quarta-feira, 1 de outubro de 2008

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


O número duplo da Revista de Atletismo (Setembro / Outubro) está nas bancas desde o passado dia 15 de Setembro. No seu suplemento, seis páginas são integralmente dedicadas à Orientação. Leio e releio o artigo assinado por Rui Ferreira, que relata a participação portuguesa no Campeonato do Mundo de Juniores 2008. É ele que merece a minha particular atenção, que me suscita reservas e levanta questões!

As duas páginas cativam a atenção pela beleza das imagens, pelo excelente trabalho de composição gráfica, pelas tabelas classificativas, pelo sorriso do Tiago Romão no final da Estafeta, pela concentração da Andreia Silva instantes antes da partida para a Longa, pelo final em esforço do Diogo Miguel, pelo belo quadro dos nossos atletas ostentando a bandeira nacional. O artigo, desenvolvido por Rui Ferreira, chefe da delegação portuguesa em Gotemburgo, intitula-se “Excelente Nível” e nele percebemos o porquê da excelência, ante adversários de tanta valia, trilhando terrenos particularmente “hostis”.

Tudo não passaria de mera rotina articulista, não fora Rui Ferreira introduzir, na parte final do artigo, um juízo valorativo que foge ao convencional. O que me chamou à atenção foi mesmo esse apontamento que fecha a Reportagem e que, na sua essência, me merece sérias reservas e me coloca uma série de questões, que não hesito em partilhar, aqui e agora. Senão, vejamos…

A causa da “coisa”

Depois da apresentação detalhada dos resultados dos nossos representantes, Rui Ferreira “muda de agulha” e introduz, num registo completamente diferente, aquilo a que eu chamaria de “artigo de opinião”. Diz ele: “Sendo este o 5º ano de participação nacional neste campeonato de juniores, os resultados evidenciados no quadro demonstram uma melhoria, não muito significativa é certo, mas que nos leva a encarar o futuro como muito promissor face à nossa realidade. Teremos que continuar o trabalho de desenvolvimento da modalidade no sentido de tornar os diferentes campeonatos nacionais mais competitivos, perspectivando assim um desenvolvimento efectivo ao nível dos resultados.” Penso que isto é pacífico e ninguém poderá estar mais de acordo. Porém…

“Neste sentido”, prossegue Rui Ferreira, “os resultados alcançados traduzem o real nível de desenvolvimento que a modalidade atravessa no nosso país, não se verificando qualquer situação artificial na tentativa da sua melhoria. Numa análise mais profunda verifico que uma melhor prestação apenas pode ser perspectivada segundo uma gestão de recursos mais ambiciosa que acarreta, em minha opinião, mais desvantagens do que vantagens para a Orientação Portuguesa. Não obstante o carácter positivo que representa uma melhoria significativa do resultado, o seu alcance baseado numa situação artificial encerra algumas desvantagens do foro logístico, desportivo e humano, respectivamente, um desequilíbrio no esforço financeiro em conjunto com as demais acções da FPO, uma tradução errática do efectivo desenvolvimento da modalidade e uma desresponsabilização face ao futuro académico, e por conseguinte profissional, dos nossos jovens. Estou certo que estes não merecem um tratamento irresponsável por parte daqueles que têm como objectivo a sua ‘orientação’ desportiva.” Ora, todo este parágrafo, meus amigos, dá mesmo muito que pensar!

Condenados à “menoridade”?

Rui Ferreira é membro da Comissão Técnica para as Selecções, Licenciado e Mestre em Educação Física e Desporto. É uma pessoa altamente credenciada, com uma vasta experiência na modalidade e com enormes conhecimentos no campo da psicopedagogia. Esta reflexão mostra, ainda, que é um homem sincero, que não se coíbe em expor as suas dúvidas e questões publicamente, mesmo que sejam merecedoras, em primeira instância, de debate interno (e, honestamente, espero que o tenham sido).

Numa análise superficial, confesso que as suas palavras provocam em mim um misto de compreensão e simpatia. A forma como exprime preocupação e carinho para com estes cinco jovens que acompanhou à Suécia é quase uma manifestação de “amor paternal”. A sua avaliação dos custos e benefícios da prática intensiva e ao mais alto nível da modalidade, pesando as consequências em jovens com percursos académicos brilhantes e com excelentes perspectivas de se virem a tornar profissionais competentes e cidadãos exemplares, leva-o a falar em “desvantagens do foro logístico, desportivo e humano”. Recuso-me a acreditar que Rui Ferreira esteja a sugerir que o melhor é ficarmos por aqui e que o que for além disto são meros artificialismos com consequências nefastas. Esta demonstração de conformismo, este encolher de ombros, esta aceitação fatalista do lugar que ocupamos – e que não é, seguramente, de “excelente nível” , como o próprio refere -, deve esconder algo que, muito sinceramente, me ultrapassa.

Caucionar a menoridade

Se atentarmos na qualidade dos nossos atletas mais jovens, verificamos que eles não são, de modo nenhum, inferiores a todos os outros. A gesta heróica dos Descobrimentos marítimos deixou no nosso património genético – disso ninguém duvide! - não apenas essa capacidade inata de navegarmos com firmezas e certezas, mas também essa força interior que nos leva a assumir o risco, conscientes de que só assim alcançaremos os nossos objectivos.

Não acredito que a visão de Rui Ferreira se situe precisamente nos antípodas do que fomos, do que somos. Aquilo a que designa por “tradução errática do efectivo desenvolvimento da modalidade”, só pode ser um equívoco. Rui Ferreira não pode, desta forma simplista, caucionar a menoridade, demonstrando uma incompreensível ausência de ambição e condicionando ou limitando aqueles que, objectivamente, aspiram a chegar mais longe.

O que faz falta?

Pergunte-se a um Tiago Romão, a um Diogo Miguel, a uma Maria Sá, a um Jorge Fortunato o que faz falta. Qualquer um deles referirá que o cerne da questão está na ausência de contacto assíduo com outras e mais avançadas realidades. Por isso o Tiago intervalou as suas participações internacionais com campos de treino na Suécia; por isso a Joana Costa, a Mariana Moreira ou a Isabel Sá rumaram igualmente à Suécia, os nossos jovens do Gafanhori andaram por Espanha e França, a Maria Sá, ao abrigo do programa Erasmus, estuda e treina na Polónia, e por aí fora. É legítimo que todos eles trabalhem para melhorar as suas performances. Mas todos eles sabem que a sua evolução técnica passa por uma oferta qualificada, a qual não encontram em Portugal.

Ir à procura disso mesmo, fora do nosso país, é uma solução. Não me parece, todavia, a única, nem sequer a mais adequada e, inclusive, a mais rentável do ponto de vista financeiro. O grande vector estratégico de evolução qualitativa da Orientação portuguesa passará, numa óptica realista, pela vinda dum técnico estrangeiro para Portugal. Alguém profundamente conhecedor da modalidade, que acompanhe e faça evoluir os nossos jovens, que trabalhe na captação, que ministre acções de formação, que observe os atletas em prova. Exemplos destes são dados por muitas federações nacionais. A própria Federação britânica acaba de concluir que a evolução da Orientação naquele país passa por isso mesmo. A recente conquista da medalha de ouro na Estafeta dos Campeonatos do Mundo não os deixou satisfeitos. “More people, more places, more podiums” é o objectivo. E isto não tem nada de “artificial”.

Aproveitar as oportunidades


É tempo de actuar. Vivemos numa modalidade em que todos conhecem todos, mas em que poucos são capazes de dizer directamente o que acham justo. Temos um EYOC em 2010, em Espanha, com a melhor geração de atletas que alguma vez tivemos em Portugal nos últimos anos de H/D18 e H/D16, em terrenos onde facilmente poderíamos organizar estágios e fazer um planeamento a sério. No JWOC do próximo ano, em Itália, apresentaremos outra das gerações mais fantásticas que temos, mas que continua a não ter o acompanhamento adequado. E digo isto sem qualquer menosprezo pelos técnicos portugueses, com Bruno Nazário, Tiago Aires e o próprio Rui Ferreira à cabeça. Mas julgo qu é chegada a altura de fazer alguma coisa para que não se percam estas – e outras – oportunidades.

Concluo, sublinhando que, apesar de legítima, a posição de Rui Ferreira me parece igualmente desenquadrada dos propósitos da própria FPO. Basta atentar no apoio prestado aos nossos jovens de há seis anos a esta parte, esforço esse extensivo à Ori-BTT neste último ano, para se perceber isso mesmo. Rui Ferreira tem todo o direito de opinar. Mas parece-me profundamente injusto fazê-lo desta forma, estando irrevogavelmente a condicionar ou a cercear as aspirações dos nossos mais brilhantes valores. O alto cargo que ocupa exige, acima de tudo, ponderação. Gostaria de o ver a apontar caminhos e soluções para a sua valorização, em vez de pôr em causa condições que poderão garantir a sua natural evolução, conduzindo-os a patamares competitivos superiores. Fazendo-o, está a contribuir para o estabelecimento dum inaceitável clima de desresponsabilização. Não é admissível que uma participação internacional seja “apenas” o corolário lógico dum bom resultado a nível interno. Exige investimento, representa uma oportunidade, requer rigor na avaliação. E implica continuidade, não pode quedar-se por ali. Caso contrário, como diria alguém, “para a próxima será melhor ficar em casa…”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

NOTA: Esta leitura dos factos merecerá naturais reacções. Está aberto neste blogue um espaço de debate, o qual se pretende abrangente e participativo. Apelo, pois, a que deixe aqui o seu comentário. Caso assim o pretenda, poderá também deixar a sua opinião expressa de forma sucinta, votando na sondagem aberta na barra lateral direita. Em nome do desenvolvimento da modalidade, participe!
.

9 comentários:

Bruno Oliveira disse...

Olá, neste meu regresso mais activo à modalidade, e como leitor assiduo do seu blog, posso dizer que concordo a 100% com a sua análise. Quero só corrigir que já se vai aos JWOC´s desde pelo menos 1996 (eu fui em 97 e 98), e nessa altura a orientação estava em franco crescimento em Portugal, e apostava-se nos jovens, haviam estágios pelo menos 4 vezes por ano fora as provas internacionais. Não havia grande conhecimento técnico, mas existia um grande esforço pela parte da FPO. Estes jovens (alguns que eu ensinei a fazer orientação) foram para o JWOC sem um plano ou estágio, saiu-lhes tudo do corpo, muitas vezes "prejudicando" a sua vida profissional/escolar. Mas a conversa vai longa...
Obrigado
p.s.: o ori-estarreja proporciona o acompanhamento em falta aos seus atletas de topo ( http://www.ori-estarreja.com/goe/ )

tiago romao disse...

Olá a todos!
Como sabem eu estive no último JWOC na Suécia e sei bem do que se fala aqui.
Sei que este assunto é bastante polémico, contudo não tenho qualquer problema em dizer publicamente que na minha opinião o Rui Ferreira não é a pessoa indicada para acompanhar uma selecção de Juniores.
Ainda antes de saírem as convocatórias do último JWOC, os Juniores com possibilidades de fazerem parte da equipa tentaram que o técnico responsável pela delegação no JWOC fosse o Bruno Nazário. Porque terá sido?
Agora fala-se por parte da Federação de que o Rui é um excelente técnico e que cumpriu tudo como previsto sem derrapes orçamentais. Ora aí está o mais importante para a federação. Derrapes orçamentais. Como poderiam existir, visto que chegamos lá no dia anterior à prova, voltamos no dia seguinte e lá dormia-mos no pior alojamento de todos, camaratas da tropa!
Durante este JWOC senti-me triste e desapoiado. Depois de uma prova em que tinha possibilidades de atingir uma final, o meu técnico nem me deixava falar nesse assunto, pois segundo ele era anti-pedagógico e todos os nossos objectivos estavam cumpridos. Na prova de distância longa, eu que fui o último dos portugueses via os atletas estrangeiros a receberem apoio e conselhos dos seus treinadores e eu? Eu estava lá sozinho...
Quando chego da prova de distância longa recebo a notícia de que a equipa das estafetas já estava decidida e que eu ia em primeiro. Eu nunca tinha partido em primeiro numa estafeta, não foi nessa posição que me habituei... Mas o treinador decidiu isto sem consultar nenhum atleta.
Penso que todos estes pontos são graves, e eu como para o ano tenho possibilidades de ir ao JWOC em Itália fico com algum receio.
Queria ir lá antes para poder treinar naqueles terrenos, mas estou a ver que se o quiser fazer terá de ser do meu próprio bolso como fiz o ano passado...
Espero que esta nova reforma na Federação traga algo de novo à CTS...
Foi fácil para o Joaquim Margarido fazer esta associação de factos, eu posso dizer que existem muitos mais que não foram relatados, mas também não os vou relatar pois já entra no campo pessoal dos intervenientes no passado JWOC.
Com todos estes comentários e factos verídicos, penso que existe uma pessoa que deixa de ter condições para ocupar o cargo que tem ocupado até então.

Cumprimentos
Tiago Romão

Fernando Costa disse...

Cumprimentos para todos

Como devem entender este assunto é muito delicado.
Penso que as palavras aqui deixadas podem ir ao encontro das ideias de muitos orientistas nacionais.

Quando o Bruno foi ao JWOC, praticamente ninguém treinava!
A realidade actual é completamente diferente.
Temos uma geração de Jovens que são já uma certeza, que obriga a que sejam criados objectivos concretos que os motivem a continuar a treinar ao mais alto nível.
È preciso saber o que queremos, qual a forma de o conseguir e com quem meios.
Numa altura, que se denota uma preocupação muito grande dos clubes, sobre esta matéria, que tentam criar condições para aumentar os contactos Internacionais dos seus atletas, penso que deve haver uma atitude mais concertada por forma a englobar aqueles que realmente tem as condições de progredir mas num projecto de âmbito nacional em detrimento de actos desgarrados que poderão não conseguir os objectivos desejados.
Se repararmos nos nossos vizinhos espanhóis, verifica-se que fazem um trabalho excelente a nível de selecção.
Não tendo sequer a veleidade de querer esbanjar aquilo que muito custou a conquistar, mas sim aproveitar as mais valias dos nossos clubes, dos excelentes campos de treino existentes, e dos seus técnicos. Desta forma, poderemos se todos se unirem, criar internamente ao longo do ano, um sistema rotativo de estágios/treinos.
Os clubes poderiam ser recompensados pelo seu trabalho em prol do desenvolvimento da modalidade e para a FPO seria uma forma eficaz de rentabilizar os meios existentes.
Para ser dado um salto qualitativo, a contratação de um técnico estrangeiro experiente seria muito importante para fortalecer a CTS (a exemplo da Espanha o técnico poderia trabalhar por períodos durante o ano).
Claro, que o ideal seria complementar os estágios em Portugal com estágios nos países onde se realizam os Campeonatos. Todos os intervenientes na modalidade sabem destas necessidades, por isso é importante avaliar as capacidades que a FPO tem no momento para levar por diante estes objectivos.
Penso, que as palavras do Rui, poderão perspectivar um futuro baseado em condições muito difíceis que ele sempre enfrentou no passado, mas que actualmente melhoraram consideravelmente.
Todos temos que ter a consciência que esta tarefa também é nossa, e que os contributos de todos os clubes serão válidos para melhorar o actual estado das coisas.
Cumprimentos
Fernando Costa

Paulo Franco disse...

Confesso que me deu um nó nos estômago ao ler o excerto da Revista Atletismo sobre o JWOC.

Sejamos pequenos, mas por favor, não pensemos em miniatura! Infelizmente o portuga tem muito este hábito!

Margarido, obrigado por levantares um tema realmente relevante!

"O grande vector estratégico de evolução qualitativa da Orientação portuguesa passará, numa óptica realista, pela vinda dum técnico estrangeiro para Portugal. Alguém profundamente conhecedor da modalidade, que acompanhe e faça evoluir os nossos jovens, que trabalhe na captação, que ministre acções de formação, que observe os atletas em prova"

Nos meus tempos de Juvenil e Júnior, quando havia o grupo da selecção nacional e estágios tive oportunidade de aprender muito com um grande senhor da orientação mundial. O russo Alexander Shirinian. Infelizmente sinto que não soubemos aproveitar ao máximo esta excelente oportunidade (eu por exemplo quase nem sabia o que era um plano de treinos) e a FPO atravessou na altura uma crise financeira e teve de dispensar o Alexander.

Concordo que temos agora nova oportunidade para reatar esta estratégia. É hora de traçarmos um planos de desenvolvimento da nossa Orientação, sobretudo através do desenvolvimento da nossa Federação. Que seja um técnico estrangeiro, que seja um grupo de selecção. É imperial um plano de desenvolvimento interno, um projecto! Desafio a quem de responsabilidade tem e disponho-me ajudar no que puder!

PS: como solicitado no forum (post 2107)continuo a aguardar o resultados dos testes físicos dos nossos atletas seniores, ou será que não temos direito a sabê-lo?

TIXA disse...

olá a todos,
Acho este tema muito pertinente, e que já deveria ter sido lançado á mais tempo.
Em finais de 2004 federei-me no COC e nessa época havia ao dispor dos atletas que tinham boas prestações a vantagem de pertencer ao GAPPE, criado pela CTS. Pertencendo ao GAPPE tinha-se direito de ir a dois estágios por ano, um nas férias escolares do Natal e outro nas da Páscoa. Tanto num estágio como no outro faziam-se treinos técnicos específicos e também os implementados Testes Fisícos (os mínimos em pista).
Estes estágios do GAPPE terminaram no final dessa mesma época (2004-2005), desde aí todos os atletas ficaram á sua completa merece relativamente a Estágios por parte da FPO.
No entanto no ano seguinte através da criação do ORIJOVEM foi possível aos jovens (até juvenis +/-) dipor de um estágio por uma quantia simbólica, o que é de louvar. Este estágio foi apoiado pela FPO.
Por outro lado os JUNIORES e os SENIORES ficaram sem qualquer apoio por parte da FPO em termos de estágios, será que a federação não poderia dispor de algum dinheiro para pagar a um técnico, mesmo português, pois temos bons técnicos cá também, para fazer vários estágios num ano?? Pois se derem a possibilidade de os atletas pagarem um quantia baixa eles estarão presentes, tal como aconteceu com os 3 estágios organizados pelo NAZÁRIO no Verão (ori-estarreja), que obtiveram boas inscrições.
Espero que para os próximos anos as coisas melhorem nesse aspecto.
Beijos
Patrícia Casalinho

Joaquim Margarido disse...

[comentário publicado com a devida autorização de Augusto Almeida, Presidente da FPO]

Vivam,
Tentei escrever no blog mas não deixou porque não sou "cliente" (como sabem retirei-me dessas coisas há uns anos).

O actual mandato termina a 8 de Novembro.
Os espiritos mais insatisfeitos ou com ideias mais inovadoras ainda têm mais de 1 mês para se disponibilizarem a conduzirem um projecto.
A posição da actual direcção está claramente definida desde o dia 6 de Maio de 2002. Existiu e ainda existe uma estratégia de desenvolvimento integrado e sustentável que é para cumprir. Depois do dia 8 de Novembro, decide quem tiver competência e poder para o fazer e por isso o acto eleitoral está definido há 6 meses!
Talvez seja do desconhecimento geral que neste momento assumem prioridade e ocupam todo o tempo: a preparação do Plano e Orçamento para 2009, a elaboração dos Relatórios de todas as Acções de Formação realizadas, a preparação das Candidaturas aos programas do IDP, e a preparação do Contrato para a organização do MTBOC'10. Todas e cada uma são tarefas imensas que precisam de estar prontas em poucos dias.
Quanto à questão propriamente dita e como diz o nosso povo: "cada cabeça, sua sentença". A FPO recebe pouco mais de 100.000€ do IDP... destes cerca de 20.000€ são para as selecções (onde se investem só nas participações 40.000€)....as formas de o gastar são infinitas... Até acredito que existam defensores do seu total investimento nas selecções.

** Um conselho aos menos experientes na vida: não pisem quem generosa e benevolamente trabalha para vos proporcionar algo, porque em breve ninguém vos vai querer aturar!

Abraço
Augusto Almeida

David Sayanda disse...

Olá
Faço desde já do comentário do Tiago Romão o meu comentário!
Eu vejo as outras selecções a ter estágios, a ter acompanhamento individual dos técnicos da selecção, a participar regularmente em provas no estrangeiro como selecção, têm objectivos a curto e longo prazo, têm uma estratégia!
E nós?! Porque não temos esse apoio também? Será que valemos menos?
Eu penso que precisamos de um técnico que nos apoie, nos diga o que é melhor para nós, que ajude a planificar a época, que nos ensine o que não sabemos...
Será que devo ter vergonha de dizer que só aprendi a alongar este verão?!Ao fim de 3 anos de treinos?!
Estou na selecção à 3 épocas, e de quem é que recebo apoio?
Do meu Clube!Do meu treinador que me treinou desde o inicio, escusado será dizer que ele não tem nada a haver com a federação...
Nunca tive um técnico da selecção preocupado se eu precisava de algo...
Não estou aqui a querer fomentar discussão, esotu só a apurar factos...

Cumprimentos
David Sayanda

jorge disse...

Ola,
Antes de mais os meus parabéns pelo excelente comentário intitulado "Duas ou três coisas que eu sei dela".
Aqui vai um pequeno comentário, com autorização de publicação no seu blog.

O assunto não foi falado depois do jwoc por parte de nenhum atleta, mas bastou bastou juntar a+b para uma pessoa que não esteve presente chegar às conclusões a que chegou.
Quanto a mim a FPO e concretamente a CTS fazem o trabalho que lhes compete fazer, mas, como afirma Tiago Romão, sempre dentro dos limites orçamentais impostos. E esta pressão orçamental leva a que por vezes sejam esquecidas questões de acompanhamento dos atletas, seja ele técnico ou até mesmo psicológico. E isto é muito importante.
E os membros da CTS sabem-no: "uma melhor prestação apenas pode ser perspectivada segundo uma gestão de recursos mais ambiciosa", mas alguns deles, como é o caso do Rui Ferreira criticam esta ambição argumentando que esta é uma "desresponsabilização face ao futuro académico, e por conseguinte profissional, dos nossos jovens". Ora quanto a mim isto é patético e basta ollhar para a situação curricular de alguns dos nossos atletas da selecção, para tirar as devidas conclusões.
Mas o apoio nunca é de mais e, por isso, a minha opinião é de que no futuro uma relação técnico-atleta mais próxima, no caso dos atletas jovens seria benéfica.

Antes sequer de alguns colegas referirem a ausência de ambição demonstrada por parte do nosso técnico no Jwoc, o próprio Joaquim Margarido escrevera "demonstrando uma incompreensível ausência de ambição e condicionando ou limitando aqueles que, objectivamente, aspiram a chegar mais longe". E isto observa-se no geral nos membros da FPO.
Citando, por exemplo, a convocatória para a Taça dos Países Latinos onde se comprova este facto. O apuramento é feito através dos resultados da final A do campeonato nacional absoluto (Masculinos: 1º Tiago Romão; 2º Jorge Fortunato; 3º Tiago Aires / Femininos: 1º Raquel Costa; 2º Maria Sá; 3º Mariana Moreira; 4º Joana Costa; 5º Ana Coradinho; 6º Catarina Ruivo). O que se constata é que foram convocados os atletas Tiago Romão e Tiago Aires em Juniores e seniores masculinos, respectivamente, e Raquel Costa, Mariana Moreira e Catarina Ruivo em Seniores, juvenis e juniores femininos, respectivamente, deixando de fora alguns atletas que, segundo os resultados seriam apurados, mas que por competirem no escalão abaixo daquele para o qual se apuraram nao foram seleccionados.
Situações destas "deitam abaixo" atletas que se esforçaram para conseguir tal apuramento e trazem inevitavelmente problemas de motivação para o futuro.

O meu comentário não vem no sentido de "pisar quem generosa e benevolamente trabalha para nos proporcionar algo", mas sim para que no futuro e com as mudanças na FPO estas questões sejam discutidas no sentido de melhorarmos as condições da nossa selecção e por conseguinte a sua qualidade!!!
Está a ser discutida a contratação de um técnico estrangeiro. Quanto a mim o mais importante é que haja um projecto. Seja o técnico estrangeiro ou português é preciso é que ele seja conhecedor e que saiba lidar com atletas (difíceis) que são os portugueses!! e que têm momentos altos e baixos, mas que quer numa situação, quer noutra necessitam de apoio.

Os meus parabéns a todos os juniores que estiveram no jwoc que enfrentaram da melhor forma as dificuldades encontradas e que, como todos sabemos, deram o seu melhor!

Cumprimentos a todos,
Jorge Fortunato

Diogo Miguel disse...

Olá
Também eu estive presente no passado JWOC. Também penso ser importante referir que tanto eu como os juniores que já cá deixaram a sua opinião representámos a selecção em outras ocasiões como o EYOC.

A minha opinião é que, embora tenhamos as nossas limitações, nós, atletas, trabalhamos no sentido de melhorar e estar cada vez mais próximos dos melhores. A verdade é que, e falo por mim, a nossa maior motivação é a nossa ambição. Assim sendo, não me parece correcta a falta de ambição por parte do técnico Rui Ferreira, assim como me parece incorrecto ver a participação no estrangeiro como um prémio pelas prestações internas. Deste modo, ele não faz mais do que nos "cortar as asas". Faz parte do papel do técnico, seja ele de que modalidade for, estimular o atleta. Esta estimulação é imprescindível para que se observem progressos e se o técnico não tem a ambição necessária não consegue fazer o seu papel.

Como já referi, já participei em 3 EYOC's, por isso posso falar da evolução que notei. Na primeira representação, cheguei lá, olhei para os outros atletas e pensei: vou levar uma sova, não tenho qualquer hipótese. É nestas alturas que se sente a importância de um técnico. E no meu caso tive a sorte de ter sido acompanhado pelo Bruno Nazário. O que é certo é que nas participações seguintes consegui ter desempenhos positivos.

O que, a meu ver, é importante é a FPO ter um projecto que dê às selecções a importância que elas merecem. Fala-se em contratar um técnico estrangeiro. Na minha óptica, mais importante do que ter um técnico estrangeiro é ter um técnico a tempo inteiro, um técnico que conheça os atletas, que se preocupe com eles, que os estimule, que lhes dê o apoio TÉCNICO e PSICOLÓGICO que eles merecem.

Além deste aspecto, para rentabilizar as prestações dos atletas é necessário pensar nos ATLETAS ao preparar as participações nas competições internacionais e não apenas no orçamento. Chegar no dia anterior à competição e correr em terrenos novos pela primeira vez na prova não possibilita a obtenção de resultados satisfatórios.

Cumprimentos,
Diogo Miguel

P.S.- partem amanhã, pelas 7:30, rumo à Suíça, os atletas que vão representar PORTUGAL no EYOC 2008. Espero e desejo que eles façam o melhor que podem e sabem e que um eventual resultado de relevo (e não se admirem se isso acontecer porque temos bons valores) seja visto como um estímulo para a FPO se consciencializar que os atletas têm valor e os devem apoiarem mais.