quarta-feira, 30 de abril de 2008

À DESCOBERTA DOS PARQUES DA INVICTA (II)


SERRALVES, UM PARAÍSO

No dia seguinte, partimos à descoberta do reputado Parque de Serralves, que seria utilizado como cenário do O`Porto Park Race; ou seja, vamos todos deleitar-nos com o jardim mais paradisíaco da invicta cidade. E quero desde já informar que levei este conselho “à letra”.

Ao entrarmos no perímetro do parque, ficamos desde logo com a sensação que teríamos pela frente um acontecimento de qualidade (ou não estivesse a cargo do GD4C). A área das partidas e chegadas era espectacular. Então a recta final, num tapete verde deslumbrante, prometia sprints apoteóticos. O ambiente era de tal forma apelativo que, por mim, partiria logo a abrir; nem sei como iria aguentar pela minha hora de partida, que seria lá para os confins da manhã. Como tinha trazido uns familiares para fazerem a sua primeira experiência “a solo”, fui-me entretendo a fornecer-lhes umas derradeiras dicas, de forma a não ficarem com nenhum trauma. E não é que eles passaram com distinção?

O tempo continuava a “fazer caretas” mas, comparado com o dia anterior, estava perfeito para mais uma viagem de descoberta. Ainda andava a fazer horas, quando chega o campeão Joaquim Sousa todo “amachucado”, por força dum derrapanço mal controlado. Isto significava um sério aviso à navegação: Cuidado com as zonas húmidas de piso empedrado.

Já tinha visitado este parque há alguns anos e o que me aflorava à memória era a geometria dos jardins, que proporcionaria verdadeiras pernadas labirínticas. Tudo iria depender dos locais onde os pontos fossem colocados mas, conhecendo o traçador, não tinha dúvidas quanto aquilo que me esperava. Simplesmente magnífico!

Se me convidaram para o paraíso, só tinha de o desfrutar e analisando os meus 28 minutos de prova devo ter aproveitado bem (he! he!). Eu era lá capaz de passar por cima duma sebe de rododendros toda artisticamente aparada, só para picar o ponto do outro lado. Não! …Contornava os canteirinhos todos!

Acham que poderia avaliar a beleza daquelas rosas e camélias, sem usufruir do seu aroma? Conseguir abstrair-me das “gipsófilias”, “gambuzinos” e “burriés”, que me iam aparecendo? (he! he!) Claro que não. E não é todos os dias que se pode estar “tu cá tu lá” com sequóias, liquidâmbares ou teixos. Há que não desperdiçar a oportunidade.

Estão a ver-me a calcar a plantação de ervas aromáticas? E os morangueiros? Sou um tipo com princípios, c´os diabos!

Como poderia encontrar a gigante escultural “Colher de Jardineiro” sem a admirar? Quem mandou colocar um ponto mesmo ao seu lado?

Deslumbraram-se com a panorâmica dos jardins da “Casa”? Sentiram o romance no ar, nas margens do lago? Alguém reparou no colorido dos seus peixes? Auscultaram o concerto das rãs? O trinado afinadinho dos melros? Não sabem o que perderam! (façam o favor de lá voltar).

Com todo este comportamento altamente cívico (e porque não erudito-intelectual, mais um termo para o “acordo”, he! he!), resultou que quando ataquei o ponto de verdadeira orientação (58) em plena mata, que não tinha qualquer dificuldade e apenas sobressaía pela diferença, levei com dois minutos bem assentes. Nesse de lá para cá, passo esbaforido três vezes pelo amigo Orlando que, já cansado de me ver a deambular, atira: “Andas a pastar, Luís!” Como é que ele terá adivinhado? Foi o deprimente momento do “espécie”.

Finalmente tive o ensejo de usar a pista verdejante das chegadas e “pernas para que vos quero”. A excelência desta zona funcionou como motivação extra para todos os concorrentes, que dava gosto observar a alegria estampada nos rostos, ao terminarem os seus percursos. Ao presenciar a surpreendente chegada da minha mulher até me assustei, nunca a tinha visto sprintar com aquela vontade (força rapariga, nunca me enganaste!).

Com o esforço, fiquei a “deitar os bofes” e necessitei duns minutos para estabilizar. Mas a alma, essa, encontrava-se em êxtase e desanuviada para mais umas semanas de labuta.

Ah!... O fenómeno do dia: Dizem-me que choveu bastante durante a minha prova!… Acredito…mas não senti…

Luís Pereira

terça-feira, 29 de abril de 2008

À DESCOBERTA DOS PARQUES DA INVICTA (I)


PASTELEIRA vs PALÁCIO

O que mais as abnegadas organizações ainda terão para oferecer aos estóicos participantes de provas de orientação?

A frase que ouvi algures, de que a “orientação se pratica onde um homem quiser”, continua a ser uma máxima para a modalidade, contrariando no entanto, algumas ideias mais conservadoras que defendem a orientação pura e dura nas florestas. Agora, o que ninguém pode duvidar, é que a melhor forma de divulgar o “melhor desporto do mundo” passa, necessariamente, pelas provas em parques ou zonas urbanas.

E esta foi a fórmula escolhida para o Troféu de Orientação do Porto e O`Porto Park Race. Três etapas percorridas noutros tantos parques, congregando umas largas centenas de atletas, uns provenientes do Desporto Escolar, os digníssimos orientistas e os não menos importantes “espécies”.

Uma jornada heróica, em condições diluvianas, que terá afugentado pelo menos um terço dos inscritos. Mas o estoicismo da malta que marcou presença é de tal ordem, que se manteve impassível perante a falta de respeito do S. Pedro. Se julgavam que as provas “aquáticas” eram do foro exclusivo do Ori-Estarreja, esqueçam, pois o GD4C passa também a fazer parte desse grupo restrito. Podem escrever o que vos digo “chuva civil não molha orientista” (bem…ensopa um bocadinho, mas sabe tão bem).

Os locais onde se desenrolaram as provas terão sido, para a maioria, uma agradável descoberta. Parque da Pasteleira, Palácio Cristal e o intocável e elitista Jardim de Serralves, constituíram o “triunvirato” em que a organização se baseou para estes memoráveis eventos.

Ninguém no Porto, poderia acreditar que alguma vez se pudesse assistir a uma imensidade de orientistas espalhados pelos belos e bem tratados jardins de Serralves, a vasculhar tudo que fosse cor de laranja. Esta façanha só poderá ser comparável a uma futura prova nos jardins do Palácio de Belém, he! he! (claro que não me esqueço da prova no Parque da Pena que foi também um feito extraordinário). Só mesmo a rapaziada da orientação consegue a proeza de levar os seus atletas ao coração de verdadeiros santuários.

Este género de provas, com característica de Sprint, são normalmente de exigência técnica acessível, mas em termos físicos o nível é bem mais elevado. E depois sobressai outra “lei” que se aplica à orientação como uma luva: “Depressa e bem há pouco quem…”, que traduzido dá “correr bem, mas raciocinar melhor”.

O Parque da Pasteleira, com os seus relvados em sobe e desce (perigosamente escorregadios), várias zonas com equipamentos infantis, estátuas, arbustos dispersos, pontes e uma interminável rede de caminhos, complicou a vida aos menos precavidos e contrariou a tão propalada facilidade, dando origem aos aterradores “mp`s”.

O espécie “nadou” o melhor que pôde, mas a falta das barbatanas fez a sua mossa. Não queiram saber a quantidade de água a que estive sujeito. Senti até alguma dificuldade em respirar (se calhar pela falta de treino, não por afogamento). Uma ou outra hesitação com o raio dos caminhos…dos baloiços…dos chafarizes…e quase patinava no lamaçal inclinado do 45, mas não faltou aqui quem praticasse o “lama-board” (velhos tempos, he! he!). As constantes mudanças de direcção, quase me provocaram ouras, que me iam fazendo perder o norte no emaranhado dos pontos 15 a 19.

Encharcado e feliz da vida (não fazia uma prova há seis semanas!), não consegui melhor que uns confrangedores 19 minutos, mas nem tive tempo para pensar muito no assunto, pois tínhamos de seguir de imediato para a etapa seguinte no Palácio Cristal. Quem irradiava felicidade era uma das minhas filhotas, que tinha acabado de fazer o seu baptismo na orientação, sem a muleta paterna. Teve uma prestação muito acima do esperado (não vai sair ao progenitor).

É sempre agradável voltar a um local onde se foi particularmente feliz. Portanto, este regresso aos jardins do Palácio, constituiu para mim um enorme prazer. Não estejam a imaginar situações embaraçosas, porque a minha excitação prende-se com a recordação da surpreendente prova do ano passado (suas mentes doentias).

Novamente a prova do Palácio foi simplesmente espectacular e arrasadora no aspecto físico. Um traçado que nos obrigou a percorrer todos os recantos do parque, assemelhando-se a uma verdadeira visita guiada. Apesar de já conhecer o mapa, o percurso apresentou-se completamente diferente e deu para constatar um fenómeno, no mínimo intrigante e de difícil explicação científica: as escadas reproduziram-se!!! Aquilo é que foi subir e descer; um nunca mais acabar de degraus. Não subi alguns de gatas por vergonha (he! he!).

A chuva continuava a cair com tal intensidade, que no ponto 81, junto ao torreão, formou-se um lago. Para picar a baliza tive de molhar as canelas (que por acaso é uma coisa que me chateia, porque com pés frios desconcentro-me). Quando começava a aquecer, no ponto da ilha (84), atolo-me na lama e fico com aspecto de verdadeiro orientista (bem feito, não te armasses em fino!) e na sequência, por um triz era atacado por uma pata, que furiosamente defendia os seus domínios (mania a nossa de invadir propriedade alheia).

Mal completei a prova (27 minutos muito razoáveis), a bátega de água que me perseguiu todo o percurso e me deixou como um pintainho, parou, e o sol aparece a dar um arzinho da sua graça (oh S. Pedro! estas malandrices não se fazem!). Para satisfação de “pai babado”, surge a minha filha toda eufórica, com um tempo superior ao da Pasteleira. Ai que a moça está a sair da casca! (vou esperar para ver).

Eu vou aparecendo.

Luís Pereira

segunda-feira, 28 de abril de 2008

TEMOS "BLOG"!


Anima-se a "blogosfera" especializada em Orientação com o aparecimento dum novo espaço. É da autoria de Nuno Rebelo, atleta do Ori-Estarreja, e traz uma "carta de intenções" com a promessa de apresentar "alguns mapas de provas e algo mais".

Numa análise sumária, ficamos a perceber que o "algo mais" são vídeos, alguns comentários técnicos aos mapas e apontamentos de índole pessoal. O que já não é pouco! Um punhado de fotos do atleta, um útil calendário e "links" para alguns sítios de referência completam um "blog" visualmente (sempre) bem conseguido e que Nuno Rebelo quis subtitular de "o impossível é tudo".

O que não é de todo impossível é seguir a sugestão de Nuno Rebelo, passar por lá e "estar à vontade para comentar." Daqui vai um abraço de felicidades para o Nuno e para o seu blogue, ao qual se pode aceder directamente clicando no logotipo acima.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 27 de abril de 2008

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO ESCOLAR ISF 2008



MEDALHAS E SORRISOS NO REGRESSO DAS COMITIVAS

Com a Estafeta da Amizade, encerraram da melhor forma os Campeonatos do Mundo de Orientação Escolar ISF 2008, que ao longo de uma inesquecível semana tiveram lugar na cidade escocesa de Edimburgo.

Agrupando todos os participantes – alunos e professores – em equipas multinacionais de três elementos cada, a Estafeta da Amizade desenrolou-se no belo enquadramento do Holyrood Park, a leste do Castelo de Edimburgo e junto ao “Trono de Artur”, um vulcão extinto. A primeira das 179 equipas a cruzar a linha de meta foi constituída por Karlis Baltacis (Letónia), Thomas Louth (Inglaterra) e Zhan Xi Ying (RP China) e gastou 31:55. A jovem Xi Ying alcançou a proeza de dar à República Popular da China a sua primeira vitória de sempre em provas de Orientação do Desporto Escolar.

John Persson (Suécia), Lauren Eyre (Escócia) e Toms Riekstins (Letónia) terminaram na 2ª posição com 32:19. Apenas 2 segundos mais tarde, entraria a equipa classificada em 3º lugar, constituída pelo inglês Peter Hodkinson – responsável pelo percurso individual mais rápido de todos -, a letã Agnese Baronina e o esloveno Bojan Kavcic. Carla Maia (EB 2,3 A Ribeirinha) integrou, com o austríaco Robert Merl e o escocês Sam Burgess, a equipa 4ª classificada da geral, com 33:45. A nossa “menina de ouro”, Vera Alvarez (EB 2,3 da Sarrazola) alcançou, com a sueca Johanna Olsson e o escocês Shaun Rogerson, o 5º lugar, gastando 33:51.

Globalmente, a prestação portuguesa foi a melhor de sempre nuns Mundiais de Orientação Escolar. À “novidade” dos títulos individuais – os iniciados Vera Alvarez Miranda e Luís Pinto sagraram-se, respectivamente, Campeã e Vice-Campeão de Distância Média – somam-se ainda as medalhas de bronze alcançadas pelos colectivos femininos da EB 2,3 A Ribeirinha (juvenis) e EB 2,3 da Sarrazola (iniciados). Responsável pela representação masculina, a Escola Secundária de Pinhal Novo viu os seus iniciados quedarem-se a um escasso lugar do pódio e apenas os juvenis masculinos, de quem muito havia – e há! – a esperar, não foram além da 10ª posição.

Com as comitivas de regresso a casa, a Orientação nacional - a nível escolar e federado – está ciente das responsabilidades crescentes e prepara-se agora para enfrentar novos e maiores desafios. O Desporto Escolar, como projecto extra-curricular, académico, de enriquecimento psicomotor e social dos alunos, mostra dar passos certos e seguros. A criação das Escolas de Referência Desportiva apresenta já resultados notáveis ao nível das várias modalidades que integra, entre as quais a Orientação passa por ser um excelente exemplo.

Face a um conjunto de factores fortemente positivos, geradores de novos interesses e vontades e impulsionadores duma dinâmica de crescimento da modalidade, custa a perceber que os próximos Campeonatos Nacionais do Desporto Escolar estejam agendados para Évora, a 24 e 25 do próximo mês, precisamente no mesmo fim-de-semana em que, noutro extremo do País (Terras do Bouro), têm lugar os Nacionais Absolutos. A situação criada colocará, seguramente, problemas de toda a ordem, não só aos jovens atletas, como àqueles que os orientam, igualmente praticantes na sua maioria. Esperemos que esta situação não tenha passado duma lamentável “desatenção” por parte das entidades responsáveis – Federação Portuguesa de Orientação e Gabinete Coordenador do Desporto Escolar, na dependência do Ministério da Educação - e não seja sintoma duma indesejável falta de articulação (leia-se “comunhão de interesses”) entre o Desporto Escolar e o Desporto Federado, com prejuízos óbvios para ambas as partes.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 26 de abril de 2008

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO ESCOLAR ISF 2008


O “V” DA VITÓRIA GRAVADO A OURO E PRATA

Tinham prometido e cumpriram! Os atletas portugueses presentes nos Mundiais de Orientação Escolar gravaram a ouro e prata uma das mais belas páginas da Orientação nacional, fazendo a bandeira das quinas ondular ao vento pela vez primeira em eventos desta natureza. Autores da inusitada proeza, os iniciados Vera Alvarez Miranda e Luís Pinto, respectivamente campeã e vice-campeão do mundo na Distância Média, foram autênticos heróis nas florestas escocesas. No dia 25 de Abril, a Orientação portuguesa tem motivos acrescidos para festejar.

Barr Wood e a sua floresta de encantar foi palco da histórica vitória de Vera Alvarez na prova de Distância Média dos Campeonatos Mundiais de Orientação Escolar 2008, no escalão de iniciados femininos. A menina do CPOC, aqui em representação da EB 2,3 da Sarrazola – Colares (Sintra), fez uma prova de sonho e “voou” para o lugar mais alto do pódio ao completar os 2 km de prova (10 pontos de controlo) nuns fantásticos 12:42. Liga Valdmane, a atleta da Letónia que arrecadara o ouro da Distância Longa, quedou-se a distantes 38 segundos da portuguesa, com a austríaca Lucija Telismann a vingar o 8º lugar da prova anterior e a conquistar a 3ª posição com 14:16. Marta Ferreira voltou a ser a segunda melhor portuguesa apesar de, desta feita, não ter ido além da 18ª posição com 18:30. Carolina Moreira (35º lugar com 21:39), Joana Macieira (46º lugar com 28:03) e Rebeca Assunção (48º lugar com 28:50) completaram a turma da Sarrazola, numa prova concluída por 63 atletas. Colectivamente, entre 15 equipas, a turma sintrense repetiu o 4º lugar da Distância Longa e com o primeiro lugar do pódio a caber uma vez mais às letãs do Valmiera Pargauja Gimnasium, imediatamente seguidas pelas austríacas do BG/BRG Graz Kirchenpass e pelas neo-zelandesas de Havelock North High School.

Também em iniciados, mas no sector masculino, Luís Pinto (Escola Secundária Pinhal Novo) fez igualmente “a prova da sua vida”, melhorando – e de que maneira! – o 6º lugar da Distância Longa e vendo-se apenas suplantado pelo letão Ivars Klavins. No final, escassos treze segundos separaram os dois atletas, com Luís Silva a gastar 14:22 para os 2,5 km de prova (13 pontos de controlo) enquanto Klavins, 2º classificado na Distância Longa, fez 14:09. O escocês Finlay Langan, com 14:29, repetiu o 3º lugar da Distância Longa, para gaúdio dos muitos compatriotas que assistiram ao desenrolar da prova. Patryk Piosik, o polaco que havia vencido a prova de Distância Longa, deu aqui um “trambolhão” monumental, caindo para a 31ª posição. Quanto aos restantes portugueses em prova, Ricardo Reis foi o 22º classificado com 17:58, João Marques alcançou a 29ª posição com 19:15, Fábio Silva terminou no 55º lugar com 30:54 e Luís Graça foi o último dos 62 atletas que lograram completar o percurso, gastando 57:47.
Apesar da excelente prestação de Luís Silva, a turma pinhalnovense não foi além do 6º lugar colectivo entre 14 equipas. Riga State Gymnasium (Letónia) e Academia Aboyne (Escócia) repetiram as duas primeiras posições da Distância Longa com o 3º lugar a ser ocupado pelos ingleses da Ulverston Victoria High School.

Quanto à representação portuguesa no escalão de juvenis, voltou a estar bem melhor no sector feminino, com Joana Costa a liderar novamente o grupo da EB 2,3 A Ribeirinha (Vila do Conde), concluindo na 7ª posição com 21:47 para 3 km de prova (14 pontos de controlo). No lugar seguinte, com mais 0:50, classificou-se Isabel Sá e só na 32ª posição entraria Maria Oliveira com 31:19. Ágata Cerqueira, na 44ª posição com 33:52, e Carla Maia no 70º posto com 51:57 completaram a equipa, numa prova concluída por 76 atletas. À semelhança do que acontecera na prova de Distância Longa, a Suécia voltou a “açambarcar” os três lugares do pódio, com Anne Segersson e Johanna Persson a repetiram, respectivamente, o ouro e a prata da prova anterior. A EB 2,3 A Ribeirinha caiu colectivamente 3 lugares em relação à prova de Distância Longa, quedando pela 5ª posição em 18 equipas. As suecas do Eksjö Gymnasium voltaram a ser as grandes dominadoras, seguidas pelas inglesas da Ulverston Victoria High School e pelas eslovacas do Gymnásium sv Akvinského.

Numa prova ganha pelo espanhol Antonio Martinez, 6º classificado na Distância Longa, a representação juvenil masculina a cargo da Escola Secundária de Pinhal Novo viu Paulo Pereira alcançar o melhor resultado, classificando-se na 16ª posição com 22:34. Miguel Mouco (30º lugar com 26:06), Bruno Jesus (36º classificado com 27:47), Rafael Augusto (65º lugar com 49:55) e João Carvoeira (69ª posição com 54:08) foram os restantes elementos da turma pinhalnovense, numa prova que teve a distância de 3,7 km (15 pontos de controlo) e na qual lograram chegar ao fim 77 atletas. Em termos colectivos, a Escola Secundária de Pinhal Novo melhorou relativamente à prova de Distância Longa, alcançando a 8ª posição entre 18 participantes. A vitória coube aos suecos do Eksjö Gymnasium, com o 2º lugar a ser conquistado pelos finlandeses do Mäkelänrinteen Iukio e o 3º lugar a ir parar aos espanhóis da I E S La Creueta de Onil.

No cômputo geral, a Suécia reforçou a liderarança no “medalheiro” da competição, com um total de 13 medalhas (5 de ouro, 5 de prata e 3 de bronze), logo seguida da Inglaterra com 11 medalhas (5 de ouro, 2 de prata e 4 de bronze) e da Letónia com 10 medalhas (2 de ouro, 5 de prata e 3 de bronze). Portugal alcançou uma fantástica 4ª posição graças às medalhas de Vera Alvarez e Luís Silva, suplantando países bem mais credenciados, casos da Áustria, da Polónia, da Estónia, da França e, sobretudo, da Finlândia.

Saiba tudo em http://www.wsco2008.org.uk/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 25 de abril de 2008

VENHA CONHECER... JOÃO MONTEIRO


Chamo-me… JOÃO Carlos Martins Tomé MONTEIRO
Nasci no dia… 22 de Setembro de 1978, em Lisboa
Vivo em… Lisboa
A minha profissão é… Engenheiro Civil
O meu clube… Académico de Torres Vedras
Pratico orientação desde… 2003

Na Orientação…

A Orientação é… saber achar os pontos no terreno!
Para praticá-la basta… gostar da natureza!
A dificuldade maior é… conseguir ler bem o mapa!
A minha estreia foi em… a prova (?)… não sei!
A maior alegria… sempre que tenho um bom resultado!
A tremenda desilusão… quando fico para o fim da tabela!
Um grande receio… não tirar partido da diversão!
O meu clube… um grupo de amigos!
Competir é… ultrapassar os limites e tentar melhorar sempre!
A minha maior ambição… é divertir-me e alcançar bons resultados!

… como na Vida!

Dizem que sou… brincalhão!
O meu grande defeito… esta está difícil… não sei!
A minha maior virtude… é ter amigos!
Como vejo o mundo… um pouco egoísta, fechado sobre si mesmo!
O grande problema social… a desigualdade!
Um sonho… acabar com a fome e com a pobreza no mundo!
Um pesadelo… a destruição do planeta!
Um livro… “Os Grandes Ditadores”!
Um filme… “A Lenda”!
Na ilha deserta não dispensava…
se calhar a namorada!


Na próxima semana venha conhecer... Lídia Santana.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 24 de abril de 2008

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO ESCOLAR ISF 2008


PORTUGUESES COM LIÇÃO BEM ESTUDADA

Balanço extremamente positivo, o da participação portuguesa na primeira jornada dos Campeonatos do Mundo de Orientação Escolar que decorrem na Escócia desde a passada segunda-feira e integram quase quinhentos orientistas provenientes de 20 países. Com Joana Costa a quedar-se a um lugar do pódio e com cinco atletas no “top-ten” das respectivas provas, Portugal mostrou bons argumentos e promete lutar por mais e melhores resultados.

Suécia, Letónia e Inglaterra foram as grandes dominadoras da primeira jornada dos Campeonatos do Mundo de Orientação Escolar que decorreu na manhã e início da tarde de ontem na floresta de Devilla, nos arredores de Edimburgo. Percursos exigentes, da responsabilidade do traçador John Emeleus, para uma Prova de Distância Longa com algumas excelentes pernadas através do terreno, constituíram um verdadeiro teste à concentração e resistência dos corredores. No total das oito provas efectuadas – iniciados e juvenis de ambos os sexos, nas vertentes “escola” e “selecção” – os representantes dos três países mencionados alcançaram 16 das 24 medalhas em jogo, com a Suécia a ver os seus atletas subir por três vezes ao lugar mais alto do pódio.

Presente apenas na vertente “escola”, Portugal teve em Joana Costa a sua melhor representante, ao concluir a prova de juvenis femininos na 4ª posição, com um tempo de 46:02 (5,5 km para 12 controlos). Integrando a equipa da EB 2,3 A Ribeirinha (Vila do Conde), a jovem representante do Grupo Desportivo 4 Caminhos viu-se apenas suplantada por três orientistas, todas elas suecas e – facto não despiciendo! – todas elas com mais idade, já no último ano do seu escalão etário. Nesta prova, a campeã nacional de distância média, Isabel Sá, terminou na 9ª posição com 48:36. Maria Oliveira (25ª classificada com 1:09:06), Carla Maia (64ª classificada com 1:53:09) e Ágata Cerqueira (67ª classificada com 2:06:22) fecharam a turma de Vila do Conde, numa prova concluída por 71 orientistas. Colectivamente, a EB 2,3 A Ribeirinha alcançou um brilhante 2º lugar entre 16 escolas, com a vitória a pertencer à turma sueca do Eksjo Gym e o 3º lugar a ir para as inglesas de Ulverston.

Já as nossas representantes mais novas vieram da EB 2,3 da Sarrazola – Colares (Sintra) e conseguiram, igualmente, resultados dignos de registo. A letã Liga Valdmane foi a vencedora incontestada, cumprindo os 3,7 km dum percurso de 10 pontos de controlo em 32:27. Vera Alvarez Miranda viria a alcançar um excelente 5º lugar, com 42:40, quedando-se a menos de um minuto do pódio. Marta Ferreira, com 45:24, foi 7ª classificada enquanto Carolina Moreira, com 1:00:37, concluiria na 27ª posição. Joana Henriques Macieira e Rebeca Assunção fizeram “missing points”, numa prova em que terminaram 66 atletas. O colectivo da Sarrazola viria a classificar-se no 4º lugar em 15 equipas, imediatamente atrás das letãs do Valmiera Pargauja, das austríacas do BG/BRG Kirchenpasse e das polacas de Zespol Szkol W Mocha que ocuparam o pódio por esta ordem.

No sector masculino, a representação lusa esteve a cargo das equipas de iniciados e juvenis da Escola Secundária de Pinhal Novo. Começando pelos mais novos, Luis Silva concluiu na 6ª posição com 39:18 para os 4,6 km de prova (12 pontos de controlo) e com uma desvantagem superior a nove minutos relativamente ao vencedor, o polaco Patryk Piosik. Merece igualmente referência o facto de todos os atletas que precederam o atleta pinhalnovense na classificação serem juvenis de 2º ano, ao contrário de Luís Silva, ainda com um ano pela frente nesse escalão. Fábio Silva foi o 13º classificado com 47:24, enquanto Ricardo Reis alcançaria a 20ª posição com 59:19. Para além da hora de prova, João Marques com 1:02:42 concluiu na 23ª posição e Luis Graça acabou por ser desclassificado por “missing point”. Numa prova em que 54 atletas se classificaram, merece especial referência o facto de Finlay Langan, graças a um muito festejado 3º lugar, ter conquistado para o País anfitrião a primeira medalha absoluta ao nível da Orientação Escolar, num evento desta dimensão. Em termos colectivos, a Escola Secundária de Pinhal Novo alcançou um excelente 4º lugar entre 15 equipas. O lugar mais alto do pódio foi ocupado pelo Riga State Gym, da Letónia, com a Academia Aboyne (Escócia) e Zespol Szkol W Mocha (Pólónia) a alcançarem os 2º e 3º lugares, respectivamente.

Finalmente os nossos juvenis, um escalão onde as coisas correram menos bem. Miguel Mouco e Paulo Pereira, com 56:28 e 56:33 foram os nossos melhores representantes, concluindo nas 28ª e 29ª posições, respectivamente. Bruno Jesus no 35º lugar com 57:40 e Rafael Augusto na 76ª posição com 2:08:46, “fecharam” uma equipa que contou ainda com a participação de João Carvoeira, também ele desclassificado devido a “missing point”. A prova, na distância de 6,3 km (17 pontos de controlo), viu classificarem-se 80 atletas, sendo o finlandês Einari Heinaro, com 37:52, o mais rápido. Entre 18 concorrentes, a Secundária de Pinhal Novo não foi além do 10º lugar por equipas, numa prova que teve como vencedores a Eksjo Gym (Suécia), seguida dos finlandeses da Makelanrinne e do Gym Ogre, da Letónia.

Na dança das medalhas, o domínio pertence à Suécia com 6 (3 de ouro, 2 de prata e uma de bronze), seguida da Inglaterra (2 de ouro e 2 de bronze) e da Letónia (1 de ouro, 3 de prata e 2 de bronze).
Hoje foi dia de descanso para as comitivas e a organização ofereceu um belo passeio pedestre ao encontro da história e da cultura da cidade de Edimburgo. Amanhã regressa a competição com as provas de Distância Média em Barr Wood, uma área mais aberta e semeada de trilhos, num mapa recheado de pequenos pormenores.

Para saber mais, consulte o sítio oficial da prova em
http://www.wsco2008.org.uk/ ou clicando na figura acima.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O'PORTO PARK RACE (2)



OPT - OUTRA PARTE DO TRABALHO

Eram quatro, tinham vindo de Coimbra bem cedo e acabavam de tirar o bilhete. No interior do Museu de Arte Contemporânea, aguardava-as o grandiloquente “aquário” de Bruce Nauman. Mas hesitavam em entrar, entretidas a comentar aquilo que viam. Informais, de mapa na mão, a sós ou em pequenos grupos, correndo velozmente ou em passo tranquilo, “gente como elas” cruzava a espaços o verdejante relvado. A Orientação tomava conta de Serralves e, naquele instante, a arte era ali mesmo.

Começam a ser preocupantes estas 'brancas' no meu sentido de orientação. A tal ponto que, uma vez mais, falhei a entrada à primeira e penetrei no espaço de Serralves pelo sítio oposto. Adquiri o bilhete e comecei a vê-los, surgindo de todos os lados, invadindo os nobres espaços ajardinados e prendendo a atenção de quem passava, de quem estava. No rosto dos participantes, a indizível emoção e uma enorme satisfação traduziam fielmente a noção adquirida do privilégio que constituía deambular por um lugar tão belo e delicado, tão admiravelmente propício à descoberta. Que para os estreantes era redobrada, já que extensível à modalidade em si.

Este primeiro e marcante impacto com a realidade de Serralves fez-me esquecer tudo o resto. Procurando centrar as atenções no “público-alvo” de mais esta iniciativa do Grupo Desportivo 4 Caminhos, “alheie-me” dos atletas e fui ao encontro daqueles que estariam a tomar um primeiro contacto com a modalidade. Abrigado da chuva que, entretanto, começou a cair, procurei refazer todo um caminho que poderá ter levado a Serralves gente de todas as idades à procura do desconhecido.


Espreitei para lá do gesto firme dum pai que aponta a direcção a tomar, do brilhozinho nos olhos da criança quando avista ao longe um novo ponto, das interrogações daqueles que sentem nunca ser tarde para aprender, dos braços elevados ao céu num grito de vitória, do jeito compassado dos que, por força de muitas experiências de vida, sabem que o caminho se faz… a caminhar! E, no fim do caminho, avistei-os. O Grupo Desportivo 4 Caminhos e todos os ‘Grupos Desportivos 4 Caminhos’ deste Portugal que teimam em avivar o fogo da paixão pela modalidade que os anima e em fazê-lo alastrar numa fogueira de verdades e vontades incontrolável. Que a Serralves nos trouxe e nos mostrou, de novo, o Caminho.

Acompanhado ou só, o futuro o dirá! Em Serralves, pareceu-me muito só. A falta de um simples cartaz afixado é revelador de alguma desconfiança, duma certa dose de desconhecimento e da relativa incapacidade em gerir ou assumir riscos nesta área por parte dos responsáveis da Fundação. E contudo...


A dinamização de eventuais culturais na área da modernidade encerra em si grandes apostas e uma arrojada e firme vontade de abanar as consciências, desinstalar preconceitos, remoer juízos pré-concebidos. Agitar, revolucionar, chocar! Para com os responsáveis da Fundação de Serralves, tem o País essa enorme dívida de gratidão de poder contar com uma entidade que continua firmemente apostada em apontar novos caminhos. Mas esse mérito não pode, apenas, confinar-se à arte. Até porque a valorização dum património natural vocacionado para a educação e animação ambientais é um dos contextos programáticos da própria Fundação. Que encontra na Orientação um aliado preferencial, por força das suas características intrínsecas como modalidade desportiva.

Saibam os responsáveis da instituição fazer um adequado balanço de toda esta envolvência chamada O’Porto Park Race e lancem mão das suas enormes potencialidades para, em parceria, continuar a levar por diante este evento. E para que, no mais belo dos palcos, a Orientação possa continuar a mostrar-se como paradigma de modernidade, inteligência e crescimento, vectores fundamentais numa sociedade que se pretende justa, próspera e aberta a todos.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 22 de abril de 2008

O'PORTO PARK RACE



NO MAIS BELO DE TODOS OS PALCOS

Voou nas asas de melros e gaios, espraiou-se pelos amplos espaços verdes, mirou-se vaidosamente nos deliciosos espelhos de água, vestiu-se de mil pétalas de mil cores e adormeceu, embalada pelo cantar rumorejante de pequenos regatos. Foi assim com a Orientação, na manhã do passado domingo e no mais belo de todos os palcos: os jardins da Fundação de Serralves.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 18 de abril de 2008

VENHA CONHECER... PAULO FRANCO


Chamo-me… PAULO Alexandre Brás FRANCO
Nasci no dia… 21 de Janeiro de 1981, em Lisboa
Vivo em… Lisboa
A minha profissão é… Consultor de Segurança Informática
O meu clube… Amigos do Atletismo de Mafra
Pratico orientação desde… há quinze anos

Na Orientação…

A Orientação é… correr contra nós mesmos numa natureza muito própria. É apenas ouvir o sussurrar da Grande Mãe e sentir aquela ténue voz que se manifesta cá dentro para nos indicar o rumo a tomar!
Para praticá-la basta… gostar minimamente de correr e, sobretudo, gostar da natureza!
A dificuldade maior é… conseguir conciliar uma corrida rápida com uma boa capacidade de orientação!
A minha estreia foi em… Mafra!
A maior alegria… ter sido Campeão Ibérico em 1996, como juvenil!
A tremenda desilusão… foi não ter sido seleccionado para um Campeonato do Mundo de juniores, depois de terminar ex-aequo com outro colega de selecção!
Um grande receio… perder-me completamente no meio de um percurso!
O meu clube… é um grupo de amigos que me viu crescer, que significa muito para mim. É uma segunda família!
Competir é… uma necessidade!
A minha maior ambição… conseguir ser seleccionado para representar Portugal num Campeonato do Mundo de Seniores!

… como na Vida!

Dizem que sou… bem disposto!
O meu grande defeito… é ser demasiado exigente comigo e com os outros!
A minha maior virtude… é saber ouvir!
Como vejo o mundo… a vida é simples, nós é que a complicamos!
O grande problema social… a falta de amor-próprio!
Um sonho… manter os amigos!
Um pesadelo… a doença!
Um livro… que sairá brevemente e que fala de sete cidadãos ibéricos detidos numa prisão na Letónia por causa duma bandeira. Um dos intervenientes fui eu!
Um filme… “Os Condenados de Shawshank”!
Na ilha deserta não dispensava… um meio de regressar ao mundo real!

Na próxima semana venha conhecer... João Monteiro.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 15 de abril de 2008

ISTO DA GÍRIA É... GIRO!


À medida que se vai tomando contacto com a Orientação, vão-se enriquecendo os conhecimentos técnicos e vai-se aumentando o vocabulário. Como se de uma ciência se tratasse, a comunicação assenta numa terminologia precisa e bem definida que caracteriza a Orientação.

Mais fascinante, porém, é toda uma gíria que flui normalmente na linguagem do orientista e que torna a conversação particularmente saborosa. A partir dum texto de Ricardo Araújo Di Napoli, no portal Orientação.net, torna-se muito interessante fazer um exercício de “tradução” entre o linguajar dum orientista brasileiro e o linguajar dum orientista português.

Senão, vejamos:

Atravancar - É o mesmo que derrubar o mato no peito, perder-se, orientar-se mal, perder muito tempo;


Azimute - Direcção fornecida pela bússola;

Carneiro - É o orientador que não usa as técnicas de orientação e persegue outros orientadores. Geralmente são excelentes no preparo físico e fraquinhos em técnica.

Chafurdar - É o mesmo que se perder durante o percurso.

Dar varada - Errar um ponto, passando e muito do mesmo, com a convicção de que está indo na direcção certa.

Matar um ponto - Nada mais é do que achar um ponto em um percurso de orientação. Usa-se este termo porque cada percurso temos de 10 a 20 pontos de controle e acha-los é uma verdadeira batalha.

Passo Duplo - Instrumento utilizado pelos orientadores para medir distâncias durante o percurso. Consiste em contar quantas vezes o pé direito toca o solo em uma determinada distância. Ex: 60 passos duplos é igual a 100 metros. Esta relação varia de um orientador para outro e de acordo com o terreno e do tipo de deslocamento (andando ou correndo). A melhor maneira de determinar o passo duplo é experimentando em uma pista de corrida (andando e correndo) e depois durante um percurso. Devemos fazer uma pequena tabela e anotar as variações.

Patrulha - Vários orientadores correndo juntos;

Pego pelo jacaré - É o termo usado para designar o orientador que some durante o percurso e chega depois de horas todo machucado na chegada;

Piau! - É o grito de guerra do orientador. Usado quando o orientador acha o ponto e quer avisar os demais. Até hoje ninguém sabe como surgiu este termo, mas provavelmente foi herdado dos pescadores.

Picotar - Perfurar o cartão de controle com o picotador (provar que achou determinado ponto);

Ponto de Ataque - Acidente destacado do terreno donde se tem certeza estar;

Reambular - Fazer a actualização do mapa com o terreno;

Rota - Caminho escolhido pelo atleta para chegar aos pontos de controle;

Zerador - Atleta que completa o percurso com o menor tempo, vencedor;

E esta, hem?

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O'PORTO PARK RACE


É já no próximo dia 20 de Abril, que terá lugar o O'Porto Park Race, prova de Orientação promovida e organizada pelo Grupo Desportivo 4 Caminhos e aberta a atletas federados e não-federados. A iniciativa surge na linha de outros eventos do género levados a cabo pelo dinâmico clube da Senhora da Hora e terá como palco o belíssimo espaço dos jardins da Fundação de Serralves, na cidade invicta.

Fiel a uma linha de conduta que aposta numa "política de proximidade" para fazer chegar a modalidade à mais vasta franja de públicos possível, o Grupo Desportivo 4 Caminhos volta a elevar a fasquia com a realização deste O'Porto Park Race, penetrando num espaço eminentemente cultural e artístico.

Assumindo-se como instituição cultural de âmbito europeu ao serviço da comunidade nacional, a Fundação de Serralves tem conseguido, ao longo dos seus quase vinte anos de existência, sensibilizar o público para a arte contemporânea através do Museu de Arte Contemporânea, como centro pluridisciplinar, e do seu Auditório, como espaço de reflexão e debate sobre o estado da sociedade contemporânea. A recente exposição "Robert Rauschenberg: Em Viagem 70-76" é disso sublime exemplo, com os seus mais de 120.000 visitantes. Como o havia sido, entre outras, a exposição de Paula Rego que, no início de 2005, encerrou com 157.000 visitantes.

Mas Serralves não se esgota na arte e na cultura. Dos seus propósitos releva ainda a vertente ambiental, assumindo-se o Parque como património natural vocacionado para a educação e animação ambientais. Serralves é uma referência singular no património da paisagem em Portugal, conseguindo conciliar o espaço com o próprio processo evolutivo da urbe e provando que, mesmo numa grande cidade, é possível salvaguardar o património de paisagem. Ora, é neste contexto que iremos assistir ao desenrolar dum evento que tem tudo para agradar a todos.

Mais do que o arrojo do Grupo Desportivo 4 Caminhos, saúda-se a postura assumida pela Fundação de Serralves neste esforço concertado de abertura do espaço a um evento desportivo. Há mérito na forma como a entidade organizadora soube sensibilizar os responsáveis da Fundação, cativando as suas atenções e interesses para as potencialidades duma modalidade "verde", amiga do ambiente. Mas a resposta afirmativa ao repto lançado traduz o reconhecimento desta realidade apenas celebrada por uma minoria, demonstra coragem para alargar a oferta ao encontro duma assumida interdisciplinaridade e representa mais um forte incentivo para a Orientação em Portugal.

A Fundação de Serralves fará, a seu tempo, o balanço da iniciativa; na certeza de que este é o trilhar de novos caminhos que, na justa medida, acrescentar-lhe-hão importância e significado em múltiplos contextos. Para o Grupo Desportivo 4 Caminhos, tratar-se-á de mais um marco histórico no seu admirável esforço de promoção e divulgação da modalidade. Finalmente, todos quantos tiverem o privilégio de evoluir no Mapa de Seralves, viverão uma experiência a todos os títulos enriquecedora e, seguramente, inesquecível.


[Saiba mais sobre a Fundação de Serralves clicando na fotografia acima]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Foto gentilmente cedida por Fernando Costa

sábado, 12 de abril de 2008

PERGUNTAS & RESPOSTAS JONN ARE MYHREN


O “Perguntas & Respostas” da Ultimate Orienteering continua a trazer-nos o testemunho dalguns dos maiores vultos da Orientação mundial. Desta feita, Niels-Peter Foppen foi ao encontro de Jonn Are Myhren, actual 35.º classificado do “ranking” mundial e que, desde o início da época, integra a equipa de elite da selecção norueguesa.

Nesta entrevista, Jonn Are fala sobre a sua recente mudança para Lidingö e consequente alteração de clube, passando a representar o IFK Lidingö. Mas abordam-se igualmente os treinos durante o Inverno, as suas expectativas relativamente à Tiomila e muito mais…

Perguntas & Respostas Jonn Are Myhren


Ultimate Orienteering (UO) - Em 2007 decidiu mudar-se, juntamente com a sua namorada, Annika Billstam, para Lidingö. Para além dum lugar para viver foi à procura dum clube que lhe desse a possibilidade de centrar os seus objectivos a 100% na Orientação e a 50% no seu trabalho. Já se sente perfeitamente ambientado em Lidingö?

Jonn Are Myhren (JAM) – A mudança para Lidingö revelou-se mais complicada do que poderia imaginar. Acima de tudo devido à dificuldade em encontrar um bom apartamento. Queríamos um bom preço e uma boa localização. Cresci nas florestas da Noruega e, por isso, é muito importante para mim um ambiente agradável e uma área adequada ao meu “jogging” matinal! Finalmente conseguimos encontrar o local certo e estamos ansiosos para nos instalarmos no princípio de Abril. A localização é perfeita, quer no que respeita à nossa actividade no clube, quer em relação ao trabalho de ambos.

UO – A mudança para o IFK Lidingö correspondeu às suas expectativas?

JAM - O começo revelou-se muito promissor. O clube é constituído por um conjunto de pessoas verdadeiramente empenhadas e que apoiam aqueles que surgem de novo. A combinação entre diferentes idades e níveis de ambição torna o ambiente muito agradável. Além disso, todas as semanas há treinos de nível elevado para as elites, ministrados por experientes treinadores.

UO – Na última semana assistimos ao início da temporada dos Mundiais de Elite, durante a Spring Cup. Durante a temporada de Inverno, Jonn Are treinou em Sälen e na África do Sul. Como é que vê este período que agora termina?

JAM - A primeira parte do Inverno correu muito bem. Especialmente a viagem à África do Sul. Permitiu-me ganhar ritmo e adquirir bons hábitos de treino. Senti progressos a cada semana que passava. Mesmo se não treinei muito o meu desempenho ao nível da Orientação, acabei por ter bons resultados nos campos de treino que fiz com a selecção nacional em Portugal. Infelizmente, um período de muito trabalho combinado com uma arreliadora gripe, seguido duma dura sessão de treino tornou-se, de repente, numa exagerada carga para mim. Estávamos no final do mês de Fevereiro e, sem pré-aviso, de repente senti-me realmente doente no meio da floresta durante um treino nocturno. Fiquei assustado. Por causa deste episódio decidi parar completamente e fazer alguns testes para me assegurar de que não havia nada de errado com a minha saúde. Devo dizer que está tudo bem mas ainda não me sinto totalmente recuperado. Estou a fazer sessões de treino muito leves e parece-me que também vou ter de alterar o plano de treinos previsto para a Primavera. De qualquer forma, devo reconhecer que fazer Orientação é algo realmente muito importante para mim. Mas vou ter de passar a prestar mais atenção ao que diz o meu corpo sempre que aumentar o volume de treino.

UO - No ano passado, centrou os seus objectivos nas provas de Distância Média, o que resultou num excelente desempenho no Campeonato do Mundo de Orientação. A sua atenção continua focada na Distância Média ou pensa alargar este ano os seus objectivos a outras disciplinas?

JAM – Correr pela selecção holandesa nos últimos dois anos constituiu uma experiência muito valiosa. É evidente que a Distância Média se adequa melhor às minhas características. Este ano tenciono desenvolver ainda mais as minhas qualidades nesta distância, mas também estou interessado em correr outras distâncias. E sonho em correr na Estafeta. Finalmente, caberá sempre ao treinador decidir quais as disciplinas em que irei competir nos grandes eventos.

UO – Estamos a cerca de um mês da 63.ª Tiomila, que terá lugar em Rosersberg. Partindo do princípio de que fará parte da principal equipa do IFK Lidingö, que parte da prova prefere fazer?

JAM – A Tiomila é realmente um grande acontecimento para qualquer clube sueco, e também para mim. Espero um desempenho adequado e que possa contribuir para uma boa prestação da equipa. Devido às dificuldades que tenho tido ultimamente, presumo que irei fazer uma manga nocturna. O que é absolutamente adequado para mim; sinto-me particularmente à-vontade nesse tipo de atmosfera.

UO - Quais são as suas expectativas para a Tiomila deste ano?

JAM – Este ano o IFK Lidingö não estará entre os favoritos, mas penso que temos uma grande margem de evolução no seio da equipa. Temos alguns jovens muito talentosos e que beneficiarão com a experiência dos nossos atletas de nível superior, casos do Fredrik Löwegren e do Johan Näsman. Creio que desempenharão um papel semelhante ao que Petter Thoresen teve em Halden durante muitos anos. Sente-se que estamos muito próximo de construir algo verdadeiramente grande.

Por Niels-Peter Foppen • 2 de Abril de 2008 • Categoria: Q&A


[Clicar no logotipo para visualizar a entrevista na versão original]

Saudações atléticas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 11 de abril de 2008

VENHA CONHECER... LEONOR LUZ


Chamo-me… Maria LEONOR Henriques da LUZ
Nasci no dia… 2 de Maio de 1968, na Golegã
Vivo na… Golegã
A minha profissão é… Professora
O meu clube… CLAC – Clube de Lazer, Aventura e Competição (Entroncamento)
Pratico orientação desde… 2005

Na Orientação…

A Orientação é… o desporto da natureza!
Para praticá-la basta… gostar de andar ao ar livre!
A dificuldade maior é… orientar-se!
A minha estreia foi… no Bonito, Entroncamento!
A maior alegria… alcançar um segundo lugar numa prova!
A tremenda desilusão… quando andei trinta minutos à procura dum ponto!
Um grande receio… perder-me e sair do mapa!
O meu clube… é um grupo de amigos!
Competir é… dar o nosso melhor!
A minha maior ambição… é divertir-me!

… como na Vida!

Dizem que sou… uma pessoa apaziguadora e bem disposta!
O meu grande defeito… é ser um bocadinho forreta!
A minha maior virtude… é conseguir dar-me bem com a maioria das pessoas!
Como vejo o mundo… duma forma optimista, apesar da crise que atravessamos!
O grande problema social… a pobreza e a exclusão!
Um sonho… que todos consigam atingir sucesso no ensino!
Um pesadelo… que os meus filhos possam vir a ter algum problema grave!
Um livro… “A Insustentável Leveza do Ser”!
Um filme… “Recordações da Casa Amarela”!
Na ilha deserta não dispensava…
água!


Na próxima semana venha conhecer... Paulo Franco.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ORIENTAÇÃO APRESENTA-SE NA ALBÂNIA


ORIENTAÇÃO APRESENTA-SE NA ALBÂNIA

Ventos de mudança varrem a misteriosa Albânia. A evolução sentida nos planos social e político reflecte-se igualmente na vertente desportiva, com a Orientação a ser disso testemunha privilegiada.

Itália, Grécia e Albânia foram palco tripartido do MOC – Mediterranean Open Championship, que se desenrolou naqueles países de 21 de Fevereiro a 2 de Março passados. A Organização do evento aproveitou o ensejo para incluir, numa estreia absoluta, a Albânia na rota da Orientação. Com o forte apoio do Comité Olímpico albanês, oitenta atletas de um total de sete países evoluíram em Tirana, no passado dia 25 de Fevereiro.

O evento teve lugar no centro da capital, junto ao Artificial Lake Park, não muito longe da Universidade de Tirana e do Palácio Presidencial. O Marathon Runners Club de Tirana acolheu a iniciativa, a qual contou com a presença de quatro atletas albaneses, três deles experimentando a modalidade pela primeira vez. Fundamental para o pleno êxito da iniciativa foi o apoio dos estudantes de Língua Estrangeira albaneses, da Universidade de Tirana, à Organização.


Com apenas nove anos de idade, o checo Ondra Vystavel da República Checa foi o primeiro atleta a partir para um percurso de 2,7 km num novo mapa desenhado por Jan Drbal (República Checa). Os participantes de maior idade, em torno dos 80 anos, eram veteranos escandinavos pertencentes a um numeroso grupo liderado pelo ex-campeão mundial Jorgen Martensson. Para Martensson, a Albânia foi o 85º País onde competiu ao longo da sua carreira.

Edmond Bajraktari, atleta albanês que vive em Itália e pratica Orientação desde 2005, foi o mais rápido de todos os 80 orientistas em prova, com uma clara margem. A vitória de Edmond Bajraktari foi particularmente saudada pela televisão estatal albanesa, bem como pelo Comité Olímpico da Albânia, ambos presentes no palco de todas as emoções.

O Comité Olímpico Albanês desempenhou um papel importante na realização do evento, e o seu secretário-geral, Stavri Bello, considerou tratar-se dum bom começo para a Orientação naquele País.

Saiba tudo sobre o MOC 2008 visitando
http://www.orienteering.it/moc2008/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


quarta-feira, 9 de abril de 2008

O NAOM 2008 VISTO POR... FERNANDO COSTA


BALANÇO NAOM’08

Cada prova é uma prova!

O NAOM’08 foi sem dúvida muito especial para o GD4C. Pelos terrenos, pelas paisagens, pelas suas gentes, pela gastronomia, pela continuação de um projecto!

O seu programa foi muito ambicioso, mas no final conseguiu-se cumprir na totalidade todos os nossos objectivos:

- Apresentar a modalidade num novo Concelho;
- Possibilitar a realização de treinos;
- Ensinar a modalidade às escolas da Região;
- Promover a modalidade a nível nacional e Internacional através da rádio, televisão e Internet;
- Valorizar os Campeonatos nacionais de orientação;
- Produzir mapas de qualidade;
- Traçar percursos desafiantes para todos os escalões;
- Premiar os vencedores condignamente;
- Divulgar a região e a sua cultura.

Mas esta missão tem como "Farol" a consolidação do espírito de equipa, o fortalecimento das nossas amizades e a união das nossas famílias.

Apesar das várias contrariedades antes e durante o evento, penso que regressamos a casa com a satisfação do dever cumprido e com a noção de que tínhamos desempenhado um papel importante no seio da nossa Federação e no relacionamento com as entidades envolvidas no evento. A juntar a tudo isto, os nossos cinco atletas que participaram no evento conseguiram três títulos individuais e dois colectivos de campeão nacional.

Sem querer aqui, destacar alguém em especial da equipa, e apesar de haver alguns mais sacrificados, o nosso valor está no colectivo e é assim que temos que continuar!

A direcção do GD4C retribui para toda a equipa que trabalhou sem interrupção em Castelo de Vide, um cumprimento de admiração e amizade.

Para todos os que colaboraram com a associação, para que fosse possível a realização do evento, enviamos os nossos agradecimentos muito especiais:

- C. M. de Castelo de Vide;
- Junta de Freguesia de Póvoa e Meadas;
- Juntas de Freguesia Santiago Maior, S. João Baptista, Stª Maria Devesa;
- Proprietários dos terrenos dos eventos;
- Bombeiros Voluntários de Castelo de Vide;
- GNR;
- Unidades hoteleiras;
- Inatel;
- Paulo Silva;
- Patrocinadores (Programa Leader +, Caixa de Crédito Agrícola, Águas do Norte Alentejano, Sotinco, Justlog, Montepio Geral, Artestanho, AVG, Candibyke, Produtos Almojanda, Mega Sport, Vitalis, Ach Brito, Panrico, Hero Muesly, Kraft / Proalimentar, Sanap, Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, O Mundo da Corrida, Noticias de Castelo de Vide, Rádio Clube Português, Rádio Portalegre, Jornal Fonte Nova, Quinta da Bela Vita, Quinta dos Ribeiros, Hotel Sol e Serra Golfe Hotel, Hotel Castelo de Vide, Residencial Casa do Parque).

Para o ano há mais, desta vez em Alter do Chão!

Podem desde já começar a viajar no sonho de mais uma edição em:
www.gd4caminhos.com/naom2009/ .

Obrigado a Todos.

Fernando Costa

(foto gentilmente cedida por Orlando Duarte)

terça-feira, 8 de abril de 2008

O NAOM 2008 VISTO POR... MANUEL DIAS


O EXEMPLO DO VALE DA SILVANA

Sim, é grande, mas ninguém te obriga a ler. […] Há coisas que não se podem dizer em duas linhas e este texto pretende ser um pouco mais do que um mero louvor, embora tenha de começar por aí.

Sem uma grande equipa, o Fernando Costa não poderia fazer o que faz. Parabéns à equipa. Mas, sem um líder desta envergadura, nenhuma equipa faria o que faz o GD4C. Parabéns ao Fernando Costa.

Os terrenos, os mapas e os percursos são, de longe, o mais importante em qualquer prova. Já sabemos que o Fernando não falha aí. Nem falha na área de concentração, nem na sopa, nas bifanas e bolaria. Foi tudo excelente, não vamos perder tempo com isso. Quero, antes, focar dois aspectos “secundários”: cobertura mediática e parcerias.

A cobertura mediática já foi alvo de alguns comentários, mas para mim o importante neste caso é sublinhar que a reportagem de Fernando Correia não foi um fenómeno isolado, resultou de uma teia de cumplicidades que Fernando Costa tem sabido tecer. Lembrem-se do programa em estúdio, há um ano, na Sampaio e Pina, e das intervenções que, a propósito de êxitos alheios na orientação, ele vai fazendo no mesmo programa, de modo a manter oleado este canal de comunicação. E as páginas no JN e noutros jornais? E quem aliciou para as nossas hostes o talento de Joaquim Margarido, que tem feito um trabalho notabilíssimo no mundo imparável dos blogues e noutros recantos da rede?

Com a parte mediática prende-se a questão dos convidados. A presença, este ano, de Manuel Serrão vem também engrossar uma fileira onde já figuram outros nomes sonoros, sobretudo de atletas. Talvez me escapem alguns, mas lembro-me de terem aparecido em provas anteriores do GD4C, pelos menos, Fernando Mamede, Rosa Mota, Aurora Cunha, Manuela Machado, António Pinto, José Regalo, Venceslau Fernandes e Cândido Barbosa.

O que eu mais queria enaltecer é, no entanto, a nível das parcerias, um pormenor que muitos julgarão irrelevante: a visibilidade conferida aos proprietários de terrenos. Dois estiveram na entrega de prémios no sábado à noite; um esteve, domingo, na sessão de encerramento. Fernando Costa e o GD4C deram-nos uma lição que nenhum organizador de futuros eventos poderá esquecer.

Correndo o risco de ser tomado como exibicionista, não deixarei de contar aqui um exemplo que, juntamente com Carlos Monteiro, Rui Antunes, Albano João e Jorge Dias, presenciei no estrangeiro. Foi em 2003, no WMOC da Noruega. As chegadas das duas qualificatórias e final fizeram-se sempre no mesmo local, uma grande propriedade, parcialmente ocupada por uma seara. O proprietário ceifou, ainda verde, uma faixa de uns 130 por 15 metros, que constituiu passagem obrigatória na parte final dos percursos do 2º dia. E os estacionamentos ocupavam também uma extensa área de restolho recentemente ceifada. Na cerimónia de encerramento, os dirigentes do Halden, clube organizador, ofereceram ao proprietário, devidamente emoldurada, uma reprodução de toda a área cartografada, incluindo a zona de habitação, armazéns e currais. Haviam de ver a cara feliz do proprietário!

Foi esta situação que Fernando Costa e o GD4C conseguiram, numa escala certamente mais modesta, reproduzir no Vale da Silvana, cujo proprietário, como foi explicado no domingo, alterou o seu plano de sementeiras para permitir a realização da prova.Estes sucessos não são obra do acaso. Resultam de negociação e entendimento. É preciso concertar, envolver, ser maestro, mesmo que (sobretudo se) discretamente.

Quando no domingo vi os olhos mal dormidos do Fernando, lembrei-me de outro momento em que ele estava tão ou mais exausto mas que representou outro êxito monumental do GD4C: o desfecho do POM em Viana do Castelo, há cinco anos. Ninguém colhe o que não semeou.

As manhãs de festa têm por detrás muitas noites de vigília. Parabéns ao Fernando e aos 4 Caminhos. É um orgulho para a orientação portuguesa ter clubes com esta capacidade de organização.

Manuel Dias



Passa por ser estranho a escassez de comentários àquilo que se vai fazendo pela Orientação no nosso País. Numa modalidade que se constitui num manancial inesgotável de conversas e troca de impressões, é quase incompreensível haver tão poucos de nós a partilhar as suas experiências e opiniões através da escrita. Tal verificou-se – uma vez mais! – no NAOM. Do pouco que se escreveu sobre o evento, aqui transcrevi, com o devido respeito e a mais sincera vénia, o apontamento do Manuel Dias. Um homem que, como poucos, vive e sente por dentro a Orientação. Obrigado, Manuel Dias, por este momento sublime.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 7 de abril de 2008

CRÓNICAS DO NAOM 2008 (CONCLUSÃO)


REFLECTINDO…

Foi assim em 2007, volta a ser assim este ano. Ao chegarem ao fim, as Crónicas do NAOM deixam-me uma sensação de nostalgia difícil de descrever. Como se me fosse difícil romper com algo que, ao longo do tempo, fui interiorizando, para mais tarde ver materializado no terreno e prolongado no tempo através da escrita.

Sinto um prazer imenso quando escrevo. Ter um bom motivo para escrever é algo que não se pode desperdiçar. A Orientação – e, em particular, o Norte Alentejano O’Meeting – é uma fonte de inspiração que me permite dar asas ao exercício da criação pela escrita. Daí o meu sincero abraço de gratidão ao Grupo Desportivo 4 Caminhos pela oportunidade de, uma vez mais, me permitir desenvolver estas Crónicas.

Deixem-me, igualmente, reafirmar a enorme emoção sentida e vivida por me terem julgado merecedor de vosso apreço e me terem prestado uma sentida homenagem. Disse-o publicamente e reafirmo-o: Pessoas que vivem as coisas da forma como eu as vivo, são pessoas que “correm por gosto”. Porém, ao contrário do que é voz corrente, isto cansa e desgasta, levanta questões de toda a ordem. É a nossa forma de estar na vida que nos mantém firmes, contra ventos e marés. Daí que o reconhecimento do trabalho desenvolvido, nem que seja através duma simples palavra, é como que um “suplemento vitamínico” que nos ajuda a eliminar toxinas e a preparar o físico para novos embates.

Agora sim, chegam ao final as Crónicas do NAOM 2008. Surgiram carregadas de música e imagens, sonho e poesia. As palavras de António Gedeão e os acordes de Manuel Freire foram companheiros preciosos neste processo de criação que permitiu prolongar o NAOM por mais um mês. Resta-nos a consolação de saber que o Fernando Costa não nos vai deixar estagnar neste limbo até Janeiro de 2009. Alter do Chão já está em cima da mesa e os “fins-de-semana” alucinantes não tardarão a surgir. Fazendo-nos voar nas asas do sonho.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


(foto gentilmente cedida por João Alves)

sábado, 5 de abril de 2008

CRÓNICAS DO NAOM 2008 (VIII)



COMO BOLA COLORIDA

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta,
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como este pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.


Ponto final sobre o Norte Alentejano O’Meeting 2008. As contas são fáceis de fazer e o grande vencedor, na elite masculina, acaba por ser o sueco Crister Nygren (Norbergs OK), sucedendo a Ionut Zinca, o atleta do GD4 Caminhos que arrebatara surpreendentemente o Troféu na edição inaugural. Os dois lugares seguintes serão ocupados por atletas portugueses, com Marco Póvoa (ADFA) a alcançar a segunda posição e Joaquim Sousa (COC) a ser o terceiro classificado. Mas a entidade organizadora – o GD4 Caminhos – continua a ter razões para sorrir, graças à vitória duma atleta sua na elite feminina: Maria Sá. A sueca Elin Pettersson (Täby OK) alcançou o segundo lugar enquanto outra portuguesa, Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) foi terceira. Colectivamente, COC, CPOC e Ori-Estarreja, por esta ordem, ocuparam as três primeiras posições.

Em tempo de balanço, realce, desde logo, para o excelente trabalho de promoção do evento e, implicitamente, da própria modalidade. A equipa do Grupo Desportivo 4 Caminhos, soberanamente liderada por Fernando Costa, começou a “mostrar-nos” o NAOM 2008 ainda a edição de 2007 não estava terminada (e o mesmo se passa já relativamente à edição 2009). Os “fins-de-semana alucinantes” vividos em Castelo de Vide foram partilhados com todos nós através de relatos circunstanciados surgidos em O Mundo da Corrida.com, primeiro, e mais tarde, também, em Runporto.com. Aí ouvimos falar pela primeira vez em Póvoa e Meadas ou descobrimos a beleza do Vale da Silvana sob um feérico céu, todo ele vermelhos, laranjas e violetas.

Merece igualmente uma palavra de apreço a forma como a Organização soube mobilizar esforços e vontades junto das forças vivas do concelho, angariando um importante rol de apoios que vieram engrandecer ainda mais este NAOM 2008. No capítulo técnico, as pequenas falhas – que as houve – foram solucionadas rapidamente e a contento de todos, graças à enorme capacidade organizativa duma equipa verdadeiramente afinada e que não deixa nada ao acaso. O programa social arrastou o salutar convívio entre todos para fora da competição, permitindo prolongar tantos e tão bons momentos de puro prazer. E depois há Castelo de Vide: Uma terra com potencialidades turísticas incríveis e onde se cultiva a arte de bem receber. E há esse imenso Norte Alentejano, manancial inesgotável de beleza e tranquilidade, entretanto aberto à Orientação, espera-se que por muitos e longos anos.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.


Representando a ideia generalizada daqueles que mais directamente acompanharam o desenvolvimento deste NAOM 2008, António Pita, o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, traça um balanço extremamente positivo: “O evento revelou-se particularmente importante para o concelho porque nos permitiu, de certa forma, divulgar ainda mais as nossas potencialidades turísticas e a nossa qualidade ambiental. Castelo de Vide constitui um destino turístico por excelência, sendo apreciado pelos seus valores monumentais. Mas quem cá veio pôde constatar que à volta da vila há toda esta paisagem que lhe serve de enquadramento perfeito, em pleno Parque Natural da Serra de S. Mamede, numa zona classificada como Rede Natura 2000 e Reserva Ecológica Nacional.”

Para o autarca, o importante agora é capitalizar todo este rol de presenças, fazendo com que possam regressar no breve prazo: “A própria iniciativa constituiu um primeiro passo nesse sentido, já que todos puderam apreciar estas mesmas potencialidades. É uma modalidade que pode ser praticada por gente de todas as idades, que permite que o turista possa vir, possa apreciar os aspectos mais contemplativos no centro histórico e depois desfrute dum mapa, faça desporto e cuide da sua saúde, ao mesmo tempo que aprecia a paisagem aqui à volta.” Quanto ao Norte Alentejano O’Meeting, ele vai continuar presente: “Para o ano, aqui bem perto de nós, em Alter do Chão, teremos este O’Meeting terceira edição e Castelo de Vide pode oferecer excelentes Campos de Treino. A pouco e pouco vamos dando passos seguros no sentido de termos todo este Norte Alentejano orientado para a modalidade, com uma forte implantação no mapa nacional e que se afirme como um destino de eleição para praticantes de todo o lado.”

Importava, igualmente, ouvir Fernando Costa, fazendo o balanço na perspectiva da entidade organizadora do evento: “Penso que esta edição foi um sucesso e o segredo esteve na grande diversidade. Oferecemos a todos os participantes terrenos muito diferentes, com enorme qualidade técnica e de grande beleza. Estes são, no fim de contas, os ingredientes principais numa prova de orientação. O resto é supérfluo.” Referindo-se às dificuldades sentidas, o Director da Prova realça a pesada máquina logística: “Tivemos de fazer três montagens e desmontagens em dois escassos dias o que, atendendo ao minimalismo de meios que possuímos, não foi fácil.”

A concluir, uma chamada de atenção para a edição 2009 do NAOM, nos terrenos da Coudelaria Alter-Real, em Alter do Chão (24 e 25 de Janeiro). “Estão lançadas as bases para um conjunto de provas na linha das duas primeiras edições. Deixo, pois, um convite a todos os adeptos da modalidade, na certeza de que este será um grande evento, talvez em terrenos não tão técnicos mas com a mais-valia de todo um historial riquíssimo e dum património ímpar como o que oferece a Coudelaria Alter-Real.”

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonho
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 4 de abril de 2008

VENHA CONHECER... CARLOS MONTEIRO


Chamo-me… CARLOS Manuel Castilho da Fonseca MONTEIRO
Nasci no dia… 23 de Maio de 1958, em Angola
Vivo em… Leiria
A minha profissão é… Bancário
O meu clube… COC - Clube de Orientação do Centro
Pratico orientação desde… 1978

Na Orientação…

A Orientação é… uma maneira de estar na vida!
Para praticá-la basta… gostar, ter saúde e ter força de vontade!
A dificuldade maior é… o equilíbrio. É conciliar a vida pessoal, a vida profissional e a vida familiar com a Orientação!
A minha estreia foi em… na Base Escola de Tropas-Paraquedistas, quando era militar!
A maior alegria… poder andar na floresta, poder usufruir dum percurso!
A tremenda desilusão… alguma ingratidão, algum excesso de vedetismo de alguns praticantes portugueses que crucificam organizações por pequeninos detalhes quando, no essencial, estão meses e meses de trabalho!
Um grande receio… não corresponder às expectativas que crio a mim próprio em qualquer coisa que faço na vida!
O meu clube… é uma paixão, algo que criámos em 1998 e temos ajudado a crescer!
Competir é… não sei, exactamente, porque não é esse o meu espírito. Eu luto contra mim próprio. Mas penso que é algo que se situa num patamar superior àquilo que eu faço e que, em certa medida, castra um bocadinho o prazer de praticar Orientação!
A minha maior ambição… é contribuir para fazer com que o Campeonato do Mundo de Veteranos, que vamos organizar, não tenha problemas e corra muito bem!

… como na Vida!

Dizem que sou… sinceramente não sei… sei o que penso de mim mas não sei o que pensam de mim!
O meu grande defeito… é a falta de controlo em perante a pressão, dificuldade em lidar com situações em que sou apanhado de surpresa!
A minha maior virtude… em causa própria, ninguém é bom juiz!
Como vejo o mundo… com muita inveja, com muito egoísmo, com muita intolerância. Cada vez mais o dia tem menos horas!
O grande problema social… o egoísmo e a incapacidade de se olhar para o lado e ver que há quem precise mais do que nós!
Um sonho… que todos se dessem bem, se relacionassem e conseguissem, através do diálogo, ultrapassar as suas diferenças, evitando os conflitos verbais e físicos em que as coisas muitas vezes redundam!
Um pesadelo… a falta de saúde, a situação de doença, a morte!
Um livro… sobre a temática da II Guerra Mundial, qualquer livro do Leon Uris!
Um filme… “Música no Coração”!
Na ilha deserta não dispensava… um mapa, uma bússola e um par de sapatilhas!


Na próxima semana venha conhecer... Leonor Luz.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 1 de abril de 2008

CALENDÁRIO WORLD OF O


O atleta escolhido para ilustrar o Calendário "World of O" no mês que acaba de entrar é Kiril Nikolov, também conhecido no mundo da Orientação como “o búlgaro voador", devido à foto com o mesmo título de Geir Nilsen, do “site” OPN.no, vencedora do prémio "Foto do Ano" [ver aqui].

Nikolov iniciou-se tarde na Orientação, mais propriamente em 1998. Antes disso tentou várias modalidades, tendo conseguido os melhores resultados como saltador em altura. Começou a dar nas vistas após um 12º lugar no “Sprint” do Campeonato do Mundo 2003, e um 3º lugar no Tiomila 2005, apenas a 2 segundos do vencedor. Não foi particularmente bem sucedido no Campeonato do Mundo da Dinamarca em 2006 - apenas uma 18ª posição como melhor resultado, mas em Kiev (Ucrânia), em Agosto do ano passado, Nikolov obteve o seu melhor resultado até ao momento num Campeonato do Mundo, graças a um excelente 10º lugar na Prova de Distância Longa.

Recorde-se que ainda recentemente Kiril Nikolov competiu em Portugal, participando no POM2008 (10º classificado) e no I Troféu Internacional de Cantanhede (8º classificado). Saiba mais sobre o actual nº 61 do "ranking" mundial em http://runners.worldofo.com/kirilnikolov.html .

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO