quinta-feira, 6 de novembro de 2008

PELO BURACO DA FECHADURA...


Depois de Toledo ( Espanha), a Taça de Portugal de Orientação Pedestre assenta arraiais em pleno Ribatejo já no próximo fim-de-semana. Tendo por cenário o idílico espaço do Açude da Agolada, em Coruche, oito centenas de atletas irão dar corpo e vida a um evento que promete. O Orientovar foi ao encontro do Clube de Orientação e Aventura, a entidade organizadora, e falou com Afonso Pimentel, o seu Presidente, e com Jorge Elias, Vice-Presidente e Director da Prova. São eles que nos ajudam, aqui e agora, a espreitar pelo buraco da fechadura.

Evento de Orientação Pedestre pontuável para a Taça de Portugal 2008 / 2009, o Troféu COA terá lugar em Coruche, nos próximos dias 8 e 9 de Novembro. Aberto à participação de pessoas de todas as idades e sexos, federadas e não federadas, o Troféu COA constitui, ainda, a primeira de duas provas de selecção para os Mundiais de Desporto Escolar ISF do próximo ano, em Madrid.

É com todo este substrato que o COA irá sediar mais um desafio aos participantes vindos de todos os cantos de Portugal. Com o apoio da Câmara Municipal de Coruche e dos proprietários da vasta Herdade onde se insere o magnífico local de provas [http://www.natureinaction.com/], as expectativas são naturalmente elevadas no sentido de termos um fantástico fim-de-semana de Orientação por terras do Sorraia. A este propósito, ouvimos Afonso Pimentel e Jorge Elias, respectivamente Presidente e Vice-Presidente do COA, que nos deixaram as suas impressões.

“Quinze anos de experiência não se evaporam de um momento para o outro”

Após alguma contestação à Organização do último Campeonato Nacional de Estafetas e de Distância Longa, a FPO volta a atribuir ao COA uma prova maior do seu Calendário. Como é que vêem mais este voto de confiança?


Esta organização em nada tem a ver com a de Estremoz e muito menos a sua atribuição por parte da FPO. Em Estremoz houve inúmeras circunstâncias que ditaram um menos bem conseguido resultado final (para o actual standard) de uma maratona organizativa de 7 provas em 8 dias. Sabemos reconhecer o facto. Mas dos erros todos retiramos lições, reduzindo a probabilidade de se repetirem. Por outro lado, as circunstâncias e as condições que conduziram a essa contestação em Coruche não existem, não sendo por isso de esperar que algo possa correr fora do normal para uma organização de uma etapa da Taça de Portugal.

A atribuição das organizações, relembro, é feita com dois anos de antecedência, pelo que a questão do voto de confiança não se coloca. Tendo sido o CNL e CNE ampla e objectivamente escalpelizado em sede própria (não o que surgiu na “praça pública”), chegou-se à conclusão que, se o resultado não atingiu o nível por todos esperado (principalmente por nós), também não existiu qualquer matéria de facto que levasse à imposição de qualquer tipo de sanção. Quinze anos de experiência não se evaporam de um momento para o outro e não faria sentido penalizar o COA nesta ou outras organizações entretanto já atribuídas. Ou então todos os clubes que hoje têm a seu cargo organização de provas estariam limitados, pois todos já passaram também por situações menos bem conseguidas. Relembro que, meses antes, tivemos uma organização considerada exemplar - OriBTT na Barquinha – e não desaprendemos ou deixamos de ter condições para continuar a fazer um trabalho positivo pela modalidade, de um momento para o outro.


A decisão de fazer do Troféu COA a primeira de duas provas de selecção para os Mundiais de Desporto Escolar foi quase tomada "em cima do joelho". Que dificuldades acrescidas é que esta situação acarretou à Organização?

Em cima do joelho? Não sei, não estamos dentro do processo, mas na realidade tomamos conhecimento do facto nos últimos 15 dias. No entanto foi facilmente possível disponibilizar meios e a flexibilidade necessária para cumprir com esse objectivo, dado que, até ver, a organização está a decorrer sem qualquer sobressalto e com grande margem para suplantar situações não expectáveis ou imponderáveis.

“Em termos físicos estamos descansados”

Espera-se um número de participantes a rondar os 800. Que meios humanos e logísticos estão envolvidos na Organização de forma a enquadrar uma tão apreciável cifra de atletas?

Esta é uma organização que comporta cerca de 40 pessoas, com as responsabilidades e funções bem definidas e atribuídas, fazendo uso da vasta experiência na organização de eventos desportivos (não só de Orientação). Por outro lado, as condições para a logística específica de uma arena que uma prova deste nível exige, estão amplamente facilitadas por condições naturais e edificadas no local, onde só não existe um espaço amplo, suficiente para todas as viaturas, mas seguramente ficarão todas dentro de uma distância máxima de 500 metros da arena.

Esta é uma praia fluvial que em tempos já albergou diariamente, no Verão, cerca de 5.000 pessoas, pelo que em termos físicos estamos descansados. Sendo tudo localizado dentro de uma propriedade privada, foi possível reunir a melhor vontade dos proprietários que, conjuntamente com o empenho da Câmara Municipal de Coruche, nos proporcionaram todos os meios e condições por nós requeridas, tendo em vista uma organização que se pretende de muito bom nível.


“Cumprir o acordado”

Mapas novos e um local extraordinariamente aprazível são pressupostos que tornam a prova, em si, muito apelativa. Os terrenos e os percursos parecem ser suficientemente desafiantes. São estes os grandes trunfos do Troféu COA ou há mais?

O nível organizativo em Portugal nos últimos anos sofreu uma evolução muito para além dos aspectos puramente técnico/desportivos, lançando as organizações na busca de mais e melhores condições a proporcionar aos que se deslocam pelo país em busca de um prisma e um ponto de controlo. Nós não vamos com certeza fugir desses padrões, mas também não vamos “inventar” algo que nos possa retirar a melhor atenção sobre aquilo que é realmente importante – um bom percurso, sem falhas.

Concretamente em relação ao Desporto Escolar, estarão presentes muitos alunos que terão aqui o primeiro contacto com uma competição "a sério", um mapa, um percurso. Ao consultar os Escalões percebe-se que não há nenhuma diferenciação entre o Desporto Escolar e os restantes participantes. Se a isto juntarmos as escalas dos mapas e as distâncias, não acha que a experiência pode ser altamente contraproducente para um percurso de iniciação? Não foram equacionadas formas alternativas de obstar a que tal possa vir a acontecer?

Essa discussão existiu, como disse nos últimos 15 dias, onde todos os responsáveis e intervenientes neste processo puderam debater conceitos e lançar opções, tendo a versão final ficado aprovada por todas as partes. Ao COA coube pouco mais do que fazer cumprir o acordado. Muitos prós e contras foram debatidos, mas não existindo uniformização entre o Desporto Escolar e a competição da Taça de Portugal, a nossa modesta opinião passa por juntar este tipo de competições a provas da Taça FPO ou até preferencialmente às provas Locais, que se podem mais facilmente adaptar ás exigências específicas.

“A FPO deverá apoiar mais os clubes”

Complementarmente, Coruche recebe a Assembleia Geral da FPO e um acto eleitoral que marcará o arranque duma nova vigência directiva para o quadriénio 2008-2012. E também o Jantar de Encerramento da Época 2007 / 2008. Quer detalhar estes importantes acontecimentos sociais?


São acontecimentos da vida normal de uma Federação. A Assembleia Geral tem de acontecer, quer seja em Coruche ou não. Claro que neste período a FPO aproveitou a ocasião duma prova da Taça e também o ‘timing’ certo para o efeito. Quanto ao Jantar de Encerramento da época 07/08, a FPO costuma realizar para premiar e distinguir quem mais se aplicou na época passada. Nesta, aproveitou também a ocasião para que os novos Corpos Sociais tomem posse. No fundo são actos e acontecimentos normais. Claro que é sempre um privilégio e uma honra que, durante a realização de uma prova do COA, ocorram estes acontecimentos.

Aproveito para desejar aos novos Corpos Sociais da FPO o maior sucesso na vida da Federação. Relembro que a FPO existe porque existem clubes e, neste sentido, deixo aqui o recado que a FPO deverá apoiar mais os clubes nas suas organizações, para que também estes possam organizar cada vez mais e melhor os seus eventos. No tempo de crise que atravessamos, as organizações já sentem muitas dificuldades na obtenção de apoios, sentem também a falta de atletas nas provas, facto extremamente marcante se analisarmos as provas da época passada (Taça e Regionais).


Que mensagem deixaria a todos os participantes e, em particular, àqueles que não estão familiarizados com a Orientação e participarão pela primeira vez?

Venham aprender o que é gozar do único património efectivo da humanidade - a natureza. Em particular para quem nunca teve contacto com a modalidade, esta é a data perfeita para o fazer, pois desenhámos percursos e escolhemos uma área particularmente agradável, segura, sem grande complexidade física, com acompanhantes por parte da organização se o assim pretenderem, para os ajudar a entender a modalidade e ensinar a navegar no terreno. Para os mais experientes a certeza que encontrarão desafios à altura do que é de esperar numa prova da Taça de Portugal e um fim-de-semana bem passado, como todos nós gostamos.

[consulte a página oficial da prova aqui]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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