segunda-feira, 21 de julho de 2008

REFLEXÃO

1. Se há pessoas que eu estimo e admiro, o Luís Pereira é uma delas. Tal como eu, foi “enredado na teia” da Orientação como que por acaso e - tal como eu! - encontrou na escrita um meio de comunicação privilegiado para levar mais longe a modalidade que lhe é querida. É com uma enorme dívida de gratidão que guardo as suas crónicas num “pedestal” à parte e, entre as muitas pérolas que nos vem oferecendo, reservo-me o direito de recordar uma das primeiras:

“Numa manhã de domingo outonal, por sinal bastante solarenga, estava com a minha mulher a desfrutar duma esplanada, viradinha ao mar, com o ritual do “cimbalino” já concluído, a fazer a leitura obrigatória do “nosso” JN, quando ela me chama a atenção para um artigo da revista. Pois é, adivinharam. A prosa era nem mais nem menos, que a apologia à modalidade, que se propõe colocar a malta dos sete aos setenta e sete (até me fez lembrar o Tintin) a competir em pé de igualdade. O verdadeiro desporto de famílias. O único que consegue congregar avós, filhos e netos, todos na mesma competição. E ainda com a mais valia de se desenvolver ao ar livre, com todos os benefícios que daí podem advir. Uma modalidade que se pode praticar em grupo, com diferentes graus de dificuldade, se quer fazer competição séria pode fazer, se prefere dar uma bela duma caminhada, tem também essa possibilidade.”

2. Num registo substancialmente mais calmo, tenho tido a oportunidade de rever muito do que se tem dito e escrito sobre Orientação nestes últimos tempos. E redescobri, nas “pérolas” que o Manuel Dias nos trouxe sob a forma de Entrevista a alguns dos melhores orientistas mundiais presentes no WMOC, esta afirmação do Juhani Salmenkylä:

“O nosso problema é que há muito poucos jornalistas conceituados que conhecem o que é a Orientação e o que é realmente necessário para a sua prática - alguns deles estarão presentes no WMOC 2008. Precisamos de levar para a floresta os que têm menos conhecimentos, precisamos de os pôr a resolver os problemas da Orientação com os sapatos sujos (e encharcados). Ensinar - a eles e aos próprios orientistas - é a palavra-chave. A orientação é um desafio engraçado, deixem-nos ensiná-lo.”

3. Esteve em Portugal durante o WMOC e foi também pelo Manuel Dias que o conheci. Chama-se Stefano Galletti, é um conceituado jornalista e tem – naturalmente (!?) – um blogue. São dele as seguintes palavras.

“Considero a "blogosfera" uma mais-valia para a orientação, porque o uso que lhe damos é positivo. Não é apenas um sítio onde todos podemos relatar as nossas impressões, deixar mapas, informações gerais sobre a orientação, mas também um modo de aumentarmos o nosso auto-conhecimento e o que sabemos sobre o nosso desporto.”

4. Quando o Fernando Costa me lançou o desafio de escrever sobre Orientação, coloquei-me intimamente um enorme rol de reservas. A sua proposta tinha por base a possibilidade de, através duma escrita simples, duma escrita que fizesse apelo aos sentidos, fazer chegar a Orientação a um leque mais vasto de pessoas. Estávamos em finais de 2006. Do acreditar na bondade da proposta às “Crónicas do NAOM” foi apenas um pequenino passo. Que ganhou forma e se agigantou com tudo o resto que se seguiu, dos quais o aparecimento do blogue Orientovar é apenas mais um!

5. É com enorme satisfação que registo o apreço que tantas pessoas ligadas à Orientação nutrem pelo blogue. Este, porém, não passa duma simples “banca de ensaio”. Foi, de facto, a fórmula encontrada para ir ao encontro de orientistas nacionais e estrangeiros, para descobrir uma prova local ou um Campeonato do Mundo, para desenvolver uma entrevista com um ilustre desconhecido ou com a campeã nacional absoluta. É assim que o vejo e vou continuar a ver. Que o tenham elevado à categoria de “serviço público” honra-me e sensibiliza-me. Mas as grandes janelas chamam-se Revista de Atletismo, SportLife e todas as outras que estão aí à espera de serem abertas. Esta constitui apenas uma fonte de reflexão. Pessoal e transmissível, mas dentro de certos limites. Para que outros “luíses pereiras” possam ser despertos da modorra do”cimbalino” e se juntem a nós.

6. O Orientovar vai regressar no próximo dia 19 de Agosto. Virá com a mesma postura, feita de querer e humildade, de quem tem a consciência das suas limitações e do infinito atraso relativamente ao saber de experiência feito daqueles que viram nascer e crescer a Orientação no nosso País. Daqueles que, delicada e pacientemente, me têm dado a mão. Daqueles a quem tenho o dever de corresponder para, em conjunto, prosseguirmos uma tarefa feita de amor e dedicação. E que, de forma pungente, fizeram questão de demonstrar, publicamente ou em privado, o seu apreço para com o meu trabalho. A todos eles, bem hajam e… boas férias!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
o

sábado, 12 de julho de 2008

WOC 2008 (EPÍLOGO)

Do chefe da delegação portuguesa na República Checa recebi a seguinte mensagem:

Viva,
Deve o senhor penssar que é a escrever coisas dessas que vai "ajudar" ao desenvolvimento da Orientação.
Sensibilidade e bom censso nunca fizeram mal a ninguém.
Queria pedir-lhe mais um favor.
Não mencione o meu nome no seu blog, por favor.
Obrigado pela sua atenção.
Jacinto

No respeito pelos atletas e evitando ser acusado de elemento perturbador, o Orientovar retira-se do WOC. Esta é uma situação que me penaliza profundamente e que me leva a repensar a continuidade deste "blogue" e o meu trabalho em prol da modalidade. Para já, e com quinze dias de antecedência em relação ao previsto, o Orientovar vai de férias.

Voltará em Agosto... ou não!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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sexta-feira, 11 de julho de 2008

WOC 2008 (II)


WOC 2008: MONTRA DA ORIENTAÇÃO MUNDIAL
O
Mais do que uma parada de estrelas, o WOC 2008 constitui uma verdadeira montra da Orientação mundial. A luta pelos primeiros lugares nas várias disciplinas concitará as atenções gerais mas Olomouc e estes Mundiais serão muito mais do que isso, das Provas Abertas ao congresso da IOF, dos múltiplos programas culturais e turísticos aos Mundiais de Trail-Orienteering, WTOC 2008.

Situada no coração da região de Haná, a cidade de Olomouc começou a ganhar notoriedade no século X da nossa era, altura em que se tornou num importante entreposto comercial. O seu conjunto monumental é o segundo maior da República Checa, imediatamente após o da capital, Praga, e a sua universidade, fundada em 1573, é a segunda mais antiga do País. A Coluna da Santíssima Trindade, pilar barroco erigido em 1716 – 1754, constitui a prova da antiga e evidente religiosidade da cidade episcopal e a sua inscrição na Lista do Património Mundial da UNESCO contribuiu também para o melhor reconhecimento da cidade.
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Olomouc foi, no passado, a capital da Morávia e, desde 1063, tornou-se a sede episcopal. Hoje, a cidade tem uma população estimada em 102.000 habitantes, o que faz dela a quinta cidade mais populosa da República Checa. Os acontecimentos sociais e culturais marcam a agenda da cidade, na qual o Teatro da Morávia, os concertos da Moravian Philarmonic Orchestra, as exposições no Museu de História Natural e no Museu de Arte ou uma visita aos Jardins Zoológicos de Svatý Kopecek constituem pontos de paragem obrigatórios.

Um programa recheado

Apesar de ter arrancado ontem, só no próximo domingo a competição chegará ao WOC 2008. Da parte da manhã terão lugar as qualificatórias de Sprint, enquanto as finais serão disputadas à tarde, altura em que decorrerá igualmente a Cerimónia de Abertura. Provas modelo de Distância Longa ocuparão os atletas no dia seguinte para, na terça-feira 15 de Julho, serem disputadas as séries de qualificação de Distância Longa. No dia 16, novo interregno permitirá apurar mecanismos para a prova de Distância Média, ao mesmo tempo que terá lugar esse verdadeiro acontecimento social que é a corrida destinada aos membros da Federação Internacional de Orientação (IOF), Comunicação Social e convidados em geral.
O dia 17 será inteiramente dedicado à prova de Distância Média, com as séries de qualificação a terem lugar da parte da manhã e as finais a decorrerem à tarde, enquanto a sexta-feira dia 18 terá como ponto alto a realização do congresso da IOF. No sábado assistiremos à final da prova de Distância Longa enquanto o domingo será destinado à realização da Estafeta, Cerimónia de Encerramento e Banquete.


Simone Niggli-Luder: A grande ausente

Passando agora à análise das individualidades presentes, o mínimo que se pode dizer é que estão presentes todos os grandes orientistas da actualidade. Mas há excepções, a começar desde logo pelo sector feminino e pela (ainda) líder do “ranking” mundial, a suíça Simone Niggli-Luder. Ainda no sector feminino, a nº 10 do “ranking” e grande estrela da selecção australiana, Hanny Alston, é outra das ausentes, bem como uma das figuras de maior grandeza do combinado sueco, Lena Eliasson, nº 7 do mundo. Entre as vinte primeiras do “ranking”, ausências notadas são ainda as da dinamarquesa Anne Konring Olesen e da finlandesa Paula Haapakoski.

Os Campeonatos, porém, fazem-se com quem cá está. E aí, as finlandesas Heli Jukkola e Minna Kauppi, respectivamente nº 2 e nº 3 do Mundo, vão querer repetir as excelentes prestações do WOC 2007 e estarão aqui a defender o seu título mundial ex-aequo na prova de Distância Longa. À semelhança do que aconteceu na Lituânia, nos Europeus do passado mês de Maio, a grande oposição virá da norueguesa Anne Margrethe Hausken, que chega a Olomouc com essa dupla vitória no Sprint e na Longa. Mas há que contar com as também norueguesas Marianne Andersen e Ingunn Hultgreen Weltzien e das suecas Helena Jansson e Emma Engstrand. A russa Tatiana Riabkina, nº 6 do “ranking” e medalha de prata na Longa em Ventspils, será sempre uma séria candidata às medalhas. A suíça Lea Müller ou a dinamarquesa Signe Soes terão igualmente uma palavra a dizer. Quanto às checas, o factor casa pode ser importante e não é de todo despropositado pensar que Dana Brozková, Radka Brozková ou Eva Jureniková poderão igualmente entrar na luta pelas medalhas.

Thierry Gueorgiou, ainda e sempre

No que aos homens diz respeito, o seleccionado mais forte parece ser o da Suíça, que aqui apresenta os seus sete melhores atletas da actualidade. Vincando a posição de nº 2 do mundo, Matthias Merz estará na defesa do título mundial de Distância Longa e é o verdadeiro chefe de fila duma equipa homogénea e onde pontifica ainda o nº 4 do ranking, Daniel Hubmann. A forte oposição virá seguramente da constelação de bons valores que povoam os seleccionados nórdicos mas, sobretudo, do nº 3 do Mundo, o norueguês Anders Nordberg que vai querer finalmente mostrar-se num evento desta envergadura (duas medalhas de bronze – 2004 na Média e 2007 na Longa - é o melhor que conseguiu até hoje em Campeonatos do Mundo). A Rússia tem em Valentin Novikov e em Andrey Khramov dois fortíssimos candidatos aos lugares do pódio. Vale a pena recordar que Khramov já foi o nº 3 do Mundo e, no WOC 2005 em Aichi (Japão), deu à Rússia a sua primeira medalha de ouro na competição. Nesta luta poderemos ver ainda o letão Sirmais Martins, o britânico Jamie Stevenson, o italiano Mikhail Mamleev ou o checo Michal Smola.

Com 19 atletas do “top 20” em competição – a única ausência de vulto é precisamente o norueguês Holger Hott – adivinha-se um Campeonato mais vivo e aceso que nunca. Propositadamente deixamos para o fim Thierry Gueorgiou, líder do “ranking” mundial, 5 vezes Campeão do Mundo, 3 vezes Campeão da Europa e com 16 vitórias em provas da Taça do Mundo. “Tero” vai querer mostrar que ainda está aqui “para as curvas”, defenderá com unhas e dentes os seus títulos de Sprint e de Distância Média conquistados no ano transacto e será sempre o maior candidato ao lugar mais alto do pódio.

… E todos os outros

Quanto às restantes selecções, poderemos afirmar que na sua esmagadora maioria são constituídas por atletas que vêm para competir, naturalmente, mas vêm sobretudo para adquirir experiência, contactar com outras realidades, em suma, para aprender. Doze das selecções presentes não apresentam qualquer atleta entre os 100 melhores do mundo, Portugal incluído (Joaquim Sousa no 187º lugar e Raquel Costa no 188º são os nossos atletas melhor escalonados) e daqui não se podem esperar milagres. Mas há sempre a esperança num brilharete da francesa Céline Dodin ou do belga Fabien Pasquasy, da ucraniana Mariya Spasyuk ou do eslovaco Marián Dávidik, da canadiana Sandy Hott ou do romeno, que em Portugal representa o Grupo Desportivo 4 Caminhos, Ionut Zinca.

WTOC 2008: O espectáculo dentro do espectáculo

Paralelamente à grande competição, terão lugar entre 12 e 16 de Julho os Campeonatos do Mundo de Trail-Orienteering WTOC 2008. Destinado a atletas portadores de deficiência física ou mental, o WTOC 2008 promete ser um dos momentos altos da grande cimeira desportiva de Olomouc, funcionando como um garante de que o desporto para todos não é uma ideia vã na Orientação.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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VENHA CONHECER... DIANA MAGALHÃES


Chamo-me… DIANA Marli Oliveira MAGALHÃES
Nasci no dia… 26 de Setembro de 1986, no Porto
Vivo em… Santo Tirso
A minha profissão é… Estudante
O meu clube… TST – Trampolins de Santo Tirso
Pratico orientação desde… 2007

Na Orientação…

A Orientação é… viver!
Para praticá-la basta… saber conviver!
A dificuldade maior é… orientar-me!
A minha estreia foi… em Leça, na Quinta da Conceição!
A maior alegria… o terceiro lugar no Nacional de Distância Longa, em Estremoz!
A tremenda desilusão… quando fiz o meu primeiro “mp”!
Um grande receio… não ter capacidade física para continuar a fazer Orientação!
O meu clube é… honrar a camisola!
Competir é… para mim não existe competição!
A minha maior ambição é… ficar nos primeiros, sempre!

… como na Vida!

Dizem que sou… simpática!
O meu grande defeito é… querer aprender tudo muito depressa!
A minha maior virtude é… ser calma!
Como vejo o mundo… da forma mais positiva possível!
O grande problema social… a disputa!
Um sonho… alcançar todos os meus objectivos!
Um pesadelo… não conseguir realizar nenhum desses objectivos!
Um livro… “Anjos e Demónios”!
Um filme… “Tropa de Elite”!
Na ilha deserta não dispensava… um telemóvel!


Na próxima semana venha conhecer Alexandra Coelho.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quinta-feira, 10 de julho de 2008

WOC 2008 (I)


A FESTA VAI COMEÇAR

Está aí o Campeonato do Mundo de Orientação WOC 2008. Olomouc, na República Checa, recebe ao longo dos próximos onze dias a nata da Orientação mundial. O Orientovar irá procurar acompanhar as incidências dos Campeonatos, dirigindo a sua particular atenção para o desempenho dos atletas portugueses.

335 atletas, 40 países, 4 continentes. São estes os números oficiais referentes ao WOC 2008. Para além de 30 federações europeias de Orientação, a lista estende-se à África do Sul, Austrália, Canadá, China, Estados Unidos, Formosa, Hong-Kong, Israel, Japão e Nova Zelândia.

Uma média de 200 atletas competirá em cada disciplina. Assim, na Distância Média estão inscritos 202 participantes, enquanto o Sprint contará com 201 atletas e a prova de Distância Longa será disputada por 192 concorrentes. A Estafeta, a disputar no último dia de provas, contará com a participação de 63 equipas de 3 elementos cada.

Os maiores contigentes, que de acordo com o Regulamento se deverá cingir a 7 atletas masculinos e a 7 femininos por Federação, chegarão da Suécia, da Suiça e da Ucrânia, isto para além da equipa da casa, naturalmente. O Japão trará 7 elementos masculinos, bem como a Finlândia, a Noruega, a Polónia e a Turquia.

A delegação portuguesa, chefiada por Jacinto Costa (Orimarão), conta com os seguintes atletas: Joaquim Sousa (COC), Celso Moiteiro (COC), Pedro Nogueira (ADFA), Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) e Maria Sá (GD4 Caminhos).

Para mais e melhor informar, o Orientovar irá contar com a análise técnica e detalhada de Tiago Aires, o grande ausente português nestes Campeonatos. Uma arreliadora lesão no Tendão de Aquiles deixou-o de fora dum lugar que tão briosamente soube por merecer ao longo da época. Mas estará aqui e será ele "os nossos olhos no terreno", numa parceria que tenho o grato prazer e orgulho de anunciar. Mais um motivo para ficar atento ao seu Orientovar.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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CRÓNICAS DO WMOC 2008 (EPÍLOGO)


ORIENTAÇÃO

Em nome dos nossos braços
em nome das nossas mãos
em nome de quantos passos
deram os nossos irmãos.
Em nome do grande obreiro
que ao trabalho diz “presente”
em nome do ser primeiro
disponível, competente.
Em nome daquele nome
que temos no coração
em nome do grande lume
dizemos: Orientação!

Em nome dos que vieram
a Portugal competir
em nome dos que souberam
conviver e divertir.
Em nome do ponto certo
da venerável idade
em nome do espaço aberto
do querer e da vontade.
Em nome daqueles nomes
que não sabem dizer não
dizemos que há outros nomes
que dizem: Orientação!

Em nome do que nós temos
em nome do que nós fomos
do banquete que fizemos
da sardinhada que somos.
Em nome de D. Dinis
há muitos séculos atrás
em nome deste País
das coisas boas e más.
Em nome desta floresta
plantada com devoção
soubemos fazer a festa
dizendo: Orientação!

Em nome de quantos rostos
o nosso WMOC foi feito
quanta alegria ou desgostos
bateram dentro do peito.
Em nome do voluntário
que deu voz à nossa voz
do trabalho solidário
o WMOC somos nós.

No meio da natureza
gente de mapa na mão
dá-nos a firme certeza
de gritar: Orientação!

Em nome do grande feito
das bandeiras desfraldadas
do ouro a luzir no peito
das cabeças coroadas.
Em nome destas arenas
palcos da fraternidade
coisas grande e pequenas
clamando cumplicidade.
Em nome da nossa frente
em nome desta paixão
diante de toda a gente
dizemos: Orientação!

Aqueles que convidámos
àqueles que não vieram
sabendo pelo que passámos
nem sabem o que perderam!
E por onde a gente passa
a mensagem passará,
cada rua, cada praça,
no coração ficará.
Passaremos adiante
com passo firme e seguro.
o passado é já bastante
vamos passar ao futuro.

[adaptação livre do poema “Não Passam Mais”, de José Carlos Ary dos Santos; foto gentilmente cedida por Albino Magalhães]

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quarta-feira, 9 de julho de 2008

CRÓNICAS DO WMOC 2008 (XXIV)


ENTREVISTA: JÉRÔME ATTINGER
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Jérôme Attinger é um dos participantes neste Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre. Mas ele é, igualmente, o Vice-Presidente do Comité Organizador do Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre que, de 31 de Julho a 07 de Agosto de 2010, terá lugar na belíssima região de Neuchâtel (Suiça). Principal responsável pela delegação suíça que se encontra no nosso País com o grande objectivo de promover o WMOC 2010, fomos ao seu encontro para tentar perceber o alcance desta importante presença. E colocámos, naturalmente, um par de questões às quais o nosso interlocutor respondeu com enorme disponibilidade e simpatia.

JOAQUIM MARGARIDO (J.M.) - Qual o grande objectivo da presença desta delegação suíça no WMOC 2008?

JÉRÔME ATTINGER (J.A.) - O nosso interesse reside, sobretudo, em perceber a complexidade duma organização deste género. Temos muita experiência em corridas com, digamos, 1000 a 1500 participantes, que se desenrolam ao longo dum dia, mas é verdade que uma competição com 4500 participantes é algo de completamente diferente. Aquilo que procuramos compreender é o espaço que necessitamos, o número de pessoas que precisaremos implicar, os procedimentos levados a cabo em cada local, os programas que são postos à disposição dos participantes, todos os detalhes que uma organização desta envergadura comporta.

J.M. – Que trabalho já está feito?

J.A. – Tenho passado os dias com a minha máquina fotográfica a registar tudo aquilo que considero importante, a redigir pequenos relatórios, a anotar pormenores que me parecem interessantes, coisas que acho que estão bem e que podem constituir valor acrescentado à nossa reflexão. E também algumas coisas que penso que poderemos fazer de forma diferente, provavelmente melhor, enfim… É interessante estar aqui a participar no evento mas é sobretudo importante recolher a mais vasta gama de informação possível.


J.M. – Sei que estão aqui não apenas a colher informação mas já a promover o WMOC 2010. Que resposta têm recebido da parte dos participantes?

J.A.
Tem sido fantástica. Temos connosco o Director do Turismo da Região de Neuchâtel que nos tem ajudado nesta promoção e sempre que há mapas afixados – mesmo não sendo de Orientação – vem gente de todo o lado ver o que se passa. As pessoas mostram-se realmente interessadas, muitas garantem-nos que irão estar na Suiça dentro de dois anos, há muitas que nos falam de já lá terem estado e procuram informação sobre a região, tentam situá-la no mapa em relação às cidades que conhecem, em relação a Lausanne, a Berna, a Zurique. E depois há aqueles que nos falam de ter corrido os “5 Dias da Suiça” em 1980 e tal, “lembro-me muito bem”, e tudo isso.

J.M. – Poderá adiantar-nos algo acerca da própria competição em 2010?

J.A.
No programa original tínhamos previsto a prova de Sprint – qualificatórias e finais - num único dia. Ora verificámos aqui que isto não iria ser possível e, à semelhança de Portugal, a prova será igualmente distribuída por dois dias sucessivos. A nossa ideia é, agora, fazer as séries de qualificação na bonita cidade de La-Chaux-de-Fonds e depois a final à beira-lago, em Neuchâtel. Esta terá lugar no dia 1 de Agosto, dia da Festa Nacional Suiça, com 50 mil pessoas a assitir, o fogo de artifício a partir das 22 horas, toda a cidade em festa. Pensamos que irá ser algo de verdadeiramente excepcional. Quanto às provas de Distância Longa, terão lugar em terrenos típicos da região do Jura. A primeira série de qualificação terá lugar em terrenos relativamente abertos, com muitos prados e uma magnífica vista que se estende pelo Jura e sobre a França. E depois a segunda série de qualificação e as finais já em terrenos de floresta, mais fechados, com muitos detalhes de relevo, um solo rochoso e que torna a progressão muito mais dura, mas terrenos que são reconhecidos pela sua enorme qualidade técnica.

J.M. – Quer deixar uma última mensagem?

J.A.
Bem-vindos à Suiça. Ficaremos muito contentes em acolher todos aqueles que nos quiserem honrar com a sua presença. Deixo entretanto o convite a que visitem a página oficial do evento [aqui] e ficamos desde já à vossa disposição para toda e qualquer questão que queiram colocar, através do contacto disponibilizado no “site”.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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CRÓNICAS DO WMOC 2008 (XXIII)


BASTIDORES: A VIAGEM FINAL

O WMOC 2008 terminou e estas crónicas já vão longas. Hoje passamos uma última vez pelos bastidores, ao encontro daqueles que, com o seu esforço e abnegação, foram os verdadeiros heróis deste portentoso evento: Os voluntários.

Mariett Matias é um dos rostos mais visíveis do WMOC 2008 e elo de ligação entre a Organização e a Comunicação Social. A esse respeito, começou por afirmar: “Um meio privilegiado de contacto com a Comunicação Social é o ‘site’ oficial do evento e julgo que, globalmente, o trabalho desenvolvido é muito positivo. Uma agradável surpresa foi a oportunidade de colocarmos os resultados ao vivo e em directo, à medida que iam chegando. Outro aspecto que funcionou muito bem foi a colocação de fotografias que já receberam mais de 100.000 visualizações.”

Quanto aos aspectos menos conseguidos, Mariett não se furta à auto-crítica: “Somos todos voluntários e o dia, em vez de 26 horas, só tem 24. Sabemos que a página oficial da prova tem pontos fracos que procuramos incrementar e corrigir. Em termos de conteúdos informativos, o que existe está longe de ser o ideal mas faltou-nos alguém que soubesse escrever e pudesse estar dedicado apenas àquilo. Eu tenho 20 tarefas e não posso fazer mais do que aquilo que já faço… Talvez tenha sido essencialmente aí que falhámos. Em todo o caso o balanço é muito positivo, não apenas em relação ao ‘site’ mas a todo o evento.”

“A nossa capacidade chegou a ser posta em causa”

Eduardo Fonseca (Orimarão) é um dos responsáveis pela Informática, uma área de vital importância nesta pesada máquina organizativa. É ele quem nos guia através dos meandros do sector: “Somos cerca de 20 voluntários e temos a responsabilidade de gerir as estações de controlo, receber os atletas e recolher os seus tempos de prova e imprimir os resultados. Desta vez tivemos uma função acrescida e pouco habitual em provas em Portugal, que consistiu em fazer chegar aos ‘speakers’ informação dos tempos de passagem em pontos estratégicos no terreno que lhes permitisse rapidamente transmitir resultados intermédios, acompanhar a evolução da prova e criar um ambiente de maior espectacularidade.”

Falando dos meios à disposição, Eduardo é peremptório: “Em termos informáticos nunca estivemos a este nível. A nossa Federação adquiriu 14 portáteis e impressoras; é material que fica para a Federação e para os clubes, o que significa um avanço futuro da capacidade de trabalhar a modalidade.” Mas nem tudo são rosas: “Tivemos aqui algumas situações complicadas de gerir. Há uma equipa responsável pela gestão de crises, com a finalidade exclusiva de receber os atletas desqualificados, tentar perceber até que ponto a responsabilidade é do atleta e convencê-lo disso. Ou então, caso a responsabilidade seja da Organização, fazer chegar a situação ao juiz da prova para que se proceda às devidas correcções. Mas felizmente correu tudo bastante bem.”

A terminar, fala-nos daquilo que, na sua óptica, irá ficar para o futuro: “Desde logo uma magnífica experiência e a possibilidade de demonstrarmos a nossa capacidade de fazer bem. É o contactar com uma realidade que não é a nossa e – posso dizê-lo agora – a nossa capacidade chegou a ser posta em causa pelo supervisor da prova, antes de ser iniciar o evento, com a sugestão de ser preferível socorrermo-nos de ajuda externa. Ora, isso foi completamente ultrapassado. Inclusive, fomos entretanto convidados a dar a nossa opinião à organização do WMOC 2010, para que este modelo possa vir a ser seguido na Suiça.”

“Ia-me tirando do sério!”

A si mesmo designam-se, carinhosamente, por "arrumadores". São apenas oito e constituem a equipa responsável pelos Estacionamentos. João Vitor Alves (GD4 Caminhos) fala-nos duma missão cumprida com rigor, determinação e uma elevada dose de paciência: “Inicialmente éramos 16 voluntários na área dos Estacionamentos mas houve a necessidade de deslocar elementos para outras áreas e acabámos por ficar só oito. Claro que não foi fácil gerir um tão grande afluxo de trânsito mas, sobretudo neste último dia, as coisas complicaram-se. Parecia que estavam aqui o dobro das viaturas em relação aos dias anteriores.”

Mas tudo está bem quando acaba bem: “A coordenação antecipada com a GNR e o bom trabalho de supervisão do Virgílio Pinto fez com que as situações se resolvessem a contento de todos. As populações locais e os moradores compreenderam sempre a nossa tarefa e foram extremamente colaborantes. As maiores dificuldades acabaram por surgir da parte de alguns participantes, sobretudo daqueles que tinham mais dificuldade em perceber aquilo que pretendíamos transmitir, devido à barreira da língua. O caso do condutor dum autocarro russo na Praia da Vieira, então… Ia-me tirando do sério!”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 8 de julho de 2008

JWOC 2008: A VEZ DOS MAIS NOVOS (XI)



FALA QUEM SABE

Ponto final no JWOC 2008. Terminada a mais importante competição da Orientação júnior mundial, impõe-se um balanço da participação portuguesa por terras da Suécia. E para o fazer, nada melhor do que alguém que viveu por dentro o evento, o sentiu intensamente e que aqui traz, de viva voz, o seu testemunho: Tiago Romão.

A “jogar em casa”, as formações nórdicas foram as grandes triunfadoras destes Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre. Contudo, para os atletas de países mais periféricos, nomeadamente os portugueses, esta foi uma excelente oportunidade para se contactar com outra realidade e com a Orientação noutros patamares muito superiores ao nosso. Tiago Romão começou por explicar alguns detalhes que marcam a diferença: “Praticamente todas as selecções tiveram estágios na Suécia antes da prova, em mapas semelhantes aos da competição. Atletas de países como a Bélgica, a Alemanha ou a Áustria passaram aqui cerca de um mês, isto já para não falar das selecções mais poderosas como a Noruega, a Finlândia, a Dinamarca, a Suíça ou a Estónia, que tiveram largos meses de preparação para este Mundial. Posso adiantar que várias pessoas de outras selecções me garantiram ter já estágios marcados para Itália, onde decorrerá o JWOC 2009. Evidentemente que estes factos fazem toda a diferença.”

Que apoios?

Quanto à realidade vivida pelos nossos orientistas, o atleta do COC e Campeão Nacional Absoluto 2008 sublinha: “Chegámos no dia anterior ao da competição e, excepto eu, nenhum dos meus companheiros tinha estado num mapa sueco. E eu próprio me confrontei com uma zona muito diferente daquela em que eu tinha andado. Acresce que a Selecção Portuguesa não teve um único estágio durante toda a época, nem sequer em Portugal, enquanto grande parte das selecções têm um grupo de atletas que costumam fazer estágios e participar em competições internacionais.” Em tom particularmente critico, Tiago Romão formula uma questão: “Que apoio temos por parte da nossa Federação? A resposta é ‘zero’. E depois fala-se em expectativas… Gostava de saber se alguém faz omeletas sem ovos. É que sem apostar nos atletas, tudo se torna mais complicado.”

“Todo o grupo está de parabéns”

Reportando-se ao seu desempenho, Tiago Romão faz uma análise pessoal muito positiva: “Foi uma excelente experiência participar neste meu primeiro Campeonato do Mundo de Juniores e estar frente-a-frente com os melhores atletas da Orientação mundial neste escalão. Foi igualmente muito bom competir numa atmosfera tão competitiva e de qualidade tão elevada, sem qualquer semelhança com outros campeonatos internacionais em que participei. Todo o grupo está de parabéns pela sua prestação e pela forma como enfrentou um dos terrenos mais desafiantes para a Orientação.”

“Viva a nós…”

E porque da verdade vive este blogue, valha a verdade que Tiago Romão também se mostrou severamente crítico em relação ao trabalho aqui desenvolvido: “Gostava de dizer que fiquei francamente desiludido com as observações depreciativas para com os atletas que tentaram da melhor forma representar o país. Palavras como 'esteve francamente mal' e 'uma prova desastrosa' são um pouco fortes para aquilo que se passou no JWOC. Em relação às provas, foram de uma enorme exigência física e técnica. Em Portugal não temos nenhuma competição que tenha tão elevada exigência. Seria importante que se tivessem em conta estas questões, pois nós não fomos para lá passear nem brincar. Fomos tentar fazer o nosso melhor e é muito desmotivante quando, depois de termos andado minutos a fio no mapa a dar o nosso melhor, a correr e a gastar todas as energias, somos recompensados com um ‘esteve francamente mal’. Viva a nós…”

[Fotos publicadas mediante autorização de Karl Tiselius]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO



P.S. – Ao longo de onze crónicas acompanhei os nossos atletas e as incidências do evento. O interesse do trabalho, no seu todo, caberá a cada um julgar por si. Devo, contudo, penitenciar-me e lamentar não ter escolhido para ilustrar duas frases da Crónica IX, um eufemismo do género “esteve menos bem” ou “acusou o cansaço”. Será caso para dizer que no melhor pano cai a nódoa...

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CRÓNICAS DO WMOC 2008 (XXII)


AINDA OS BASTIDORES...

Prolongando o WMOC 2008, esta crónica regressa ao encontro dos verdadeiros obreiros duma experiência memorável para a Orientação portuguesa. A eles se deve o enorme sucesso do evento e, por eles e para eles, aqui fica mais um relato da deambulação do Orientovar pelos bastidores.

Área vital em qualquer Organização, a Assistência Médica não podia deixar de estar presente com pessoal e equipamento adequados à sua função específica. Maria Sá (GD4 Caminhos) é uma das melhores orientistas nacionais e encontra-se aqui a colaborar com este sector. Ao Orientovar falou da sua actividade: “As minhas funções consistem, essencialmente, em encaminhar para o sector mais adequado todos aqueles que necessitam de cuidados de saúde. Temos um médico e uma equipa de socorristas e eu coordeno, se assim se pode dizer, a triagem dos doentes.” Apesar de se tratar duma população com elevada percentagem de idosos e que requerem cuidados especiais, tudo ter corrido bem até ao momento: “Escoriações, entorses e dores musculares inespecíficas são as lesões mais prevalentes. Tivemos um ou outro caso de hipoglicemia e de hipotensão, mas nada de complicado e que resolvemos no local. Até ao momento tivemos apenas duas situações – rotura do Tendão de Aquiles e reacção alérgica a picada de mosquito - em que foi preciso evacuar os doentes para o Hospital de Leiria.”

Relativamente às condições de trabalho, Maria Sá mostra-se algo crítica: “As condições que temos aqui são, a meu ver, manifestamente inadequadas e insuficientes. Basta dizer que no Event Centre, por exemplo, não existe uma mala de primeiros socorros e o gelo que temos disponível, e que é essencial no tratamento destes tipos de lesões, é sempre escasso.” Mas a experiência não deixa de ser positiva e abre as portas a um projecto deveras interessante e particularmente ambicioso: “Em conjunto com a Ângela Pedro, estamos a recolher dados relativamente aos atletas que recorrem aos nossos serviços, desde o tipo de atletas, à prevalência de lesões e ao tratamento efectuado. Entretanto começámos já a trabalhar esses mesmos dados e pretendemos compilá-los num artigo que dê a conhecer o tipo de lesões que mais afecta o orientista e quais os tratamentos indicados em cada caso. Isto poderá vir a ser muito útil para organizações futuras, de forma a estarem melhor preparadas e apetrechadas para lidar com as situações.”

“Bonjour, vamos lá, OK…”


Pinto André é uma das figuras carismáticas do novel clube dos Trampolins de Santo Tirso e integra a equipa de 24 elementos que está encarregue das Chegadas. É ele quem nos conta um pouco do que ali se vai passando: “Somos responsáveis pela montagem da Arena, pelo funil de chegada, pela localização do ‘200’ e do ‘finish’ e vedações respectivas e pela zona de afixação de resultados. Também damos apoio no caso de haver um atleta que chegue em mau estado, ajudando a encaminhá-lo para a Assistência Médica.”

Da sua experiência ao longo destes dias, Pinto André retira um balanço francamente positivo: “Espectacular a todos os níveis. Aqui fica demonstrado, uma vez mais, que esta é uma modalidade para todas as idades. O avô mais idoso passa a ser o atleta mais jovem cá do sítio. E depois é a camaradagem que isto motiva, quer entre todos os participantes, quer entre os elementos da Organização.” E não é difícil exteriorizar esse entusiasmo e transmiti-lo aos concorrentes: “Vinha um atleta super cansado e desmoralizado e nós demos-lhe aqui um ânimo… - ‘bonjour’, vamos lá, ‘OK’… -, o indivíduo lá recuperou, demos-lhe uma garrafinha de água e ele já chegou bem. Creio!…”

Vozes do WMOC

Paulo Franco (AA Mafra) é uma das vozes deste WMOC 2008, ele que está adstrito à área da locução. Ao Orientovar, explicou um pouco a que se deve a sua presença aqui: “Disponibilizei-me desde a primeira hora para colaborar com a Organização. Na altura de distribuir tarefas, as pessoas reconheceram em mim algum jeito para a locução e é verdade que este é um trabalho com o qual me identifico. Estou a gostar imenso e estamos todos a sair-nos muito bem. Apesar do cansaço acumulado, estamos muito motivados e temos conseguido motivar-nos mutuamente para que estes Campeonatos sejam realmente um enorme sucesso.”

Quanto à locução propriamente dita, Paulo Franco revela quais as suas principais preocupações: “Tentamos realçar a vertente competitiva, uma vez que é da competição e do espectáculo que vive este tipo de eventos. Procuramos dar uma panorâmica da forma como estão a decorrer as provas, fornecemos tempos de passagem e estabelecemos comparações entre os tempos dos concorrentes. O próprio escalonamento dos atletas, com os melhores a saírem no fim, permite que os tempos venham sendo gradualmente batidos e isso cria uma maior espectacularidade.” E, para terminar, uma nota caricata: “No banquete tive uma intervenção muito curta mas muito embaraçosa. Tínhamos que anunciar o discurso do Presidente da Câmara de Alcobaça e fui chamado ‘à pressão’ para o apresentar. Só que ninguém me tinha prevenido e eu não fazia ideia de quem se tratava. Fiquei ali com a tradução do discurso dele na mão, sem saber o que dizer… Foi realmente embaraçoso.”

Saudações atléticas.

JOAQUIM MARGARIDO

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CRÓNICAS DO WMOC 2008 (XXI)


ENTREVISTA: ORIENTAÇÃO NO BRASIL
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O WMOC 2008 fez-se de momentos altos. Um deles terá sido, seguramente, o que juntou alguns elementos preponderantes da comitiva brasileira, permitindo conhecer um pouco mais da realidade da Orientação no Brasil. Deste encontro, promovido pelo Orientovar, aqui damos conta numa reportagem alargada.

Haroldo Bezerra Cavalcante foi o nosso primeiro interlocutor. Oriundo de Pernambuco, uma região com a qual Portugal tem particular afinidade através das cidades de Recife e Olinda, encontra-se em Portugal para competir mas, principalmente, para adquirir experiência e conhecimentos. Presidente da FEOPE - Federação Pernambucana de Orientação, entidade criada em 9 de Fevereiro de 2007 e que dá os primeiros passos na modalidade, Haroldo Cavalcante fala-nos duma realidade deveras interessante: “Foi nesta região, mais concretamente em Montes Guararapes, que nasceu o exército nacional. Pela primeira vez, diferentes raças se juntaram aos portugueses para combater o invasor holandês.” Reportando-se à estrutura a que preside, adianta: “A FEOPE congrega cinco clubes – Sargento Wolff, Bravo, Coguara, Vale do São Francisco e Sem Rumo –, articula com a Federação de Paraíba, um pouco mais a Norte e, em conjunto, as nossas provas têm uma média de participações a rondar as duas centenas e meia de atletas. A nossa Orientação depende muito dos militares, primeiro com o José Williams Júnior e agora também com Sérgio Fioravante. São eles que têm conduzido a grande força da Orientação pernambucana.”

A FEOPE definiu para este ano uma estratégia tendente a aproximar-se das populações: “Seguindo as indicações de José Otavio Dornelles, o Presidente da Confederação Brasileira de Orientação, promovemos eventos em Itapissuma, em Petrolina, em Bonança, em Bezerros, em Garanhuns… Enfim, estamos tentando levar a Orientação a todo o Estado e, em particular, às Escolas.” Quanto à sua presença em Portugal, revela: “Vimos sobretudo para aprender. O Clube BRAVO, ao qual pertenço, vai organizar uma das etapas de Pernambuco no próximo dia 27 de Setembro e eu estou aqui a observar com atenção todos os detalhes organizativos e a recolher ideias. Está tudo muito bem definido e organizado e o nosso grupo tem recebido todo o apoio possível. Uma das coisas que me surpreendeu, e às quais julgo que é de tirar o chapéu, é a força dos voluntários, a sua quantidade, a sua dedicação, a sua força, empenho, simpatia e boa vontade. Isto tem feito toda a diferença e o povo português está a dar uma grande lição ao mundo.”

A paixão pela Orientação

S. João del Rei, na região sudeste do Brasil, é outra das cidades onde a Orientação começa a ter uma implantação muito forte. Vamos ao encontro de Ana Cintra, formada em Psicologia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras e especialista em desenvolvimento humano e seus distúrbios, que nos surpreende com um discurso apaixonante e apaixonado sobre este verdadeira descoberta que foi, para si, a Orientação: “Atraiu-me a modalidade no seu conjunto, reunindo a questão física, emocional e mental. Vi na Orientação possibilidades que nunca vi em nenhum outro desporto. É uma modalidade que trabalha questões importantes para o próprio quotidiano das pessoas. A partir do momento em que se começa a praticar e a entender a modalidade, ela ajuda-nos a sermos mais organizados, mais orientados, economizamos tempo e sobretudo esta questão que é comum a todos os praticantes, a estabilidade emocional, a felicidade, a alegria. Isto é algo que eu, como investigadora, desejo pesquisar, preciso de compreender.”

Dito assim, a simpática atleta brasileira já nos convenceu das virtudes que a Orientação encerra. Mas… como é que se convencem as pessoas, dum modo geral, a aderir? “Estamos a tentar introduzir a modalidade nas escolas. Temos de começar com as crianças, criar uma nova geração, uma nova cultura. Queremos que as crianças cheguem à Escola e já saibam o que é a Orientação. Queremos deixar marcado o que esta geração que estamos vendo aqui hoje fez pelo desporto!” Quanto à estadia em Portugal, Ana Cintra não esconde que “a nossa principal missão aqui é aprender. Acreditamos na Orientação não como um desporto qualquer, mas como desporto da família e um desporto que valoriza o meio ambiente, resgatando o cuidado das pessoas em preservar, em não agredir. Isso está aqui patente e esta Organização está de parabéns. Nunca tinha feito um Sprint urbano e foi novo para mim ver tantas pessoas – pessoas da minha idade - com esta energia, esta vitalidade, esta assertividade, pessoas estruturadas… Foi muito emocionante. Aprendi muito e tudo o que eu vi servirá também para me reorganizar, para me refazer. As coisas são simples e só precisamos de envolver, cada vez mais, um número maior de pessoas. Temos que aumentar o nosso grupo. Esse é o caminho.”


Lobo solitário caçador de prismas

Murilo Cabral é o decano dos orientistas brasileiros e, também ele, é oriundo da cidade de S. João Del-Rei. Mas afinal, quase aos 70 anos, o que é que um homem tem para aprender? Deixemos que seja o próprio a explicar: “As gerações vão passando, deixando rastos e nós vamos seguindo esses rastos e deixando outros rastos atrás da gente. Nunca a pessoa tem o conhecimento completo das coisas. A vida é um completo aprendizado e uma eterna caminhada. Caminhando e aprendendo, aprendendo e caminhando, assim vamos fazendo, como se de um percurso de Orientação se tratasse. Cada percurso é um percurso e cada ponto é um ponto. Cada vez que encontra um ponto você aprende; cada vez que vara um ponto, você aprende mais, embora fique chateado…”

Fala agora com especial emoção e carinho da sua cidade, no Estado de Minas Gerais e Capital Brasileira da Cultura 2007: “Esta é uma cidade que foi fundada pelos portugueses em 1700 e recebeu o nome em homenagem a D. João V, el-rei de Portugal. Os portugueses deixaram lá o ouro, nessas igrejas maravilhosas de talha barroca.” Referindo-se à sua experiência em Portugal, naquilo que leva de estadia, Cabral adianta: “Vou ser bem franco. Fiz ontem e hoje aquilo a que vocês chamam de Sprint urbano. E até já tive oportunidade de dizer isso mesmo ao Presidente da Federação Portuguesa de Orientação: Nunca vi prova melhor organizada do que esta! Nunca vi tanta gente num pequeno espaço cheio de labirintos, se orientando. Achei ma-ra-vi-lho-so! Lindo de mais! Os portugueses estão de parabéns porque montaram um verdadeiro espectáculo. Sou orientista. Fui ontem, sou hoje e serei amanhã. Se tiver 90 anos, 100 anos, estarei aqui, fazendo Orientação. A Orientação abriu na minha vida um espaço maravilhoso. A mim, lobo solitário caçador de prismas!”

“Tudo está perfeito”

Trabalha com a Orientação desde 1992, tendo contribuído para a inclusão da Orientação no currículo da Escola de Educação Física e Desporto da Universidade Federal do Rio De Janeiro. Chama-se José Maria e, ao Orientovar, explicou como tudo se passa: “Temos em torno de quarenta alunos por semestre o que significa que, todos os anos, entram no mercado de trabalho 80 pessoas que vão difundir a Orientação. Este é um desporto que desperta grande interesse e que tem muitos atractivos, desde o contacto com a natureza às próprias características do desporto, um desafio constante no sentido de encontrar o melhor caminho. Quem experimenta, raramente deixa de continuar.”

A distância entre as várias regiões do Brasil constitui um sério entrave: “Tivemos apenas 300 atletas em Porto Galinhas, numa etapa do Brasileiro, o que é pouca gente. Mais recentemente, tivemos outra etapa em Curitiba, com 600 atletas, o que ainda assim é pouco para a dimensão do País. Aqui tudo é diferente. O Brasil está 100 anos atrasado em relação à Suécia, à Noruega, à Finlândia, estará 30 anos atrasado em relação a Portugal e tudo aqui é diferente.” Assim sendo, José Maria vem em Portugal juntar o útil ao agradável, competindo, observando e aproveitando para ver a família, ele que é – afinal! – português, nascido em Castro Daire. Do que tem visto e ouvido, deixa as melhores impressões: “Os portugueses estão de parabéns! O nível organizativo é excepcional. Excelentes mapas, excelentes percursos… tudo está perfeito. E esta festa aqui está muito bonita. É característico dos portugueses fazer as festas debaixo das árvores e esta Sardinhada, em plena floresta, é linda, é maravilhosa.”

A grande ambição

Finalmente escutámos Paulo Calisto Becker, Presidente do COSM – Clube de Orientação de Santa Maria, o primeiro clube de Orientação do Brasil, e ex-Secretário da Confederação Brasileira de Orientação, onde se encontram filiados mais de 5200 atletas, pertencentes a 75 clubes de 10 Federações: “A Orientação no Brasil está crescendo muito. No próximo ano teremos a Copa dos Países Latinos e, em 2010, o Campeonato Sul-Americano. Mas, por agora, estarmos aqui é um motivo de orgulho maior pelo facto de nos encontrarmos num País que fala a nossa língua e por podermos ver de perto o que Portugal está fazendo em prol da Orientação mundial.”

Apesar de estar em Portugal a competir no WMOC 2008, Becker confessa não ser esse o seu objectivo maior: “Como organizador, representando a Confederação Brasileira de Orientação, pretendo colher aqui experiências no que esta Organização tem de melhor. E Portugal não fica nada a dever a nenhum outro País da Europa. Está realmente a ser uma formidável surpresa.” Falando naquilo que pode irmanar Portugal e o Brasil, no que à Orientação diz respeito, Becker é peremptório: “A articulação pode e deve funcionar. A distância entre os nossos países é grande mas, vistas bem as coisas, Portugal é o país europeu mais próximo do Brasil. Colher ensinamentos num país da Europa, sobretudo num país com o qual temos tantas afinidades, um país onde se fala a nossa língua, isto é perfeito.” E termina com uma confidência, ao jeito de quem levanta a pontinha do véu: “Recebi tantos estímulos de orientistas de todo o mundo no sentido de lançar a candidatura do Brasil à realização dum Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre que a primeira coisa que farei, assim que chegar ao Brasil, será a de lançar o desafio junto dos responsáveis da Confederação Brasileira de Orientação para que essa candidatura possa vir a ser uma realidade.”


Caso tenha curiosidade, clique aqui para saber um pouco mais da história da Orientação no Brasil.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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segunda-feira, 7 de julho de 2008

CRÓNICAS DO WMOC 2008 (XX)


A PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA
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Francamente positivo o balanço da participação portuguesa nestes Campeonatos do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2008. Às 11 presenças na final A de Sprint juntaram-se oito participações na final A de Distância Longa o que, no cômputo geral, representa a mais valiosa prestação portuguesa de sempre num certame desta natureza.

Começando pelos nossos atletas presentes na final A e por Joaquim Sousa (In Create), uma vez mais vimos goradas as expectativas de termos um atleta português entre os dez primeiros. Tal como já havia acontecido no Sprint, Joaquim Sousa voltou a estar menos bem na final de Distância Longa e, na “hora da verdade”, não confirmou os excelentes resultados das séries qualificatórias. Concluiu na 18ª posição com 1:31:46, precisamente um lugar abaixo do que tinha alcançado na final de Sprint. Pondo de parte qualquer dose de sentimentalismo, este resultado não deixa de ser excelente e representará, decerto, um bom estímulo para o atleta encarar com outro entusiasmo e determinação o próximo desafio, já a partir do próximo dia 10, com os Campeonatos do Mundo a decorrerem em Olomouc (República Checa).

Excelente prestação em W35 de Paula Nóbrega (Orimarão) a chegar-se ao “top 10”. Após o 22º lugar da 1ª série de qualificação e o 14º posto da 2ª série, a atleta superou as expectativas e concluiu na 11ª posição com 1:19:53. Com este resultado, Paula Nóbrega acaba por conseguir o melhor resultado global entre os nossos representantes, um resultado de grande nível, um resultado seguramente merecido e que reflecte a enorme qualidade duma atleta de excepção.

Anabela Vieito perto do 'top 20'

Anabela Vieito (COC) foi quem esteve mais próximo de entrar no top 20 e de se juntar aos atletas anteriormente referidos. O 24º lugar no escalão W40 poderá ter sabido a pouco a quem confessa ter uma particular predilecção por este tipo de terrenos e que tão bem tinha estado nas séries qualificatórias (12ª na 1ª série e 10ª na 2ª série, o que a colocou em 9º lugar na “pole position” para a Final). Continuando ainda nas senhoras e saltando um escalão, Maria Palmira (COC) foi “repescada” à última da hora e entrou na final A sem grandes expectativas. Os condicionalismos de ordem física já a tinham impedido de fazer melhor nas séries de qualificação e. na final, acabou por fazer a prova possível, concluindo na 61ª posição com 1:24:01.

No que aos restantes atletas diz respeito, o mais que se pode dizer é que estiveram ao seu nível e os desempenhos não desmereceram. Na final de M40, João Pedro Valente (CPOC) foi 61º classificado com 1:36:22. Um pouco melhor esteve João Casal (Ori-Estarreja), que concluiu na 53ª posição com 1:32:06. Finalmente, no escalão M45, José Fernandes (.COM) foi o nosso melhor representante, superando uma fase de qualificação menos bem conseguida e com uma presença na final “arrancada a ferros”, concluiu na 54ª posição com 1:24:06. Albano João (COC) acabou por manter sensivelmente o lugar que trazia das séries de qualificação, terminando em 60º lugar com 1:27:15.




Triunfo de Paulo Vieira na final B

Nas finais B, Paulo Vieira (CP Armada) deu a nota de sensação ao vencer o escalão M35 com 1:12:16. Luís Tenreiro esteve igualmente em excelente plano e foi 3º classificado com 1:17:36. Ligeiramente atrás destes dois atletas, Luís Bucha (CP EPAL) alcançou o 14º lugar com 1:32:53 enquanto Elder Guerreiro (SRSP Gafanhoeira) foi o 24º classificado com 1:50:11 e Paulo Fernandes (AA Lebres do Sado) se quedou pela 30ª posição com 1:59:47.

Em M40, João Martins (CLAC) terminou em 24º lugar com 1:18:08, enquanto António Pedrosa (COALA) e José Perleques (CPOC) foram 53º e 54º classificados, com 1:58:52 e 2:23:15, respectivamente. Melhor esteve Mário Santos (COC), 11º classificado no escalão M45 com 1:12:51. Mais para a cauda da tabela é possível encontrar António Aguiar (Ori-Estarreja), que ficou em 67º lugar com 1:36:51. No escalão M50, Vítor Rodrigues (CPOC) foi o nosso melhor representante em 48º lugar com 1:13:52, ao passo que Luís Sousa (Clube TAP) concluiu no 64º lugar com 1:21:29 e António Matias (CLAC) foi 72º classificado com 1:27:49.

Manuel Dias redime-se

Depois duma desconsoladora primeira série de qualificação e dum infrutífero “tudo por tudo” na segunda série, Manuel Dias (Individual) conseguiu fazer vincar o seu valor e foi 2º classificado no escalão de M55 com 57:36. Finalmente, no escalão M65, José Grada (Clube TAP), à semelhança do que acontecera dois dias antes em Pataias, voltou a não estar particularmente bem, classificando-se no 52º lugar com 1:16:06.

Relativamente às senhoras, Helena Sousa (Orimarão) deu finalmente “um arzinho da sua graça” e foi 9ª classificada no escalão W35, com o tempo de 1:11:02. Em W45, Helena Lopes (CIMO) também esteve melhor que nas séries qualificatórias e concluiu na 26ª posição com 1:10:49.

Os restantes portugueses

Quanto aos restantes portugueses, Carlos Coelho (CPOC) foi 5º classificado na final C de M45, com 1:04:29 enquanto no mesmo escalão José Pedrosa (COALA) quedou-se pelo 31º lugar com 2:14:55. Carlos Rabaça e Luís Pereira, ambos a título individual, e Manuel Martins (CAOS) foram os nossos representantes na final C do escalão M50. Rabaça foi 66º com 1:32:35 e Luís Pereira concluiu na posição imediata com mais um minuto preciso. Manuel Martins foi o 77º com 1:45:20. Em M55, José Raposo (COALA) foi 12º classificado com 1:03:13 enquanto Acácio Porta Nova (Individual), em mais um dia absolutamente não, quedou-se pelo 69º lugar com 1:35:57. Ana Carreira (Individual) foi a solitária representante portuguesa na final C do escalão W55 e, com 1:20:02, concluiu na 30ª posição.

Refira-se a concluir que, globalmente, as finais de Distância Longa contaram com a participação de 3187 atletas, sendo 1989 homens e 1198 senhoras.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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CRÓNICAS DO WMOC 2008 (XIX)


O QUE ELES DISSERAM...

Após o “cair do pano” sobre o WMOC 2008, o Orientovar prolonga a festa e continua a ir ao encontro dos grandes protagonistas: os atletas. Aqui ficam as últimas impressões de alguns homens e mulheres que fizeram história no evento.

No rescaldo da sua participação no WMOC 2008, Luís Tenreiro (COC) era um homem tranquilo: “Nestes Campeonatos, alternei um dia mau com um dia bom; e hoje foi um dia bom. Fui terceiro na final B e com um tempo razoável, atendendo às minhas limitações físicas, que ainda são algumas. O balanço é muito positivo, não apenas pela extraordinária convivência e camaradagem, mas também pela vertente competitiva que é, naturalmente, importante.” Na hora do adeus, Luís Tenreiro diz o que pensa do futuro da Orientação em Portugal ‘pós-WMOC’: “Estes Campeonatos irão permitir, sobretudo, melhorar a nossa auto-estima. Mostrámos que somos capazes e que sabemos fazer as coisas melhor do que os outros. Não tivemos público, não tivemos comunicação social, mas também já contava com isso. É um bocadinho frustrante mas, para quem conhece a ausência de hábitos desportivos na população portuguesa, isto não constitui novidade nenhuma. Infelizmente é mesmo assim.”

Paulo Fernandes (AA Lebres do Sado) era igualmente um homem satisfeito, apesar dos resultados se terem quedado um pouquinho abaixo das expectativas: “Foi uma experiência nova que espero poder repetir dentro de quatro anos, quando os Campeonatos se disputarem em Espanha, Até lá vou tentar evoluir… para melhor!” Quanto à vertente competitiva, refere sobretudo as dificuldades sentidas na prova de Distância Longa: “É necessária uma grande dose de resistência para aguentar dias sucessivos de provas com mais de 10 km cada. A parte física ressente-se e o cansaço faz com que se falhe também no aspecto técnico. É muito complicado e, naturalmente, prefiro as provas de Sprint.” Do evento retira, em termos futuros, “as enormes experiências, quer positivas, quer negativas e que permitirão aprender com isso. Espero que a próxima época possa decorrer dentro das condições normais, depois de tanto esforço em busca destes objectivos.”

Após uma semana de Orientação “ao mais alto nível”, também António Aguiar (Ori-Estarreja) faz um balanço positivo destes Campeonatos: “Foi muito enriquecedor e ultrapassei as minhas expectativas, conseguindo superar-me a mim próprio. Não sou muito rápido e o Sprint não correu tão bem. Gosto mais de mato e senti-me melhor na Distância Longa. E depois a Organização esteve cinco estrelas, espectacular.” No final destes dias, a Orientação portuguesa sai a ganhar: “Retira-se daqui o sentimento de que somos capazes de realizar grandes eventos e esta é uma experiência para procurar repetir no futuro.”

“Foi fantástico!” Estas as palavras de Paula Nóbrega (Orimarão) a abrir as suas impressões sobre um evento onde tão boa conta deu de si: “Isto superou todas as expectivas. O ambiente aqui foi fantástico, a Organização esteve muito boa e foi um prazer imenso poder estar presente num evento deste nível.” Quanto às suas prestações, humilde como sempre, Paula Nóbrega confessa: “Foi uma surpresa agradável poder chegar às duas finais A. Mas a questão da classificação nunca foi – nem é! – o mais importante.” A terminar, deixa-nos as suas expectativas quanto ao futuro da nossa Orientação: “Eu julgo que ficará muito destes Campeonatos. Para já fica a possibilidade que nos foi dada de mostrarmos a nossa capacidade organizativa em termos de grandes eventos. E espero que, a nível nacional, isto possa constituir um motor de crescimento e desenvolvimento da nossa Orientação.”


Finalmente ouvimos José Fernandes (.COM) que nos deu a conhecer a sua visão dos factos: “O balanço é positivo, principalmente se atendermos ao nível desta Organização. Este é o meu terceiro Mundial e, que me desculpem sobretudo os austríacos – que tiveram lá também um WMOC espectacular – nada se compara a este. Poderei estar a ser injusto mas é esta a minha apreciação.” Quanto aos aspectos competitivos, “temos ainda um caminhozinho a percorrer. Estou no meu último ano de H45 e, não fossem uns três erros que cometi, teria conseguido um resultado muitíssimo bom. Mesmo assim, fiquei à frente de excelentes atletas, atletas de nível mundial, e fico satisfeito.” E para o futuro? “Fica esta afirmação da Orientação portuguesa. Um evento desta envergadura não é fácil de organizar e estivemos bem até ao mais ínfimo pormenor.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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domingo, 6 de julho de 2008

JWOC 2008: A VEZ DOS MAIS NOVOS (X)


SUÉCIA ENCERRA COM CHAVE DE OURO

Tultered, a cerca de 20 km do centro de Gotemburgo, recebeu a prova que encerrou o Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2008. Num mapa com características idênticas às da prova de Distância Longa, a Suécia voltou a “dar cartas” e venceu em ambos os sectores.

Erik Liljekvist, Olle Böstrom e Johan Runesson deram à Suécia a vitória na Estafeta masculina que encerrou o Campeonato Mundial de Juniores de Orientação Pedestre que, ao longo dos últimos sete dias, decorreu em Gotemburgo, a segunda maior cidade da Suécia. O triunfo em 2:28:36 constituiu um fecho com chave de ouro e consagrou Johan Runesson como estrela de primeira grandeza no panorama da Orientação mundial, conquistando aqui a sua quarta medalha em quatro provas, três das quais com o brilho maior do ouro.

Porém, valha a verdade, Runesson não esteve nos seus melhores dias. Não fora a excelente prova dos seus colegas de equipa e a larga vantagem angariada nos dois primeiros percursos, talvez as coisas se pudessem ter complicado para a Suécia. No último percurso Runesson fez apenas o sexto melhor tempo entre todos os participantes, vendo aproximar-se perigosamente os seus mais directos opositores. A selecção da Rússia (Yury Kyrianov, Georgy Mavchun e Dmitry Masnyy), com 2:33:49, concluiu na 2ª posição, relegando a selecção norueguesa (Ulf Forseth Indgaard, Bjorn Danielsen Ekeberg e Erik Sagvolden) para o lugar mais baixo do pódio, a escassos 17 segundos dos russos.

A quarta posição foi ocupada pela selecção da Estónia (Lauri Tammemäe, Lauri Sild e Timo Sild) enquanto os finlandeses Leo Laakkonen, Aaro Asikanen, Olli-Markus Taivainen) acabaram por não ir além do 5º posto. Entre 55 equipas, Portugal acabou por não ir além do 33º lugar, com Tiago Romão (COC), David Sayanda e Jorge Fortunato (ambos do Ori-Estarreja) a gastarem 3:24:32, mais 55:56 que a turma vencedora. Tiago Romão fez o primeiro percurso em 1:09:28, entregando o testemunho a David Sayanda na 42ª posição. O jovem do Ori-Estarreja gastou 1:09:17 a cumprir o seu percurso e foi o 38º classificado enquanto Jorge Fortunato, a quam coube a responsabilidade de concluir a Estafeta portuguesa, fez 1:05:47 e foi o 35º classificado neste percurso.

Tal como havíamos avançado ontem, Diogo Miguel (Ori-Estarreja) ficou de fora da Estafeta portuguesa mas acabou por fazer equipa com dois outros atletas romenos e, no seu conjunto, esta turma mista classificou-se na 36ª posição. Diogo Miguel fez mesmo o melhor parcial dos três, sendo 39º classificado no último percurso com 1:11:22.

No sector feminino, a Suécia voltou a evidenciar toda a sua supremacia e triunfou com o tempo de 2:19:53. Mas não se tratou duma vitória fácil, apesar de Beata Falk ter colocado a Suécia na frente à primeira passagem de testemunho. Porém, Lina Strand esteve francamente mal no segundo percurso e ia deitando tudo a perder. À entrada para o percurso final, comandava a turma dinamarquesa, embora com escassos 20 segundos de vantagem sobre a turma sueca. Valeu no último percurso a extraordinária performance da “inevitável” Jenny Lönnkvist, estrela de primeira grandeza deste JWOC 2008, a virar o rumo dos acontecimentos e a garantir a vitória da turma da casa.

A turma dinamarquesa (Ida Bobach, Signe Klinting e Maja Alm) acabou por quedar-se na segunda posição a 1:20 das suecas enquanto na terceira posição, com 2:28:21, tivemos a surpresa da Noruega (Anette Baklid, Kine Allan Steiver e Mariann Ulvestad), não pelo facto da selecção em si mas por se tratar da 2ª equipa (a primeira equipa, na qual se incluíam Silje Ekroll Jahren e Siri Ulvestad, nomes que já fizeram história nestes Mundiais, baqueou e caiu para o 13º lugar). A segunda equipa da Suécia (Elsa Jansson, Karin Persson e Anna Forsberg) concluíram na 4ª posição com 2:31:09 e no 5º lugar ficou a turma finlandesa (Aino Leskinen, Marika Teini e Venla Niemi). A turma francesa teria uma palavra a dizer na luta pelo pódio, face às excelentes prestações – uma vez mais! – de Marine Leloup e Karine d’Harreville. Mas o segundo percurso de Gaelle Barlet deitou tudo a perder e as gaulesas viram-se relegadas para a 6ª posição com um registo de 2:37:09.

A última referência vai para Andreia Silva (COC), a solitária representante portuguesa nos Mundiais de Gotemburgo. Emparelhando com duas atletas húngaras, Andreia Silva voltou a não ter a sorte pelo seu lado, já que a sua equipa acabaria por ver frustrados os intentos duma classificação minimamente honrosa, uma vez que no último percurso a húngara Laura Fenyvesi foi desqualificada ( “missing point”?). Valha a verdade, contudo, a equipa não poderia aspirar a grande resultado já que, entre 42 selecções, Reká Toth entregou o testemunho a Andreia Silva na 31ª posição e a atleta portuguesa não conseguiu fazer melhor que o 37º tempo.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
O

CRÓNICAS DO WMOC 2008 (XVIII)


No encerramento do Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre (WMOC 2008), a floresta junto à Praia de Pedrógão recebeu as finais de Distância Longa. Numa manhã radiosa, a luta pelos lugares cimeiros foi uma constante. Suécia, Finlândia e Noruega voltaram a dominar as Finais da prova de Distância Longa, no que ao sector masculino diz respeito. Individualmente, destaque para o norueguês Sigurd Dæhli e para o sueco Peo Bengtsson, vencedores em toda a linha deste WMOC 2008.

O finlandês Petri Noponen (Delta) foi o grande dominador do escalão M35. Depois das vitórias das duas qualificatórias de Distância Longa, em Pataias, assistiu-se à confirmação na final, onde venceu confortavelmente com 1:11:04, juntando a medalha de ouro àquela já conquistada na prova de Sprint. Fridolf Eskilson (IK Hakarpspojk.), da Suécia, quedou-se a 3:58 de Noponen enquanto o letão Girts Linins (Riga) repetiu a presença no pódio e, depois da prata no Sprint, arrecadou o bronze com 1:15:08.

No escalão M40, também o mesmo atleta a repetir na Longa o ouro do Sprint. O sueco Allan Mogensen (OK Ravinen) não deu hipóteses à concorrência e venceu em 1:03:24. Armo Hiie (Kape), da Estónia, alcançou a segunda posição com 1:07:08, confirmando as excelentes prestações nas séries qualificatórias. Também o lituano Edgaras Voveris (Azuolas), à semelhança do que sucedera nas séries qualificatórias, voltou a estar ao seu melhor nível e foi o terceiro classificado com 1:08:20. Decepcionante, o “missing point” do finlandês Risto Haikonen (Suunta já Matka), ele que teria uma palavra importante a dizer na luta pelos lugares cimeiros, depois das vitórias nas duas qualificatórias de Pataias.

Relativamente ao escalão M45, de novo um finlandês no lugar mais alto do pódio. Reijo Bister (Raijo 88) venceu com o tempo de 59:42, à frente do britânico Jon Musgrave (MAROC), que fez 1:00:20 e do norueguês Jörgen Martensson (Modum o-Lag), que gastou 1:01:09. Aqui, a curiosidade do pódio ser, na íntegra, ocupado por atletas diferentes dos do pódio de Sprint.

Nova vitória para a Finlândia no escalão de M50. Ari Kattainen (Hyvinkaan Rasti) já tinha vencido ambas as séries qualificatórias e agora confirmou toda a sua supremacia na Final, triunfando em 53:46. Num excelente indício de "descentralização", os três lugares seguintes viriam a ser ocupados por lituanos, com Algirdas Salkauskas (OK Krantas), Antanas Pauzas (OK “Dainava”) e Karolis Mickevicius (Azuolas) a concluírem por esta ordem com os tempos de 55:39, 57:17 e 58:10, respectivamente.

Em M55 assistiu-se à grande proeza do norueguês Sigurd Dæhli (Løten O-Lag), vencendo as cinco provas de competição disputadas, entre séries de qualificação e finais. Na Longa, então, o triunfo foi esmagador, tendo concluido em 47:23, mais de cinco minutos e meio à frente dos 2º e 3º classificados, os também noruegueses Solli Jan (Askøy O-Lag) e Tom A. Karlsen (Fredrikstad SK), que gastaram 53:01 e 53:07, respectivamente. De referir que Tom A. Karlsen foi o único estreante no pódio uma vez que Solli Jan repetiu o segundo lugar da final de Sprint.


A Finlândia coloca pela quarta vez um atleta seu no lugar mais alto do pódio. Veikko Loukonen (PiKe) foi o autor da proeza no escalão M60, confirmando uma vitória e um 2º lugar nas séries de qualificação e vencendo em 52:34. O britânico Peter Gorvett (SYO) foi o 2º classificado com 55:17 e repetiu a medalha de prata alcançada no Sprint. No lugar imediato, com 56:36, classificou-se o francês Etienne Bousser (CS EIS Font.), confirmando as excelentes vitórias nas duas séries qualificatórias.

Não fora uma série de qualificação de Sprint menos conseguida em Leiria e veríamos o sueco Rune Radeström fazer o pleno neste WMOC 2008. Na final Longa do escalão M65 repetiu a medalha de ouro, impondo-se com o tempo de 49:29. O finlandês Juhani Mäkinen (Salre), que já tinha vencido as duas séries de qualificação, foi o 2º classificado com 51:07 enquanto o norueguês Roar Forbord (Malvik IL), com 53:31, quedou-se na 3ª posição.

Entramos agora no escalão M70 onde se verificou de novo um pódio completamente distinto daquele da prova de Sprint. O finlandês Veijo Tahvanainen (Kalevan Rasti) venceu em 46:25 e deixou o seu mais directo opositor, o sueco Sivert Axelsson (Kalmar OK) a distantes 3:57. Na terceira posição, outro sueco, Göran Karlsson (OK Bävern) que gastou 52:28.

No escalão M75, à semelhança do que acontecera com o norueguês Sigurd Dæhli em M55, de novo um atleta a fazer o pleno de vitórias. Tratou-se do sueco Peo Bengtsson (Pan-Kristianstad), por muitos considerado “o pai da Orientação portuguesa”, já que foi o próprio quem, há uma trintena de anos atrás, deu no nosso País as primeiras acções de formação e ajudou a cartografar os primeiros mapas, lançando definitivamente a Orientação em Portugal. Peo Bengtsson concluiu a sua prova em 47:18, relegando o seu compatriota Allan Haglund (Gävle OK) para a segunda posição com 51:32, ele que já tinha conquistado igualmente a medalha de prata na prova de Sprint. Depois de Haglund um fosso tremendo, com o finlandês Paavo Pistinen (RaKaS) a ser terceiro, a distantes 11:02 (!) do vencedor.

Aproximando-nos do final, entramos no escalão M80 onde se verificou de novo um pódio totalmente distinto daquele de Sprint. Erkki Latti (LHR) deu a sexta vitória à Finlândia nas finais de Distância Longa, concluindo em 51:01. No segundo posto, Rune Isaksson (Helsingborgs SOK), da Suécia, gastou 54:32 enquanto o 3º lugar foi ocupado por outro finlandês, Arvo Majoinen (RaKaS) com 55:01.

À semelhança do que acontecera no escalão M55, também em M85, se verificou um pódio totalmente a uma só cor, desta feita pontuado pela bandeira da Suécia. Ake Svensson (Järfälla OK) teve em Tage Johansson (Västeras SOK) um oponente à altura, acabando por vencer em 55 minutos exactos contra os 55:31 do segundo classificado. Johansson repetiu a subida ao pódio, depois do ouro no Sprint, enquanto para Ake Svensson esta foi uma estreia, depois de ter deitado tudo a perder na final da Praia da Vieira com esse desconcertante “missing point”. Karl-Erik Pettersson (OK Norden) quedou-se na terceira posição com 57:45 e, também ele, repetiu a presença no pódio, após o 2º lugar no Sprint.

Finalmente o escalão de M90, onde o sueco Rune Haraldsson (NAIS Orientering) destronou o “mítico” finlandês Erkki Luntamo (VaRa), fazendo 51:16 contra os 1:03:31 do mais idoso orientista da actualidade.

Globalmente, o “medalheiro” masculino foi uma vez mais dominado pelos atletas nórdicos que, no seu conjunto, fizeram o pleno das medalhas de ouro. A Suécia foi o país que viu atletas seus subir ao pódio mais vezes mas, no lugar mais alto, a supremacia foi da Finlândia. Assim, o “país dos mil lagos” conseguiu 6 medalhas de ouro, 2 de prata e duas de bronze, contra 5 de ouro, 5 de prata e 2 de bronze da Suécia. A Noruega arrecadou 1 de ouro, 1 de prata e 3 de bronze. Grã-Bretanha, com duas de prata, Lituânia com 1 de prata e 2 de bronze, Estónia com 1 de prata e França e Letónia com 1 de bronze cada, concluíram os pódios.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
o

CRÓNICAS DO WMOC 2008 (XVII)


O WMOC 2008 chegou ao fim com as finais da prova de Distância Longa a terem lugar em pleno pinhal de Leiria, junto à Praia de Pédrógão. Um mapa mais exigente do ponto de vista técnico e mais "sujo" do que em Pataias, nas séries qualificatórias, fazendo apelo às mais-valias de cada um. Nesta crónica analisamos as incidências da competição, no que ao sector feminino diz respeito.

Depois de ter dominado em toda a linha o escalão W35, vencendo as anteriores quatro provas (entre qualificatórias e finais), a finlandesa Katja Honkala (1s35) baqueou estrondosamente e, na “hora da verdade”, não foi além da 4ª posição com 1:07:11. Eterna 2ª classificada, Natasha Key (Melbourne Forest Ra) soube aproveitar o deslize da sua rival e deu à Austrália a sua única medalha de ouro nestes Mundiais. Key gastou 1:00:36, deixando a germânica Cornelia Eckardt (USV Dresden) – medalha de bronze na final de Sprint - na 2ª posição, a 2:14 de diferença. No 3º lugar classificou-se a finlandesa Virpi Palmén (Espoon Suunta) com 1:04:51.

No escalão W40 assistiu-se a um “remake” do que sucedera no escalão anterior. Também a sueca Carina Svensson (Bredaryds SOK) claudicou, após domínio absoluto nas provas anteriores, caindo para o 5º lugar na final com 56:42. E também aqui, a segunda classificada de Sprint, a britânica Sarah Dunn (MAROC), aproveitando a oportunidade, sagrou-se Campeã do Mundo com o tempo de 51:03. A letã Baiba Ozola (Mona) redimiu-se da má prestação no Sprint e foi segunda com um registo de 53:05 enquanto na 3ª posição ficou a francesa Sandra Olivier (Balise 77 F.au), uma autêntica surpresa depois do 8º lugar no Sprint e de um 7º e um 9º lugar nas qualificatórias de Distância Longa.

A finlandesa Anne Nurmi (AngA) mostrou-se finalmente ao seu melhor nível e levou de vencida o escalão W45 com um tempo de 47:37. No lugar seguinte classificou-se a sua compatriota Auli Hovikorpi (MS Parma) com 48:38 e apenas 3 segundos à melhor sobre a 3ª classificada, a britânica Alice Bedwell (Sugarloaf OK). A grande decepção veio da parte da sueca Danute Mansson (Pan-Kristianstad), medalha de ouro de Sprint e que, após excelentes prestações nas duas séries qualificatórias, acabaria por ser ver traída por uma desatenção e ter feito “missing point”.

Depois dum desconsolador 21º lugar no Sprint, a letã Alida Abola (Riga) apareceu neste WMOC 2008 e levou de vencida o escalão W50 com o tempo de 44:31. Em 2º lugar ficou a sueca Lena Larsson (Sala OK) com 45:50 enquanto a finlandesa Merja Puromies (Individual), com o tempo de 46:04, teve de se contentar com o bronze. Kari Natvig, a norueguesa do Nittedal O-Lag que vencera a prova de Sprint, foi a 4ª classificada com 47:08.

Em W55, a sueca Christina Hjertson (OK Linné) confirmou as excelentes prestações nas séries qualificatórias e, com 44:27, vingou o 3º lugar na final de Sprint e levou de vencida o escalão. A norueguesa Unni Strand Karlsen (Fredrikstad SK) teve o mérito de vencer todas as qualificatórias em que participou (nomeadamente a de Sprint) e alcançou um merecido 2º lugar com 46:44, sobretudo depois desse “desastre” da final de Sprint onde não foi além da 35ª (!) posição. O 3º lugar coube à britânica Inara Gipsle (TVOC) com 48:35.

A russa Galina Vershinina (St Petersburg) deu a única medalha de ouro ao seu país na final Longa (e a segunda no cômputo geral), ao vencer o escalão de W60 com o tempo de 42:05. Um triunfo seguramente saboroso, sobretudo depois do que lhe acontecera na final de Sprint, onde foi apenas a 30ª classificada após ter vencido a sua série de qualificação. As 2ª e 3ª classificadas, a dinamarquesa Mona Nørgaard (Team Pan) e a sueca Maud Sunden (OK Jämbärama) gastaram 46:33 e 46:49 e conseguiram, também elas, vingar resultados menos conseguidos na prova de Sprint. Inversamente, a britânica Liz Godfree (DVO), medalha de ouro de Sprint, repetiu as fracas prestações das séries qualificatórias e não foi além da 30ª posição com 1:00:20.

Birgitta Olsson (Ronneby OK), da Suécia, foi uma das três atletas femininas a conseguir o pleno em todas as cinco provas que constituíram o vector de competição (se exceptuarmos a britânica Elizabeth Brown, que competiu sozinha no escalão W90). Na final Longa do escalão W65, nova vitória esmagadora com o tempo de 39:16, deixando a segunda classificada, a norueguesa Astrid Vigenstad (Lillehammer OK) a 5:31 de diferença. O 3º lugar foi ocupado pela sueca Gunnel Svensson (IK Imer Boras), com 46:09. Torid Kvaal (Freidig Spk), a norueguesa medalha de prata no Sprint, não repetiu presença no pódio e quedou-se na 4ª posição com 46:37.



No escalão W70, a norueguesa Unni Bøhlerengen foi uma surpreendente vencedora. Depois de ter passado discretamente pelas quatro provas anteriores (foi apenas 15ª na final de Sprint e, nas qualificatórias de Distância Longa, o melhor que fez foi um 5º lugar na 1ª série) chegou à vitória na grande final, impondo-se às suas adversárias com um tempo de 43:36. No segundo lugar, com o tempo de 44:42, classificou-se a ucraniana Lilia Pokh (OK M Moscow), dando aqui ao seu País a única medalha neste WMOC 2008. Uma medalha de prata seguramente saborosa, sobretudo após a decepcionante prestação no Sprint onde foi apenas 5ª classificada… na final B! A 3ª classificada foi a norueguesa Inger E. Vamnes (Hamar OK) com 47:14.

Aproximamo-nos do final e, entrando no escalão W75, deparamos com a segunda atleta a fazer o pleno neste WMOC 2008: a sueca Gunvor Göranson (Laholms IF). A australiana Maureen Ogilvie (Uringa Orienteers) deu excelente réplica e classificou-se no 2º lugar com 45:45, ainda assim insuficientes face aos 44:39 da vencedora. A britânica Anne Donnel (BOK), que prescindira da prova de Sprint, concluiu na 3ª posição com 48:22.

No escalão de W80 voltou a reeditar-se o duelo que a sueca Signe Nyman (Uddevalla IS) e a finlandesa Sole Nieminem (JRV) mantiveram ao longo de toda a competição. E se Nyman tinham vencido a qualificatória de Sprint para Nieminen triunfar na final, agora deu-se o inverso e Signe Nyman chegou ao tão almejado ouro numa prova disputadíssima e que terminou com a sueca a vencer em 39:18, apenas 48 segundos à frente da finlandesa. Na 3ª posição, a distantes 12:32 da vencedora, posicionou-se a sueca Karin Rehn (Jönköpings OK), ela que já havia sido medalha de prata na prova de Sprint.

Quanto aos dois últimos escalões, a sueca Astrid Andersson (Norrköpings AIS) triunfou em W85, fazendo também ela o pleno destes Campeonatos e vencendo as cinco provas de competição. Mas se no Sprint foi uma concorrente solitária, na Distância Longa contou com a oposição da norueguesa Lilian Røss (Siggerud IL). Em W90, a britânica Elizabeth Brown (So UK) competiu sozinha e concluiu a sua prova em 44:53,oferecendo à Grã-Bretanha a sua 5ª medalha de ouro neste WMOC 2008.

No cômputo geral, as medalhas acabaram por ser mais repartidas do que no sector masculino. Foram onze os países com honras de subida ao pódio e a Suécia acabou por ser a grande dominadora com um total de nove medalhas (5 de ouro, 1 de prata e 3 de bronze). Finlândia, Noruega e Grã-Bretanha alcançaram 5 medalhas cada, mas as britânicas, com 2 de ouro e 3 de bronze encabeçam este “mini-ranking”, seguidas das norueguesas (1 de ouro, 3 de prata e 1 de bronze) e das finlandesas (1 de ouro, 2 de prata e 2 de bronze). Austrália e Letónia, com 1 medalha de ouro e uma medalha de prata cada, vêm a seguir, logo seguidas da Rússia, com 1 de ouro e de Ucrânia, Dinamarca e Alemanha com 1 de prata, cada. França, com 1 medalha de bronze, fecha a lista das 33 medalhas atribuídas.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

o

sábado, 5 de julho de 2008

CRÓNICAS DO WMOC 2008 (XVI)


ENQUANTO HÁ FORÇA

Enquanto há força no braço que vinga
OOOQue venham ventos virar-nos as quilhas
Seremos muitos, seremos alguém

Levanta o braço, faz dele uma barra
OOOQue venha a brisa lavar-nos a cara
Seremos muitos, seremos alguém


A emoção apoderou-se de todos logo após Carlos Monteiro ter proferido a costumeira frase: “Declaro encerrado o WMOC 2008.” Os aplausos fizeram-se ouvir, mais sentidos que nunca, como sentidas foram as saudações e os abraços trocados ou as lágrimas que correram pelas caras abaixo de todos quantos, nas mais diversificadas tarefas, ajudaram a tornar este evento numa espantosa realidade.

A pontuar o momento, a fotografia de grupo dos voluntários simbolizará a união dum colectivo que deu provas duma força e firmeza insuperáveis. Mas o que mais me comoveu foi, sobretudo, o beijo que o casal Monteiro trocou. Pela espontaneidade e determinação do gesto, pela prova de confiança, pela catarse, pela ternura, pela imensa compreensão. E pelo simbolismo! Isto se levarmos em conta todo o trabalho e empenho em torno das tarefas preparatórias, relegando para segundo plano, as mais das vezes, outros valores tanto ou mais importantes.

Numa hora marcante para a Orientação portuguesa, permito-me esquecer a competição e dizer que temos a semana toda para falar nela. Fica, pois, desde já a promessa de continuarmos por aqui às voltas com o WMOC, prolongando a festa. Iremos ao encontro dos resultados e das declarações dos nossos atletas. Passaremos uma última vez pelos bastidores, do estacionamento à informática. E ouviremos o que disseram os queridos amigos brasileiros e suíços.
O


Mas hoje quero prestar o meu tributo ao extraordinário grupo de trabalho que fez da entrega e da abnegação a mais bela bandeira. Sob a forma de “slide show”, com o devido pedido de desculpas àqueles que não surgem aqui retratados. Mas, ainda assim, estão cá todos.

E é a todos quantos me presentearam com o mais belo espectáculo do mundo, que aqui deixo o meu sincero e sentido muito obrigado. Bem hajam!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
O

JWOC 2008: A VEZ DOS MAIS NOVOS (IX)


NÃO HÁ DUAS SEM TRÊS

Grande dia para a Suécia! Na prova de Distância Longa, os seus atletas ocuparam os lugares mais altos do pódio, depois de provas sólidas apesar da fortíssima concorrência. Johan Runneson juntou nova medalha de ouro ao ouro da Média e à prata do Sprint e confirma-se como a grande estrela do evento. Não com um brilho tão forte mas, ainda assim, uma estrela, Jenny Lönnkvist alcançou a medalha de ouro, depois de ter sido terceira classificada no Sprint.


Johan Runneson venceu a prova de Distância Longa do Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre que tem vindo a ser disputado na cidade sueca de Gotemburgo, desde o passado dia 29 de Junho. O atleta da Suécia concluiu o seu percurso com o tempo de 1:12:22 após apertada luta com outros quatro pretendentes ao título e que quedaram separados entre si por escassos 6 segundos. Timo Sild (Estónia), que já se tinha mostrado em bom nível nas qualificatórias da prova de Distância Média (apesar de ter “desaparecido” na final) conseguiu a prata a 12 segundos de Runneson e dois segundos à melhor sobre o suíço Matthias Kyburz, terceiro classificado. Erik Sagvolden (Noruega) com 1:12:38 e Olle Böstrom (Suécia) com 1:12:40 foram 4º e 5º classificados, respectivamente.

No sector feminino, a sueca Jenny Lönnkvist venceu com uma margem mais confortável que o seu compatriota, concluindo no tempo de 55:12. No segundo lugar, outra atleta sueca, Beata Falk, que gastou mais 38 segundos que a vencedora. Siri Ulvestad (Noruega) redimiu-se das menos conseguidas prestações anteriores e concluiu na terceira posição com 56:25. Nos dois lugares imediatos, duas atletas francesas: Marine Leloup e Karine d’Harreville, com 58:30 e 58:34, deram excelente conta de si e continuam a mostrar que a França não é só Thierry Gueorgiou.

No que aos portugueses diz respeito, começando pelas senhoras, poder-se-á dizer que Andreia Silva (COC) esteve francamente mal e não foi além do 106º lugar com 2:02:29 (gastou, inclusivamente, mais 15 minutos e meio que a sua antecessora na classificação, a ucraniana Iryna Dryutova). Quanto aos homens, o panorama não foi melhor e, ao contrário do que aconteceu na prova de Sprint, não foi possível ver nenhum atleta português na primeira metade da tabela. Jorge Fortunato (Ori-Estarreja) acabou por ser o melhor classificado, na 86ª posição com 1:34:27. Seguiu-se Tiago Romão (COC) no 109º lugar com 1:42:06 e David Sayanda (Ori-Estarreja) em 122º lugar com 1:49:40. Diogo Miguel, que tinha sido o nosso melhor representante nas provas anteriores, fez uma prova desastrosa e caiu para o 144º lugar com um tempo de 2:19:15, muito pouco consentâneo com as suas capacidades.

A competição termina amanhã com a prova de Estafeta. Portugal estará representado no sector masculino com três atletas e, face ao sucedido hoje, não será difícil adivinhar que Diogo Miguel será o preterido. A ver vamos!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
O