segunda-feira, 29 de setembro de 2008

TROFÉU NATURA: O BALANÇO DE VÍTOR RODRIGUES


Os ponteiros caminham a passos largos para o meio-dia e o Troféu Natura está a chegar ao fim. A maioria dos atletas regressa das provas e regressamos nós também à zona do Secretariado, ao encontro de Vítor Rodrigues. Mostra-se imediatamente disponível, apesar dos meios de contacto não pararem de tocar. Sentamo-nos tranquilamente à sombra das árvores. E enquanto a Lagoa da Vela se estende à nossa frente, agitada pelo vento Norte, olhos nos olhos conversamos sobre a prova…

Quanto maior a nau, maior a tormenta. Vítor, agora que chega ao fim o Troféu Natura e o ar é bonançoso, fale-me das “tormentas” por que passou esta organização?

Fizemos um grande esforço. Somos pequenos, com apenas três anos de existência, e o efectivo da Secção não é ainda tão vasto como desejaríamos. A nossa filosofia assenta no crescimento sólido, em dar passos ao tamanho da nossa perna, mesmo que isso demore um pouco mais. Aqui fizemos o nosso melhor, mas temos consciência de que muito há para melhorar. O “feed back” que temos recebido de muitos atletas é o de que, de facto, há coisas a melhorar. Estamos abertos à crítica construtiva e é com essa ajuda, com esse apoio, que nós podemos crescer e, desse modo, contribuir para o desenvolvimento e uma maior implementação da modalidade no nosso País.

Percebe-se na Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense muito determinação mas, também, muita ambição. É correcta esta análise?

Acreditamos no projecto, acreditamos na modalidade e gostamos de estar. Sabemos qual é o nosso lugar e somos suficientemente modestos para sabermos que ainda temos muito para aprender. E aqui estamos, de peito aberto, gente boa, gente disponível… E, daqui a uns anos, certamente que o Ginásio terá outra capacidade, terá outra força e será uma realidade e um caso sério – assim o espero! – no seio da Orientação.

Com que meios contou esta Organização?

Tivemos um grande apoio de clubes amigos, clubes que à nossa volta vivem geograficamente, casos do Ori-Estarreja e do COC, entre outros. Também da grande amizade que nos liga ao .COM. São eles os grandes responsáveis de termos queimado os últimos fins-de-semana e de aqui estarmos hoje, com algum prazer e muito cansaço. No concreto, estiveram envolvidas na organização 48 pessoas, a esmagadora maioria das quais “prata da casa”. Gostaria de destacar o excelente apoio que recebemos por parte da Junta de Freguesia do Bom Sucesso, local onde nos encontramos, o que nos permitiu também a utilização dos espaços sem qualquer tipo de constrangimentos. Se contabilizarmos também este tipo de apoios, podemos afirmar que esta é uma organização que envolve, seguramente, 70 a 80 pessoas e… é uma loucura de cansaço!


Aprecio esta Lagoa à nossa frente e nota-se que toda a envolvência constitui um espaço magnífico. Porque é que não aproveitaram as condições naturais e este conjunto paisagístico ímpar para montarem aqui, por exemplo, a Arena?

Não escondo que houve algumas discussões a esse nível mas isso são opções, naturalmente, de natureza técnica. É do traçador de percursos a última palavra e, quanto a isso… Em Portugal – e isto não é uma crítica, antes é a constatação dum defeito de que o nosso povo enferma -, gostamos de levar tudo para perto de casa. Este espaço é, efectivamente, magnífico e temos aqui mapas tecnicamente muito bons. Ao fim e ao cabo foi mesmo uma opção técnica. Admito que poderíamos ter feito de forma diferente, mas confesso que houve aqui, também, alguns interesses a gerir e… foi o que foi possível.

De que forma é que a Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense sai reforçada desta organização?

Essencialmente, estas coisas servem para aprendermos. Hoje teríamos naturais cuidados com algumas coisas que não poderiam ter falhado mas que falharam. Amanhã vamos “lamber feridas” e começar já a pensar na próxima. A aprendizagem com esta prova foi muito grande e, a meu ver, estamos convictos de que seremos capazes, em futuras ocasiões, de debelar as deficiências e as lacunas que aqui vivemos. A nossa é uma “perspectiva de esponja”, absorvendo tudo o que seja “aprendizagem”, para que a próxima seja melhor que esta, a próxima a seguir à próxima seja ainda melhor do que a anterior e por aí adiante.

E para o Vítor Rodrigues o que é que fica desta experiência?

Muito cansaço!

A entrevista chegava ao fim, o gravador acabara de se desligar e os olhos de Vítor Rodrigues marejavam-se de lágrimas. Ali sentado, o pensamento voava ao encontro daqueles com quem fez equipa e que continuavam a dar o melhor de si nos lugares que lhes foram atribuídos. Uma equipa fantástica que, abnegadamente, soube dizer presente na hora certa. Bem haja Vítor, bem hajas Ginásio!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

Luis Tenreiro disse...

Quero aproveitar para endereçar ao Ginásio os parabéns pela prova que organizaram. Uma prova onde as partidas foram a horas, sem pontos mal marcados, num bom terreno (não sendo dos melhores da região, ainda assim é bom) e bem cartografado só pode ter um balanço bem positivo. É certo que não houve speaker e a arena não era a desejada, mas o essencial estava lá. E bem.