quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

10º ORIJOVEM: O BALANÇO DE TIAGO AIRES


Grande mentor e impulsionador duma iniciativa a todos os títulos louvável, Tiago Aires faz o balanço daquilo que foi, na sua perspectiva, o 10º OriJovem.


Orientovar - Seria possível enunciar dois ou três pontos fortes deste estágio?

Tiago Aires - Um dos aspectos que me deixou bastante satisfeito prende-se com o facto de ter aqui um bom grupo de monitores, a grande maioria deles envolvidos pela primeira vez no OriJovem. Poder contar com eles, com a sua total entrega e dedicação foi, inquestionavelmente, um dos factores de sucesso deste estágio. Gostaria de poder voltar a contar com esta equipa magnífica porque foi devido à colaboração deles que tudo correu tão bem. Outro aspecto muito importante e que eu valorizo em particular, prende-se com uma pessoa que não é visível no imediato e que trabalha completamente nos bastidores. Estou a falar do Miguel Morais, a quem se deve o excelente trabalho de composição e impressão de mapas. Finalmente, a adequada distribuição de tarefas permitiu libertar-me para aquilo onde me sinto mais à vontade e que gosto mais de fazer, que é o acompanhamento dos miúdos, a preparação das aulas teóricas, delinear os percursos, traçar os objectivos a atingir em cada um dos níveis. Desta vez tive essa felicidade e correu muito bem nesse sentido. Gostaria ainda de deixar uma palavra especial para duas pessoas que não puderam estar neste Estágio mas que têm sido referências do OriJovem. Sem desprimor para todos quantos cá estiveram, permitam-me referir o Manuel Dias e o Norman Jones, com quem espero poder voltar a contar em próximas edições. São eles que, com a sua experiência e veterania, acrescentam a 'pimenta' aos grupos.

Orientovar - Do ponto de vista pessoal, que aspectos considera terem sido mais enriquecedores?

Tiago Aires - Sobretudo o facto de ver o Desporto Escolar tão bem integrado e de ter técnicos envolvidos. Penso que as coisas têm de passar por aqui. Na minha opinião, a implementação deste tipo de estágios deveria passar pela obrigatoriedade dos clubes a disponibilizar técnicos para enquadrarem e apoiarem os participantes e, em particular, os jovens dos seus clubes. Nada disto é novo e se pensarmos como é que as coisas funcionam noutras modalidades, nomeadamente no Atletismo ou no Triatlo, vemos que é assim. Há um técnico internacional conceituado que vem cá, que durante o dia trabalha com os atletas e depois com os técnicos. Parece-me fundamental que os técnicos dos vários clubes venham ao estágio, que haja uma troca de experiências e que todos possamos evoluir uns com os outros. Acredito que é para isso que se caminha e ficou provado neste estágio, onde tivemos técnicos de vários clubes e eles próprios estiveram aqui a aprender.

Orientovar - É sabido que “quanto maior é a nau, maior é a tormenta”. Com um grupo tão numeroso, que aspectos correram menos bem?

Tiago Aires - Infelizmente são muitos miúdos e surgem sempre alguns atritos. Principalmente no penúltimo dia verificou-se uma ou outra situação menos agradável, mas tudo acabou por se resolver a bem. É claro que tivemos que impor alguns castigos mas julgo que todos percebem que tem de ser mesmo assim e que servem para os outros balizarem a sua conduta.

Orientovar - Qual a grande mais-valia deste género de iniciativas?

Tiago Aires - Esta grande alegria, animação e convívio entre os jovens é mesmo o mais importante. A seguir a um estágio destes, reparamos que os miúdos, por exemplo no solo duro, deixam de estar tão divididos por uma pretensa clubite que nos afecta a todos e passam a estar juntos pelo OriJovem, por algo que é realmente de todos eles. O OriJovem é o “clube” de referência, onde estão amigos de todos os outros clubes, independentemente de serem adversários durante a competição. Mas tirando esse período, tudo o resto é convivência e divertimento.

Orientovar - Até onde pode crescer o OriJovem?

Tiago Aires - Não sei até onde pode crescer. Os aspectos logísticos são sempre uma condicionante e estamos dependentes do tipo de alojamento, por exemplo. Neste OriJovem tivemos realmente o problema das refeições que nos atrasou sistematicamente o programa. Mas estando estes aspectos salvaguardados, tudo o resto se adapta.

Orientovar - Qual a perspectiva de Ovar voltar a receber o OriJovem?

Tiago Aires - Certamente que isso voltará a acontecer. Eu tenho a ideia de, dentro de dois anos, voltarmos a repetir os locais. Vai ser muito interessante nessa altura voltarmos aos locais, repetirmos alguns treinos e estes jovens, alguns deles já referências a nível nacional, perceberem o grau de evolução. Bem como irá ser motivador para todos os outros saberem que o percurso que agora fazem foi feito por um ou outro que agora é campeão da Europa ou do Mundo. Também espero ver mais gente de Ovar. Aliás, esse é um ponto que considero fundamental, que nessa altura já exista um clube em Ovar que agarre nos miúdos da terra e os traga ao estágio. É realmente um privilégio poder contar com todo este potencial, com a floresta em cima da cidade e seria uma pena que Ovar voltasse a desaproveitar tudo isto.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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