domingo, 9 de novembro de 2008

TROFÉU COA: BELA JORNADA DE ORIENTAÇÃO


Chegou ao fim a terceira das dez provas pontuáveis para o “ranking” da Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2008 / 2009. Coruche e o Açude da Agolada foram palco do Troféu COA, um evento que decorreu de forma exemplar e que se constituiu numa grande jornada de Orientação.

Algures no coração do Ribatejo há um oásis de paz e tranquilidade, onde natureza e bem-estar passeiam de mãos dadas. O nome de Agolada deriva do facto de naquela área existir uma barragem de terra que origina uma albufeira com cerca de 1 km de comprimento. É “sítio classificado” desde 24 de Junho de 1980 e as preocupações ambientais fundamentam-se na protecção e conservação dos valores naturais, na educação ambiental e nas zonas de lazer.

Foi este o local escolhido pelo COA – Clube de Orientação e Aventura para aqui fazer disputar o seu Troféu, evento que contou com a participação de 760 atletas, distribuídos por 30 escalões de competição e por quatro escalões abertos (OPT’s). Um número que superou as expectativas iniciais e se viu reforçado com cerca de duas centenas de miúdos, que aqui disputaram a primeira de duas provas de selecção para os Mundiais de Desporto Escolar ISF 2009.

Tiago Aires e Raquel Costa dominam etapa de sábado

Fazendo jus ao Verão de S. Martinho, o bom tempo instalou-se ao longo de todo o fim-de-semana e à placidez do lugar juntou-se um ar cálido, ideal para a prática da modalidade. A etapa de sábado decorreu num terreno típico de montado alentejano, com o mapa a ocupar maioritariamente a zona a norte da albufeira do Açude da Agolada. Prova de Distância Longa, em mapa novo e à escala de 1:15.000, esta etapa fez apelo sobretudo à preparação física dos atletas, revelando-se bastante acessível do ponto de vista técnico. Excesso de confiança ou não, a verdade é que a par de provas perfeitas, se assistiu a alguns resultados que não estariam, de todo, dentro das expectativas.

Tanto no sector masculino como no feminino, a dupla “gafanhori” Tiago Aires / Raquel Costa levou de vencida a concorrência, regressando às vitórias após o interregno da “operação-Toledo”. Tiago Aires gastou 1.06.23, deixando a 1.50 Miguel Silva (CPOC), a fazer um excelente início de época, e Diogo Miguel (Ori-Estarreja), também ele muito consistente, a 2.52. Jorge Fortunato (Ori-Estarreja) parece não ter ainda encontrado o ritmo que faz dele uma das maiores certezas da Orientação nacional e concluiu na 7ª posição com 1.14.28. Bem pior esteve Tiago Romão (COC), falhando estrondosamente na progressão junto ao vértice superior do mapa (pontos 4 e 5) e terminando na 14ª posição com uma desvantagem de 14.46 para Tiago Aires.


No sector feminino Raquel Costa chegou à vitória no tempo de 1.07.40. Andreia Silva (COC) teve igualmente uma excelente prestação, concluindo na posição imediata com o tempo de 1.10.06. Catarina Ruivo (COC) foi a 3ª classificada, mas a distantes 10.03 da vencedora. Um erro na progressão para o ponto 2 fez com que Patrícia Casalinho se desconcentrasse e toda a sua prova acabasse por se ressentir desse falhanço inicial. O 4º lugar alcançado acaba por não ser mau, mas o tempo gasto (1.20.03) deixou a atleta particularmente insatisfeita. Quem também não esteve bem foi Lídia Magalhães (ADFA), 8ª classificada com 1.28.51.

Tiago Romão brilha na Média

O dia de hoje levou os atletas para uma prova de Distância Média, num mapa contíguo ao da véspera, na escala de 1:10.000 e, desta feita, na vertente sul do Açude da Agolada. Um mapa bem mais desafiante, com percursos particularmente bem delineados, fazendo permanente apelo às melhores capacidades físicas e técnicas dos orientistas. Houve resultados para todos os gostos e se uns mantiveram o nível das suas prestações da véspera e outros conseguiram rectificar provas menos conseguidas, houve igualmente aqueles que se “espalharam ao comprido”.

Na elite masculina, Tiago Romão provou que o resultado da Longa estava totalmente ultrapassado e impôs-se de forma concludente com 28.55, o que lhe permitiu ascender ao 5º lugar final com 1818,03 pontos. A vitória no Troféu acabou nas mãos de Tiago Aires, com 1948,61 pontos, juntando à vitória na véspera o 2º lugar nesta prova, a 1.34 de Romão. Diogo Miguel repetiu o 3º lugar da Longa, desta feita com 30.35, ascendendo ao 2º lugar no Troféu com 1904,10. O 3º lugar neste Troféu COA coube a Joaquim Sousa, com 1858,73, mercê do seu 5º lugar na prova de Distância Longa e do 4º lugar na prova de Distância Média. O destaque pela negativa na prova de hoje vai para dois atletas do CPOC: Alexandre Alvarez, após o promissor 5º lugar de ontem, hoje não foi além da 9ª posição (6º lugar final no Troféu) enquanto Miguel Silva esteve ainda pior e, ao 2º posto da Longa, “respondeu” com um 15º na Média e o correspondente 7º lugar final.

“Nunca senti que o mapa fosse de confiança”

Vencedor incontestado deste Troféu COA, Tiago Aires mostrou-se no final muito agradado com o excelente espaço onde decorreram as provas, com “uma arena muito bem montada, num espaço fantástico e com todos os condimentos a um grande evento, onde só o ‘speaker’ faltou”. Falando das suas provas, Tiago Aires adiantou que “ontem correu-me bastante bem, os percursos e mapas eram bastante acessíveis e a componente física acabou por ser preponderante. A minha grande preocupação consistiu em antecipar as opções e escolher os locais onde se progredia mais facilmente e tudo o resto foi sofrimento, correndo sempre no limite físico. No dia de hoje tinha mais expectativas, mas nunca senti que o mapa fosse de confiança. Em cinco pontos perdi entre 15 a 30 segundos em cada, grande parte dos quais nos primeiros pontos.”

Tiago Aires não deixou de manifestar o seu descontentamento relativamente aos percursos. Para o melhor atleta português da actualidade, estes eram “desadequados, principalmente o da Longa.” E explica: “Uma vez mais o OPT1 e Infantis depararam-se com distâncias longas e poucos pontos, tudo o que não se deve fazer neste tipo de escalões. Aliás, basta ver os tempos realizados neste escalões e pensar se será adequado a estas idades”. Quanto ao mapa, Tiago Aires não tem complacências, considerando-o “muito pobrezinho no trabalho de altimetria, a fazer lembrar os mapa de há 15 anos atrás (Apostiça, Ribeira Brava), em que o relevo parece que não tem continuidade de umas curvas de nível para as outras.” E deixa ainda mais dois recados: “Ao nível da vegetação também muito generalizado, quase sem limites de vegetação e excessiva utilização de semi-aberto. Outra coisa que não percebo é como é que os pequenos lagos que estão marcados no mapa do primeiro dia, raramente tinham água e um dos poucos que tinha água não estava marcado.”


“Mais parecia um mapa base com pequenas alterações”

Quem voltou a não dar hipóteses, foi Raquel Costa na elite feminina. A atleta do Gafanhori fez novamente uma prova pouco menos que perfeita, vencendo no excelente tempo de 34.32 e arrebatando o Troféu COA com um total de 2000 pontos. Lídia Magalhães quedou-se na 2ª posição, a distantes 4.09 da vencedora, ascendendo a um excelente 2º lugar final com 1631,80 pontos. Patrícia Casalinho foi 3ª, com 43.55, ficando a escassos 15 centésimos de ponto de Lídia Magalhães na classificação final. Provas menos conseguidas fizeram com que Andreia Silva e Catarina Ruivo deitassem a perder os excelentes resultados de sábado. Pior ainda esteve Maria Pereira (ADFA), com um prometedor 5º lugar na prova de sábado e que hoje fez “mp”.

Para o Orientovar, Raquel Costa falou das suas prestações ao longo destes dois dias de Troféu: “Fiz uma prova de Distância Longa melhor do que a de Distância Média. Nesta última, apesar de ter ganho, não fiquei satisfeita com os dois erros que fiz e que envolveram a perda de dois minutos. No geral, com duas vitórias ganhei o Troféu.” Coincidindo com Tiago Aires na apreciação à área onde se disputaram as provas – “muito boa, tal como a bonita arena que estava montada” – também Raquel Costa tem dois lamentos: “Pena foi que a Organização descurasse alguns aspectos técnicos que são fulcrais. O mapa produzido não foi minimamente trabalhado e mais parecia um mapa base com pequenas alterações. Os Infantis /OPT1 não podem ter percursos com distâncias de 4 quilómetros!”


Mariana Moreira passeou toda a sua classe

O equilíbrio foi a nota dominante nos escalões de formação. Em H13, João Pedro Casal (Ori-Estarreja) viu quebrado o seu domínio com a subida do seu colega de equipa, Gonçalo Pirrolas, ao lugar mais alto do pódio. Em D13, a vitória sorriu de forma surpreendente a Inês Alves (GD4C), com Rute Coradinho (Gafanhori) a fazer “mp” na prova de Distância Média. Os escalões H15/D15 tiveram em João Salgado e Teresa Maneta, ambos do Gafanhori, os grandes vencedores. Vera Alvarez (CPOC) levou de vencida o escalão de D17, face à apertada oposição das “gafanhoris” Ana Salgado e Rita Rodrigues. Miguel Mouco (Ori-Estarreja) venceu em H17, depois dos “espalhanços” de Paulo Pereira (CPOC) e Rafael Miguel (Ori-Estarreja) na prova de hoje.

Rijamente disputados, os escalões D20 e H20 concitaram uma boa dose das atenções. Ali evoluem muitas das nossas maiores esperanças e os resultados dão conta dum enorme equilíbrio e emotividade. Mariana Moreira foi a brilhante vencedora no sector feminino, triunfando em ambas as etapas. Sempre atenta a qualquer deslize, Joana Costa (GD4C) secundou a atleta do CPOC nos dois dias e subiu ao lugar intermédio do pódio, enquanto Isabel Sá (GD4C) foi 3ª classificada. Quanto aos homens, uma vez mais Manuel Horta (Gafanhori) e David Sayanda (Ori-Estarreja) concentraram em si as atenções e Horta voltou a ser o mais forte, mercê dum resultado menos conseguido do seu adversário na prova de Distância Longa. João Mega Figueiredo (CN Alvito) concluiu na 3ª posição.

Organização com nota bem elevada


Quanto aos restantes escalões, merecem referência desde logo as excelentes confirmações de Davide Machado (.COM) em H21A, Mário Duarte (ADFA) em H40, Alice Silva (GDU Azóia) em D40, Manuel Luís (CP Armada) em H45, Albano João (COC) em H50, Isabel Monteiro (COC) em D50 e Manuel Dias (Individual) em H55; e as surpresas chamadas Suati Almeida (GD4C) em D21A, Paula Serra Campos (.COM) em D35 e Luísa Mateus (COC) em D45. Todos eles alcançaram saborosos triunfos neste Troféu COA. Colectivamente, o CPOC confirmou o seu excelente momento e registou novo triunfo com um total de 3556,0 pontos. Seguiram-se Ori-Estarreja (3513,8 pontos), COC (3429,5 pontos), GD4C (3213,9 pontos) e ADFA (3164,6 pontos).

A última palavra vai, naturalmente, para a Organização. Por tudo o que aqui ficou dito, percebe-se que a atenção e o cuidado postos na montagem e desenvolvimento do evento estiveram ao melhor nível. O ambiente na Arena foi sempre de enorme animação – sobretudo no segundo dia, recebendo as partidas e as chegadas - e quase nem se deu pela falta do “speaker”. Já nos aspectos técnicos, o grau de satisfação revelou-se directamente proporcional ao grau de exigência, com as opiniões a dividirem-se entre o bom e o menos bom. Se atendermos que é o detalhe que marca a diferença, a nossa modesta opinião é a de que esta prova, não tendo sido perfeita, merece contudo nota bem elevada.

[foto do pódio gentilmente cedida por Lena Coradinho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

.

Sem comentários: