sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ISTAMBUL 5 DAYS: COTAÇÃO PORTUGUESA EM ALTA


Às portas da Asia, os “5 Dias de Istambul” dobraram já a metade. Enquanto decorre a 4ª etapa no Grande Bazar, aproveitamos para espreitar o que têm feito Jorge Simões e Manuel Dias.

Na manhã de quarta-feira, uma esplendorosa floresta de Belgrad recebeu a prova de Distância Longa, primeira etapa dos “5 Dias de Istambul”. Num terreno de difícil progressão, com muitos detalhes de relevo, vegetação caída e pequenos trilhos, Manuel Dias foi, dos nossos representantes, aquele que esteve melhor. No seu escalão (M55), Bernhar Schilling (Suiça) foi o mais rápido com 53.13, logo seguido dos “incontornáveis” Vesa Turku (Finlândia) e Stefan Maj (Eslováquia). Manuel Dias gastou mais 6.42 e alcançou a 4ª posição. No escalão M21A, entre 37 concorrentes, Jorge Simões foi o 21º classificado com o tempo de 2.16.13. A vitória sorriu ao húngaro Arpad Harkanyi, em 1.21.31.

No dia de ontem, os concorrentes regressaram à floresta de Belgrad para a prova de Distância Clássica. Já mais adaptado ao terreno, Jorge Simões teve um desempenho altamente meritório, concluindo no 11º lugar com 1.13.19. Martin Veitsberger (Áustria) foi, desta feita, o vencedor com um tempo de 51.16. Já Manuel Dias teve uma prova menos conseguida que na véspera, alcançando ainda assim o 7º lugar com 39.18. Vesa Turku, com o tempo de 28.53, impôs-se claramente à concorrência.

Gustav Bergman e Iliana Shandurkova dominam elite

Quanto aos restantes escalões, o destaque vai para o sueco Gustav Bergman e para a búlgara Iliana Shandurkova, que bisaram as vitórias nos respectivos escalões de elite. Masha Semak, a ucraniana que esta época representará em Portugal o GD4Caminhos, arrebatou um excelente 2º lugar na primeira etapa, ao passo que na etapa de ontem se quedou pela 4ª posição. Christine Schaffner (Suiça), a número 2 mundial na disciplina de Ori-BTT foi 5ª na etapa inicial, melhorando na segunda etapa, onde foi terceira.

Irina Makeychik (Rússia) venceu as duas etapas até agora disputadas no escalão W21A, o mesmo acontecendo com Ilze Skangale (Letónia) em W35, Mara Bolsteina (Letónia) em W65, Eila Pekkarinen (Finlândia ) em W+70, Özgür Fettah (Turquia) em M20, Beat Schaffner (Suiça) – outra referência da Ori-BTT mundial - em M35, Sergey Mekeychik (Rússia) em M40, Sergey Kokorin (Rússia) em M45 e Palle Bay (Dinamarca) em M+70.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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VENHA CONHECER... PINTO ANDRÉ


Chamo-me… Fernando Jorge PINTO ANDRÉ
Nasci no dia… 07 de Janeiro de 1954, em Poço do Canto (Meda)
Vivo em… Santo Tirso
A minha profissão é… Professor de Educação Física
O meu clube… TST - Trampolins de Santo Tirso
Pratico orientação desde… 1978

Na Orientação…

A Orientação é… aquilo a que se chama mesmo o Desporto para Todos!
Para praticá-la basta… praticá-la. E se for com um grupo de amigos, então é outra loiça!
A dificuldade maior é… o início, enquanto não se entende a técnica básica!
A minha estreia foi … na Serra da Arrábida!
A maior alegria é… sentir-me no meio da floresta, a participar!
A tremenda desilusão… quando não chego ao fim satisfeito e com tudo direitinho!
Um grande receio… encontrar alguém mal disposto a meio do percurso e ter que o carregar. Já aconteceu uma vez!
O meu clube é… o amor à camisola!
Competir é… connosco mesmo, não é com mais ninguém!
A minha maior ambição é… manter-me nisto o máximo de tempo possível!

… como na Vida!

Dizem que sou… um faz-de-tudo!
O meu grande defeito… não dizer que não a nada!
A minha maior virtude é… dizer que sim a tudo!
Como vejo o mundo… como já diziam os meus avós, “a terra é uma bola e quem anda nela é que se amola”!
O grande problema social… as desigualdades e a forma como os “espertos” se aproveitam do próximo para singrar na vida!
Um sonho… ver a Orientação como uma referência a nível desportivo!
Um pesadelo… ver os outros a movimentar-se e eu numa cadeira de rodas!
Um livro… “Jangada de Pedra”, de José Saramago!
Um filme… “A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg!
Na ilha deserta não dispensava… água, companhia e sossego!

Na próxima semana venha conhecer Maria Pereira.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

PELO BURACO DA FECHADURA...


Seis semanas após a prova de Mora e o XVI Troféu do CPOC, a Taça Pedestre FPO Sul 2008 / 2009 regressa ao Alentejo. Pelas mãos do Gafanhori, Arraiolos recebe no próximo fim-de-semana a 3ª etapa da competição. Trata-se do II Troféu do Sabugueiro e Tiago Aires ajuda-nos a espreitar pelo buraco da fechadura…

“Um fim de semana memorável… 2 dias : 2 h : 21 m : 17 s” … Quem abre a página da prova depara-se com uma contagem decrescente que nos faz antecipar um Troféu que tem tudo para agradar a todos. Mapas novos, terrenos espectaculares com muitos detalhes rochosos, o garante de qualidade do nome de Tiago Aires como Traçador de Percursos, o espectáculo das Estafetas e o bem receber das gentes de Arraiolos são motivos mais do que suficientes para mobilizar esforços e vontades e levar a comunidade orientista a rumar ao Sabugueiro.

Tendo Raquel Costa como Directora da Prova e Nuno Rebelo no cargo de Supervisor FPO, o II Troféu do Sabugueiro aproxima-se a passos largos das três centenas de inscritos. Merece uma especial referência o facto de uma boa parte dos participantes serem o resultado do trabalho de promoção e divulgação da modalidade junto da população local. Tiago Aires volta a assumir o papel de “relações públicas” e responde a algumas questões colocadas pelo Orientovar. Em jeito de apresentação, aqui fica o resultado dessa conversa.

“A Estafeta é a prova-rainha da Orientação”

Trabalho de cartografia com mapas novos, terrenos e percursos devidamente adequados a cada escalão, pontos de espectadores, speaker… Tanta atenção e cuidado para uma prova regional quer dizer o quê?

Mapas novos, a nosso ver, têm uma grande importância. O evento é apenas um primeiro momento, sendo o mapa a nossa principal ferramenta e a partir daqui ficamos com mais um instrumento para treinar. A forma mais fácil de justificar a produção de mapas é com a realização de um evento. Quanto ao facto de termos ponto de espectadores nas provas e, em particular, três pontos de espectadores na Estafeta, é uma estratégia de divulgação da modalidade e também uma forma de preparar os nossos atletas para a pressão de um evento. Para nós a prova seja Regional, Nacional ou Local, tentamos sempre conferir-lhe os condimentos que nos parecem fundamentais para um bom evento.

O Campeonato Regional de Estafetas, no sábado, colhe uma boa fatia do interesse. Mas há também Sprint e Distância Longa a contar para a Taça FPO Sul e há um Troféu em disputa que deverá resultar dum qualquer somatório. Pedia-lhe que detalhasse o Programa e nos esclarecesse neste e noutros pormenores?

Normalmente poucos clubes querem organizar Estafetas. Nós candidatámo-nos e estamos muito empenhados. Adoramos Estafetas e pensamos mesmo que a Estafeta é a prova-rainha da Orientação. O Sprint que se realiza ao final da tarde é a repetição do mapa já existente no Sabugueiro, numa fantástica encosta com detalhes rochosos. Por fim no Domingo teremos uma Distância Longa num terreno que parece ser mais simples, mas que a constante vegetação rasteira de fácil progressão nas zonas de floresta vai ser uma surpresa.

“Teremos um bom desafio”

Com que apoios contam neste II Troféu do Sabugueiro? São os suficientes?

A Câmara Municipal de Arraiolos, a Coop, Junta de Freguesia do Sabugueiro e de S. Pedro da Gafanhoeira, o Centro Paroquial e Social de S. Pedro da Gafanhoeira, MonteACE. No fundo parceiros que já nos apoiam praticamente desde o inicio.

Terrenos óptimos, percursos desafiantes, óptima gastronomia e excelentes prémios para os vencedores. É isto que prometem. Seria possível pormenorizar?

Os terrenos e os percursos são, a nosso ver, o mais importante. Nesse aspecto penso que mais uma vez teremos um bom desafio. O mapa é novo e é a continuação do mapa que foi utilizado no Campeonato Nacional de Desporto Escolar do ano passado (Estrelada). Curiosamente este mapa já fica perto da zona onde será a nossa primeira prova nacional em Janeiro de 2010, a nossa grande aposta organizativa. A gastronomia estará presente na arena dos eventos e teremos a possibilidades dos participantes almoçarem por um preço simbólico enquanto acompanham a prova dos colegas.

“Mobilizar as pessoas do Distrito”

De que forma espera que os participantes correspondam ao vosso esforço?


Esperamos ter muitos inscritos. Neste momento estamos nos 286, mas esperamos ultrapassar os 300. Gostaríamos que as pessoas fiquem agradadas com um fim-de-semana de Orientação. E que compreendam que este é um clube formado por 85% de jovens que querem a pouco e pouco organizar eventos cada vez mais sólidos.

Relativamente ao Troféu, deixe aqui o maior de todos os desejos?

Que fosse possível mobilizar as pessoas do Distrito e em particular do concelho de Arraiolos. Que tudo corra da melhor forma e se possível sem chuva.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. Luís Pereira volta “à carga” com um tema que marcou a pré-temporada: “Nas provas individuais, os atletas devem navegar e progredir sozinhos” (julgo que o António Aires terá escamoteado propositadamente a pontuação no final da frase). Fá-lo no seu jeito muito peculiar, brincando com as situações enquanto vai chamando a atenção para aspectos bem mais sérios. Concorde-se ou não com o Luís, esta é mais uma “achega” que merece a nossa particular atenção, quanto mais não seja pela boa disposição que a leitura do texto proporciona. Tudo para conferir em http://www.ammamagazine.com/Reportagens/Orientacao/LuisPereira/provavelmente.htm.

2. Está aí a Convocatória de atletas para o XVI Campeonato Ibérico 2008, que se disputará em Idanha-a-Nova no primeiro fim-de-semana de Dezembro. São 28 os atletas eleitos pela Comissão Técnica para as Selecções, oriundos de 10 clubes. Apesar de ausente nos escalões de Juvenis e Cadetes, o COC – Clube de Orientação do Centro, contribui com a maior fatia (8). Seguem-se ADFA e Gafanhori, com 4 atletas cada. Para os mais curiosos, aqui fica a relação de convocados: Juvenis – João Mega (CN Alvito), Rafael Miguel (Ori-Estarreja), Mariana Moreira (CPOC) e Joana Costa (GD4Caminhos); Cadetes – David Sayanda (Ori-Estarreja), Manuel Horta (Gafanhori), Isabel Sá (GD4Caminhos) e Ana Coradinho (Gafanhori); Juniores – Tiago Romão (COC), Jorge Fortunato (Ori-Estarreja), Andreia Silva (COC) e Catarina Ruivo (COC); Seniores – Tiago Aires (Gafanhori), Joaquim Sousa (COC), Celso Moiteiro (COC), Pedro Nogueira (ADFA), Raquel Costa (Gafanhori), Lídia Magalhães (ADFA), Susana Pontes (CPOC) e Patrícia Casalinho (COC); Veteranos I – Santos Sousa (ADFA), Rui Botão (CPOC), Paula Nóbrega (Orimarão) e Anabela Vieito (COC); Veteranos II – Mário Duarte (ADFA), Manuel Luís (CP Armada), Luísa Mateus (COC) e Fernanda Ferreira (DA Recardães).

3. Na minha habitual rusga por “sites” e “blogues” relacionados com a Orientação, “tropeço” no interessantíssimo e actualizadíssimo “Orienteering Austrália”, a página oficial da Federação australiana. Lá encontro uma referência ao número de Setembro da Revista “The Australian Orienteer”, com o destaque da capa a ser dado a Natasha Key e ao seu título de Campeã do Mundo W35 de Distância Longa, alcançado em Pedrógão. Com a curiosidade aguçada, fui espreitar o WMOC 2009, que terá lugar lá para Outubro do próximo ano, precisamente na Austrália, em Sidney e em Lithgow. Fico a perceber que o WMOC’09 será apenas uma das 28 modalidades que constituirão os Jogos Mundiais de Veteranos. “Fit, Fun & Forever Young” é o tema dum evento que vai já para a sua 7ª edição - depois de se ter disputado em Toronto (1985), Copenhaga (1989), Brisbane (1994), Portland (1998), Melbourne (2002) e Edmonton (2005) -, e que promete festa redobrada. No que à Orientação diz respeito, os organizadores australianos parecem apostados em não deixar o trabalho todo para a última da hora. O “site” oficial da prova (
http://www.wmoc2009.orienteering.asn.au/) está a funcionar desde 1 de Fevereiro, as inscrições abriram a 2 de Junho e os mapas da prova de Distância Longa estão praticamente concluídos. O primeiro Boletim também já se encontra disponível e pode visualizá-lo aqui.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

OS VERDES ANOS: RITA RODRIGUES


Olá!

Sou a Rita Rodrigues, tenho 15 anos, nasci em Évora, moro na Gafanhoeira (Alentejo) e pertenço ao clube Gafanhori.

A minha carreira no desporto começou bem cedo, pois aos 7 ou 8 anos fui para o Ballet. Andei lá três anos, mas após uma infância a morar em Arraiolos, vim morar para a Gafanhoeira onde tomei conhecimento com as Escolas e Escolinhas do desporto e inscrevi-me!

Nas Escolinhas tínhamos acesso a várias modalidades existentes no nosso Distrito (quase inexistente a prática de desporto) e foi assim que um dia participámos num “mini-evento” de Orientação no jardim de Vendas Novas o qual consistiu, basicamente, em brincar, fazer jogos com a legenda do mapa e fazer “puzzles”, sendo o objectivo acabar mais rápido tendo um mapa todo montado e, no fim, um mini-percurso com alicate. Adorei!

A partir daí comecei a participar cada vez mais em eventos de Orientação (estágios e provas regionais), mas sempre em grupos. O primeiro estágio onde estive presente foi em Évora, Dezembro de 2005. Foi uma grande aventura porque nunca tinha ido passar uns dias fora de casa com os meus amigos, não sabia nada de Orientação e não conhecia ninguém dos outros clubes. No final do estágio já percebia alguma coisa, mas nada de mais; nesse tempo pensava que a Orientação era apenas uma brincadeira de pegar num mapa, ir procurando os pontos, chegar ao fim e ver o tempo.

Passado quase um ano fui a outro estágio, este em Mora. Mas aí já foi diferente, pois já conhecia os monitores, principalmente o Tiago Aires e a Raquel Costa e alguns dos atletas. Foi um estágio em que experimentei ir a uma prova nacional no Bom Sucesso (Óbidos), participando no escalão de Iniciadas e partindo com a minha amiga Inês Pinto. Por acaso não fomos lá muito bem sucedidas e, no ponto 5, íamos “apenas” com uma hora. Uma prova na qual eu hoje ainda penso: ”Como é possível?! Era tão FÁCIL!!!”.

Em Março de 2007 formou-se, a partir da Sociedade Recreativa de S. Pedro da Gafanhoeira, a Escola de Modalidade de Orientação da Gafanhoeira. Isto foi muito importante para mim pois penso que nas Escolinhas nunca iria evoluir muito em termos físicos e, no aspecto técnico, muito menos, uma vez que apenas fazia algumas provas e eram sempre aqui na zona. Comecei a treinar na Gafanhoeira com todos os meus amigos que também andaram nas Escolinhas e o nosso primeiro treino foi no campo de futebol. Este foi apenas um passo para um grande percurso que eu iria percorrer até hoje no mundo da Orientação, tendo como treinador Tiago Aires, sem o qual nada disto era possível. Apesar da minha pouca experiência, até hoje já consegui ganhar algumas provas e alguns corta-matos no Distrito.

No Verão passado tive uma grande experiência no mundo da Orientação que foi ir a duas provas fora da Península Ibérica, mais propriamente em França. Foram 14 dias bem passados mas confesso que no primeiro dia foi difícil a adaptação aos mapas e, por isso, a prova que fiz em Auvergne não me correu muito bem (nunca tinha estado em terrenos assim com bastantes pormenores rochosos e alguma dificuldade na visibilidade, era uma floresta como nunca tinha visto).

Passados aí alguns dias, fui para Aveyron onde iria estar mais uma semana. Mudou tudo completamente! Assim dizendo, um terreno não muito diferente do que tínhamos em Portugal, com grandes rochedos que se percebiam bastante bem. Era uma floresta bastante aberta, mudando completamente o estilo de mapa, pelo que assim já me senti mais à vontade para que a prova me corresse bem. Fiquei quase sempre nos primeiros 10 lugares e também consegui ganhar o “Orienteering Show” no escalão jovem.

Nas próximas provas nacionais e regionais espero continuar a ter bons resultados, visto que mudei de escalão para Juvenil e as adversárias são diferentes! Os meus objectivos para esta época passam por ficar nos primeiros lugares do “ranking” nacional e conseguir o apuramento para o EYOC 2009 e para a Taça dos Países Latinos.

Uma continuação de boa época.

Rita Rodrigues

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

II TROFEO "TOLEDO IMPERIAL": VICENTE TORDERA FAZ O BALANÇO


Concluída que está a segunda prova da Taça de Portugal de Orientação Pedestre, damos uma última saltada a Toledo para o balanço possível. Simpático e prestável como sempre, Vicente Tordera [à direita na foto, ao lado de Alfonso Martín, durante a apresentação do evento] diz de sua justiça e conta-nos como foi.


Terminado o II Trofeo "Toledo Imperial", como é que viveu esta experiência?


Organizar una prova da Liga Nacional para 900 participantes é uma grande responsabilidade, a qual faz com que passemos muitas noites e dias preparando todos os detalhes da prova. Tudo deve estar perfeito, embora saibamos que nem sempre o conseguimos a 100%. Só quando abrimos o Centro de Recepção aos participantes, na passada sexta-feira, e percebemos que tudo estava a correr bem, é que sentimos diminuir a pressão dos dias anteriores e começámos a ver que afinal, aquilo que há tanto tempo vínhamos preparando, funciona.


Em termos logísticos, que meios materiais e humanos estiveram envolvidos?

Quase todos os adultos de clube Toledo-Orientación estiveram empenhados na Organização do evento ao longo de todo o fim-de-semana. Terão sido umas 25 pessoas, distribuídas pela montagem dos percursos (5), SportIdent (2), inscrições (2), partidas (5) e chegadas (11), para além das esposas de muitos sócios que nos ajudaram durante os dois dias de competição. Quanto aos meios materiais, foram utilizados 80 pontos de controlo na prova de Distância Longa, 20 na prova de Sprint e 45 na prova de Distância Media. Foram ainda utilizados 2 pórticos insufláveis (partidas e meta), 1 furgoneta, 2 viaturas todo-o-terreno, vários veículos particulares, 2000 latas de Coca-Cola, 1000 “powerbar”, 300 litros de água, 1100 “t-shirts” de oferta para todos participantes e três lembranças diferentes para os mais pequenos. E também 2 computadores, 3 impressoras e… muita ilusão e trabalho dos sócios do Toledo-O.

Na sua perspectiva, onde é que residiu o melhor e o pior do evento?

Julgo que o melhor terá sido poder praticar Orientação numa cidade como Toledo, indo ao encontro da opinião da maioria dos participantes que consideraram os percursos da prova de domingo espectaculares. Pessoalmente há outro aspecto que gostaria de destacar e que foi a enorme satisfação que senti ao ver como todos os elementos da Organização se esforçaram para atender o melhor possível os participantes. O pior teve a ver com as pessoas que se magoaram ou tiveram algum problema físico. Em termos organizativos não recebemos nenhuma reclamação, o que para nós é um motivo de orgulho e satisfação.


A ausência de alguns dos maiores valores da Orientação espanhola terá retirado brilho e competitividade ao evento? Encontra algum motivo para que tal tenha acontecido?

Pessoalmente não estou muito ligado à parte competitiva da Orientação. No nosso clube cuidamos mais da formação, pelo que desconheço o que poderá ter motivado estas ausências. Para nós, todavia, o brilho da competição esteve sempre bem espelhado na felicidade dos corredores ao finalizarem os seus percursos.

Em Portugal, antes do evento, falou-se nalguma desarticulação no processo de inscrições entre a FEDO e a FPO e apontaram-se críticas ao "minimalismo" e pouca funcionalidade do "site" oficial da prova. Gostaria de comentar?

Os problemas com as inscrições deveram-se ao facto de, em Portugal, se estar no período de renovação das licenças para a temporada 2008/2009, o que fez com que os ficheiros com as bases de dados não se encontrassem actualizados. Quanto à “web” do evento, aceito que sim, que a página não esteja muito espectacular, mas creio que a informação era ampla e suficiente, na justa medida para se saber o necessário sobre a prova. Em todo o caso, tentaremos melhorar este aspecto numa próxima competição.

Causou-lhe alguma surpresa o desfecho da "primeira parte" deste Espanha - Portugal?

Creio que, na generalidade, há bastante equilíbrio. É verdade que nalgumas categorias dominaram os orientistas portugueses e noutras os espanhóis. Veremos o que se irá passar em Idanha-a-Nova.

O "feedback" final que recebeu das partes envolvidas foi ao encontro das suas expectativas?

O nosso clube está satisfeito com o desenrolar da prova. Não houve qualquer incidência técnica, o que é muito importante e, dum modo geral, todos os participantes terminaram muito satisfeitos os respectivos percursos.

Encerrado o evento, estabelecido o necessário balanço, que ensinamentos recolhe o Vicente Tordera e o Club Toledo-Orientación com vista ao futuro?

Tomámos nota de alguns pormenores ou meios materiais onde poderemos melhorar, mas é a estrutura organizativa que irá sofrer as principais alterações. Até aqui, todo o peso da prova recaía sobre duas ou três pessoas mas, no próximo evento, vamos preparar uma distribuição mais ampla, dividindo tarefas e procurando ser mais eficazes. Os resultados ver-se-ão dentro de um ano.

[fotos gentilmente cedidas por Irene Almeida, Jose Luis Morales, Fernando Costa e Albino Magalhães]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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"ISTAMBUL 5 DAYS": A ANTEVISÃO DE MANUEL DIAS


Acabado de regressar de Toledo, onde venceu com brilhantismo o seu escalão do II Trofeo “Toledo Imperial” e cimentou a sua posição de líder do “ranking” nacional em H55, Manuel Dias está já de partida para Istambul. Na companhia de Jorge Simões, irá inscrever pela primeira vez o nome de Portugal nesta prova peculiar, competindo ao lado de seis centenas de atletas de 25 países. Antes da partida, Manuel Dias fala-nos de Istambul, duma viagem “molhada” há meia-dúzia de anos atrás, faz-nos a antevisão do que irão ser os “5 Dias de Istambul” e deixa um conselho: “aproveitem para ganhar agora, que eu não espero dar-vos muitas outras oportunidades...”

Istambul, Constantinopla, Bizâncio – três nomes para uma cidade com um passado carregadíssimo de história. Bastará lembrar que a sua tomada pelos turcos otomanos em 1453 (era então a capital do Império Romano do Oriente) marcou, segundo alguns historiadores, o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna na Europa.

Um super-sprint nocturno num dos maiores labirintos do mundo e uma etapa na Ásia são dois dos principais atractivos destes 5 Dias, que afinal... são quatro – de 29 de Outubro a 1 de Novembro -, já que duas das cinco etapas se realizam no mesmo dia.

Competir em dois continentes

A participação na prova turca - onde suponho que o Jorge Simões e eu vamos pela primeira vez inscrever o nome de Portugal - tem da minha parte, devo confessar, o seu “quê” de extravagante. Não vou a Istambul com a expectativa dos belíssimos mapas da Escandinávia, do norte de Itália, da Eslovénia ou dos últimos 6 Dias de França. Vou pelo facto bizarro de se competir em dois continentes e, no meu caso particular, na esperança de ver Istambul sem a chuva que marcou uma viagem turística em 2002.

A minha intenção de fazer a prova nasceu há pouco mais de um ano, quando vi a lista de inscritos para a edição de 2007. Uma excursão da World Wide Orienteering Promotion, de Peo Bengtsson, levou a Istambul nessa altura dezenas de suecos, noruegueses e finlandeses, conferindo ao evento um assinalável estatuto competitivo, reforçado com a presença de bons valores também da Letónia e Estónia. Entre os vencedores figuraram nomes bem nossos conhecidos do POM e do último WMOC, como Matti Railimo, Baiba Ozola e Torid Kvaal.

Na Floresta de Belgrado

Este ano, a concorrência é talvez de menor peso mas, no meu escalão, por exemplo, entre os poucos que conheço, há pelo menos dois nomes que honram qualquer pódio: o finlandês Vesa Turku e o eslovaco Stefan Maj, ambos com bom currículo também em provas portuguesas.

As primeiras 3 etapas decorrem na Floresta de Belgrado, uns 20 km a norte de Istambul. Uma pesquisa a “belgrad forest”, leva-nos ao encontro de belíssimas fotos de bosques. Há um bloguista que costuma ir para lá correr com o cão, usando um caminho de 6 km à volta de um lago. E há “quilos” de referências aos passeios de fim-de-semana para piqueniques e “barbecues”. Mas, olhando para os excertos de mapas de um desdobrável que trouxe já não sei donde, não creio que os rapazes da organização estejam a pensar oferecer-nos propriamente um passeio. O relevo parece no geral bem definido, com reentrâncias profundas nalgumas zonas e, noutras, com manchas de verde intransponível e bastante vegetação rasteira. Fossos, buracos e escarpas podem ajudar ou baralhar a navegação. A informação técnica confirma as dificuldades: há ladeiras com mais de 150 metros, uma profusão de depressões, pequenos regatos, arbustos agressivos e árvores caídas.



O labiríntico Grand Bazaar

A última destas três etapas, na sexta-feira, conta para o WRE e precede a aventura da noite no Grand Bazaar, a cujo mapa não temos depois direito, porque é uma espécie de “segredo de Estado”. Trata-se de um dos maiores mercados cobertos do mundo: 31 hectares, 61 ruas, 10 poços, 4 fontes, 2 mesquitas. Funciona de segunda a sábado, das 9 às 19 horas. As suas 4400 lojas recebem diariamente 250 a 400 mil visitantes e constituem um festival de cor, cheiro e animação, entre pratas, tapetes e especiarias. Um labirinto cheio de vida. O lugar indicado para levar a namorada de quem já não se gosta. “Querida, vai andando… Entro só aqui a comprar um pouco de gengibre e já te apanho.” É claro que nunca mais se encontram naquele dédalo infindável. “Mas eu já aqui passei, ou não?”. E sexta-feira à noite vai ser pior: com os estabelecimentos fechados, então é que as esquinas são todas iguais.

A Organização bem avisa que esta etapa costuma alterar as classificações das três anteriores. Parece que um dos maiores bicos-de-obra são os vários níveis a que prova se desenrola, com passagens superiores e inferiores. Para mim, que não estimo provas urbanas nem nocturnas, imagino que deve ser superdivertido... Conto com o Jorge Simões para salvar a honra da Pátria nessa noite. Eu me encarregarei de salvá-la nos momentos de copos e convívio em que, a julgar pelas fotos da página electrónica, o evento parece ser pródigo também. E nem é preciso que nenhuma odalisca me escolha a dedo para a acompanhar naquele número gago de dança no meio dos espectáculos para turistas, como aconteceu há seis anos, à frente de amigos e conhecidos.

Isto é que é modéstia!

Final do aparte. Voltemos à prova. A última etapa é numa ilha em território asiático, no mar de Mármara. Altas falésias sobre o mar e dois símbolos especiais: círculos pretos e cruzes castanhas. Em Maio na Bélgica as cruzes eram pretas, os círculos eram castanhos e foi uma alegre confusão. Três dos cinco mapas da Turquia são novos e têm a assinatura de Orest Kotylo, o que é sempre um certificado de garantia. O conhecido cartógrafo ucraniano já trabalhou em 16 países e desenhou, por exemplo, os mapas do WMOC 2006, na Áustria.

A minha presença em Istambul implica perder, no próximo fim-de-semana, o II Troféu do Sabugueiro que, antevejo, irá ser um dos pontos altos da Taça FPO Sul. Desejo ao Tiago, à Raquel e a toda a equipa do GafanhOri o maior sucesso nesta realização. E aos meus companheiros do melhor escalão do mundo (VM3) deixo um aviso: aproveitem para ganhar agora, que eu não espero dar-vos muitas outras oportunidades... Isto é que é modéstia!

Manuel Dias

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domingo, 26 de outubro de 2008

II TROFEO "TOLEDO IMPERIAL" CHEGOU AO FIM


TIAGO ROMÃO COROADO EM TOLEDO

Chegou ao fim o II Trofeo “Toledo Imperial”, com a prova de Distância Média a não trazer alterações substânciais em relação aos resultados verificados na etapa de ontem. Os pouco mais de 250 participantes portugueses regressam assim com nove vitórias na bagagem e vêem Tiago Romão alcançar em Toledo o mais saboroso de todos os triunfos.


Sabia-se à partida que o figurino classificativo deste II Trofeo Junta de Comunidades de Castilla – La Mancha “Toledo Imperial” deixava escassa margem de manobra a todos quantos soçobrassem na prova de Distância Longa. Com efeito, a atribuição da vitória através do somatório de tempos em etapas de distâncias tão díspares, colocou a tónica máxima na prova de ontem, onde praticamente se definiram os vencedores (apenas em 3 dos 32 escalões competitivos houve alterações decisivas que fizeram o Trofeo mudar de mãos).

Mas não se pense, com isto, que os vencedores de sábado não tiveram que fazer pela vida no labiríntico percurso de Toledo, na manhã de hoje. Não houve toalhas atiradas ao tapete e viveram-se intensas e renhidas lutas mesmo até ao cair do pano. Exemplo disso é o caso da Elite Masculina, onde Tiago Aires vendeu cara a derrota. Recuperar 3.20 em apenas 4.530 metros (menos de 1/3 da distância percorrida na véspera), tal era o desafio colocado ao atleta do Gafanhori e líder do “ranking” nacional. A tarefa viria a revelar-se “impossível” já que os 30.10 deram para vencer a etapa e ascender ao segundo lugar final. Mas o Trofeo, esse, permaneceu bem firme nas mãos de Tiago Romão (COC), que hoje foi 3º com 31.38. Diogo Miguel (Ori-Estarreja), Miguel Reis e Silva (CPOC) e Joaquim Sousa (COC), ocuparam os lugares imediatos. Importa referir, a título de curiosidade, que o 2º lugar na prova de hoje viria a pertencer a uma das grandes referências da Orientação mundial, o dinamarquês Chris Terkelsen (SANT JOAN Alicante), vice-campeão mundial de Distância Média em 2005 (Aichi, Japão) e que chegou a ser nº 5 do “ranking” mundial.

Pódio exclusivamente português em D20

Na Elite Feminina a história foi semelhante e o 3º lugar de Raquel Costa (Gafanhori), com 36.33, revelou-se insuficiente para anular a desvantagem para Patrícia Casalinho (COC), 4ª classificada com 37.50. Os bons resultados destas duas atletas fizeram com que trepassem na classificação final, com a atleta do COC a ser 5ª e Raquel Costa a ficar na 7ª posição. Catarina Ruivo (COC) fez igualmente uma boa prova e ascendeu ao 8º lugar final, enquanto Paula Nóbrega (OriMarão) alcançou um excelente 10º lugar. Na luta pelo Trofeo, Ona Ràfols Perramon (COC Barcelona) foi mais rápida na prova de hoje mas a vitória final sorriu a Alicia Gil Sanchez (COLIVENC Alicante).

Quanto aos restantes escalões, e começando por D20, Mariana Moreira (CPOC) foi a grande vencedora da jornada e ascendeu à segunda posição final, com Joana Costa (GD4C) a levar de vencida o Trofeo. Isabel Sá (GD4C) alcançou a terceira posição, Ana Coradinho (Gafanhori) confirmou o quarto lugar da véspera e Lena Coradinho (Gafanhori), mercê duma excelente prova, fechou um pódio estritamente português. Em D14, Inês Catalão (Gafanhori) repetiu o triunfo da Distância Longa e levou de vencida o Trofeo. Rita Rodrigues, em D16, foi a grande vencedora, apesar de ter deixado fugir a vitória nesta etapa para Vera Alvarez (CPOC), que assim alcançou o segundo lugar final.


Cinco magníficos veteranos

Passando aos escalões de veteranos, Susana Pontes (CPOC) e Albano João (COC), confirmaram as vitórias da véspera nos escalões D35 e H50, respectivamente, levando de vencida o Trofeo. Apesar do segundo lugar na manhã de hoje, Isabel Monteiro (COC) foi igualmente a brilhante vencedora no escalão de D50. Quem também não deixou fugir o Trofeo foi Manuel Dias (Individual), em H55, embora nesta derradeira etapa não tenha ido além do quarto posto. A grande alteração ocorreu no escalão H60, onde José Grada (Clube TAP) viu o seu lugar ocupado por Francisco Coelho, do mesmo clube.

Mas os bons resultados não se confinaram aos nomes anteriormente referidos e houve ainda um bom par de atletas que tiveram prestações altamente relevantes. David Machado (.COM), Alexandra Bento (ATV), Ana Carreira (Individual) e Gonçalo Cruz (CPOC), respectivamente em H21A, D35B, D55 e H16, foram quatro dos doze vencedores portugueses na prova de Distância Média e alcançaram o segundo lugar final no Trofeo. Mário Duarte (ADFA) venceu igualmente a prova de hoje, mas o “mp” na Longa há muito que o deixara arredado do Trofeo. Norman Jones (Gafanhori) foi outro dos vencedores da jornada domingueira, terminando num quinto lugar final. Jorge Oliveira (COC), em H40, e José Fernandes (.COM), em H45, repetiram os segundos lugares da prova Longa e alcançaram o segundo lugar final.

Uma última referência para a classificação colectiva. No que respeita exclusivamente aos clubes portugueses, a vitória sorriu ao CPOC, algo que não acontecia há mais de um ano (a última vez tinha sido em Maio de 2007, ainda com Tiago Aires, Raquel Costa e António Aires no clube). Com 3530 pontos, o CPOC impôs-se ao COC (3427 pontos) e ao Grupo Desportivo 4 Caminhos (2808 pontos), segundo e terceiro classificados, respectivamente. O Ori-Estarreja ocupou a quarta posição com 2359 pontos enquanto o Gafanhori foi o quinto classificado com 2150 pontos.

[consulte os resultados totais do Trofeo aqui]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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II TROFEO "TOLEDO IMPERIAL"


A VEZ DE TIAGO ROMÃO

A jornada de Toledo começou da melhor maneira para as nossas cores. Tiago Romão (COC) teve uma prestação memorável e assinalou da melhor forma o seu nome na prova de Distância Longa do II Trofeo “Toledo Imperial”. No sector feminino, a uma prestação menos positiva das nossas “elites”, sobrepôs-se a notável presença em D20, com Joana Costa a mostrar uma vez mais o porquê de ser uma das maiores esperanças da Orientação nacional.


Teve lugar na manhã de hoje a primeira etapa do II Trofeo Junta de Comunidades Castilla – La Mancha “Toledo Imperial”. A prova de Distância Média contou com uma participação a rondar as nove centenas de atletas, distribuídos por 32 escalões competitivos e 3 escalões abertos. Contando para a Liga Espanhola e para o “ranking”da Taça de Portugal, o evento pôs em confronto atletas de ambos os países, com os portugueses a alcançarem nove triunfos.

Na elite masculina, a ausência dos três primeiros classificados do “ranking” espanhol não explica por si só um tão evidente domínio dos orientistas portugueses. Com cinco atletas nas cinco primeiras posições, Portugal teve em Tiago Romão um verdadeiro chefe de fila. Efectuando uma prova perfeita, o jovem atleta do COC esmagou a concorrência, cumprindo os 13.690 metros do seu percurso em 1.24.53. A vantagem sobre os concorrentes imediatos cifrou-se em 3.10 sobre Diogo Miguel (Ori-Estarreja) e 3.20 sobre Tiago Aires (Gafanhori), segundo e terceiro classificados respectivamente. Miguel Reis e Silva (CPOC) foi 4º com 1.29.57 e Joaquim Sousa (COC) alcançou a 5ª posição com 1.31.09. Entre os 10 primeiros ainda foi possível ver Jorge Fortunato (Ori-Estarreja) em 8º e Celso Moiteiro (COC) no 10º lugar.

Patrícia Casalinho foi a melhor portuguesa

No dia em que se cumprem 487 anos sobre a queda de Toledo, que praticamente pôs fim à Guerra das Comunidades de Castela, foram as Damas Elite espanholas a honrar o nome da sua heroína, Maria Pacheco (cujo corpo, curiosamente, se encontra sepultado na Sé Catedral do Porto). Alicia Gil Sanchéz (COLIVENC Alicante) triunfou com o tempo de 1.13.54 e os quatro lugares imediatos couberam a outras tantas atletas espanholas. Patrícia Casalinho (COC) acabou por ser a nossa melhor representante, alcançando o 6º lugar com 1.19.59. Catarina Ruivo (COC) e Raquel Costa (Gafanhori), com 1.28.43 e 1.29.12, quedaram-se nos 8º e 9º lugares, respectivamente.


Mas a verdadeira "Leoa de Castela" foi mesmo Joana Costa (GD4C), que juntamente com a sua colega de equipa Isabel Sá, com Mariana Moreira (CPOC) e Ana Coradinho (Gafanhori) dominaram em toda a linha o escalão D20, concluindo os respectivos percursos por esta ordem. Nos escalões de formação, assistiu-se a mais dois triunfos para atletas nacionais, ambos com um denominador comum ao qual nos começamos já a habituar: Gafanhori. Inês Catalão e Rita Rodrigues, em D14 e D16, respectivamente, alcançaram saborosos triunfos para as cores alvi-grená do clube de S. Pedro da Gafanhoeira.




Veteranos alcançam cinco triunfos

Nos escalões de veteranos, mais cinco vitórias a falar em português. Susana Pontes (CPOC), a nossa maior especialista em Ori-BTT, mostrou igualmente o seu valor na Pedestre e levou de vencida o escalão D35. Isabel Monteiro e Albano João, ambos do COC, venceram os escalões D50 e H50, enquanto Manuel Dias (Individual) triunfava em H55 e José Grada (Clube TAP) vencia em H60.

Merecem ainda uma referência especial os excelentes segundos lugares alcançados por Ângela Silvério (CN Alvito) em D21A, Alexandra Coelho (CPOC) em D40, Guida Santos (Clube EDP) em D55, Rafael Miguel (Ori-Estarreja) em H16, David Machado (.COM) em H21A, Jorge Oliveira (COC) em H40, José Fernandes (.COM) em H45, Inácio Serralheiro (CN Alvito) em H50, Vítor Rodrigues (CPOC) em H55 e Francisco Coelho (Clube TAP) em H60. E ainda os terceiros lugares de Ana Carreira (Individual) em D55, Gonçalo Cruz (CPOC) em H16, Luís Tenreiro (COC) em H40, Mário Santos (COC) em H45, Jacinto Eleutério (ADFA) em H55, Teresa Maneta (Gafanhori) em D14 e Ana Salgado (Gafanhori) em D16. Todos eles terão ainda uma palavra a dizer no que respeita à vitória final neste II Trofeo “Toledo Imperial”.

Bom Sprint de Albino Magalhães

Ao final da tarde, a zona central de Toledo foi palco da prova de Sprint, cuja participação se quedou nas duas centenas de atletas, distribuídos por dois escalões únicos de acordo com o sexo. Apesar da escassa presença de atletas portugueses, ainda foi possível ver Albino Magalhães (GD4C) dar um ar da sua graça, ao classificar-se no 5º lugar, com 18.13, contra os 16.46 do vencedor, Antonio Martinez Perez (COLIVENC Alicante). Luís Leite, também do GD4C, foi o nosso segundo melhor representante, concluindo no 16º lugar com vinte minutos exactos. No sector feminino a melhor portuguesa foi Helena Sousa (OriMarão), na 24ª posição.

O II Trofeo Junta de Comunidades Castilla – La Mancha “Toledo Imperial” concluir-se-á hoje com a prova de Distância Média a ter lugar no belo emaranhado de ruas da cidade de Toledo.

[foto referente ao CNA 2008, gentilmente cedida por Jorge Correia Dias]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 25 de outubro de 2008

ORIENTACAO.NET - O PORTAL DO ORIENTADOR


Verdadeiro pólo aglutinador da matéria noticiosa sobre Orientação, o Orientacao.Net tem sabido, ao longo dos mais de seis anos de vida, afirmar-se junto da comunidade orientista de toda a América Latina. Contando actualmente com 2623 utilizadores registados, ele é uma referência para todos quantos vivem e sentem a modalidade do lado de lado Atlântico. Quisemos saber um pouco mais da sua história, da dinâmica actual, dos projectos para o futuro e fomos ao encontro de Bruno Rizzatti, um dos seus administradores. Uma Entrevista para acompanhar, aqui, no seu Orientovar.

Muito mais do que um mero divulgador de eventos, o Portal Orientacao.Net tem-se revelado como uma ferramenta de consulta fundamental para todos os amantes da Orientação. Proporcionando a interacção entre os visitantes, duma forma rica e variada, o Orientacao.Net tem sabido ir ao encontro dos gostos e das dúvidas de todos e de cada um. Artigos científicos e levantamento de mapas são um valor acrescido no todo que constitui este ambicioso projecto. Mas há também passatempos, “links” para os principais “sites” brasileiros, uma “Loja do Orientista” e muito, muito mais.

Como é que surgiu a ideia de lançar o Orientacao.Net?

Em 2002, quando a Confederação Brasileira de Orientação (CBO) tinha apenas três anos, a divulgação de convites, resultados e outros assuntos relacionados com o nosso desporto era feita apenas através de ‘mailling’ e de ‘sites’ de clubes ou federações estaduais. Não havia nesse momento um ‘site’ do desporto Orientação no Brasil. Para colmatar essa falha, no dia 20 de Julho de 2002 surgiu o Portal Orientacao.Net.

Com que tipo de apoios conta para gerir e manter o projecto?

Inicialmente, a CBO foi fundamental para o projecto. O Otávio [N.R., José Otávio Franco Dornelles, Presidente da CBO] foi muito importante na ajuda à divulgação do Portal no seu começo. Quando o Portal foi lançado, eu tinha apenas 15 anos e a experiência dele foi bastante importante para o projecto. Sempre tivemos apoios de alguns amigos colaboradores como Sérgio Brito, Xavier, Torrezam, entre outros que posso ter esquecido. Hoje, destaco principalmente o apoio do meu amigo Roland [Teodorowitsch] que tem feito um óptimo trabalho nas matérias. Em relação ao apoio financeiro, desde 2003 o Portal vem sendo patrocinado por empresas de comércio de material desportivo, o que ajuda bastante para viabilizar os custos. Nesta área, permita-me que destaque o apoio da orientista.com.br.

Qual a aceitação que o Portal tem tido ao longo dos anos?

Se actualizarmos o portal diariamente, constatamos que os nossos visitantes retornam todos os dias. Às vezes, ficamos alguns dias sem novidades o que diminui a frequência dos acessos. Ou seja, a aceitação varia de acordo com a nossa oferta. Confesso que não estamos atravessando um bom momento. A nossa audiência já foi maior. O ‘print screen’ de 3 de Setembro de 2007 [no cimo] permite comprovar isso mesmo!


Possui elementos que permitam perceber a sua abrangência?

O portal tem recebido visitas e a participação de orientistas de vários países. Consultando estatísticas do “google analytics”, constatam-se muitas visitas oriundas de Portugal e de outros países. Na foto acima estou com um grande colaborador e visitante assíduo do Portal, o belga Michael Hock.

Com base no que acaba de referir, como avalia a importância do Portal na promoção e desenvolvimento da modalidade?

O Portal pertence ao desporto Orientação. Apesar de ser administrado por mim e pelo Roland, ele é uma ferramenta de todos nós. Já ouvi visitantes comentarem que ao ler matérias e discussões no fórum sentem grande vontade em antecipar o próximo evento.

Qual o melhor e o pior momento vividos até hoje?

O pior momento do Portal foi durante os anos de 2005 e 2006 quando eu, por motivos pessoais e profissionais, abandonei o mesmo. O melhor ano, em termos de actualização e de visitas, foi em 2007, quando tive oportunidade de me dedicar um pouco mais.

Qual o actual "estado de saúde" da Orientação brasileira e, dum modo mais lato, da Orientação sul-americana?

Aqui verificamos que a Orientação se encontra numa fase de crescimento muito grande. O número de participantes tem aumentado bastante e o nível dos atletas, mapas e organização está cada vez mais aperfeiçoado.

Que ambições para o futuro do Orientação.Net?

Confesso que manter actualizado o Portal é a grande ambição, sobretudo tendo em vista que todos temos outras actividades. O meu grau de dedicação é limitado, devido à Faculdade de Administração que curso na Universidade Federal de Santa Maria e também à “Orientista”, uma empresa que administro. Como disse anteriormente, o portal pertence aos orientistas. Dessa forma, deixo aqui um apelo à participação de todos no fórum, não deixando de nos enviar os convites ou resultados dos seus eventos e de nos enviar matérias e sugestões.


[Confira você mesmo o Orientacao.Net, clicando no ‘banner’ acima]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

VENHA CONHECER... HELENA LOPES


Chamo-me… HELENA Maria Sousa LOPES
Nasci no dia… 18 de Setembro de 1958, em Ourém
Vivo em… Lisboa
A minha profissão é… Professora Universitária
O meu clube… CIMO – Clube Ibérico de Montanhismo e Orientação
Pratico orientação desde… 1995

Na Orientação…

A Orientação é… uma das melhores actividades de lazer para aproveitar um fim-de-semana!
Para praticá-la basta… gostar da natureza e de actividade física!
A dificuldade maior é… encontrar tempo para fazer Orientação!
A minha estreia foi … numa prova do Ori-Estarreja, mas não sei precisar onde!
A maior alegria é… reencontrar as pessoas, prova a prova!
A tremenda desilusão… deve ser quando se faz um “mp”, o que nunca me aconteceu!
Um grande receio… perder-me. Mas isso foi só nos primeiros anos!
O meu clube é… um clube de que gosto muito!
Competir é… algo de muito pessoal, sobretudo!
A minha maior ambição é… andar por cá ainda aos 70 anos!

… como na Vida!

Dizem que sou… não sei. Não tenho uma ideia formada em relação à questão!
O meu grande defeito… ansiedade e agitação interior, o que me rouba o necessário sangue-frio!
A minha maior virtude é… ser determinada e organizada!
Como vejo o mundo… a necessitar de medidas urgentes que fomentem a convivialidade!
O grande problema social… as desigualdades, do ponto de vista económico, e a perda dos laços sociais e das oportunidades para as pessoas se reencontrarem!
Um sonho… uma tomada de consciência global dos problemas ecológicos e sociais!
Um pesadelo… que nada se faça para alterar o actual estado de coisas!
Um livro… “Narciso e Goldmund”, de Herman Hesse!
Um filme… não sou muito cinéfila!
Na ilha deserta não dispensava… companhia!

Na próxima semana venha conhecer Pinto André.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

À CONVERSA COM... VICENTE TORDERA


Para saber mais acerca do II Trofeo Junta de Comunidades de Castilla – La Mancha “Toledo Imperial”, o Orientovar foi ao encontro do Club Toledo-Orientación, a entidade organizadora, e do seu Presidente. Dessa conversa com Vicente Tordera, aqui damos conta.


Como se enquadra o Club Toledo-Orientación no contexto da Orientação em Espanha?

Somos um clube jovem, com apenas cinco anos de actividade competitiva, mas com um grupo de gente apaixonada pela Orientação e que dedica muito do seu tempo a preparar provas e a trabalhar com os jovens de Toledo.

Para além de ser a 9ª prova da Liga Nacional espanhola, o Trofeo pontua igualmente para a Taça de Portugal. Que trabalho acrescido é que estes factos acarretaram à Organização?

O único problema advém da grande quantidade de corredores que teremos este fim-de-semana na prova, graças à participação dos orientistas de Portugal. Numa prova em Espanha, a participação média gira em torno das 500 a 600 pessoas. No Trofeo “Toledo Imperial” serão mais de 850. Quanto à dificuldade em organizar a prova, não foge muito do habitual. Há que preparar o mesmo para 200 pessoas ou para 850. A única coisa que varia é mesmo o maior número de mapas e de Coca-Colas na meta.

O que significa, no plano logístico e desportivo, receber um elevado número de orientistas portugueses para competir com os seus congéneres espanhóis?

No plano logístico, há que providenciar mais quantidade de tudo, mas o desenvolvimento técnico da prova é semelhante àquele com menos participantes. No plano desportivo é sempre positivo competir com novos corredores e comparar os seus resultados com os nossos. Aprende-se sempre algo.

Pessoalmente, encontra neste intercâmbio entre espanhóis e portugueses algum valor acrescido para a evolução da Orientação nos nossos países?

Creio que é muito importante. Dada a proximidade dos nossos dois países, esta é uma excelente ocasião para conhecer outros terrenos de competição e outros “inimigos” diferentes daqueles que conhecemos da Liga Espanhola.

Quem se deslocar a Toledo para competir, o que é que pode esperar?

A prova de sábado desenrola-se num terreno muito variado, com floresta de pinheiro, olival e carvalho. Duma forma geral, o terreno permite uma corrida rápida e o relevo, não apresentando grandes desníveis, é feito de constantes subidas e descidas. No domingo, a prova decorrerá no casco histórico de Toledo. Trata-se dum labirinto gigante, talvez o maior de toda a Espanha, que seguramente será do agrado de todos.

Estão previstas actividades ou iniciativas, no plano social, tendentes à promoção da região de Castilla-La Mancha?

Estamos a desenvolver esforços no sentido de podermos organizar una visita ao Centro de Recepção de Turistas “Toletvm”, para dar a conhecer aos visitantes a nossa cidade e a nossa região.

Pessoalmente, quais os objectivos que espera alcançar para que a prova seja um sucesso?

850 orientistas é um número muito significativo pelo que o primeiro objectivo está alcançado. Quanto ao segundo objectivo - e mais importante –, é que os participantes regressem a casa satisfeitos e com vontade de voltar numa próxima prova.



[Aceda ao ‘site’ oficial do evento através do ‘banner’ acima]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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PELO BURACO DA FECHADURA...


A comunidade orientista assenta arraiais em Espanha onde, no próximo fim-de-semana, terá lugar o II Trofeo Junta de Comunidades de Castilla – La Mancha “Toledo Imperial”. Antecipando um evento que, para além da vertente desportiva, encerra em si um enorme interesse cultural, fomos ao seu encontro e fazemos agora o convite a que espreitem “pelo buraco da fechadura…”

Toledo
[do latim: Toletum] localiza-se na região central de Espanha, 70 km ao sul de Madrid. Capital da Província com o mesmo nome e da Comunidade Autónoma de Castilla - La Mancha, foi declarada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1986 devido ao seu extenso património monumental e cultural. Nomes importantes das artes e da cultura nasceram ou viveram aqui, incluindo Garcilaso de la Vega, Alfonso X e El Greco. Toledo foi também um local de importantes acontecimentos históricos, nomeadamente os Concílios de Toledo, o último dos quais, entre 1582 e 1583, conduzido nos seus detalhes por Filipe II de Espanha. Actualmente, a cidade tem uma população de 78.618 habitantes e uma área de 232,1 km².

Descrita por Cervantes como a “glória de Espanha”, Toledo possui a sua parte antiga situada no topo duma colina, “abraçada” em três lados por um meandro do Rio Tejo. Dos muitos locais históricos que abriga, destacam-se o Alcázar, a Catedral (a igreja primaz da Espanha) e o Zocodover, o mercado central. Famosa pela sua tolerância religiosa, Toledo integrou grandes comunidades de judeus e muçulmanos, que deixaram como legado importantes monumentos religiosos, nomeadamente a Sinagoga de Santa Maria la Blanca, a Sinagoga de El Transito e a Mesquita de Cristo de La Luz.

Provas para todos os gostos

É à sombra deste notável património carregado de história que terá lugar o II Trofeo Junta de Comunidades de Castilla – La Mancha “Toledo Imperial”. A organização encontra-se a cargo do Club Toledo – Orientacíon e da FECAMA-DO – Associação de Clubes de Orientação de Castilla – La Mancha, contando ainda com o apoio do CSD – Conselho Superior dos Desportos de Espanha e da FEDO – Federação Espanhola de Orientação. Refira-se que esta é a 9ª prova do Calendário da Liga Nacional de Espanha de Orientação Pedestre 2008, conjunto de 11 provas que teve início com o III Trofeo Rutas del Quijote (Puertollano - Ciudad Real, 16 e 17 de Fevereiro) e que irá terminar nos dias 6 e 7 de Dezembro, precisamente em Idanha-a-Nova, no XVI Campeonato Ibérico.

Entre os vários detalhes relativos ao evento, a Organização tem já disponível o Boletim 1 [aqui] com algumas informações importantes, sobretudo no que diz respeito a localizações e outros pormenores relativos a cada uma das provas. O aviso da mudança para a hora de Inverno é igualmente uma preocupação, bem como os cuidados a ter no caso de serem encontrados explosivos ou objectos de uso militar, já que parte do mapa da prova de sábado se encontra numa zona de manobras militares. Do Programa fazem parte uma Prova de Distância Longa (sábado, a partir das 10h00), uma Prova de Distância Média (domingo, a partir das 9h00) e uma Prova de Sprint (sábado, a partir das 17h00). Apenas as duas primeiras provas são pontuáveis, quer para a Liga Espanhola quer para a Taça de Portugal de Orientação Pedestre.




Cerca de 30% dos participantes são portugueses

Distribuídos por 32 escalões de competição e três escalões abertos, o número total de inscritos é de 877, dos quais 254 portugueses de 27 clubes. Dos clubes nacionais, destacam-se o CPOC (35 atletas), COC e GD4C (29 atletas cada), Ori-Estarreja (26 atletas), Gafanhori (22 atletas), ADFA (15 atletas) e .COM (14 atletas) como os mais representativos. Três atletas portugueses participam a título individual.

A Elite Masculina conta com um total de 42 inscritos e voltará a pôr frente a frente Tiago Aires (Gafanhori), Diogo Miguel (Ori-Estarreja), Celso Moiteiro, Tiago Romão e Gildo Silva (todos do COC), os cinco primeiros classificados da prova de abertura da Taça de Portugal. Numa lista onde Pedro Nogueira (ADFA), André Ramos (COC) e Ionut Zinca (GD4C) são ausências notadas, têm ainda uma palavra a dizer Miguel Reis e Silva (CPOC), Paulo Franco (COC), Jorge Fortunato (Ori-Estarreja), Albino Magalhães (GD4C), Alexandre Alvarez (CPOC) e Joaquim Sousa (COC), sobretudo este último graças à sua enorme experiência internacional.

Melhores espanhóis ficam de fora

Fora da luta pelo Troféu estarão os três primeiros classificados do “ranking” espanhol (Roger Casal Fernández, Lluís Ferrer Ferrer e Biel Ràfols Perramon), mas nomes como os de Emili Sellés Segui (UPV-O), Ismael Jiménez Jiménez (Imperdible Buff), José Francisco Navarro Garcia (Totana-O), Urtzi Iglesias Mota (Cobi), Raúl Ferra Múrcia (Lorca-O) ou Fernando Soriano Rubio (COUH) dão garantias duma acesa luta entre espanhóis e portugueses.

Quanto à Elite Feminina, são 24 as atletas inscritas. Exceptuando Lídia Magalhães (ADFA) e Maria Amador (ATV), todas as 11 primeiras classificadas do “ranking” nacional medirão entre si forças em Toledo. O favoritismo recai sobre Raquel Costa (Gafanhori), mas será verdadeiramente interessante ver até que ponto as jovens atletas do COC, Patrícia Casalinho, Andreia Silva e Catarina Ruivo – sobretudo estas duas últimas – se irão comportar. Do lado espanhol, as duas primeiras do “ranking” (Esther Gil Brotons e Annabel Fernández Valledor) estarão igualmente ausentes do Troféu, recaindo sobre Alicia Gil Sanchez (Colivenc), Carla Guillen Escriba (Grions – Girona), Galyna Petrenko (Monte El Pardo), Ona Ràfols Perramon (COC) ou Esther Arias Enero (Peña Guara) a responsabilidade de não deixar os créditos espanhóis por mãos alheias.


[Para mais informações, aceda ao “site” oficial da prova através do ‘banner’ acima]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

ESTATÍSTICAS OFICIAIS DA ORIENTAÇÃO 1998 / 2008 (II)

Publicamos hoje a segunda parte das conclusões de Luís Santos, a propósito das "Estatísticas Oficiais da Orientação 1998/2008”. No que respeita à Orientação Pedestre, aqui ficam algumas curiosidades.


, Dos 44 títulos nacionais colectivos atribuídos em 2007/2008 só 2 não ficaram nas mãos dos 5 clubes dominadores da actualidade (COC, Ori-Estarreja, CPOC, ADFA e GD4C): Um para os jovens do CLAC e outro para as veteranas do Mafra.

, Andreia Silva, Santos Sousa e Manuel Dias foram os únicos atletas que ganharam tudo o que havia para ganhar individualmente. Todavia, nenhum deles conseguiu juntar aos títulos individuais todos os títulos colectivos possíveis. Andreia Silva foi a que mais se aproximou, falhando apenas o título de Estafetas.

, Tiago Aires obteve a sua primeira Taça de Portugal sénior, interrompendo a série de seis títulos consecutivos de Marco Póvoa.

, Raquel Costa alcançou Emília Silveira e foi a primeira vez que conseguiu defender o título obtido na época anterior.

, Marco Póvoa e Joaquim Sousa, no seu conjunto, obtiveram 2/3 dos títulos seniores disputados até hoje.

, Nenhum jovem conseguiu até hoje conquistar 4 Taças de Portugal mas Joana Costa é a atleta mais próxima de poder vir a alcançar tal desiderato.

, O mais jovem dos veteranos que já conquistaram pelo menos 2 Taças de Portugal é Santos Sousa que leva já 7 (e há 2 épocas fez Elite sendo já H40, classificando-se em 4º lugar)...

, As 5 atletas veteranas com mais Taças de Portugal são todas do COC.

, Dos 5 atletas com mais títulos nacionais obtidos nas camadas jovens, quer em masculinos quer em femininos, apenas um conseguiu revalidar o título em seniores: Maria Sá. Dos outros 9, todos são já seniores mas nenhum ganhou nada no escalão máximo.

, Dos veteranos campeões com mais de 5 títulos obtidos, apenas um não está em actividade: Francisco Pereira, do CIMO.

, Maria Palmira, apesar de não ter acrescentado nada ao seu palmarés em 2007/2008, continua a liderar a tabela de vitórias individuais com 27.


, Neste top 10 de vitórias de sempre, o mais jovem masculino é precisamente o líder, enquanto a mais jovem feminina é Maria Sá.

, Dos clubes activos, apenas 3 já obtiveram títulos colectivos seniores masculinos (COC, CPOC e ADFA).
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, ADFA e o seu antecessor (Lusitano GC) ganharam mais títulos seniores (59) que os outros clubes todos juntos (56)!

, Dos 46 clubes classificados no Ranking de Clubes 2007/2008 apenas 15 já venceram algum título colectivo.
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DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. Está agendada para o próximo dia 27 de Outubro, em Coniston (Lake District), uma reunião onde se discutirá o estatuto do Trail-O no Reino Unido e se procurarão definir estratégias que façam a disciplina seguir em frente. Qual deverá ser a visão do Trail-O, que desenvolvimento no Reino Unido será desejável, o que deve existir nas estruturas organizacionais para desenvolver e promover a disciplina, quais os problemas que os actuais praticantes de Trail-O enfrentam ou porque é que se organizam tão poucos eventos de Trail-O são algumas questões que irão estar sobre a mesa. E em Portugal? Não seria interessante debruçarmo-nos também um pouquinho sobre o assunto?

2. Decorre na noite da segunda terça-feira de cada mês, entre Setembro e Abril. Trata-se do “Street-O”, uma variante da Orientação, que os South London Orienteers & Wayfarers apostam em levar a oito ruas emblemáticas do sudoeste de Londres. As corridas começam a partir das 7 da noite e os participantes arrancam à medida que vão chegando. Nada de bússola ou de lâmpada frontal. Um mapa simples (folha A4 a preto-e-branco), uma esferográfica e um relógio é tudo o que se necessita para participar. Por volta das 8 da noite, com o final das corridas, começa algo de verdadeiramente imperdível: o lado social da coisa. Conversar, trocar ideias e beber um copo é a etapa seguinte. Ora aqui está uma ideia bem simpática e que vem atestar, uma vez mais, a versatilidade da Orientação.

3. Dou uma espreitadela ao blogue do Miguel Reis e Silva e, entre vários artigos verdadeiramente interessantes, encontro um que me prende a atenção. É subordinado ao tema “Ginseng: A ‘pílula mágica’ da Orientação?” [ler artigo completo aqui] e debruça-se sobre as vantagens e desvantagens do recurso aos chamados “auxílios ergogénicos” para melhorar as “performances”. Está escrito em inglês mas qualquer ferramenta de tradução automática o torna suficientemente inteligível para poder ser apreciado devidamente. Miguel Silva é estudante de Medicina e tem a amabilidade de partilhar connosco uma parte do seu “relatório” deste Curso de Nutrição Clínica. Mas o que acho verdadeiramente notável não é a forma como descreve as várias etapas da abordagem do tema, tão pouco as conclusões (embora julgue que, para além de pertinentes, algumas são particularmente úteis). Muito mais do que isso, o que me toca é a humildade que emana da frase “eu não sou um médico (…) de modo que o que se segue são apenas sugestões de um não-especialista”. Com a vossa permissão, o louvor da semana vai, naturalmente, para o Miguel.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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terça-feira, 21 de outubro de 2008

ESTATÍSTICAS OFICIAIS DA ORIENTAÇÃO 1998 / 2008 (I)


"Estatísticas Oficiais da Orientação 1998/2008”. Assim se intitula o artigo, da autoria de Luís Santos, que será publicado no próximo número da “Orientação em Revista”, órgão informativo da Federação Portuguesa de Orientação. Em duas partes distintas, o Orientovar tem o grato prazer de antecipar as conclusões do seu autor, debruçando-se desde já sobre os níveis de participação para, posteriormente, dar a conhecer algumas curiosidades relativas à Orientação Pedestre. Duma coisa podemos estar certos: A nossa Orientação está bem e recomenda-se.

O nível de participações nos eventos de Taça de Portugal pedestre pode ser visto por dois prismas diferentes. Por um lado, foi o primeiro ano de decréscimo no número médio de participantes desde 2000/2001, com a descida de 811 para 773 atletas por prova. Por outro lado, a subida de 2005/2006 para 2006/2007 tinha sido tão pronunciada (subiu 176 pessoas por prova devido a um notável Portugal'O'Meeting que registou 1565 participantes) que era expectável uma pequena correcção. De facto, a média de 773 participantes por prova está bem acima de qualquer outra época à excepção da anterior. 2007/2008 foi ainda uma época mais consistente, não beneficiando de um POM excepcional (embora os 1251 participantes do POM 2008 constituam a segunda maior participação de sempre), mas sim de cinco provas acima dos 800 participantes (em 2006 / 2007, por exemplo, tinham sido apenas três).


Também na Orientação em BTT se assistiu a uma quebra acentuada do número médio de participantes, fazendo-se notar com mais incidência nesta disciplina a crise económica actual. A quebra afectou principalmente as participações em escalões abertos onde, depois das mais de 1000 presenças na época 2006/2007, se assistiu a uma redução drástica para 650 presenças nestes escalões.

A distribuição de participantes federados no “ranking” da Taça de Portugal por agrupamentos volta a descer, depois da descida já registada na época passada, embora os números se situem ainda muito acima dos apresentados há três épocas atrás. A preocupante descida de 21% no número de seniores federados foi de alguma forma compensada pela recuperação no número de veteranos (registando números similares ao pico de 2005/2006), mas principalmente pela consistente subida no número de praticantes jovens. Enquanto em 2000/2001 a Orientação tinha 75 jovens federados a participar na Taça de Portugal, na época 2007/2008 chegou-se aos 240 jovens, um crescimento superior a 300% em sete anos.


Na Orientação em BTT, a pronunciada descida de participantes seniores nas provas de Taça de Portugal, foi também acompanhada de descidas nos veteranos e nos jovens, embora os números de participantes sejam, ainda assim, incomparavelmente superiores aos registados até 2004/2005.

A repartição dos praticantes por escalão etário e sexo apresenta-se muito mais equilibrada do que a que se verificava em 1998/1999. Os seniores masculinos representavam nessa altura 36% do total de atletas, valendo actualmente apenas 19%, sendo agora os veteranos masculinos o escalão dominante com 33% (mais 6 do que em 1998/1999). De assinalar ainda que a representatividade feminina subiu acentuadamente dos 24% em 1998/1999 para 31% em 2008/2009, com base nas pronunciadas subidas quer nas jovens, quer nas veteranas.


Comparando a distribuição de escalões entre pedestre e BTT é de salientar o menor índice de participação de jovens na Orientação em BTT, devido sobretudo às maiores dificuldades de transporte que a disciplina acarreta. Enquanto na Orientação pedestre os jovens representam 28% dos praticantes totais, na Orientação em BTT representam apenas metade (14%). Destaque também para o maior peso dos seniores na Orientação em BTT, dominando com 46% do total enquanto na pedestre são os veteranos que dominam com 42% do total.

Em suma, a inversão da tendência de crescimento dos últimos anos reflecte o difícil período económico actual. Porém, num ano que contou com mais de 3000 presenças em Portugal no Campeonato do Mundo de Veteranos e com mais de 300 voluntários, em que se assistiu ao crescimento consistente no número de jovens praticantes federados e onde se verificou uma regular presença massiva em grandes eventos, os sinais quanto ao futuro da modalidade devem ser considerados bastante animadores.
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3º ORI-ALENTEJO: SOB O SIGNO DO GAFANHORI


Arrancou no passado domingo em Mitra – Valverde e vai terminar no dia 25 de Julho em Erra – Coruche. É o terceiro ano de vida dum projecto que toma o nome de Ori-Alentejo, alargando o raio de acção geográfica, implicando mais clubes, movimentando mais atletas, apostando na promoção da modalidade. Numa palavra: Crescendo!

Valverde é uma pequena aldeia carregada de história. A região conheceu a ocupação humana desde tempos remotos, existindo na zona diversos legados megalíticos. Dentre estes destaca-se a Anta Grande do Zambujeiro, classificada como Monumento Nacional, e que constitui a maior anta de toda a Península Ibérica e uma das maiores da Europa. Mais tarde, durante o período de ocupação romana, por ali se fez passar a Via XII, ligando Lisboa (Olisipo) a Mérida (Emérita), sendo ainda possível observar, na Herdade da Mitra, um dos muitos marcos miliários que assinalavam o caminho.

Crescimento em pleno

Foi precisamente nesta belíssima parcela da vasta planície alentejana que o projecto Ori-Évora centrou as atenções no passado domingo, não ao encontro da História mas continuando a fazer história na Orientação. Lançado em 2006, o projecto Ori-Évora constituiu-se desde logo como um pólo aglutinador de interesses e vontades, implicando as autarquias e as forças-vivas do Distrito de Évora, dinamizando a modalidade, atraindo a curiosidade de muitos e criando mais-valias através de novos mapas e de múltiplas organizações. Quebrar barreiras e saltar fronteiras é a grande aposta para a época de 2008 / 2009, implicando desde logo uma alteração da designação original, passando a definir-se como Troféu Ori-Alentejo. Mas também na própria estrutura organizativa, que vê o COAC – Coruche Outdoor Adventure Club e o Clube da Natureza de Alvito aliarem-se aos dois clubes fundadores do projecto, ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas (Delegação de Évora) e GAFANHORI – Clube de Orientação da Gafanhoeira (Arraiolos).

Primeira de 13 etapas, a prova de Mitra – Valverde, juntou 117 participantes, distribuídos por seis escalões - nas vertentes fácil, médio e difícil, masculino e feminino – e ainda seis participantes no escalão de iniciação. O evento decorreu no mapa com o mesmo nome, à escala de 1:7.500 (iniciação) e 1:10.000 (restantes escalões), com equidistância de 5 metros. As partidas tiveram lugar junto ao pólo da Universidade de Évora, e os participantes foram desafiados por um típico terreno de montado Alentejano com inúmeros detalhes rochosos e de relevo, exigindo uma conjugação perfeita entre os aspectos técnicos e físicos.

Gafanhori vence em todos os escalões

No que respeita aos resultados finais, verificou-se um domínio esmagador do Gafanhori, arrebatando o primeiro lugar em todos os escalões. Recentemente chegado da edição de 2008 do EYOC, Manuel Horta (Gafanhori) levou de vencida toda a concorrência no escalão Díficil Masculino, numa demonstração clara da sua afirmação como uma certeza da Orientação nacional. Saliente-se ainda a presença de António Aires (Gafanhori) e Manuel Dias (Lisboa OK) nos restantes lugares do pódio. Com escassa participação nas duas anteriores edições deste troféu, o escalão Difícil Feminino conta esta época com a presença assídua dos resultados do trabalho desenvolvido em S. Pedro da Gafanhoeira, pertencendo neste domingo a vitória à favorita Ana Coradinho (Gafanhori),seguida das suas colegas de equipa Lena Coradinho e Inês Pinto.

Emoções ao rubro no escalão Médio Masculino, com Nuno Carvalho (CIMO) a perder o lugar mais alto no pódio para Gregório Piteira (Gafanhori ) por apenas dois segundos. Aguardado com expectativa era também o resultado da emotiva luta entre Rita Rodrigues e Ana Salgado, o que já se vai tornando um hábito desde o início da época. Inscritas no escalão Médio Feminino, as atletas travaram de novo um excelente duelo, cabendo a vitória final a Rita Rodrigues. Destaque ainda para as vitórias de João Cascalho e Inês Catalão, ambos do Gafanhori, nas vertentes Masculina e Feminina do escalão Fácil.

“No rumo certo”

A par de Tiago Aires (Gafanhori), Jacinto Eleutério (ADFA) e Joaquim Patrício (CN Alvito), Hugo Borda d’Água (COAC) é um dos Directores do Projecto e foi ele o nosso interlocutor a propósito desta etapa primeira do 3º Troféu Ori-Alentejo. Começando por valorizar o trabalho organizativo, “bem patente no minucioso cuidado em evitar que as vedações existentes no terreno se tornassem um obstáculo para a progressão dos atletas”, Hugo Borda d’Água realça a importância da designação “Desporto para Todos” atribuída à Orientação: “Sem sombra de dúvidas verificada por todos os que puderam assistir aos grupos de participantes com pouca experiência na modalidade que procuravam a cada metro, a cada ponto, conhecer todos os pormenores do mapa de elevada qualidade que tinham ao seu dispor”, concluindo ser esta “uma demonstração clara de que este Troféu continua no rumo certo para atingir os objectivos inicialmente delineados, ou seja, a divulgação da Orientação na região e a angariação de novos participantes.”

Para Hugo Borda d’Água, “além de todos os valores seguros da Orientação Nacional inscritos nesta prova, há sem sombra de dúvida que realçar outro valor seguro e que é o próprio Troféu Ori-Alentejo.” Concretizando: “Organizações de qualidade, percursos que cumprem os requisitos dos mais experientes e dos principiantes na modalidade, juntamente com preços extremamente atractivos, transformam este Troféu numa forma segura de divulgação da nossa modalidade.” Perspectivando já novos desenvolvimentos, Borda d’Água espera, ao longo desta terceira edição, “ultrapassar os recordes de participantes alcançados nas edições anteriores. Para isso, os quatro clubes que irão organizar um total de treze etapas, contam com a presença uns dos outros na totalidade das provas, sendo a próxima já no dia 22 de Novembro, em Vendas Novas.”



[consulte os resultados clicando no ‘banner’ acima]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

DANIEL MARQUES E SUSANA PONTES VENCEM I TROFÉU ORI-BTT .COM


Daniel Marques e Susana Pontes entraram da melhor forma na época de 2008 / 2009, vencendo o I Troféu Ori-BTT .COM, que teve lugar este fim-de-semana na Póvoa de Lanhoso.

À semelhança do sucedido com Tiago Aires e Raquel Costa na prova inaugural da Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2008 / 2009 (Lagoa da Vela, Figueira da Foz), também na Póvoa de Lanhoso os líderes do “ranking” nacional de Ori-BTT fizeram vincar a sua condição, abrindo a actual temporada na posição com que terminaram a anterior. Vencedor da Taça de Portugal por cinco vezes, Daniel Marques (COC) toma a dianteira no escalão de elite, deixando claramente vincada a sua aspiração em repetir o feito. A mesma intenção é demonstrada por Susana Pontes (CPOC), buscando a sua sétima vitória em doze edições da Taça.

Apostando na promoção e dinamização da modalidade no norte do país, em boa hora o Clube de Orientação do Minho tomou sobre os seus ombros a tarefa de realizar uma primeira prova de Orientação em BTT. Com o apoio da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Diverlanhoso, BikeZone e Federação Portuguesa de Orientação, o evento contou com o excelente número de 168 participantes nos 16 escalões de competição. Fazendo incidir uma boa parte do seu esforço na captação e iniciação de potenciais interessados, a Organização viu-se recompensada com a participação de mais 87 atletas nos escalões abertos, respondendo afirmativamente ao slogan: “Aceita o desafio! Aproveita esta nova experiência! Experimenta esta modalidade!”


Luta acesa entre Daniel Marques e Paulo Alípio

O programa distribuiu-se por duas etapas e desenrolou-se em mapas novos, à escala de 1:20.000 e com uma equidistância de 10 metros, cartografados por Alexandre Reis (que assumiu também as funções de Traçador de Percursos). Apesar da boa transitabilidade dos caminhos, os desníveis acentuados e a pedra solta nalguns locais puseram à prova a perícia e as capacidades físicas dos participantes.

Com partida e chegada na Diverlanhoso, a prova de Distância Média de sábado mostrou um grande equilíbrio entre Daniel Marques e Paulo Alípio (COC), com a vitória a sorrir ao primeiro por uma margem inferior a dois minutos. Com tudo em aberto, Paulo Alípio soube impor-se ao seu colega de equipa na prova de domingo, igualmente de Distância Média, mas o 1:24 de vantagem não foi suficiente para arrecadar o Troféu. Ricardo Serra e Joel Morgado, ambos do COC, ocuparam as posições imediatas, com Mário Guterres (CP Telecom) a concluir na 5ª posição. Miguel Tolda (CLAC) e Pedro Neto (COC), dois valores seguros da nossa Ori-BTT, viram-se arredados da luta pelos primeiros lugares, graças aos sempre desconcertantes “mp” na etapa de sábado. Uma referência final para Paulo Palhinha (CPA - Abrunhos), com um excelente 3º lugar na derradeira etapa, mas que de nada lhe valeu face à ruinosa prestação da véspera, onde não foi além do penúltimo lugar.


Susana Pontes domina elite feminina

No sector feminino, Susana Pontes dominou a seu bel-prazer ambas as etapas, concluindo com uma diferença global superior a treze minutos sobre a 2ª classificada, Rita Guterres (CP Telecom). Joana Frazão (CIMO) e Sandra Rodrigues (ADFA) mostraram igualmente o porquê de ocuparem um lugar entre as cinco primeiras posições do “ranking” nacional e foram 3ª e 5ª classificadas. Verdadeira “outsider”, Ângela Silvério (CN Alvito) fez uma excelente prova e concluiu na 4ª posição.

Nos restantes escalões, o primeiro destaque vai para o triunfo de João Mega Figueiredo (CN Alvito) em H17, um jovem habituado às vitórias na Orientação Pedestre e que agora estende o seu talento também à Ori-BTT. João Ferreira (DA Recardães) e Ana Filipa Silva (CPOC) venceram com naturalidade os respectivos escalões H/D20, apesar do primeiro ter sentido alguns calafrios na primeira etapa, onde a vitória coube a Guilherme Marques (COC). O escalão de H21A foi aquele que contou com mais participantes (39) e onde a luta esteve mais acesa, com Filipe Gonçalves (Ori-Estarreja) a impor-se aos demais concorrentes. Em D21A, Marisa Barroso (COC) foi a vencedora.

COC vence por equipas

Nos escalões de Veteranos registam-se as vitórias de Pedro Martinho (CP Armada) em H35, Alice Silva (GDU Azóia) em D35, Mário Fernandes (DA Recardães) em H40, José João Moura (Clube EDP) em H45, Luísa Mateus (COC) em D45 e Armando Santos (Clube EDP) em H50. Colectivamente, o COC impôs-se aos demais emblemas, concluindo com um total de 2036,6 pontos. COA e CPOC disputaram rijamente o segundo lugar, com o clube de Rio Maior a levar a melhor por 1372,4 pontos contra 1363,7 da turma de Oeiras. O 4º lugar coube ao Clube da Natureza de Alvito com 1294,5 pontos enquanto o CPA – Abrunhos, com 1197,7 pontos, ocupou a 5ª posição.

A Taça de Portugal de Ori-BTT prossegue nos dias 22 e 23 de Novembro com a disputa do II Ori-BTT Rota da Bairrada (Águeda), numa organização do DA Recardães.


[Fotos gentilmente cedidas por Paulo Torres]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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domingo, 19 de outubro de 2008

INICIAÇÃO À ORIENTAÇÃO


Procurando concretizar um projecto pessoal, fiz o convite a dois clubes emblemáticos - um na área da Orientação, outro na do Atletismo - para uma acção de “Iniciação à Orientação”. Aceite o desafio, da conjugação de esforços e vontades de todos nasceu, em tempo ‘record’, uma actividade que, mais do que satisfazer plenamente os meus propósitos, apresentou à generalidade dos participantes o desporto da floresta.

“Corrida de Orientação”. É esta a expressão utilizada pelos franceses para definir “Orientação” e devo confessar que tenho por ela um especial apreço. Pelo seu significado, pelo que encerra de carácter prático e por juntar duas “modalidades-irmãs”. Isto deu-me a ideia de propor aos membros do Porto Runners um “alargar dos seus horizontes”, trazendo-os a conhecer a Orientação. E porquê o Porto Runners? Porque é um clube de Atletismo e não se trata dum clube qualquer, porque é constituído por atletas que correm pelo prazer de correr, porque tem uma filosofia que assenta na massificação, porque sabe desdramatizar as questões intimamente ligadas à competição e porque tem no seu seio gente que sabe estar, gente que sabe ser.

Para ministrar a acção de formação, o convite foi endereçado ao Grupo Desportivo 4 Caminhos, um clube que não me é menos querido, um clube empenhado em promover e divulgar a modalidade, um clube com provas dadas a todos os níveis e, igualmente, um clube com gente competente, conhecedora, que sabe estar, que sabe ser. De permeio, uma palavra de amizade e reconhecimento pelo apoio prestado por outro clube de gente muito grande, o Ori-Estarreja, que gentilmente cedeu o mapa do Furadouro, onde foi traçado um percurso de iniciação, com treze pontos de controlo.

A aposta não se podia ter revelado mais acertada. Foi com enorme emoção que vi reunir-se na orla da floresta, junto à Pousada da Juventude de Ovar, um alegre e entusiástico grupo de 58 formandos para uma equipa de oito formadores. Feitas as apresentações e após algumas palavras de circunstância, Fernando Costa deu início à actividade com uma abordagem teórica aos aspectos essenciais de que se reveste a Orientação. Uma plateia atenta ouviu falar de pontos, balizas, picotadores, sistema SI, mapa, percursos, cores, linhas, curvas, bússolas e tudo o mais que se oferece falar nestas ocasiões. Sem perder o norte, Fernando Costa convidou de seguida os participantes a dividirem-se em grupos e a seguirem para a floresta, cada qual com o seu monitor.


A manhã esteve preciosa e uma floresta matizada de cores irreais revelava a cada passo segredos insuspeitados. Pelo menos para quem nunca a tinha visto assim, de mapa na mão, procurando a correspondência entre traçados e cores e os respectivos elementos no terreno. A atenção aos detalhes é agora uma preocupação comum, apenas desviada momentaneamente pelo minúsculo cogumelo que cresce numa pinha caída, pela aranha de cruz que tece uma gigantesca armadilha a partir de dois troncos de pinheiro ou pelos primeiros cogumelos que rompem a areia e se abrem, ora num amarelo esmaecido, ora num vibrante e mortífero vermelho com salpicos brancos.

Manter o mapa orientado é fundamental! É esta a primeira lição, a qual todos parecem ter já apreendido e começado a valorizar. Mas a progressão entre dois pontos faz-se já a partir das opções que cada grupo define como mais adequada e a questão estratégica sobrepõe-se ao princípio de que a menor distância entre dois pontos é uma linha recta.

No final as opiniões dos participantes são unânimes em evidenciar o enorme valor e interesse da actividade. Que muitos ficaram com vontade de experimentar a modalidade um pouco mais “a sério”, não tenho dúvidas. Que no futuro vamos ter o Porto Runners a estender a sua actividade à Orientação é algo que não me surpreenderia minimamente. E que, a título pessoal, esta foi uma iniciativa seguramente estimulante e enriquecedora, julgo que se depreenderá de tudo quanto aqui deixei dito.

Comecei esta crónica falando em “projecto pessoal”. Resta, pois, esclarecer que o projecto tem a ver com a área do jornalismo e, mais propriamente, com a Revista SportLife. Ainda sem título, mas com as ideias perfeitamente combinadas para relatar aquilo que pode ser o primeiro contacto de qualquer pessoa com a Orientação, o artigo tem agora a sua componente fotográfica devidamente definida [da qual aqui deixo uma pequena amostra] e será publicado na edição de Dezembro. Eu sei que ainda estamos muito longe da data, mas talvez valha a pena reservar desde já no seu ponto de venda habitual.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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