade Física e Desportos da Natureza pela Universidade de Flores (onde lecciona presentemente Orientação), Presidente da ADORA – Asociación del Deporte Orientación de la Republica Argentina, Lorena Kleinmann tem o seu nome ligado a todos os momentos marcantes da história da modalidade naquele país [ver “Historial da Orientação na Argentina” em artigo separado]. O Orientovar foi ao seu encontro e, na primeira pessoa, aqui deixa as impressões de Lorena Kleinmann.

“Tivemos que fazer tudo a pulmão”

Quais as dificuldades sentidas e como avalia o crescimento da modalidade na Argentina?

Inicialmente sentimos as dificuldades inerentes ao facto de esta ser uma modalidade cuja prática se limitava aos meios militares. Felizmente isso já não acontece no momento presente. A Orientação abriu-se muitíssimo e está a ser divulgada a todos os níveis. Outra dificuldade que encontrámos tem a ver com a questão económica. Não tivemos grandes apoios para a execução dos primeiros mapas ou para a organização dos primeiros eventos, por exemplo. Tivemos que fazer tudo “a pulmão”, o que dificultou um pouco o desenvolvimento da Orientação na República Argentina.

Com que tipo de apoios contam para levar a cabo a promoção e divulgação da modalidade?

Recebemos o apoio da Universidade de Flores, da Secretaria do Desporto da Nação e da Confederação Argentina de Desportos, ao nível da tramitação de autorizações para levar a cabo os eventos. Porém, lamentavelmente, no nosso país é ainda muito difícil conseguir apoios económicos. O reflexo desta situação vê-se pela enorme quantidade de desportistas de alto rendimento, nas mais variadíssimas modalidades de difusão massiva, que deixam o país em busca de melhores condições, a fim de se aperfeiçoarem e puderem estar entre os melhores do mundo.

“Três centenas de praticantes”

Actualmente, quantos praticantes existem e que tipo de competições são promovidas?


Calculamos aproximadamente três centenas de praticantes, entre a ADORA, a UFLO – Universidade de Flores e o Círculo de Escolas. Ao nível da promoção e organização de eventos, levamos a cabo as Corridas “Dia da Família” e “Dia da Primavera” e ainda as provas escolares.

A Orientação confina-se a Buenos Aires ou há outras Províncias onde já se encontre sedimentada?

Buenos Aires acaba por ser o único sítio onde se vem praticando regularmente a modalidade. Mas já fizemos acções de divulgação em Tucuman, Neuquen, Misiones, Cordoba e Entre Rios.

Quais os grandes projectos de futuro tendentes a desenvolver a modalidade no país?

Temos programado para Dezembro de 2009 uma viagem pela América do Sul com a WWOP – World Wide Orienteering Promotion, de Peo Bengtsson, cujos anfitriões na Argentina seremos nós, tal como sucedeu em 2006. Também organizaremos, em 29 e 30 de Novembro, a etapa final do Campeonato do Mercosul de Orientação, aqui em Buenos Aires.



[saiba mais sobre a Orientação na Argentina clicando nos 'banners' acima]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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HISTORIAL DA ORIENTAÇÃO NA ARGENTINA


1996
. Criação da Federación del Deporte Orientación de la República Argentina.


1999
. Primeiro Campeonato Nacional de Orientação da Argentina, nos bosques de Ezeiza (Buenos Aires).


2003
. Terceiro curso de Cartografía específica (1º nível), realizado no Instituto Superior de Educación Física, em Bella Vista;
. Primeiro e segundo Evento de Pré-Orientação, em Ezeiza.

2004
Peo Bengtsson visita a Argentina, depois de já o ter feito em 1973, 1991, 1995, 1997 e 1999.

2005
. Curso de Organização de Eventos de Orientação, levado a cabo pela Secretaria do Desporto da Nação;
. Curso de Mapeadores Nivel 1, realizado na Universidade de Flores;
. Primeira Corrida de Orientação para toda a Família, em Palermo Rosedal.

2006
. Segunda Corrida de Orientação para toda a Família, em Palermo Golf;
. 28 de Abril - Fundação da ADORA - Asociación del Deporte Orientación de la República Argentina;
. Dezembro - Corridas de Orientação em Ezeiza, Puerto Madero, Tandil e Concórdia, que coincidiram com a visita de Peo Bengtsson e o “tour” promocional do desporto na América do Sul do WWOP (World Wide Orienteering Promotion 2006).

2007
. 23 de Setembro – Terceira Corrida de Orientação para toda a Família, no Parque Pereyra Iraola de Gonnet.
. 15 e 16 de Dezembro - Organização do VI Campeonato Mercosul de Orientação, nos Bosques de Ezeiza.

2008
. 18 a 20 de Abril – Primeiro Curso Teórico-Prático de Orientação convocado pelo Prof. Ricardo Solano, presidente do Club Andino Aluminé, Neuquén, e apresentado pelo Vice-Presidente da ADORA, Rafael Melero, no qual participaram professores de Educação Física, corredores de aventura, desportistas de kayak e público em geral;
. 30 e 31 de Maio - Jornadas de Competência a Guias de Turismo, a cargo de Gisela Reynoso. A acção baseou-se na preparação de Jogos de Orientação para serem desenvolvidos em complexos hoteleiros, em vários pontos do País, com crianças e adolescentes de distintas instituições educativas da Capital e do Grande Buenos Aires.
. Junho - Jornadas de Competência nos Distritos Escolares 14 e 15 de Capital Federal, dirigidas a professores de Educação Física desses distritos. O tema desenvolvido foi "A Orientação na Escola", apresentado pela Lic. Corina Mas Albert e pela Professora Beatriz Maveroff.
. 12 de Julho - VideO-conferência sobre o desporto Orientação, levada a cabo na Cafetaria do Círculo de Policia Federal, pelo Prof. Rafael Melero.
. 8 e 9 de Agosto – Primeiro Curso Teórico – Prático em meio natural, em Aguilares – Tucumán, organizado pela Associação de Professores de Educação Física (Tucumán) e pela FIEP. Prelector, Prof. Rafael Melero.
. 10 de Agosto – Corrida do Dia da Criança, no Círculo de Policia Federal, organizada por Marcelo Hernández, Marcio López y Natalia Saraceni (CPF), em conjunto com Rafael Melero. A organização da Corrida em si, esteve a cargo de María Laura Frutero e Gisela Reynoso, membros da ADORA e por Carolina Martín e Nicolás Souto, ambos professores de Educação Física e desportistas de Orientação.
. 24 de Agosto - Curso Teórico - Prático de Orientação, levado a cabo pela Lic. Lorena Kleinmann (Presidenta de ADORA) num clube de Miami, Estados Unidos.
. 25 de Agosto - O trabalho realizado pelo Prof. Rafael Melero, em colaboração com Maria Laura Frutero e Gisela Reynoso, sobre "O Desporto orientação como Ferramenta de Inclusão Social", foi seleccionado para ser apresentado no II Congresso Nacional de Desporto Social, para a Área de Competências da Secretaria do Desporto, Ministério de Desenvolvimento Social. Cabe destacar que este tema foi o produto do excelente trabalho realizado pelo Prof. Rafael Melero em 2007, com líderes da Igreja Caacupé da Villa 21, de Barracas.
. 11 e 12 de Setembro - Divulgação da Orientação na localidade de Apostoles, na Província de Misiones, a cargo de Prof. José Otavio Franco Dornelles (presidente da CBO) e Nairon Silva Oberto, juntamente com o Professor de Educação Física, Yuri Macuglia Oberto.
. 21 de Setembro - Corrida do Dia da Primavera, no círculo de Policia Federal.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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