domingo, 21 de dezembro de 2008

10º ORIJOVEM: A ESTREIA DA FLORESTA


De animação e muita energia se fez a primeira manhã da edição 2008 do OriJovem. A luz e o calor dum esplendoroso sol de Inverno inundaram a floresta, transfigurando-a. E todos corresponderam com enorme entrega e generosidade, retirando da experiência proveitosos ensinamentos.

Algures no meio da floresta, centena e meia de crianças e jovens partem à descoberta. Os percursos estão traçados de acordo com o grau de exigência para cada um dos quatro grupos e os pontos lá estão no terreno à sua espera. Treino de relocalização e de memória para os mais avançados, treino de ida-e-volta e formal para os mais inexperientes. A floresta transforma-se rapidamente num fervilhar de vida e emoção e todos se aplicam em aproveitar estes preciosos momentos e alcançar os objectivos previamente definidos.

Rafael Miguel (Ori-Estarreja) não esconde o cansaço quando chega ao final do treino: “Fiz dois treinos de cinquenta minutos e estou todo lixado. Avaliar o grau de resistência física, ver até onde posso chegar, é um dos meus objectivos, bem como ler melhor o mapa e as curvas de nível. Foi bom e estou a aprender muito.” Já Carolina Delgado (GD4 Caminhos) achou este primeiro contacto com a floresta “muito interessante. O mapa estava com muitas curvas de nível e permitiu-me explorar bastante esse aspecto. O ambiente está excelente, estou a gostar muito e tenho grandes expectativas no que se refere ao resto do estágio.”

"Logo à tarde já vai ser melhor"

Outro dos participantes é João Carvoeira (CPOC), que considerou o treino da manhã “giro, mas muito puxado para mim. Resolvi fazer ‘magenta’ e agora é mais complicado. Saí-me melhor no treino de relocalização e na memória tive dificuldade nalgumas partes. De qualquer das formas é sempre bom para aprender.” Quem se saiu menos bem foi Cláudia Miranda (Ori-Estarreja), que considerou a manhã “muito má. Nunca tinha feito treinos de relocalização e não gostei muito. Acabei por empenhar o tempo todo neste tipo de treino e não cheguei a fazer treino de memória.” Mas mesmo assim os ânimos não parecem esfriar: “Estou motivada e empenhada em ultrapassar a situação. Logo à tarde já vai ser melhor.”

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Albino Magalhães, atleta de elite que representa o GD4 Caminhos, é um dos monitores deste 10º OriJovem. É ele quem traça o balanço duma manhã recheada de peripécias e de muita e boa Orientação: “Este primeiro contacto permite perceber se os atletas estão bem posicionados no nível que lhes foi atribuído. No caso da atleta que acompanhei, manifestamente o nível era elevado para ela. Teve imensas dificuldades no treino de relocalização e tivemos que fazer várias vezes a pernada para que ela percebesse os detalhes do terreno que a rodeavam. Isso levou-nos a manhã toda.” Falando da importância deste tipo de treino, o popular Bino valoriza o facto de “ser essencial que o atleta venha com a noção de que não está aqui para competir. Tem que vir com calma e espírito aberto para aprender. Se vem com ideias de competir, os erros que faz na competição repete-os aqui e não evolui.” A título pessoal, a experiência não poderia ser mais enriquecedora: “Para mim está a ser particularmente enriquecedor. Temos de ser humildes e reconhecer as nossas limitações e trabalhar com o Tiago está a ser extremamente gratificante.”

Votos de mais e melhor Orientação para Ovar

Quem não quis perder a oportunidade de dar uma saltada à floresta foi o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ovar, Dr. David Almeida, ele próprio um entusiasta da Orientação. “Está um dia extraordinário e este espaço constitui um cartão de visita perfeito para as cento e cinquenta crianças e jovens que aqui estão a praticar uma modalidade tão interessante como é a Orientação.” Referindo-se ao meio envolvente onde se desenrola a actividade, o Dr. David Almeida fez questão de referir “o enorme valor deste património natural e paisagístico, ideal para a prática de várias modalidades. Uma delas é seguramente a Orientação. Temos um mapa, temos um percurso permanente e há que fazer uso dele, que rentabilizá-lo. Para isso é preciso que surjam organizações deste género, que só nos valorizam e enriquecem.” Para concluir, em jeito de voto para o novo ano, o autarca pede “mais dinamismo, mais e melhor Orientação em Ovar. Aquilo que gostaria de ver era uma equipa de Orientação com muita força, com as pessoas certas e capazes de fazer o trabalho de motivação que a modalidade tanto precisa e merece.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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