sábado, 13 de dezembro de 2008

16º CAMPEONATO IBÉRICO: TEM A PALAVRA O SUPERVISOR INTERNACIONAL


Está a chegar ao fim a “saga” jornalística do Orientovar em torno do 16º Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre. Desta feita, vamos ao encontro das opiniões do Supervisor Internacional, Luís Santos. As suas reflexões constituem uma achega preciosa para a melhoria da qualidade organizativa dum evento de Orientação, funcionando como uma chamada de atenção àqueles que, revendo-se na sua posição, possam vir a fazer as coisas com mais cautela.


Terminado o Campeonato Ibérico e ouvidas muitas opiniões de participantes o balanço é claramente positivo. Tal como o Director de Evento referiu, o principal obstáculo foram as condições climatéricas adversas, que é sempre limitador para quem quer criar um clima de festa num evento desta dimensão.

Poucos se lembram agora disso e é certo que o mapa da Distância Média não era perfeito, mas o nevoeiro que se instalou na zona de prova durante o evento fez com que muitos dos atletas tenham tentado forçar passagem em zonas de vegetação intransponível e tenho a certeza que se tivessem visibilidade nem se atreveriam a tentar passar nos locais onde passaram (ou onde foram forçados a voltar para trás). O nevoeiro não ajudou. Mas o nosso trabalho no planeamento e controlo dos percursos da Distância Média também não foi o melhor porque devíamos ter optado por outra solução para a zona de partidas. Esta obrigava a ter pontos iniciais muito complicados que levaram muitos a estragar as suas provas logo no início e a ter percursos, por exemplo para iniciados, com inícios muito difíceis. Claro que pode ser uma opção técnica ter um início difícil, mas a conjugação mapa/nevoeiro/obstáculos naturais não facilitou a vida aos atletas.

No evento de Distância Longa as coisas correram melhor porque os percursos foram muito bem trabalhados e, embora o estilo de cartografia fosse similar ao do primeiro dia, as dificuldades de navegação diminuíram, principalmente porque a visibilidade era melhor (apesar da chuva) e o terreno era bem mais rápido para correr.

Como supervisor e como organizador de eventos, tenho perspectivas diferentes para a gestão de um evento desta dimensão. Não são melhores nem piores, são diferentes. Dei o meu melhor para ajudar a que o evento fosse um sucesso mas não deixei de fazer alguns alertas prévios e de sentir durante o evento que as coisas teriam funcionado melhor se a equipa organizativa fosse mais extensa. Mas o ADFA tem um historial organizativo bem mais longo do que o meu tempo de orientista e faz as coisas à sua maneira. Não era certamente agora que ia mudar quando, ainda em finais de 2004, realizara um Campeonato Ibérico em Vendas Novas que resultou num bom evento fazendo as coisas da mesma forma.

A equipa de partidas foi um exemplo. O Tiago Fernandes do meu clube, que foi responsável de partidas no WMOC e gere normalmente as partidas no CPOC, prepara muitas vezes equipas com 10 a 12 elementos mesmo em eventos regionais para garantir um funcionamento sem erros. Eu devo dizer que os 5 ou 6 elementos da equipa de partidas do Ibérico, por quem passaram os mais de mil participantes, foram excepcionais, mas qualquer situação invulgar que acontecia, tornava-se difícil de gerir com uma cadência média de 8 a 9 atletas a entrar em prova por minuto. Muitos lêem estas linhas e dirão que 12 também é um exagero. Mas é isso que permite aos elementos das partidas poderem fazer uma pausa para comer, poderem ser substituídos se estiverem cansados ou molhados, poderem ter "briefings" para ajudar os mais inexperientes a saber o que vão encontrar.

Há outro aspecto que para mim também é importante para a qualidade de um evento de Orientação. O Alexandre Reis, responsável técnico, fez um bom trabalho na preparação dos mapas e principalmente dos percursos. Mas foi um trabalho solitário. Acho essencial que um clube que organiza um Ibérico mobilize os seus melhores e mais experientes atletas para irem ao terreno antes do evento, para testarem os percursos, avaliarem e darem indicações úteis para o mapa. Já estive em organizações onde o mapa não era bom quando o cartógrafo terminou o trabalho. Mas foi tão trabalhado, tão revisto e tão "batido" pela equipa técnica que acabou por "chegar" aos atletas com boa qualidade. Num grande evento como um Ibérico, era importante que as coisas fossem testadas. As coisas correram bem, mas tenho a certeza que se as presenças no terreno antes da prova não se limitassem a 2 ou 3 pessoas (eu incluído), talvez aquele início de prova da Distância Média pudesse ter sido melhor.

De qualquer forma não quero deixar de reafirmar que são perspectivas diferentes de como gerir a organização de um evento e que, apesar do que escrevi, a organização trabalhou muito para que tudo funcionasse o melhor possível e para que os praticantes saíssem contentes de Idanha.

Abraço,

Luís Santos

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