quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

PELO BURACO DA FECHADURA...


Está aí a última grande prova do ano ou, se preferirmos, a primeira grande prova da temporada 2008/2009. Jacinto Eleutério ajuda-nos a espreitar pelo buraco da fechadura e leva-nos ao encontro do 16º Campeonato Ibérico e de dois dias de extraordinária competição, terrenos desafiantes numa paisagem de sonho, salutar convívio e… frio, muito frio!

Quarta prova a contar para o “ranking” da Taça de Portugal, prova de encerramento da Liga Espanhola 2008, duelos ibéricos em seis escalões, uma prova de Distância Longa WRE no domingo e as duas etapas decisivas de apuramento para os mundiais do Desporto Escolar. Uma mão cheia de motivos de interesse que fazem centrar todas as atenções em Idanha-a-Nova no próximo fim-de-semana.

Enquanto se aguarda a presença de mais de um milhar de participantes, dos quais cerca de 250 oriundos da vizinha Espanha, conversamos com Jacinto Eleutério, o Director da Prova, que nos traça o retrato deste 16º Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre, desde a sua génese até ao momento actual.

“Um município que faz um forte investimento nos desportos de aventura”

Pedia-lhe que detalhasse os principais passos que nos trazem no próximo fim-de-semana ao encontro do 16º Campeonato Ibérico?

Os primeiros passos começaram com uma reunião na autarquia local, sensivelmente em Abril/Maio de 2006, no sentido de avaliar do interesse num evento de grande dimensão. Vimos tal entusiasmo que, desde logo, decidimos avançar para o processo de candidatura mas… ao POM de 2008, sendo que em alternativa aceitávamos o Campeonato Ibérico do mesmo ano. O POM foi atribuído ao CIMO e a FPO, em Julho de 2006, atribui à ADFA e ao município de Idanha-a-Nova o Campeonato Ibérico de 2008. A partir daí foi deixar que as várias fases de um processo como este se fossem sucedendo.

Porquê Idanha-a-Nova?

Por ser um município que faz um forte investimento nos desportos de aventura, por sentirmos o apoio de todos os eleitos, pela enorme qualidade dos terrenos que aqui encontramos e pela sua localização para um Campeonato Ibérico.

“Tudo se foi resolvendo a seu tempo”


Apesar da vasta experiência da ADFA em termos organizativos, deduzo que tenham havido, ainda assim, decisões difíceis de tomar ou situações mais complicadas de gerir. Poderia enumerar duas ou três, por onde crescente do seu grau de importância?

Curiosamente, a decisão mais difícil teve a ver com a escolha dos terrenos a cartografar. Inicialmente tudo apontava para Monsanto – a aldeia mais portuguesa de Portugal -, espectacular em termos de paisagem. Mas quando se preparava o início da cartografia deparámos com enormes e perigosas falésias que nos obrigaram a ir à procura de outras paragens. Tivemos também algumas dificuldades nos apoios que se pretendiam e que felizmente conseguimos. A gestão das inscrições foi algo complicada, principalmente com os espanhóis (constantes alterações, mudanças de escalão, anulações e novas inscrições, SI trocados, enfim…), mas tudo se foi resolvendo a seu tempo.

O que é que os participantes podem esperar dos mapas e dos terrenos?

Os terrenos são, na minha opinião, de óptima qualidade e tecnicamente exigentes. Os percursos, da responsabilidade do director técnico, Soares dos Reis, parecem-me muito bem estruturados. O Desporto Escolar não deu trabalho nenhum, foi só englobá-lo nos percursos dos escalões correspondentes.

“Camaradagem e amizade entre todos”


Uma questão incontornável: Sendo o Sprint Urbano uma prova tão do agrado de todos, porquê limitá-lo apenas às Selecções?


Como se trata de uma prova com características muito específicas, que vai atribuir vários títulos Ibéricos, seria uma enorme confusão colocar os quase 1100 atletas inscritos a fazer esta prova. Estamos em Dezembro, com a luz solar a desaparecer muito cedo e não era possível colocar todos os participantes em competição. Finalmente, acresce ainda a obrigatoriedade de seguir o protocolo assinado entre as duas Federações.

Um Campeonato Ibérico, na sua essência, faz vir sempre ao de cimo ancestrais rivalidades. Isso também acontece na Orientação e vai perceber-se neste Campeonato?

Rivalidade há sempre, mas na Orientação é uma rivalidade sadia e sem qualquer animosidade. Nos Campeonatos Ibéricos em que tenho participado, sempre tem predominado a camaradagem e amizade entre todos.

“Muito por onde se orientar”


A presença de mais de duas centenas de orientistas espanhóis, a juntar aos 800 portugueses, motivou alguma preocupação acrescida do ponto de vista social e da promoção turística da região?

Toda a parte da promoção foi da responsabilidade da autarquia, que já rotinada nesta área desenvolveu um belíssimo trabalho. Houve que contactar e conseguir autorizações dos donos dos terrenos onde se desenrola a prova, a criação do site, a criação de uma empresa que gerisse toda a parte dos alojamentos e a preparação do jantar de sábado para todos os participantes. De referir que é um jantar volante e não um pequeno lanche.

Quanto ao aproveitamento do feriado do dia 8 nunca foi equacionado, mas era uma boa hipótese para fazer mais um dia de Orientação. Quando começou a preparação da prova, ainda a data não estava bem definida, dado ter de ser acertada com o calendário dos nossos amigos espanhóis. Mas quem quiser prolongar a estadia, mesmo sem Orientação, terá muito por onde se orientar, a começar pelas aldeias históricas de Monsanto e Idanha-a-Velha.


“Esperamos que S. Pedro se lembre de nós”

Um "site" apelativo e a prova publicitada em inúmeros órgãos de Comunicação Social e nas páginas electrónicas dos parceiros oficiais evidenciam o cuidado posto na promoção e divulgação do evento. Na sua perspectiva, de que forma é que a população local irá corresponder a este esforço?

Participando na prova não será de esperar, não existe nenhum clube na zona nem há um passado de competições de Orientação, mas temos a garantia de pelo menos um Idanhense a participar: O Vereador do Desporto!!!!!!

A 48 horas do evento, qual a sua maior certeza para este 16º Campeonato Ibérico? E qual a maior dúvida?

A maior certeza é o empenhamento de todos os envolvidos (autarquia, ADFA, FPO), para que seja um evento agradável, que deixe todos satisfeitos e com vontade de voltar. A maior duvida ou receio tem a ver com as condições meteorológicas. Esperamos que S. Pedro se lembre de nós e nos reserve uns dias de sol.


[Saiba tudo em
http://www.oriberico2008.com/]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


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