sábado, 22 de novembro de 2008

A MINHA PASSAGEM (FUGAZ) PELA ORIENTAÇÃO...


Tudo começou em 19 de Maio de 2007, em Montachique, no 13º Troféu de Orientação do CPOC. E não podia ser da pior maneira…com um famigerado “mp”! Da pior maneira tecnicamente, porque em termos de introdução à matéria foi do melhor! Bom mapa, bom apoio aos iniciados, excelente local que é aquele Parque Municipal de Montachique! Aliás, é a mais-valia da Orientação face ao Atletismo, por exemplo, que é levar-nos, primeiro, à natureza, e depois a locais paradisíacos que, doutra forma, dificilmente lá iríamos. Resumindo e concluindo: tinha elegido esta prova como teste, e o resultado foi… aprovado!

E assim, tomei a decisão de participar em alguma provas, intercalando-as, sempre que possível, no calendário das corridas. De seguida, comecei a pesquisar na net sítios com instruções e informações sobre sinalética, melhores opções, etc. etc.. Participei em acções de formação, inscrevi-me por duas vezes - sem êxito! - em cursos de cartografia do INATEL, dialoguei com atletas mais experientes, enfim, fiz tudo o que estava ao meu alcance para melhorar o meu desempenho na Orientação.

Nas provas seguintes – 9º G.P. RA 4, OPT1, 3º CLAC O´Meeting, OPT2, 14º Troféu do CPOC, OPT2, Open de Orientação da Nazaré, OPT2, 19º Troféu AAMafra, OPT1 com amigos, 3ª Jornada de Orientação Mexa-se Mais, Oeiras, OPT3, 3º Open ATV, OPT3, 4ª Jornada de Orientação Mexa-se Mais, Fábrica da Pólvora, OPT3, NAOM 2008, OPT3, O´Porto Park Race, Serralves, OPT1 com amigos – fui subindo no grau de dificuldade e o resultado foi um misto de boas e más prestações: boas, quando o mapa era menos técnico, e aí imperava a parte física da corrida; más, quando os mapas eram muito técnicos, e aí nem a minha melhor forma na corrida me salvavam! Havia sempre algo que corria mal, nestas ocasiões. Andava um pouco por intuição e atingia os pontos por tentativas (às vezes, muitas).

Ao fim desta dezena de provas, facilmente percebi que sem treinos técnicos dificilmente evoluía. Facilmente entrei no paradoxo do prazer/aborrecimento. Gostava de participar mas chegava ao fim e reconhecia que andava um pouco “ao calhas”. Pessoalmente gosto muito de marionetas, mas jamais serei uma marioneta. Quando faço algo, ou movimento, gosto de saber como e porquê. Andar lá no meio, só por andar, não é coisa que me alicie muito…

Facilmente percebi que a Orientação é uma modalidade espectacular, apaixonante e viciante. É uma modalidade que, para além de desenvolver a parte física, desenvolve a parte cognitiva, está permanentemente a pôr-nos à prova sobre a nossa capacidade de decisão. A escolha da melhor opção é um dilema permanente. Dificilmente se faz uma prova perfeita, há sempre um mas, ou um se…

Também percebi que na Orientação, à excepção de dois ou três clubes, a realidade clubista raramente tem uma identidade local. Há um grupo de pessoas de vários locais que se juntam nas provas. Ao contrário das corridas, em que se pode treinar, praticamente, em qualquer local e a qualquer hora, a Orientação exige muito o contacto com a natureza, e isso é mais complicado para o cidadão urbano e trabalhador por conta de outrém.

Também percebi que na Orientação, aliado aos aspectos atrás focados, há uma vertente económica muito forte. Raramente há provas nas redondezas da localidade de residência e as deslocações impõem-se. E se, noutros tempos, este era mais um factor aliciante para a modalidade, nos dias de hoje, não obstante a facilidade das dormidas nos pavilhões, torna-se tudo muito oneroso, já para não falar no preço das inscrições das provas…

Salvo melhor opinião, por tudo isto se justifica a minha, muito, fugaz participação! Porém, enquanto durou, foi bom, gostei! Se calhar… perdeu-se um orientista, mas um amante da modalidade, NUNCA!!!

Um Abraço e até uma próxima!

Orlando Duarte

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1 comentário:

Joaquim Margarido disse...

Com a devida vénia, aqui reproduzi a crónica que Orlando Duarte deixou no blogue “O Chá dos Cinco”, no passado dia 16 de Novembro. E fi-lo porque penso que vale a pena reflectir no que ele escreve. A sua “confissão”, duma franqueza e honestidade tocantes, dissecam claramente alguns dos factores que contribuem para um dos grandes problemas com que se debate a modalidade: a falta de praticantes. É sobre isto que nos devemos debruçar urgentemente se não queremos uma Orientação em queda livre. Porque não conseguimos fidelizar aqueles que cativamos, eis a questão.

JM