terça-feira, 30 de setembro de 2008

EC MTBO 2008 LITUÂNIA: O BALANÇO DE JOÃO FERREIRA


De regresso a Portugal, João Ferreira estabeleceu o balanço da sua prestação nos Europeus de Ori-BTT. Disso damos conta, a par duma rectificação que se impõe: A desclassificação da selecção russa na Estafeta fez com que a equipa formada por João Ferreira e pelos estonianos Marek Karm e Taaniel Tooming ascendesse à 3ª posição. E esta, hem?...

Como decorreu o último dia de provas?

Para fechar os Campeonatos, só faltava mesmo cumprir a prova de Estafetas e não deixar ficar mal o nome de Portugal para com os outros elementos da equipa, os estonianos, e para com todos os atletas da modalidade. Penso ter conseguido estar à altura do desafio. A minha equipa alcançou um fantástico 3ºlugar, beneficiando da desclassificação da equipa russa pelo facto dum elemento ter infringido as regras. Apesar de não termos recebido qualquer prémio por competirmos extra-competição, ficámos bastante satisfeitos com o desempenho dos três elementos e com o lugar honroso que alcançámos.

O que é que de melhor e de pior encontrou no evento?

Do melhor deste Europeu posso dizer que foi o local onde se realizaram as provas e onde foi montada toda a estrutura do evento. Sem dúvida que a organização foi feliz no local que escolheu. A zona é muito boa para a prática da modalidade e bastante bonita, num ambiente um pouco diferente daquilo que se encontra noutras zonas da Europa onde já se disputaram grandes Campeonatos. Houve apenas um pequeno “senão”: estes mapas já tinham sido usados nos Campeonatos Nacionais da Lituânia em 2005. Apesar de agora estarem um pouco diferentes, sem dúvida que se torna um pouco discutível tal decisão.

Quanto aos aspectos menos bons, de referir a pouca presença Portuguesa neste Evento. Éramos das comitivas mais pequenas, com os apenas dois atletas. É com alguma tristeza que penso sobre isto. É natural que gostaria de ter visto Portugal representado com um maior número de atletas. Penso que estas competições são de extrema necessidade para um atleta que queira progredir e chegar mais além. Toda a competição que se gera, o ambiente, tudo nos faz evoluir como atletas.
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Apesar de tudo, olhando para trás, para os Mundiais da Polónia, primeiro, e agora para estes Europeus na Lituânia, o João tem motivos de sobra para se sentir orgulhoso…

Sem dúvida que só posso estar contente com os resultados. No espaço dum mês, sensivelmente, conseguir três top 10 e um top 15 em seis provas individuais disputadas é motivo de satisfação e orgulho. Confesso que estive bastante reticente em levar por diante a minha participação, por vários aspectos, mas acabei por ir e sem dúvida que foi uma experiência muito gratificante. Depois dum Campeonato do Mundo, voltar a competir com os atletas de topo da modalidade é fantástico e motivador. Penso que é importante também estabelecer contacto com outros atletas da Europa e do Mundo para podermos aprender alguma coisa e evoluir.

E agora, João?

Saio contente com mais um Campeonato Europeu onde pude bater-me em pé de igualdade com atletas dos grandes países da modalidade. O sentimento é de prazer e dever cumprido. A satisfação total é muito difícil de alcançar e também é bom ter objectivos daí que penso sempre que se pode fazer melhor. Os resultados foram bons mas ainda há muito trabalho pela frente, muito para evoluir, muito para aprender. O povo português quer sempre mais, mais dinheiro, mais vitórias na selecção, mais tudo… Eu não sou diferente e, por isso, quero mais competições e mais resultados.

[fotos gentilmente cedidas por João Ferreira]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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OS VERDES ANOS: MANUEL HORTA


Olá.

Sou um jovem alentejano residente numa das vilas mais despovoadas do país, Pavia, tenho 18 anos e chamo-me Manuel Horta.

O meu primeiro contacto com a Orientação foi no “Model Event” do I Troféu Internacional de Orientação de Mora, que decorreu próximo da minha vila no dia 3 de Março de 2006. A minha participação ficou a dever-se ao facto de o Presidente do meu clube de Atletismo, no qual estou desde Janeiro de 2000, ter inscrito todos os atletas para experimentarem. Aí conheci o Tiago Aires e a Raquel Costa que me mostraram o primeiro mapa de orientação e fizeram uma breve introdução. De seguida comecei a correr com o mapa na mão em direcção aos 4 ou 5 pontos que o Tiago me pediu para controlar e fi-lo sem grandes dificuldades.

Isto motivou-me bastante para a minha primeira prova que seria no dia seguinte, a de Distância Longa no escalão “fácil longo”, a qual fiz na companhia de um amigo. Esta prova foi acompanhada de chuva torrencial o que fez com que tivesse que atravessar uma ribeira e correr na lama, o que adorei. Terminei a prova em 2º lugar e com vontade de repetir a aventura. No dia seguinte, na prova de Distância Média, devido ao grande resultado obtido na Longa decidi inscrever-me no escalão de Juvenis para saber como estava em relação a quem já pratica orientação há mais tempo. Mas aí fiquei nos últimos lugares.

Após uns meses sem Orientação, em Dezembro de 2006, voltei a uma prova do Troféu Ori-Évora, também em Pavia, onde fiquei em segundo. A partir dai fui participando mês a mês em provas deste mesmo Troféu, representando sempre o clube de atletismo da minha terra, até que em Outubro de 2007 decidi juntar-me ao clube de Orientação da Gafanhoeira. Passei a ter treinos técnicos todas as semanas, para além dos físicos que já tinha no Atletismo. Desde que estou no Gafanhori tenho participado em todas as provas mais importantes e também em algumas menos importantes, pois, a praticar é que se aprende.

Esta época perdi algumas provas pela minha entrada tardia na Orientação e também o Portugal "O" Meeting por ter estado doente. Mas consegui ainda ficar apurado para o EYOC onde espero obter um bom resultado na prova de Sprint, pois esta é uma prova onde não se precisa ter muita técnica, apenas correr rápido, não hesitar e escolher rápido uma boa opção. Nas restantes provas também vou dar o meu melhor mas, com um ano na modalidade, por mais que treine é difícil estar ao mais alto nível.

Nesta última época o meu clube levou-me duas vezes fora do país. A primeira foi ao norte de Espanha para participar numas estafetas regionais. Foi uma boa experiência, pois tive a possibilidade de fazer Orientação num tipo de terreno por mim nunca antes visto. A segunda foi a duas provas seguidas, os 3 dias de Auvergne e os 6 dias de Aveyron, ambas no sul de França.


O maior desafio que já tive na Orientação foi a prova do terceiro dia de Auvergne, com uns dez pontos iniciais bastante fáceis, com caminhos e em floresta limpa; mas a segunda parte era numa floresta onde era raro ter mais que vinte metros de visibilidade, sem caminhos e sem pormenores de relevo de fácil navegação ou relocalização. O relevo resumia-se a montes pequenos e buracos todos juntos e semelhantes. Quando entrei nessa segunda parte comecei a falhar pontos e cheguei ao desespero de fazer pernadas a andar e a tentar saber sempre onde estava mas tive pouco sucesso. Após uma hora e muito à procura de pontos fiquei com fome e frio (porque chovia) e decidi ir embora mas não sabia como. Ainda havia pessoas em prova e a passar por mim e vi que o mapa era limitado a sul por uma estrada, logo indiquei a bússola para sul e consegui ir até à estrada e depois à chegada.

E com esta história me despeço. Boa sorte nas próximas idas à floresta.

Manuel Horta
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

TROFÉU NATURA: O BALANÇO DE VÍTOR RODRIGUES


Os ponteiros caminham a passos largos para o meio-dia e o Troféu Natura está a chegar ao fim. A maioria dos atletas regressa das provas e regressamos nós também à zona do Secretariado, ao encontro de Vítor Rodrigues. Mostra-se imediatamente disponível, apesar dos meios de contacto não pararem de tocar. Sentamo-nos tranquilamente à sombra das árvores. E enquanto a Lagoa da Vela se estende à nossa frente, agitada pelo vento Norte, olhos nos olhos conversamos sobre a prova…

Quanto maior a nau, maior a tormenta. Vítor, agora que chega ao fim o Troféu Natura e o ar é bonançoso, fale-me das “tormentas” por que passou esta organização?

Fizemos um grande esforço. Somos pequenos, com apenas três anos de existência, e o efectivo da Secção não é ainda tão vasto como desejaríamos. A nossa filosofia assenta no crescimento sólido, em dar passos ao tamanho da nossa perna, mesmo que isso demore um pouco mais. Aqui fizemos o nosso melhor, mas temos consciência de que muito há para melhorar. O “feed back” que temos recebido de muitos atletas é o de que, de facto, há coisas a melhorar. Estamos abertos à crítica construtiva e é com essa ajuda, com esse apoio, que nós podemos crescer e, desse modo, contribuir para o desenvolvimento e uma maior implementação da modalidade no nosso País.

Percebe-se na Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense muito determinação mas, também, muita ambição. É correcta esta análise?

Acreditamos no projecto, acreditamos na modalidade e gostamos de estar. Sabemos qual é o nosso lugar e somos suficientemente modestos para sabermos que ainda temos muito para aprender. E aqui estamos, de peito aberto, gente boa, gente disponível… E, daqui a uns anos, certamente que o Ginásio terá outra capacidade, terá outra força e será uma realidade e um caso sério – assim o espero! – no seio da Orientação.

Com que meios contou esta Organização?

Tivemos um grande apoio de clubes amigos, clubes que à nossa volta vivem geograficamente, casos do Ori-Estarreja e do COC, entre outros. Também da grande amizade que nos liga ao .COM. São eles os grandes responsáveis de termos queimado os últimos fins-de-semana e de aqui estarmos hoje, com algum prazer e muito cansaço. No concreto, estiveram envolvidas na organização 48 pessoas, a esmagadora maioria das quais “prata da casa”. Gostaria de destacar o excelente apoio que recebemos por parte da Junta de Freguesia do Bom Sucesso, local onde nos encontramos, o que nos permitiu também a utilização dos espaços sem qualquer tipo de constrangimentos. Se contabilizarmos também este tipo de apoios, podemos afirmar que esta é uma organização que envolve, seguramente, 70 a 80 pessoas e… é uma loucura de cansaço!


Aprecio esta Lagoa à nossa frente e nota-se que toda a envolvência constitui um espaço magnífico. Porque é que não aproveitaram as condições naturais e este conjunto paisagístico ímpar para montarem aqui, por exemplo, a Arena?

Não escondo que houve algumas discussões a esse nível mas isso são opções, naturalmente, de natureza técnica. É do traçador de percursos a última palavra e, quanto a isso… Em Portugal – e isto não é uma crítica, antes é a constatação dum defeito de que o nosso povo enferma -, gostamos de levar tudo para perto de casa. Este espaço é, efectivamente, magnífico e temos aqui mapas tecnicamente muito bons. Ao fim e ao cabo foi mesmo uma opção técnica. Admito que poderíamos ter feito de forma diferente, mas confesso que houve aqui, também, alguns interesses a gerir e… foi o que foi possível.

De que forma é que a Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense sai reforçada desta organização?

Essencialmente, estas coisas servem para aprendermos. Hoje teríamos naturais cuidados com algumas coisas que não poderiam ter falhado mas que falharam. Amanhã vamos “lamber feridas” e começar já a pensar na próxima. A aprendizagem com esta prova foi muito grande e, a meu ver, estamos convictos de que seremos capazes, em futuras ocasiões, de debelar as deficiências e as lacunas que aqui vivemos. A nossa é uma “perspectiva de esponja”, absorvendo tudo o que seja “aprendizagem”, para que a próxima seja melhor que esta, a próxima a seguir à próxima seja ainda melhor do que a anterior e por aí adiante.

E para o Vítor Rodrigues o que é que fica desta experiência?

Muito cansaço!

A entrevista chegava ao fim, o gravador acabara de se desligar e os olhos de Vítor Rodrigues marejavam-se de lágrimas. Ali sentado, o pensamento voava ao encontro daqueles com quem fez equipa e que continuavam a dar o melhor de si nos lugares que lhes foram atribuídos. Uma equipa fantástica que, abnegadamente, soube dizer presente na hora certa. Bem haja Vítor, bem hajas Ginásio!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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TROFÉU NATURA: VITÓRIAS DE TIAGO AIRES E RAQUEL COSTA


Tiago Aires e Raquel Costa iniciam a época 2008 / 2009, tal como concluíram a anterior. A liderança do “ranking” da Taça de Portugal de Orientação Pedestre é a consequência das vitórias no Troféu Natura, que reuniu na Lagoa da Vela a fina-flor da Orientação nacional.

“Bom evento competitivo e de descontracção pelo local envolvente ao mesmo.” Os votos da Organização viram-se cumpridos na íntegra e as cinco centenas e meia de participantes que, ao longo do fim-de-semana, orientaram as suas atenções para a Lagoa da Vela, têm bons motivos para se sentirem satisfeitos.

“Caloira” nestas andanças, a abnegada equipa da Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense soube montar uma prova digna, que tudo fez para agradar a todos. As falhas – que as houve! – não afectaram o normal decurso das provas nem falsearam a verdade desportiva e os atletas corresponderam com determinação e muita alegria àquilo que lhes foi proporcionado.


Calor prejudicou prova Longa

O calor sufocante marcou em definitivo o arranque do Troféu Natura. Com os termómetros a subirem aos 30º C, a prova de Distância Longa apresentou um conjunto de percursos com distâncias variando entre os 11,4 km (185 metros de desnível acumulado, 26 pontos de controlo) para a Elite Masculina e os 2,9 km (50 metros de desnível acumulado, 12 pontos de controlo) para o escalão D13. No terreno, as Dunas de Quiaios revelaram-se em todo o seu “esplendor”. Um sobe e desce feito de areia solta e com zonas de vegetação rasteira, dificultava a progressão e ia colocando à prova, sobretudo, as capacidades físicas dos contendores. No vasto reticulado de caminhos e aceiros, a navegação não levantou problemas de maior e a grande questão, neste início de época, prendeu-se mesmo com o “ter ou não ter pernas”.

No segundo dia tudo melhorou. A manhã acordou radiosa e a Lagoa da Vela, deslumbrante espelho de água duma beleza irreal, cativava o olhar e convidava ao sonho. Uma temperatura mais fresca, um ar mais respirável e tanta vida, tanta cor, foram lenitivos para uma boa recuperação do esforço da véspera e para o ganhar ânimo para a etapa de Distância Média. Num mapa contíguo ao da prova de Distância Longa, bem mais aliciante e desafiante do ponto de vista técnico, as distâncias variaram entre os 5,5 km (135 metros de desnível acumulado, 20 pontos de controlo) e os 2, 5 km (55 metros de desnível acumulado, 10 pontos de controlo) para o escalão D13. Refira-se ainda que, em ambos os dias, houve provas abertas (4 escalões OPT), às quais aderiram sete dezenas de participantes.


Tiago Aires, pois claro!

Tiago Aires (Gafanhori) não deixou os seus créditos por mãos alheias e, levando de vencida ambas as provas, arrebatou com todo o mérito o Troféu Natura no que à Elite Masculina diz respeito. A superioridade do melhor atleta português da actualidade fez-se notar sobretudo na prova de sábado onde fez o bom tempo de 1:06:10 (média de 5:51 / km), deixando o segundo classificado, Diogo Miguel (Ori-Estarreja), a 4:26 de diferença. A prova de Distância Média revelou-se altamente competitiva, com apenas 65 segundos a separarem os seis primeiros classificados. Tiago Aires voltou a vencer com o tempo de 32:32 (média de 5:54 / Km), secundado de novo por Diogo Miguel, a escassos 2 segundos. Mais irregulares, Celso Moiteiro, Tiago Romão e Gildo Silva, todos do COC, ocuparam os lugares seguintes pela ordem indicada.

Para Tiago Aires, “a prova de Distância Longa era bastante dura fisicamente, o terreno muito aberto e arenoso, bastante vegetação rasteira em algumas partes e, a juntar a isto, uma tarde de calor.” Mas o resultado deixou-o particularmente satisfeito: “A minha prestação foi, tecnicamente, muito perto da perfeição, sem qualquer erro. O difícil foi mesmo perceber, em inicio de época, se o ritmo seria o indicado para a Distancia Longa.” Quanto à prova do 2º dia, “numa zona mais limpa, acabei por em cometer dois grandes erros em dois pontos na parte inicial da prova, perdendo dois minutos e meio no total. Sabia que a partir daquele momento vinha a parte mais interessante do percurso em floresta e que só com uma prova perfeita é que poderia sonhar em ainda vencer esta etapa.” Finalmente, a avaliação do evento: “Destacaría o facto dos escalões estarem com tempos de partida espaçados de quatro minutos, o que diminui a possibilidade de ‘colas’; todavia, a mistura de escalões diferentes com percursos iguais não é o mais correcto pois leva ao aparecimento de resultados injustos.”

Vitória "sofrida" de Raquel Costa

Talvez por ter sido bastante mais sofrida, a vitória de Raquel Costa (Gafanhori) teve assim um sabor especial. Algumas falhas na prova de Distância Média e o 3º lugar final com o tempo de 37:33 acabaram por não afectar o resultado final, garantido por essa excelente vitória na prova de Distância Longa de sábado em 1:01:39. Patrícia Casalinho (COC) foi uma ameaça constante e os segundos lugares alcançados em ambas as etapas por pouco não davam para conquistar o Troféu. Andreia Silva, igualmente do COC, fez uma prova de Distância Média brilhante - terminou com uma vantagem de 1:01 sobre Patrícia Casalinho e de 1:25 sobre Raquel Costa -, mas o destino estava praticamente traçado com uma prova menos conseguida no sábado, onde tinha sido 4ª classificada a mais de 8 minutos da vencedora. Emília Silveira (ADFA) concluiu na 4ª posição e o COC ainda veria uma outra atleta sua no pódio, com Catarina Ruivo a terminar no 5º lugar.

No final, Raquel Costa analisava assim as suas prestações e a conquista do Troféu: “Com um percurso de Distância Longa pouco técnico, não foi difícil fazer uma prova perfeita. As maiores dificuldades foram mesmo a corrida sempre por areia e a inexistência de água ao longo do percurso.” Já quanto à prova de domingo, “o percurso foi mais interessante que no dia anterior mas passei por uma fase de total desconcentração e acabei por falhar três pontos de seguida, numa área que requeria leitura cuidada e que me custaram, no total, dois minutos e meio. Como comecei a correr mais rápido na tentativa de chegar à meta mais depressa, deixei de conseguir interpretar o mapa com clareza.” Apesar duma apreciação muito positiva ao mapa – “com áreas bastante interessantes, tanto de floresta como áreas abertas, sempre com elementos de relevo e vegetação” -, Raquel Costa não pôde deixar de fazer alguns pequenos reparos à Organização: “A arena quase inexistente em ambos os dias, os percursos pobres, a falta de abastecimentos no sábado e a falta de animação (‘speaker’) foram os aspectos menos positivos.”


Um imparável David Sayanda


Quanto aos restantes escalões, na formação a Gafanhori registou o maior número de presenças no pódio com Rute Coradinho (D13) e Inês Catalão (D15) a alcançaram saborosas mas muito sofridas vitórias. Em H13 o triunfo sorriu a João Pedro Casal (Ori-Estarreja), logo seguido de Vasco Duarte (ADFA), dois “filhos de peixe” que mostram “saber nadar”. Também em H17, o clube Ori-Estarreja viu um atleta seu subir ao lugar mais alto do pódio, mercê da vitória do promissor Miguel Mouco. Em H15, saúda-se a vitória de Samuel Nogueira (AD Cabroelo), enquanto em H17, Vera Alvarez (CPOC) venceu de forma incontestável.

David Sayanda (Ori-Estarreja) e Joana Costa (GD4 Caminhos), este ano a levarem as suas ambições mais longe e a ingressarem no escalão D/H 20 foram brilhantes vencedores. Apesar da oposição de Manuel Horta (Gafanhori), Sayanda registou vitórias tranquilas em ambos os dias. Muito mais disputado foi o sector feminino, com Joana Costa a impor-se por escassos 46 centésimos de ponto (no cômputo dos dois dias) a uma surpreendente Raquel Correia (.COM). Mariana Moreira (CPOC), Ana Coradinho (Gafanhori) e Isabel Sá (GD4 Caminhos) terminaram nas posições imediatas e as cinco prefiguram, desde já, uma das mais acesas e emocionantes lutas da época pela liderança do “ranking” respectivo. Quanto aos escalões H/D21A, onde se joga a subida às Elites, Sérgio Junqueira (COC) e Isabel Bonifácio (GD4 Caminhos) venceram com brilhantismo, enquanto Nélson Correia dos Santos (Orimarão) e Ana Margarida Vaz (CP Telecom) levaram a melhor no escalão H/D21B.

Vitória do COC por equipas

Nos veteranos assistiu-se às concludentes vitórias de Susana Pontes (CPOC) em D35, Alice Silva (GDU Azóia) em D40 e de Albano João e Isabel Monteiro (ambos do COC) em H/D50. Outros vencedores: H35 – Soares dos Reis (ADFA); H40 – Mário Duarte (ADFA); H45 – Manuel Luís (CP Armada); D45 – Helena Lopes (CIMO); H55 – Manuel Dias (Individual); H60 – José Grada (Clube TAP). Colectivamente, a vitória sorriu ao COC com um total de 3742,5 pontos. ADFA (3557,8 pontos), Ori-Estarreja (3427,5 pontos), CPOC (3363,7 pontos) e GD4 Caminhos (3272,3 pontos) ocuparam os lugares imediatos. Classificaram-se 44 equipas. [Para consultar os resultados completos do Troféu Natura, basta clicar aqui.]

A Taça de Portugal faz agora um interregno de aproximadamente um mês, prosseguindo no último fim-de-semana de Outubro com a disputa do II Trofeo Junta de Comunidades de Castilla – La Mancha “Toledo Imperial” (Toledo, Espanha). Fique atento.

[foto do pódio gentilmente cedida por Paulo Torres]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 27 de setembro de 2008

EC MTBO 2008 LITUÂNIA: JOÃO FERREIRA FECHA COM CHAVE DE OURO


Chegou ao fim o 3º Campeonato Europeu de Ori-BTT (EC MTBO 2008). João Ferreira foi o único português em prova, num dia tradicionalmente dedicado às sempre espectaculares Estafetas. E com um resultado que vem demonstrar, uma vez mais, a excelência do atleta de Recardães.

Com uma prestação de altíssimo nível neste 3º Campeonato Europeu de Ori-BTT – sublinhada por um 7º lugar na Distância Longa, um 10º lugar na Distância Média e um 14º lugar na prova de Sprint -, para João Ferreira o dia de hoje só poderia ser de consagração. E foi! Fazendo equipa com dois atletas da Estónia, Taaniel Tooming e Marek Karm, João Ferreira assumiu o testemunho no último percurso e, na meta, levou o combinado “luso-estoniano” a um brilhante 4º lugar, com o tempo de 2:13:16.

Taaniel Tooming, representante solitário da Estónia no escalão M17, fez um percurso inicial excelente, entregando o testemunho a Marek Karm na 5ª posição, a escassos 90 segundos do 2º lugar, na altura pertença da turma austríaca. No 2º percurso assistiu-se a um extraordinário volte-face na cabeça da corrida, com o medalha de bronze da prova de Sprint, o finlandês Elmeri Juura a dar à equipa nº 1 do seu país a liderança. Karm segurou muito bem o 5º lugar e João Ferreira partiu para o último percurso a 17 segundos da Alemanha, 4ª classificada, e apenas a 24 segundos do 3º posto, na posse do poderoso seleccionado russo. Sem nada a perder, João Ferreira fez uma prova brilhante, não permitindo veleidades ao austríaco Kevin Haselberger, beneficiando da prova desastrosa do alemão Jahn e ganhando uma posição que lhe valeu esse 4º lugar final. A Finlândia venceu com o tempo de 2:00:07, relegando a República Checa para o 2º lugar a 1:18 e a Rússia para a 3ª posição a distantes 8:41.

Dinamarca e Finlândia de ouro

Quanto ao escalão sénior, o mínimo que se pode dizer é que as Estafetas foram “impróprias para cardíacos”, tantas e tão inesperadas as alterações nos quadros classificativos. Começando pelo sector masculino, a vitória coube à Dinamarca, com Lasse Brun Pedersen [na foto] a assumir a responsabilidade do último percurso, a fazê-lo da melhor maneira e, juntando o ouro da estafeta ao ouro das provas de Distância Média e Distância Longa, a cotar-se como a figura maior destes Campeonatos. Allan Jensen fez um primeiro percurso irregular, chegando a liderar a prova mas acabando por entregar o testemunho na 5ª posição. Uma prestação brilhante de Eric Knudsen Skovgaard fez com que Pedersen partisse para o último percurso já na liderança, a qual viria a confirmar na meta com o tempo de 2:06:56. A turma Suiça deu finalmente um ar da sua graça e, com Beat Schaffner a abrir e Beat Oklé a fechar, alcançou o 2º lugar a 1:33 da Dinamarca. Na 3ª posição classificou-se a equipa nº 2 da República Checa com 2:09:01. Concluíram a prova 25 equipas.

Quanto às senhoras, a vitória sorriu à equipa nº 1 da Finlândia, com o tempo de 2:12:01. Ingrid Stengard teve assim a oportunidade de igualar o dinamarquês Pedersen no número de medalhas de ouro conquistadas, depois dos títulos europeus de Distância Média e de Sprint. A luta pela medalha de prata trouxe, quiçá, o momento de maior emoção de todos os Campeonatos. Com naturais e legítimas aspirações, o seleccionado lituano viu as suas ambições drasticamente comprometidas logo no primeiro percurso, com Vaida Reinartaité a não conseguir melhor do que o 12º e antepenúltimo lugar. Tarefa ingrata, a da campeã da Europa de Distância Longa e vice-campeã de Sprint, Ramuné Arlauskiené, a de procurar relançar a equipa e devolver-lhe ainda a esperança num bom lugar. Arlauskiené fez “só” o melhor tempo neste 2º percurso mas o 7º lugar com que Karolina Mickeviciuté partiu para o percurso derradeiro deixava escassa margem de manobra. O certo é que a vice-campeã de Distância Longa fez a prova da sua vida, ganhando segundos atrás de segundos às mais directas perseguidoras, galgando degrau após degrau na tabela classificativa, para concluir no 2º posto a escassos 2:35 das vencedoras (de quem distavam 6:45 à entrada para o último percurso). Michaela Gigon assumiu o último percurso da Áustria na 5ª posição e fez igualmente uma prova notável. Viria a gastar mais 1:16 que a “endiabrada” Mickeviciuté, recuperando da 5ª posição e dando a medalha de bronze à Áustria com 2:15:37.

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“Saber dar um passo atrás”

Num derradeiro contacto com os nossos atletas na Lituânia, coube a Daniel Marques assumir o relato daquilo que foi este último dia, aproveitado pelo nosso atleta para “fazer um pouco de turismo”. A participação na Estafeta até chegou a ser equacionada, fazendo equipa com dois neo-zelandeses. Só que “a Organização não permitiu a inscrição e aproveitei para fazer cobertura fotográfica à competição, procurando apanhar uns bons planos do João. As provas de estafetas são as mais emocionantes para o publico, e a Organização planeou os percursos a pensar nos espectadores, pelo que foi uma boa oportunidade para assistir no meio do publico.” Fazendo um balanço global àquilo que foi este 3º Campeonato da Europa de Ori-BTT, Daniel Marques adianta: “A nível pessoal tenho que estar triste com as minhas prestações, mas conformado, pois sou realista. Sem trabalho e dedicação diária é impossível ganhar em alta competição seja o que for...”

Com uma sinceridade tocante, o campeão português confessa: “Estou mais triste ainda por não me ter sentido em condições nos últimos meses para continuar a treinar ao mais alto nível e aparecer num bom momento de forma. Às vezes temos que saber dar um passo atrás para dar dois em frente... e espero que tenha sido esse o caso.” Agora há que recuperar e pensar que mais competições virão onde os resultados serão seguramente melhores: “Estou confiante no futuro. Acredito nas minhas capacidades e potencial para chegar ao top-10. A única coisa que posso prometer é que vou continuar a dedicar a minha vida à Orientação.” Mudando do plano pessoal para o plano mais vasto da participação portuguesa, Daniel Marque é peremptório ao afirmar que “foi muito bom eu e o João estarmos presentes neste Campeonato, tanto para ganhar mais experiência internacional como demonstrar à comitiva internacional que estamos presentes nas grandes competições.” E acrescenta: “Queria voltar a realçar a prestação do João. Para mim é um dado adquirido que se trata dum jovem com enorme potencial, que demonstra ter talento e vontade de ganhar.” E quanto à competição em si, “foi do agrado de todas as selecções, com bons mapas, boa logística (alojamentos, alimentação e transportes com muito boa qualidade e a bons preços). Foi, sem dúvida, o melhor Europeu de sempre. Itália em 2007 e Polónia em 2008 estiveram uns furos abaixo.”

Rússia dominou “medalheiro” dos Campeonatos

Individualmente, Pedersen e Stengard foram, como já se disse, as grande figuras da competição. Mas houve mais, no que aos escalões jovem (M/W17) e júnior (M/W20) diz respeito. Desde logo essa atleta russa que dá pelo nome de Tatiana Repina e que, no escalão W17, fez o pleno de medalhas de ouro, nada mais nada menos do que quatro. No mesmo escalão, mas no sector masculino, o seu compatriota Grigoriy Medvedev foi igualmente gigante, igualando Repina no número de medalhas, embora a referente à prova de Distância Média tenha sido de prata. No que aos juniores diz respeito, Frantisek Bogar (República Checa) teve honras de subida ao pódio em todas as provas, chegando ao ouro na Distância Longa e à prata nas restantes. Quanto às 72 medalhas distribuídas pelos três escalões referidos, a Rússia acabou por arrecadar a parte de leão com 19 (7 de ouro, 4 de prata e 8 de bronze), logo seguida da Finlândia (5, 1, 3), da República Checa (3, 6, 4), da Dinamarca (3, 0, 0), da França (2, 0, 3), da Lituânia (1, 6, 0), da Áustria (1, 1, 4), da Hungria (1, 1, 0), da Grã-Bretanha (0, 2, 1), da Estónia (0, 2, 0), da Suiça (0, 1, 1) e da Polónia (0, 0, 1).

O dia encerra com o banquete final em jeito de despedida e amanhã de madrugada os nossos atletas viajarão para a capital da Lituânia, Vilnius, onde apanharão o voo de regresso. Para o Orientovar é o fim dum contacto directo e regular com os dois atletas ao longo de toda a semana, resultando num trabalho a todos os títulos gratificante e que espero tenha agradado aos leitores do blogue. Mas as coisas não ficarão por aqui. O Orientovar espera poder publicar, durante a próxima semana, o balanço de Tiago Lopes. Como se disse no lançamento da competição, também na estrutura organizativa se falou em português. Tiago Lopes assumiu o importante cargo de Supervisor IOF e da sua experiência, daquilo que viu, ouviu, sentiu e viveu por terras da Lituânia, aqui esperamos dar conta a qualquer momento. Até lá…

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

EC MTBO 2008 LITUÂNIA: RESULTADO HISTÓRICO DE JOÃO FERREIRA


Hoje foi um dia histórico para Portugal no 3º Campeonato Europeu de Ori-BTT que, desde a passada segunda-feira, decorre na Lituânia. Ao classificar-se em 7º lugar na prova de Distância Longa, João Ferreira mostrou o seu valor e raça, dando-nos a todos uma enorme alegria. Está o João de parabéns e está igualmente a Ori-BTT portuguesa!

É um feito verdadeiramente notável na Orientação em BTT portuguesa, o 7º lugar de João Ferreira na prova de Distância Longa que hoje teve lugar na pequena vila de Juodkranté, na costa leste da península de Nida (Lituânia). Depois de uma prova de Sprint menos conseguida, João Ferreira tinha apenas a prova de Distância Longa para tentar remediar as coisas. E conseguiu-o plenamente. Mas deixemos que seja o João a contar-nos este pedacinho dum dia que irá certamente recordar por muito tempo: “Saímos do hotel por volta das 9h00, chegando ao local da prova às 9h30. A minha partida estava marcada para as 10h50, por isso tive tempo de ir ver todos os locais permitidos(zona de troca de mapas, chegadas, zona de troca de abastecimentos, etc). Sentia-me motivado. Queria fazer uma boa prova.”

Com o sinal de partida, os dados estavam lançados: “Parti bem. Não cometi grandes erros na primeira parte da prova, ou seja, antes da troca de mapa, correspondentes aos primeiros dez pontos. Perdi apenas alguns segundos em pequenas hesitações.” Com um pouco mais de metade da prova cumprida, João Ferreira passa no ponto intermédio, no primeiro rádio-controle, com o bom tempo de 33:28. O 4º lugar a 4 escassos segundos do 3º classificado e a 35 segundos do 2º classificado constituíam uma forte motivação para o atleta português. Mas a segunda parte da prova não começa nada bem. João Ferreira perde 30 segundos para o ponto 11, 15 segundos para o ponto 12 e, pior ainda, 2 minutos para o ponto 13 (quem disse que o 13 dava sorte?). O João explica: “Existia uma opção que ia pela estrada que delimitava o mapa e que seria a melhor opção; eu, porém, tomei outra opção por caminhos, pensando que seria mais rápido. Está visto que não foi a melhor opção.” Até ao final, João Ferreira perderia apenas alguns segundos para o ponto 15.

“Penso que acabo bem estes Campeonatos”

Concluída a sua prova, foi com emoção que João Ferreira acompanhou os momentos seguintes: “Quando cheguei, a ‘speaker’ disse que tinha o terceiro melhor tempo até àquela altura no rádio-controle 1. Fiquei expectante por ver o meu tempo final e a classificação final. Vi os 67:15. ‘Não foi mau’, pensei, uma vez que o tempo previsto para o primeiro era de 75 minutos. Vi a primeira lista de resultados ainda na zona de quarentena. Estava em 5º lugar. Pensei que talvez ainda pudesse ficar nos 6 primeiros e ir ao pódio. Por um lado contente mas por outro nervoso.” E mais nervoso ficou com a chegada do checo Vojtech Stransky, que o remete para a 6ª posição. Mas… “a esperança ainda existia. Por fim o lituano Vykintas Celkys, que viria a ser o 2º classificado, e que me remete para o 7º lugar. Foi por pouco, muito pouco. Se tirasse o tempo que perdi, ficaria nos 4 primeiros lugares. Fiquei contente por um lado mas triste por outro porque, por pouco, não fui ao pódio, o que seria a primeira vez na historia da Ori-BTT nacional em Campeonatos Europeus.” E a terminar: “Sinto que fiz uma boa prova, mas ficaria mais satisfeito se terminasse entre os seis primeiros lugares. No entanto, tenho a noção que foi um bom resultado. Dei o meu melhor por dignificar o País e a modalidade. Penso que acabo bem estes Campeonatos.”

Fortemente aplaudido, o lituano Vykintas Celkys foi o 2º classificado desta prova de Distância Longa com o tempo de 1:03:49. Ainda assim insuficientes para chegar ao ouro, arrebatado de forma imperial pelo checo Frantisek Bogar com um registo de 1:02:35. Depois das medalhas de prata na Distância Média e no Sprint, Bogar coroa da melhor forma uma participação a todos os títulos excepcional com esta saborosa vitória na prova-rainha. O 3º lugar foi para o austríaco Kevin Haselberger, a 2:31 do vencedor. No sector feminino, a francesa Gaelle Barlet não logrou repetir os triunfos dos dois dias anteriores, quedando-se na 3ª posição com o tempo de 1:05:15. A vitória coube à finlandesa Tarja Vesanto com o tempo de 1:02:23 enquanto a britânica Emily Benham foi 2ª classificada com 1:04:48, depois de já ter sido 2ª na prova de Sprint e 3ª na prova de Distância Média.




“Não dava para fazer brilharetes”

No escalão sénior, Daniel Marques voltou a não estar nos seus dias, melhorando um lugar em relação à prova de Sprint e concluindo na 50ª posição com o tempo de 1:41:54. Acerca da prova, o atleta português falou para o Orientovar: “A zona de partidas e chegadas foi num jardim amplo que se estendia pela costa leste... Havia troca de mapa para os elites e juniores, o que implicava, neste caso, dois ‘loops’, sendo o início do segundo ‘loop’ junto às partidas; ou seja, os atletas cruzavam-se com muita frequência, o que era espectacular para o publico e também para o ambiente competitivo.”

Referindo-se ao percurso, o atleta adiantou: “O mapa foi bastante diferente dos anteriores, com caminhos bem definidos e menos concentrados; havia, porém, a questão dos desníveis, pelo que a prova era menos técnica mas mais dura fisicamente.” No final, Daniel Marques mostrava-se conformado e com a consciência do dever cumprido, conforme se infere das suas palavras: “A minha prova deu cerca de 37 km e foi engraçada, no sentido em que visitei as costas leste e oeste inúmeras vezes, já que nesta parte da península as distâncias entre costas é de aproximadamente três quilómetros, havendo uma pequena serra a separá-las... Fiz uma prova regular, geri bem o esforço, pois tinha a consciência de que o meu estado de forma física actual não dava para fazer brilharetes, portanto encarei esta competição sem grande ambição, mas sempre dando o meu melhor!”

Santos da casa fazem milagres

No sector feminino, o dia foi da Lituânia. A “jogar em casa”, Armuné Aurlauskiené e Karolina Mickeviciuté mostraram todo o seu enorme potencial e arrebataram os dois primeiros lugares do pódio. Aurlauskiené, com o tempo de 1:15:19, junta assim a medalha de ouro à prata conquistada ontem na prova de Sprint, ao passo que para Mickeviciuté esta é uma saborosa estreia de pódio, a escassos 17 segundos da sua compatriota. Depois do desastroso 17º lugar da prova de Sprint, Michaela Gigon (Áustria), número 2 do “ranking” mundial, chegou aqui à medalha de bronze com o tempo de 1:16:49.

Depois da vitória na prova de Distância Média e do desaire da prova de Sprint, o dinamarquês Lasse Brun Pedersen arrecadou mais um título europeu, completando a sua prova em 1:24:20. Depois de muito ameaçor, o russo Anton Foliforov chegou finalmente ao pódio graças a uma excelente prova, perdendo para Pedersen por escassos 18 segundos. Ruslan Gritsan, o russo campeão do mundo de Distância Longa, repetiu aqui o 3º lugar da prova de Sprint com o tempo de 1:25:07 e fechou o pódio. As grandes decepções continuam a ser os suíços Beat Oklé e Beat Schaffner e o checo Lubomír Tomecek, respectivamente 2º, 3º e 4º classificados do ranking” mundial e que aqui, na Lituânia, ainda não sentiram o doce sabor da subida ao pódio.

Os Campeonatos encerram amanhã com a prova de Estafeta. Sem número suficiente para formar equipa, a Daniel Marques e João Ferreira resta a oportunidade de aproveitar da melhor maneira este último dia de provas. João Ferreira fará equipa com dois atletas estonianos, o jovem (M 17) Taaniel Tooming e o júnior Marek Karm. Quanto a Daniel Marques, na altura em que editamos este texto, desconheciam-se ainda as opções do atleta português.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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VENHA CONHECER... FERNANDA FERREIRA


Chamo-me… Maria FERNANDA Silva Pascoal FERREIRA
Nasci no dia… 08 de Agosto de 1955, em Sepins (Cantanhede)
Vivo em… Águeda
A minha profissão é… Professora
O meu clube… Desportivo Atlético de Recardães
Pratico orientação desde… 1993

Na Orientação…

A Orientação é… um desporto que me preenche totalmente!
Para praticá-la basta… força de vontade e espírito de aventura!
A dificuldade maior é… conciliar o esforço físico e o esforço mental!
A minha estreia foi em… Entre-os-Rios!
A maior alegria é… chegar ao fim duma prova!
A tremenda desilusão… ter sido desclassificada injustamente num Campeonato Absoluto!
Um grande receio… não tenho grandes receios!
O meu clube é… um espaço de convívio, com bons momentos e grandes amigos!
Competir é… tentar dar sempre o máximo!
A minha maior ambição é… participar. Ganhar é bom mas participar é o mais importante!

… como na Vida!

Dizem que sou… boa companheira!
O meu grande defeito é… ser, às vezes, sincera de mais!
A minha maior virtude… ser persistente!
Como vejo o mundo… não como uma aldeia global. Aprecio muito a diferença!
O grande problema social… a pobreza!
Um sonho… viajar muito!
Um pesadelo… não ter tempo para fazer tudo o que pretendo!
Um livro… “A Filha da Fortuna”!
Um filme… “Voando Sobre um Ninho de Cucos”!
Na ilha deserta não dispensava… o meu companheiro!

Na próxima semana venha conhecer Regina Sousa.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

EC MTBO 2008 LITUÂNIA: ELE HÁ DIAS ASSIM


Com a disputa da prova de Sprint, cumpriu-se hoje a primeira metade destes 3º Campeonatos Europeus de Ori-BTT (EC MTBO 2008). Partindo para a prova com legítimas ambições, Daniel Marques e João Ferreira não foram felizes. Ele há dias assim…

Daniel Marques foi um dos 69 competidores em prova e o 51º lugar alcançado, com um registo de 26:15,8, não pode deixar de ser considerado pouco satisfatório. Oiçamos o que disse o nosso melhor atleta e 25º classificado do “ranking” mundial: “A competição teve inicio às 11h00 e a partida foi no interior dum castelo (tipo forte), rodeado de água. Parti às 11h32, saí da zona do castelo a pedalar bem e entrei na floresta a decifrar bem os labirintos iniciais. Havia que escolher bem as opções e ter uma noção perfeita do nosso posicionamento no terreno.” Tudo corria na perfeição ao atleta português, com uma passagem no primeiro rádio-controle na 15ª posição da Geral, até que “um erro de navegação comprometeu o resultado irreversivelmente. Do 13º para o 14º ponto perdi mais de três minutos, o que numa prova de sprint é uma eternidade!!!”

Fica, pois, um enorme amargo na boca: “Tinha capacidade para fazer melhor! Foi um dia menos bom mas que até podia ser perto da perfeição uma vez que, analisando os meus ‘splits’, dava para entrar no top-20 à vontade. Mas este desporto é mesmo assim. Há agora que aprender com os erros e tentar fazer melhor para a próxima.” Daniel Marques deixa uma última referência ao vencedor da prova, o austríaco Tobias Breitschadel, evidenciando o enorme desportivismo e camaradagem que se vive no seio da competição: “Quem ganhou a prova foi o Tobias, um atleta que veio à prova internacional portuguesa e ficamos amigos desde então. Parabéns ao Tobias, que demonstrou ser um grande atleta a somar à excelente personalidade que tem!”

As contas de João Ferreira


À semelhança do que sucedeu a Daniel Marques, também João Ferreira não esteve nos seus melhores dias. “A minha vontade era a de poder dar noticias boas mas não vai ser o caso de hoje”, começou por revelar o atleta. E explica porquê: “Cheguei ao local da prova por volta das 10h15 e às 11h49 foi a minha vez de partir. Saí bem, sentia-me bem e fiz os dois primeiros pontos sem quaisquer erros.” Mas a partir daqui surgiram os primeiros problemas: “Para o terceiro ponto fiz uma má opção onde perdi cerca de dois minutos. Voltei a perder 45 segundos para o ponto 5, falhando uma entrada de caminho pouco visível e tendo que dar uma volta maior. Tentei concentrar-me e recuperar algum do tempo entretanto perdido e nos cinco pontos seguintes não tive problemas. Até ao final ainda perdi trinta segundos no ponto onze e um minuto e meio para o ponto treze, onde a zona estava mal cartografada, com mais caminhos no terreno do que apenas aquele que estava marcado no mapa.”

Numa análise global, as contas são fáceis de fazer para o atleta: “Somando as perdas, tirava 4:45 ao meu tempo o que, observando as classificações, me iria dar o 4º lugar.” Assim, João Ferreira teve de se contentar com a 14ª posição, entre 28 atletas, com um tempo de 26:01,1. A entrada no top 15, apesar de melhorar substancialmente o resultado do europeu passado onde foi 26º classificado, não deixa o atleta de todo satisfeito: “Sei que poderia ter feito uma prova bastante melhor e bater-me em pé de igualdade com os grandes nomes Juniores da modalidade.” De referir ainda que, neste escalão, os checos Marek Pospisek e Frantisek Bogar repetiram os 1º e 2º lugares do dia de ontem, com os tempos de, respectivamente, 20:41,2 e 20:50,3. O finlandês Elmeri Juura, com 21:08,8, fechou o pódio. No sector feminino, Gaelle Barlet (França) voltou a ser a mais rápida.




Tentar rectificar na Distância Longa

Como já foi dito, Tobias Breitschadel foi o grande vencedor desta prova de Sprint, concluindo os 4,5 km de prova (21 pontos de controlo) com um registo de 19:55,0. Sem dúvida um grande feito para este austríaco que é o actual nº 8 do “ranking” mundial. Erm Tonis (Estónia) repetiu a medalha de prata da prova de Distância Média ao gastar 20:08,5, enquanto o campeão do mundo de Distância Longa, o russo Gritsan Ruslan (Rússia), terminou na 3ª posição com um registo de 20:24,8. A grande decepção veio da parte do Campeão do Mundo de Sprint e vencedor da prova de Distância Média de ontem, o dinamarquês Lasse Brun Pedersen, que hoje não foi além da 32ª posição (!) com o tempo de 23:42,8. No sector feminino, a finlandesa Ingrid Stengard afirma-se como a grande estrela destes Campeonatos. Depois da vitória de ontem na prova de Distância Média, hoje nova vitória na prova de Sprint com o tempo de 21:00,7. Na segunda posição, com 21:59,8, classificou-se uma atleta da casa, a muito aclamada Ramune Arlauskiene, cabendo o 3º lugar a outra finlandesa, a vice-campeã mundial de Distância Longa, Marika Hara, com o tempo de 22:18,2.

Analisando estes dois primeiros dias de prova, no que aos Europeus Júnior e Sénior diz respeito, importa referir que a Rússia domina em número de medalhas com 5 (1 de prata e 4 de bronze), mas o “medalheiro” mais valioso é o da República Checa, com 4 medalhas (2 de ouro e 2 de bronze). À semelhança dos checos, também finlandeses e franceses têm duas medalhas de ouro, embora a estas a Finlândia some igualmente 2 de bronze. Amanhã terá lugar a prova-rainha, com a disputa da Distância Longa. Para João Ferreira “irá ser uma prova bem mais dura fisicamente. Não é a minha distância preferida - sem duvida que estou mais à vontade na Media e no Sprint -, mas é mais uma prova em que defendo as cores nacionais. Só isso já representa um grande estímulo, e vou dar o meu melhor para tentar levar o nome de Portugal mais longe.” Estas palavras representam também, seguramente, o sentimento de Daniel Marques. Para ambos, a maior sorte do mundo é o que podemos desejar.

[confira aqui os resultados completos seniores e jovens / juniores]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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PELO BURACO DA FECHADURA...


TROFÉU NATURA

TAÇA DE PORTUGAL 2008 / 2009 ARRANCA NO PRÓXIMO FIM-DE-SEMANA

Criada em 9 de Maio de 2005 e apresentada publicamente seis meses mais tarde, a Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense enfrenta, já no próximo fim-de-semana, a sua primeira grande prova de fogo organizativa. Cinco centenas e meia de orientistas, em representação de 41 clubes, irão estar na Lagoa da Vela [na imagem], naquele que é o arranque da Taça de Portugal 2008 / 2009. Venha connosco fazer a antevisão da prova, espreitando pelo buraco da fechadura…

Começou por se designar Club Gymnastico Velocipedico Figueirense e o seu aparecimento data desse longínquo 1 de Janeiro de 1895. E se o Ciclismo, conjuntamente com o Remo, estiveram na base da sua fundação, ao longo dos anos foi-se tornando conhecido através de modalidades como a Natação, o Halterofilismo e sobretudo o Basquetebol, com a conquista do Título Nacional da 1ª Divisão em 1976 / 77, a sua maior glória. Hoje, com a bonita de idade de 113 anos, o Ginásio Clube Figueirense é uma das figuras de proa do associativismo figueirense, movimentando anualmente milhar e meio de praticantes distribuídos por 11 modalidades.

Juventude versus “veterania”

Apesar da sua juventude, a Secção de Orientação é um dos mais floridos ramos desta frondosa e robusta árvore. A ela confiou a Federação Portuguesa de Orientação a responsabilidade de abrir as provas a contar para o “ranking” da Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2008 / 2009, com a organização do Troféu Natura. Num mapa descrito pela organização como sendo “de pinhal, de progressão média / rápida, com detalhes de relevo acentuado e técnico”, é com enorme expectativa que se aguarda a entrada em cena dos verdadeiros artistas.

Com os 543 atletas distribuídos por 30 escalões de competição e 4 escalões abertos, as principais atenções centram-se nas provas destinadas às elites. A “geração de ouro” da modalidade – com duas ou três inevitáveis excepções – rivaliza com os consagrados e perspectiva-se a reedição dos empolgantes duelos da Pedra Bela (Gerês), aquando dos Nacionais Absolutos de 2008. Tiago Aires, Raquel Costa, Joaquim Sousa, Pedro Nogueira, Patrícia Casalinho, Celso Moiteiro ou Lídia Magalhães, de um lado, e Tiago Romão, Catarina Ruivo, Diogo Miguel, Mariana Moreira, Jorge Fortunato, Joana Costa e Isabel Sá, do outro, são garante de emoção a rodos e incerteza no resultado final até à chegada do último atleta.

“Um enorme desafio”

Sobre este verdadeiro “voto de confiança”, Vítor Rodrigues, o Director da Prova, adiantou ao Orientovar o seguinte: “Para uma Secção de Orientação como a do Ginásio Clube Figueirense, com tão pouco tempo de existência, é sempre um enorme desafio para qualquer Organização. Somos um grupo pequeno, com um longo caminho de aprendizagem a percorrer, mas que no entanto não voltamos a cara aos desafios, antes vemos nisso uma motivação e estamos determinados em fazer o nosso melhor. Aliás, como é nosso lema e apanágio.”

Sendo o Troféu Natura a primeira prova do calendário, Vítor Rodrigues tem consciência de que a fasquia é elevada mas as suas palavras são de esperança: “Que esta prova venha a augurar uma época cheia de bons resultados, em nome do crescimento e solidificação da modalidade no seio do desporto nacional. Da nossa parte, podem contar com o nosso saber, o máximo do nosso empenhamento e o limite do nosso crer. Estamos certos de que tudo correrá pelo melhor, a bem da Orientação.”

“Deixe-se envolver pela magia do local!”

Falando dos apoios recebidos, Vítor Rodrigues faz questão de realçar que “é de elementar justiça salientar todo o apoio que instituições e organizações nos dispensam, porque sem elas tudo se tornaria impossível de pôr de pé. É o caso, na circunstância, da Junta de Freguesia do Bom Sucesso e do Casino da Figueira, entre muitos outros. Sem eles, não seríamos capazes de trilhar o caminho que definimos como nosso.”

Finalmente, todos aqueles que se desloquem à Lagoa da Vela, “só poderão esperar dois dias de bons mapas, puro divertimento, agradável paisagem e convívio são em toda a jornada. As provas decorrerão em terrenos contíguos a grandes espaços de água, que possuem um encanto e beleza próprios. Que cada um se deixe envolver pela magia do local, num registo de pura natureza que nos surpreende todos os dias e estamos convictos de que todos os que se inscreveram no nosso Troféu não se arrependerão. Só esperamos que as condições meteorológicas nos ajudem.”


[Saiba tudo sobre o Troféu Natura aqui]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

EC MTBO 2008 LITUÂNIA: DANIEL MARQUES E JOÃO FERREIRA COM EXCELENTE COMEÇO


Com a disputa da prova de Distância Média, Daniel Marques e João Ferreira entraram hoje em acção no 3º Campeonato da Europa de Ori-BTT (EC MTBO 2008). Ainda a recuperar duma viagem recheada de peripécias, os nossos atletas fizeram das tripas coração e registaram excelentes resultados. O 41º lugar de Daniel Marques e esse brilhante 10º posto de João Ferreira são dignos de nota.

Teve hoje início em Nida, bela cidade do Sul da Lituânia onde Thomas Mann desenvolveu alguns dos seus mais brilhantes escritos, o 3º Campeonato da Europa de Ori-BTT (EC MTBO 2008). Distribuídos pelos escalões jovem (M/W 17), júnior (M/W 20), sénior (M/W) e veteranos (M/W 40, 50 e 60), três centenas de atletas de 20 países competem até ao próximo sábado pela conquista do título europeu nas respectivas classes.

Até à Lituânia viajaram Daniel Marques e João Ferreira, representantes portugueses no Campeonato da Europa Sénior e Júnior, respectivamente. Mas não parece ter sido fácil chegar a Nida, conforme nos relata João Ferreira, o promissor atleta do DA Recardães: “Depois da chegada a Vilnius, por volta das oito da noite, parecia perto o fim da viagem; mas, pelo contrário, o pior estava para vir. Saímos do aeroporto por volta das dez da noite e só chegamos ao Hotel no local da prova às 6 da manhã, após mais 400 km de autocarro. E se até aqui já tínhamos feito oito horas de viagem, ainda ficámos mais duas horas a dormir no autocarro porque o Hotel estava fechado. Mas nada que um dia de descanso não faça recuperar a energia.”

Um dia para recuperar

O dia de ontem foi de recuperação. Quem nos fala agora é Daniel Marques, que vai adiantando: “Descansámos um pouco no Hotel para recuperar o empeno da viagem e depois fomos reconhecer o espaço envolvente, dando uma volta de bicicleta até à fronteira da Lituania com a Rússia. Fizemos a acreditação e deu para nos ambientarmos!” Daniel Marques descreve o local como “de uma riqueza paisagística impar, uma Reserva Natural que pode ser visto como ‘o Algarve da Lituânia’. Russos, bielorussos, finlandeses, letões e lituanos vêm com grande frequência passar férias e fazer praia a esta península, visto que tem mais de 70 kms de costa para o mar Báltico.”

Mas o dia de ontem fica também marcado pela Cerimónia de Abertura e pelo Model Event. Sobre este último, a descrição é ainda de Daniel Marques: “O Model Event ficou a cerca de 55 km do nosso alojamento e as primeiras impressões foram bastante positivas. A zona era fabulosa (floresta composta por pinheiros, com caminhos de várias qualidades) e tanto o lado Este como o lado Oeste do mapa era mar. Estávamos na parte norte (superior) da península. Depressa ficámos com a sensação de que as provas iriam ser muito interessantes tecnicamente e exigiam rapidez de pensamento e leitura de mapa, visto que haviam intersecções de caminhos umas a seguir às outras.” Mas um evento desta natureza não é só mapas e bicicletas: “À tarde houve tempo para socializar com adversários. O ambiente competitivo é muito bom e a rivalidade é saudável. Podemos dizer que neste desporto os adversários são nossos amigos”, diz Daniel a concluir.



Os percalços de Daniel Marques

A prova de Distância Média, disputada na manhã de hoje no coração de Nida, abriu as hostilidades. Ausências notadas apenas as do austríaco Christian Gigon, do dinamarquês Torbjorn Gasbjerg e do número 1 do mundo, o australiano Adrian Jackson, este por razões óbvias. Lasse Brun Pedersen (Dinamarca) sentiu-se aqui como peixe na água e levou de vencida a concorrência, juntando ao título mundial de Sprint o da Europa de Distância Média. O dinamarquês fez um tempo de 54:44, deixando Erm Tonis (Estónia), outro grande especialista do Sprint, na 2ª posição, a 50 segundos de diferença. O russo Victor Korchagin, com um registo de 55:53, fechou o pódio. No sector feminino, a finlandesa Ingrid Stengard surpreendeu tudo e todos, arrebatando o título europeu, logo seguida da “eterna segunda”, a austríaca Michaela Gigon e com a líder do “ranking” mundial, a suiça Christine Schaffner, a quedar-se pela 3ª posição.

Quanto a Daniel Marques, uma entrada menos brilhante e um “acidente de percurso” acabaram por marcar a prova do nosso atleta, como o próprio relata: “Foi um mau início e comprometi a prova logo nos dois primeiros postos de controlo (ao 2º controlo já tinha perdido 4 minutos!). Tive mais um precalço, embati contra um finlandês e, apesar de ambos termos ficado sem quaisquer danos físicos, as bicicletas ficaram um pouco mal tratadas. Tive de fazer o resto da prova em talega (fiquei sem mudanças à frente) e a direcção ficou torcida!” Quanto ao resto da prova “decorreu normalmente, com alguns erros de opção mas com uma navegação limpa. As características deste terreno são muito interessantes para a pratica da modalidade, há muitos caminhos entrelaçados de uma forma caótica, com muitos detalhes de relevo (altos e baixos), mas sem grandes montes (o ponto mais alto tem 58 metros).” No final, Daniel Marques alcançaria um honroso 41º lugar, entre 70 atletas, com o tempo de 1:06:41.

João Ferreira mais uma vez entre os 10 melhores

No escalão júnior, João Ferreira também não entrou na prova da melhor forma, mas o resultado final pode considerar-se excelente. Deixemos que seja o próprio a relatar-nos a sua prova: “Uma prova rápida era o que esperava, dadas as informações técnicas. A elevada dificuldade técnica nalgumas zonas e a areia fizeram com que a dificuldade aumentasse bastante. A elevada densidade de caminhos na parte inicial fizeram com que diminuísse a velocidade e perdesse algum tempo para o primeiro ponto.” Referindo-se ao mapa, João Ferreira só tece elogios: “Mapa com uma pequena parte dentro da cidade, num percurso bastante bonito e com pequenos ‘singletracks’, absolutamente fascinantes. Sem duvida que a organização esteve ao nível do evento proporcionando uma fantástica arena de partidas e chegadas.” E quanto ao resultado: “Penso que não fiz uma prova má, encerrando o Top 10. Fiquei em 10º lugar entre os 28 atletas presentes [com um tempo de 56:25]." E realça ainda "o frio que se tem feito sentir aqui, com medias a rondar o 11º C e a que não estávamos habituados, dadas as temperaturas em Portugal nesta época.”

Neste escalão o pódio foi ocupado na íntegra pelos três nomes mais sonantes da modalidade a nível mundial. O russo Valeriy Glukhov, campeão mundial da distância, teve de se contentar com o 3º posto, fazendo um tempo de 49:19. Com menos 1:08, o checo Bogar Frantisek, campeão do mundo de Sprint, foi 2º classificado. A vitória sorriu a outro checo, Marek Pospisek, vice-campeão mundial de Distância Média, que completou a sua prova em 47:14. Nas senhoras, a francesa Gaelle Barlet guindou-se ao lugar mais alto do pódio. Amanhã segue-se a prova de Sprint onde, tradicionalmente, os nossos atletas se superam e alcançam os melhores resultados. Para eles, o nosso mais forte apoio e apreço.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. É com tristeza que fico a saber que a revista “Orienteering Today” está a um pequenino passo de acabar. Num artigo publicado por Geir Nilsen no “site” OPN.no [http://www.opn.no/?side=03812], o editor da “Orienteering Today” retrospectiva os turbulentos três anos de vida da publicação, fala do fôlego surgido no ano passado graças ao acordo editorial com a Nilsen Support e termina afirmando que o acordo chega agora ao fim, com o grupo proprietário da revista a rompê-lo unilateralmente. Porquê? “Quem me dera saber”, afirma. Agora o seu computador está cheio de textos e fotos destinados ao número de Agosto, à espera duma edição que não vai chegar. “Anunciantes e assinantes foram muito pacientes ao longo de todo este tempo e jornalistas e fotográfos contribuíram com o seu trabalho para manter o elevado nível da revista durante muitos anos. Todos merecem ser tratados com o maior respeito. Espero, naturalmente, que no futuro possamos vir a ter uma revista especializada, do género da Orienteering Today”, conclui. Fazemos dos seus, os nossos votos.

2. “Muito se fala, mas…” É desta forma que Tiago Romão diz de sua justiça, abordando “a essência da coisa” no Fórum da FPO [comentário 2132, de 21.09.2008]. Para o Campeão Nacional Absoluto 2008, “segundo o Regulamento da IOF, as provas de Distância Longa devem ser realizadas à escala de 1:15 000.” E levanta duas interrogações: “Porque é que isto nunca acontece em Portugal? Quantas vezes se corre em Portugal a esta escala?” As questões são legítimas, tendo em conta o suporte legal que o Regulamento lhes confere. No Fórum, as questões ficaram sem resposta. Será que aqui alguém se atreve a esclarecer o Tiago? E, já agora, alguém me esclarece também?

3. Começa hoje e prolonga-se até ao próximo sábado o Campeonato Europeu de Ori-BTT [EC MTBO 2008]. Na Lituânia estarão de novo em acção Daniel Marques e João Ferreira, em representação das cores portuguesas. Pela frente irão ter, entre outros, o dinamarquês Lasse Brun Pedersen, o checo Bogar Frantisek ou os russos Gritsan Ruslan e Valeriy Glukhov, todos eles recentes campeões do mundo nos escalões respectivos. Mas a nível organizativo também se fala em português. Nomeado Supervisor IOF, Tiago Lopes é figura de proa em mais um desenvolvimento que eleva e prestigia a Orientação nacional. Ao João, ao Daniel e ao Tiago, com toda a admiração e carinho, votos das maiores felicidades para os desafios que enfrentam. E cujos desenvolvimentos poderá acompanhar regularmente, aqui, no seu Orientovar.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 23 de setembro de 2008

JOÃO FERREIRA: "KEEP FIT, DO EXERCISE"


Menos de um mês após os Mundiais de Ori-BTT da Polónia, João Ferreira encontra-se já em Nida (Lituânia) onde, a partir de amanhã e até ao próximo sábado, participará nos Campeonatos da Europa de Ori-BTT (EC MTBO 2008). Carregando na bagagem muitas e fundadas expectativas, o atleta do DA Recardães fala-nos de si, da época que já vai longa e do que se avizinha.

Numa época feita de altos e baixos, João Ferreira acumulou o título de Campeão Ibérico de Distância Média em Orientação Pedestre com os de Vice-Campeão Nacional de Distância Longa e Vice-Campeão Ibérico de Distância Média, estes dois últimos em OriBTT. Vitórias na Taça de Portugal nos Troféus de Ori-BTT de Vila Nova da Barquinha e de Soure, um segundo lugar na Prova de Sprint dos “5 Dias de França MTBO” e esse fantástico 9º lugar na prova de Sprint dos Mundiais da Polónia de finais de Agosto passado elevaram-no ao 2º lugar do “ranking” Nacional Júnior Ori-BTT 2007 / 2008 e fazem dele uma das grandes certezas da Orientação nacional.

Apostado em terminar a época da melhor forma possível, João Ferreira olha para trás e reflecte sobre um percurso que já vai longo: “A época de Ori-BTT começa então em Monsaraz. Sem dúvida que o meu estado físico não era de todo o melhor e subo ao pódio na segunda posição depois de duas provas realizadas debaixo de um forte calor”, relembra o atleta. Seguiu-se Alcácer do Sal, a forma ia subindo mas os resultados nem por isso: “Uma má prova no sábado remete-me para a terceira posição da geral dos dois dias. Mas nem tudo foi mau nesta prova já que tivemos a primeira reunião com os elementos da Federação que nos apresentaram o projecto para a selecção até 2010. Sem dúvida que foi um momento importante da época porque foi a partir daqui que soubemos que iríamos ter um treinador para a componente física.” Finalmente Vila Nova da Barquinha e o sabor da vitória, já com a ajuda do treinador Jorge Caldeira. Um momento importante que João Ferreira recorda com satisfação: “A vitória nos dois dias deu-me o primeiro lugar da geral.”

Volta tudo à estaca zero

Com o nível de forma a subir e a vitória, tudo se ia encaminhando e parecia bem, mas… “Uma ruptura de ligamentos obrigou-me a parar e voltou tudo à estaca zero. Todo o trabalho muscular e a forma física diminuiu bastante. Tentei voltar à competição na Prova de Sintra. No sábado ainda consegui concluir a prova mas no domingo já não aguentei as dores tendo que desistir.” Regressa dois meses mais tarde em Torres Vedras onde, longe de conseguir estar bem fisicamente, concluiu no 4º lugar. Seguiram-se os Campeonatos Nacionais com um segundo lugar na Distância Longa e um terceiro na Média, resultados que “não foram maus”, na sua opinião, "embora abaixo dos alcançados no ano anterior".

Consegue finalmente voltar à vitória na prova da Figueira da Foz: “Ao fim de algum tempo de paragem e de retorno à competição, soube-me muito bem voltar a ganhar.” Entretanto, “chega o Campeonato Ibérico e não consegui estar ao nível que gostaria de estar. Fiz um quarto lugar na Distância Longa e um segundo lugar na Distância Média.”

Campeonato do Mundo: O momento alto

Até que surge o grande objectivo da época, o Campeonato do Mundo de Juniores, que o atleta recorda com emoção: “Sem dúvida que foi o momento alto da época até agora. Ter conseguido ficar em nono lugar no Sprint foi, por um lado, muito gratificante, mas por outro deixou água na boca para ir mais além. O trabalho de uma época foi recompensado. Além deste lugar no top 10 do Sprint, fiquei em 20º lugar na Média, que também não achei mau, sabendo que poderia ter tido um resultado mais acima se retirasse o tempo perdido dos primeiros pontos.”

Segue-se agora o Campeonato Europeu: “Depois da viagem da Polónia estive um pouco mal tendo mesmo que ir ao médico. A mudança de sono provocada pela viagem e o cansaço acumulado durante as duas semanas fizeram com que tivesse uma semana e meia a recuperar com fortes dores de cabeça. Agora, felizmente, estou melhor, não me sinto a 100% mas espero conseguir recuperar até à primeira prova na Lituânia.”

Optimista em relação ao futuro

Numa avaliação global, João Ferreira salienta um aspecto relevante: “Na minha opinião, acho extremamente importante o trabalho que a Federação tem desenvolvido na preparação do Campeonato do Mundo de Ori-BTT de 2010, em particular o apoio com um treinador para a componente física. Sem dúvida que notei diferenças na minha forma a partir do momento que passei a ser seguido pelo treinador. Acho que o próximo passo em termos de apoio aos atletas deveria ser a componente técnica específica de Ori-BTT. Sei que não é tão fácil mas sei, também, que é fundamental para que haja evolução na modalidade e nos resultados."

Quanto a si e ao seu futuro, parece poder ser encarado com a necessária dose de optimismo mas englobando naturais reticências: “Felizmente, depois de muitas tentativas fracassadas e de muitos contactos feitos, tenho conseguido reunir alguns patrocínios e apoios. É natural que a vontade fosse a de participar em várias provas na Europa, complementando o Calendário Nacional, mas não sei se irei ter disponibilidade financeira e de tempo. Competir noutros países permite conhecer outros tipos de mapas e terrenos e também a possibilidade de defrontar atletas de alto nível da modalidade”, conclui.

Saiba tudo sobre João Ferreira consultando a sua excelente “webpage” em http://joaoferreira.ori.googlepages.com/ .

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

XVI TROFÉU CPOC: O BALANÇO DE LUÍS SANTOS



Caiu o pano sobre o Troféu de Orientação do CPOC. Director da prova e traçador de percursos, Luís Santos faz-nos o balanço desta 16ª edição e perspectiva já esse grande evento – “a maior aposta organizativa na história do CPOC” – que será o Portugal O’Meeting 2009.

No âmbito da estratégia de promoção e divulgação da modalidade, que aceitação teve mais esta organização por parte do município e da população de Mora?


Este evento serviu principalmente para dotar Mora de mais um mapa com qualidade técnica elevada. É objectivo do CPOC e da Câmara Municipal de Mora colocar o concelho no mapa português dos locais privilegiados para a prática da modalidade, ao nível de concelhos como Terras de Bouro, Marinha Grande, São Pedro do Sul, Cantanhede e alguns outros. Nesse sentido, e com a proximidade e confiança que fomos desenvolvendo no trabalho com a Câmara Municipal de Mora, o evento fez parte duma estratégia global de aumento da visibilidade de Mora enquadrado no grande projecto do Portugal'O'Meeting 2009 a realizar já em Fevereiro do próximo ano. Quanto à população local, gostaríamos de criar maiores impactos mas, mesmo assim, conseguimos ter a participar no evento num primeiro contacto com a modalidade um grupo de 15 jovens estudantes e voltar a receber um grupo de 42 idosos entre os 65 e os 85 anos que, pela terceira vez, vieram experimentar a modalidade, numa perspectiva de passeio mas mostrando sempre enorme entusiasmo pelas possibilidades que lhes oferecemos de conhecer melhor a própria terra deles.

Quais os principais desafios que a organização deste XVI Troféu de Orientação do CPOC teve de enfrentar?

O que mais nos preocupava eram as condições climatéricas mas este fim-de-semana, apesar das previsões negativas (que poderiam pôr em risco a realização do evento a confirmarem-se as previsões de trovoada na zona de Mora), tivemos muita sorte. Caíram grandes chuvadas de noite e fora dos horários do evento mas, durante o evento, só tivemos umas pingas no sábado de manhã e o tempo quente permitiu inclusivamente que todos usufruíssem da praia fluvial que serviu de “Event Center”. Como o clima não condicionou, as maiores dificuldades estiveram relacionadas com a inacessibilidade de alguns locais que dificultam muito as tarefas de colocação e levantamento de pontos e de abastecimento dos pontos de água. Verificou-se ainda a existência de muitas cercas que condicionam tecnicamente a qualidade dos percursos e a abertura da época de caça que nos trouxe problemas porque estava planeada uma caçada para este fim-de-semana na zona do evento e não foi nada fácil demover os promotores a irem para outro lado (mesmo depois de saberem que os atletas iam estar no local, só foi possível demovê-los porque um dos proprietários dos terrenos tomou claramente o nosso partido, e mesmo assim por vezes parecia que o promotor queria mandar mais nos terrenos que o próprio proprietário...).

No que ao desenrolar do evento diz respeito, destacaria alguns aspectos em particular?

O evento baseou-se numa distância média no sábado com fácil progressão e não muito difícil tecnicamente quase para "iniciar a época" e voltar a tomar contacto com os mapas. No segundo dia, os desafios físicos e técnicos para os participantes já foram certamente diferentes, com uma distância intermédia a levar os mais rápidos a cumprir 9,7 kms em 53:16. Ficámos agradados também com a adesão dos participantes pois sabíamos que seria difícil ultrapassar os 200 participantes mas estiveram nas Azenhas da Seda cerca de 260 participantes. Para além disso encheu-nos de satisfação que alguns optassem por longas viagens para estar no nosso evento (caso de alguns participantes do GD4 Caminhos e mesmo do OriMarão, que vieram do Norte do País). Espero que tenha servido também como uma boa preparação para a abertura da Taça de Portugal já no próximo fim de semana na Figueira da Foz.

Em que medida é que o resultado final correspondeu às expectivas do CPOC?

O evento correu dentro do que tínhamos planeado. Sabíamos que seria um evento não lucrativo (provavelmente o primeiro na história do CPOC) uma vez que só o custo de produção do mapa seria superior às receitas obtidas com o evento. Mas como enquadrámos o evento no âmbito do POM, encarámos este fim-de-semana numa perspectiva promocional do POM e de Mora, e dotámos Mora com mais um mapa que nos permite aumentar as possibilidades à nossa disposição para aquela que é a maior aposta organizativa da história do CPOC (e certamente também uma das maiores da história desportiva de Mora, talvez comparada com o Mundial de Pesca Desportiva que aqui se realizou em 2004). Claro que não faria sentido apostar num projecto que não nos traria lucros se não fosse para tentar agradar o mais possível a todos os que optaram por participar no evento.

Mora e o Portugal O'Meeting de finais de Fevereiro do próximo ano constitui o ponto alto da época organizativa do CPOC. Nesse sentido, este XVI Troféu de Orientação do CPOC pode ser visto como um "balão de ensaio"?

O ponto alto da época do CPOC e de toda a história do CPOC... Não tanto como um "balão de ensaio" mas mais como uma acção promocional do evento. As semelhanças deste evento com o que vamos fazer no POM são escassas, começando desde logo pela equipa de organização que neste evento da Taça FPO Sul abrangeu menos de 30 pessoas e o organigrama do POM tem já mais de 90 pessoas envolvidas. Como optámos por fazer a prova de sábado cedo para evitar o calor, ficámos também com algumas horas da tarde de sábado livres que foram aproveitadas para ir aos locais chave dos 4 dias do POM e fazer algumas reavaliações e ajustes no planeamento para o POM.

O que se pode antecipar, desde já, desse grande evento?

Esperamos proporcionar, quer aos portugueses, quer aos estrangeiros, dias bem passados em Mora e uma competição com bom nível técnico e competitivamente interessante. Nos 4 dias de evento temos 2 dias com mapas do melhor que há em Portugal, com inúmeros detalhes rochosos e de vegetação; temos uma área para o WRE em Distância Longa onde a qualidade assenta nos pormenores de relevo e que nos parece adequado para uma competição à escala 1:15000 e um dia totalmente diferente para descansar a cabeça de tanta pedra e permitir uma corrida mais fácil no pinhal da Mata Nacional do Cabeção. Nos 3 primeiros dias teremos sempre uma actividade complementar, com uma etapa nocturna urbana, um jantar regional com animação cultural e aquele que esperamos vir a ser um dos pontos altos do evento, o "OriShow" que iremos organizar no Campo de Futebol do Cabeção. Estamos com alguma expectativa em relação ao número de participantes estrangeiros que irão estar presentes no evento depois de um Mundial de Veteranos realizado há tão poucos meses, mas estamos optimistas, pois sabemos que há várias unidades hoteleiras num raio de 50 kms de Mora já completamente esgotadas. Fica também o alerta para os portugueses que optam por não ficar no solo duro, para não deixarem as suas reservas de alojamento para as últimas semanas.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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PATRICIA CASALINHO E CELSO MOITEIRO VENCEM TROFÉU DO CPOC


Teve lugar este fim-de-semana o XVI Troféu de Orientação do CPOC. Numa grande jornada de Orientação, os seniores Celso Moiteiro e Patrícia Casalinho ofereceram ao COC as vitórias mais desejadas. Colectivamente, a turma arraiolense da GafanhOri foi a última a sorrir.

No arranque do novo ranking nacional de clubes e a contar para Taça FPO Sul, teve lugar em Mora o XVI Troféu de Orientação do CPOC. Duas provas em dois dias – Distância Média e Distância Intermédia, respectivamente no sábado e no domingo - fizeram evoluir 144 atletas, aos quais se devem juntar cerca de uma centena nas provas abertas. Os escalões de formação assistiram ao domínio esmagador do GafanhOri, a Escola de Modalidade da Gafanhoeira (Arraiolos). Luís Tomé e Joana Palhinha (Infantis), João Cascalho e Inês Catalão (Iniciados), Rita Rodrigues (Juvenis), Jorge Coelho (Juniores) e Gregório Piteira (Jovens B) constituíram o sólido bloco de vencedores onde apenas se intrometeram o juvenil Pedro Silva (CP Telecom) e a júnior Mariana Moreira (CPOC).

Nos restantes escalões, o COC arrebatou quatro dos oito pódios em disputa, nomeadamente aqueles pertencentes às provas mais apetecidas do programa, as destinadas aos séniores. Em Veteranos I, Jorge Correia (ADFA) dominou os dois dias de provas e Cristina Marques (CDA Margem Sul), apesar de ter evoluído apenas no sábado, foi vencedora sem oposição. Mário Santos (COC) e José Oliveira (20 kms Almeirim) travaram intenso duelo pela vitória em Veteranos II, com o atleta da turma de Leiria a levar a melhor por escassa margem. Isabel Monteiro (COC) dominou a seu bel-prazer as duas provas e arrancou confortável vitória. Em Veteranos III a vitória coube a Manuel Santos (Clube EDP) enquanto José Pedro Morais (Individual) e Manuela Mariano (GafanhOri) triunfaram em Veteranos B.

Na prova principal feminina, Patrícia Casalinho (COC) soube mostrar-se em excelente forma e, contrariando o favoritismo de Raquel Costa (GafanhOri), venceu categoricamente ambas as etapas. Raquel Costa foi 2ª enquanto Catarina Ruivo (COC) fechou o pódio. Quem não deixou os seus créditos por mãos alheias foi Celso Moiteiro (COC), vencendo em seniores masculinos. A principal oposição surgiu da parte de Manuel Horta (GafanhOri), o mais jovem atleta em prova, arrancando aqui um inesperado segundo lugar, a prenunciar excelente desempenho dentro de três semanas no EYOC 2008 (Suiça). Gildo Silva (COC) foi 3º classificado.

Colectivamente, a turma da GafanhOri foi a grande vencedora com um total de 1962,7 pontos, contra os 1686, 2 pontos do COC e os 1680,9 pontos da ADFA. Classificaram-se 24 equipas.

Consulte os resultados completos aqui.

[foto de arquivo, NAOM 2008]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 20 de setembro de 2008

(DES)ORIENTAÇÃO


A ILHA

Falar de algum episódio mais marcante, que tenha acontecido nestes quase 13 anos de prática de Orientação é, para mim, semelhante à dificuldade que alguns de nós têm em referir “o” filme ou “o” livro da sua vida.

De facto, muitas “situações” podem acontecer na Orientação (como já alguém disse!). Umas podem ser tão hilariantes como o eram os treinos de “bobsled” em plena Jamaica, conforme vividos no filme “Jamaica abaixo de Zero” (inspirado na história verdadeira da primeira equipa olímpica jamaicana de 'bobsled'), ou tão angustiantes como o serão as sensações de um guarda redes ao tentar defender penalties, também levado à tela pelo realizador Wim Wenders, no filme “Angústia do Guarda-redes perante o Penalty”, baseado na novela de Peter Handke.

Para mim, que faço as provas a um ritmo lento e contornando o melhor que posso o que considero serem os “grandes obstáculos” (cercas no Alentejo, linhas de água com caudal considerável, subidas muito íngremes, etc…), ocorre-me um episódio passado numa prova, algures na zona centro, já lá vão muitos anos.


Indo eu nas calmas na direcção do que seria o meu próximo ponto, eis senão que surge, à minha frente, uma massa de água (vulgo lagoa/charco) e, qual não é o meu espanto, atrás da mesma lá se encontrava a baliza. Parei e pensei: será que aquilo é mesmo o ponto onde tenho de ir, ou será uma baliza a lembrar-nos que estamos no meio duma prova de Orientação? Não havia dúvida, o ponto era naquela direcção e naquele sítio! Mas… e como atravesso isto? Qual a profundidade? E o que irei encontrar (pisar), pelo caminho?

Tentei rodear, por várias vezes, o obstáculo, na esperança de conseguir alcançar o ponto por terra firme, mas… Todas as minhas tentativas saíram goradas! (Era isso mesmo, um ponto numa ilha!) Só me restava uma solução: esperar que aparecesse alguém, para ver como ia fazer. Entretanto, ia pensando, cá com os meus botões, quem teria sido o traçador de percursos que nos tinha pregado aquela partida (?!).

Finalmente, lá apareceu um atleta! Senti um alívio, mas, qual não é o meu espanto, o referido atleta, ao deparar-se com aquela visão, virou-se para mim, com um ar bastante indignado, e perguntou: “- Aquele é que é o ponto?”. “- Penso que sim!”, respondi. “- Então, vou desistir, não vou atravessar isto!” Que frustração a minha! Bem, pensei eu, vou esperar pelo próximo, pode ser que tenha mais sorte!

Ah! Finalmente, lá vem outro atleta! Era, então, um daqueles aventureiros que, para meu espanto, sem hesitar, se meteu por ali a correr, com a água por vezes chegando ao peito, ao que eu pensei: se ele vai, também vou! Se aquele ponto faz parte do meu percurso, tenho que lá ir. Fazer “mp”, só em último caso, ainda por cima, sendo isto um campeonato nacional! E não me apetecia que aquele fosse um último caso! Lá fui, o mais depressa que pude (o que era difícil, uma vez que a água não era propriamente transparente e havia muitas plantas a perturbarem o andamento) e só me senti aliviada depois de terminar a travessia do regresso. Uff!

Resta acrescentar que esse ponto foi, na altura, muito comentado e até bastante contestado, mas penso que, agora, a esta distância, quem passou por este episódio deve recordá-lo com um sorriso nos lábios, desculpando o traçador de percursos que, devido à sua juventude, quis brincar um bocadinho, contemplando-nos com esta originalidade…

Para terminar, não posso deixar de referir que este jovem, juntamente com um grupo de outros jovens, faz parte de um grande clube, que tem organizado, ao longo de todos estes anos, excelentes provas, sendo eles os principais responsáveis pela qualidade que as mesmas têm atingido.


ANA CARREIRA

Saudações orientistas.
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JOAQUIM MARGARIDO
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

VENHA CONHECER... SANDRA CONCEIÇÃO


Chamo-me… SANDRA Manuela Martins Gonçalves da CONCEIÇÃO
Nasci no dia… 18 de Setembro de 1974, em Vila Real
Vivo em… Vila Real
A minha profissão é… Assistente Administrativa
O meu clube… Orimarão
Pratico orientação desde… 2006

Na Orientação…

A Orientação é… um desporto de lazer, um desporto de natureza!
Para praticá-la basta… caminhar!
A dificuldade maior é… o próprio percurso!
A minha estreia foi em… Alenquer, numa prova citadina!
A maior alegria… praticar Orientação!
A tremenda desilusão… espero nunca vir a tê-la!
Um grande receio… ter que deixar de praticar Orientação!
O meu clube é… o meu clube!
Competir é… uma forma de estar na vida!
A minha maior ambição… andar cá só mesmo para me divertir!

… como na Vida!

Dizem que sou… bem orientada!
O meu grande defeito… não me encontro defeitos. Os outros é que os encontram!
A minha maior virtude… não sei!
Como vejo o mundo… com desilusão mas, acima de tudo, com alegria!
O grande problema social… a economia!
Um sonho… nunca deixar de sonhar!
Um pesadelo… deixar de sonhar!
Um livro… “O Segredo”!
Um filme… “Trainspotting”!
Na ilha deserta não dispensava… água!

Na próxima semana venha conhecer Fernanda Ferreira.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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