segunda-feira, 10 de novembro de 2008

TROFÉU COA: O PONTO DE VISTA DE HUGO BORDA D'ÁGUA


No rescaldo do Troféu COA, o Orientovar foi ao encontro do COAC – Coruche Outdoor Adventure Clube. Quisemos perceber o ponto de vista dum clube de Orientação que, sendo da terra, esteve à margem das lides organizativas do evento. Atendeu-nos o Presidente da Direcção do COAC, Hugo Borda d’Água, e disse de sua justiça. Ouçamos, pois.

Coruche e o Troféu COA foram, relativamente a este espaço, uma agradável surpresa. Esta realidade limita-se ao Açude da Agolada ou estende-se a mais locais?

Coruche, em toda a extensão do seu concelho, apresenta condições naturais óptimas para a prática de todos os desportos onde esteja subjacente o contacto directo com a natureza. De entre estes desportos, a Orientação Pedestre possui neste concelho condições extraordinárias para a realização de provas, tal como ficou demonstrado no Troféu COA.

Como é que viu a disputa duma prova desta envergadura aqui em Coruche?

Tendo em conta a existência das condições atrás referidas, Coruche apresenta um bom potencial para a existência de um elevado número de praticantes desta modalidade. A existência de uma prova da Taça de Portugal, com um índice de participação relevante e um impacto que outras provas não conseguem obter, era aguardada com enorme expectativa por todos os locais apaixonados pela Orientação, no sentido desse impacto dar a conhecer a modalidade junto da população local. Nesse aspecto, louve-se o enorme esforço da Organização, divulgando o Troféu COA junto das escolas e noutros locais.


Mas não vimos esse esforço traduzido em números. O que é que falhou?

Coruche apresenta, hoje em dia, um elevado número de colectividades que praticam as mais variadas modalidades, indo muito além do Futebol. Desta forma, os nossos jovens, muitas vezes por razões familiares ou de amizade, sabem exactamente qual a modalidade que querem praticar, o que torna difícil o incremento do número de praticantes numa modalidade nova. Consciente da dificuldade associada a conseguir levar um numeroso grupo de uma das escolas locais a uma prova de Orientação, sempre tive expectativa em que tal ocorresse nesta, que era uma grande prova. No entanto, apesar do esforço da Organização, tal não foi conseguido. Esta dificuldade prende-se em primeira instância com o facto de ser um desporto onde os professores das escolas locais não se encontram particularmente habilitados, o que leva a que os mesmos não cativem os jovens para esta nova modalidade. Realizámos a nossa primeira prova em Março deste ano e sentimos na pele essas dificuldades.

Fala em dificuldades em os jovens aderirem a novas modalidades, mas o COAC é constituído sobretudo por jovens …

Durante o primeiro semestre deste ano publicámos cartazes e fizemos alusão por variadíssimas formas a actividades e treinos de Orientação, em vários locais do concelho. De certa forma, podemos considerar que fizémos um trabalho idêntico ao efectuado nas escolas antes do Troféu COA. O resultado que obtivemos desse esforço foi nulo. Então decidimos ir à procura de jovens considerados por nós como possíveis praticantes da modalidade, ir a casa dos mesmo falar com os pais e mostrar as vantagens da Orientação. Foi com esse trabalho que conseguimos aumentar em 300% o número de praticantes do clube. Além disso, integramos jovens que praticam desporto regularmente com outros que nunca tinham praticado desporto para além das aulas de Educação Física nas escolas. Considero este aspecto particularmente importante para motivar os que não são “apaixonados” pelo desporto, a mudarem a sua atitude.

Julgo saber que o COA convidou o COAC para colaborar nas tarefas organizativas. O que é que os levou a não participar?

O COAC é constituído essencialmente por jovens com menos de 18 anos, com os quais se tem desenvolvido desde há uns meses a esta parte, um trabalho direccionado para a sua evolução na Orientação em termos competitivos. Por outro lado, todos são minimamente conhecedores de todos os aspectos inerentes à organização de uma prova de Orientação, encontrando-se habilitados a realizar tarefas como partidas, chegadas, etc. Neste sentido, tendo em conta que o COA possuía recursos para realizar estas tarefas, e aos nossos jovens poderia caber outro tipo de tarefas que, em nosso entender, não seriam uma mais valia para a sua evolução na modalidade nem tão pouco contribuiriam para a sua motivação, decidimos colocar-lhes a questão abertamente. Deste modo, após serem ouvidos todos os jovens do clube, decidimos que a grande mais valia seria a participação em mais uma prova da Taça de Portugal, à qual se adicionava a motivação de se realizar na nossa terra.

Em termos organizativos, gostaria de destacar algum aspecto?

A Arena da prova foi, a nível organizativo, uma escolha extraordinária realizada pela organização. Espaço amplo onde a beleza estava bem patente, adicionando-se bar e casas de banho já existentes no local, permitiram a todos desfrutar de uma arena com boas condições. Quanto ao desenvolvimento das provas, destaco os percursos no escalão aberto OPT1 que, se no sábado apresentavam distâncias inadequadas, no domingo foi notória a sua perfeita adequação ao público-alvo, tornando esta uma organização positiva do COA. Claro que aspectos como a ausência de um speaker, alguns problemas de cartografia no mapa de domingo e a existência, pelo menos no meu escalão, de um ponto colocado exactamente no mesmo local nos dois dias de prova, poderiam ser evitados.

O mapa, agora, ficará na posse dos proprietários deste belo espaço e será igualmente cedido ao COAC. Como é que vê esta situação?

O mapa utilizado nesta prova, ao ser-nos cedido, será de extrema importância para fomentar a prática da modalidade, realização de treinos e de todo um vasto conjunto de actividades relacionadas com a Orientação. Certamente este novo mapa existente em Coruche será uma tremenda mais valia para o COAC.

Saudações orientistas.


JOAQUIM MARGARIDO
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