sábado, 31 de maio de 2008

WMOC: A HORA DOS PORTUGUESES (I)


O Orientovar inaugura hoje uma nova rubrica que, periodicamente, dará a conhecer as impressões e expectativas de alguns dos nossos atletas que marcarão presença nos Campeonatos do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre (WMOC’08).

Para tal, colocámos a cada um deles duas questões muito simples:

1. O que podemos esperar do WMOC 2008?

2. Quais as expectativas quanto à sua prestação pessoal?

É chegada “A HORA DOS PORTUGUESES!”



ALBANO JOÃO
COC
M45


1. Eu espero que seja um evento que orgulhe todos os portugueses, principalmente aqueles que estão ligados á Orientação. Em termos desportivos, espero um evento bem organizado, tanto em termos logísticos como técnicos. No comité organizativo temos pessoas com excelente capacidade que certamente irão apresentar mapas de boa qualidade, traçagem de percursos aliciantes, boa logística e boas actividades paralelas. Sabendo da capacidade das pessoas que estão na Organização, aliado ao conhecimento que tenho de anteriores WMOC, não tenho duvidas que será um evento de excelente nível, que todos os participantes irão recordar com saudade. Espero ainda que após o WMOC 2008 e de acordo com a expectativa de receitas interessantes, parte dessas verbas sejam para apostar na formação de jovens e dos seus técnicos, de modo a incrementar os últimos resultados que têm sido de boa qualidade.

2. Atendendo aos condicionalismos de preparação física, pois só tenho oportunidade de treinar 3 a 4 vezes por semana - e mesmo esses treinos têm de ser de preparação aérobica, pois as lesões não me permitem fazer preparação anaeróbica -, ficarei satisfeito se for à final A, tanto na prova de Sprint como na prova de Distância Longa.



PAULO VIEIRA
CP ARMADA
M35

1.
Eu penso que podemos esperar três realidades do WMOC 2008: Mostrar ao Mundo a grande capacidade e qualidade organizativa de provas de Orientação; publicitar as excelentes paisagens e os magníficos mapas de Orientação de Portugal; e ter mais um acréscimo na divulgação da Orientação em Portugal.

2. Em virtude de ter estado ausente nas últimas duas épocas, a minha expectativa é de, simplesmente, participar no meio dos melhores do Mundo, sem olhar a resultados.



LUÍS BUCHA
CP EPAL
M35

1.
Do WMOC 2008 só podemos esperar um grande evento, muito bem concebido e organizado, em que os envolvidos na Organização tudo farão para proporcionar excelentes momentos de orientação, lazer, confraternização e a devida dose de competição. Naturalmente que, sendo uma prova com as características especiais de contar com uma enorme presença da “veterania” deste desporto, é por isso mesmo uma fonte de inspiração e motivação para todos.

2. Quanto a expectativas pessoais, essas estão num patamar muito modesto. Não tenho grandes esperanças de conseguir uma prestação desportiva de relevo, muito pelo contrário, mas antes pretendo obter alguma satisfação pessoal se conseguir fazer o melhor possível e ao alcance das minhas capacidades.



JOÃO PAULO MARTINS
CLAC
M40

1.
Acho que podemos esperar uma prova ao mais alto nível organizativo e onde, quem nos visita, possa sair muito satisfeito. Penso que a Federação Portuguesa de Orientação está a fazer tudo para que assim seja e a divulgação nos meios de comunicação está a aparecer a nível nacional, o que é muito importante. E, quem sabe, uma medalhita para Portugal????

2. Quanto à minha prestação, não espero muito. Espero uma experiência nova. Nunca tinha pensado em participar num Campeonato do Mundo mas surgiu esta oportunidade, irei tentar desfrutar ao máximo e fazer o melhor que for capaz. Tenho poucas possibilidades de treinar como devia, mas a paixão que tenho por esta modalidade às vezes faz aparecer resultados que não esperamos.

0
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Dentro de poucos dias aqui voltaremos, dando a conhecer mais quatro heróis. Fique atento.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 30 de maio de 2008

VENHA CONHECER... TIAGO LOPES


Chamo-me… TIAGO Lourenço LOPES
Nasci no dia… 26 de Agosto de 1978, em Tomar
Vivo… nos Açores
A minha profissão é… militar da GNR
O meu clube… CAOS – Clube de Aventura e Orientação de Sintra
Pratico orientação desde… 1998

Na Orientação…

A Orientação é… um desporto que qualquer um pode praticar conforme entenda e de acordo com as suas capacidades!
Para praticá-la basta… ter vontade!
A dificuldade maior é… concentração durante todo o percurso!
A minha estreia foi… em Santo Tirso, no Campeonato Ibérico de 2000!
A maior alegria… vencer o Campeonato Nacional de BTT 2004/2005 e sempre que represento a Selecção Nacional!
A tremenda desilusão… quando sou desclassificado por “missing point”!
Um grande receio… não tenho!
O meu clube é… um bocadinho (bastante) de mim!
Competir é… um desafio, no sentido de fazer sempre melhor!
A minha maior ambição é… apenas praticar Orientação e conviver!

… como na Vida!

Dizem que sou… um pouco distraído!
O meu grande defeito… teimosia!
A minha maior virtude… amar a modalidade!
Como vejo o mundo… pequeno!
O grande problema social… a fome!
Um sonho… ter saúde!
Um pesadelo… acabar com a Orientação!
Um livro… todos os do José Rodrigues dos Santos, mas em particular o “Codex”!
Um filme… “Call Girl”!
Na ilha deserta não dispensava… um mapa de Orientação, o filho e a esposa!


Na próxima semana venha conhecer Vânia Rodrigues.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 29 de maio de 2008

OS VERDES ANOS: ISABEL SÁ


A rubrica “Os Verdes Anos” abre hoje as portas a Isabel Sá, atleta juvenil do Grupo Desportivo 4 Caminhos e recente medalha de bronze colectiva nos Mundiais de Orientação Escolar, com a Escola Básica 2,3 “A Ribeirinha” (Vila do Conde). Na primeira pessoa, esta jovem certeza da Orientação nacional partilha connosco, sentidamente, pequenos pedacinhos de si própria. Escutemo-la, pois, com toda a atenção.


O meu nome é Isabel Sá, tenho 16 anos e vivo em Vila do Conde. O que tenho em comum com todos vocês que lêem este blogue? Sou apaixonada pela Orientação. A primeira vez que ouvi falar em Orientação foi pela minha irmã, que teve contacto com a modalidade através do Desporto Escolar e da fantástica Professora Belém. Quando tinha 11 anos comecei a ir a algumas aulas teóricas e a interessar-me mais pela Orientação, acabando por ir a alguns treinos. Contudo, nessa altura, era atleta de natação e treinava 5 vezes por semana, o que não me dava tempo para mais. Meses depois, o bichinho da Orientação falou mais alto e troquei as piscinas pela floresta.

A minha primeira experiência competitiva na floresta foi em 2003, numa prova organizada pelo meu clube, o Grupo Desportivo 4 Caminhos, na Quinta de Santo Inácio, em Vila Nova de Gaia. Foi aí que comecei a ter certezas que além de adorar o contacto com os mapas e a natureza, adorava aquele ambiente e aquela amizade que aí se respira. Foi também em Gaia que conheci uma grande pessoa, a Joana Costa. Para quem ainda não conhece este nome, posso garantir-vos que esta jovem promessa vai dar muito que falar e todos vamos ouvir falar dos seus êxitos.

Na época 2003/2004 federei-me pelo GD4C na Federação Portuguesa de Orientação com o peitoral 2864. Fui evoluindo e começando a treinar, inicialmente com o Tiago Aires e de momento com o Mestre Rui Ferreira. Tive a excelente oportunidade, através da Selecção Nacional, de viver experiências únicas e de visitar locais fantásticos como a Hungria, a Eslovénia, República Checa, Amesterdão, Veneza... Mais recentemente, estive com a minha equipa e com a Prof. Belém na Escócia, a representar a Escola Ribeirinha e Portugal no Campeonato do Mundo de Desporto Escolar. Posso dizer que foi lá que obtive os resultados de que mais me orgulho. A equipa da Ribeirinha é a terceira melhor do mundo e consegui resultados individuais bastante positivos.

Encontro-me no 10º ano de escolaridade na área de Ciências Sócio-Económicas. Para manter as minhas notas, conciliando-as com o treino, tenho de fazer muita ginástica para esticar o meu tempo. Contudo, acho que sabendo organizar bem cada minuto, tenho tempo para tudo: passear, sair, estudar, treinar, ir ao cinema, ver televisão, ler, etc. A minha motivação? Família e amigos. A minha irmã é a melhor atleta portuguesa feminina de Orientação e nela vejo um exemplo, não só a nível desportivo mas também académico. Os meus amigos apoiam-me incondicionalmente e de todas as maneiras que podem. Mas falar em amigos e não falar na Joana Costa é como falar em Orientação e não falar em mapas. Desde que conheci a Joana na Quinta de Santo Inácio, a nossa amizade cresceu e somos hoje maiores adversárias e melhores amigas.

Para o futuro, os meus objectivos são primeiramente académicos. Ingressar na Faculdade de Economia e ser uma excelente profissional. A nível desportivo não tenciono abandonar a modalidade, pelo menos enquanto a saúde e a idade me permitirem. A curto prazo tenho um sonho: Ficar nas 5 primeiras num Campeonato da Europa de Jovens. A longo prazo pretendo trabalhar para conseguir entrar numa Final A dum Campeonato do Mundo de seniores, algo nunca conseguido por uma mulher em Portugal.

E a pensar no futuro me despeço. Já sabem, peguem num mapa e numa bússola e… encontramo-nos por aí numa floresta!

Isabel Sá

Grupo Desportivo 4 Caminhos
EB 2,3 A Ribeirinha (Vila do Conde)



Se pertences aos escalões de formação, este espaço é teu. Orienta dez minutos do teu tempo e vem daí dizer-nos quem és, como és e tudo o mais que te vier à cabeça.

Atreve-te! Vais ver que não custa nada.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 28 de maio de 2008

WMOC: À CONVERSA COM CARLOS MONTEIRO


É o grande acontecimento da temporada nacional de Orientação Pedestre e o maior evento do género alguma vez realizado em Portugal. Concita o trabalho duma vasta equipa e destina-se a proporcionar uma semana de altíssima qualidade aos mais de 3.500 participantes que nos visitarão, oriundos dos quatro cantos do mundo. Trata-se dos Campeonatos Mundiais de Veteranos de Orientação Pedestre (WMOC), que irão decorrer entre os dias 28 de Junho e 5 de Julho na área do Pinhal de Leiria. Precisamente a um mês do grande evento, o Orientovar inicia hoje uma série de trabalhos que pretendem ser mais um contributo para o seu enquadramento e divulgação. E começa da melhor maneira, à conversa com o Director-Geral do WMOC, Carlos Monteiro.


JOAQUIM MARGARIDO (JM) – Após tanto trabalho “na sombra”, o WMOC ganha forma e surge agora em toda a sua plenitude. Quer tecer-nos um primeiro comentário?

CARLOS MONTEIRO (CM) - Independentemente daquilo que venha a acontecer nos Campeonatos Mundiais de Veteranos de Orientação Pedestre, sinto-me extraordinariamente satisfeito e orgulhoso pelo facto de termos conseguido que todas as pessoas, directa ou indirectamente envolvidos na Organização do evento, conseguissem despir a camisola dos respectivos clubes, assumissem o evento como de todos nós e envergassem a camisola do WMOC, da Federação Portuguesa de Orientação e do País. Todos, sem excepção, deixámos de olhar para o nosso umbigo e encarámos o evento duma forma global, partilhando conhecimentos, partilhando equipamentos, trocando ideias. Esse, para mim, é um dos grandes sucessos do WMOC.

JM – Independentemente de todo um trabalho que ficou para trás, há ainda muito por fazer?

CM - A maior parte, felizmente, está feita, mas há ainda pequenos detalhes que precisamos de acertar e contornar. Em termos de cartografia e de percursos estamos pendentes apenas da aprovação de um mapa. O Supervisor Nacional [José Carlos Pires] já esteve entretanto no terreno para o validar e aguardamos isso mesmo a qualquer momento. Todos os percursos estão na gráfica e a parte logística está orientada; falta-nos fazer umas voltas ao terreno com a GNR para fechos de caminhos e acertos de controlo de trânsito. Tudo o resto… Enfim, como eu costumo dizer, o meu trabalho está quase a acabar. Agora terão de ser os 50 membros do Comité Organizador e os cerca de 350 Voluntários a assumir a sua quota-parte do trabalho, porque da parte da Direcção do WMOC e daquilo que eram a planificação e a preparação do evento, está quase tudo feito.

JM - Como foi possível trazer um evento destes para Portugal?

CM - Primeiro que tudo, acreditando que éramos capazes de o fazer. Segundo, interagindo com vários clubes, com várias pessoas, com várias vontades. Depois, o Presidente da FPO [Augusto Almeida] acreditou no projecto e conseguiu abrir portas junto do Poder Central e junto de algumas entidades influentes que tiveram, efectivamente, muito peso. Enfim, conseguimos que a nossa candidatura reunisse um conjunto de condições interessantes, debateu-se com outras duas fortes candidaturas – a França e a Eslovénia – mas houve o reconhecimento da própria Federação Internacional de que em Portugal, nos últimos anos, se têm realizado bons eventos. O Portugal O’Meeting tem sido uma boa bandeira da modalidade e testemunho da nossa qualidade organizativa. Agora só temos mesmo que não deixar ficar mal quem acreditou em nós – a IOF, as autarquias, os “sponsors” – “vergar a mola” e, a trinta dias do final, retribuir a confiança que nos foi dada.

JM - A participação portuguesa é muito reduzida. Há alguma explicação para esta situação?

CM - O WMOC decorre em finais de Junho, princípios de Julho, numa altura em que muitos dos nossos jovens estão no período fulcral do ano lectivo, em plena época de exames. Não podendo contar com esses, acabámos por implicar na Organização do evento grande parte dos nossos atletas veteranos. Em boa hora o fizemos, já que sem esse envolvimento não era possível pôr de pé um evento desta envergadura. Efectivamente, a nossa população de praticantes de Orientação capazes de colocar pontos, de traçar percursos, de fazer cartografia, pertencem aos escalões de Veteranos e estão envolvidos na Organização. Logo, por força das circunstâncias, impossibilitados de competir.


JM – Que medidas estão previstas no sentido de promover o evento, dando-lhe a visibilidade que merece e contribuindo para a divulgação da modalidade no nosso País?

CM - Em termos de Orientação, este evento é deveras o mais importante até hoje realizado em Portugal. Não podíamos, de maneira alguma, deixar fugir uma oportunidade destas para mediatizar a modalidade, dando-a a conhecer ao público em geral. Temos o azar, entre aspas, de coincidir com o Europeu de Futebol, mas pronto!… Vamos tentar conviver com esse facto de alguma maneira, vamos procurar dar visibilidade ao evento e temos alguns meios previstos para procurarmos atingir os objectivos.


JM - Quer especificar?

CM - Vamos ter nas duas finais várias câmaras na floresta e um écran gigante na arena para que as pessoas possam acompanhar o evento; vamos ter diversos pontos de rádio que permitirão irmos fazendo o ponto da situação; na semana que antecede o evento e ao longo de quinze dias, numa parceria com a RTP, vamos ter um “spot” publicitário de 20 segundos a “bombardear” o público oito vezes ao dia; produzimos já cerca de 10.000 “flyers” que entregámos às várias autarquias envolvidas no WMOC – Leiria, Alcobaça, Marinha Grande e Nazaré –, para os fazerem chegar às colectividades, às associações, às escolas; vamos estar com cerca de 30 “muppi’s” nos quatro concelhos, também a partir do mês de Junho, espalhados em vários locais; tivemos na quarta-feira passada uma mesa-redonda com uma série de órgãos de comunicação social de âmbito local e regional, para dar a conhecer o evento, dar a conhecer a modalidade, e pedir a sua colaboração na divulgação do WMOC; temos embaixadores do evento, temos na Comissão de Honra algumas pessoas mediáticas no sentido de também nos ajudarem a catapultar a modalidade para as primeiras páginas; temos a ideia de trazer algumas figuras públicas a algumas arenas para que com eles venham mais alguns “media”… Penso que vai ter de ser por esse caminho e é esse caminho que estamos a trilhar.

JM – Agora que entramos na “recta final”, um apelo, um anseio, uma ambição?

CM - Serenidade, calma e paz de espírito, para que todos sejam capazes de levar a bom termo o evento. Temos mapas, temos florestas, temos percursos. Se fosse há três ou quatro anos atrás, talvez estivéssemos mais receosos. Evidentemente que não ter receios neste momento ou estar despreocupado seria uma irresponsabilidade de todo o tamanho. Claro que temos preocupações, que temos receios, mas controlados e comedidos. Temos adquirido muita experiência com a vinda de estrangeiros a Portugal, por alturas do POM, do NAOM ou de outros eventos WRE. Aqueles que nos visitam gostam dos nossos mapas, gostam dos nossos terrenos, da nossa cartografia. As coisas estão planificadas e estão preparadas. Só precisamos é que toda a gente implicada na Organização do evento arregace as mangas, deixe de olhar para o seu umbigo e centre as atenções apenas no emblema da Selecção Nacional e na bandeira do WMOC, porque vamos ser capazes de o fazer. Nós vamos ser capazes!

JOAQUIM MARGARIDO


terça-feira, 27 de maio de 2008

AINDA OS 4 DIAS DO MINHO



Ponto final nos “4 Dias do Minho”. Pretexto para partilhar mais uns quantos belos momentos das jornadas de sábado e domingo (apuramento e finais dos Campeonatos Nacionais Absolutos) e ainda os dois “novíssimos” mapas da Pedra Bela.

Um total de 317 atletas participaram no evento cuja organização foi da responsabilidade do Clube de Orientação do Minho. Ao longo de quatro dias, ali se disputaram uma prova de Distância Média (pontuável para a Taça de Portugal), uma prova de Sprint e ainda os Campeonatos Nacionais Absolutos (apuramento e finais) que encerraram a Taça de Portugal 2007/2008. Tiago Romão (COC) e Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) arrecadaram os títulos nacionais Absolutos, na sequência de provas extremamente competitivas e bem disputadas, com a incerteza quanto ao vencedor a persistir até ao final. A grande surpresa veio das excelentes prestações dos escalões mais jovens, confirmando o bom trabalho que se vem fazendo ao nível da formação e deixando no ar enormes e fundadas expectativas quanto ao futuro da Orientação em Portugal.

Uma referência final para os vencedores dos “4 Dias do Minho”, encontrados a partir do somatório dos três melhores resultados ao longo dos quatro dias de provas:

Infantis (7 atletas) – Marcelo Aguiar (Ori-Estarreja) e Bruna Costa (Às 11 no Farol);
Iniciados (7 atletas) – Bruno Silva (Ori-Estarreja) e Inês Domingues (COC);
Juvenis (15 atletas) – Rafael Miguel (Ori-Estarreja) e Joana Costa (GD4C);
Juniores (23 atletas) – Jorge Fortunato (Ori-Estarreja) e Andreia Silva (COC);
Elites (33 atletas) – Tiago Aires (SRSP Gafanhoeira) e Maria Sá (GD4C);
21A (31 atletas) – Albino Magalhães (TST) e Claire Mills (BAOC);
21B (25 atletas) – Nuno Ferreira (COC) e Ana Silva (Montepio Geral);
35A (33 atletas) – Daniel Pires (ADFA) e Manuela Nogueira (Ori-Estarreja);
40ª (26 atletas) – Santos Sousa (ADFA) e Alexandra Coelho (CPOC);
Veteranos I (16 atletas) – Hélder Guerreiro (SRSP Gafanhoeira) e Paula Costa (Às 11 no Farol);
H45 (27 atletas) – Manuel Luis (CP Armada) e Helena Lopes (CIMO);
H50 (22 atletas) – Manuel Domingues (COC) e Margarida Rocha (GD4C);
H55 (7 atletas) – Manuel Dias (Individual);
H60 (5 atletas) – Roy Dawson (NATO GB);
OPT 1 (9 atletas) – Fernando Crisóstomo (Individual);
OPT 2 (16 atletas) – Francisco Costa (CIMO);
OPT 3 (15 atletas) – Lídia Santana (Individual).


Consulte os resultados completos em
http://www.pontocom.pt/actividades/20084DiasdoMinho/resultados.php

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 26 de maio de 2008

CONDENAÇÃO!


“Gostava de escrever hoje um belo poema, forte, quente, luminoso, escarolado, em louvor da vida. É que, sem saber porquê, respondi há bocado com palavras dum optimismo impressionante a um moço poeta que me exibia a sua decadência precoce. E doía-me a garganta nessa altura! Mas fui-lhe dizendo que qual morte ou qual cabaça! Vida! Vida conquistada em luta, como a do rebento do milho que empurra, empurra, e consegue levantar o torrão e ver o sol. – Qual morte, homem de Deus! Você já viu por acaso um pinheiro suicidar-se!”

Tomou-me pela mão e foi com espanto que percebi naquele gesto o tão desejado sinal de assentimento. Senti um baque. Fitei-o e vi o seu rosto como nunca antes tinha visto outro assim. Não era feio e era quase bonito, estava antes da fealdade e da beleza, era um rosto do homem antes do homem. Trémulo, colei-me a ele e segui-o. Sem uma palavra vencemos a estreita e íngreme vereda, as pesadas gotas de gélida chuva a fustigar-nos o rosto. De repente estacou e, olhando muito para lá de tudo quanto se poderia avistar, naquela imensidão agreste, com um gesto largo e numa voz cava, ouvi-o pensar em voz alta: “No Inverno, árvores despidas; na Primavera, folhas e flores; no Verão, frutos. No Inverno seguinte, árvores despidas; na Primavera, folhas e flores; no Verão, frutos. No Inverno a seguir… Eu bem sei que o homem da cidade tem por sua vez mil maneiras de notar este eterno retorno da vida e da morte. Parece-me é que, lá, a coisa não tem esta nitidez, esta evidência, esta fatalidade.”

“ - Não queiram coisas impossíveis”, diz para nós uma mulher que na serra andava à lenha, quando tentávamos subir a uma penedia inacessível. “ – Quero, quero”, respondeu-lhe obstinado. Ela olhou-o com uns doces olhos de ovelha tosquiada pela vida, depois olhou para mim e sorriu melancolicamente. Pôs o molho à cabeça e partiu. E ali ficámos, eu a disparar a minha Sony a100 à esquerda e à direita, ele a pensar em que sonho irrealizável teria aquela alma simples posto um dia o desejo, para com a sua desilusão formular uma frase tão carregada de renúncia e amargura.

Que argumentos tinha eu perante aquele vulto. Depois de o ouvir falar de Baudelaire, Rilke, Tolstoi, Newton e Pessoa, como é que podia contrapor com o Tiago Aires, a Raquel Costa, a Maria Sá ou o Tiago Romão. Era homem para perceber o sentido da coisa, a importância da bússola, os azimutes; sabia que acharia graça ao termo “atascado” e que “pastores” também aqui os havia, e de que maneira; mas não me atrevia a avançar-lhe com neologismos do género “orientista”. Só queria (só podia querer) que visse com os seus próprios olhos.

Mal adivinhávamos a vastidão do horizonte, do alto daquelas fragas, quando decidi mudar de agulha e, pensando ainda na velhota, arrisquei: “Cavam de sol a sol, comem um caldo, mas são felizes. Não têm preocupações…” A voz sobe-lhe, inflama-se e devolve-me o comentário: “Como se o problema da quadratura do círculo fosse maior do que o problema de saber se chove ou não chove no dia da sementeira. Que vale um boi, no café? Em termos de pura dor – nada. Pois digo-te, Joaquim, que nunca vi ninguém sofrer tanto como o meu vizinho a quem morreu um esta noite. Que me importa a mim! Tudo são homens. E ao cabo, ao cabo, tanto pesa uma arroba de terra, como uma arroba de filosofia.”

Senti que não havia nada a explicar. Ele não compreenderia o significado daquilo. Era impossível passarem assim por nós, de olhar suspenso e respiração ofegante, andando ali às voltas, às voltas – quantos deles sem rumo! -, não reparando sequer na beleza das delicadas flores, na verde exuberância do Teixo ou do Ulmeiro, no rumorejar dos inúmeros regatos. Olhou-me mansamente, como se pressentisse o meu desapontamento, e com uma inesperada complacência, explicou-me: “Às vezes esqueço-me das coisas. Mas sempre que me lembro e posso, maravilho-me a ver como esta inacreditável fauna humana germina. Gosto de me sentar num café e ficar uma hora inteira a ver passar na rua as trinta mil pessoas da cidade. Convencidas, vencidas, alegres e tristes, inquietas, calmas, seguras, inseguras, deslizam como imagens num écran. Tal como neste momento, aqui onde nos encontramos, dir-se-ía que cada um concentra em si o destino do mundo. E, afinal, um segundo depois, não fica no seu caminho o mais leve sinal de significação que parecia ter. Representou apenas um papel semelhante ao daqueles protagonistas das tragédias e comédias contadas num jornal que a criada amarrota, mete num fogão e queima.”

Quero sair dali. Não sei como dizer-lhe e desculpo-me com o facto de ter ficado sem pilhas na máquina. “ - Ah! A máquina!”, exclama. "E que vais fazer com as fotos?" Explico-lhe a minha ansiedade em chegar a casa, passá-las para o computador enquanto preparo um chá e depois, calmamente, visualizá-las uma a uma como apresentação de diapositivos. “Então e a emoção do quarto escuro? Os rolos e a impressão em papel? Aquelas dezenas de películas a secar à luz vermelha? A ansiedade a atingir os limites do insuportável pela espera de longas horas até ver como sairá aquela que – tudo o indica – será a melhor foto? Transformas esse precioso tempo nos dez minutos que leva a preparar um chá?”

Parto sem me despedir, olhos no chão, envergonhado desta existência mesquinha, ali tão fortemente evidenciada da forma mais simples, face a face com estas pedras, memória do tempo dos tempos. É então que o ouço chamar por mim. “ – Joaquim, vem cá. Tenho uma coisa para ti!” Estendeu-me um bilhete dobrado em quatro e disse-me: “Gostava de escrever hoje um belo poema, forte, quente, luminoso, escarolado, em louvor da vida. É que, sem saber porquê, respondi há bocado com palavras dum optimismo impressionante a um moço poeta que me exibia a sua decadência precoce. Toma. É para ti.” Meti-o ao bolso sem agradecer e parti. Descia agora a encosta e as lágrimas desciam comigo cara abaixo, irreprimíveis, incontroláveis. Parei para as enxugar, assoei-me com força e pus a mão ao bolso donde tirei o bilhete. A garganta apertou-se mais e mais, à medida que o ía lendo:

OOOOOToda a manhã o lírico pagão,
OOOOOO animal sensível que em mim olha,
OOOOOOlhou, olhou, cheio de comoção,
OOOOOUma folha.

OOOOOEra de tília a mágica verdura.
OOOOOLarga, quieta, ao sol, vivia.
OOOOOE a viver assim dava frescura
OOOOOA quem da terra seca lha pedia.

OOOOONisto, não sei que maldição soprou,
OOOOOOu que Deus demoníaco sorriu,
OOOOOQue toda aquela calma se agitou
OOOOOE caiu.

Com os olhos baços, apreciei a bonita caligrafia, nada a ver com o estereótipo da “letra de médico”, o “M” de Miguel a fazer lembrar as curvas duma serra, o “T” de Torga desenhado como quem faz uma cruz. Mas a referência que se lhe seguia, imediatamente abaixo, abalou-me no mais íntimo de mim, como um sinal daquilo que fui, daquilo que sou: “Condenação – Gerês, 26 de Agosto de 1942”.

[adaptação livre de excertos dos “Diários”, de Miguel Torga]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 25 de maio de 2008

TÍTULOS NACIONAIS ABSOLUTOS PARA TIAGO ROMÃO E RAQUEL COSTA



Foi há dez anos, na Serra da Cabreira. O gesto pioneiro que deu origem aos "4 Dias do Minho" comemorou com pompa e circunstância uma década dum dos melhores eventos de Orientação Pedestre que o país conhece. Entre conferências, serões musicais, suculentos repastos e excelente disposição, muita e boa Orientação fez as delícias dos amantes da modalidade. Bem no coração do Gerês, onde todas as pedras são belas!

Foi numa acolhedora arena, montada a uma escassa centena de metros do Miradouro da Pedra Bela, que teve lugar a Cerimónia de Encerramento destes "4 Dias do Minho" 2008. Organizado pelo Clube de Orientação do Minho, o evento incluíu uma prova de Distância Média (pontuável para a Taça de Portugal), uma prova de Sprint e ainda os Campeonatos Nacionais Absolutos (apuramento e finais). Marcados por impiedosa e incessante chuva – que apenas no último dia se “dignou” fazer uma ligeira trégua – os "4 Dias do Minho" nem por isso deixaram de constituir um grandíssimo momento de Orientação “pura e dura”, com mapas desafiantes e percursos muito exigentes, do ponto de vista técnico e físico.

Um total de 312 atletas participaram nas provas de apuramento (274 no sector competitivo + 38 OPT’s) e as grandes surpresas vêm dos escalões mais jovens, com o júnior David Sayanda (Ori-Estarreja) a impor-se com o melhor tempo nos homens, enquanto nas senhoras a juvenil Joana Costa (GD4C) alcançou o segundo melhor tempo, imediatamente atrás da sua colega de equipa, a Campeã Nacional de Sprint e Distância Média, Maria Sá.

Nove horas após a chegada do último concorrente e enquanto se aguarda a edição dos resultados deste último dia e a divulgação dos vencedores dos "4 Dias do Minho" - talvez mesmo o único reparo a apontar à Organização! -, podemos já adiantar que Tiago Romão (COC) e Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) são os Campeões Nacionais Absolutos 2008. Títulos bem saudados pelos detentores, como se depreende das suas palavras.


Para Raquel Costa, estes Campeonatos Nacionais Absolutos “foram um grande desafio. O mapa é muito exigente, tanto técnica como fisicamente. Estes são terrenos sem dúvida espectaculares, mas com os quais não estou particularmente familiarizada. É no Alentejo que encontro mapas mais adequados às minhas característica e lá consegue-se andar mais rápido, a progressão é muito mais fácil.” E quanto há excelente prestação de algumas atletas dos escalões de formação, Raquel Costa tem uma opinião seguramente abalizada: “As gerações mais jovens começam a aparecer com muita força, fruto do trabalho de formação nas escolas e nos clubes. Estamos, claramente, numa fase de evolução.”

Tiago Romão era a imagem da felicidade: “Não tenho palavras. Foi espectacular. As coisas não me tinham corrido nada bem nos últimos tempos e andava desmoralizado. Quando cheguei ao 13º ponto e vou a tirar o azimute para o 14º ponto, não tinha bússola. Só já cá estava o prato. Como entretanto tinha apanhado o Celso e o Pedro Nogueira, era complicado vir mais para a frente naquelas condições, sobretudo nas pernadas mais longas. Perdi algum tempo nesta segunda metade, mas os meus adversários mais directos também acabaram por perder. Estou muito contente. Para acabar a época e ganhar moral para o JMOC não podia correr melhor.”

Os 4 Dias do Minho foram, em boa verdade, a única grande prova antes dos Mundiais de Veteranos (WMOC) e uma boa oportunidade para afinar pormenores. Uma reunião na tarde de sábado congregou um bom lote de voluntários e nela foi possível concertar mais alguns aspectos a carecer de afinação; e durante as provas propriamente ditas, estiveram em acção elementos importantes num evento desta natureza, como nos conta José Fernandes, da Organização: “Tivemos aqui alguns meios técnicos que vão ser utilizados no WMOC, nomeadamente os emissores. Tivemos o cuidado de os colocar em locais de passagem comuns e isso permitiu um acompanhamento à distância daquilo que se passava lá dentro e possibilitou-nos saber exactamente qual é o posicionamento relativo dos atletas que lideravam as respectivas provas. A experiência correu muito bem e foi um bom ensaio para o WMOC.”

Mas José Fernandes foi, igualmente, o responsável pelo traçado do percurso da “prova-rainha”, a da final dos Nacionais Absolutos do último dia. A esse propósito, referiu: “Pessoalmente constituiu um grande desafio, já que foi a primeira vez que tracei um percurso para um Campeonato Nacional Absoluto, com particularidades e situações muito próprias relativamente aos outros Nacionais. Quando fui para o terreno, apesar de ter o ‘esqueleto’ definido já há algum tempo, fui fazendo algumas alterações no sentido de tornar a prova exigente física e tecnicamente, mas que fosse, ao mesmo tempo, agradável e que ninguém chegasse ao fim chateado e cansado. Foi estimulante. De facto as opiniões são positivas, o pessoal está satisfeito e essa é a minha maior recompensa", concluiu.

José Carlos Pires, o Director da Prova, também acedeu amavelmente a “dizer de sua justiça”: O balanço é positivo. Para o bem de todos e da Orientação, tivemos uma boa jornada. A provar isso mesmo, nada melhor que os sinais que os participantes dão, manifestando a sua satisfação e alegria, num ambiente muito agradável. Retomámos este projecto dos 4 Dias do Minho, um evento que já estamos a preparar há mais de um ano. Mas é com gosto, com carinho, que o fazemos. Temos uma extraordinária equipa de trabalho, composta por jovens, todos muito voluntariosos, e mesmo com esta adversidade do tempo conseguimos cumprir.”

A terminar, uma referência àqueles que, duma forma ou doutra, contribuíram para o êxito do evento: “Tivemos um excelente apoio da Câmara Municipal de Terras do Bouro e da própria Direcção do Parque Nacional da Peneda-Gerês, que facilitou a realização da prova numa área protegida. Tivemos o cuidado de traçar os percursos de forma a minimizar os riscos de impacto ambiental e julgo que o conseguimos. E também um agradecimento a duas unidades hoteleiras do Gerês que perceberam que a Orientação pode ser uma mais-valia, atraindo potenciais clientes.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 24 de maio de 2008

A ORIENTAÇÃO NA COMUNICAÇÃO SOCIAL


Apesar de não ter ainda chegado ao fim, é lícito afirmá-lo: Maio foi um grande mês para a promoção da Orientação no nosso País, tendo em conta a exposição mediática de que foi alvo. Numa modalidade que “teima” em quedar-se no anonimato, as menções surgidas fazem pensar que algo pode estar a mudar. É hora de aproveitar o balanço.

É o suplemento dominical do Jornal de Notícias e do Diário de Notícias. Falamos, naturalmente, da “Notícias Magazine”, uma publicação de carácter generalista cuja Editora Executiva é Sofia Barrocas. Na sua edição de 11 de Maio, “a revista mais lida em Portugal” dedica quatro páginas à Orientação, com chamada desenvolvida e foto no Sumário. Lá dentro, a Reportagem toma o título “Competição em Serralves”, tendo por base as fotografias (belíssimas, diga-se) de João Pedro Marnoto e parecendo submeter-se à ideia de que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Apesar de muito simples, o texto contém uma definição de Orientação que é uma verdadeira pérola: “É um desporto de paixão. Não arrasta multidões, mas arrasta toda a família.”



E já que estamos nos suplementos, espreitamos o “Mundo da Corrida”, suplemento da Revista de Atletismo nº 318 (Maio.2008), cujo Director / Editor é António Manuel Fernandes. Também aqui pudemos encontrar a habitual abordagem à Orientação nas “Secções Fixas” e com chamada no Índice. Necessário se torna folhear praticamente toda a revista para chegarmos às duas páginas pretendidas, com texto e fotos de Joaquim Margarido. Espera-nos uma Reportagem sobre o O’Porto Park Race, com o sugestivo título “No mais belo dos palcos”, e ainda uma entrevista com Maria Sá (Grupo Desportivo 4 Caminhos), onde a Campeã Nacional de Distância Média e de Sprint fala de si, do seu mundo e se define como “uma orientista em crescimento, com muita ambição e vontade de melhorar em tudo”.

Finalmente, após largos meses de interregno, a SportLife volta a conceder um espaço à Orientação. A revista dirigida por Isabel Pinto da Costa começa com uma chamada de atenção no Sumário, lançando a pergunta “Ori BTT, já experimentaste?”, que remete para as páginas centrais. Lá dentro, num artigo intitulado “Não te percas…”, seguimos à descoberta dos inúmeros segredos da Ori-BTT pelas mãos do experiente Daniel Marques. Com fotos de Pedro Lopes e texto de Pedro Justino Alves, somos levados a conhecer “os 10 mandamentos do Ori-BTT”, quais os materiais necessários para a prática da modalidade, as grandes diferenças entre um mapa de Orientação Pedestre e um mapa de Ori-BTT, entre outros. E ainda ficamos a conhecer o plano de treino que Daniel Marques traçou entre os dias 1 de Maio e 6 de Junho, véspera do Campeonato Ibérico de Ori-BTT (Madrid, 7 e 8 de Junho), para o qual está seleccionado.

Saúda-se a importância que os responsáveis das publicações referidas reconhecem na Orientação e aplaude-se o esforço de promoção e divulgação da modalidade, traduzido em belíssimos textos e imagens. Para quem estiver interessado em ver com os seus próprios olhos, é possível encontrar ainda nas bancas tanto a Revista de Atletismo como a SportLife. Não se atrase e… boas leituras.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 23 de maio de 2008

VENHA CONHECER... EDUARDO FONSECA


Chamo-me… EDUARDO Manuel Maia FONSECA
Nasci no dia… 18 de Setembro de 1966, no Porto
Vivo… em Vila Real
A minha profissão é… Engenheiro Electrotécnico
O meu clube… OriMarão
Pratico orientação desde… 1998

Na Orientação…

A Orientação é… um vício, uma paixão!
Para praticá-la basta… disponibilidade de tempo. Tudo o resto, arranja-se!
A dificuldade maior é… continuar a ter uma vida para além da Orientação!
A minha estreia foi… no Gavião, numa prova de Ori-BTT!
A maior alegria… é pertencer ao OriMarão!
A tremenda desilusão… para já, não tenho. E espero nunca vir a ter!
Um grande receio… é que a modalidade não consiga crescer em número de praticantes!
O meu clube é… uma forma de estar na Orientação e de me tomar muito, muito tempo!
Competir é… um prazer!
A minha maior ambição é… já não digo mais, mas... chegar ao escalão H85!

… como na Vida!

Dizem que sou… não digo!
O meu grande defeito… não conseguir ser tão organizado como gostaria!
A minha maior virtude… abnegação!
Como vejo o mundo… com preocupação!
O grande problema social… a falta de emprego!
Um sonho… pergunta difícil…!
Um pesadelo… uma doença que me impossibilite ter uma vida normal!
Um livro… “A Um Deus Desconhecido”!
Um filme… “As Asas do Desejo”!
Na ilha deserta não dispensava…
a minha companheira e os meus filhos!


Na próxima semana venha conhecer Tiago Lopes.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 22 de maio de 2008

1º TROFÉU DO SABUGUEIRO FOI UM ÊXITO


Depois dos enormes sucessos que constituíram as duas primeiras edições do OriGafanhoeira (07.10.2007 e 24.02.2008), a Sociedade Recreativa de São Pedro da Gafanhoeira tomou sobre os ombros a responsabilidade de levar por diante um projecto ainda mais ambicioso. Assim nasceu o 1º Troféu do Sabugueiro, que teve lugar no passado fim-de-semana, na aldeia com o mesmo nome, no concelho de Arraiolos.

A Barragem da Estrelada foi o palco escolhido para um programa composto por duas provas de Distância Média e uma prova de Sprint, distribuídas pelos dois dias e a contar para o II Troféu Ori-Évora Pedestre. Divididos pelas categorias de “Fácil”, “Médio”, “Difícil” e “Iniciação”, os participantes de ambos os sexos tiveram à sua disposição três mapas novos de “zonas nunca antes navegadas", com muitos detalhes rochosos e de relevo, em percursos tecnicamente exigentes.

Isabel Monteiro (COC) e Miguel Morais (CPOC) foram os vencedores nos escalões “Difícil”. Ana Coradinho e Fábio Coradinho, atletas juvenis do SRSP Gafanhoeira, fizeram as “honras da casa” e venceram nos escalões “Médio” . Também nos escalões “Fácil” foi possível ver dois atletas do SRSP Gafanhoeira, José Canoa e Ana Gaio, ocuparem o lugar mais alto dos respectivos pódios. Finalmente, na Iniciação, a dupla Ana Lopes / Inês Correia (UFC Sabugueiro) levou de vencida toda a concorrência.

Lançada com o intuito de divulgar a modalidade e de a trazer para mais perto das populações, a prova de Sprint urbano no Sabugueiro constituiu uma enorme surpresa para os participantes. Com a maior parte do percurso a ter lugar na encosta de floresta anexa à aldeia, num mapa rico em detalhes rochosos e pormenores de vegetação, a vitória nos escalões mais competitivos coube, em masculinos, a Tiago Romão (COC) e em femininos, à surpreendente e sensacional atleta juvenil da SRSPGafanhoeira, Ana Coradinho. Refira-se, a propósito, que o número total de participantes ascendeu a 156, no cômputo das duas provas de Distância Média, enquanto a prova de Sprint foi disputada por 114 atletas.


Para além do Programa Desportivo, realce para o facto de, nos dois dias de provas, os participantes terem sido brindados com almoços gratuitos que tiveram o apoio da Junta de Freguesia do Sabugueiro e da Câmara Municipal de Arraiolos. Este foi mais um aspecto que em muito contribuiu para tornar ainda maior o êxito que foi esta 1ª edição do Troféu do Sabugueiro.





A dinâmica equipa liderada por Tiago Aires e Raquel Costa está imparável e lança já um convite para os próximos dias 14 e 15 de Junho, por altura do evento de Orientação “Tapete na Rua 2008”, organizado em conjunto com a ADFA e a contar para a Taça FPO Sul. Serão três provas em dois dias, em três mapas novos com terrenos de competição de elevada qualidade. Haverá almoço convívio gratuito, Orientação na bonita vila de Arraiolos e muitas outras surpresas. Perante tais argumentos, é quase impossível recusar!

Consulte os resultados completos em http://www.srgafanhoeira.pt/sabugueiro/resultados.html

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

[Foto de Ana Coradinho, gentilmente cedida por Hugo Borda d’ Água]


quarta-feira, 21 de maio de 2008

PELO BURACO DA FECHADURA


A 24 horas do arranque de mais uma edição dos 4 Dias do Minho, fomos ao encontro dum dos mais dinâmicos e bem estruturados clubes de Orientação do nosso País – o Clube de Orientação do Minho [.COM] – “espreitámos pelo buraco da fechadura” e vimos o que está feito, o que há para oferecer e muito, muito mais.

Já foi a ARCCa - Associação Recreativa e Cultural do Campo –, quando em 1990 um grupo de amigos decidiu lançar-se nestas lides da Orientação. Todavia, rapidamente perceberam que a dinâmica criada em torno da modalidade, nomeadamente as exigências relacionadas com a organização de provas, obrigariam à criação de uma estrutura com autonomia administrativa e financeira. Daí à criação dum clube especialmente vocacionado para a Orientação foi um passo: Em 12 de Dezembro de 2002, nasce o .COM, num processo natural de crescimento e de desenvolvimento da Orientação no Minho.

Agora que se completam 10 anos do lançamento deste grande evento desportivo que é os “4 Dias do Minho”, vale a pena lembrar que foi na Serra da Cabreira que tudo começou e que o arrojado projecto de 4 dias de competição, para além do seu pioneirismo, acabou por servir de modelo ao Portugal O’Meeting. Tudo bons motivos para passearmos pelas páginas do evento e, seguindo os habituais parâmetros – acessibilidade, facilidade de navegação, apresentação, conteúdos e aspecto gráfico -, irmos abrindo o apetite para o muito de bom que podemos esperar.


1. ACESSIBILIDADE


Para analisar este aspecto, foram usados dois motores de busca e uma ligação através do “site” da Federação Portuguesa de Orientação. Começando por este, “viajamos” do calendário de provas directamente para “homepage” do evento com toda a facilidade. O “Google” revela-se igualmente um excelente motor de busca, remetendo para a página do clube, quer vamos por “Clube de Orientação do Minho” ou por “Quatro Dias do Minho”. Quanto ao “Yahoo” não só não é tão rápido como não identifica “Quatro Dias do Minho”. Em ambos os casos, a entrada “Nacionais Absolutos Orientação Pedestre” remete para páginas (clubes, federação ou datas) que não as pretendidas.


2. FACILIDADE DE NAVEGAÇÃO


Nota máxima para este item. Depois de remeter para o evento na página de “Início”, é uma delícia passear por ali. O “menu” noticioso é vasto e completo, abrindo-se em páginas autónomas onde se pode encontrar a descrição desenvolvida ao pormenor.

Para quem, de fora, visita a página e pretende fazê-lo na “língua de sua majestade”, também tem essa possibilidade, o que constitui um excelente trunfo para qualquer página. Desde que… É que aqui as coisas já não estão tão bem, até porque a página de "Boas-Vindas" remete para a “Apresentação” em português. É necessária uma boa dose de sangue-frio e experimentar clicar em “Launch of the website” para se entrar – aí, sim! – na página “News” e ter acesso aos menus na coluna da direita. Mas aqui as coisas também não correm pelo melhor porque, apesar dos items que compõem o menu estarem traduzidos, essa tradução só tem correspondência no “Welcome”, em termos de desenvolvimento. É caso para questionar a validade da opção, mas aceita-se numa vertente, digamos, “experimental”.


3. APRESENTAÇÃO


Também aqui se deve reconhecer enorme qualidade, tanto pela forma cuidada como são distribuídos os elementos da página, como pelas suaves cores escolhidas, conferindo-lhe um visual harmonioso e apelativo. Nota de Apresentação simples e concisa, “menu” do evento na coluna da direita, barra de acessos ao “site” no plano superior da página e os tão importantes logótipos que permitem dar visibilidade às entidades organizadoras e apoiantes e possibilitam o acesso directo às respectivas páginas, são elementos fundamentais em qualquer página do género e aqui devidamente tratados.


4. CONTEÚDOS


Sem querer ser exaustivo, há conteúdos relevantes que gostaria de sublinhar. Desde logo a preocupação em reduzir ao mínimo os aspectos negativos de impacto ambiental, com a divulgação das regras e limitações impostas pela Direcção do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Outro dos aspectos devidamente salvaguardados e a merecer destaque é o “Regulamento” do Campeonato Nacional Absoluto, em particular no que diz respeito às alterações sofridas por proposta do próprio .COM.

Nas “Informações Gerais” e “Informações Técnicas” encontra-se tudo aquilo que poderíamos desejar e a única falha – entretanto colmatada com a publicação das “Partidas” – era a "Lista de Inscritos", a qual só estava acessível através do “site” da Federação, a qual é – salvo melhor opinião – visualmente apelativa mas pouco prática em termos de consulta de listagens completas. Mapas, esquemas, localizações diversas – complementados com belíssimas fotografias -, são aspectos tratados em detalhe, “não vá o diabo tecê-las” e alguém desorientar-se. Faltará ainda o item “Fotos / Vídeos”, mas estou certo que, com o material entretanto recolhido, rapidamente fará parte do “Menu”.

Finalmente, se o Programa Desportivo é aliciante, o Programa Social não o é menos, incluindo a actuação do grupo musical “Voz do Povo” (sábado, 21:00), um Jantar-Convívio (sexta, 19:30) e uma Conferência, plena de actualidade, subordinada ao tema “Qualidade das provas de Orientação – A acção do Supervisor” (sexta, 14:00). Embora ligeiramente desfazado desta análise, não posso deixar de fazer aqui um reparo à data e hora escolhidas para levar a cabo a Conferência. E se a data até se poderia aceitar – embora com muitas reservas! – já a hora… Então não seria melhor aproveitar o período após o Jantar-Convívio e dar oportunidade a que mais pessoas pudessem marcar presença? Ou não será a Conferência para todos?


5. ASPECTO GRÁFICO

Já tudo ficou dito. O(s) webmaster(s) e todos quantos mantém as páginas actualizadas estão verdadeiramente de parabéns. Quanto à página, pode ser visitada em
http://www.pontocom.pt/actividades/20084DiasdoMinho/apresentacao.php ou clicando no logotipo que encima esta análise.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 20 de maio de 2008

A ESTREIA DO ORIENT'SHOW EM PORTUGAL




Carrega na memória dramas de outros tempos, dos inúmeros naufrágios provocados pelos traiçoeiros leixões ao desembarque das tropas liberais em 1832 ou aos recentes episódios de derrame de crude. Mas hoje queremos falar da Praia de Leça da Palmeira pelas melhores razões. É que ali teve lugar, ao final da manhã e início da tarde do passado sábado, o primeiro evento de Orient’Show em Portugal. Orientação alegre e descomplexada, com sabor a sol e a sal, salpicada de vento e mar.


Surgiu na Rússia em 2002, pela mão de Maxim Ryabkin e teve como objectivo principal a promoção da modalidade. Com o Orient’Show, pretendeu-se tornar a Orientação mais acessível aos espectadores e ainda mais espectacular. Aliando simplicidade e eficácia, o Orient’Show necessita apenas dum terreno delimitado (pavilhão, campo de futebol, etc.), com condições que permitam ao espectador seguir a prova do princípio ao fim, acompanhar os comentários e ser parte integrante do ambiente de grande festa e animação. Para além disto, a distância (de 100 a 900 metros) e o tempo de duração da prova (entre 20 e 360 segundos) constituem os aspectos distintivos em relação às clássicas provas de Orientação.

O Parque Matosinhos Tour serviu de pretexto à introdução do conceito no nosso País. E se o evento constituiu, no seu todo, uma bela jornada de propaganda da modalidade, esta 2ª etapa na praia foi-o ainda mais: não apenas pelo espaço de enorme beleza, como pela grande animação e entusiasmo no seio de todos quantos partilharam o “histórico momento”. Mas, acima de tudo, porque permitiu constatar esta enorme virtude de chegar a qualquer lado e poder-se dizer: “Olá, chamo-me Orientação e estou aqui para que possas passar um bocado bem divertido e mostrar o que vales. Tu, os teus filhos, os teus amigos, os amigos dos teus amigos…”


Os responsáveis do Grupo Desportivo 4 Caminhos quiseram puxar ao máximo pelas potencialidades do Orient’Show, única forma de fazer um balanço adequado da iniciativa. Muniram-se dos indispensáveis mapas e, no extenso areal da Praia de Leça, delimitaram um terreno com 150 x 100 metros. Buracos na areia ou pequenos montes representaram os desníveis onde se instalaram alguns pontos. Vistosos insufláveis, grades a formar labirintos, toldos de praia e mesmo mesas, constituíram as estruturas fixas. E, claro, não faltou sequer o ponto falso… Enquanto isso, através da instalação sonora, música, entrevistas e muita animação eram ajuda preciosa na criação de “ambiente”.

Imagina-se o tremendo gozo que terá dado aos elementos da Organização a montagem do “cenário”. Todavia, os grandes beneficiários foram mesmo os participantes que, sem excepção, aproveitaram ao máximo os momentos de puro prazer ali proporcionados. Que apenas pecaram por – qual areia entre os dedos - se esgotarem tão velozmente. Andreia Silva (COC) foi a mais rápida em prova e exprimia assim a ideia com que ficou: “Foi a primeira vez que fiz uma prova de Orient’Show e gostei. Acho que estava muito bem montada. Aqueles obstáculos, os insufláveis e tudo isso, deram uma dificuldade muito fixe à prova.” Quanto ao vencedor do Parque Matosinhos Tour, Diogo Miguel (OriEstarreja), começou por elogiar a Organização: “Para uma prova local, este evento teve mais qualidade do que muitas provas de âmbito nacional.” Referindo-se, em concreto, à 2ª etapa, Diogo Miguel foi taxativo ao afirmar que “fizeram muito bem em montar aqui esta etapa, num local excelente para o público poder assistir à prova. Só faltavam umas bancadas, para se poder ter melhor visibilidade e acompanhar a prova com outras condições.”

Numa análise fria e desapaixonada, poderíamos ir mais longe e dizer que faltou ali tudo aquilo que possa caber na imaginação de quem monta uma prova desta natureza. A criação dum cenário espectacular tem sobretudo a ver com a variedade e facilidade de recursos - humanos e logísticos –, embora as possibilidades sejam inesgotáveis. Mas Fernando Costa, da Organização, lança um aviso: “É fundamental fugir aos esquemas que utilizem demasiados materiais, dificultando a montagem do cenário e impossibilitando a realização do evento.” Para o Director da Prova o balanço não podia ser mais positivo: “A experiência da montagem deste Orient’Show leva a pensar que poderá estar aqui o futuro da divulgação da modalidade em Portugal. Falei mais de Orientação nestes dois ou três dias do que em vários anos de organizações na floresta.” E volta a reafirmar, em jeito de conclusão, que “esta actividade pode ser mesmo a rampa de lançamento para uma divulgação da modalidade em larga escala. O assunto merece a reflexão de todos os clubes e dos atletas mais experientes a nível nacional, no sentido de concertar estratégias que possam por em prática estas actividades duma forma realmente eficaz.”

Agora que se avizinha a época balnear, urge o tempo de arregaçar as mangas e aproveitar as enormes potencialidades do Orient’Show. Os programas de animação de praias levados a cabo pelas inúmeras autarquias que partilham as costas do nosso País enquadram perfeitamente actividades deste género e só é necessário vontade e disponibilidade para andar com as coisas para a frente. A Orientação agradece.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 19 de maio de 2008

ORIENTAÇÃO (MESMO) PARA TODOS!



“Viemos ao engano mas ainda bem que viemos. Muito obrigados por nos terem convencido. Só é pena não haver disto mais vezes.” Foi desta forma, espontânea e sincera, que um grupo de “seniores” do concelho de Estarreja exprimiu o sentimento dominante no final dum primeiro contacto com a Orientação. Como que a fazer jus ao dito: “Nunca é tarde para aprender”.

Já foi um dos pontos negros ambientais do nosso País. Hoje, Estarreja é um concelho virado para o futuro, com uma política de desenvolvimento amiga do ambiente e com modelos de proximidade às populações que incidem na promoção de actividades culturais e desportivas de enorme abrangência e impacto. Prova disso mesmo são os “Domingos em Movimento”, um projecto pioneiro no concelho e que pretende sensibilizar a população de todas as idades para a prática regular de actividades de recreação e lazer, que vão da marcha à hidroginástica, da dança aos jogos colectivos. Ou à Orientação, como aconteceu na manhã de ontem.

Aproveitando a realização da prova Local do Clube OriEstarreja, a escola Municipal do Desporto de Estarreja estabeleceu uma parceria que permitiu a doze “jovens”, com idades compreendidas entre os 55 e os 70 anos, descobrir o “desporto da floresta”. O mapa do Torrão do Lameiro foi o palco de todas as deambulações, levando os “aspirantes a orientistas” ao encontro duma floresta lindíssima, toda ela verde e flores. Vencidos apenas dois dos nove pontos distribuídos ao longo dum percurso circular, já todos haviam esquecido as juras de poupar o calçado domingueiro e se embrenhavam alegremente floresta dentro, uma olhadela no mapa, outra no trilho ou na linha de água.

Francisco Marques Pinto é daqueles que vinha “por causa do prémio do peddy-paper” e acabou por se ver mergulhado na floresta. “Eu não fazia ideia que isto era assim. E digo-lhe que gosto mais disto do que aquilo que fazemos lá no Pavilhão com o professor”, confessa. Para António Rasteiro, a Orientação já não é novidade: “Tinha participado já em duas ocasiões e gostei. Veja lá que até comprei uma bússola. Anda sempre comigo no carro e trago-a para estas coisas.” Foi ele o principal responsável por levar o grupo pelo bom caminho. E que bem que o fez.

Para um dos monitores da Escola Municipal do Desporto de Estarreja, Samuel Almeida, “esteve pouca gente porque o tempo não ajudou. E depois também alterámos o horário das actividades, passando-o para as dez horas. As pessoas levantam-se, ainda vão para as terras, depois vão à missa… é cedo para elas!” Quanto ao Clube OriEstarreja, esta foi mais uma oportunidade para promover a modalidade, situação para a qual “podem contar connosco”, no dizer dos seus responsáveis. Na manhã de ontem, a adesão pode não ter sido grande, mas esta “rapaziada” mostrou aquilo que vale. Foram poucos, mas bons!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 18 de maio de 2008

ORIENTOVAR NO WORLD OF O


BRINQUEDO
Miguel Torga


Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.


Este é um dia memorável para o “Orientovar” e seu autor. A integração no World of O representa, pessoalmente, um reconhecimento do mérito e tanto o gesto como as palavras de apreço e incentivo da parte de Jan Kocbach são motivo de natural satisfação e orgulho.

Neste momento de grande emoção, quero deixar aqui o meu público agradecimento ao Jan Kocbach, pela confiança em mim depositada, ao Fernando Costa, “o homem da ideia”, e ao Stig Alvestad, de quem recebi uma enorme força. Estou ciente das responsabilidades acrescidas com a maior visibilidade do “blogue” e com o facto de ser o único ali alojado a dirigir-se à comunidade orientista na língua de Camões. Sei, todavia, que posso contar com a preciosa colaboração de todos no sentido de me ajudarem a fazer sempre mais e melhor.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 17 de maio de 2008

PARQUE MATOSINHOS TOUR


Como alguém que abre as portas de sua casa e, com grande generosidade, evidencia a nobre arte de bem receber, o Grupo Desportivo 4 Caminhos voltou a brindar os amantes da Orientação com um delicioso programa, pleno de emoção e requinte, que não deixou ninguém indiferente.

Prova aberta de Orientação Pedestre, o Parque Matosinhos Tour desenrolou-se ao longo da manhã e início da tarde de hoje e contou com a participação de quatro centenas de atletas de todos os escalões e ambos os sexos. Desenrolando-se em diversos palcos do concelho de Matosinhos, aos participantes foi dada a possibilidade de protagonizarem um verdadeiro concerto em três andamentos, com um adágio na Quinta da Conceição, um allegro na Praia de Leça da Palmeira e um grand-finale no Parque do Carriçal.

O programa teve início na Quinta da Conceição, num mapa exigente do ponto de vista físico, com alguns desníveis abrindo-se em vários anfiteatros para o prazer e fruição dos amantes da Orientação. Uma excelente forma de conhecer o principal parque público de Matosinhos, onde pontificam o magnífico portal de estilo manuelino - que pertenceu ao Convento de Nossa Senhora da Conceição da Ordem de S. Francisco, aqui instalado em 1481 – o antigo claustro, alguns chafarizes monumentais e a Capela de S. Francisco.

A etapa seguinte teve lugar na Praia de Leça da Palmeira onde, pela primeira vez em Portugal, teve lugar uma prova de “orient-show”, demonstração em campo aberto duma prova de Orientação. Num mapa bastante simples, o elemento de dificuldade era conferido pela multiplicidade de pontos, implicando elevados níveis de concentração. Muito bem estruturada, a prova constituiu uma enorme surpresa e mereceu da parte de todos os mais rasgados elogios.

Com assento no Parque do Carriçal, o último episódio do evento levou os participantes ao encontro dum terreno eminentemente urbano, num mapa com algumas exigências do ponto de vista técnico e onde seria fácil perder preciosos segundos. No conjunto das três etapas, esta afigurou-se como a de maior grau de exigência e mais ao gosto do orientista “puro e duro”.

Mas o Parque Matosinhos Tour foi também convívio, descontracção, lazer, num hino às boas práticas de vida saudável. Foi ver os miúdos do Desporto Escolar arrastarem pais e mães para a partilha de momentos de inesquecível prazer. Foi apreciar como um grupo de enfermeiras estagiárias da Universidade Católica deixou por momentos as acções de rastreio de doenças metabólicas e cárdio-vasculares e, de mapa na mão, se dispôs a ir ao encontro dos pontos no terreno. Foi ver o “padrinho do evento”, Paulo Catarino, despir a pele do atleta e vestir a do orientista. E foi ver, acima de tudo, que o unido e coeso Grupo Desportivo 4 Caminhos continua a surpreender, a inovar e a querer mostrar que o céu é o limite.


Resultados completos em http://www.gd4caminhos.com/content/view/428/424/

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 16 de maio de 2008

VENHA CONHECER... OLGA SILVA


Chamo-me… OLGA Maria Reis Mineiro SILVA
Nasci em… Lisboa, em 1964
Vivo… na Quinta do Conde (Sesimbra)
A minha profissão é… “mãe a tempo inteiro”
O meu clube… Portugal Telecom
Pratico orientação desde… 2005

Na Orientação…

A Orientação é… um meio de estar na natureza e usufruir dela!
Para praticá-la basta… ter disposição e tempo!
A dificuldade maior é… orientar-me!
A minha estreia foi… em Terras do Bouro!
A maior alegria… é sentir que estou orientada!
A tremenda desilusão… é andar no mato sem saber onde estou!
Um grande receio… é não dar com os pontos!
O meu clube é… a confraternização, passear, essencialmente estarmos bem uns com os outros!
Competir é… chegar ao fim!
A minha maior ambição é… fazer o menos tempo possível!

… como na Vida!

Dizem que sou… pessimista!
O meu grande defeito… teimosia!
A minha maior virtude… persistência!
Como vejo o mundo… com bastantes defeitos!
O grande problema social… a falta de comunicação!
Um sonho… que haja mais entendimento e compreensão!
Um pesadelo… que isto se torne pior do que já está!
Um livro… “A Mais Alta Solidão”, de João Garcia!
Um filme… “Música no Coração”!
Na ilha deserta não dispensava… o sossego!


Na próxima semana venha conhecer Eduardo Fonseca.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 15 de maio de 2008

PELO BURACO DA FECHADURA


O próximo fim-de-semana volta a ser fértil em provas de Orientação Pedestre. Ao encontro do estreante “Troféu do Sabugueiro” e do repetente “Parque Matosinhos Tour”, visitámos as páginas oficiais dos eventos e recolhemos ideias para um “frente-a-frente” entre ambas. Dentre elas, porém, uma há que prevalece e apraz, desde logo, registar: Estão ali coisas muito bem feitas, concebidas com enorme paixão, com gosto, com arte. Vamos espreitá-las, pois, pelo buraco da fechadura.

Uma verificação atenta e criteriosa do trabalho prévio, permite adivinhar que são muitas as organizações que preparam as suas provas com o mesmo cuidado e empenho, quer se trate duma prova local ou duma WRE, pontuável para o “ranking” mundial da modalidade. Uma das faces visíveis de todo esse trabalho é a página oficial do evento onde, a par das normais ferramentas e das informações julgadas pertinentes, podemos encontrar de tudo um pouco, ao gosto e ao jeito de quem a desenhou e a mantém.

Com base em cinco aspectos julgados relevantes – acessibilidade, facilidade de navegação, apresentação, conteúdos e aspecto gráfico – foi possível desenvolver um estudo comparativo entre ambas as páginas. A análise deve ser encarada sob o ponto de vista valorativo e não encerra, em si, qualquer crítica menos construtiva. É apenas a visão pessoal de quem ali mergulhou e que, com uma sensibilidade própria, decidiu partilhar as suas impressões.

1. ACESSIBILIDADE

Para analisar este aspecto, foram usados dois motores de busca e uma ligação através do “site” da Federação Portuguesa de Orientação. Começando por este, é possível “viajar” do calendário de provas directamente para as páginas principais dos eventos. Quanto ao “Google”, com um tempo de resposta “quase imediato”, identifica os eventos logo na primeira opção, remetendo para os “sites” dos clubes respectivos, onde se encontram alojados, e abrindo directamente as páginas dos eventos.

O “Yahoo” não é tão rápido mas identifica igualmente o “I Troféu Sabugueiro” como primeira opção, mas… via FPO (a segunda opção é via ORIENTOVAR). Nas primeiras vinte opções - algumas delas sem nada a ver com o evento -, nenhuma remete directamente para a página oficial. Em pior situação está o “Parque Matosinhos Tour”,onde a busca de referências se revela um caso perdido. É possível encontrar saídas para “Park Matosinhos Tour”, mas todas elas remetem para a edição 2007.


2. FACILIDADE DE NAVEGAÇÃO

Ambas as páginas apresentam os respectivos sumários no início, do lado esquerdo, remetendo para os variados conteúdos. Os conteúdos são de fácil identificação e a grande diferença reside no facto de a coluna com os desenvolvimentos ser mais larga no caso do “Parque Matosinhos Tour”. Isto implica uma menor manipulação do cursor e poderá facilitar a visualização dos conteúdos, quando estes são extensos.

Também o número de “saídas” nas páginas das duas provas difere em muito, com nítida desvantagem para o “I Troféu do Sabugueiro”, cujo número nos parece exagerado. Percebe-se a ideia de sectorizar todos os aspectos organizativos; mas talvez resultasse melhor um pouco mais de síntese.


3. APRESENTAÇÃO

A apresentação funciona como um verdadeiro “cartão de visita” do evento e deve servir para “abrir o apetite” aos potenciais interessados. No caso do “I Troféu do Sabugueiro”, devemos entender a página inicial dessa forma. Uma contagem decrescente ao segundo e o delicioso convite a “… um fim de semana Inesquecível” aguçam a curiosidade e levam-nos a querer descobrir mais. Uma vez lá dentro, a informação demasiado condensada faz com que a bitola descaia ligeiramente.

Quanto à apresentação do “Parque Matosinhos Tour”, é seguramente mais convencional, encimada por vistosos logótipos (três, concretamente, abrindo de forma inopinada) e contendo notícias do evento. Logótipos das entidades organizadoras e apoiantes, com “links” para as páginas respectivas, aliam funcionalidade e sobriedade.


4. CONTEÚDOS

Seria exaustivo nomear todas as semelhanças e diferenças encontradas, pelo que referirei apenas as que julgo mais significativas. Começando pelas “notícias”, ambas as páginas são deficitárias no seu tratamento. O “Parque Matosinhos Tour” faz uma gestão diária das notícias, introduzindo-as parcimoniosamente mas pecando por não as desenvolver. O “I Troféu do Sabugueiro” não valoriza a notícia com interesse prático, substituindo-a pela “entrevista”. Na prática, doze das dezassete “notícias” são entrevistas (preciosas, diga-se!), mas cujo enquadramento seria, naturalmente, o do belíssimo "site" do clube (Sociedade Recreativa S. Pedro da Gafanhoeira) e não este. Aliás, seria uma lástima que, após o evento, estas entrevistas não “saltassem” para o “site”.

As "informações gerais" são completíssimas no caso do “Parque Matosinhos Tour”, havendo como única falha a apontar, a descrição daquilo a que chamam “lembranças”. A indefinição quanto ao tipo de apoios pode estar na origem desta lacuna. No caso do “I Troféu do Sabugueiro”, encontramos aqui um exemplo prático do que referimos no ponto 2 ("Facilidade de Navegação"): Localização, Inscrições e Prémios, por exemplo, surgem no sumário em janelas separadas, quando poderiam estar englobados nas "Informações Gerais".

As "informações técnicas" são detalhadamente expostas no “I Troféu do Sabugueiro” fazendo-se acompanhar de exemplos de mapas e de apelativas fotografias. O mesmo acontece, basicamente, com o “Parque Matosinhos Tour”, onde há, contudo, um importante aspecto negativo a salientar: No lugar da grelha com as distâncias e pontos de controlo do Parque do Carriçal, permanece um lacónico “a anunciar”.

Quanto aos argumentos multimédia de cada uma das páginas, o “Parque Matosinhos Tour” vale-se da edição 2007 para dar a conhecer melhor o enquadramento natural e paisagístico do evento. Fá-lo com recurso a um excelente vídeo e ao trabalho fotográfico desse verdadeiro senhor que dá pelo nome de Jorge Correia Dias. Sem qualquer tipo de “antecedente”, o “I Troféu do Sabugueiro” socorre-se das belezas desse Alentejo de encantos mil, para nos fazer voar nas asas do sonho. E que bem que o faz, nas maravilhosas imagens de Hugo Borda d’Água, a quem tiro igualmente o chapéu.


5. ASPECTO GRÁFICO

São duas páginas graficamente muito bem concebidas. A do “Parque Matosinhos Tour” surge na linha das páginas de anteriores eventos organizados pelo GD4Caminhos e parece submeter-se ao princípio de que “em equipa que joga bem não se mexe”. No caso do “I Troféu do Sabugueiro” parece-nos merecer um ou outro acerto – um dos quais poderá ser o “escurecimento” do fundo, no caso de se pretender manter a letra em cor branca.

No cômputo geral, os responsáveis pelas páginas estão verdadeiramente de parabéns e aqui ficam os votos de que este bom trabalho seja prenúncio dum ainda melhor desenvolvimento organizativo no próximo fim-de-semana.

As páginas podem ser visitadas em

http://www.srgafanhoeira.pt/sabugueiro/

http://www.gd4caminhos.com/content/view/426/420/

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 14 de maio de 2008

I TROFÉU DE ORIENTAÇÃO "SENTIR PENAFIEL"


"Sentir Penafiel". Foi este o nome escolhido pelos responsáveis da Associação Desportiva de Cabroelo para a primeira edição dum Troféu que colocou, ao longo do passado fim-de-semana, Penafiel e o Vale do Sousa de novo no mapa da Orientação em Portugal.

Prova de Orientação Pedestre a contar para a Taça FPO Norte e Desporto Escolar, o I Troféu de Orientação "Sentir Penafiel" desenrolou-se ao longo de dois dias e contou com a participação total de 346 atletas de ambos os sexos e todos os escalões, dos OPT's à Elite.

O primeiro dia de provas estreou o mapa de Figueira, numa zona arborizada de pinheiro e eucalipto, pontuada de arredondados e imponentes blocos graníticos e com alguns desníveis. A forte afluência dos jovens participantes na prova de Desporto Escolar contrastou com as modestas presenças nos vários escalões do Desporto Federado.

Esta situação tornou-se ainda mais evidente no dia seguinte onde, no mapa revisto de Cabroelo, evoluíram escassos 100 atletas. Se pensarmos que, destes, apenas 19 pertenciam aos escalões de formação (16 masculinos e 3 femininos) e que na elite feminina a única concorrente – Paula Nóbrega (OriMarão) não terminou a sua prova no 1º dia e fez um “mp” no 2º dia, então devemos concordar que algo estará profundamente errado e a necessitar urgentemente de ser repensado.

Para fazer uma avaliação do que foi o I Troféu de Orientação “Sentir Penafiel”, o Director da Prova, Cesário Ferreira, dispôs-se amavelmente a responder às seguintes questões colocadas:

Joaquim Margarido (J.M.) - Que balanço se pode fazer deste I Troféu de Orientação "Sentir Penafiel"?

Cesário Ferreira (C.F.) -O balanço é positivo. Penso que, de uma forma geral – e exceptuando, obviamente, o número de participantes federados -, os objectivos foram alcançados. Os mapas e os percursos foram do agrado dos atletas e, no aspecto competitivo, mesmo com um baixo número de inscritos, houve muita luta. Por exemplo, na Elite Masculina, os primeiros ficaram separados por escassos minutos. Já a churrascada final foi a cereja em cima do bolo, com muita animação e, acima de tudo, muita confraternização entre os atletas. Penso que, no final, todos partiram para casa satisfeitos.

J.M. - Que apoios tiveram?

C.F. - A realização deste evento não seria possível sem o apoio da Câmara Municipal de Penafiel, da Junta de Freguesia de Figueira, da Junta de Freguesia de Capela e de algumas entidades privadas.


J.M. - O município de Penafiel ganha um novo mapa (Figueira) e vê outro ser actualizado (Cabroelo). Que aspectos realçaria nos mapas e que vão de encontro a esse tão apelativo "sentir Penafiel"?

C.F. - Os mapas situam-se na Serra do Mózinho que, quer pela sua variedade de vegetação, quer pelas áreas abertas com muitos afloramentos rochosos e pedras, tornam os mapas muito técnicos, com elementos novos a cada metro percorrido. Isto torna os percursos muito interessantes.

J.M. - A fraca afluência de atletas federados voltou a notar-se, aqui "mascarada" pela excelente presença de duas centenas e meia de jovens do desporto escolar. Como é que avalia uma situação que começa a ser recorrente, sobretudo no Norte?

C.F. - Penso que a fraca afluência se deveu a algum cansaço dos atletas. Na semana anterior tivemos quatro dias de provas em Estremoz, com os Campeonatos Nacionais de Estafetas e os Campeonatos Nacionais de Distância Longa, muito exigentes fisicamente. Outro dos motivos prende-se com a desmotivação dos atletas. Estamos quase no final da época e de “ranking” nada... Aliás, segundo algumas informações, parece que nem vai haver.

J.M. - Como é que a A.D. Cabroelo gere o dia-a-dia e ainda consegue tempo e coragem para levar por diante um projecto desta envergadura, com um belo programa social paralelamente à vertente competitiva?

C.F. - A A.D. Cabroelo situa-se numa aldeia com pouco mais de 300 habitantes, onde cerca de 30% da população já praticou Orientação. Apesar disso, da forte implantação da modalidade numa pequena povoação, só com muita dedicação e esforço dos dirigentes e atletas deste clube à Orientação, se torna possível levar por diante eventos desta natureza .

J.M. - Até onde vai a ambição da A.D. Cabroelo?

C.F. - Os objectivos deste clube passam por uma maior divulgação da Orientação no Vale do Sousa e pela cativação de mais praticantes. E - porque não? - a realização de um evento a contar para a Taça de Portugal.

Resta referir, a título de curiosidade, que Celso Moiteiro (COC) impôs-se nas duas etapas e venceu este I Troféu de Orientação “Sentir Penafiel”. O Ori-Estarreja foi o clube que mais títulos individuais alcançou, precisamente cinco. E que seis atletas dinamarqueses (três em H45A e outros três em H50A), em representação da turma OK HTF, da cidade de Jels, próximo da costa sudoeste do País, conferiram à prova um cunho “internacional”.

Consulte os resultados completos em
http://adcabroelo.no.sapo.pt/ITSP.htm .

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


[foto gentilmente cedida por Jorge Dias. Veja todas as fotos em
http://picasaweb.google.pt/JorgeCorreiaDias/20080510ITrofUOriSentirPenafiel]

terça-feira, 13 de maio de 2008

OS VERDES ANOS: VERA ALVAREZ


Campeã Mundial de Orientação Escolar na Distância Média, Vera Alvarez (EB 2,3 da Sarrazola / CPOC) é a convidada de honra da rubrica "Os Verdes Anos", que hoje se estreia.


Este Campeonato do Mundo foi a minha primeira representação nacional. Fiquei muito feliz por Portugal ter conseguido dois terceiros lugares por equipas e de ter contribuído para isso. A prova de Distância Média correu-me bem, sem qualquer erro técnico. Quanto à corrida, estava muito bem preparada fisicamente. À chegada da prova, com o tempo que tinha feito, sabia que tinha hipótese de obter uma boa classificação. Como chovia imenso e estava muito frio, apanhei de imediato o primeiro transporte para o local de alojamento, a mais de uma hora de caminho, juntamente com outros atletas que já tinham terminado. Logo, só soube o resultado algum tempo depois, quando me conseguiram contactar. Em Portugal, estavam “on-line” a acompanhar tudo. Acho que fui a última a saber… Nem queria acreditar que era campeã do mundo!...


… E o Luís vice-campeão. Foi uma sensação inesquecível, um orgulho incrível que me motiva e dá força para continuar a treinar muito. Por outro lado foi compensador, pois esta época tem sido difícil para mim. Estou a competir, em Portugal, no escalão acima da minha idade, com atletas de elevado nível e grandes amigas minhas, o que tem sido um desafio. Tive, entrentanto, uma lesão num pé que, felizmente, já está recuperada.


Treino seis dias por semana, três dos quais na minha escola. Só descanso à 2ª Feira, dia em que aproveito para nadar. À 4ª Feira fazemos treino técnico, nos restantes treino de corrida. Para além das provas do Desporto Escolar com a equipa da escola, participo com o meu clube de sempre, o CPOC, nas provas federadas e nos estágios. Pratico Orientação desde os nove anos por influência familiar e porque gosto. A minha mãe é a professora responsável pela Orientação da Escola e o meu irmão é um dos melhores atletas da Elite. O apoio da minha família e do meu Clube têm sido fundamentais.


Na escola tenho tido sempre boas notas e desde o 5º Ano que pertenço ao Quadro de Mérito Académico. O facto de ter o tempo muito ocupado obriga-me a ser mais responsável e a gerir o meu estudo de forma organizada. As minhas disciplinas preferidas são, para além da Educação Física, a Matemática e as Ciências. Tenho excelentes professores. Já ganhei duas vezes as Olimpíadas da Matemática no meu ano. No futuro, penso tirar um curso universitário na área das ciências, mas ainda não me decidi.


Aquilo que mais gosto de fazer é estar com os meus amigos e conhecer os locais espectaculares que este desporto me proporciona. Por tudo isto, espero continuar a ter a oportunidade de me “orientar” e recomendo esta prática saudável a todos, quer seja a competir, quer seja na vertente do lazer, dependendo do gosto de cada um. Vem para a floresta, pega num mapa e numa bússola e… Orienta-te!”


Vera Alvarez

EB 2,3 da Sarrazola (Colares)

Campeã Mundial de Orientação Escolar 2008



Periodicamente, aqui procurarei trazer as reflexões daqueles que, um pouco por toda a parte, vão despontando para a modalidade e mostrando as suas reais aptidões e capacidades. Fico à espera dos vossos comentários.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO