sexta-feira, 26 de setembro de 2008

EC MTBO 2008 LITUÂNIA: RESULTADO HISTÓRICO DE JOÃO FERREIRA


Hoje foi um dia histórico para Portugal no 3º Campeonato Europeu de Ori-BTT que, desde a passada segunda-feira, decorre na Lituânia. Ao classificar-se em 7º lugar na prova de Distância Longa, João Ferreira mostrou o seu valor e raça, dando-nos a todos uma enorme alegria. Está o João de parabéns e está igualmente a Ori-BTT portuguesa!

É um feito verdadeiramente notável na Orientação em BTT portuguesa, o 7º lugar de João Ferreira na prova de Distância Longa que hoje teve lugar na pequena vila de Juodkranté, na costa leste da península de Nida (Lituânia). Depois de uma prova de Sprint menos conseguida, João Ferreira tinha apenas a prova de Distância Longa para tentar remediar as coisas. E conseguiu-o plenamente. Mas deixemos que seja o João a contar-nos este pedacinho dum dia que irá certamente recordar por muito tempo: “Saímos do hotel por volta das 9h00, chegando ao local da prova às 9h30. A minha partida estava marcada para as 10h50, por isso tive tempo de ir ver todos os locais permitidos(zona de troca de mapas, chegadas, zona de troca de abastecimentos, etc). Sentia-me motivado. Queria fazer uma boa prova.”

Com o sinal de partida, os dados estavam lançados: “Parti bem. Não cometi grandes erros na primeira parte da prova, ou seja, antes da troca de mapa, correspondentes aos primeiros dez pontos. Perdi apenas alguns segundos em pequenas hesitações.” Com um pouco mais de metade da prova cumprida, João Ferreira passa no ponto intermédio, no primeiro rádio-controle, com o bom tempo de 33:28. O 4º lugar a 4 escassos segundos do 3º classificado e a 35 segundos do 2º classificado constituíam uma forte motivação para o atleta português. Mas a segunda parte da prova não começa nada bem. João Ferreira perde 30 segundos para o ponto 11, 15 segundos para o ponto 12 e, pior ainda, 2 minutos para o ponto 13 (quem disse que o 13 dava sorte?). O João explica: “Existia uma opção que ia pela estrada que delimitava o mapa e que seria a melhor opção; eu, porém, tomei outra opção por caminhos, pensando que seria mais rápido. Está visto que não foi a melhor opção.” Até ao final, João Ferreira perderia apenas alguns segundos para o ponto 15.

“Penso que acabo bem estes Campeonatos”

Concluída a sua prova, foi com emoção que João Ferreira acompanhou os momentos seguintes: “Quando cheguei, a ‘speaker’ disse que tinha o terceiro melhor tempo até àquela altura no rádio-controle 1. Fiquei expectante por ver o meu tempo final e a classificação final. Vi os 67:15. ‘Não foi mau’, pensei, uma vez que o tempo previsto para o primeiro era de 75 minutos. Vi a primeira lista de resultados ainda na zona de quarentena. Estava em 5º lugar. Pensei que talvez ainda pudesse ficar nos 6 primeiros e ir ao pódio. Por um lado contente mas por outro nervoso.” E mais nervoso ficou com a chegada do checo Vojtech Stransky, que o remete para a 6ª posição. Mas… “a esperança ainda existia. Por fim o lituano Vykintas Celkys, que viria a ser o 2º classificado, e que me remete para o 7º lugar. Foi por pouco, muito pouco. Se tirasse o tempo que perdi, ficaria nos 4 primeiros lugares. Fiquei contente por um lado mas triste por outro porque, por pouco, não fui ao pódio, o que seria a primeira vez na historia da Ori-BTT nacional em Campeonatos Europeus.” E a terminar: “Sinto que fiz uma boa prova, mas ficaria mais satisfeito se terminasse entre os seis primeiros lugares. No entanto, tenho a noção que foi um bom resultado. Dei o meu melhor por dignificar o País e a modalidade. Penso que acabo bem estes Campeonatos.”

Fortemente aplaudido, o lituano Vykintas Celkys foi o 2º classificado desta prova de Distância Longa com o tempo de 1:03:49. Ainda assim insuficientes para chegar ao ouro, arrebatado de forma imperial pelo checo Frantisek Bogar com um registo de 1:02:35. Depois das medalhas de prata na Distância Média e no Sprint, Bogar coroa da melhor forma uma participação a todos os títulos excepcional com esta saborosa vitória na prova-rainha. O 3º lugar foi para o austríaco Kevin Haselberger, a 2:31 do vencedor. No sector feminino, a francesa Gaelle Barlet não logrou repetir os triunfos dos dois dias anteriores, quedando-se na 3ª posição com o tempo de 1:05:15. A vitória coube à finlandesa Tarja Vesanto com o tempo de 1:02:23 enquanto a britânica Emily Benham foi 2ª classificada com 1:04:48, depois de já ter sido 2ª na prova de Sprint e 3ª na prova de Distância Média.




“Não dava para fazer brilharetes”

No escalão sénior, Daniel Marques voltou a não estar nos seus dias, melhorando um lugar em relação à prova de Sprint e concluindo na 50ª posição com o tempo de 1:41:54. Acerca da prova, o atleta português falou para o Orientovar: “A zona de partidas e chegadas foi num jardim amplo que se estendia pela costa leste... Havia troca de mapa para os elites e juniores, o que implicava, neste caso, dois ‘loops’, sendo o início do segundo ‘loop’ junto às partidas; ou seja, os atletas cruzavam-se com muita frequência, o que era espectacular para o publico e também para o ambiente competitivo.”

Referindo-se ao percurso, o atleta adiantou: “O mapa foi bastante diferente dos anteriores, com caminhos bem definidos e menos concentrados; havia, porém, a questão dos desníveis, pelo que a prova era menos técnica mas mais dura fisicamente.” No final, Daniel Marques mostrava-se conformado e com a consciência do dever cumprido, conforme se infere das suas palavras: “A minha prova deu cerca de 37 km e foi engraçada, no sentido em que visitei as costas leste e oeste inúmeras vezes, já que nesta parte da península as distâncias entre costas é de aproximadamente três quilómetros, havendo uma pequena serra a separá-las... Fiz uma prova regular, geri bem o esforço, pois tinha a consciência de que o meu estado de forma física actual não dava para fazer brilharetes, portanto encarei esta competição sem grande ambição, mas sempre dando o meu melhor!”

Santos da casa fazem milagres

No sector feminino, o dia foi da Lituânia. A “jogar em casa”, Armuné Aurlauskiené e Karolina Mickeviciuté mostraram todo o seu enorme potencial e arrebataram os dois primeiros lugares do pódio. Aurlauskiené, com o tempo de 1:15:19, junta assim a medalha de ouro à prata conquistada ontem na prova de Sprint, ao passo que para Mickeviciuté esta é uma saborosa estreia de pódio, a escassos 17 segundos da sua compatriota. Depois do desastroso 17º lugar da prova de Sprint, Michaela Gigon (Áustria), número 2 do “ranking” mundial, chegou aqui à medalha de bronze com o tempo de 1:16:49.

Depois da vitória na prova de Distância Média e do desaire da prova de Sprint, o dinamarquês Lasse Brun Pedersen arrecadou mais um título europeu, completando a sua prova em 1:24:20. Depois de muito ameaçor, o russo Anton Foliforov chegou finalmente ao pódio graças a uma excelente prova, perdendo para Pedersen por escassos 18 segundos. Ruslan Gritsan, o russo campeão do mundo de Distância Longa, repetiu aqui o 3º lugar da prova de Sprint com o tempo de 1:25:07 e fechou o pódio. As grandes decepções continuam a ser os suíços Beat Oklé e Beat Schaffner e o checo Lubomír Tomecek, respectivamente 2º, 3º e 4º classificados do ranking” mundial e que aqui, na Lituânia, ainda não sentiram o doce sabor da subida ao pódio.

Os Campeonatos encerram amanhã com a prova de Estafeta. Sem número suficiente para formar equipa, a Daniel Marques e João Ferreira resta a oportunidade de aproveitar da melhor maneira este último dia de provas. João Ferreira fará equipa com dois atletas estonianos, o jovem (M 17) Taaniel Tooming e o júnior Marek Karm. Quanto a Daniel Marques, na altura em que editamos este texto, desconheciam-se ainda as opções do atleta português.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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