terça-feira, 7 de outubro de 2008

EYOC 2008: ISABEL SÁ DÁ O PONTAPÉ DE SAÍDA


Pontapé de saída no European Youth Orienteering Championships – EYOC 2008. No momento em que a comitiva portuguesa desembarca em terras helvéticas, que melhor forma de começar as crónicas do EYOC 2008 senão com o testemunho de Isabel Sá, uma das “totalistas” portuguesas no evento. Minuciosa e precisa na descrição, sobretudo apaixonada pelo que diz e pelo que faz, Isabel Sá traz-nos as emoções de quatro anos vividos de experiência feitos, lançando de forma soberana a edição de 2008. Para ler… e meditar!


EUROPEAN YOUTH ORIENTEERING CHAMPIONSHIPS: De 2005 a 2008
por, Isabel Sá

EYOC'05 – República Checa, Sumperk

Parece que foi ontem. Andava eu no 7º ano quando cheguei à cozinha para tomar o pequeno-almoço e a minha mãe disse-me “Parabéns”. Não fazia anos, logo perguntei porquê. Contou-me ela então que, na noite anterior, o Fernando Costa tinha ligado a dizer que a Federação decidira levar, pela primeira vez, uma equipa aos Campeonatos da Europa de Jovens (EYOC - European Youth Orienteering Championships), na qual eu estava incluída. Fiquei contente, claro, mas acho que na altura não dimensionei realmente o que aquilo significava. Mas assim foi. Um conjunto de 12 jovens foi seleccionado para participar no EYOC’05.

Realizado na cidade de Sumperk (República Checa), o evento foi para mim - e penso que para a Joana e a Mariana também! -, uma experiência de integração e aprendizagem. Tínhamos somente 13 anos (ou seja, estávamos a correr com atletas que podiam ter mais 3 anos que nós), fazíamos Orientação há relativamente pouco tempo e era a nossa primeira experiência internacional. De um modo geral foram dias inesquecíveis para todos, um grupo excelente, e um convívio sem conflitos entre toda a equipa. A selecção [na foto acima] era integrada por: D16- Isabel Sá, Joana Costa, Mariana Moreira; H16- Jorge Fortunato, Diogo Miguel, Tiago Romão; D18- Catarina Ruivo, Patrícia Casalinho, Mara Azevedo; H18- Miguel Silva, Nelson Graça, Tiago Pires. Team Leaders: Bruno Nazário e Carlos Pires.

EYOC'06 – Eslovénia, Skofja Locka

Uma experiência marcada não só pela estadia mas também pela viagem. Duas carrinhas de nove lugares e 16 pessoas a viajarem de Portugal rumo ao Campeonato Europeu de Jovens de Orientação. Uma viagem de ida com paragens em Valladolid para competir e dormir, numa estação de serviço perto de Marselha para repousar cerca de 4h. A nível pessoal a Eslovénia foi uma grande semana, mas ao mesmo tempo uma grande frustração. Era o primeiro ano que tinha começado a treinar fisicamente (treino planeado pelo Tiago Aires) e investi tempo e esforço nesta competição. A sorte não deve gostar muito de mim e um mês antes ofereceu-me uma entorse no pé esquerdo enquanto jogava basquetebol numa aula de Educação Física. Quis pensar que não era nada e nos primeiros três dias continuei a treinar (cheia de dores como é claro). Foi o pior que podia fazer, piorei ainda mais a lesão e andei o último mês antes de ir para a Eslovénia não no parque a treinar, mas no massagista a tratar do pé.

Porém, o que se passou comigo, é mais que suplantado pela alegria que todos vivemos quando o Diogo Miguel ficou em 4º lugar na prova de Sprint. Pela primeira vez na história da Orientação em Portugal um atleta subiu ao pódio numa competição internacional desta importância. A viagem de regresso foi magnífica, visto que passamos uma das noites em Veneza, para mim, um lugar com um carisma inesquecível. Equipa constituída por: D-16 Isabel Sá, Joana Costa, Mariana Moreira; H16- Mário Baptista, David Sayanda, Paulo Pereira; D18- Raquel Cardoso, Catarina Ruivo, Andreia Silva; H18- Diogo Miguel, Tiago Romão, Jorge Fortunato. Team Leader e acompanhantes: Bruno Nazário, Tiago Aires e José Mário Baptista.

EYOC'07 – Hungria, Eger

Este foi diferente, foi especial, foi aquele em que trouxemos o ouro para casa. Era a primeira vez que corria oficialmente no meu escalão e competia com raparigas da mesma idade ou um ano mais velhas. Sentia-me bem, muito bem. Chegamos a fazer um treino num mapa do Ori-Estarreja, no dia anterior a irmos para a Hungria, na qual me sentia com força e confiante. Contudo a responsabilidade que depositei em mim - e penso que o esforço em excesso que fiz nos treinos, antes das competições -, fizeram com que corresse muito más provas. Demasiados erros técnicos e extremo cansaço nas pernas. Para mim as competições internacionais são aquelas em que me sinto pior, apesar de serem aquelas para as quais me preparo melhor. Depois de reflectir sobre as mesmas, tenho agora a certeza que é provocado pelo “stress” e pela responsabilidade que imponho em mim mesma. Lembro-me de, nesse mesmo ano, antes de partir para a distância clássica, o Bruno Nazário olhar para mim e dizer-me: “Estou a olhar para ti e a ver que já estás toda nervosa, assim nem aproveitas cá estar.” Nunca mais me esqueci disto, porque vejo agora que ele estava repleto de razão.

Quanto aos resultados de Portugal, este ano foi sem dúvida o melhor. Além do brilhante, histórico e memorável 1º lugar do Diogo Miguel na distância de Sprint, o Tiago Romão e a Mariana ficaram ambos no 15º lugar igualmente na prova de Sprint. A viagem de regresso ficou marcada pela preocupação daqueles que frequentavam o 9º ano e iam fazer exame nacional no dia a seguir, às 11h00 da manhã. Felizmente não houve atrasos, e apesar de ter chegado a casa somente às 4h00 da madrugada, sete horas depois já estava na sala de exame. A equipa nacional foi composta por: D-16 Isabel Sá, Joana Costa, Mariana Moreira, Margarida Colares; H16 – David Sayanda, Paulo Pereira, João Carvalho; H18 – Diogo Miguel, Tiago Romão, Jorge Fortunato, Fábio Pereira. Team Leader e acompanhante: Bruno Nazário e Jacinto Costa.


EYOC'08 - Suíça, Solothurn

Um pouco diferente por se realizar em Outubro e não nos finais de Junho e inícios de Julho como é habitual, Portugal leva ao EYOC08 uma selecção repleta de novas caras, com apenas 4 repetentes. A preparação para este Campeonato foi para mim um pouco diferente da de anos anteriores. Esta competição realiza-se geralmente no final da época pelo que o treino é aquele que foi desenvolvido ao longo da mesma, e mais umas semanas antes da mesma. Todavia, este ano, sendo a prova em Outubro, a pré-época teve que ser antecipada e os treinos diferentes. Comecei a rolar dia sim, dia não, nas duas últimas semanas de Junho com o objectivo de aguentar um mês de competições e treinos na Suécia. O mês aí passado, que já tive o prazer de relatar para este mesmo blogue, foi uma preparação técnica não só para agora mas para sempre. Serviu-nos para aprender mais, ter mais motivação e ficar ainda mais viciadas e apaixonadas pela modalidade. E foi com essa força que treinei afincadamente durante o mês de Agosto e Setembro. Senti-me como nunca, com muita força, muito concentrada nos treinos, e muito consistente.

A primeira prova da Taça, na Figueira da Foz, iria servir como uma prova de preparação. Infelizmente, na segunda-feira anterior a esta mesma competição, quando cheguei do treino, estava com muitas dores de barriga e não consegui sequer jantar. Passado cerca de uma hora vomitei e pensei que tinha sido uma paragem de digestão provocada pelo treino. Contudo, a má disposição não parou e passei a noite a acordar de hora em hora para vomitar ainda mais. Estava com uma gastroenterite. Acordei com febre, e a sentir-me fraca, sem forças. Contudo, e devido sobretudo ao novo de regime de faltas implantado pelo Ministério da Educação, fui às aulas. Cheguei à hora do almoço e não conseguia almoçar. Nesse dia e no dia seguinte só consegui comer bolachas de água sal, maçãs, água e pouco mais. Escusado dizer que perdi algum peso de um dia para o outro e força era tudo aquilo que eu não sentia. Passei os últimos dois dias da semana a tentar recompor-me, claro sem treinar, para conseguir ir à prova do fim-de-semana. Decidi na sexta - feira à noite, depois do Fernando Costa me telefonar, que ia à prova.

Saí de casa no sábado de manhã sem saber se ia correr ou não, dependendo de como me sentisse. Cheguei a zona de prova, sentia-me bem, adoro aqueles terrenos e decidi ir fazer prova. Considerei fazer OPT mas como vi que havia um ponto de espectadores, decidi arriscar e se visse que não aguentava o resto da prova, poderia muito bem abandonar a competição nesse mesmo ponto. Estava no ponto 11, penso que um ponto antes do ponto de espectadores, a prova corria-me mal e estava muito cansada, contudo a Mariana que partia 12’ atrás de mim apanhou-me e o meu bichinho competitivo fez-me lutar um pouco mais na parte final e acabar a prova. Domingo competi, estava menos calor, a distância era mais curta e por isso senti-me melhor. Segunda-feira recomecei então a treinar. Durante a semana tive alguns treinos em que me senti bastante bem, mas também tive outros em que não me sentia com muita força. Tenho noção que a doença que apanhei naquela semana me fez perder algum ritmo, mas também sei que se pensar que o que treinei desde Julho não vale agora de nada, não vou a lado nenhum.

É o meu último ano em D16 e a minha expectativa para este EYOC é fazer uma prova na qual sinta que dei tudo o que tinha, mas sem impor demasiado stress e preocupação. Quero partir relaxada e chegar segura de que deixei tudo o que tinha na floresta. Quanto à equipa, este ano como já disse é um pouco diferente, porque temos muitas caras novas. Apenas eu, a Joana, a Mariana e o David Sayanda já tivemos o prazer de participar nesta prova, portanto parece-me que este ano vai haver muitas praxes, tal como manda a tradição. Quanto a resultados, a única coisa que podemos exigir de nós próprios é dar tudo aquilo que temos, mantendo uma conduta correcta, visto que estamos a representar o nosso país. O terreno espera-se técnico e a prova muito competitiva, devido aos contactos e boas relações que existem entre a Suíça e os países nórdicos. Partimos Terça-feira do aeroporto da Portela no avião das 7h45 e aterramos Domingo, às 21.35h. A equipa é: D-16 Joana Costa, Mariana Moreira, Isabel Sá, Vera Alvarez; H-16 Gonçalo Cruz, João Mega, Rafael Miguel, João Costeira; H18- David Sayanda, André Pedralva, Manuel Horta. Team Leader e acompanhante: Bruno Nazário e Tiago Aires.

Despeço-me com a promessa de dar notícias vindas da floresta suíça.

Isabel Sá

[fotos gentilmente cedidas por Isabel Sá]
.

Não se esqueça de deixar o seu comentário de apoio aos nossos mais jovens e promissores atletas. Eles não só merecem como precisam disso!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
.

1 comentário:

maria sa disse...

Luck is not in your hands, but work is. Your work can make your luck, but luck can't do you work. Good luck!