segunda-feira, 29 de setembro de 2008

TROFÉU NATURA: VITÓRIAS DE TIAGO AIRES E RAQUEL COSTA


Tiago Aires e Raquel Costa iniciam a época 2008 / 2009, tal como concluíram a anterior. A liderança do “ranking” da Taça de Portugal de Orientação Pedestre é a consequência das vitórias no Troféu Natura, que reuniu na Lagoa da Vela a fina-flor da Orientação nacional.

“Bom evento competitivo e de descontracção pelo local envolvente ao mesmo.” Os votos da Organização viram-se cumpridos na íntegra e as cinco centenas e meia de participantes que, ao longo do fim-de-semana, orientaram as suas atenções para a Lagoa da Vela, têm bons motivos para se sentirem satisfeitos.

“Caloira” nestas andanças, a abnegada equipa da Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense soube montar uma prova digna, que tudo fez para agradar a todos. As falhas – que as houve! – não afectaram o normal decurso das provas nem falsearam a verdade desportiva e os atletas corresponderam com determinação e muita alegria àquilo que lhes foi proporcionado.


Calor prejudicou prova Longa

O calor sufocante marcou em definitivo o arranque do Troféu Natura. Com os termómetros a subirem aos 30º C, a prova de Distância Longa apresentou um conjunto de percursos com distâncias variando entre os 11,4 km (185 metros de desnível acumulado, 26 pontos de controlo) para a Elite Masculina e os 2,9 km (50 metros de desnível acumulado, 12 pontos de controlo) para o escalão D13. No terreno, as Dunas de Quiaios revelaram-se em todo o seu “esplendor”. Um sobe e desce feito de areia solta e com zonas de vegetação rasteira, dificultava a progressão e ia colocando à prova, sobretudo, as capacidades físicas dos contendores. No vasto reticulado de caminhos e aceiros, a navegação não levantou problemas de maior e a grande questão, neste início de época, prendeu-se mesmo com o “ter ou não ter pernas”.

No segundo dia tudo melhorou. A manhã acordou radiosa e a Lagoa da Vela, deslumbrante espelho de água duma beleza irreal, cativava o olhar e convidava ao sonho. Uma temperatura mais fresca, um ar mais respirável e tanta vida, tanta cor, foram lenitivos para uma boa recuperação do esforço da véspera e para o ganhar ânimo para a etapa de Distância Média. Num mapa contíguo ao da prova de Distância Longa, bem mais aliciante e desafiante do ponto de vista técnico, as distâncias variaram entre os 5,5 km (135 metros de desnível acumulado, 20 pontos de controlo) e os 2, 5 km (55 metros de desnível acumulado, 10 pontos de controlo) para o escalão D13. Refira-se ainda que, em ambos os dias, houve provas abertas (4 escalões OPT), às quais aderiram sete dezenas de participantes.


Tiago Aires, pois claro!

Tiago Aires (Gafanhori) não deixou os seus créditos por mãos alheias e, levando de vencida ambas as provas, arrebatou com todo o mérito o Troféu Natura no que à Elite Masculina diz respeito. A superioridade do melhor atleta português da actualidade fez-se notar sobretudo na prova de sábado onde fez o bom tempo de 1:06:10 (média de 5:51 / km), deixando o segundo classificado, Diogo Miguel (Ori-Estarreja), a 4:26 de diferença. A prova de Distância Média revelou-se altamente competitiva, com apenas 65 segundos a separarem os seis primeiros classificados. Tiago Aires voltou a vencer com o tempo de 32:32 (média de 5:54 / Km), secundado de novo por Diogo Miguel, a escassos 2 segundos. Mais irregulares, Celso Moiteiro, Tiago Romão e Gildo Silva, todos do COC, ocuparam os lugares seguintes pela ordem indicada.

Para Tiago Aires, “a prova de Distância Longa era bastante dura fisicamente, o terreno muito aberto e arenoso, bastante vegetação rasteira em algumas partes e, a juntar a isto, uma tarde de calor.” Mas o resultado deixou-o particularmente satisfeito: “A minha prestação foi, tecnicamente, muito perto da perfeição, sem qualquer erro. O difícil foi mesmo perceber, em inicio de época, se o ritmo seria o indicado para a Distancia Longa.” Quanto à prova do 2º dia, “numa zona mais limpa, acabei por em cometer dois grandes erros em dois pontos na parte inicial da prova, perdendo dois minutos e meio no total. Sabia que a partir daquele momento vinha a parte mais interessante do percurso em floresta e que só com uma prova perfeita é que poderia sonhar em ainda vencer esta etapa.” Finalmente, a avaliação do evento: “Destacaría o facto dos escalões estarem com tempos de partida espaçados de quatro minutos, o que diminui a possibilidade de ‘colas’; todavia, a mistura de escalões diferentes com percursos iguais não é o mais correcto pois leva ao aparecimento de resultados injustos.”

Vitória "sofrida" de Raquel Costa

Talvez por ter sido bastante mais sofrida, a vitória de Raquel Costa (Gafanhori) teve assim um sabor especial. Algumas falhas na prova de Distância Média e o 3º lugar final com o tempo de 37:33 acabaram por não afectar o resultado final, garantido por essa excelente vitória na prova de Distância Longa de sábado em 1:01:39. Patrícia Casalinho (COC) foi uma ameaça constante e os segundos lugares alcançados em ambas as etapas por pouco não davam para conquistar o Troféu. Andreia Silva, igualmente do COC, fez uma prova de Distância Média brilhante - terminou com uma vantagem de 1:01 sobre Patrícia Casalinho e de 1:25 sobre Raquel Costa -, mas o destino estava praticamente traçado com uma prova menos conseguida no sábado, onde tinha sido 4ª classificada a mais de 8 minutos da vencedora. Emília Silveira (ADFA) concluiu na 4ª posição e o COC ainda veria uma outra atleta sua no pódio, com Catarina Ruivo a terminar no 5º lugar.

No final, Raquel Costa analisava assim as suas prestações e a conquista do Troféu: “Com um percurso de Distância Longa pouco técnico, não foi difícil fazer uma prova perfeita. As maiores dificuldades foram mesmo a corrida sempre por areia e a inexistência de água ao longo do percurso.” Já quanto à prova de domingo, “o percurso foi mais interessante que no dia anterior mas passei por uma fase de total desconcentração e acabei por falhar três pontos de seguida, numa área que requeria leitura cuidada e que me custaram, no total, dois minutos e meio. Como comecei a correr mais rápido na tentativa de chegar à meta mais depressa, deixei de conseguir interpretar o mapa com clareza.” Apesar duma apreciação muito positiva ao mapa – “com áreas bastante interessantes, tanto de floresta como áreas abertas, sempre com elementos de relevo e vegetação” -, Raquel Costa não pôde deixar de fazer alguns pequenos reparos à Organização: “A arena quase inexistente em ambos os dias, os percursos pobres, a falta de abastecimentos no sábado e a falta de animação (‘speaker’) foram os aspectos menos positivos.”


Um imparável David Sayanda


Quanto aos restantes escalões, na formação a Gafanhori registou o maior número de presenças no pódio com Rute Coradinho (D13) e Inês Catalão (D15) a alcançaram saborosas mas muito sofridas vitórias. Em H13 o triunfo sorriu a João Pedro Casal (Ori-Estarreja), logo seguido de Vasco Duarte (ADFA), dois “filhos de peixe” que mostram “saber nadar”. Também em H17, o clube Ori-Estarreja viu um atleta seu subir ao lugar mais alto do pódio, mercê da vitória do promissor Miguel Mouco. Em H15, saúda-se a vitória de Samuel Nogueira (AD Cabroelo), enquanto em H17, Vera Alvarez (CPOC) venceu de forma incontestável.

David Sayanda (Ori-Estarreja) e Joana Costa (GD4 Caminhos), este ano a levarem as suas ambições mais longe e a ingressarem no escalão D/H 20 foram brilhantes vencedores. Apesar da oposição de Manuel Horta (Gafanhori), Sayanda registou vitórias tranquilas em ambos os dias. Muito mais disputado foi o sector feminino, com Joana Costa a impor-se por escassos 46 centésimos de ponto (no cômputo dos dois dias) a uma surpreendente Raquel Correia (.COM). Mariana Moreira (CPOC), Ana Coradinho (Gafanhori) e Isabel Sá (GD4 Caminhos) terminaram nas posições imediatas e as cinco prefiguram, desde já, uma das mais acesas e emocionantes lutas da época pela liderança do “ranking” respectivo. Quanto aos escalões H/D21A, onde se joga a subida às Elites, Sérgio Junqueira (COC) e Isabel Bonifácio (GD4 Caminhos) venceram com brilhantismo, enquanto Nélson Correia dos Santos (Orimarão) e Ana Margarida Vaz (CP Telecom) levaram a melhor no escalão H/D21B.

Vitória do COC por equipas

Nos veteranos assistiu-se às concludentes vitórias de Susana Pontes (CPOC) em D35, Alice Silva (GDU Azóia) em D40 e de Albano João e Isabel Monteiro (ambos do COC) em H/D50. Outros vencedores: H35 – Soares dos Reis (ADFA); H40 – Mário Duarte (ADFA); H45 – Manuel Luís (CP Armada); D45 – Helena Lopes (CIMO); H55 – Manuel Dias (Individual); H60 – José Grada (Clube TAP). Colectivamente, a vitória sorriu ao COC com um total de 3742,5 pontos. ADFA (3557,8 pontos), Ori-Estarreja (3427,5 pontos), CPOC (3363,7 pontos) e GD4 Caminhos (3272,3 pontos) ocuparam os lugares imediatos. Classificaram-se 44 equipas. [Para consultar os resultados completos do Troféu Natura, basta clicar aqui.]

A Taça de Portugal faz agora um interregno de aproximadamente um mês, prosseguindo no último fim-de-semana de Outubro com a disputa do II Trofeo Junta de Comunidades de Castilla – La Mancha “Toledo Imperial” (Toledo, Espanha). Fique atento.

[foto do pódio gentilmente cedida por Paulo Torres]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

.

1 comentário:

Ana disse...

Ainda bem que temos alguém que nos mantém informados sobre tudo o que se passa no mundo da orientação, cá e lá fora.
Parabéns pelo excelente trabalho que tem sido aqui feito!

P.S. Para quando aqueles “escritos” que nos transportam para outras galáxias?