domingo, 16 de novembro de 2008

ARGENTINA: ENTREVISTA COM LORENA GISELA KLEINMANN


Lançada, há cinco séculos, a semente do nosso iberismo pelas quatro partidas do mundo, é em África e na América do Sul que encontramos maiores e mais saborosos frutos. Depois dos trabalhos sobre Moçambique e o Brasil, aqui apresentados em meses anteriores, chega agora a vez da Argentina. Hoje, estendemos o nosso olhar pela vastidão das pampas, indo ao encontro de Lorena Gisela Kleinmann e procurando conhecer um pouco mais da realidade da Orientação naquele País.

O que têm em comum figuras como o escritor Jorge Luís Borges, os políticos Che Guevara ou Eva Peron, os músicos Astor Piazzolla, Daniel Baremboim ou Martha Argerich, o futebolista Diego Maradona, os tenistas Guillermo Vilas ou David Nalbandián, a modelo Valeria Maza ou o cantor Carlos Gardel? Uma mesma pátria e bandeira, um mesmo nome: Argentina.

A República Argentina é o segundo maior país em tamanho da América do Sul, depois do Brasil, e o oitavo do mundo. Ocupa uma área de superfície continental de 2.766.889 quilómetros quadrados, entre a Cordilheira dos Andes a oeste e o Oceano Atlântico Sul a leste e sul, confinando com países como a Bolívia, o Paraguai, o Brasil, o Uruguai e o Chile. A sua capital é a cidade de Buenos Aires. O Estado argentino é uma República Federal Presidencialista e este vastíssimo país é aquele que apresenta o maior PIB per capita da América Latina e o mais elevado índice de desenvolvimento humano.

Orientação: Uma verdadeira paixão

Criada em 1996, a Federação del Deporte Orientación de la República Argentina levou três anos a estruturar-se, a criar as bases de actuação e a definir projectos de futuro consistentes e credíveis. Em 1999 teve lugar a primeira competição organizada e nela participou uma jovem de 30 anos, Lorena Gisela Kleinmann, recebendo aí o título de Campeã Nacional. Foi o começo duma verdadeira paixão, transformando-a no verdadeiro motor da promoção e divulgação da modalidade junto de colégios e clubes, entre professores de Educação Física e nas Universidades de Buenos Aires.

Licenciada em Actividade Física e Desportos da Natureza pela Universidade de Flores (onde lecciona presentemente Orientação), Presidente da ADORA – Asociación del Deporte Orientación de la Republica Argentina, Lorena Kleinmann tem o seu nome ligado a todos os momentos marcantes da história da modalidade naquele país [ver “Historial da Orientação na Argentina” em artigo separado]. O Orientovar foi ao seu encontro e, na primeira pessoa, aqui deixa as impressões de Lorena Kleinmann.

“Tivemos que fazer tudo a pulmão”

Quais as dificuldades sentidas e como avalia o crescimento da modalidade na Argentina?

Inicialmente sentimos as dificuldades inerentes ao facto de esta ser uma modalidade cuja prática se limitava aos meios militares. Felizmente isso já não acontece no momento presente. A Orientação abriu-se muitíssimo e está a ser divulgada a todos os níveis. Outra dificuldade que encontrámos tem a ver com a questão económica. Não tivemos grandes apoios para a execução dos primeiros mapas ou para a organização dos primeiros eventos, por exemplo. Tivemos que fazer tudo “a pulmão”, o que dificultou um pouco o desenvolvimento da Orientação na República Argentina.

Com que tipo de apoios contam para levar a cabo a promoção e divulgação da modalidade?

Recebemos o apoio da Universidade de Flores, da Secretaria do Desporto da Nação e da Confederação Argentina de Desportos, ao nível da tramitação de autorizações para levar a cabo os eventos. Porém, lamentavelmente, no nosso país é ainda muito difícil conseguir apoios económicos. O reflexo desta situação vê-se pela enorme quantidade de desportistas de alto rendimento, nas mais variadíssimas modalidades de difusão massiva, que deixam o país em busca de melhores condições, a fim de se aperfeiçoarem e puderem estar entre os melhores do mundo.

“Três centenas de praticantes”

Actualmente, quantos praticantes existem e que tipo de competições são promovidas?


Calculamos aproximadamente três centenas de praticantes, entre a ADORA, a UFLO – Universidade de Flores e o Círculo de Escolas. Ao nível da promoção e organização de eventos, levamos a cabo as Corridas “Dia da Família” e “Dia da Primavera” e ainda as provas escolares.

A Orientação confina-se a Buenos Aires ou há outras Províncias onde já se encontre sedimentada?

Buenos Aires acaba por ser o único sítio onde se vem praticando regularmente a modalidade. Mas já fizemos acções de divulgação em Tucuman, Neuquen, Misiones, Cordoba e Entre Rios.

Quais os grandes projectos de futuro tendentes a desenvolver a modalidade no país?

Temos programado para Dezembro de 2009 uma viagem pela América do Sul com a WWOP – World Wide Orienteering Promotion, de Peo Bengtsson, cujos anfitriões na Argentina seremos nós, tal como sucedeu em 2006. Também organizaremos, em 29 e 30 de Novembro, a etapa final do Campeonato do Mercosul de Orientação, aqui em Buenos Aires.



[saiba mais sobre a Orientação na Argentina clicando nos 'banners' acima]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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