terça-feira, 21 de outubro de 2008

3º ORI-ALENTEJO: SOB O SIGNO DO GAFANHORI


Arrancou no passado domingo em Mitra – Valverde e vai terminar no dia 25 de Julho em Erra – Coruche. É o terceiro ano de vida dum projecto que toma o nome de Ori-Alentejo, alargando o raio de acção geográfica, implicando mais clubes, movimentando mais atletas, apostando na promoção da modalidade. Numa palavra: Crescendo!

Valverde é uma pequena aldeia carregada de história. A região conheceu a ocupação humana desde tempos remotos, existindo na zona diversos legados megalíticos. Dentre estes destaca-se a Anta Grande do Zambujeiro, classificada como Monumento Nacional, e que constitui a maior anta de toda a Península Ibérica e uma das maiores da Europa. Mais tarde, durante o período de ocupação romana, por ali se fez passar a Via XII, ligando Lisboa (Olisipo) a Mérida (Emérita), sendo ainda possível observar, na Herdade da Mitra, um dos muitos marcos miliários que assinalavam o caminho.

Crescimento em pleno

Foi precisamente nesta belíssima parcela da vasta planície alentejana que o projecto Ori-Évora centrou as atenções no passado domingo, não ao encontro da História mas continuando a fazer história na Orientação. Lançado em 2006, o projecto Ori-Évora constituiu-se desde logo como um pólo aglutinador de interesses e vontades, implicando as autarquias e as forças-vivas do Distrito de Évora, dinamizando a modalidade, atraindo a curiosidade de muitos e criando mais-valias através de novos mapas e de múltiplas organizações. Quebrar barreiras e saltar fronteiras é a grande aposta para a época de 2008 / 2009, implicando desde logo uma alteração da designação original, passando a definir-se como Troféu Ori-Alentejo. Mas também na própria estrutura organizativa, que vê o COAC – Coruche Outdoor Adventure Club e o Clube da Natureza de Alvito aliarem-se aos dois clubes fundadores do projecto, ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas (Delegação de Évora) e GAFANHORI – Clube de Orientação da Gafanhoeira (Arraiolos).

Primeira de 13 etapas, a prova de Mitra – Valverde, juntou 117 participantes, distribuídos por seis escalões - nas vertentes fácil, médio e difícil, masculino e feminino – e ainda seis participantes no escalão de iniciação. O evento decorreu no mapa com o mesmo nome, à escala de 1:7.500 (iniciação) e 1:10.000 (restantes escalões), com equidistância de 5 metros. As partidas tiveram lugar junto ao pólo da Universidade de Évora, e os participantes foram desafiados por um típico terreno de montado Alentejano com inúmeros detalhes rochosos e de relevo, exigindo uma conjugação perfeita entre os aspectos técnicos e físicos.

Gafanhori vence em todos os escalões

No que respeita aos resultados finais, verificou-se um domínio esmagador do Gafanhori, arrebatando o primeiro lugar em todos os escalões. Recentemente chegado da edição de 2008 do EYOC, Manuel Horta (Gafanhori) levou de vencida toda a concorrência no escalão Díficil Masculino, numa demonstração clara da sua afirmação como uma certeza da Orientação nacional. Saliente-se ainda a presença de António Aires (Gafanhori) e Manuel Dias (Lisboa OK) nos restantes lugares do pódio. Com escassa participação nas duas anteriores edições deste troféu, o escalão Difícil Feminino conta esta época com a presença assídua dos resultados do trabalho desenvolvido em S. Pedro da Gafanhoeira, pertencendo neste domingo a vitória à favorita Ana Coradinho (Gafanhori),seguida das suas colegas de equipa Lena Coradinho e Inês Pinto.

Emoções ao rubro no escalão Médio Masculino, com Nuno Carvalho (CIMO) a perder o lugar mais alto no pódio para Gregório Piteira (Gafanhori ) por apenas dois segundos. Aguardado com expectativa era também o resultado da emotiva luta entre Rita Rodrigues e Ana Salgado, o que já se vai tornando um hábito desde o início da época. Inscritas no escalão Médio Feminino, as atletas travaram de novo um excelente duelo, cabendo a vitória final a Rita Rodrigues. Destaque ainda para as vitórias de João Cascalho e Inês Catalão, ambos do Gafanhori, nas vertentes Masculina e Feminina do escalão Fácil.

“No rumo certo”

A par de Tiago Aires (Gafanhori), Jacinto Eleutério (ADFA) e Joaquim Patrício (CN Alvito), Hugo Borda d’Água (COAC) é um dos Directores do Projecto e foi ele o nosso interlocutor a propósito desta etapa primeira do 3º Troféu Ori-Alentejo. Começando por valorizar o trabalho organizativo, “bem patente no minucioso cuidado em evitar que as vedações existentes no terreno se tornassem um obstáculo para a progressão dos atletas”, Hugo Borda d’Água realça a importância da designação “Desporto para Todos” atribuída à Orientação: “Sem sombra de dúvidas verificada por todos os que puderam assistir aos grupos de participantes com pouca experiência na modalidade que procuravam a cada metro, a cada ponto, conhecer todos os pormenores do mapa de elevada qualidade que tinham ao seu dispor”, concluindo ser esta “uma demonstração clara de que este Troféu continua no rumo certo para atingir os objectivos inicialmente delineados, ou seja, a divulgação da Orientação na região e a angariação de novos participantes.”

Para Hugo Borda d’Água, “além de todos os valores seguros da Orientação Nacional inscritos nesta prova, há sem sombra de dúvida que realçar outro valor seguro e que é o próprio Troféu Ori-Alentejo.” Concretizando: “Organizações de qualidade, percursos que cumprem os requisitos dos mais experientes e dos principiantes na modalidade, juntamente com preços extremamente atractivos, transformam este Troféu numa forma segura de divulgação da nossa modalidade.” Perspectivando já novos desenvolvimentos, Borda d’Água espera, ao longo desta terceira edição, “ultrapassar os recordes de participantes alcançados nas edições anteriores. Para isso, os quatro clubes que irão organizar um total de treze etapas, contam com a presença uns dos outros na totalidade das provas, sendo a próxima já no dia 22 de Novembro, em Vendas Novas.”



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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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