quinta-feira, 13 de novembro de 2008

PELO BURACO DA FECHADURA...


Depois do Ibérico em Gredos (Espanha) e antes do tão esperado Estoril-Portugal XPD Race, que promete trazer toneladas de adrenalina ao Parque Natural Sintra-Cascais, tem lugar já no próximo fim-de-semana a segunda prova da Taça de Portugal de Corridas de Aventura. A “III Corrida do Exército / ADFA” assenta arraiais em Beja, estendendo-se ao concelho vizinho de Ferreira do Alentejo. Para saber mais do evento, o Orientovar foi ao encontro de Alexandre Reis, um dos elementos preponderantes da organização, e espreitou pelo buraco da fechadura.

Dois dias, quatro escalões de competição, percursos de Orientação Pedestre, Orientação em BTT, Orientação Run & Bike e Orientação em Canoagem, Obstáculos, Slide, Rappel, Tiro com Arco, Paralelas Verticais e Lançamento de Granadas. Muita emoção, competição, aventura e companheirismo num fim-de-semana que tanto promete. Se a isto somarmos a qualidade dos terrenos e a capacidade organizativa da ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas, só podemos concluir que a III Corrida do Exército tem todos os ingredientes para se transformar num êxito.

Para sabermos um pouco mais dos aspectos logísticos e organizativos que o evento envolve, fomos ao encontro de Alexandre Reis, Director Técnico da prova e um dos responsáveis pelos Percursos. Com a sua ajuda detalhamos o programa, perspectivando aquele que será, seguramente, mais um grande momento para os amantes deste particular tipo de disciplina.

“Um número simpático”

Um evento desta natureza, com uma logística algo complexa, requer uma preparação cuidada. Há quanto tempo estão a trabalhar no evento e quais os meios humanos e logísticos envolvidos?


Estamos a trabalhar há cerca de meio ano. Este tipo de prova é preparado a dois níveis que concorrem em paralelo e são indissociáveis: Técnico e logístico. As provas de aventura têm uma componente determinante para o perfil de um percurso, que é a multi-actividade. Assim é necessário encontrar um bom espelho de água para as actividades aquáticas, elementos naturais ou artificiais para as actividades de cordas e por último muito espaço para correr e andar de BTT. Encontradas todas estas áreas, é necessário obter autorizações das variadíssimas entidades envolvidas, Câmaras, Juntas de Freguesia, proprietários, Instituto da Água, etc. A nível de meios temos de considerar os motorizados todo-o-terreno (as provas desenrolam-se ao longo de 150Kms, normalmente em terra), e os humanos que garantam várias partidas e chegadas em espaços físicos distantes entre si, colocação de pontos, secretariado, sanitário, monitorização das actividades, entre outros.

O número de equipas inscritas está dentro das expectativas ou ainda se esperam mais? Porque é que há tão poucas equipas militares inscritas?

Neste momento estamos com 41 equipas. É um número simpático e ligeiramente acima da média do ano anterior. Esta prova está inserida no campeonato espanhol o que faz com que tenhamos algumas equipas do país vizinho, "engordando"um pouco o número de inscritos. A escassez de equipas militares, na minha óptica, tem as seguintes explicações: a juventude da competição no seio militar, o facto de os militares que participam regularmente já estarem integrados noutras equipas, a pouca divulgação na estrutura militar e... por ser ao fim-de-semana!!!

“Tenham sempre presente o fair-play”

Quer detalhar um pouco o programa, chamando a atenção para aquilo que considera os pontos fortes?

A prova começa ás 9h30 de sábado, neutraliza ás 23h00, reinicia ás 05h00 de domingo e termina ás 10h00. Nestas cerca de 19 horas, as equipas percorrem 200km, repartidos por btt, corrida e canoagem. O deslocamento é sempre assente na Orientação, utilizando o suporte cartográfico disponibilizado pelo Instituto Geográfico do Exército (cartas militares).

Que especiais cuidados estão previstos ao nível da segurança e da assistência sanitária?

Temos garantido um médico, um enfermeiro e uma equipa de socorristas, apoiados por duas ambulâncias, uma delas todo-o-terreno. Temos também os contactos estabelecidos com os Bombeiros locais.


Do programa constam, entre outras actividades, o "slide", "rappel", "paralelas verticais" e "lançamento de granadas". São actividades de demonstração ou estão implicadas no desenrolar das próprias provas? São seguras para qualquer pessoa?

São actividades para serem executadas pelos participantes, advindo dessa execução benefícios para a equipa. Estas actividades estão enquadradas por técnicos credenciados para o efeito.

Quais os seus maiores votos para que a prova seja um êxito?


Que não haja nenhum acidente e que seja uma prova do agrado de vencedores e vencidos.

Quer deixar uma mensagem aos participantes?

Tenham sempre presente o “fair-play” e contribuam para o sucesso das Corridas de Aventura.

[Saiba tudo consultando a página da prova em http://oriadfa.no.sapo.pt/]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

Ângela Silvério disse...

Bom Dia!
No passado fim-de-semana, participei na III Corrida de Aventura do Exército/ADFA.Foi a minha estreia.
Uma grande experiência, uma grande AVENTURA!

Gostava de partilhar aqui, uma situação muito triste que se passou.
A etapa nr.5 era composta por 3 secções, em que cada equipa tinha oportunidade de gerir a ordem das mesmas. A minha equipa, decidiu iniciar esta etapa com a orientação pedestre.

Depois de uma dia "atarefado", chegou a noite, e ao fim de alguns quilómetros, decidimos não ir aos cp's todos. Íamos regressar.
Quando estavamos a saltar o último portao da noite, surge uma carrinha.Parou á nossa frente,e por azar, era o proprietário do terreno.

Vinha furioso,pediu explicações ( não sabia o que se passava ), gritou connosco, ameaçou-nos que nos dava um tiro,e aos que por ali andavam, disse-nos que não sabia de nada, começou a empurrar os meus companheiros, já a querer chegar ao extremo. Telefonou á GNR,e não nos deixou sair dali enquanto a situação não se resolvesse. Depois convencemo-lo a telefonar para o director da prova.

Isto tudo demorou cerca de uma hora e nós ali ao frio, gélido!!
Entretanto chegou GNR e o director da prova e sinceramente nao sei como ficou esta situação.Regressámos no jipe, e terminou ali. A etapa foi anulada.

Por sorte não aconteceu nada de grave, mas podia ter acontecido!!
Agora pergunto, se não fará parte da responsabilidade da organização pedir autorização dos proprietários?

Certamente, que estas situações, graves, repito, graves, não aconteceriam.

Decidi escrever, visto que, faz parte deste artigo "pedir autorização a variadíssimas entidades", o que de facto, nao aconteceu.

Cumprimentos,
Ângela Silvério