segunda-feira, 10 de novembro de 2008

TROFÉU COA: O BALANÇO DE AFONSO PIMENTEL


Afonso Pimentel põe um ponto final no Troféu COA. O Presidente do Clube de Orientação e Aventura traça-nos um balanço, falando deste espaço magnífico, detalhando o desenrolar das provas e concluindo que “tudo decorreu de forma tranquila”.

Este espaço é absolutamente fantástico para a realização dum evento de Orientação. Como é que deram com isto?

Há muito que identificávamos terrenos no concelho de Coruche e tínhamos consciência das suas extraordinárias qualidades para a prática da modalidade. Quando apresentámos a candidatura e passámos à prática, ao fazer a abordagem à Câmara Municipal de Coruche, houve alguém no Departamento de Cartografia que nos mostrou fotografias e mapas globais. Estávamos aqui perto, tínhamos algum tempo antes duma reunião com o Vereador do Desporto e decidimos vir cá espreitar. Deparámos com isto, um sítio pouco menos que perfeito para a prática da Orientação, com bons terrenos e uma Arena espectacular. Já cá estava tudo à nossa espera.

Foi difícil o diálogo com o proprietário do terreno para poder organizar aqui o Troféu COA?

Não foi fácil e envolveu uma longa negociação. Esta é uma propriedade muito grande e que tem uma exploração não só na área agrícola mas também turística. Fez parte da parceria que estabelecemos com o proprietário, a cedência do mapa e prestarmos a nossa colaboração sempre que seja necessário desenvolver uma actividade nesse âmbito. Essa contrapartida efectiva acabou por tornar possível a execução da prova neste espaço e isso acaba por ser favorável não só para o proprietário, mas sobretudo para a modalidade em si.

Para ser tudo mesmo perfeito o que é que faltou? Talvez um ‘speaker’…

Isto não é caso virgem mas, infelizmente, na altura em que ligámos a aparelhagem de som, fundiram dois fusíveis. A Câmara Municipal de Coruche conseguiu remediar a situação, desviando à última da hora um equipamento alternativo. Foi possível criar aqui algum ambiente e foi o que conseguimos ter. A questão do ‘speaker’ não foi nada que não estivesse previsto, o equipamento está ali, mas infelizmente não foi possível utilizá-lo.

Tivemos aqui um bom índice de participação. Como é que analisa os números?

São números que não me surpreendem e estão de acordo com as médias verificadas ao longo da época anterior. Tínhamos como base os seiscentos participantes e, se retirarmos o Desporto Escolar, os números até superam ligeiramente as nossas expectativas. Toda a programação da prova, em meios humanos e financeiros, apontava para esse número mas julgo que tivemos alguma elasticidade, que é sempre necessária neste tipo de organizações, e que demos uma resposta adequada a este acréscimo de participantes.



Ao longo das duas etapas do Troféu pareceu rolar tudo na perfeição. É uma ideia correcta ou tiveram que ultrapassar questões de pormenor que colocaram dificuldades?

Não sou uma pessoa nervosa por natureza, mas antes na véspera da prova sentia-me demasiado sossegado. Parecia estar tudo pronto, apenas à espera do meio-dia de sábado e não me estava a conseguir concentrar. Tinha a sensação que havia algo que estava a falhar e que não tínhamos identificado no nosso “check-list”. Mas não. A ansiedade desvaneceu-se com o desenrolar do Troféu e tudo decorreu de forma tranquila.

Vi as pessoas felizes, a praticar Orientação em terrenos de inegável interesse, muito bonitos, mas os percursos, tecnicamente, não me pareceram demasiado exigentes. Isto foi feito assim, a pensar no Desporto Escolar?

Não. O Desporto Escolar não colocou nenhuma condicionante neste aspecto já que o Desporto Escolar apareceu numa fase em que os percursos já estavam basicamente fechados e tivemos apenas que fazer alguns acertos pontuais nos escalões próprios. A programação duma prova de Distância Longa tem essa ‘nuance’, já que não é uma prova essencialmente técnica. Depois o terreno acaba por condicionar as opções do traçador de percursos e este terreno é agradável de correr e não encerra, em si, uma grande quantidade de elementos de dificuldade técnica que pudessem ser recorrentes ao longo do percurso. Não lhe retirando qualidade técnica para a prática da modalidade, esta é uma zona de terreno nitidamente talhada para uma prova de Distância Longa. Já os percursos da prova de Distância Média assentaram numa outra filosofia. Apesar de mais curta, foi uma prova com mais pontos que na Longa, por estranho que isto possa parecer. Não sendo, ainda assim, um terreno extremamente difícil em termos técnicos, exigiu uma abordagem diferente e no qual a componente física não constituiu um factor determinante de diferenciação entre os atletas.

Os participantes ao nível do Desporto Escolar constituíram uma agradável surpresa e pareceram muito à vontade no mapa. Partilha desta opinião?

Também fiquei com essa impressão embora, ali no meio, há sempre aqueles que vêm à descoberta. Mas houve muitas participações que nada tiveram a ver com a selecção para representar Portugal nos Mundiais de Desporto Escolar. Vieram apenas participar dentro do espírito do Desporto Escolar mas deu para apreciar já muitos miúdos perfeitamente identificados com a modalidade. Fica a sensação de que o trabalho de formação desenvolvidos pelos professores nas escolas respectivas está a dar os seus frutos, estimulando os miúdos à praticada Orientação, o que óptimo para o futuro da modalidade.

No final destes dois dias, qual é a sensação?

Um fim-de-semana bem passado, com a agradável sensação da parte de todos os participantes de que valeu bem a pena ter vindo a Coruche, ter vindo conhecer este local aparentemente perdido, quase irreal. E a expectativa de que possam voltar a um espaço que tem excelentes condições para receber as pessoas e, agora, ainda com a mais-valia de ter também uma ferramenta óptima, que é um mapa de Orientação.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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