quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ELEIÇÕES NA FPO: A CARTA DE INTENÇÕES


Concorrendo de forma solitária à Eleição dos Órgãos Estatutários da Federação Portuguesa de Orientação para o quadriénio 2008 – 2012, a Lista encabeçada por António Rodrigues fez questão de tornar pública a sua Carta de Intenções. Um documento aqui analisado e para o qual chamo, desde já, a sua atenção.

Começo por esclarecer. Há nesta situação das listas únicas um aspecto particularmente perverso. É frequente “darmos de barato” que, com a vitória garantida à priori, não há sequer necessidade de puxarem um bocadinho pelo brio próprio, colocando a fasquia em patamares mais elevados e apontando outros e mais ambiciosos objectivos. Assim, procurei libertar-me deste tipo de preconceitos ao estabelecer uma análise da presente Carta de Intenções [pode ser consultada aqui]. Fiz uma leitura do documento com o máximo de distanciamento e isenção. E concluo, relativamente desapontado, que me soube a pouco.

E soube a pouco na medida em que vejo na Orientação um enorme potencial de desenvolvimento, que implica a criação de dinâmicas para se atingirem os objectivos. Questões fulcrais da maior importância e valor são claramente identificadas no documento e são apontados os objectivos a atingir. Estabelecem-se três áreas distintas de actuação e apontam-se linhas estratégicas de abordagem a cada uma delas. Mas a Carta de Intenções peca pela escassez de informação quanto à forma e aos meios de actuação. São algumas dessas dinâmicas que estão ausentes do documento. Temos o antes e o depois, mas falta em grande medida o durante. Conhecendo a riqueza humana subjacente a esta nova Direcção, estou em crer que estas insuficiências são apenas no papel. Mas, ainda assim, insuficiências.

“Empenhamento e envolvimento de todos”

Como já foi dito, a Carta de Intenções agrupa os objectivos a prosseguir nos próximos quatro anos em três áreas distintas: Organizacional, Desportiva e de Divulgação. Quanto às duas primeiras, o documento reflecte aquele que é o sentimento generalizado, o de que “nos últimos anos a Orientação Nacional deu um salto qualitativo importante”. A aposta vai claramente no sentido de manter esta dinâmica. E se os recursos financeiros disponíveis são fundamentais para a prossecução de tais objectivos, há na mobilização de mais recursos, “não só financeiros mas sobretudo humanos” uma enorme preocupação.

Um dos grandes desafios que se colocam ao novo elenco federativo passa pelo organização do Campeonato do Mundo de Orientação em BTT em 2010. Dar tempo à nova Direcção para poder preparar devidamente o evento foi, aliás, o argumento avançado por Augusto Almeida para pôr termo, precocemente, ao actual mandato. Isto revela bem a importância e o significado atribuído ao MTBO WOC & JWOC 2010. A Carta de Intenções exprime a convicção na organização de “um grande Campeonato do Mundo”. A receita é a mesma do WMOC e consiste em conseguir “o empenhamento e envolvimento de todos”. Vamos todos fazer votos de que tal aconteça.

Mais e melhor Desporto Escolar

Na vertente desportiva parece-me relevante a intenção de melhor aferir a qualidade dos eventos através da Comissão de Avaliação de Provas, “atribuindo os eventos mais importantes aos clubes que demonstrarem maior capacidade de organização”. Como relevante é o apoio que se pretende dar a iniciativas tendentes à reactivação de provas de Trail-O, “fomentando o desenvolvimento desportivo para todos”. Acima de tudo, aplaude-se a intenção de canalizar mais e melhores apoios para as Selecções Nacionais, identificadas como “o expoente máximo do desenvolvimento desportivo”, pondo em prática “um plano nacional de desenvolvimento que poderá incluir provas no estrangeiro, estágios ou treinos com técnicos conceituados.” Queremos crer que as tão aguardadas figuras do Director Técnico Nacional e do Coordenador das Selecções estarão implícitas no plano enunciado e aguardam-se novidades com a maior brevidade possível, já que este é um assunto que não pode esperar muito mais tempo.

Já no que concerne ao Desporto Escolar, o documento refere a continuação do apoio “através dos protocolos existentes”. E mais não diz! Parece-me manifestamente pouco, numa área que se reveste da maior importância para o futuro da modalidade. O Desporto Escolar merece, por si só, uma Carta de Intenções à parte. Carece de linhas estratégicas muito bem definidas, que conduzam à promoção e crescimento da modalidade de forma sustentada, permitindo captar valores e suscitar interesses. E isto não apenas ao nível dos alunos, como também dos pais e professores. Este envolvimento é possível e requer muito mais que protocolos.

O “busílis” da questão

Finalmente, ao integrar a área da Divulgação no conjunto das suas preocupações, a nova Direcção aponta claramente no sentido duma estratégia integrada que não se limita à planificação, implementação e concretização de resultados, mas dá a necessária ênfase à necessidade de os tornar públicos. Porque António Rodrigues e seus pares percebem muito bem que a modalidade necessita dessa visibilidade para crescer e ver aumentado o número de praticantes. Porque sabem que dessa visibilidade dependem os necessários apoios que lhe garantem qualidade organizacional e prestígio junto dos parceiros.

“Muito se fez ao longo destes anos para a visibilidade da Orientação nos Media nacionais, mas é necessária uma política concertada para atingir cada vez mais alvos e ganhar mais adeptos que se traduzam em mais praticantes”, pode ler-se no documento. E aqui é que reside o “busílis” da questão. Mas como é que se faz isto? O estabelecimento dum plano de acção concertado com o Departamento de Imagem e Comunicação será fundamental, mas vejo a concretização deste objectivo com muita expectativa e algum cepticismo.

Opine, comente, vote!

Os dados estão lançados. Julgo que cada um de nós terá uma palavra a dizer sobre isto e o Orientovar abre, desde já, o seu espaço de comentário a todos quantos se queiram manifestar sobre o assunto. Este é um momento de capital importância para a modalidade e todas as sugestões, construtivamente manifestadas, são úteis para o seu crescimento e desenvolvimento. A modalidade somos todos e todos temos voto sobre ela.

Complementarmente, aqui neste seu blogue, é criado um espaço de votação que estará patente ao longo de uma semana. Nele poderá deixar a sua opinião sobre qual a área de actuação que exigirá maior atenção, rigor e actuação por parte do novo elenco da Federação Portuguesa de Orientação. Opine, comente, vote!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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