quinta-feira, 13 de novembro de 2008

SONDAGEM: UM QUADRO POR COMPLETAR


Deu-se ontem por concluída mais uma Sondagem aqui, no Orientovar. À questão “Qual o maior desafio da nova Direcção da FPO?”, responderam 65 visitantes do “blogue”. Houve opiniões para todos os gostos. Importa agora fazer uma breve análise dos resultados e procurar contextualizá-los.

1. As sondagens valem o que valem. A ideia não é nova e quase “cheira” a retórica. Mas o que quero crer é que esta Sondagem – como a anterior, aliás – não foi “apenas mais uma”. Estava em causa a “passagem de testemunho” na Federação Portuguesa de Orientação e este é sempre um tempo de balanço. Um tempo em que os que saem, mais do que desejarem as maiores felicidades àqueles que vêm agora ocupar os seus cargos, se interrogam sobre a forma como foram feitas as coisas, se as fariam de outra forma em tempo outro. E em que os que chegam se confrontam com o trabalho que têm pela frente, navegando na continuidade ou apostando na mudança.

2. Foi com o intuito de auscultar as mais diversas opiniões e sensibilidades que lancei a Sondagem. O documento disponibilizado pela actual Direcção – “Carta de Intenções” – serviu de base à formulação dos vários itens. Ao não prever uma opção “aberta” que fosse além das sete em causa, terei lavrado num erro. Seria interessante saber se as preocupações de todos vão além da “matéria-chave” desta Direcção.

3. É claro que há sempre o espaço de Comentário, onde o visitante pode opinar como muito bem entende. Mas sabemos como as coisas se passam. São muito poucos aqueles que comentam e, neste caso concreto, apesar do apelo, não houve um único a tomar a iniciativa.

4. Passando agora à análise dos resultados, vemos que o “apoio aos clubes” e a “qualidade dos eventos”, com apenas quatro votos cada (6%), acabam por ser as opções menos votadas. Deixará isto subentender que a saúde dos clubes é a melhor, que há uma tomada de consciência do bom trabalho feito nos clubes e pelos clubes e que as energias devem ser canalizadas para áreas mais prioritárias. Parabéns, pois, aos clubes.

5. Quem não parece constituir igualmente uma área prioritária é o Desporto Escolar. Com 6 votos (9%), este foi um item igualmente pouco votado. Devo confessar nisto alguma surpresa, já que esta se me afigura uma área vital no crescimento e desenvolvimento da modalidade. Há protocolos a funcionar, há resultados a aparecer, mas isto deve implicar ainda mais cuidado, mais esforço e mais apoio ao Desporto Escolar e aos seus agentes. Disse, na análise que fiz à Carta de Intenções, que o Desporto Escolar mereceria, por si só, uma Carta de Intenções à parte. E reafirmo-o.

6. O Mundial de Ori-BTT 2010 surge no meio da tabela, com 8 votos (12%). Todos temos consciência da nossa capacidade organizativa e da importância que o evento pode ter na promoção e dinamização da Orientação, dum modo geral, e em particular da Ori-BTT. Daí que este resultado não espante, revelando uma preocupação moderada e controlada.

7. Entrando nos três itens mais votados, é curioso notar que há uma relação directa entre eles e as grandes linhas orientadoras da Carta de Intenções. Se bem nos recordamos, o primeiro grande vector era o “organizacional”. Entre outros aspectos, a Carta de Intenções preconizava o seguinte: “No âmbito da Formação de Técnicos, trabalharemos com os Departamentos de Formação, Arbitragem e Cartografia para repensar os moldes em que é ministrada a Formação, apostando não só em cursos para novos técnicos, mas também em acções de reciclagem para os actuais, dada a evolução natural a que a modalidade não é alheia”. Os 12 votos (18%) julgo que falam por si.

8. A Comunicação e Imagem, com 13 votos (20%), acaba por ser o segundo item mais votado. Este é um aspecto que, por si só, encerra um vector estratégico da nova Direcção e todos sentem o quão importante é “colher as bênçãos” da Comunicação Social para fazer passar mais e melhor mensagem e capitalizar interesses e vontades.

9. Finalmente a vertente desportiva, consubstanciada no apoio às Selecções Nacionais, “apesar de constrangimentos de diversa ordem”. Este item recebeu 18 votos (27%) e deixa uma clara mensagem quanto às enormes esperanças que muitos depositam na “concretização de um plano nacional de desenvolvimento que poderá incluir provas no estrangeiro, estágios ou treinos com técnicos conceituados”. Que assim seja.

10. A terminar, recupero o que disse acima e apelo à utilização do espaço de Comentário. Esta análise não passa dum esboço que muito pode ser enriquecido com o contributo de todos. Vamos, pois, acabar de completar o quadro.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

Mário Santos disse...

Boa noite Joaquim Margarido,

Eu não comentei porque me passou despercebido... o meu voto foi precisamente no desporto escolar... esta minha ideia já não é de agora e a razão é simples: se não houver renovação (e essa tem de começar pelos escalões de formação e jovens), a Orientação vai tornar-se um desporto de Veteranos e nunca conseguirá um nível verdadeiramente internacional, já que isso exige anos de formação até que os resultados comecem a surgir. Basta ver os exemplos dos países nórdicos que associam Escola e Orientação. Quando vêm fazer training camps, os professores vêm com eles... continuam a ter aulas, a praticar desporto e a ter uma vida disciplinada, requisito necessário para qualquer atleta de alta competição. Para mim esta é uma aposta estratégica. Todos os outros aspectos são importantes e alguns deles percebe-se os resultados que tiveram, provavelmente como resultado daquilo que entendemos por dignificar e proporcionar condições. Todas são áreas importantes e decerto a nova liderança da FPO irá ter a mestria para saber atribuir as prioridades de acordo com os melhores interesses para o futuro da modalidade de que tanto gostamos.
Saudações,
Mário