
ENTREVISTA: ORIENTAÇÃO NO BRASIL
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O WMOC 2008 fez-se de momentos altos. Um deles terá sido, seguramente, o que juntou alguns elementos preponderantes da comitiva brasileira, permitindo conhecer um pouco mais da realidade da Orientação no Brasil. Deste encontro, promovido pelo Orientovar, aqui damos conta numa reportagem alargada.
Haroldo Bezerra Cavalcante foi o nosso primeiro interlocutor. Oriundo de Pernambuco, uma região com a qual Portugal tem particular afinidade através das cidades de Recife e Olinda, encontra-se em Portugal para competir mas, principalmente, para adquirir experiência e conhecimentos. Presidente da FEOPE - Federação Pernambucana de Orientação, entidade criada em 9 de Fevereiro de 2007 e que dá os primeiros passos na modalidade, Haroldo Cavalcante fala-nos duma realidade deveras interessante: “Foi nesta região, mais concretamente em Montes Guararapes, que nasceu o exército nacional. Pela primeira vez, diferentes raças se juntaram aos portugueses para combater o invasor holandês.” Reportando-se à estrutura a que preside, adianta: “A FEOPE congrega cinco clubes – Sargento Wolff, Bravo, Coguara, Vale do São Francisco e Sem Rumo –, articula com a Federação de Paraíba, um pouco mais a Norte e, em conjunto, as nossas provas têm uma média de participações a rondar as duas centenas e meia de atletas. A nossa Orientação depende muito dos militares, primeiro com o José Williams Júnior e agora também com Sérgio Fioravante. São eles que têm conduzido a grande força da Orientação pernambucana.”
A FEOPE definiu para este ano uma estratégia tendente a aproximar-se das populações: “Seguindo as indicações de José Otavio Dornelles, o Presidente da Confederação Brasileira de Orientação, promovemos eventos em Itapissuma, em Petrolina, em Bonança, em Bezerros, em Garanhuns… Enfim, estamos tentando levar a Orientação a todo o Estado e, em particular, às Escolas.” Quanto à sua presença em Portugal, revela: “Vimos sobretudo para aprender. O Clube BRAVO, ao qual pertenço, vai organizar uma das etapas de Pernambuco no próximo dia 27 de Setembro e eu estou aqui a observar com atenção todos os detalhes organizativos e a recolher ideias. Está tudo muito bem definido e organizado e o nosso grupo tem recebido todo o apoio possível. Uma das coisas que me surpreendeu, e às quais julgo que é de tirar o chapéu, é a força dos voluntários, a sua quantidade, a sua dedicação, a sua força, empenho, simpatia e boa vontade. Isto tem feito toda a diferença e o povo português está a dar uma grande lição ao mundo.”
A paixão pela Orientação
S. João del Rei, na região sudeste do Brasil, é outra das cidades onde a Orientação começa a ter uma implantação muito forte. Vamos ao encontro de Ana Cintra, formada em Psicologia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras e especialista em desenvolvimento humano e seus distúrbios, que nos surpreende com um discurso apaixonante e apaixonado sobre este verdadeira descoberta que foi, para si, a Orientação: “Atraiu-me a modalidade no seu conjunto, reunindo a questão física, emocional e mental. Vi na Orientação possibilidades que nunca vi em nenhum outro desporto. É uma modalidade que trabalha questões importantes para o próprio quotidiano das pessoas. A partir do momento em que se começa a praticar e a entender a modalidade, ela ajuda-nos a sermos mais organizados, mais orientados, economizamos tempo e sobretudo esta questão que é comum a todos os praticantes, a estabilidade emocional, a felicidade, a alegria. Isto é algo que eu, como investigadora, desejo pesquisar, preciso de compreender.”
Dito assim, a simpática atleta brasileira já nos convenceu das virtudes que a Orientação encerra. Mas… como é que se convencem as pessoas, dum modo geral, a aderir? “Estamos a tentar introduzir a modalidade nas escolas. Temos de começar com as crianças, criar uma nova geração, uma nova cultura. Queremos que as crianças cheguem à Escola e já saibam o que é a Orientação. Queremos deixar marcado o que esta geração que estamos vendo aqui hoje fez pelo desporto!” Quanto à estadia em Portugal, Ana Cintra não esconde que “a nossa principal missão aqui é aprender. Acreditamos na Orientação não como um desporto qualquer, mas como desporto da família e um desporto que valoriza o meio ambiente, resgatando o cuidado das pessoas em preservar, em não agredir. Isso está aqui patente e esta Organização está de parabéns. Nunca tinha feito um Sprint urbano e foi novo para mim ver tantas pessoas – pessoas da minha idade - com esta energia, esta vitalidade, esta assertividade, pessoas estruturadas… Foi muito emocionante. Aprendi muito e tudo o que eu vi servirá também para me reorganizar, para me refazer. As coisas são simples e só precisamos de envolver, cada vez mais, um número maior de pessoas. Temos que aumentar o nosso grupo. Esse é o caminho.”
Haroldo Bezerra Cavalcante foi o nosso primeiro interlocutor. Oriundo de Pernambuco, uma região com a qual Portugal tem particular afinidade através das cidades de Recife e Olinda, encontra-se em Portugal para competir mas, principalmente, para adquirir experiência e conhecimentos. Presidente da FEOPE - Federação Pernambucana de Orientação, entidade criada em 9 de Fevereiro de 2007 e que dá os primeiros passos na modalidade, Haroldo Cavalcante fala-nos duma realidade deveras interessante: “Foi nesta região, mais concretamente em Montes Guararapes, que nasceu o exército nacional. Pela primeira vez, diferentes raças se juntaram aos portugueses para combater o invasor holandês.” Reportando-se à estrutura a que preside, adianta: “A FEOPE congrega cinco clubes – Sargento Wolff, Bravo, Coguara, Vale do São Francisco e Sem Rumo –, articula com a Federação de Paraíba, um pouco mais a Norte e, em conjunto, as nossas provas têm uma média de participações a rondar as duas centenas e meia de atletas. A nossa Orientação depende muito dos militares, primeiro com o José Williams Júnior e agora também com Sérgio Fioravante. São eles que têm conduzido a grande força da Orientação pernambucana.”
A FEOPE definiu para este ano uma estratégia tendente a aproximar-se das populações: “Seguindo as indicações de José Otavio Dornelles, o Presidente da Confederação Brasileira de Orientação, promovemos eventos em Itapissuma, em Petrolina, em Bonança, em Bezerros, em Garanhuns… Enfim, estamos tentando levar a Orientação a todo o Estado e, em particular, às Escolas.” Quanto à sua presença em Portugal, revela: “Vimos sobretudo para aprender. O Clube BRAVO, ao qual pertenço, vai organizar uma das etapas de Pernambuco no próximo dia 27 de Setembro e eu estou aqui a observar com atenção todos os detalhes organizativos e a recolher ideias. Está tudo muito bem definido e organizado e o nosso grupo tem recebido todo o apoio possível. Uma das coisas que me surpreendeu, e às quais julgo que é de tirar o chapéu, é a força dos voluntários, a sua quantidade, a sua dedicação, a sua força, empenho, simpatia e boa vontade. Isto tem feito toda a diferença e o povo português está a dar uma grande lição ao mundo.”
A paixão pela Orientação
S. João del Rei, na região sudeste do Brasil, é outra das cidades onde a Orientação começa a ter uma implantação muito forte. Vamos ao encontro de Ana Cintra, formada em Psicologia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras e especialista em desenvolvimento humano e seus distúrbios, que nos surpreende com um discurso apaixonante e apaixonado sobre este verdadeira descoberta que foi, para si, a Orientação: “Atraiu-me a modalidade no seu conjunto, reunindo a questão física, emocional e mental. Vi na Orientação possibilidades que nunca vi em nenhum outro desporto. É uma modalidade que trabalha questões importantes para o próprio quotidiano das pessoas. A partir do momento em que se começa a praticar e a entender a modalidade, ela ajuda-nos a sermos mais organizados, mais orientados, economizamos tempo e sobretudo esta questão que é comum a todos os praticantes, a estabilidade emocional, a felicidade, a alegria. Isto é algo que eu, como investigadora, desejo pesquisar, preciso de compreender.”
Dito assim, a simpática atleta brasileira já nos convenceu das virtudes que a Orientação encerra. Mas… como é que se convencem as pessoas, dum modo geral, a aderir? “Estamos a tentar introduzir a modalidade nas escolas. Temos de começar com as crianças, criar uma nova geração, uma nova cultura. Queremos que as crianças cheguem à Escola e já saibam o que é a Orientação. Queremos deixar marcado o que esta geração que estamos vendo aqui hoje fez pelo desporto!” Quanto à estadia em Portugal, Ana Cintra não esconde que “a nossa principal missão aqui é aprender. Acreditamos na Orientação não como um desporto qualquer, mas como desporto da família e um desporto que valoriza o meio ambiente, resgatando o cuidado das pessoas em preservar, em não agredir. Isso está aqui patente e esta Organização está de parabéns. Nunca tinha feito um Sprint urbano e foi novo para mim ver tantas pessoas – pessoas da minha idade - com esta energia, esta vitalidade, esta assertividade, pessoas estruturadas… Foi muito emocionante. Aprendi muito e tudo o que eu vi servirá também para me reorganizar, para me refazer. As coisas são simples e só precisamos de envolver, cada vez mais, um número maior de pessoas. Temos que aumentar o nosso grupo. Esse é o caminho.”
Lobo solitário caçador de prismas
Murilo Cabral é o decano dos orientistas brasileiros e, também ele, é oriundo da cidade de S. João Del-Rei. Mas afinal, quase aos 70 anos, o que é que um homem tem para aprender? Deixemos que seja o próprio a explicar: “As gerações vão passando, deixando rastos e nós vamos seguindo esses rastos e deixando outros rastos atrás da gente. Nunca a pessoa tem o conhecimento completo das coisas. A vida é um completo aprendizado e uma eterna caminhada. Caminhando e aprendendo, aprendendo e caminhando, assim vamos fazendo, como se de um percurso de Orientação se tratasse. Cada percurso é um percurso e cada ponto é um ponto. Cada vez que encontra um ponto você aprende; cada vez que vara um ponto, você aprende mais, embora fique chateado…”
Fala agora com especial emoção e carinho da sua cidade, no Estado de Minas Gerais e Capital Brasileira da Cultura 2007: “Esta é uma cidade que foi fundada pelos portugueses em 1700 e recebeu o nome em homenagem a D. João V, el-rei de Portugal. Os portugueses deixaram lá o ouro, nessas igrejas maravilhosas de talha barroca.” Referindo-se à sua experiência em Portugal, naquilo que leva de estadia, Cabral adianta: “Vou ser bem franco. Fiz ontem e hoje aquilo a que vocês chamam de Sprint urbano. E até já tive oportunidade de dizer isso mesmo ao Presidente da Federação Portuguesa de Orientação: Nunca vi prova melhor organizada do que esta! Nunca vi tanta gente num pequeno espaço cheio de labirintos, se orientando. Achei ma-ra-vi-lho-so! Lindo de mais! Os portugueses estão de parabéns porque montaram um verdadeiro espectáculo. Sou orientista. Fui ontem, sou hoje e serei amanhã. Se tiver 90 anos, 100 anos, estarei aqui, fazendo Orientação. A Orientação abriu na minha vida um espaço maravilhoso. A mim, lobo solitário caçador de prismas!”
“Tudo está perfeito”
Trabalha com a Orientação desde 1992, tendo contribuído para a inclusão da Orientação no currículo da Escola de Educação Física e Desporto da Universidade Federal do Rio De Janeiro. Chama-se José Maria e, ao Orientovar, explicou como tudo se passa: “Temos em torno de quarenta alunos por semestre o que significa que, todos os anos, entram no mercado de trabalho 80 pessoas que vão difundir a Orientação. Este é um desporto que desperta grande interesse e que tem muitos atractivos, desde o contacto com a natureza às próprias características do desporto, um desafio constante no sentido de encontrar o melhor caminho. Quem experimenta, raramente deixa de continuar.”
A distância entre as várias regiões do Brasil constitui um sério entrave: “Tivemos apenas 300 atletas em Porto Galinhas, numa etapa do Brasileiro, o que é pouca gente. Mais recentemente, tivemos outra etapa em Curitiba, com 600 atletas, o que ainda assim é pouco para a dimensão do País. Aqui tudo é diferente. O Brasil está 100 anos atrasado em relação à Suécia, à Noruega, à Finlândia, estará 30 anos atrasado em relação a Portugal e tudo aqui é diferente.” Assim sendo, José Maria vem em Portugal juntar o útil ao agradável, competindo, observando e aproveitando para ver a família, ele que é – afinal! – português, nascido em Castro Daire. Do que tem visto e ouvido, deixa as melhores impressões: “Os portugueses estão de parabéns! O nível organizativo é excepcional. Excelentes mapas, excelentes percursos… tudo está perfeito. E esta festa aqui está muito bonita. É característico dos portugueses fazer as festas debaixo das árvores e esta Sardinhada, em plena floresta, é linda, é maravilhosa.”
A grande ambição
Finalmente escutámos Paulo Calisto Becker, Presidente do COSM – Clube de Orientação de Santa Maria, o primeiro clube de Orientação do Brasil, e ex-Secretário da Confederação Brasileira de Orientação, onde se encontram filiados mais de 5200 atletas, pertencentes a 75 clubes de 10 Federações: “A Orientação no Brasil está crescendo muito. No próximo ano teremos a Copa dos Países Latinos e, em 2010, o Campeonato Sul-Americano. Mas, por agora, estarmos aqui é um motivo de orgulho maior pelo facto de nos encontrarmos num País que fala a nossa língua e por podermos ver de perto o que Portugal está fazendo em prol da Orientação mundial.”
Apesar de estar em Portugal a competir no WMOC 2008, Becker confessa não ser esse o seu objectivo maior: “Como organizador, representando a Confederação Brasileira de Orientação, pretendo colher aqui experiências no que esta Organização tem de melhor. E Portugal não fica nada a dever a nenhum outro País da Europa. Está realmente a ser uma formidável surpresa.” Falando naquilo que pode irmanar Portugal e o Brasil, no que à Orientação diz respeito, Becker é peremptório: “A articulação pode e deve funcionar. A distância entre os nossos países é grande mas, vistas bem as coisas, Portugal é o país europeu mais próximo do Brasil. Colher ensinamentos num país da Europa, sobretudo num país com o qual temos tantas afinidades, um país onde se fala a nossa língua, isto é perfeito.” E termina com uma confidência, ao jeito de quem levanta a pontinha do véu: “Recebi tantos estímulos de orientistas de todo o mundo no sentido de lançar a candidatura do Brasil à realização dum Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre que a primeira coisa que farei, assim que chegar ao Brasil, será a de lançar o desafio junto dos responsáveis da Confederação Brasileira de Orientação para que essa candidatura possa vir a ser uma realidade.”
Caso tenha curiosidade, clique aqui para saber um pouco mais da história da Orientação no Brasil.
Saudações orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO
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2 comentários:
Muito bom trabalho, estou sempre a espera de boas supresas como esta estrevista.
Joaquim Sousa
Olá Sr. Joaquim Margarido,
Sou Flávio Lins, do mesmo clube que o Haroldo aqui em Pernambuco-Brasil. Fiquei acompanhando de longe a participação de nosso presidente. Tive a oportunidade de ver os mapas, tanto das competições como do warm up e model events. Realmente fiquei impressionado.
Com certeza Haroldo poderá repassar algumas experiências vividas no WMOC e isso ajudará a alavancarmos a orientação na nossa região.
Vamos divulgar seu blog aqui no "além mar".
Um abraço,
Flávio Lins
Recife-Pernambuco-Brasil
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