domingo, 19 de outubro de 2008

INICIAÇÃO À ORIENTAÇÃO


Procurando concretizar um projecto pessoal, fiz o convite a dois clubes emblemáticos - um na área da Orientação, outro na do Atletismo - para uma acção de “Iniciação à Orientação”. Aceite o desafio, da conjugação de esforços e vontades de todos nasceu, em tempo ‘record’, uma actividade que, mais do que satisfazer plenamente os meus propósitos, apresentou à generalidade dos participantes o desporto da floresta.

“Corrida de Orientação”. É esta a expressão utilizada pelos franceses para definir “Orientação” e devo confessar que tenho por ela um especial apreço. Pelo seu significado, pelo que encerra de carácter prático e por juntar duas “modalidades-irmãs”. Isto deu-me a ideia de propor aos membros do Porto Runners um “alargar dos seus horizontes”, trazendo-os a conhecer a Orientação. E porquê o Porto Runners? Porque é um clube de Atletismo e não se trata dum clube qualquer, porque é constituído por atletas que correm pelo prazer de correr, porque tem uma filosofia que assenta na massificação, porque sabe desdramatizar as questões intimamente ligadas à competição e porque tem no seu seio gente que sabe estar, gente que sabe ser.

Para ministrar a acção de formação, o convite foi endereçado ao Grupo Desportivo 4 Caminhos, um clube que não me é menos querido, um clube empenhado em promover e divulgar a modalidade, um clube com provas dadas a todos os níveis e, igualmente, um clube com gente competente, conhecedora, que sabe estar, que sabe ser. De permeio, uma palavra de amizade e reconhecimento pelo apoio prestado por outro clube de gente muito grande, o Ori-Estarreja, que gentilmente cedeu o mapa do Furadouro, onde foi traçado um percurso de iniciação, com treze pontos de controlo.

A aposta não se podia ter revelado mais acertada. Foi com enorme emoção que vi reunir-se na orla da floresta, junto à Pousada da Juventude de Ovar, um alegre e entusiástico grupo de 58 formandos para uma equipa de oito formadores. Feitas as apresentações e após algumas palavras de circunstância, Fernando Costa deu início à actividade com uma abordagem teórica aos aspectos essenciais de que se reveste a Orientação. Uma plateia atenta ouviu falar de pontos, balizas, picotadores, sistema SI, mapa, percursos, cores, linhas, curvas, bússolas e tudo o mais que se oferece falar nestas ocasiões. Sem perder o norte, Fernando Costa convidou de seguida os participantes a dividirem-se em grupos e a seguirem para a floresta, cada qual com o seu monitor.


A manhã esteve preciosa e uma floresta matizada de cores irreais revelava a cada passo segredos insuspeitados. Pelo menos para quem nunca a tinha visto assim, de mapa na mão, procurando a correspondência entre traçados e cores e os respectivos elementos no terreno. A atenção aos detalhes é agora uma preocupação comum, apenas desviada momentaneamente pelo minúsculo cogumelo que cresce numa pinha caída, pela aranha de cruz que tece uma gigantesca armadilha a partir de dois troncos de pinheiro ou pelos primeiros cogumelos que rompem a areia e se abrem, ora num amarelo esmaecido, ora num vibrante e mortífero vermelho com salpicos brancos.

Manter o mapa orientado é fundamental! É esta a primeira lição, a qual todos parecem ter já apreendido e começado a valorizar. Mas a progressão entre dois pontos faz-se já a partir das opções que cada grupo define como mais adequada e a questão estratégica sobrepõe-se ao princípio de que a menor distância entre dois pontos é uma linha recta.

No final as opiniões dos participantes são unânimes em evidenciar o enorme valor e interesse da actividade. Que muitos ficaram com vontade de experimentar a modalidade um pouco mais “a sério”, não tenho dúvidas. Que no futuro vamos ter o Porto Runners a estender a sua actividade à Orientação é algo que não me surpreenderia minimamente. E que, a título pessoal, esta foi uma iniciativa seguramente estimulante e enriquecedora, julgo que se depreenderá de tudo quanto aqui deixei dito.

Comecei esta crónica falando em “projecto pessoal”. Resta, pois, esclarecer que o projecto tem a ver com a área do jornalismo e, mais propriamente, com a Revista SportLife. Ainda sem título, mas com as ideias perfeitamente combinadas para relatar aquilo que pode ser o primeiro contacto de qualquer pessoa com a Orientação, o artigo tem agora a sua componente fotográfica devidamente definida [da qual aqui deixo uma pequena amostra] e será publicado na edição de Dezembro. Eu sei que ainda estamos muito longe da data, mas talvez valha a pena reservar desde já no seu ponto de venda habitual.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

paulopt disse...

Parabens JM pela iniciativa.
Parabens a GD4C e ORIENTOVAR