sábado, 1 de Novembro de 2008

(DES) ORIENTAÇÃO


TODO O CUIDADO É POUCO

Duas histórias separadas por 12 anos, ambas com final desastroso e, na origem, um equívoco semelhante. A lição a retirar é a mesma: a concentração do atleta tem de começar muito antes do minuto zero.

1. Múrcia 1996. Campeonato do Mundo de Veteranos, a minha primeira prova no estrangeiro. Em Portugal competia em H40, ponto final. Ali, em vez de H era M e, entre tantos concorrentes no mesmo escalão, coube-me no sorteio a série C. Eu era, portanto, M40C. Manel, tão te esqueças: 40C! Lá fiz a 1ª Qualificatória. No final, enquanto não saíam os resultados, trocávamos impressões: “lembras-te do ponto 7, do ponto 10?” Já nessa altura a minha memória não era grande coisa. Ia dizendo que sim. Mas um deles perguntou: “e o ponto 15?” Eu: “15? Mas eu só tinha 12!” Tinha levado um mapa 40C, sim, mas… W40C e não M40C. Claro, desclassificado e remetido para a última Final.

2. Arlon 2008. 3 Dias da Bélgica. Chego ao ponto 1, mas não é o código da minha baliza. Bato a zona e lá encontro. Ponto 2, idem. Ponto 3, outra vez um código diferente. Espero que venha alguém com ar de turista e peço que me mostre no seu mapa onde está aquele controlo. Afinal, estou no sítio certo. Desdobro o meu mapa, confiro a sinalética impressa... Tinha pegado, na arena, duas horas antes da prova, uma sinalética errada: percurso 8, em vez de percurso 9. Meti a sinalética errada no bolso e passei a guiar-me pela do mapa. Que maravilha: batia tudo certo. Mas, ao chegar ao ponto 8, lembrei-me: devo ter controlado mal os 2 primeiros pontos, porque me guiei pela sinalética suplementar. Saquei-a do bolso e confirmei: códigos diferentes. Atravessei o mapa na diagonal e fui recomeçar pelo verdadeiro ponto 1, o tal primeiro onde tinha estado... 52 minutos antes!

Depois de Múrcia, nunca mais peguei num mapa errado. Ainda agora, no Relay Event do COC, quando a Sónia Cristina, do Mafra (ela que me perdoe), me passou o mapa para o percurso 2, a primeira coisa que eu fiz foi virar o mapa e confirmar nas costas: 104-2. “Ok, posso ir.” E depois de Arlon espero nunca mais pegar numa sinalética errada. Mesmo que alguém deixe uma sinalética do percurso 8 na box do percurso 9.

Manuel Dias

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