sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

VENHA CONHECER... ANABELA VIEITO

Chamo-me… ANABELA Silva Marques VIEITO
Nasci no dia… 21 de Janeiro de 1967, em Leiria
Vivo em… Leiria
A minha profissão é… Professora
O meu clube… Clube Orientação do Centro (COC)
Pratico orientação desde… 2002

Na Orientação…

A Orientação é… o desporto da floresta!
Para praticá-la basta… pensar e correr!
A dificuldade maior é… a técnica!
A minha estreia foi em… em 2002, no Campeonato Ibérico, no Juncal!
A maior alegria… foi ser Campeã Ibérica, em Espanha, em 2003!
A tremenda desilusão… a derrota!
Um grande receio… os charcos da Finlândia!
O meu clube é… o maior!
Competir é… tudo!
A minha maior ambição… fazer uma boa prova no Campeonato do Mundo!

… como na Vida!

Dizem que sou… boa ouvinte e boa conversadora!
O meu grande defeito… é… tenho muitos (risos)… ser teimosa!
A minha maior virtude… ser amiga!
Como vejo o mundo… cinzento!
O grande problema social… falta de respeito!
Um sonho… praticar muito Orientação!
Um pesadelo… a guerra!
Um livro… “Baunilha e Chocolate”!
Um filme… “As Palavras Que Nunca Te Direi”!
Na ilha deserta não dispensava… o mapa!



Na próxima sexta-feira venha conhecer... José Moutinho.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

CORRIDINHO ALGARVIO (3)


Salve a face quem puder

Algumas mentes mais tortuosas levantaram o boato de que o terceiro dia do POM, ao ser disputado no mesmo local do dia anterior, terá sido fruto de falta de imaginação ou deficiente capacidade técnica da Organização. Efectivamente a etapa decorreu no mesmo mapa, com partidas e chegadas nos mesmos pontos da véspera e esse facto gerou uma quantidade de críticas. Ora, estes comentários foram altamente injustos e só compreensíveis por uma menos cuidada análise da situação.

Se me permitem, eu tenho uma opinião muito particular sobre o assunto e completamente contrária à da maioria (ou minoria, nem sei bem). Considero esta atitude da Organização, uma verdadeira benesse concedida aos “perdedores”, “pastores”, “frustrados”, “desorientados” e sobretudo à “espécie de orientistas”. Digo mais, esta foi a prova de consolação para aqueles que, por um ou outro motivo, tiveram prestações menos conseguidas na etapa do WRE. Esta prova decorreu sob o lema “Salve a face…quem puder…”. Ou, como eu a entendi, o dia da vingança. Estão de acordo comigo ou…nem por isso?

A Organização tinha plena consciência que a segunda etapa, dada a sua qualidade e exigência, poderia provocar uma autêntica hecatombe nos resultados finais. Se o mapa era interessante, porque não usá-lo duas vezes? No que pessoalmente me diz respeito, só tenho que lhes agradecer o me terem proporcionado uma segunda chance de rectificar toda a chusma de asneiras cometidas no primeiro dia “Pontalício”. Se derem uma mirada aos tempos da etapa de domingo, podem verificar que esta “dádiva” beneficiou muito mais gente do que possam imaginar. Sou até apologista que se fosse necessária uma terceira “rodada”, ela devia ser facultada (he! he!), tudo em defesa do estado emocional da população orientista.

Em termos pessoais, este terceiro dia teve o efeito de um tónico. Quando me levantei, os meus “sinais vitais” estavam p'ró fracote e pensei bem que nem iria partir. O corpinho estava todo dorido, as pernas bamboleavam e a psique encontrava-se totalmente fragilizada. Um bom pequeno-almoço, mais um corridinho de cinquenta quilómetros, o reencontro com os amigos, a envolvência no ambiente de festa, o belo dum “cimbalino” e à hora da partida já me sentia “fresco como uma alface” (de três dias, mas ainda viçosa, he! he!).

Quanto à minha prova, aproveitei ao máximo a oportunidade que me foi dada para salvar a face. O percurso tinha apenas menos 400 metros, mais um ponto que na jornada passada e um desnível idêntico. É verdade que passei por algumas áreas já conhecidas, mas esse facto não me retirou qualquer motivação. O desafio que impus a mim mesmo, ao querer repor alguma auto-estima, foi amplamente conseguido. O orgulho do “espécie” prevaleceu. De tanto cerrar os dentes, quase deslocava o maxilar.

Em condições normais, este trajecto seria para percorrer em menos meia dúzia de minutos do que o anterior. Só que eu tinha um défice bem pesado para abater. Não tendo feito um percurso limpo (há quem diga que não existe), longe disso, andei muito mais certinho e terminei com um tempo inferior em 40 minutos! Claro que houve um ponto de “atascanço” (7), - nem outra coisa seria de esperar! -, num buraco em que o lixo quase “abafava” a baliza, mas mais uma vez, os caminhos aqui só complicaram (está bem está, os caminhos…e a asnice!). Com tanta gente no meu escalão (mais de sessenta), acabei por nem me portar muito mal.

O que me parece um paradoxo é o número razoável de atletas que obteve resultados inferiores ao do segundo dia. Então o mapa não era igual? As pernadas não passavam pelos mesmos locais? Não havia a sensação do “déjà vu”? Creio que houve alguma ilusão de óptica ou simplesmente…distracções!

Aqui vai mais uma vez, o meu lamento, para um momento que poderia ter deitado por terra todo o meu suor. A desilusão que apanhei no “ponto de abastecimento líquido”, onde apenas havia água com fartura (hehe). E as minhas “minis”? Quase sufocava com o calor. Querem acabar com a carreira do “espécie”?

Num aspecto vou dar razão aos críticos. A sensaboria dos pódios, que não alterou uma vírgula, em relação à segunda etapa. As comitivas nórdicas, salvo raras e épicas excepções (louvores para Tiago Romão, Santos Sousa e Mário Duarte), continuaram a monopolizar os lugares cimeiros. Esta constatação cria-me um problema, diria quase existencial: para além do cabelo loiro, em que é que eles, os “belos” Vikings, são diferentes de nós, os gloriosos Lusitanos?

Luis Pereira


Esta é a terceira de quatro crónicas que Luís Pereira publicou a propósito do POM2008. Se quiser saber como acaba a história, pode sempre espreitar o último capítulo da série visitando Atletismo Magazine Modalidades Amadoras [clique aqui], um excelente "site" que, entre outras coisas, dedica um largo espaço à Orientação.

Em alternativa, basta esperar pela próxima quinta-feira. Com o Luís Pereira, aqui, no Orientovar.

Saudações atléticas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

PASSAGEM POR PORTUGAL


PORTUGAL: ESTAMOS A CHEGAR!!!

Amanhã começa!

Com alguns colegas da Selecção Nacional do calibre dum Klaus Schgaguler, Marco Seppi, Michele Caraglio e Maria Novella Sbaraglia, aterrarei amanhã no Porto, em Portugal, dirigindo-me depois para Mira, Costa de Prata, onde ficarei alojado durante a semana; hoje, entretanto, já chegou a terras lusitanas a equipa da Forestale (infelizmente sem o influente Tenani).

Esperamos fazer as 3 corridas do "I Troféu Internacional de Cantanhede" (Distância Média WRE, Sprint nocturno e Distância Longa) e mais quatro dias de treinos, repartidos por cerca de 10 sessões! Será uma semana intensa, seguramente cansativa, mas estou confiante de que será bastante profícua: os campos de treino serão organizados pela equipa portuguesa local, que possui um conjunto de mapas excepcionais. Os mapas e percursos parecem ser muito interessantes (exercícios de direcção, curvas de nível, distância longa e média, “loops”, sprint, simulação de partidas…) e o terreno será provavelmente semelhante ao de Puglia e aos que encontraremos no início de Março, nos Campeonatos Europeus, na Letónia.

Sinto-me ainda um pouco debilitado por causa do vírus que me atacou na semana passada, mas ainda assim espero desfrutar ao máximo da estadia em Portugal: De momento tenho necessidade de tanta carga de treino como os meus "colegas" da Selecção e como outros atletas estrangeiros que irão estar presentes em Cantanhede. Não porque seja masoquista, mas porque preciso de um "abanão traumático" e de incentivo para reforçar a minha preparação (comigo há que trabalhar muito bem a parte psicológica…).

Apesar dos grandes problemas (e fracassos) que continuam a afectar a Federação Italiana de Orientação, penso que nós, atletas do seleccionado nacional, estamos a fazer todos os esforços no sentido de nos prepararmos o melhor possível nas actuais condições: um bom exemplo é este Campo de Treino, totalmente independente (e provavelmente todo auto-financiado…). Infelizmente, continua vago o cargo de treinador e os problemas no Conselho Federal impedem os responsáveis pela Selecção de efectuar qualquer tipo de planeamento. Só espero que a situação possa ser desbloqueada o mais rapidamente possível; assim torna-se cada vez mais difícil progredir.

Entretanto, após o exame de Sociologia de ontem, estou oficialmente a dois exames da graduação: com o estágio concluído e a tese estruturada (mas ainda por iniciar…), penso que por alturas de Outubro/Novembro poderei tornar-me doutor. Perspectivar a conclusão do Curso para o final do ano permitir-me-á uma boa preparação para toda a temporada de 2008, sem ter de me esforçar a entregar a tese a correr ou coisa parecida…

Mas agora "saboreemos" este massacrante campo de treino: espero ser capaz de manter-vos informados directamente de Portugal.



METADE CUMPRIDA: MAPAS E ALGUMAS FOTOS

Encontrei Internet!

Superámos metade do previsto para este Campo de Treino: 3 corridas (Média, de Sprint e Longa) e 5 treinos na floresta ao longo de quatro dias.

A vida na “casinha” número 11 do Lago de Mira permanece calma: Michele ontem fez 25 anos, Maria Novella continua a estudar a sua entropia, Marco está a preparar a mala pois parte amanhã para França, Klaus beberica o seu "clássico" litro de chá e eu repouso ao sol (o clima é verdadeiramente ameno, quase de verão)…

Para além da visita de ontem aos terrenos pedregosos de S. Pedro do Sul (onde o ano passado se desenrolou o POM), o terreno onde temos treinado e onde continuaremos a treinar é de típica floresta de pinhal marítimo, mais ou menos ondulado e rico em detalhes. Dependendo da área, pode ser muito rápido e é importante o uso da bússola para uma orientação segura. E é tudo quanto me apraz dizer de momento!


BYE BYE PORTUGAL

Concluído!

Amanhã de manhã regresso a Itália, depois de um difícil, longo e frutuoso Campo de Treino em solo português. Acabei por fazer 3 corridas e 11 treinos (incluindo 2 nocturnos) em 7 dias: Eu diria que não era possível aproveitar melhor o tempo de que dispus.

Seguir-se-ão dois dias completos de repouso em que tentarei recuperar algumas forças (realmente esgotou-se a… gasolina), tendo em conta as duas corridas de Sprint que espero fazer domingo em Collecchio (PR), as últimas antes do MOC.

Agradeço a companhia do Marco, Maria Novella, Michele, Klaus e da equipe da Forestale, esperando que a situação na FISO possa ser desbloqueada e que este seja o início de uma época cheia de satisfação!


Emiliano Corona


Emiliano Corona ocupa a 186ª posição do "ranking" mundial, com 4383 pontos. É actualmente o sexto atleta italiano do "ranking", atrás de Mikhail Mamleev (7º), Klaus Schgaguler (115º), Michele Tavernaro (157º), Manuel Negrello (158º) e Marco Seppi (165º). Foi 88º classificado na Taça do Mundo de 2005 e a sua melhor posição no "ranking" mundial alcançou-a em 29.09.2006, quando foi 136º, com 455o pontos.
o
Estes textos foram publicados na sua página, nos passados dias 7, 12 e 14 de Fevereiro. Pode visualizá-los na forma original, complementados com uma série de elementos acessórios (programa, mapas, fotos), acedendo a
http://www.emilianocorona.it/ ou clicando no logotipo.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

TROFÉU DE CANTANHEDE VISTO POR... MARIA SÁ

Depois do Portugal O'Meeting comecei a sentir-me esquisita. Durante a viagem de regresso a casa, a perna direita estava algo diferente ... Na verdade, era uma parestesia, uma sensação de formigueiro ou alfinetadas na pele, como se o membro estivesse “adormecido”. Na manhã seguinte a sensação estendia-se igualmente ao braço direito e ao lado direito da face.

Fiquei assustada e, após as aulas, falei com o meu professor de Neurologia. O exame neurológico estava normal mas as parestesias permaneciam. Disse-me para não conduzir, correr ou fazer qualquer esforço, achando provável eu ter feito uma herniação discal ao nível da coluna cervical, durante a corrida de Orientação no POM. Pensei imediatamente que seria impossível correr no fim-de-semana (Troféu Internacional de Cantanhede), que se tivesse feito uma hérnia discal cervical iria necessitar de correcção cirúrgica, teria de parar de treinar e por aí adiante... Três dias mais tarde tentei a minha sorte, colhendo uma segundo opinião junto dum muito bom Neurocirurgião que trabalha no Hospital de S. João, o Hospital onde estudo. Disse-me que estava a recuperar e que era possível correr, mas aconselhou-me a ser muito cuidadosa.


Como realmente o que eu queria era correr, fui para Cantanhede treinar na sexta; e, no sábado, lá estava eu na floresta para a prova! Não me sentia a 100% e a dormência na perna e no braço permaneciam, pelo que foi muito difícil correr rápido. Um grande erro no início e o “deficit” no lado direito do corpo foram suficientes para fazer uma prova realmente má. Fiquei assustada e pensei sinceramente em não correr a prova de Distância Longa no dia seguinte.

Domingo de manhã acordei muito motivada e ansiosa para ir correr na floresta! Decidi fazer apenas uma parte da corrida, relaxar e apreciar o terreno. Porém, enquanto corria, ía-me apercebendo que o ritmo era bom e quase sem erros, pelo que decidi ir até ao fim! Corri descontraída e diverti-me imenso! Infelizmente, na última parte da corrida, perdi quase dois minutos. Terminei na 11ª posição!

Enfim, fiz uma Ressonância Magnética Nuclear e a minha coluna está bem.

Estou de volta aos treinos!

Maria Sá



Visite o blogue da Maria Sá em http://my.opera.com/Joa-o/blog/.

Saudações orientistas.

JOAQUIMMARGARIDO

segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

NORTE ALENTEJANO O'MEETING


“Para o Grupo Desportivo 4 Caminhos a organização deste evento será o grande objectivo de 2007”.

Estávamos a 17 de Agosto de 2006 e, com esta frase, Fernando Costa iniciava uma verdadeira saga ao encontro, nas suas próprias palavras, “das peripécias, dos problemas, das angústias e das alegrias por que passa um organizador de um evento de Orientação.” Em causa o Norte Alentejano O’Meeting e o tópico com esse nome, criado no Fórum O Mundo da Corrida.

Hoje, 561 dias, 165 respostas e 19.041 visualizações depois, estou seguro em afirmar que este é um dos contributos mais notáveis em prol da promoção e divulgação da modalidade que conheço e um exemplo de dedicação inabalável por parte do seu autor.

Ali se abordam os vários aspectos organizativos, desde a ideia que deu origem ao evento até ao balanço final, passando pelas cenas caricatas e hilariantes ou mesmo por aquelas que não têm piada nenhuma e que deixam a comissão organizadora em pânico. Ali se inserem testemunhos lindíssimos desses homens e mulheres que estão de corpo e alma embrenhados no evento. Ali se publicam fotografias duma beleza ímpar, ainda e sempre o imenso e intenso Alentejo por pano de fundo. Ali se segue apaixonadamente o delicioso romance, se bebem ideias, se partilha o gosto pela escrita.

Numa altura em que o NAOM2008 se prepara para atingir mais um ponto alto – e quando o NAOM2009 acaba de ser oficialmente lançado [veja aqui] -, saúdo com elevada emoção o Fernando Costa e toda essa formidável equipa do Grupo Desportivo 4 Caminhos, desejando as maiores felicidades para as suas iniciativas.


Mas quero expressar igualmente o meu apreço para com O Mundo da Corrida e para a tenacidade do Eduardo Santos que teima em manter extraordinariamente vivo um portal que, na sua especificidade, não esquece esta pequenina parcela chamada Orientação. E, naturalmente, deixar um convite a passar por lá e a beber a água cristalina dessa fonte inesgotável chamada Norte Alentejano O’Meeting. Basta, para tal, clicar no logotipo abaixo.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 24 de Fevereiro de 2008

ATLETISMO: 23º GRANDE PRÉMIO DE ESTARREJA

o

Não é apenas o melhor orientista português no seu escalão. É também um grande estradista e provou isso hoje mesmo, no 23º Grande Prémio de Atletismo de Estarreja.

Falo de Diogo Miguel que, em representação dos GRAVES (Estarreja) alcançou uma vitória retumbante no escalão de juniores. Impondo-se a Henrique Vilaça (AD Sanjoanense) e a Américo Moreira (CD Póvoa), segundo e terceiro classificados, Diogo Miguel viu o seu vasto e valioso currículo ser enriquecido com mais um triunfo, justamente na cidade onde reside.

A prova principal teve como grandes vencedores Leonel Fernandes (Cyclones-Sanitop) e Fátima Cabral (Açoreana Seguros). Organizado pelo Clube Recreativo de Estarreja, o evento registou um número de participações a rondar o meio milhar de atletas, de todos os escalões e ambos os sexos.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

TREINAR E DESCONTRAIR EM TENERIFE


Tive o prazer de passar a primeira semana de 2007 em Tenerife, ilha famosa pelo seu vulcão, pelas praias e pelo clima quente. A ideia era combinar o treino com umas férias e Tenerife mostrou-se digna de uma visita.Viajar para centros turísticos do sul da Europa no início de Janeiro não é dispendioso e há mapas de Orientação surpreendentes próximo das metrópoles turísticas, mesmo nas Ilhas Canárias. Não visitei nenhuma outra ilha do arquipélago mas Tenerife, sendo a maior, é certamente um bom lugar para começar.

Na companhia de seis colegas da Wing OK, voei para o Sul na tarde do dia 31 de Dezembro. Comprar os bilhetes no voo “charter” Saga Solreiser e fazer um pedido de mapas por intermédio da Sun-O, a isto se resumiu o nosso planeamento da viagem.Comemorar o “réveillon” no porto de Los Cristianos foi uma experiência diferente de tudo quanto poderíamos imaginar; turistas, habitantes locais e carteiristas reuniram-se na avenida da praia para assistir ao fogo-de-artifício sobre o mar. Todos os restaurantes, bares e discotecas estavam abertos e havia gente até onde quer que se estendesse o olhar. Tive o meu primeiro encontro com um comerciante local e comprei um pequeno “pin” com um violão a piscar que acabei por perder uma hora mais tarde. Foi uma grande noite.


Esperava tempo quente, mas ainda assim fiquei impressionado com temperaturas acima dos 20 graus durante o dia, à excepção do último. Correr na praia em calções e com uma camisola leve era, apesar de tudo, bastante quente. Aparentemente não haverá muita gente a correr na praia porque senti que os banhistas nos olhavam de soslaio. Houve até uma senhora, na casa dos 40, que ficou tão impressionada com a visão que soltou um “meu Deus!” quando passámos por ela. Tivemos de fazer um grande esforço para não desatarmos às gargalhadas.

Num dos primeiros dias fizemos uma longa viagem até Puerto de la Cruz, na parte Norte da ilha, para levantarmos os mapas. Ficámos com três mapas todos situados no cimo da serra entre Puerto de la Cruz e Santa Cruz. No regresso fizemos a nossa primeira sessão de treino no mapa de Las Lagunetas. As árvores eram principalmente pinheiros, com alguma vegetação rasteira, floresta aberta com boa visibilidade e possibilitando descidas a grande velocidade. Porém, a zona era por vezes demasiado íngreme e rochosa, o que obrigava a abrandar. A esta altitude (cerca de 1200 metros) o tempo estava mais fresco. Cumprimos três sessões de treino durante a semana em que aqui permanecemos e penso que conseguimos tirar o máximo proveito. Sobretudo no último treino, onde encontrar o ponto de partida revelou-se quase um verdadeiro filme de “suspense”. A descida de Las Raíces foi um autêntico desafio.

Entre as sessões de treino passámos muito tempo na praia, na companhia de outros turistas. Também havia piscinas nos hotéis mas, a menos que o vento seja demasiado fresco, nada se compara à “coisa” real. A areia era macia e confortável, a água tépida e tivemos um belo sol neste início de Janeiro. Encontrar onde comer foi relativamente fácil e não precisámos de ir ao mesmo sítio duas vezes. Revelámo-nos bastante desleixados nos cálculos que fizemos quando comemos juntos e alguns restaurantes pareceram aproveitar-se disso, adicionando um extra nas contas.

A escalada do Monte Teide foi o ponto alto da semana. Nesse dias levantámo-nos bastante cedo e, ainda meio adormecido, entrei para o carro com o resto da expedição. Conduzir nas íngremes montanhas na base do Teide fez-me lembrar que estes carros de aluguer estão mais preparados para terrenos planos. Mas foi belíssimo apreciar as vistas em redor enquanto se ouvia "Black Christmas”, um CD que compus especialmente para esta viagem.

Existem basicamente duas maneiras de atingir o topo: comprar um bilhete e subir de teleférico quase até ao cimo ou fazer o caminho a pé. Somos atletas, de modo que não tínhamos escolha. Uma vez que toda a área em redor do Monte Teide é Parque Nacional, existem várias restrições; tomar atalhos é proibido e é necessário ter uma licença das autoridades para escalar os últimos 200 metros. Encontrar o escritório em Santa Cruz onde são passados esses livre-trânsitos não foi fácil, mas cá nos arranjámos. Falei com pessoas que escalaram até ao topo sem a devida autorização, mas fizeram-no praticamente às escuras, depois dos guardas terem terminado o seu trabalho.

De qualquer modo, tivemos uma grande caminhada até o cume. Um céu enevoado e temperaturas na ordem dos 15 graus foram condições meteorológicas perfeitas. Senti alguma pressão na minha cabeça a partir de certa altitude, mas isso não me surpreendeu visto que o nosso ponto de partida se situou aproximadamente a 2200 metros acima do nível do mar. Durante a escalada pude apreciar as formações de lava e imaginar o inferno aquando das erupções do vulcão há muitos milhares de anos atrás. O cume situa-se a 3717 metros de altitude – [é o cume mais alto de toda a Espanha, N. de P.] -, demorámos imenso tempo para o atingir mas a vista é absolutamente fantástica!

Em suma, Tenerife contituiu uma bela opção para orientistas sedentos duma boa dose de sol. As sessões de treino revelaram-se bons “acompanhamentos”, mas não o “prato principal”. Uma semana em Tenerife foi suficiente mas é uma pena não termos tido tempo para visitar os montes Anaga, na parte norte da ilha. Ficará para a próxima vez.

TEXTO E FOTO: Stig Alvestad



Aos 26 anos de idade, Stig Alvestad é um dos bons valores da Orientação mundial. Foi o 2º classificado no recente POM2008 e ocupa o 101º posto do "ranking" mundial com 4868 pontos (9º atleta da Selecção Norueguesa). À prática da modalidade alia o seu gosto pela escrita, colaborando com a revista Orienteering Today, dirigida por Per Arne Troset, na qual publicou o artigo que acima reproduzo.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 23 de Fevereiro de 2008

PERGUNTAS & RESPOSTAS OLAV LUNDANES


Olav Lundanes foi a grande sensação do último Campeonato Mundial Júnior de Orientação (JWOC) que se disputou entre os dias 8 e 13 de Julho de 2007, em Dubbo (Austrália). No seu último ano de júnior, o atleta norueguês arrecadou duas medalhas de ouro (Distância Média e Distância Longa) e duas medalhas de prata (Prova de “Sprint” e Estafeta).

Integrando a Selecção Norueguesa de Elites, Olav Lundanes esteve no início deste mês no nosso País, alcançando prestações brilhantes nos dois primeiros dias do Portugal O’Meeting 2008 (2º classificado na Prova de Distância Média e 4º classificado na Prova de Distância Longa).

Este jovem e promissor atleta ocupa actualmente a 55ª posição do “ranking” mundial (5095 pontos) e foi o escolhido para dar início a uma série de entrevistas levadas a cabo pela “Ultimate Orienteering”. Uma conversa conduzida por Niels-Peter Foppen, que começa por abordar a difícil conciliação entre estudos e a Orientação e que termina falando de Portugal e do POM2008.


Perguntas & Respostas Olav Lundanes


Ulimate Orienteering - Podes dizer-nos algo sobre os teus estudos e de como fazes para combinar os estudos com Orientação de alto nível? Tens algum acordo com a tua Universidade para treinar em condições óptimas?

Olav Lundanes - No Outono passado, mudei-me para Oslo com o objectivo de melhorar as minhas condições de treino. Comecei a estudar Matemática na Universidade, aí a um terço do que seria normal. Assim consigo fazer o que quero e quando quero. Apenas necessito de estar presente durante os exames. Mas na época de exames da primavera irei ter alguns problemas e terei de tomar então uma decisão. Claro que os estudos não correm a um ritmo normal quando seguidos desta forma, mas para mim o mais importante é a Orientação. Quero concentrar-me no treino e na competição; posso sempre concluir os meus estudos mais lá para a frente.

UO – Como membro da Selecção Norueguesa de Elites, quais são os teus objectivos para a época de 2008?

OL – As minhas metas para a temporada de 2008 passam por alcançar um lugar no “top-10”, nos Campeonatos do Mundo de Orientação, na República Checa. Contudo, preciso de correr bem nos Campeonatos Europeus e na Taça do Mundo para obter a qualificação para os Campeonatos do Mundo. Lá mais para o Outono, os meus objectivos passam por conquistar uma medalha no Campeonato Norueguês.

UO – Em que disciplina (Distância Média, Distância Longa, Sprint ou Estafeta) irás centrar os teus esforços na temporada de 2008?

OL - Vou tentar focar-me nas quatro disciplinas, pois penso que é bom para mim correr muitas disciplinas. Mas creio que a Distância Longa se adequa melhor às minhas características, pelo que centrar-me-ei um pouco mais sobre ela.

UO – Participaste no primeiro Campo de Treinos da equipa de elite norueguesa, em Beito (Noruega). Podes dizer-nos algo sobre as actividades durante o Campo de Treinos?

OL - Tivemos uma semana agradável com uma grande quantidade de esqui e alguma corrida. O objectivo para esta semana foi o de fazer um bom treino de inverno, com séries de alta e baixa intensidade, e estarmos uns com os outros durante algum tempo. Todas as manhãs saíamos para esquiar duas a três horas. Na quinta-feira à noite fizemos um teste de 6,5 km a subir. Na sexta-feira à noite fizemos uma corrida de Orientação durante 30 minutos. Mas havia uma enorme quantidade de neve e, por isso, só corremos na estrada. No sábado à noite tivemos formação em sala e no domingo fomos para três a quatro horas de esqui. E é claro que tivemos uma série de reuniões sobre o Campeonato Mundial de Orientação, mapas e próximos treinos.

UO - Também irás participar no segundo Campo de Treinos do seleccionado norueguês de elite, em Portugal, durante o POM 2008. Já estiveste em Portugal antes e quais são as tuas expectativas relativamente ao POM 2008?

OL - Nunca estive em Portugal antes pelo que esta será a minha primeira vez no POM. Não tenho grandes expectativas relativamente ao POM, porque ainda é muito cedo na temporada. Não sei se vou correr todos os quatro dias à velocidade máxima, mas espero fazer boas corridas técnicas.


Por Niels-Peter Foppen • 1 de Fevereiro de 2008 • Categoria: Q & A


Clicar no logotipo para visualizar a entrevista na versão original.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

VENHA CONHECER... DIOGO MIGUEL

Chamo-me… DIOGO da Silva MIGUEL
Nasci no dia… 22 de Maio de 1989, em Aveiro
Vivo em… Canelas (Estarreja)
A minha profissão é… Estudante
O meu clube… Ori-Estarreja
Pratico orientação desde… 1998

Na Orientação…

A Orientação é… um desporto que nos faz sentir livres no meio do mato, sem ninguém a chatear-nos a cabeça!
Para praticá-la basta… fazer uma vez, depois gosta-se e não se larga nunca!
A dificuldade maior é… conciliar o esforço com o pensamento rápido!
A minha estreia foi… em Évora, tinha eu para aí oito ou nove anos!
A maior alegria… foi ser Campeão Europeu Júnior em 2007, na Hungria!
A tremenda desilusão… não houve!
Um grande receio… é, eventualmente, não poder continuar a fazer Orientação!
O meu clube… é aquele que, no nosso País, melhores condições oferece aos atletas!
Competir é… levar a Orientação um bocadinho mais a sério e tentar superarmo-nos a cada prova!
A minha maior ambição… chegar a um Campeonato do Mundo de Seniores, daqui a uns anos, e ficar no “top ten”!

… como na Vida!

Dizem que sou… não sei… é melhor perguntar aos outros!
O meu grande defeito… é que às vezes fico chateado por pouco… ou não!
A minha maior virtude… não sei!
Como vejo o mundo… com optimismo, dentro dos possíveis!
O grande problema social… a guerra!
Um sonho… ser médico!
Um pesadelo… não ser médico!
Um livro… “O Código Da Vinci”!
Um filme… “Pearl Harbour”!
Na ilha deserta não dispensava… o mapa da ilha!



Na próxima sexta-feira venha conhecer... Anabela Vieito.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

CORRIDINHO ALGARVIO (2)

IR A BANHOS

Como tínhamos assentado arraiais em Tavira, neste segundo dia [do POM2008, N. de P.] demos continuidade ao nosso corrupio por terras algarvias, dado que a etapa ia ter lugar no Pontal, zona próxima do Aeroporto de Faro. Dose a repetir na jornada seguinte.

Para surpresa geral, ao chegarmos à arena fomos confrontados com uma área espectacular, nomeadamente na vertente logística. Sobressaía nos comentários dos atletas mais viajados, mormente os estrangeiros, que este local de concentração era dos melhores por onde já tinham passado. A coligação CIMO / Juventude Fontainhas continuava a amealhar pontos, para somar aos que já tinha angariado no dia anterior. A maioria estava um pouco na expectativa sobre a capacidade desta organização em colocar de pé uma competição desta envergadura, mas a partir daqui qualquer dúvida estava dissipada.

Pontal, por acaso até me dizia qualquer coisa. Local predilecto de dois eventos de arromba. Um ligado aos amantes de cerveja e motas e outro a um festim estival, conotado com uma determinada cor política. Bem vistas as coisas, finalmente Pontal iria ter nos seus domínios um evento sério e responsável (he! he!).

Depois da chuva impiedosa da tarde anterior, a manhã apresentou-se bem airosa e a motivar a malta para uma prova a preceito. Convinha não esquecer que esta etapa iria contar para o Ranking Mundial, portanto seria de esperar um mapa a condizer com o nível dos concorrentes, que no global eram de superior qualidade.

Comecei a ter umas sensações esquisitas. Seria da responsabilidade? Estaria constrangido com a proximidade de tantos craques? Nah!!! Cá para mim, a vizinhança do mar, aliada à amena temperatura, estava a mexer comigo. Isto de vir para o Algarve, só se for para banhos. O meu bio-ritmo nestas paragens não está preparado para outras solicitações.

Tentando abstrair-me dos fluidos de veraneio que pairavam no ar, iniciei os meus 8.100 metros, com 19 pontos para controlar e uns 200 metros de desnível, levando a motivação possível para as circunstâncias. Mal olho para o mapa apanho um susto tal que quase me espalhava num lamaçal. Primeira pernada com quase mil metros? –“Ai mãezinha! Isto vai ser de loucos”. Correrias loucas quero eu dizer, mas de preferência bem orientadas, senão é esforço em vão. Infelizmente eu sei do que estou a falar (não me confundam com o outro).

Não sei se tomei a melhor opção, mas nove minutos depois estava na zona do primeiro ponto, apenas tive uma “branca” e demorei mais onze para o picar. Eu vou tentar explicar o que aconteceu. Lembram-se da zona verde, onde se situava uma plantação de “bananeiras”, de “palmeiras”, “tamareiras”, “coqueiros” ou que raio eram aquelas árvores? Pois bem, seja o que for, era planta tropical. A tal paisagem que leva um tipo a sonhar com férias. Assim sendo, dei uma de turista e pus-me a “trabalhar para o bronze”. Está bem, eu sei que não tenho desculpa... O ponto, apesar de escondido, estava na berma duma “auto-estrada”!!!

Após este contratempo, as hipóteses de uma prova razoável estavam completamente hipotecadas. Ainda teria pela frente umas três pernadas bem mais extensas do que esta. Ou continuava com a filosofia do ori-turista, ou fazia pela vida e corria atrás do prejuízo. Esforcei-me para dar da perna, mas nem sempre com o melhor proveito. A bússola, talvez influenciada pela proximidade dos radares do Aeroporto, arremessava-me constantemente ao lado das balizas (he! he!). E por força destes “campos magnéticos”, ia acumulando minutos de atraso.

No sexto percurso, de cerca de um quilómetro, em má hora decidi seguir um caminho que passava junto a uma lagoa. Atacaram-me os calores e estive vai que não vai para dar um refrescante mergulho. Se a minha prova mais parecia um “tour do atascanço”, não viria mal nenhum ao mundo se desse umas braçadas. No entanto, como faltavam poucos metros para o ponto da verdadeira água, consegui conter os impulsos banhistas.

Oh meus amigos!!! Então andei a assinar uma petição para quê? Onde paravam as “minis” loiras, frescas e apetecíveis? Só havia água? Concordo que a malta vinda da Escandinávia é mais de leite, chás e limonadas, mas e nós…os latinos? Daqui faço um apelo às futuras organizações de percursos mais longos. Passem a chamar de “ponto-bar” estes locais onde se possa também beber umas “bejecas”. Ou em alternativa, para não chocar os mais sensíveis, de “ponto de abastecimento líquido”. Combinado? Obrigado.

Depois deste relevante parêntese, primordial ao desenvolvimento da modalidade, regresso à minha luta com o mapa, mas o chocalhar que sentia na barriga não pressagiava nada de positivo. Comecei a ficar enjoado, provavelmente por falta de alimento (ou água a mais), pois tinha partido à hora do almoço e os dois biscoitos e banana há muito que tinham sido digeridos pelo meu acelerado metabolismo. Os roncos gástricos eram mesmo de fome. Não me faltava mais nada! Após uns momentos aerofágicos e flatulentos, fiquei pronto para seguir viagem (he!he!). Desculpem a crueza da cena, mas quem já não passou por aflição semelhante? (que atire a primeira bússola).

A prova ainda nem a meio tinha chegado e eu já me encontrava na reserva. Os sete pontos seguintes foram controlados dentro da normalidade, dando algum moral, não obstante continuar a perder um minuto aqui, dois acolá, cinco além. Nem me atrevia a olhar o relógio para não desmotivar. E bem precisava estar concentrado para dar conta da pernada mais longa (1.200 mts), que tinha de percorrer para a baliza 14.

O terreno era a descer, caminhos não faltavam, mas seria necessário algum cuidado nas opções a tomar. De repente avisto a “zona tropical”, por onde teria de passar novamente e fiz um esforço para não cair na tentação de voltar ao “passeio turístico”, até porque já tinha apanhado sol em demasia. Fechei os olhos e corri o mais que pude! –“Arreda tentação do demónio, que isto não é hora de ir a banhos!”

Uff!!! Safei-me à justa. Do que não me salvei foi de mais uma pastorícia. O ponto 15 ficava a pouco mais de 200 metros. Como devo ter achado pouco, bateu-me um último acesso de veraneante e andei à sua roda uns dez minutos (até ficar tonto). Resolvi ir a azimute, quando só tinha de escolher o melhor caminho (inventor!). Não desatinei, porque apareceu um companheiro de desgraça e tive de me controlar, mas é preciso montes de paciência para aguentar tanta inépcia.

Devem estar a imaginar o tempo escandaloso que devo ter feito, mas por favor não me peçam que o divulgue (foi mau, muito mau, basta de vexame). Tanto andei a fugir da lanterna vermelha que hoje tinha sido apanhado (pensei eu). Tinha de me conformar com a realidade pura e dura. Só que, no lavar dos cestos, surgiu uma alma caridosa dum clube amigo e arrebata-me este “troféu”.

No dia seguinte (se me conseguisse levantar) ia haver vingança, olá se ia!

Luís Pereira


Se perdeu a primeira parte do "Corridinho Algarvio" recue uma semana e leia o texto publicado em 14 de Fevereiro sob o título "ECOS DO POM2008".

Um grande abraço ao Luís Pereira que faz o favor de ser meu amigo e de me permitir a publicação dos seus deliciosos escritos.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

O POM2008 VISTO POR... MARIA SÁ

Há seis anos participei pela primeira vez no Portugal O'Meeting, na Marinha Grande. Foi uma bela experiência ... Lembro-me que foi a primeira vez que corri abaixo de uma hora e foi aí que eu comecei a aprender a ler as curvas de nível.

Seis anos volvidos, o Portugal O'Meeting tornou-se num dos grandes objectivos da época e sonhava alcançar bons resultados no escalão de elites. Esperava uma boa prestação nas provas de Distância Longa e talvez não tão boas na Distância Média, porque seriam percursos mais técnicos e uma boa forma de perder segundos! Mas as coisas correram na direcção oposta e na Distância Média até estive bem. Na Distância Longa é que foi um autêntico desastre.

Dia 1

Prova de Distância Média disputada numa grande zona verde, não muito usual em Portugal. O meu desempenho foi bom e apenas cometi alguns pequenos erros no final da corrida. Não apreciei o mapa e a corrida foi um pouco enfadonha.

Dia 2
Estava confiante e as minhas expectativas para a prova WRE eram elevadas! Infelizmente fiz uma prova péssima! Em primeiro lugar, não corro tão bem em escalas 1:15 000. É algo que devo melhorar mas, de facto, em Portugal não corremos muito em mapas com esse tipo de escala. Além do mais, acho que nunca poderia fazer uma orientação inteligente sobre esse mapa. Era importante seguir sempre por trilhos porque o terreno era quase impraticável. Confesso que não estava preparada para isto. E como se não bastasse, ainda cometi dois erros enormes. Primeiro, segui directamente do 6º para o 8º controle e esqueci-me de marcar o 7º. Quando já ía para o 9º ponto é que me apercebi da falha e lá regressei ao ponto 7, perdendo muito tempo! Embora um pouco desmotivada por este erro enorme, prossegui a minha prova. Já na parte final da corrida perdi cerca de 9 minutos num ponto fácil... Não consegui entender o mapa e limitei-me a correr na direcção do ponto... má ideia!

Dia 3
Outra Prova de Distância Longa e eu desmotivada. Comecei mal, completamente desconcentrada e perdi tempo em praticamente todos os controles. Em seguida, a corrida desenrolou-se noutra parte do mapa e comecei a correr melhor e mais regular.

Dia 4
No último dia do POM fui para a floresta como se fosse para um treino. Sentia-me desmotivada e só fui à prova para desfrutar da floresta e do prazer de correr. Na verdade comecei mal porque pensei que a escala do mapa não estava correcta mas o resto da corrida foi muito agradável, com um pequeno erro apenas no último ponto. Gostei muito do tipo de terreno e durante a corrida senti-me bastante calma e confiante. Terminei em 7º!

Maria Sá


Actual número 2 do "ranking" nacional e 228ª do mundo (2934 pontos), Maria Sá é atleta do Grupo Desportivo 4 Caminhos. Saiba mais em http://my.opera.com/Joa-o/blog/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

ULTIMATE ORIENTEERING

Hoje faço uma visita ao Ultimate Orienteering, um “site” totalmente dedicado à Orientação. Actualizado frequentemente com as últimas notícias relativas à orientação internacional, o “site” tem como objectivo aproximar da modalidade os orientistas de todo o mundo, através do texto, imagem e vídeo.

Ultimate Orienteering pretende tornar-se numa plataforma internacional virada para o orientista. Existe aqui uma verdadeira paixão pela Orientação e procura-se, por todas as formas, partilhar o espírito, o divertimento e a motivação inerentes à modalidade!

Os grandes mentores deste projecto são dois dedicados orientistas holandeses, Niels-Peter Foppen, fundador do “site” I-OL.nl, e o seu irmão Wouter Foppen. Ultimate Orienteering é apoiado por uma equipa mundial de colaboradores que ajudam na recolha de notícias sobre Orientação de todo o mundo. Para além dos já citados, fazem igualmente parte da equipa os colaboradores Jochen Verdeyen (Tielt-Winge, Bélgica), Thomas Nippen (Vancouver, Canadá), Carla Guillén Escriba (Barcelona, Espanha), Biel Rafols Perramón (Barcelona, Espanha) e Ona Rafols Perramón (Barcelona, Espanha).

A equipa do Ultimate Orienteering faz um convite à participação de todos, quer através de comentários aos artigos publicados, quer fazendo parte da equipa de colaboradores, através do envio de e-mail com a motivação pessoal para niels-peter@ultimate-orienteering.com.

Para visitar este excelente “site” basta clicar sobre o logotipo no início da mensagem. E não se esqueça – logicamente! – de adicioná-lo aos favoritos.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

ECOS DE CANTANHEDE


A forte selecção feminina de elites da República Checa apresenta seis atletas nos 100 primeiros lugares do "ranking" mundial. Dana Brožková é a "chefe de fila", ocupando o 12º lugar do "ranking" com 5425 pontos. Seguem-se-lhe Eva Juřeníková (23ª, com 5174 pontos) e Zdenka Stará (29ª, com 5083 pontos). Mas é precisamente de Eva Juřeníková que aqui damos conta hoje, deixando que nos relate, na primeira pessoa, as suas experiências aquando da passagem recente pelo nosso Pais.


2008-02-17 Campo de Treino em Mira

No ano passado, a nossa Selecção Nacional fez o seu Campo de Treino de inverno em Mira, organizado pelo Ori-Estarreja. Este ano escolhi ir para o mesmo sítio com os "meus" dois clubes, Domnarvet e Mora. Muito bons mapas e corridas próximo do local onde nos alojámos, terreno bastante técnico, solo macio, condições climáticas agradáveis e viagens fáceis e baratas entre Portugal e a Suécia foram as razões para a escolha desta alternativa.

Estou muito satisfeita com o Campo de Treino e recomendá-lo-ia, seguramente, a outros corredores. A escolha de vários exercícios de Orientação foi enorme e gostei, sobretudo, de duas sessões de treino de estafetas. No ano passado, fiquei instalada em Hotel, ao passo que este ano fiquei em “bungalows” a cerca de 100 metros do Hotel, o que foi ainda melhor do que no ano passado.

Também participei em duas provas do Troféu Internacional de Cantanhede 2008 (WRE Média + Longa). Estas corridas foram realizadas em novos mapas. Terminei em 7º na Distância Média e em 4º na Distância Longa.


O meu desempenho na Distância Média foi bom e apenas cometi alguns pequenos erros. Foi um percurso emocionante de Orientação. Mudei recentemente de uma bússula "normal" para uma bússola de polegar. Penso que a "transição" foi bem sucedida, mas ainda é necessário mais algum tempo para me sentir confiante. A principal razão para esta mudança foi a de facilitar uma Orientação mais técnica, especialmente em Distância Média e Sprint.

Apesar de ter alcançado um melhor resultado na Distância Longa, tive uma sensação pior quando cheguei ao final. Não consegui manter-me concentrada, cometi um grande erro para além de demasiados erros menores e comecei a sentir uma dor num dos pés no final da corrida. Foi um percurso longo e demasiado penoso devido ao solo arenoso. Por vezes, era como correr na praia.

O nosso programa (7 a 14 de Fevereiro)

Quinta (7.2)
Manhã: viagem da Suécia para o Porto (com Ryanair);
Tarde: primeiro treino, saindo directamente do nosso alojamento, corrida de cerca de 6 km com o objectivo de nos familiarizarmos com o mapa e o terreno, comparar as diferentes características do mapa com a aparência do terreno na realidade (cores verde e amarela diferentes, símbolos especiais, etc).

Sexta (8.2)
Manhã: cerca de 4 km de corrida sem bússola em num mapa apenas a castanho;
Tarde: Corrida de cerca de 6 km, mapa de Distância Média nas imediações do mapa de competição do dia seguinte. Objectivo: “Event Model” para a prova de amanhã, algumas pernadas em velocidade de competição para encontrar o ritmo certo.


Sábado (9.2)
Tarde: Prova de Distância Média WRE Dunas da Tocha;
Noite: Alguns dos rapazes fizeram também a Prova de Sprint Nocturno, na Praia da Tocha; eu preferi descansar.

Domingo (10.2)
Manhã: Corrida – Prova de Distância Longa em Rovisco;
Noite: Treino de Força.

Segunda (11.2)
Manhã: 3 “loops” (1,6 a 2,2 km) em ritmo de competição;
Tarde: Cerca de 6 km de corrida, mapa treino de memória.

Terça (12.2)
Manhã: Treino com as equipas do Hakarpspojkarna, Majorna e Leksand, ritmo de competição. Terminei em segundo lugar, a cerca de 3 minutos de Helena Jansson;
Tarde: Treino de direcção, corrida de cerca de 6 km.

Quarta (13.2)

Manhã: Treino de estafeta, 3 loops (2 a 2,5 km), velocidade de competição. Fui segunda, Karro venceu;
Tarde: Treino de ataque ao ponto, corrida de cerca de 4 km. Estava tão cansada que fiz parte da corrida a passo.

Quinta (14.2)
Viagem de regresso à Suécia.

Após regressar a casa, necessitei de dois dias inteiros para recuperar completamento do esforço deste Campo de Treinos. Ontem fiz algum esqui e hoje treino de força em ginásio, conforme o meu programa. O próximo Campo de Treino será em Le Caylar, França, na primeira semana de Março, com a nossa Equipa Nacional.

Saiba tudo sobre Eva Jurenikova clicando sobre o logotipo acima e visitando a sua página pessoal.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 17 de Fevereiro de 2008

NAS SETE QUINTAS

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Que melhor forma de desfrutar de uma amena e tranquila tarde de sábado, senão embrenharmo-nos na floresta e, de mapa na mão, fazermos um percurso de Orientação? Foi assim na tarde de ontem, na melhor das companhias, com um bando de hiperactivas crianças a rivalizarem entre si pela primazia de descobrir, um após outro, todos os pontos.

A Orientação afirma-se como o desporto da família. Pelo menos para nós, cá em casa, que nos sentimos nas sete quintas.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 16 de Fevereiro de 2008

AINDA (E SEMPRE) O POM2008

De Øystein Kvaal Østerbø se conhecem as extraordinárias capacidades como orientista. Número 3 da fortíssima selecção norueguesa e 33º classificado do ranking mundial, ele integrava, ainda há bem pouco tempo, o “top ten” mundial (um 4º lugar do ranking foi a sua melhor posição de sempre, alcançada em 25.05.2006).

Pois bem, se Øystein [o meu amigo Stig Alvestad ensinou-me que se pronuncia Is-tin] demonstra uma enorme dedicação à modalidade, não é menos eficiente em manter a sua página pessoal actualizada, com entradas praticamente diárias e uma profusão de elementos de consulta verdadeiramente atractivos.

Ao longo desta primeira quinzena de Fevereiro, Øystein publicou três artigos relatando a experiência relativa à sua estadia em Portugal com a Selecção Nacional Norueguesa, à participação nos quatro dias do Portugal O’Meeting e aos Campos de Treino em Évora.

A primeira postagem é de 6 de Fevereiro e faz uma abordagem superficial à sua estada em Portugal e aos cinco dias de paragem forçada por doença que condicionaram a sua prestação, em termos competitivos, na principal prova do calendário nacional.

Na postagem seguinte, no dia 9 de Fevereiro, Øystein passa a uma análise com algum detalhe dos mapas do POM e avalia a sua prestação competitiva. Confessando que a sua quase integral dedicação ao Esqui nos últimos meses o fez andar devagar nos quatro dias do POM, Øystein revela ter encontrado dificuldades no 10º ponto da prova do 1º dia (Tavira), num mapa menos “bonito” do que estava à espera. Quanto ao segundo dia, a Prova de Distância Longa WRE não lhe correu particularmente bem e cometeu uma série de erros. Passa praticamente por cima do terceiro dia para finalmente se debruçar sobre o quarto dia e sobre esse “intrigante” engano na escala do mapa, “que deveria ser de 1:10.000 quando na verdade era de 1:15.000, o que fez com que muitos atletas perdessem imenso tempo nos primeiros controles.”

Finalmente, na postagem de 13 de Fevereiro, somos brindados com 138 belíssimas fotos, onde se pode apreciar o quanto Øystein apreciou a sua estadia em Portugal. Destaque para uma boa surpresa, a reportagem sobre o Campeonato da Europa de Corta-Mato nas Açoteias e o acompanhamento da turma do Kristiansand IF, 15ª classificada no certame, para uma dúzia de fotos muito boas tiradas durante uma das provas do POM (entre os orientistas captados pela objectiva de Øystein, a curiosidade de ver a Cláudia Pereira em plena actividade de “espécie de orientista”) e para os momentos de diversão (aquela do Stig Alvestad em cima duma árvore é de antologia).

Posto isto, nada como fazer uma visita a
http://folk.ntnu.no/oysteios/ . Verão que vai valer francamente a pena.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

VENHA CONHECER... MARIA AMADOR

Chamo-me… MARIA da Conceição Ribeiro AMADOR
Nasci no dia… 16 de Dezembro de 1970, no Barreiro
Vivo em… Figueiredo (Torres Vedras)
A minha profissão é… Professora de Educação Física
O meu clube… Académico de Torres Vedras
Pratico orientação desde… 1998

Na Orientação…

A Orientação é… uma forma de diversão, de passar o tempo, de estar no campo!
Para praticá-la basta… vir com vontade, vir passear!
A dificuldade maior é… É... Não há dificuldades na Orientação!
A minha estreia foi ... em passeio, há bastante tempo, no Gerês!
A maior alegria… é vir divertir-me, é sempre uma alegria!
A tremenda desilusão… é quando estou no meio do mapa e estou mesmo perdida!
Um grande receio… de me magoar!
O meu clube… são os meus amigos!
Competir é… divertir!
A minha maior ambição… andar nisto o máximo de tempo possível!

… como na Vida!

Dizem que sou… simpática!
O meu grande defeito… (bolas) ser um bocadinho teimosa… ou egoísta!
A minha maior virtude… preocupar-me um pouco com os outros!
Como vejo o mundo… conforme se acorda mas… de forma positiva. É extremamente belo!
O grande problema social… a guerra!
Um sonho… ser feliz e os outros serem igualmente felizes!
Um pesadelo… acontecer algo àqueles que nos são mais chegados!
Um livro… não sei, não sou muito de ler mas… gostava dos Patinhas!
Um filme… “A Vida é Bela”!
Na ilha deserta não dispensava… os amigos!



Na próxima sexta-feira venha conhecer... Diogo Miguel.
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Saudações orientistas.
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JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

ECOS DO POM2008

CORRIDINHO ALGARVIO (1)
Nos “braços” da Sãozinha

Se fiz questão em marcar presença na prova rainha do calendário nacional, o POM 2008, fui obrigado a andar numa fona durante os quatro dias da competição. Com início em Tavira, passando duas vezes por Faro e terminando em Vila Real de Santo António, originou um autêntico frenesim para o casal da espécie de orientista.

Podíamos lá faltar ao evento, que atrai ao nosso país uma verdadeira caterva de estrangeiros (eram para cima duns quinhentos!), do melhor que existe na orientação mundial. Pelo menos ia ter o prazer de participar lado a lado (só nas partidas, hehe) com alguma da elite orientista. O tal toque internacional, para condimentar um pouco mais a carreira do “espécie”, que anda a passar por uns momentos menos felizes.

A sociedade CIMO / Fontainhas convidou-nos no primeiro dia para a propriedade da Conceição, quase nos limites da serra algarvia. Eu até nem conhecia a “senhora”, mas enfim…se ela não levava a mal…aproveitávamos a hospitalidade. Um terreno que me fez recordar um passado recente. Então não querem saber, que esta mata estava semeada de um tipo de arbustos, ainda aparentados com o célebre “tojo ulex”? Predominavam os vários tons de verde, que mau grado o dito parentesco, mostraram-se bem mais dóceis e com alguma facilidade na transposição, mas tendo em conta o seu exuberante porte, resultou que certos pontos se apresentassem pouco menos que invisíveis (à minha “frágil” vista, claro).

Não querendo dar desculpas de mau pagador, devo salientar que a minha modesta prestação, foi influenciada pelo agradável aroma que emanava do seio da “Sãozinha”. Um perfume a rosmaninho, ou a poejos, ou seria das acácias (?), que me foi embalando no seu “regaço”, sobretudo entre os pontos 8 e 12. Trinta minutos de verdadeira interacção com a floresta . Para picar estes quatro pontos, demorei quase tanto tempo do que despendi com os restantes dezasseis.

Foi um consolo para a alma, mas uma desgraça para o resultado final. Espero que compreendam, que não devo contrariar a minha personalidade. Se sou um rapaz sensível a estas “particularidades” da natureza, tenho é de desfrutar e pronto (estou em crer, que num destes dias me vão apanhar na floresta a apanhar borboletas, hehe).

Sinto alguma mágoa por não ter conseguido melhor performance, porque a qualidade deste mapa (penso que os mais cépticos se renderam) merecia mais empenho por parte do “espécie”. Não me posso queixar de falta de pormenores. Um relevo “soft”, caminhos q.b., uma série de lagos, vegetação com fartura, curvas de nível bem pronunciadas, apenas 4.200 metros de percurso e ausência de “pedrolas”, o que mais poderia eu desejar? –“Um pouco mais de atenção e nada de deleites”. Mas o que havia de fazer? Fiquei inebriado pelos “aconchegos” da Conceição (hehe) e só tenho uma pontinha de ciúme da mão cheia de companheiros, que ainda se deliciou mais tempo no “colo” da “Sãozinha” (mimalhos!!!).

Tentei não esmorecer, dado que a procissão ainda ia no adro. No dia seguinte, no Pontal, teria hipótese de corrigir estes erros “afectivos”, perdão…técnicos (sou um sonhador brincalhão!).

Eu vou aparecendo.

Luis Pereira


Designando-se a si próprio como "espécie de orientista", Luís Pereira continua a revelar-se um exímio executante na arte de bem descrever. A sua experiência no primeiro dia do Portugal O'Meeting 2008 é disso eloquente exemplo.

Com a devida vénia, aqui se transcreveu mais um saboroso relato e se reafirma a admiração pelo seu exemplo.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

A PÁGINA DE TIAGO ROMÃO


No rescaldo dos dois grandes eventos dos últimos dias – Portugal O’Meeting e I Troféu Internacional de Orientação de Cantanhede – a “blogosfera” agita-se com a multiplicidade de relatos que surgem de toda a parte. Debruçamo-nos aqui sobre as impressões de Tiago Romão, o jovem representante do Clube de Orientação do Centro.

A minha última semana, de 2 a 10 de Fevereiro, foi totalmente dedicada à Orientação. O Portugal 'O' Meeting, na região do Algarve, foi uma agradável surpresa para mim, especialmente a classificação final e o 2 º lugar após 4 dias de competição.


POM Primeiro dia (02/02/2008)
A corrida teve lugar em Tavira num mapa um pouco “sujo”. Para mim o terreno não foi muito interessante, porque a progressão era muito difícil e não tão técnica como seria de esperar numa Prova de Distância Média.


POM Segundo e terceiro dia (03-04/02/2008)
No mapa chamado "Pontal", perto de Faro, tiveram lugar duas Provas de Distância Longa.
Gostei muito do 3 º dia, porque a corrida foi melhor do que no dia anterior. Ela aplica-se muito mais a uma orientação precisa. Nesse dia eu errei menos e tive um melhor resultado. Na competição do 2 º dia fiz muitos erros.


POM Último dia (05.02.2008)
Vila Real de Santo António foi a anfitriã da aldeia POM do último dia. Este mapa foi realmente desafiador. O terreno de floresta de pinheiros, com muitas árvores, diminuiu um pouco a visibilidade e exigiu uma orientação muito precisa. Este foi, sem dúvida, o melhor dia do POM. E ganhei neste último dia.


Dias de recuperação (06-08/02/2008)
Nestes 3 dias fui para Leiria e treinei lá. No primeiro dia fiz apenas corrida lenta, rodando com mapa na floresta. Na quinta-feira fiz um treino “fartlek” com mapa. Foi um treino muito agradável com sinalética própria (seta única para fazer lento e seta dupla para velocidade máxima). Na sexta-feira foi dia de fazer o Event Model em Cantanhede.


I Troféu Internacional de Cantanhede (9-10/02/2008)
Esta semana foi verdadeiramente um desafio. Parabéns ao ORI-Estarreja por este excelente evento.
No primeiro dia disputou-se a Prova de Distância Média onde a precisão na orientação era a principal exigência. Nesta corrida não cometi grandes erros e fui o melhor atleta Português.
O segundo dia foi realmente decepcionante para mim. Na Prova de Distância Longa cometi demasiados erros. Após o meio da corrida estava verdadeiramente cansado e não conseguia concentrar-me. De um modo geral, perdi cerca de 5 minutos entre hesitações e erros. No final fui 5º da competição.


Tiago Romão

Um cumprimento muito especial ao Tiago, quer pela sua dedicação à modalidade, quer pela disponibilidade em trazer até nós a sua própria experiência, num simples e sentido exercício de escrita. E também um abraço muito especial pelo facto de ter visto a sua página ser incluída no “World of O”, depois de ter acontecido o mesmo com a página da Maria João Sá há sensivelmente um mês atrás.


Para aceder à página basta clicar na imagem. E não se esqueça da respectiva marcação nos “favoritos”.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

I TROFÉU INTERNACIONAL DE ORIENTAÇÃO DE CANTANHEDE - DIA 2


O Complexo Desportivo da Tocha foi palco das partidas e chegadas da Prova de Distância Longa, no segundo dia do I Troféu Internacional de Orientação de Cantanhede. Uma arena verdadeiramente fabulosa, um ambiente de autêntica festa e muita alegria e animação na aclamação dos vencedores. Ponto final num Troféu que, em ano de estreia, se saldou por um rotundo êxito.

Com a chegada ao final do I Troféu Internacional de Orientação de Cantanhede, fecha-se um ciclo verdadeiramente dourado para a modalidade no nosso País. E se o POM2008 tinha arrecadado um dos mais elevados índices de participação de sempre num evento da modalidade em Portugal, este Troféu Internacional de Orientação de Cantanhede não lhe fica atrás e, em eventos deste nível, revelou-se como o mais participado de sempre no que ao número de atletas diz respeito, 1004 segundo a Organização, dos quais 378 estrangeiros.

O “bis” de Mattias Karlsson

Neste segundo dia de provas os atletas puderam contar com um mapa de características mais regulares, tanto em termos de relevo como de vegetação, proporcionando grandes desempenhos e permitindo a muitos atletas redimirem-se de prestações menos conseguidas na véspera. Estão nestes casos o sueco Erik Anderson (OK Denseln), 12º na Média e aqui 3º classificado com 1:12:15, o também sueco Niclas Jonasson (Leksands OK), 19º na véspera e 4º classificado na Longa com 1:12:15 e o romeno Ionut Zinca (GD 4 Caminhos), que mostrou em toda a plenitude a sua vocação para a Distância Longa e foi 5º classificado com 1:14:37. Terceiro classificado na véspera, Jan Troeng (OK Linné) não foi hoje além da 7ª posição com 1:14:55.

Quem não facilitou foram os suecos Mattias Karlsson (IK Hakarpspojkarn) e Mats Troeng (OK Linné), repetindo os mesmos resultados da Prova de Distância Média e cumprindo os 14,3 km do percurso (30 pontos) em 1:09:13 e 1:10:05, respectivamente. Tiago Aires também repetiu o feito de ser o melhor português, concluindo na 26ª posição com 1:22:04. Miguel Silva voltou a estar muito bem e foi, desta feita, o nosso segundo melhor representante, com 1:27:47 a que correspondeu a 42ª posição. Marco Póvoa (ADFA) rectificou a prova da véspera e esse desconcertante “missing point” e foi 49º classificado com 1:28:52.

Helena Jansson “demolidora”

Nas senhoras, a vitória de Helena Jansson (IF Hagen) não constituiu surpresa de maior, se atendermos ao seu estatuto de nº 5 do “ranking” mundial. Mas não deixam de ser impressionantes os quase 10 minutos (!) de vantagem sobre Lina Persson (OK Skogsfalken), a 2ª classificada. Olhando os tempos, Jansson cumpriu os 30 pontos ao longo de 11,5 km em 1:05:35 contra os 1:15:30 da sua compatriota. Laura Hokka (SK Pohjantähti) foi 3ª com 1:16:00, a checa Eva Jurenikova (Domnarvets GoIF) concluiu em 4º com 1:17:26 e a sua colega de equipa, a sueca Emma Johansson foi 5ª com 1:18:13. A vencedora da véspera, Linnea Gustafsson (Visborgs OK), não foi além do 8º lugar com 1:21:12 enquanto Lena Eliasson (Stora Tuna OK) fez uma prova para esquecer – alcançar o melhor primeiro parcial e depois, no 4º ponto, perder quase 9 minutos (!) abala animicamente qualquer um -, sendo apenas 28ª com 1:40:29.

No que às representantes portuguesas diz respeito, Maria Sá (GD 4 Caminhos) esteve aqui ao seu melhor nível, terminando num brilhante 11º lugar com o tempo de 1:25:55. Menos bem, Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) foi, ainda assim, a nossa segunda melhor representante, alcançando a 20ª posição com 1:29:56, enquanto Susana Pontes (CPOC) concluiu no 25º lugar com 1:34:48.

Balanço final

No balanço final, as contas relativas ao sector masculino são fáceis de fazer, com Mattias Karlsson, Mats Troeng e Jan Troeng a manterem as posições da véspera e a ocuparem o pódio por esta ordem. As boas prestações de Erik Andersson e de Niclas Jonasson na Distância Longa permitiram-lhes ascender aos 4º e 5º postos, respectivamente. O lituano Darius Sadeckas (IFK Moras OK) “furou” o avassalador domínio sueco e terminou na 6ª posição deste I Troféu Internacional de Orientação de Cantanhede. Mais abaixo, no 23º lugar, surge o primeiro português, Tiago Aires. Ionut Zinca, recuperou do desastroso 53º lugar da véspera e terminou na 25ª posição. Miguel Silva, Celso Moiteiro e Joaquim Sousa, estes dois últimos do COC, alcançaram os 46º, 47º e 50º lugares, respectivamente.

Já no que toca às senhoras, registaram-se mexidas significativas nos lugares cimeiros. Helena Jansson, 4ª na Prova de Distância Média, acabou sendo a grande vencedora do Troféu. Lina Persson subiu um lugar relativamente à véspera e foi 2ª enquanto Emma Johansson recuperou duas posições e foi 3ª. A vitória de Linnea Gustafsson no 1º dia de pouco valeu face ao 8º lugar de hoje, fazendo-a cair para a 4ª posição. Intrometendo-se nas contas das suecas, Jurenikova alcançou um honroso 5º lugar. Só no 22º lugar vemos surgir a primeira portuguesa, precisamente Raquel Costa, enquanto Maria Sá se quedava cinco furos abaixo, na 27ª posição. A terceira melhor portuguesa foi uma promissora Patrícia Casalinho (COC), no 31º lugar.

Ainda uma palavra para os mais novos, com Pedro Neves (COC) e Carolina Delgado (GD4Caminhos) a triunfarem nos escalões de M13 e W13, João Filipe (20 kms Almeirim) e Inês Domingues (COC) a vencerem em M15 e W15 e João Mega Figueiredo (CN Alvito) e Joana Costa (GD4Caminhos) a levarem de vencida o escalão de M17 e W17. Colectivamente, a turma do Clube de Orientação do Centro (Leiria) foi a grande vencedora, seguida do Grupo Desportivo 4 Caminhos (Matosinhos) e do Clube Português de Orientação e Corrida (Oeiras).

“É como se progredissem numa auto-estrada”

As últimas referências vão para o trabalho organizativo. A bem oleada máquina do Ori-Estarreja não deixou nada ao acaso, proporcionando um primeiro contacto com o terreno, logo na sexta-feira (dia 8). Entre as duas provas de carácter competitivo – Distância Média WRE (dia 9) e Distância Longa (dia 10) – teve igualmente lugar um evento de Orientação Nocturna na Praia da Tocha, trazendo a modalidade para junto das populações, indo ao encontro dos gostos da generalidade dos participantes e dando ainda a conhecer um mapa similar ao de uma das finais de Sprint do Campeonato do Mundo de Veteranos (WMOC2008), evento aqui fortemente promovido.

“Este evento vem na sequência de outros três ou quatro levados anteriormente a cabo por nós e cuja qualidade organizativa tem merecido o reconhecimento por parte da Federação Portuguesa de Orientação. Motivo pelo qual nos foi atribuída a distinção WRE em mais esta prova por nós organizada.” Foi com estas palavras que António Amador, responsável máximo pela organização do Troféu, abriu a breve conversa. Para aquele dirigente do Ori-Estarreja “procuramos capitalizar a experiência que adquirimos de uns anos para os outros, muitas das dificuldades são já naturalmente ultrapassadas e vamos conseguindo organizações como esta da qual, penso, todos os atletas presentes saem satisfeitos.” Referindo-se ao número de participantes, António Amador considera-o “para este tipo de provas, muito bom. Tentamos rentabilizar os contactos que temos com atletas que vieram anteriormente a Portugal e, nomeadamente, às nossas provas, oferecemos campos de treino num pacote integrado, procuramos investir numa boa divulgação do evento e, dessa forma, conseguimos ter aqui este número muito bom de atletas estrangeiros.”

Quanto aos aspectos técnicos e competitivos, Amador salienta ser este “um dos mapas mais técnicos que temos em Portugal. Para um mapa tão difícil quanto o é este, tivemos aqui atletas a fazer muito bons tempos. São atletas tecnicamente muito evoluídos. O que para nós é complicado fazer, para eles é como se progredissem numa auto-estrada. Houve uma luta muito grande pelos primeiros lugares e o nível competitivo só saiu a ganhar com isso.” Daí que o balanço não possa ser mais positivo: “Tecnicamente, fizemos todos os possíveis para que tivéssemos um bom evento. Tudo correu dentro do esperado e temos a firme certeza de que esta foi mais uma das grandes provas da época, quer em termos organizativos, quer competitivos, quer de participação. Toda a gente vai daqui satisfeita e mesmo aqueles que não ganharam ficaram contentes com o tipo de mapas, com os aspectos logísticos. Até o tempo, que era a única coisa que nos podia acarretar algumas condicionantes, não podia ser melhor.”

Até já!

Justifica-se igualmente uma palavra de admiração e apreço pelo apoio que o Município de Cantanhede tem dado ao desenvolvimento da modalidade. A estratégia concertada com o Ori-Estarreja data de 2003 e tem resultado no levantamento de mapas e na organização de provas, das quais o Troféu Internacional de Orientação de Cantanhede, em ano de estreia, é um exemplo notável de qualidade competitiva e de capacidade organizativa. A Orientação constitui-se, desta forma, num veículo privilegiado de promoção das potencialidades turísticas e culturais de toda uma região o que, naturalmente, se saúda e deve ser apontado como exemplo a seguir.

A Orientação ao mais alto nível está agora de partida do nosso País, regressando apenas em Junho com a realização do Campeonato do Mundo de Veteranos (WMCO). E se quisermos voltar a ver a elite mundial, então só lá mais para o final do ano, no primeiro fim-de-semana de Dezembro, com a realização do Campeonato Ibérico, em Idanha-a-Nova. Mas a Taça de Portugal segue o seu curso natural e, “para consumo interno”, segue-se já, nos dias 8 e 9 de Março, o Norte Alentejano O’Meeting, 8ª e antepenúltima prova do certame.

Até lá, pois.


[consulte os resultados do 2º dia de provas clicando na imagem]

Leia a crónica e veja a reportagem fotográfica em http://www.ammamagazine.com/ .

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

I TROFÉU INTERNACIONAL DE ORIENTAÇÃO DE CANTANHEDE - DIA 1


Numa altura do ano em que as condições atmosféricas são um factor condicionante à prática de variadíssimas modalidades, a Orientação Pedestre do Velho Continente centra as suas atenções nos países do Sul. Portugal não é excepção e vem atraindo um número crescente de amantes da modalidade, graças à organização de eventos de qualidade. Uma enorme mais-valia para aqueles que nos procuram com o intuito de treinar ou competir.

A Orientação viveu mais um momento alto no passado fim-de-semana, com a disputa do I Troféu Internacional de Orientação de Cantanhede. A prova, pontuável para a Taça de Portugal e para o Ranking Mundial da modalidade, foi organizada pelo Ori-Estarreja e contou com os apoios inestimáveis da Câmara Municipal de Cantanhede, Federação Portuguesa de Orientação e IOF – Federação Internacional de Orientação.

A faixa litoral do município cantanhedense, com uma extensa e paradisíaca mancha de pinheiro bravo implantada sobre cordões dunares, foi o local escolhido para a realização do Troféu. Ao longo de três inesquecíveis dias de autêntico Verão, os mais de mil participantes – dos quais quase quatro centenas oriundos de países estrangeiros – puderam desfrutar de mapas altamente técnicos, de intensos desafios às capacidades de cada um e de momentos privilegiados de competição e lazer.

A invencível “armada” sueca

Conseguindo captar a atenção de alguns dos melhores atletas de elite da actualidade, a Organização atingiu uma elevadíssima bitola competitiva que, na prática, se saldou por resultados de grande nível. Num terreno marcado pela abundância de detalhes de relevo e por inúmeras áreas verdes de visibilidade reduzida, só mesmo os melhores podiam sair vencedores. E aí, uma autêntica armada sueca dominou em toda a linha, colocando 7 representantes nos dez primeiros da Geral, tanto no sector masculino como no feminino. Mas vamos por partes...

O primeiro dia de competição foi dedicado à Prova de Distância Média WRE, pontuável para o “ranking” mundial. A elite masculina cumpriu um percurso de 6,1 km, distribuídos ao longo de 23 pontos, e foi dominada pelo sueco Mattias Karlsson (IK Hakarpspojkarn). Um dos últimos a partir, Karlsson manteve a expectativa quanto ao vencedor mesmo até ao cair do pano, numa altura em que o ex-número 1 do “ranking” mundial, o também sueco Mats Troeng (OK Linné), liderava a prova com 31:12. Valendo-se dum excelente começo e dum percurso bastante regular, Mattias Karlsson viria a alcançar o melhor tempo dos 105 atletas em prova, gastando menos 5 segundos que Mats Troeng. O também sueco Jan Troeng (OK Linné) concluiu na terceira posição com um registo de 31:43.

Tiago Aires e Raquel Costa melhores portugueses

Marco Seppi (CUS Bologna), um dos melhores italianos da actualidade e 164º do “ranking” mundial, foi uma agradável surpresa e concluiu na 4ª posição com 32:36, enquanto outro sueco, Tomas Stenström (OK Linné) foi 5º classificado com 32:40. Segundo classificado do POM2008, o norueguês Stig Alvestad (Wing OK) teve igualmente uma boa prestação, alcançando o 8º posto com 33:22. Só no 30º lugar surge o primeiro português, Tiago Aires (SRSP Gafanhoeira), que gastou 36:13. Celso Moiteiro (COC) foi o segundo melhor português – 49ª posição com 39:45 – enquanto Miguel Silva (CPOC), com um 52º lugar em 40:12, fecharia o “pódio interno”. Será preciso descer ainda um degrau na classificação para encontrarmos a grande desilusão desta etapa de Distância Média: O 4º classificado no POM2008, Ionut Zinca, o romeno do GD4 Caminhos. Um 53º lugar, em 40:28, foi o melhor que se pode arranjar.

A Prova de Distância Média destinada à elite feminina, na distância de 4,6 km distribuídos por 18 pontos, teve numa surpreendente Linnea Gustafsson (Visborgs OK) a grande vencedora, com um registo de 29:22. Apenas 490ª do “ranking” mundial, a sueca impôs-se às três grandes favoritas, as suas compatriotas Lena Eliasson (Stora Tuna OK), Lina Persson (OK Skogsfalken) e Helena Jansson (IF Hagen), que concluíram por esta ordem com os tempos de 29:30, 29:36 e 29:44, respectivamente. Quem não esteve mesmo nada bem foram as 1ª e 4ª classificadas doPOM2008, as finlandesas Laura Hokka e Sofia Haajanen (SK Pohjantähti), aqui a não irem além dos 38º e 16º lugares, com 42:32 e 34:55, respectivamente. Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) foi, uma vez mais, a nossa melhor representante, concluindo no 31º lugar com 41:10. Maria Sá (GD4 Caminhos) quedou-se pela 43ª posição, com 45:48, enquanto o 48º lugar foi ocupado por Susana Pontes (CPOC), com 49:35.

Tem a palavra… Helena Jansson

Situada numa extensa depressão de terreno, a Arena era o palco de todas as conversas, agora que os últimos atletas chegaram e a esplendorosa tarde vai caindo lentamente. São muitos aqueles e aquelas que aproveitam para “beber” estes momentos de forma plena, os deliciosos raios de sol beijando a pele de dourados corpos e tornando os cabelos ainda mais louros.


Entre a falange nórdica, encontramos uma jovial e extremamente simpática Helena Jansson que sempre vai adiantando que, para si, “a Orientação é tudo! É um grande desporto, muita diversão, uma hipótese de rever os amigos, desfrutar da floresta e, claro, deste sol maravilhoso.” Para quem vive no extremo Norte da Suécia, nesta época do ano "com metros de altura de neve, muito frio e quase sem ver a luz do sol”, estar em Portugal é “espectacular”. Apesar de apenas hoje ter viajado para Portugal e ter vindo directamente do Porto para a prova, Helena confessa estar contente com a sua prestação: “O mapa era espectacular, não foi fácil! Procurei não me precipitar mas cometi uma série de erros. O facto de estar um pouco cansada da viagem não serve de desculpa na prova de hoje, porque nos aspectos especificamente relacionados com a parte da orientação e leitura do mapa é que residiu a grande dificuldade. Mas foi muito bom e amanhã, então, procurarei andar um bocadinho mais depressa.”

[consulte os resultados completos deste dia 1 clicando sobre a imagem]

Esta mesma crónica, acrescida de reportagem fotográfica, pode ser vista em http://www.ammamagazine.com/ ou clicando directamente aqui .

Até amanhã, então.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 10 de Fevereiro de 2008

I TROFÉU INTERNATIONAL DE ORIENTAÇÃO DE CANTANHEDE

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A jornada de ontem foi dedicado à Orientação. Um dia de autêntico Verão, uma floresta carregada de deliciosas cores e de subtis aromas a pinho e a mar, a alegria contagiante dos participantes, a salutar competição e a convivência entre todos, fazem destes momentos verdadeiras “recargas” de saúde e bem estar, numa ode de exaltação à mãe natureza. Mesmo para quem, como eu, se limitou a assistir...

O I Troféu Internacional de Orientação de Cantanhede fez deslocar as atenções para o centro do País, depois do Portugal O’Meeting da semana anterior ter dominado o mapa competitivo em Portugal. E foi precisamente com os rumores do POM2008 ainda presentes nas ideias e nas conversas de todos, que arrancou este Troféu.

A Organização conseguiu capitalizar um número considerável de participantes no evento anterior e chamar alguns outros de excelente nomeada, conferindo a este I Troféu Internacional de Orientação de Cantanhede um estatuto de qualidade invejável. De parabéns estão, pois, a experiente e dinâmica equipa do Ori-Estarreja, bem como a autarquia de Cantanhede, cuja atitude de promoção e apoio da modalidade – que não é de agora! – merece reconhecimento e louvor.

Sobre a prova em si, sobre as suas “nuances” competitivas, debruçar-me-ei noutra ocasião. Deixo aqui, no entanto, algumas notas impressivas, para memória futura. Desde logo essa sensação “desagradável” de andar de “Anás para Caifás” à procura de informações sobre participantes, listas de partida, um indispensável mapa para uma boa reportagem no terreno. A anunciada presença de (pelo menos) um jornalista não foi suficiente para que se tivesse previsto um dossier de imprensa. Graças à simpatia e boa-vontade de dois elementos preponderantes ligados à Organização, a situação foi ultrapassada a contento, numa altura em que já me perguntava se não teria feito melhor em ter ficado em casa. Agora, com toda a sinceridade, julgo ser importante não esgotar todo o esforço e empenho na captação de participantes, mas igualmente reconhecer e ir ao encontro daqueles que, por um inexplicável impulso de obstinada dedicação, se voluntarizam para divulgar o evento e, extensivamente, a própria modalidade.

Embrenhado na floresta, entregue a mim próprio, voltei a sentir a adrenalina de quem procura a melhor foto, de quem sabe que os atletas podem aparecer a qualquer momento mas não faz ideia de onde surgirão, tantos e tão variados são os ruídos que indiciam a sua presença iminente. Posso garantir que palmilhei alguns quilómetros de dunas em torno de meia-dúzia de pontos, num permanente e desgastante "sobe e desce". A (quase) ausência de clareiras e as manchas constantes de luz e sombra são um autêntico desafio à nossa atenção e o resultado nem sempre é compatível com o desejável. Mas devo confessar que não me posso sentir muito defraudado nas expectativas, embora tivesse de eliminar sensivelmente metade da reportagem por “falta de qualidade”.

Finalmente, o “lavar dos cestos” deste primeiro dia. Das conversas que tive com muita gente ligada à modalidade, destaco as contribuições de uma dezena de atletas para um projecto que irei lançar aqui e que pretende dar a conhecer melhor aqueles que dedicam uma boa parte de si â modalidade. O meu muito obrigado a eles. Uma palavra de agradecimento também para o Fernando Costa, verdadeiro “public relations” num final de tarde magnífico, fazendo as apresentações e proporcionando-me um momento privilegiado de saber algo mais sobre a modalidade, segundo o ponto de vista dum dos seus bons praticantes: Stig Alvestad. Na verdade, trouxe o Stig de boleia para o Porto e, durante hora e meia, trocámos impressões sobre tudo e mais alguma coisa, desde a bela cidade de Trondheim onde vive e que tive o prazer de visitar nos idos de 1995, até à sua admiração relativamente à atenção no detalhe posto pelas organizações em Portugal – ainda e sempre essa extraordinária Arena do Pontal, durante o POM2008 – e à sua outra paixão, para além da prática da modalidade: a escrita.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO



sábado, 9 de Fevereiro de 2008

PORTUGAL O'MEETING 2008 - DIA 4


Chegou ao fim a 13ª edição do Portugal O’Meeting. A maior competição regular de Orientação disputada no nosso País despede-se do Algarve. Foram quatro dias de salutar competição, emoção a rodos e muitas e belas experiências “para mais tarde recordar”. Agora é hora de recarregar baterias. A Orientação segue dentro de momentos…

No último dia de provas, o Portugal O’Meeting mudou-se com armas e bagagens para o sotavento algarvio. Brindados por um tempo autenticamente estival, os participantes “gozaram” a terça-feira de Carnaval mostrando as suas mais-valias no concelho de Vila Real de Santo António. A Prova de Distância Média teve lugar em Monte Gordo, num mapa IOF standard, escala 1/10.000, intervalo de relevo 2,5 metros, levantamento do terreno em 2008.

Com a selecção norueguesa a trocar a competição pelos campos de treino de Évora, suecos e dinamarqueses estiveram em evidência na elite masculina. Ausente nos dois primeiros dias e com um “missing point” no 3º dia de competição, o sueco Erik Axelsson (Halden Skiklubb) apareceu neste POM2008 ao mais alto nível e cumpriu os 5,3 km da última prova em 40:10, “arrasando” a concorrência. Tal como o seu compatriota e colega de equipa, Marius Bjugan só iniciou o POM2008 no 3º dia. E se já aí tinha dado nas vistas ao arrancar um excelente 4º lugar, hoje esteve ainda melhor e concluiu na segunda posição com um registo de 40:38.

Os dinamarqueses do Sun-O/Baekkelage, Mikkel Lund e Tue Lassen, protagonizaram a luta pela 3ª posição. Sem pretensões relativamente aos lugares cimeiros, Mikkel Lund fez uma excelente prova – chegou a comandar entre os pontos 7 e 11 (dos 23 que compunham o percurso) e foi 3º classificado com 41:04, menos 0:36 que Lassen. Quanto ao 5º posto, foi pertença do sueco Mattias Karlsson (Halden Skiklubb) com 41:46. E não fora o desastroso 42º lugar na véspera, teríamos um Karlsson com legítimas aspirações à vitória final no evento.

Oli Johnson é o vencedor incontestado do POM2008

Apesar de ter concluído apenas na 9ª posição com 42:49, o britânico Oli Johnson (Västeras SOK) reforçou a liderança e sagrou-se o grande vencedor deste POM2008. O norueguês Stig Alvestad (Wing OK) segurou o 2º posto ao ser 13º classificado neste último dia com 43:31. Com a desistência do norueguês Anders Nordberg (Sun-O/Norway Team), a 3ª posição ficou inteiramente à mercê de Ionut Zinca (GD4 Caminhos). O atleta romeno, porém, acusou a responsabilidade em demasia e, com um percurso sofrível - que falta fizeram os preciosos minutos perdidos no ponto 17 (!) – terminou na 23ª posição com 46:52. Nas contas finais, Ionut Zinca viria a conservar a 4ª posição da véspera, o que se deve considerar, ainda assim, como um resultado excelente.

O “deslize” de Ionut Zinca trouxe finalmente visibilidade a um atleta que, apesar de nunca ter surgido nos lugares cimeiros ao longo destes 4 dias, fez jus a uma prova com estas características e baseou o resultado final na sua enorme regularidade. Trata-se do norueguês Audun Bjerkreim Nilsen (Wing OK), 7º classificado na prova de hoje com 42:30, depois de ter sido 7º na Média do 1º dia, 8º na Longa do 2º dia e 14º na Média/Longa da véspera. Na 5ª posição do POM2008 ficou o polaco Wojciech Kowalski (Sun-O/Polish Team), 10º classificado na Média de hoje com 43:03. Quanto a Tiago Aires (SRSP Gafanhoeira), manteve a sua caminhada ascendente e, com o 15º lugar neste último dia em 43:48, terminou o POM2008 numa excelente 12ª posição, cotando-se como o melhor português.

Laura Hokka sorriu no fim

Duas finlandesas protagonizaram a luta pela vitória neste último dia do certame: Sofia Haajanen e Laura Hokka, ambas do SK Pohjantähti. Haajanen foi a melhor, gastando 49:21 para os 4,5 km do percurso. Mas quem sorriu no fim foi Laura Hokka que, tendo feito apenas mais 7 segundos que a vencedora, arrecadou ela própria a vitória no conjunto das 4 provas disputadas, ultrapassando na “recta final” a norueguesa Elise Egseth (Wing OK). Os 54:23 de Egseth apenas lhe permitiram chegar à 9ª posição na prova de hoje e acabou caindo para o 2º lugar no POM2008. Quem também não esteve nos seus dias foi a finlandesa Marika Mikkola (Kalevan Rasti), alcançando hoje a 11ª posição mas conservando o 3º lugar final. Sofia Haajanen (SK Pohjantähti) terminaria o POM2008 na 4ª posição, enquanto o 5º lugar viria a caber à sueca Ida Marie, a surpreendente 3ª classificada na Média deste último dia com um registo de 49:56.

Este 4º dia viu a nortenha Maria Sá (GD4 Caminhos) recuperar alguma confiança e terminar a prova num meritório 7º posto com 52:04. No cômputo geral, Maria Sá subiu mais 5 lugares e concluiu na 11ª posição. Ainda assim atrás de Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira), a 10ª classificada deste POM2008 após uma última etapa menos bem conseguida e onde se quedou pela 19ª posição com 1:01:33.

[Consulte os resultados completos do 4º dia de provas clicando na imagem]

A Orientação ao mais alto nível estará de regresso dentro de cinco escassos dias, nas Dunas de Cantanhede.

Até lá… saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

PORTUGAL O'MEETING 2008 - DIA 3


No regresso ao Pontal (Faro) confirmou-se o que era já esperado. Alguns dos atletas de elite que fizeram história na primeira metade do POM2008 aproveitaram o 3º dia de provas para descomprimir, enquanto outros, pura e simplesmente, abandonaram a competição. Mas se o evento perdeu alguns dos seus valores de referência, saiu a ganhar com o relançamento da luta pela vitória. O POM2008 está mais aceso que nunca.

O mapa do Pontal voltou a receber os participantes do POM2008, neste penúltimo dia do evento. A Prova de Distância Média/Longa desenrolou-se num mapa IOF standard, escala 1/10.000, intervalo de relevo de 2,5 metros e levantamento em 2008. Um regresso pouco entusiástico a um mesmo mapa, aos mesmos pontos de partida e de chegada, ao encontro das características dos mesmos atletas… Este foi, para muitos participantes, o único senão na dinâmica organizativa, o que não chega para beliscar o excelente trabalho do CIMO - Clube Ibérico de Montanhismo e Orientação (Almada) e da Juventude Desportiva das Fontainhas.


Mesmo país, vencedor diferente

Já a competir em ritmo de treino, o norueguês Anders Nordberg (Sun-O/Norway Team) cedeu a primazia dos dias anteriores ao seu colega de equipa, o holandês John Are Myhrem. Um 33º lugar na Longa WRE da véspera, depois da 9ª posição na Média do 1º dia, tinham lançado na obscuridade aquele que, ainda em Agosto do ano transacto, era o número 21 do mundo. O duelo com o norueguês Stig Alvestad (Wing OK) foi intenso e só nos últimos quatro pontos Myhrem garantiria a vitória, cumprindo os 12,9 km do percurso em 1:06:10. Escassos 20 segundos depois, Alvestad concluía a sua prova.

A luta pela terceira posição foi igualmente renhida e teve como protagonistas o romeno Ionut Zinca (GD4 Caminhos) e o norueguês Marius Bjugan (Halden Skikklub). Ambos chegaram a liderar a prova e, à sua conta, arrecadaram 14 dos melhores 26 parciais que compunham o percurso (5 de Zinca contra 9 de Bjugan). A maior diferença verificada entre ambos foi de 1:17, já na segunda metade da prova (ponto 15), mas a ponta final do atleta dos 4 Caminhos levou a encurtar a distância para um escasso segundo a dois pontos do final. Na meta, Ionut Zinca registaria 1:08:07 contra 1:08:13 de Bjugan e arrecadaria a 3ª posição. Oli Johnson terminou no 5º lugar com 1:08:49 e quis dizer claramente que podiam continuar a contar com ele.


Finlandesas evidenciam-se

Na elite feminina, as três ocupantes do pódio da véspera desiludiram. O abandono da norueguesa Anne Margrethe Hausken (Sun-O/Norway Team) e um “missing point” das suas compatriotas e colegas de equipa Ingunn Hultgreen Weltzien e Mari Fasting marcaram pela negativa o terceiro dia de provas no que ao sector diz respeito. Aproveitando o facto, a finlandesa Laura Hokka (SK Pohjantähti) voltou a evidenciar-se e juntou ao 3º lugar na Prova de Distância Média do 1º dia e ao 9º lugar da Longa WRE da véspera, um triunfo incontestável em 1:00:48 para os 9.000 metros de prova. A norueguesa Elise Egseth (Wing OK) tudo fez para se aproximar da finlandesa, repetindo a classificação do 1º dia e concluindo na segunda posição a 1:03 de Hokka.

A também finlandesa Heini Wenmann (SK Pohjantähti) protagonizou com a austríaca Marit Thea Lillehov (Västeräs SOK)) um aceso duelo pela terceira posição. Começou melhor Wenmann, dominando a primeira metade da prova com diferenças sobre a sua adversária cifradas em torno de um minuto. Aproveitando uma desatenção da finlandesa no ponto 19, Lillehov colou-se à sua adversária e a incerteza quanto ao resultado manteve-se até ao final. O registo de 1:05:26 de Wenmann contra os 1:05:42 de Lillehov demonstram bem o equilíbrio entre as duas contendoras. A polaca Monika Depta (Sun-O/Polish Team) repetiu o 5º lugar da Distância Média, quedando-se a 6:45 da vencedora.

Portugueses a subir

Entre as hostes lusas, o dia foi marcadamente positivo. Desde logo com esse excelente 12º lugar de Tiago Aires (SRSP Gafanhoeira) num tempo de 1:13:32. André Ramos, com 1:19:10, voltou a ser o segundo melhor português na 26ª posição e a desilusão veio, uma vez mais, de Joaquim Sousa (COC), apenas 39º com 1:22:59. Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) voltou a ser a nossa melhor representante, melhorando o 10º lugar da véspera e terminando na 9ª posição com 1:08:34. Maria Sá (GD4 Caminhos) concluiu na 18ª posição com 1:16:35 e Susana Pontes (CPOC) foi 27ª classificada com 1:23:26. Quem tarda em aparecer é Maria Amador (ATV), apesar de vir a subir lentamente na classificação: 35ª classificada na Média e 34ª na Longa, foi hoje 31ª classificada com, precisamente, 1:30:00.

À entrada para o último dia de provas, importa verificar as mexidas nos lugares cimeiros deste POM2008. Comanda agora o britânico Oli Johnson, com Alvestad a ascender ao 2º lugar e Anders Nordberg, após o 21º lugar de hoje, a cair para a 3ª posição. Ionut Zinca é já o 4º classificado, enquanto o vencedor da prova de hoje, John Are Myhrem, ascendeu à 7ª posição. Tiago Aires progrediu 5 lugares e é já o 19º classificado. André Ramos também progrediu 5 lugares e ocupa a 22ª posição enquanto Pedro Nogueira (ADFA) é agora o terceiro melhor português, no 23º lugar.

Nas senhoras, Elise Egseth lidera a classificação, seguida da vencedora de hoje, Laura Hokka e de outra finlandesa, Marika Mikkola (Kalevan Rasti), que nesta prova de Distância Média/Longa não foi além da 10ª posição. À semelhança de Tiago Aires, Raquel Costa progrediu 5 lugares e está já na 9ª posição. Maria Sá continua a ser a nossa segunda melhor representante, tendo subido igualmente 5 lugares na classificação e ocupando agora o 16º posto.

[Para consultar os resultados completos clique na imagem]

Tudo em aberto, pois, para o que falta do POM2008.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

PORTUGAL O'MEETING 2008 - DIA 2


“O Algarve é outro País!” Não, não se trata de mera política administrativa ou de afirmações regionalistas mais ou menos exacerbadas. Todavia, em boa verdade, esta terá sido a ideia que perpassou pelas mentes dos participantes no POM2008, face às excelentes condições atmosféricas verificadas no segundo dia de provas. O domingo de Carnaval foi marcado pela intempérie um pouco por toda a parte, mas o Algarve permaneceu incólume. Para satisfação dos orientistas “foliões”.

A manhã e início de tarde deste 2º dia viu os participantes do POM2008 evoluirem na zona do Pontal (Faro). A Prova de Distância Longa, a contar para o Ranking Mundial, desenrolou-se num mapa IOF standard, escala 1/15.000, intervalo de relevo de 2,5 metros e levantamento em 2008. Recorrendo à gíria do Atletismo, bem se pode afirmar que o terreno arenoso e com acidentes de relevo “simpáticos” – uma ou outra falésia não constituíam obstáculo de grande monta - se revelava bem ao gosto dos “fundistas”. Apenas a intrincada teia de trilhos e caminhos colocava algumas dificuldades de ordem técnica e obrigava a atenções redobradas na leitura do mapa e consequente progressão.

Ainda a saborear a vitória no 1º dia, Anders Nordberg (Sun-O/Norway Team) atacou com determinação os 13,6 km do percurso, logrando repetir a proeza da véspera e chegar à vitória com um tempo de 1:08:45. Aspectos como a motivação e as excepcionais qualidades físicas do norueguês terão estado na base de mais este êxito, mas é justo realçar a sua capacidade de concentração e gestão do esforço, traduzida numa prova marcada pela regularidade e onde apenas em 4 dos 27 pontos alcançou o melhor parcial entre todos os concorrentes.


Oli Johnson a subir

Oli Johnson (Vasteräs SOK) subiu um degrau no pódio relativamente ao dia anterior e foi 2º classificado a escassos 39 segundos de Nordberg. O equilíbrio foi notório entre ambos – sensivelmente a meio da prova o britânico seguia na frente – mas na segunda metade a superior condição física do norueguês falou mais alto. Quem surgiu neste segundo dia de provas em grande destaque foi outro norueguês, Stig Alvestad (Wing OK), apenas 20ª na prova de sábado. Controlando à frente da concorrência em 9 pontos, o atleta nórdico alcançou um excelente 3º lugar com 1:10:15 e amealhou preciosos pontos que o colocam com um pé no “top 100” mundial.

O sueco Erik Thorsson (Wing OK) não confirmou a excelente 4ª posição da véspera e foi apenas 28º classificado, a distantes 13:20 do vencedor. Também o finlandês Matti Kivela (SK Pohjantähti) desiludiu e, após o 5º lugar de sábado, não foi além do 21º posto no mapa do Pontal. Ionut Zinca, o atleta romeno que representa o GD 4 Caminhos alcançou a 12ª posição com 1:16:09, enquanto Tiago Aires (SRSP Gafanhoeira) foi o melhor português na 25ª posição com 1:20:54, imediatamente seguido por Joaquim Sousa (COC), a escassos 3 segundos. Pedro Nogueira (ADFA) demonstrou que o 49º lugar da véspera tinha sido um acidente de percurso, rectificando para um belíssimo 29º lugar com 1:22:49 e mostrando por que razão é o terceiro português melhor posicionado no “ranking” mundial.


Sensação de "déjà-vu"

A história da véspera repetiu-se igualmente na elite feminina, com a norueguesa Anne Margrethe Hausken (Sun-O/Norway Team) a vencer esta 2ª etapa do POM2008 após intenso duelo com a sua compatriota e colega de equipa Ingunn Hultgreen Weltzien. Começando melhor, Hausken dominou em toda a linha na primeira metade do percurso, chegando ao ponto 10 com uma vantagem superior a 1 minutos sobre Weltzien. Uma deficiente prestação nos pontos 11 e 12 coincidiu com um domínio avassalador da sua principal adversária e à entrada para os últimos 4 pontos Hausken encontrava-se com uma desvantagem superior a dois minutos. Mas o ponto 17 revelar-se-ía fatal para Weltzien: mais de dois minutos e meio perdidos num “atascanço” monumental e a liderança oferecida de mão beijada a Anne Margrethe Hausken, que não se fez rogada e terminou em 1:01:21, para os 9.800 metros do percurso. Escassos 17 segundos mais tarde, entraria uma “inconsolável” Weltzien.

A turma do Sun-O/Norway Team acabaria por preencher todos os lugares do pódio feminino graças à 3ª posição da norueguesa Mari Fasting - 37ª do “ranking” mundial e que na véspera se tinha quedado por um modesto 16º lugar –, com um registo de 1:03:14. A finlandesa Marika Mikkola (Kalevan Rasti) voltou a surpreender, alcançando a 4ª posição com 1:05:54, enquanto a 2ª classificada da véspera, Elise Egseth (Wing OK) terminava no 5º lugar com um tempo de 1:06:13. Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) redimiu-se da prestação menos boa do primeiro dia e conseguiu a proeza de entrar nos dez primeiros lugares, sendo precisamente a 10ª classificada com 1:10:48 e 7 segundos à frente da 5ª classificada da véspera, a polaca Monika Depta (Sun-O/Polish Team). Carmen Jensch (AA Mafra), Lídia Magalhães (ADFA) e Maria Sá (GD4Caminhos), nas 25ª, 26ª e 27ª posições com, respectivamente, 1:26:40, 1:29:13 e 1:30:31, constituíram meias-desilusões.

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Anne Margrethe Hausken e Anders Nordberg [foto: Fernando Costa]

Aceitam-se apostas...

Contas feitas aos dois dias de prova, Anders Nordberg comanda o POM2008 com vantagem confortável sobre o agora 2º classificado, Oli Johnson. Lundanes trocou com Johnson e ocupa a 3ª posição, enquanto Zinca desceu um lugar e é o 7º classificado. Tiago Aires subiu dois lugares e continua a liderar a classificação interna, sendo agora o 24º classificado. No sector feminino, Anne Margrethe Hausken é destacada líder, enquanto Ingunn Hultgreen Weltzien ascendeu ao 2º lugar e Elise Egseth caiu para a 3ª posição. Entre as portuguesas, Raquel Costa trocou com Maria Sá, sendo agora a nossa melhor representante na 14ª posição, enquanto a atleta dos 4 Caminhos desceu ao 21º lugar.

Cumprida a primeira metade do POM2008 está tudo em aberto para o que falta disputar. E se atendermos ao facto de alguns dos atletas de elite que têm brilhado até aqui estarem já de malas aviadas e com partida antecipada, é seguro que ninguém arriscará um prognóstico.



[Saiba os resultados completos deste 2º dia clicando na imagem]


Amanhã haverá mais POM2008.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

PORTUGAL O'MEETING 2008 - DIA 1


O Portugal O’Meeting 2008 decorreu de 2 a 5 de Fevereiro no Algarve, repartindo-se pelos municípios de Faro, Tavira e Vila Real de Santo António. O evento constou de um conjunto de duas provas de Distância Média, uma de Distância Média/Longa e uma prova de Distância Longa. A prova de Distância Longa, disputada no 2º dia, estava incluída no Ranking Mundial.

Organizada conjuntamente pelo CIMO - Clube Ibérico de Montanhismo e Orientação (Almada) e Juventude Desportiva das Fontainhas, a mais importante prova internacional de Orientação organizada em Portugal trouxe até ao Sul do País cerca de 1300 orientistas em representação de 26 países. Bons mapas, um programa social diversificado e particularmente atractivo e um tempo excelente, proporcionaram a todos os participantes momentos de desporto e lazer inesquecíveis e constituíram mais uma excelente jornada de promoção da modalidade e da própria região.

A Prova de Distância Média do primeiro dia teve por palco a Mata da Conceição, em Tavira (mapa IOF standard, à escala 1/10.000, intervalo de relevo de 2,5 metros e levantado em 2008). Comum aos quatro dias de provas, o terreno típico de floresta mediterrânica proporcionou mapas com pouco relevo, sem muitos obstáculos e boa visibilidade e nos quais qualquer pequeno deslize poderia hipotecar as aspirações a um lugar cimeiro. Daí que os grandes pretendentes à vitória se começassem a evidenciar desde o início, com natural destaque para os atletas nórdicos.


Favoritismo de Anders Nordberg confirmado


Anders Nordberg (Sun-O/Team Norway) quis demonstrar porque motivo é o número 4 do “ranking” mundial e não concedeu veleidades à concorrência. Liderando a prova praticamente desde o início, o atleta norueguês concluiu com o tempo absolutamente fantástico de 33:46 para os 5,4 km do percurso (melhores parciais em 10 dos 23 pontos controlados). Nordberg foi, pois, o grande triunfador deste primeiro dia, deixando indicações de que poderiam contar com ele ao melhor nível para a Prova de Distância Longa WRE do dia seguinte.

O norueguês Olav Lundanes, representando igualmente o Sun-O/Norway Team, terminou na segunda posição a 1:40 do vencedor. Numa prova feita de altos e baixos – controlou no ponto 9 a escassos 19 segundos de Nordberg - Lundanes viria a superar-se face a adversários melhor posicionados no “ranking”, casos do britânico Oli Johnson (Vasteräs SOK), 3º classificado com 36:00 ou do romeno Ionut Zinca (GD 4 Caminhos), apenas 6º com 37:47. De Zinca se poderá dizer que começou e terminou muito bem, mas dois enormes deslizes (ponto 10 e 18) fizeram deitar por terra toda e qualquer esperança num melhor resultado. No sector masculino merecem ainda referência o sueco Erik Thorsson (Wing OK), 4º classificado com 36:19, ele que é “apenas” o 590º do “ranking”. Embora melhor cotado (191º do “ranking”), o finlandês Matti Kivelä (SK Pohjantähti) foi, ainda assim, um surpreendente 5º classificado com 37:23.


O destaque pela negativa vai inteirinho para esse fatal “missing point” que desclassificou o número 19 do “ranking” mundial e segundo atleta mais cotado em prova, o norueguês Holger Hott (Sun-O/Team Norway). Mas seria igualmente de esperar muito mais de nomes como os do norueguês Øystein Kvaal Østerbo (Sun-O/Team Norway), 33º do “ranking” mundial e que na prova de Tavira não foi além da 16ª posição com um registo de 40:55 e do búlgaro Kiril Nikolov (Sun-O/Brownteam), 48º do “ranking” e que se quedou pela 19ª posição, quase a oito minutos (!) do vencedor (41:33).

Vitória folgada de Anne Margrethe Hausken

Quanto à elite feminina, a atleta melhor cotada do “ranking”, a norueguesa Anne Margrethe Hausken (Sun-O/Norway Team) quis imitar Nordberg e não deixou os seus créditos por mãos alheias. Agarrando a liderança logo no 2º ponto, Hausken foi aumentando paulatinamente a vantagem para as suas mais directas adversárias, terminando com um registo de 32:16 para os 4.500 metros do percurso. Só 3:47 mais tarde terminaria a sua compatriota Elise Egseth (Wing OK) enquanto a finlandesa Laura Hokka (SK Pohjantähti) concluiu na terceira posição com 36:48.

Da norueguesa Ingunn Hultgreen Weltzien (Sun-O/Norway Team) se esperaria talvez um pouco mais e melhor, atendendo ao seu 13º lugar do “ranking” mundial. Acabaria na 4ª posição, a escassos 3 segundos de Hokka, podendo-se queixar dum percalço já na segunda metade da prova que a fez perder largos e preciosos segundos em dois pontos consecutivos. Mas não deixa de ser curioso observar que, dos 22 parciais que constituíam a prova, foi seu o melhor tempo em 7, registo apenas suplantado pelos 10 da vencedora. A polaca Monika Depta (Sun-O/Polish Team) foi 5ª classificada com 37:56, enquanto a finlandesa Marika Mikkola (Kalevan Rasti) protagonizou uma das surpresas da jornada ao concluir na 6ª posição com 38:53, ela que é apenas a nº 482 do “ranking”.

Tiago Aires e Maria Sá, os melhores portugueses

No que à participação portuguesa diz respeito, Tiago Aires (SRSP Gafanhoeira) foi o melhor em prova, concluindo na 26ª posição com 42:50. André Ramos e Daniel Marques, ambos do COC, concluíram nas 31ª e 45ª posições, com 44:06 e 47:14, respectivamente. E se Daniel Marques foi a grande surpresa entre as hostes lusas (1495º classificado do “ranking” mundial e 21º a nível interno), Joaquim Sousa (COC), o atleta português melhor posicionado no “ranking” (189º) constituiu uma tremenda desilusão ao quedar-se pela 65ª posição 52:09 (aquele ponto 11 deve estar-lhe ainda “atravessado”). De Pedro Nogueira (ADFA) e Paulo Franco (AA Mafra) se esperaria igualmente bem melhor do que os 49º e 68º postos finais, com 47:53 e 53:08 respectivamente.

Nas senhoras, Maria Sá (GD 4 Caminhos) acabou por ser a melhor classificada, terminando na 15ª posição com 44:40. Patrícia Casalinho (COC) superou-se e foi a nossa segunda melhor representante ao concluir no 22º posto com 47:50. Quem esteve igualmente bem foi Sandra Giertz (AA Mafra), 24ª classificada com 49:06. Uma meia-desilusão, o resultado de Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) – tão cedo não vai esquecer os pontos 12 e 14 -, quedando-se pelo 28º lugar com um tempo de 52:10, a dois minutos de Susana Pontes (CPOC), 27ª classificada e de quem se esperava igualmente mais.

Uma última palavra para os mais novos, com João Filipe (20 Km Almeirim), 2º classificado em H13, Inês Domingues (COC), 3ª classificada em D13, João Salgado (SRSP Gafanhoeira), 3º lugar em H15, Ana Salgado (SRSP Gafanhoeira), 3º lugar em D15, Diogo Miguel (Ori-Estarreja), 3º lugar em H20 e Andreia Silva (COC), 3ª classificada em D20, todos com honras de subida ao pódio.

[Consulte os resultados completos clicando na imagem]
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Amanhã há mais.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

DE PEQUENINO SE TORCE O DESTINO



"Quem quer vir até à floresta fazer Orientação?" Assim, cruamente, sem rodeios. Uma bela tarde de sol abria-se à nossa frente e o repto estava lançado. A Margarida franziu o sobrolho e deu logo a entender que “daquele mato não viria lobo”. Mas o João agarrou-se à ideia com tal entusiasmo e determinação que aquilo que tínhamos a fazer era meter pernas ao caminho o mais rapidamente possível. E assim foi.

Munidos de mapa, bússola (só para enfeitar), duas garrafas de água e a indispensável máquina fotográfica, rumámos à floresta sem perder tempo. Os ponteiros batiam quase as três quando avançámos ao encontro do primeiro ponto. Tínhamos combinado que faríamos o mapa iniciando no ponto 12 e vindo a decrescer até ao ponto 2. Seriam onze pontos na zona mais afastada do mapa, metade dos quais totalmente desconhecidos para nós. Um verdadeiro desafio.

A progressão até ao ponto 12 fez-se no sentido sul-norte, num trilho paralelo à zona industrial. Na tarde amena, um sol de Inverno coloria de amarelo intenso as mimosas profusamente floridas. Famílias de cogumelos encavalitavam-se umas nas outras e formavam pequenas ilhotas castanho-alaranjadas no fino tapete de musgo. Os raios de sol atravessavam os ramos dos pinheiros e apareciam filtrados aos nossos olhos como cenas de “milagre”. O João sabia que o trilho cruzaria com um aceiro largo e, aí, orientaríamos os nossos esforços para atacar o ponto 12. A uma boa centena de metros desvendámos o aceiro, levando um entusiástico João a dar uma corrida ao seu encontro.

Identificámos no mapa o cruzamento, tirámos o azimute, saímos do trilho e, a corta-mato, demos facilmente com o ponto. Pudemos constatar que a dinâmica equipa do Ori-Estarreja terá aqui andado por estes dias, “vestindo” cada uma das estacas com uma chamativa fita côr-de-laranja que, não sendo propriamente uma baliza, permite reconhecer com maior certeza e segurança cada ponto. Radiante, o João já só falava no ponto seguinte.

O ponto 11 encontrava-se para lá daquilo que convencionámos chamar o “Posto Avançado da Base”, na periferia do Aeródromo de Manobras nº 1 (Maceda, Ovar). Após a análise do mapa, verificámos que se localizava praticamente no enfiamento do anterior, numa zona de depressão. Havia duas formas de lá chegar: seguir o trilho na direcção Oeste, cortar no primeiro aceiro à direita e estar atento na descida ou, pura e simplesmente, seguir em frente, uma vez mais a corta-mato. O João decidiu-se pelo corta-mato e, minuto e meio após, estávamos no ponto 11.

O ponto 10 ensinou-nos o quão importante é saber ler as curvas de nível. Aquela língua enorme desenhada no mapa correspondia, indubitavelmente, à crista que percorríamos e que nos fazia afastar do ponto. Voltar para trás e percorrer a base da elevação em direcção a Oeste levar-nos-ía directamente ao ponto, mas far-nos-ía perder imenso tempo. Por outro lado, o trajecto ao longo da crista desembocaria num aceiro, bastando para tal seguir depois na direcção sul, descer até à base e estaríamos em cima do ponto. A decisão revelou-se acertada e foi com enorme facilidade que o encontrámos, apesar de escondido numa pequena depressão natural, em forma de “ferradura”.

A euforia do João levou-o a abordar o ponto 9 a corta-mato. Só que o mato era mesmo mato, e mais alto do que ele. Fizemos inversão de marcha e estudámos atentamente o mapa. Talvez fosse uma boa opção tomar o trilho que, uma vintena de metros abaixo do ponto 10, seguia na direcção Oeste até desembocar na estrada florestal. Com cerca de dois terços do caminho percorrido entre o enfiamento do ponto e a estrada, na direcção sul, estaria à nossa espera o ponto 9. O trilho seguia numa zona de crista e o ponto estava numa depressão, uma centena de metros mais abaixo. Talvez até fosse visível cá de cima. Com o João distraído a “estudar” uns cogumelos de chapéu branquinho, lá fui apurando o olhar até que chegámos à vista da estrada. Era a hora de descer à procura do ponto. Fizemos uma perpendicular ao trilho mas passámos uma vintena de metros ao lado do ponto sem darmos por ele, encoberto que estava pela vegetação. Quando desembocámos em novo trilho, foi fácil perceber a realidade e, efectuadas as correcções devidas, deparámos com uma situação deveras fantástica: cinquenta metros à nossa direita estava o ponto 9 e cinquenta metros à nossa esquerda o ponto 8. “Controlámos” ambos e prosseguimos.

O ponto 7 encontrava-se numa depressão, no topo norte duma estreita língua de areia e não foi difícil encontrá-lo. Encetávamos agora o caminho de regresso e os pontos 6 e 5, muito próximos um do outro, foram rapidamente encontrados. O João, porém, começava a querer dar sinais de algum cansaço. Segundo os meus cálculos, teríamos percorrido muito perto de cinco quilómetros em uma hora e um quarto, o que permite constatar um ritmo de passada acelerado, sobretudo se pensarmos que o João tem apenas sete anos. Condescendi a descansarmos uns minutos, beberricando água e retemperando forças. Aproveitámos ainda para estudar o mapa e dar uma olhada aos três pontos que nos faltavam. Quando nos levantámos, foi com decisão que inflectimos para leste ao encontro duma triangulação de caminhos.

O sol descia agora com enorme celeridade e, com ele, a temperatura ambiente caía também. O trilho atravessava uma densa cortina de mimosas, formando verdadeiros túneis. O João seguia à minha frente, fascinado, a sua passada denotando ainda um insuspeitado vigor. Um grupo de quatro atletas cruzou-se connosco e, ao seu convite para correr, respondo que “Orientação é o que está a dar.” Quando damos por ela estamos bem no meio da dita triangulação e com o ponto 4 à vista. Daí ao 3 foi uma “fervurinha”.

Ponto 2. O derradeiro. Aqui decidi pôr o João à prova. Fi-lo com a convicção de que este seria um excelente teste e permitir-me-ía avaliar até que ponto as experiências anteriores teriam sido suficientemente absorvidas. Era um ponto fácil, convenhamos. Mas que exigia concentração, leitura adequada do mapa, sentido de orientação. E é com orgulho que posso afirmar que o João passou com distinção, partindo decidido ao encontro do ponto, sem qualquer tipo de ajudas. E dando com ele! No final, sete quilómetros bem medidos, para uma hora e trinta e cinco minutos de vigorosa marcha. Perfeitamente recomposto e já no carro a caminho de casa, confessar-me-ía ter sido esta “uma tarde espectacular”. Para logo emendar: “Esta foi QUASE uma tarde espectacular. Espectacular era se tivéssemos ido ao cinema!”


Que bonito é ser-se criança.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 3 de Fevereiro de 2008

RENASCER DAS CINZAS EM LAMAS DE OLO

Sob um nevoeiro intenso, que mal permitia descortinar o início da subida final, alguns elementos da organização e uns poucos de concorrentes resistentes aguardavam junto às chegadas, com nítida ansiedade, que o último participante desse sinal de vida. A esperança era diminuta, já que passavam largas horas desde que ele partira. De repente, alguém exclamou – “Estou a ver um vulto! É ele…o nosso homem!”. E do meio daquela neblina, eis que surge, tal qual um D. Sebastião, o espécie de orientista, que toda a gente já dava como perdido. -“Que traz ele ao ombro?”, -“Parece ser uma baliza…e é mesmo…o ponto 77!!!”. Todos queriam abraçar o “herói de Muas”, que aflito gritava –“Deixem-me respirar…deixem-me respirar!..."

E se eu não acordasse naquele instante, não sei o que teria acontecido. Completamente alagado em suor e com as pulsações mais que aceleradas, dei por fim a mais um pesadelo, dos muitos que não me deixaram descansar, na noite após a célebre aventura na bruma. A situação descambava perigosamente para o foro da psicanálise.

Depois da “borrasca” da véspera, não tinha qualquer vontade em fazer a segunda etapa. Sentia-me desmotivado, doía-me o pé, mas sobretudo o que me causava maior sofrimento, era o ego todo “esfarrapado”. Disse para a minha mulher – “Se hoje estiver o nevoeiro de ontem, nem me equipo”. Ela limitou-se a comentar em tom jocoso –“Só se fores mariquinhas é que não partes”. Mau!...mau…mau… provocações logo ao alvorecer não vinham nada a calhar, mas registei para memória futura.

À medida que íamos subindo para o local da competição em Lamas de Olo, que se situa a pouco mais de mil metros da arena do dia anterior, o meu ânimo quase ia batendo no fundo ao constatar que o nevoeiro se apresentava muito mais denso. Mas, qual milagre, numa curva da estrada sou encandeado por uns raios solares que, sorrateiramente, iam afastando a névoa incomodativa. Junto às partidas estava um sol radioso, mas mais abaixo pairava um manto de nuvens, como de algodão se tratasse (que proporcionaram umas fotos magníficas), prontinhas para atacar a rapaziada que ousasse pôr o pé nos seus domínios. Fui comentando com alguns companheiros, em jeito de desabafo, as minhas desventuras da etapa anterior, colocando a hipótese de não partir para esta prova, de tal maneira fraquinho estava o meu espírito (ai ai que me dói o pé). Como resposta, logo obtive um curioso incentivo –“Tens de ultrapassar essa tua fobia das pedrolas. Vai-te a elas como um 'tarzan' ”.

A neblina mantinha-se num sobe e desce constante. Tanto estávamos perante um sol aberto como, de seguida, baixava uma escuridão que tornava tudo meio fantasmagórico. Perante aquela incerteza, a minha vontade andava também um pouco à deriva. Num momento dava-me uma febre de competir para, logo de seguida, ao olhar para o nevoeiro, desanimava e lá voltavam os medos – “Vou-me atascar novamente”. Enquanto aguardava a partida da minha mulher, ia ouvindo de minuto a minuto, aquele “piar” constante do relógio, que me martelava o subconsciente, como que um chamamento, - “Que `tás a fazer aí especado, seu medricas? Salta cá para dentro do mapa e mostra o que vales!”.

Se ainda tinha alguns resquícios de coragem, só havia uma atitude a tomar. Então eu, que já tinha competido lesionado ou doente, porque carga de água me recusava a partir, apenas porque não me entendo com o cinzento? Deu-me um ataque de nervoso miudinho e num ápice estava prontinho para partir. Ou renascia das cinzas, ou era o fim do “espécie” em terrenos de “pedrolas”. O constante vaivém do nevoeiro prejudicou-me logo na saída. Fui envolvido por uma nuvem repentina e... perdi o triângulo? Rebate falso. Um grupo de Opt`s tinha “acampado” mesmo em cima do prisma!!! Uff…levei cá um susto. Mais uma vez não tinha qualquer visibilidade, mas nem me passou pela cabeça voltar atrás. O primeiro ponto (dos 17) localizava-se num fosso que depressa apareceu, a baliza é que nem por isso, pois tentou “fugir-me”, a marota. De seguida tinha de me deslocar para a falésia em frente às partidas, mas nesta altura nem sombra dela. Fui progredindo com ajuda da bússola (não me traiu desta vez) e o dito monte rochoso emerge do nevoeiro. E agora, em que zona da falésia me encontrava? Como o ponto se situava mesmo no início da subida, dei uma corridinha junto ao sopé e o segundo foi controlado.

A partir daqui, foi necessário praticar um pouco de alpinismo, para apanhar o ponto 3, mas a minha veia radical prevaleceu. Com uma motivação extra, dado que o sol espreitava novamente, percorri vários pontos sem problemas, o que me ia levantando o moral. Nem as dificuldades encontradas no ponto 55 (7), bem “camuflado” no meio do mato e do 47 (10), completamente “colado” à escarpa, me fizeram baixar os braços (foi sempre a abrir!). Este mapa tinha numerosos pormenores e o cinzento, para meu contentamento, ia sendo substituído por zonas verdes e brancas, o que atenuava, na minha óptica, as dificuldades. Um pouco mais de uma hora e tinha concluído os 3.400 metros. Consegui, apesar do susto inicial, terminar a prova e com um tempo bastante razoável em relação aos primeiros.

Não sei se afastei de vez os fantasmas das “pedrolas”. Sinto que o “espécie”, ao dar um ar da sua graça, nasceu novamente (qual Fénix) e ultrapassou um potencial trauma (o do pé ainda não). Nem quero imaginar a minha “telha”, caso não tivesse partido. Teria mesmo que consultar um “espreme miolos” do tipo “Dr. Kabongo Ialá – ao seu dispor”.

Não posso, nem devo, deixar de felicitar o decano dos orientistas nacionais, o grande Joaquim Costa, que neste dia completava a bonita idade de setenta primaveras. Foi pena que uns míseros três minutos o impedissem de subir ao pódio, pois seria a cereja no topo do bolo. No entanto, a organização do Orimarão, demonstrando a sua eficiência, presenteou-o com um prémio especial. Num momento de emoção, Joaquim agradece, -“Vocês são a minha segunda família”. Mais palavras para quê?

Desta espécie de folhetim transmontano, há que retirar as devidas ilações, que possam no futuro ser uma mais-valia, no desenvolvimento da bela “istória”.

Luis Pereira

[N. de A. - Sequência do texto "ESPÉCIES NA BRUMA" aqui publicado em 24 de Janeiro]

sábado, 2 de Fevereiro de 2008

PORTUGAL O'MEETING

Desde que a Orientação se implantou em Portugal, que os vários agentes responsáveis lutaram por terem eventos com qualidade e visibilidade. Uma das formas preconizadas para cativar os atletas mundiais e promover a modalidade além fronteiras seria a criação de um evento que pudesse estar inscrito no calendário oficial da IOF (Internacional Orienteering Federation) e que fosse agendado para uma altura em que esses atletas, na sua esmagadora maioria oriundos dos países nórdicos, pudessem aproveitar o clima para efectuarem treinos em Portugal. Foi com este intuito que em 1996, o clube AA Mafra (Amigos de Atletismo de Mafra) organizou o primeiro Portugal 'O' Meeting, na Tapada Militar de Mafra. Esta prova desenrolou-se em 2 dias e contou com a participação de 600 atletas, 60 dos quais estrangeiros.

A partir daqui foi feita uma aposta no modelo, passando a organização a ser feita conjuntamente entre a FPO e um clube diferente em cada ano. Assim, nos anos seguintes, a organização esteve a cargo da ANORT, que conseguiu em 1997 levar ao Furadouro (Ovar) 477 atletas de 12 países; do CIMO, no ano seguinte, que contou em Sesimbra com 580 atletas de 10 países; e do CLAC, que em 1999 recebeu em Tomar 640 praticantes.


O ano de 2000 marcou uma viragem neste evento, pois foi a primeira vez que se desenrolou ao longo de 4 dias, durante o período do Carnaval, e desde aí manteve o formato. Disputado na Praia de Mira, numa organização do Ori-Estarreja, a prova pontuou para a Liga espanhola e também para o IOF World Ranking Event. A nota mais significativa prende-se com o record de atletas estrangeiros a disputar uma prova em Portugal. Uma excelente jornada de promoção da modalidade e do nosso País, com quatro dias de sol radioso e temperaturas primaveris acima da média para esta altura do ano.

A ARCCa (Associação Recreativa e Cultural do Campo) foi a organizadora da VI edição, em 2001. Num ambiente de festa, as provas decorreram em Arcos de Valdevez, e pela primeira vez no último dia houve uma prova de Park Orienteering, mesmo no centro de Arcos de Valdevez, com o intuito de divulgar a modalidade junto da população local.


No ano de 2002, a Praia da Vieira (Marinha Grande) foi palco de um novo record de participantes. Um total de 915 atletas, dos quais 308 estrangeiros, correram neste evento organizado pelo COC (Clube de Orientação do Centro), e que contou pela primeira vez com a presença da actual líder do “ranking” mundial, Simone Luder, que venceu a Elite Feminina.

Em 2003, o GD4C (Grupo Desportivo 4 Caminhos) organizou a VIII edição em Paredes de Coura e Viana do Castelo, com a participação de 850 atletas, dos quais 432 estrangeiros. Em 2004 foi a vez da ADFA (Associação de Deficientes das Forças Armadas) levar 945 atletas a Évora e Reguengos de Monsaraz, e com Simone Luder a vencer novamente a Elite Feminina.

A região de Barroso e Alto Tâmega - Boticas, Montalegre e Chaves - acolheu o Portugal O’Meeting 2005. A organização esteve a cargo de dois Clubes, o Clube de Orientação do Minho (orientado sobretudo para a vertente técnica) e o Montes e Vales – Associação Transmontana para o Turismo e Desporto de Ar Livre (orientado sobretudo para a vertente logística). Num terreno exigente e com a neve a ameaçar cair no último dia, foram cerca de 750 os participantes no evento.

Abrantes foi palco do POM 2006. Disputado nos últimos quatro dias de Fevereiro, o evento pontuou uma vez mais para o IOF WRE e foi organizado conjuntamente pelo Sporting Clube das Caldas e pelo COA - Clube de Orientação e Aventura (Rio Maior). O número de participantes atingiu pela primeira vez os quatro dígitos e contou com a presença de alguns dos melhores especialistas mundiais.

Finalmente, no ano passado, S. Pedro do Sul acolheu as quatro etapas de Orientação do Portugal O’Meeting 2007. A organização do evento foi confiada, uma vez mais, ao Ori-Estarreja e apesar das condições atmosféricas particularmente adversas, estabeleceu-se um novo record de participantes, com o extraordinário número de 1562 atletas, dos quais mais de 1000 estrangeiros, em representação de 20 países. Destaque para a supremacia nórdica em terrenos montanhosos e tão do seu agrado e para a participação dos líderes do “ranking” da modalidade, Thierry Gueorgiou e Simone Niggli-Luder.

Quanto ao POM 2008, arranca precisamente hoje e vai até à próxima terça-feira. Acompanhe todos os desenvolvimentos em http://www.pom2008.com/ .

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

CALENDÁRIO WORLD OF O

O orientista escolhido para ilustrar o mês de Fevereiro do Calendário World of O é o eslovaco Lukás Barták. Raramente se viu uma tal imagem de felicidade estampada num rosto como aquela que ostentava Lukás Barták após obter para a Eslováquia a medalha de prata na última etapa dos Campeonatos Mundiais de Orientação 2006, disputados no seu País.

Em 2007 Barták representou o Halden SK e não podia ter tido melhor desempenho, levando a sua equipa à vitória na Tiomila. Um 16.º e um 13.º lugares em Distância Longa, em 2007 e 2005 respectivamente, são os seus melhores resultados WOC. Mas “praticamente” a jogar em casa, chegar ao “top 10” constitui uma forte possíblidade já em Julho, no decurso dos Mundiais, em Olomouc (República Checa).

Vamos ficar atentos a Barták. A qualquer momento poderá vir ao de cima… Saiba mais sobre Lukás Barták, acompanhando a evolução do actual 51.º classificado do "ranking" mundial.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO