sábado, 27 de setembro de 2008

EC MTBO 2008 LITUÂNIA: JOÃO FERREIRA FECHA COM CHAVE DE OURO


Chegou ao fim o 3º Campeonato Europeu de Ori-BTT (EC MTBO 2008). João Ferreira foi o único português em prova, num dia tradicionalmente dedicado às sempre espectaculares Estafetas. E com um resultado que vem demonstrar, uma vez mais, a excelência do atleta de Recardães.

Com uma prestação de altíssimo nível neste 3º Campeonato Europeu de Ori-BTT – sublinhada por um 7º lugar na Distância Longa, um 10º lugar na Distância Média e um 14º lugar na prova de Sprint -, para João Ferreira o dia de hoje só poderia ser de consagração. E foi! Fazendo equipa com dois atletas da Estónia, Taaniel Tooming e Marek Karm, João Ferreira assumiu o testemunho no último percurso e, na meta, levou o combinado “luso-estoniano” a um brilhante 4º lugar, com o tempo de 2:13:16.

Taaniel Tooming, representante solitário da Estónia no escalão M17, fez um percurso inicial excelente, entregando o testemunho a Marek Karm na 5ª posição, a escassos 90 segundos do 2º lugar, na altura pertença da turma austríaca. No 2º percurso assistiu-se a um extraordinário volte-face na cabeça da corrida, com o medalha de bronze da prova de Sprint, o finlandês Elmeri Juura a dar à equipa nº 1 do seu país a liderança. Karm segurou muito bem o 5º lugar e João Ferreira partiu para o último percurso a 17 segundos da Alemanha, 4ª classificada, e apenas a 24 segundos do 3º posto, na posse do poderoso seleccionado russo. Sem nada a perder, João Ferreira fez uma prova brilhante, não permitindo veleidades ao austríaco Kevin Haselberger, beneficiando da prova desastrosa do alemão Jahn e ganhando uma posição que lhe valeu esse 4º lugar final. A Finlândia venceu com o tempo de 2:00:07, relegando a República Checa para o 2º lugar a 1:18 e a Rússia para a 3ª posição a distantes 8:41.

Dinamarca e Finlândia de ouro

Quanto ao escalão sénior, o mínimo que se pode dizer é que as Estafetas foram “impróprias para cardíacos”, tantas e tão inesperadas as alterações nos quadros classificativos. Começando pelo sector masculino, a vitória coube à Dinamarca, com Lasse Brun Pedersen [na foto] a assumir a responsabilidade do último percurso, a fazê-lo da melhor maneira e, juntando o ouro da estafeta ao ouro das provas de Distância Média e Distância Longa, a cotar-se como a figura maior destes Campeonatos. Allan Jensen fez um primeiro percurso irregular, chegando a liderar a prova mas acabando por entregar o testemunho na 5ª posição. Uma prestação brilhante de Eric Knudsen Skovgaard fez com que Pedersen partisse para o último percurso já na liderança, a qual viria a confirmar na meta com o tempo de 2:06:56. A turma Suiça deu finalmente um ar da sua graça e, com Beat Schaffner a abrir e Beat Oklé a fechar, alcançou o 2º lugar a 1:33 da Dinamarca. Na 3ª posição classificou-se a equipa nº 2 da República Checa com 2:09:01. Concluíram a prova 25 equipas.

Quanto às senhoras, a vitória sorriu à equipa nº 1 da Finlândia, com o tempo de 2:12:01. Ingrid Stengard teve assim a oportunidade de igualar o dinamarquês Pedersen no número de medalhas de ouro conquistadas, depois dos títulos europeus de Distância Média e de Sprint. A luta pela medalha de prata trouxe, quiçá, o momento de maior emoção de todos os Campeonatos. Com naturais e legítimas aspirações, o seleccionado lituano viu as suas ambições drasticamente comprometidas logo no primeiro percurso, com Vaida Reinartaité a não conseguir melhor do que o 12º e antepenúltimo lugar. Tarefa ingrata, a da campeã da Europa de Distância Longa e vice-campeã de Sprint, Ramuné Arlauskiené, a de procurar relançar a equipa e devolver-lhe ainda a esperança num bom lugar. Arlauskiené fez “só” o melhor tempo neste 2º percurso mas o 7º lugar com que Karolina Mickeviciuté partiu para o percurso derradeiro deixava escassa margem de manobra. O certo é que a vice-campeã de Distância Longa fez a prova da sua vida, ganhando segundos atrás de segundos às mais directas perseguidoras, galgando degrau após degrau na tabela classificativa, para concluir no 2º posto a escassos 2:35 das vencedoras (de quem distavam 6:45 à entrada para o último percurso). Michaela Gigon assumiu o último percurso da Áustria na 5ª posição e fez igualmente uma prova notável. Viria a gastar mais 1:16 que a “endiabrada” Mickeviciuté, recuperando da 5ª posição e dando a medalha de bronze à Áustria com 2:15:37.

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“Saber dar um passo atrás”

Num derradeiro contacto com os nossos atletas na Lituânia, coube a Daniel Marques assumir o relato daquilo que foi este último dia, aproveitado pelo nosso atleta para “fazer um pouco de turismo”. A participação na Estafeta até chegou a ser equacionada, fazendo equipa com dois neo-zelandeses. Só que “a Organização não permitiu a inscrição e aproveitei para fazer cobertura fotográfica à competição, procurando apanhar uns bons planos do João. As provas de estafetas são as mais emocionantes para o publico, e a Organização planeou os percursos a pensar nos espectadores, pelo que foi uma boa oportunidade para assistir no meio do publico.” Fazendo um balanço global àquilo que foi este 3º Campeonato da Europa de Ori-BTT, Daniel Marques adianta: “A nível pessoal tenho que estar triste com as minhas prestações, mas conformado, pois sou realista. Sem trabalho e dedicação diária é impossível ganhar em alta competição seja o que for...”

Com uma sinceridade tocante, o campeão português confessa: “Estou mais triste ainda por não me ter sentido em condições nos últimos meses para continuar a treinar ao mais alto nível e aparecer num bom momento de forma. Às vezes temos que saber dar um passo atrás para dar dois em frente... e espero que tenha sido esse o caso.” Agora há que recuperar e pensar que mais competições virão onde os resultados serão seguramente melhores: “Estou confiante no futuro. Acredito nas minhas capacidades e potencial para chegar ao top-10. A única coisa que posso prometer é que vou continuar a dedicar a minha vida à Orientação.” Mudando do plano pessoal para o plano mais vasto da participação portuguesa, Daniel Marque é peremptório ao afirmar que “foi muito bom eu e o João estarmos presentes neste Campeonato, tanto para ganhar mais experiência internacional como demonstrar à comitiva internacional que estamos presentes nas grandes competições.” E acrescenta: “Queria voltar a realçar a prestação do João. Para mim é um dado adquirido que se trata dum jovem com enorme potencial, que demonstra ter talento e vontade de ganhar.” E quanto à competição em si, “foi do agrado de todas as selecções, com bons mapas, boa logística (alojamentos, alimentação e transportes com muito boa qualidade e a bons preços). Foi, sem dúvida, o melhor Europeu de sempre. Itália em 2007 e Polónia em 2008 estiveram uns furos abaixo.”

Rússia dominou “medalheiro” dos Campeonatos

Individualmente, Pedersen e Stengard foram, como já se disse, as grande figuras da competição. Mas houve mais, no que aos escalões jovem (M/W17) e júnior (M/W20) diz respeito. Desde logo essa atleta russa que dá pelo nome de Tatiana Repina e que, no escalão W17, fez o pleno de medalhas de ouro, nada mais nada menos do que quatro. No mesmo escalão, mas no sector masculino, o seu compatriota Grigoriy Medvedev foi igualmente gigante, igualando Repina no número de medalhas, embora a referente à prova de Distância Média tenha sido de prata. No que aos juniores diz respeito, Frantisek Bogar (República Checa) teve honras de subida ao pódio em todas as provas, chegando ao ouro na Distância Longa e à prata nas restantes. Quanto às 72 medalhas distribuídas pelos três escalões referidos, a Rússia acabou por arrecadar a parte de leão com 19 (7 de ouro, 4 de prata e 8 de bronze), logo seguida da Finlândia (5, 1, 3), da República Checa (3, 6, 4), da Dinamarca (3, 0, 0), da França (2, 0, 3), da Lituânia (1, 6, 0), da Áustria (1, 1, 4), da Hungria (1, 1, 0), da Grã-Bretanha (0, 2, 1), da Estónia (0, 2, 0), da Suiça (0, 1, 1) e da Polónia (0, 0, 1).

O dia encerra com o banquete final em jeito de despedida e amanhã de madrugada os nossos atletas viajarão para a capital da Lituânia, Vilnius, onde apanharão o voo de regresso. Para o Orientovar é o fim dum contacto directo e regular com os dois atletas ao longo de toda a semana, resultando num trabalho a todos os títulos gratificante e que espero tenha agradado aos leitores do blogue. Mas as coisas não ficarão por aqui. O Orientovar espera poder publicar, durante a próxima semana, o balanço de Tiago Lopes. Como se disse no lançamento da competição, também na estrutura organizativa se falou em português. Tiago Lopes assumiu o importante cargo de Supervisor IOF e da sua experiência, daquilo que viu, ouviu, sentiu e viveu por terras da Lituânia, aqui esperamos dar conta a qualquer momento. Até lá…

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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