domingo, 5 de outubro de 2008

ANNE MARGRETHE HAUSKEN: A ATLETA E A PESSOA


Culminando uma época a todos os títulos excepcional, a norueguesa Anne Margrethe Hausken venceu hoje a PostFinance Sprint, 13ª e última etapa da Taça do Mundo 2008, impondo-se no Irchelpark de Zurique (Suiça) às suas rivais. Campeã do Mundo de Sprint, Campeã Europeia de Sprint e de Distância Longa e vencedora da Taça do Mundo 2008, Hausken dá-se a conhecer um pouco melhor através da excelente entrevista conduzida por Lucie Babel, publicada no passado dia 27 de Setembro na Ultimate Orienteering e que aqui se recupera.

Ultimate Orienteering (U.O.) - Antes mesmo de se disputarem as duas últimas etapas da Taça do Mundo, a vencedora já é conhecida e chama-se Anne Margrethe Hausken. Este é, à primeira vista, o reflexo de uma época fantástica. Conseguiu alcançar todos os seus objectivos?


Anne Margrethe Hausken (A.M.H.) - Muito obrigado! A minha preparação ao longo do ano foi isenta de problemas e, na verdade, pensei durante o Inverno passado que seria possível ter um desempenho melhor do que em anos anteriores. Antes do início da temporada confessei a alguns jornalistas que sonhava em alcançar uma medalha de ouro nos Campeonatos do Mundo. Apesar de não ter traçado metas particulares para os Mundiais ou para os Europeus, segui aquilo que o meu pedagogo desportivo costuma dizer: "Faz sempre bem e acabarás por fazer melhor ainda nos momentos realmente importantes...”

U.O. - Com que motivação vai estar presente na final da Taça do Mundo?

A.M.H. - Após as corridas da Taça do Mundo na Suécia tive algumas semanas com variações na minha energia e motivação. De qualquer forma, depois de algum tempo, comecei a ver nas competições deste Outono um começo antecipado da época de 2009 - algo com o qual deveria aprender a lidar. Agora estou realmente ansiosa por competir novamente no exterior, e vou procurando preparar-me mentalmente no sentido de alcançar um bom desempenho. Além disso, a Suíça traz-me as recordações fantásticas do Campeonato do Mundo WOC 2003, bem como o bom ambiente durante a Fase Final do Campeonato do Mundo do ano passado.

U.O. - Quais são os seus objectivos para os próximos dois anos, inclusive no aspecto profissional?

A.M.H. – Adorei o último fim-de-semana em Trondheim, com a nossa equipa nacional, a propósito do "WOC 2010 Kick-Off". Lembro-me de ter sido uma entusiástica espectadora quando a Noruega organizou o WOC em 1997 - e suponho que seria muito bom lutar pelas medalhas a jogar em casa, em 2010. Espero poder desfrutar por mais alguns anos da Orientação de elite e gostaria de trabalhar arduamente para melhorar ainda mais os meus desempenhos. O que acho fascinante na Orientação é o facto de não existir a corrida perfeita; contudo, gostaria de chegar o mais perto dela possível. Espero, também, conseguir elevar o meu nível médio de desempenho. Para além da Orientação, vou despendendo algum do meu tempo a trabalhar no meu doutoramento, o qual, provavelmente, concluirei no próximo ano.

U.O. - Você foi o primeiro representante de uma modalidade não-olímpica nomeada para a “Comissão de Atletas” da Noruega. Além disso, é também embaixadora da organização humanitária internacional “Right to Play”. Pode explicar-nos em que consistem ambas as funções?

A.M.H. – A “Comissão de Atletas” norueguesa é composta por atletas representando desportos de Verão e de Inverno, quer desportos de conjunto ou individuais - e agora também os desportos olímpicos e não olímpicos. Integrei a comissão em 2005 e tenho sido a Presidente desde 2006. As nossas áreas de trabalho são, por exemplo, a articulação com a Organização Anti-Doping, a WADA e a Olympiatoppen. Na qualidade de Presidente tenho variados contactos com os “media” e a função pode encerrar grandes desafios. Quanto à “Right to Play” é uma organização humanitária que usa o desporto e desenvolve programas que visem melhorar a saúde e desenvolver as condições de vida das crianças nalgumas das zonas mais desfavorecidas do mundo. Eu sou apenas um dos 70 atletas noruegueses nomeados embaixadores. A última coisa que fiz para a “Right to Play” foi doar uma obra que foi vendido em leilão. Tenho uma profunda admiração por todos os voluntários que trabalham para a “Right to Play” - eles fazem um trabalho excelente. De tempos em tempos alguns atletas embaixadores também viajam, adquirindo uma pequena visão de novos projectos, embora ainda não o tenha feito pessoalmente.


[para aceder à entrevista original basta clicar no "banner" acima]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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