quarta-feira, 24 de setembro de 2008

EC MTBO 2008 LITUÂNIA: DANIEL MARQUES E JOÃO FERREIRA COM EXCELENTE COMEÇO


Com a disputa da prova de Distância Média, Daniel Marques e João Ferreira entraram hoje em acção no 3º Campeonato da Europa de Ori-BTT (EC MTBO 2008). Ainda a recuperar duma viagem recheada de peripécias, os nossos atletas fizeram das tripas coração e registaram excelentes resultados. O 41º lugar de Daniel Marques e esse brilhante 10º posto de João Ferreira são dignos de nota.

Teve hoje início em Nida, bela cidade do Sul da Lituânia onde Thomas Mann desenvolveu alguns dos seus mais brilhantes escritos, o 3º Campeonato da Europa de Ori-BTT (EC MTBO 2008). Distribuídos pelos escalões jovem (M/W 17), júnior (M/W 20), sénior (M/W) e veteranos (M/W 40, 50 e 60), três centenas de atletas de 20 países competem até ao próximo sábado pela conquista do título europeu nas respectivas classes.

Até à Lituânia viajaram Daniel Marques e João Ferreira, representantes portugueses no Campeonato da Europa Sénior e Júnior, respectivamente. Mas não parece ter sido fácil chegar a Nida, conforme nos relata João Ferreira, o promissor atleta do DA Recardães: “Depois da chegada a Vilnius, por volta das oito da noite, parecia perto o fim da viagem; mas, pelo contrário, o pior estava para vir. Saímos do aeroporto por volta das dez da noite e só chegamos ao Hotel no local da prova às 6 da manhã, após mais 400 km de autocarro. E se até aqui já tínhamos feito oito horas de viagem, ainda ficámos mais duas horas a dormir no autocarro porque o Hotel estava fechado. Mas nada que um dia de descanso não faça recuperar a energia.”

Um dia para recuperar

O dia de ontem foi de recuperação. Quem nos fala agora é Daniel Marques, que vai adiantando: “Descansámos um pouco no Hotel para recuperar o empeno da viagem e depois fomos reconhecer o espaço envolvente, dando uma volta de bicicleta até à fronteira da Lituania com a Rússia. Fizemos a acreditação e deu para nos ambientarmos!” Daniel Marques descreve o local como “de uma riqueza paisagística impar, uma Reserva Natural que pode ser visto como ‘o Algarve da Lituânia’. Russos, bielorussos, finlandeses, letões e lituanos vêm com grande frequência passar férias e fazer praia a esta península, visto que tem mais de 70 kms de costa para o mar Báltico.”

Mas o dia de ontem fica também marcado pela Cerimónia de Abertura e pelo Model Event. Sobre este último, a descrição é ainda de Daniel Marques: “O Model Event ficou a cerca de 55 km do nosso alojamento e as primeiras impressões foram bastante positivas. A zona era fabulosa (floresta composta por pinheiros, com caminhos de várias qualidades) e tanto o lado Este como o lado Oeste do mapa era mar. Estávamos na parte norte (superior) da península. Depressa ficámos com a sensação de que as provas iriam ser muito interessantes tecnicamente e exigiam rapidez de pensamento e leitura de mapa, visto que haviam intersecções de caminhos umas a seguir às outras.” Mas um evento desta natureza não é só mapas e bicicletas: “À tarde houve tempo para socializar com adversários. O ambiente competitivo é muito bom e a rivalidade é saudável. Podemos dizer que neste desporto os adversários são nossos amigos”, diz Daniel a concluir.



Os percalços de Daniel Marques

A prova de Distância Média, disputada na manhã de hoje no coração de Nida, abriu as hostilidades. Ausências notadas apenas as do austríaco Christian Gigon, do dinamarquês Torbjorn Gasbjerg e do número 1 do mundo, o australiano Adrian Jackson, este por razões óbvias. Lasse Brun Pedersen (Dinamarca) sentiu-se aqui como peixe na água e levou de vencida a concorrência, juntando ao título mundial de Sprint o da Europa de Distância Média. O dinamarquês fez um tempo de 54:44, deixando Erm Tonis (Estónia), outro grande especialista do Sprint, na 2ª posição, a 50 segundos de diferença. O russo Victor Korchagin, com um registo de 55:53, fechou o pódio. No sector feminino, a finlandesa Ingrid Stengard surpreendeu tudo e todos, arrebatando o título europeu, logo seguida da “eterna segunda”, a austríaca Michaela Gigon e com a líder do “ranking” mundial, a suiça Christine Schaffner, a quedar-se pela 3ª posição.

Quanto a Daniel Marques, uma entrada menos brilhante e um “acidente de percurso” acabaram por marcar a prova do nosso atleta, como o próprio relata: “Foi um mau início e comprometi a prova logo nos dois primeiros postos de controlo (ao 2º controlo já tinha perdido 4 minutos!). Tive mais um precalço, embati contra um finlandês e, apesar de ambos termos ficado sem quaisquer danos físicos, as bicicletas ficaram um pouco mal tratadas. Tive de fazer o resto da prova em talega (fiquei sem mudanças à frente) e a direcção ficou torcida!” Quanto ao resto da prova “decorreu normalmente, com alguns erros de opção mas com uma navegação limpa. As características deste terreno são muito interessantes para a pratica da modalidade, há muitos caminhos entrelaçados de uma forma caótica, com muitos detalhes de relevo (altos e baixos), mas sem grandes montes (o ponto mais alto tem 58 metros).” No final, Daniel Marques alcançaria um honroso 41º lugar, entre 70 atletas, com o tempo de 1:06:41.

João Ferreira mais uma vez entre os 10 melhores

No escalão júnior, João Ferreira também não entrou na prova da melhor forma, mas o resultado final pode considerar-se excelente. Deixemos que seja o próprio a relatar-nos a sua prova: “Uma prova rápida era o que esperava, dadas as informações técnicas. A elevada dificuldade técnica nalgumas zonas e a areia fizeram com que a dificuldade aumentasse bastante. A elevada densidade de caminhos na parte inicial fizeram com que diminuísse a velocidade e perdesse algum tempo para o primeiro ponto.” Referindo-se ao mapa, João Ferreira só tece elogios: “Mapa com uma pequena parte dentro da cidade, num percurso bastante bonito e com pequenos ‘singletracks’, absolutamente fascinantes. Sem duvida que a organização esteve ao nível do evento proporcionando uma fantástica arena de partidas e chegadas.” E quanto ao resultado: “Penso que não fiz uma prova má, encerrando o Top 10. Fiquei em 10º lugar entre os 28 atletas presentes [com um tempo de 56:25]." E realça ainda "o frio que se tem feito sentir aqui, com medias a rondar o 11º C e a que não estávamos habituados, dadas as temperaturas em Portugal nesta época.”

Neste escalão o pódio foi ocupado na íntegra pelos três nomes mais sonantes da modalidade a nível mundial. O russo Valeriy Glukhov, campeão mundial da distância, teve de se contentar com o 3º posto, fazendo um tempo de 49:19. Com menos 1:08, o checo Bogar Frantisek, campeão do mundo de Sprint, foi 2º classificado. A vitória sorriu a outro checo, Marek Pospisek, vice-campeão mundial de Distância Média, que completou a sua prova em 47:14. Nas senhoras, a francesa Gaelle Barlet guindou-se ao lugar mais alto do pódio. Amanhã segue-se a prova de Sprint onde, tradicionalmente, os nossos atletas se superam e alcançam os melhores resultados. Para eles, o nosso mais forte apoio e apreço.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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