quarta-feira, 1 de outubro de 2008

EC MTBO 2008 LITUÂNIA: TEM A PALAVRA TIAGO LOPES, SUPERVISOR IOF


Fez parte da estrutura organizativa do 3º Campeonato Europeu de Ori-BTT com a alta função de Supervisor IOF. De regresso a Portugal, Tiago Lopes fala-nos de si e do seu trabalho, estabelece um balanço do evento e fala em “valorização pessoal enorme”.

Integrado na sua formação superior, Tiago Lopes teve um primeiro contacto directo com a Orientação ao participar, em Mafra, numa acção de formação direccionada para a modalidade. Estávamos em Setembro de 2000 e, três meses mais tarde, estreava-se em provas pedestres no Campeonato Ibérico de Santo Tirso. No início da época seguinte faz o registo individual na FPO e, pouco depois, é contactado pelo NADA, clube próximo da sua terra natal. A estreia na Ori-BTT dá-se em Janas, no início da época de 2001 / 2002. Terminou essa época em 4º lugar no escalão de Elite.

Como surgiu a possibilidade de ser nomeado Supervisor IOF destes Europeus da Lituânia?

O primeiro passo - e o mais importante! -, foi ter aceite a participação num dos cursos de Supervisores da FPO, realizado em Mafra, no ano de 2004. O segundo aconteceu por acaso, na Eslováquia, numa das participações na selecção de Ori-BTT. Num dos dias do Campeonato do Mundo, estava a sair com a restante comitiva para ir visitar o centro da cidade anfitriã, quando “fomos” confrontados por um dos responsáveis da IOF, a perguntar se havia alguém interessado em participar no curso de Supervisor IOF. O único critério que apresentava era que fosse alguém que tivesse o curso nacional e alguma experiência na supervisão de provas. Do convite fui o único que aceitei participar na formação.

A primeira consequência positiva para a modalidade desta inclusão de Portugal na relação de países com Supervisores IOF de Ori-BTT foi a realização no nosso país duma primeira prova WRE no início do ano de 2006. Foi a prova que ainda detém o número recorde de atletas nacionais num evento de Ori-BTT e, sem qualquer dúvida, também no contexto mundial (mais de 500). O estrondoso sucesso do evento, observado de perto por alguns atletas estrangeiros, foi irradiado por toda a comunidade “Ori-BTT’ista” europeia e, naturalmente, chegou aos elementos da comissão da IOF.

A surpresa do desenvolvimento conseguido em Portugal foi recebido com muita satisfação por todos, tendo culminado na aceitação da candidatura de Portugal para a organização do Campeonato do Mundo, em 2010, e com um convite endereçado pela IOF à FPO para a integração de um membro português na comissão de Ori-BTT. Quanto à minha nomeação como supervisor do Europeu, surgiu de acordo com a disponibilidade dos supervisores IOF voluntários e por indicação da Comissão durante a reunião anual de Janeiro último.

Que trabalho prévio, desafios e responsabilidades é que a função acarretou?

O trabalho prévio é idêntico e com os mesmos passos daquele que é exigido aos supervisores nacionais pelo que apenas acrescentaria, como pormenor distintivo, uma maior duração dos dias de competição, alojamentos e transporte dos atletas e outros pequenos aspectos (ementas, banquete). A nomeação pecou por ter sido tardia (Jan/Fev08) não tendo sido possível acompanhar o planeamento inicial e não ter podido aprovar em completo algumas questões, por já terem sido publicadas no boletim 1 do evento. Quanto à responsabilidade do Supervisor IOF, é total. Consiste em verificar se tudo estará a ser elaborado de acordo com as regras e as linhas orientadoras da IOF para a organização dos eventos de Ori-BTT. A competição deve decorrer com o maior fair-play, verdade desportiva, justiça, para satisfazer as necessidades dos atletas, dos clubes organizadores e da IOF – divulgar a disciplina por mais pessoas em todo o mundo.


A que níveis teve necessidade de intervir e de, eventualmente, sugerir modificações ou introduzir correcções?

A experiência dos Lituanos na organização de eventos internacionais é reconhecida, consolidada e desenvolvida, fruto dos grandes campeonatos (Final da Taça do Mundo - 95 (?), Masters com mais de 3000 atletas em 2001, CISM - Campeonato do Mundo Militar em 2003). Inclusivé, desenvolveram para o Masters um software próprio para a gestão dos dados do sistema SI com diferentes valências. Conclui-se que apenas faltava à Lituânia um grande evento de Ori-BTT. Fruto das percepções recolhidas durante a minha primeira visita - que incluiu a participação no Campeonato Nacional de Ori-BTT - e depois de ter visitado em BTT todos os mapas propostos para as provas do Europeu, constatou-se haver a necessidade de insistir em dois grandes aspectos que ditariam a qualidade do evento: mapas e percursos. Mais tarde, a colocação dos pontos e a segurança foram outras preocupações.

Quanto aos mapas, convidei os cartógrafos dos mapas a acompanharem-me numa visita de BTT pelo interior da floresta, para perceberem as pequenas diferenças que há na classificação / categoria dos caminhos e carreiros. A vontade de quererem que tudo fosse elaborado com a máxima qualidade levou a que um dos cartógrafos comprasse uma bicicleta para nos acompanhar! Foi feito um trabalho muito bom na actualização dos mapas. Quanto aos percursos, foram feitas três versões, estudadas as médias e calculadas as distâncias para cumprir os tempos definidos nos regulamentos para cada distância. Os percursos foram ainda concebidos (em cerca de 90%) de forma a oferecer aos atletas várias opções entre cada ponto de controlo. Foram ainda eliminados pontos de controlo sem interesse e, de acordo com as possibilidades do mapa, foram planeadas pernadas longas.

Quanto à colocação dos pontos e segurança das unidades de leitura, foi necessário colocar elementos no terreno que tinham uma dupla função: verificar se não haviam atletas a sair fora dos caminhos/carreiros, porque o foi proibido aos atletas para este Europeu (e foram desclassificados vários) e certificar que os pontos de controlo não eram extraviados. Ainda, para certificar que todos os pontos que estavam no local correcto e as unidades SI estavam acordadas, foram constituídas varias equipas com BTT que, em sectores diferentes, assumiram essa responsabilidade antes do início da hora de partida. A segurança para os atletas consistiu em não haver pernadas de diferentes classes em sentido contrário, devido ao risco de colisão, em especial em algumas partes dos mapas, e ainda no cruzamento das principais estradas com fluxo de transito considerado, em especial no final dos percursos.


Antes do início dos Campeonatos chegou a temer algo?

Os níveis de adrenalina aumentam sempre quando se sabe que os mapas imprimidos em offset, em papel à prova de água, estão ainda na gráfica no fim-de-semana antes da prova e que o boletim 4 não está ainda imprimido para a primeira reunião dos Team Leader!

Como avalia a sua prestação?

Foi uma valorização pessoal enorme e uma prestação dedicada, sem qualquer protesto nos quatro dias de prova. O sucesso caberá aos atletas julgar.

Se pudesse voltar atrás, teria modificado ou trabalhado melhor certos aspectos?

Há sempre realidades novas que surgem no decorrer da prova que não são espectáveis, fruto da partilha de valores e experiências das diferentes culturas (20 países) dos atletas presentes. No entanto, fruto do desenvolvimento da semana competitiva, julgo que teria exigido à Organização que tivesse insistido em pedir autorização especial ao Parque Natural onde decorreu a Prova de Sprint, para que os atletas pudessem circular fora dos carreiros/caminhos excepcionalmente naquele mapa.

Do ponto de vista organizativo, que balanço faz destes 3º Campeonatos Europeus de Ori-BTT?

Foi uma aposta bem conseguida para a divulgação e o desenvolvimento sustentado da modalidade na Europa. Valoriza, dinamiza e aumenta o número de praticantes nas camadas mais jovens (juniores e juvenis), próximos campeões. O Europeu possibilita o reconhecimento das Federações organizadoras pelo poder político, proporcionando assim a impulsão interna de apoios para novos valores, futuros campeões. A evolução e as novas linhas de pensamento de cada nação são partilhadas com harmonia permitindo assim a evolução equitativa da modalidade em todas as nações. Finalmente, concilia a possibilidade de participação de atletas veteranos em mapa igual e percursos idênticos aos jovens e aos dos escalões elites, fazendo do Campeonato da Europa uma esfera de convívio social anual ou plurianual (a partir de 2009).

Saudações orientistas.


JOAQUIM MARGARIDO
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