sábado, 13 de dezembro de 2008

ORIENTAÇÃO IBÉRICA: O PONTO DE VISTA DE ALBERTO MINGUÉZ


Professor universitário, especialista em treino de Orientação, praticante das suas várias disciplinas e particular entusiasta das Corridas de Aventura, Alberto Minguéz regressou a Portugal. Depois de cá ter estado em Junho, por altura do WMOC - onde se sagrou vice-campeão mundial na prova de Sprint -, o atleta espanhol participou em Idanha-a-Nova no 16º Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre, amealhando para o seu pecúlio uma medalha de prata (Distância Média) e duas de bronze (Sprint e Distância Longa). Para o Orientovar deixou a sua visão do actual momento da Orientação nos nossos dois países.

Orientovar - Que significado tem um Campeonato Ibérico?

Alberto Minguéz - Estamos tão perto uns dos outros que este tipo de competições tem, para além do peso da tradição, o significado de estarmos juntos. Tanto Espanha como Portugal têm evoluído bastante em termos competitivos. Isso verificou-se uma vez mais neste Campeonato Ibérico, com atletas a fazerem excelentes médias, sobretudo nas categorias mais jovens.

O. - No que ao seleccionado espanhol diz respeito, a que se deve esta evolução?

A.M. - Arrancámos em Setembro de 2007 com um programa vocacionado para a alta competição, associado a um Centro de Alto Rendimento, e a verdade é que temos notado uma evolução muito positiva. Apesar de escassos, procuramos canalizar para aí uma parte dos nossos recursos. Os resultados vão aparecendo, embora tenhamos consciência de que não há milagres. Quando praticado ao mais alto nível não é um desporto fácil mas vamos fazendo o que podemos. Temos agora vários jovens a iniciar-se na equipa sénior e também alguns juniores com resultados muito promissores e há a perspectiva de que possam ir melhorando cada vez mais. Este é um programa a longo prazo que procuraremos manter em busca duma maior evolução.

“A evolução vai claramente no bom sentido”


O. - Como vê o actual momento da modalidade em Espanha, duma forma geral?

A.M. - Temos consciência de que este é um desporto difícil de promover. Há a questão das deslocações, do tempo que se despende, dos meios económicos envolvidos e não há condições para que muita gente se dedique à modalidade. Vamos fazendo um grande esforço e penso que, pouco a pouco, mais gente vai aderindo. Mas já temos jovens de dezoito anos com oito ou dez anos de Orientação, o que é importantíssimo


O. - Que ideia faz da Orientação em Portugal?

A.M. - O importante é que estamos perto uns dos outros e podemos partilhar aquilo que temos. A cartografia, por exemplo, é um aspecto que está muito desenvolvido. Tal como nós, os portugueses não têm já de depender dos cartógrafos nórdicos ou do leste europeu. Em termos organizativos, as provas têm muita qualidade. Isso foi particularmente visível no WMOC’08 onde todos os aspectos foram cuidados ao pormenor. Para mim foi excepcional e, daquilo que pareceu transparecer, todos os participantes fizeram uma avaliação muito positiva. A evolução vai claramente no bom sentido.


“Que os amantes da modalidade sigam vivendo-a”

O. - Um grande problema é a incapacidade em chegar aos media. Que estratégias têm em Espanha para ultrapassar este grande obstáculo?

A.M. - Estratégias há poucas. Creio que não são apenas as provas da nível internacional as únicas que podem atrair a atenção dos meios de comunicação social. Também as provas de Sprint em centros urbanos ou as Corridas de Aventura, que são algo de verdadeiramente espectacular, podem servir para promover a modalidade junto dos media. Mas sabemos que é algo realmente muito difícil. Em Espanha, tal como em Portugal, o futebol é rei e senhor.

O. - Para finalizar, quer revelar o seu grande sonho para a Orientação?

A.M. - Isso passa claramente pelo nosso Centro de Alto Rendimento e pela promoção da Orientação, apesar de insuficiente. Que os amantes da modalidade sigam vivendo-a, por aquilo que ela é, que as pessoas sejam amigas e que desfrutem a Orientação. Estes aspectos não podem perder-se de vista. Em suma, preservar a essência da Orientação, evoluindo naquilo que for possível.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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