terça-feira, 8 de Abril de 2008

O NAOM 2008 VISTO POR... MANUEL DIAS


O EXEMPLO DO VALE DA SILVANA

Sim, é grande, mas ninguém te obriga a ler. […] Há coisas que não se podem dizer em duas linhas e este texto pretende ser um pouco mais do que um mero louvor, embora tenha de começar por aí.

Sem uma grande equipa, o Fernando Costa não poderia fazer o que faz. Parabéns à equipa. Mas, sem um líder desta envergadura, nenhuma equipa faria o que faz o GD4C. Parabéns ao Fernando Costa.

Os terrenos, os mapas e os percursos são, de longe, o mais importante em qualquer prova. Já sabemos que o Fernando não falha aí. Nem falha na área de concentração, nem na sopa, nas bifanas e bolaria. Foi tudo excelente, não vamos perder tempo com isso. Quero, antes, focar dois aspectos “secundários”: cobertura mediática e parcerias.

A cobertura mediática já foi alvo de alguns comentários, mas para mim o importante neste caso é sublinhar que a reportagem de Fernando Correia não foi um fenómeno isolado, resultou de uma teia de cumplicidades que Fernando Costa tem sabido tecer. Lembrem-se do programa em estúdio, há um ano, na Sampaio e Pina, e das intervenções que, a propósito de êxitos alheios na orientação, ele vai fazendo no mesmo programa, de modo a manter oleado este canal de comunicação. E as páginas no JN e noutros jornais? E quem aliciou para as nossas hostes o talento de Joaquim Margarido, que tem feito um trabalho notabilíssimo no mundo imparável dos blogues e noutros recantos da rede?

Com a parte mediática prende-se a questão dos convidados. A presença, este ano, de Manuel Serrão vem também engrossar uma fileira onde já figuram outros nomes sonoros, sobretudo de atletas. Talvez me escapem alguns, mas lembro-me de terem aparecido em provas anteriores do GD4C, pelos menos, Fernando Mamede, Rosa Mota, Aurora Cunha, Manuela Machado, António Pinto, José Regalo, Venceslau Fernandes e Cândido Barbosa.

O que eu mais queria enaltecer é, no entanto, a nível das parcerias, um pormenor que muitos julgarão irrelevante: a visibilidade conferida aos proprietários de terrenos. Dois estiveram na entrega de prémios no sábado à noite; um esteve, domingo, na sessão de encerramento. Fernando Costa e o GD4C deram-nos uma lição que nenhum organizador de futuros eventos poderá esquecer.

Correndo o risco de ser tomado como exibicionista, não deixarei de contar aqui um exemplo que, juntamente com Carlos Monteiro, Rui Antunes, Albano João e Jorge Dias, presenciei no estrangeiro. Foi em 2003, no WMOC da Noruega. As chegadas das duas qualificatórias e final fizeram-se sempre no mesmo local, uma grande propriedade, parcialmente ocupada por uma seara. O proprietário ceifou, ainda verde, uma faixa de uns 130 por 15 metros, que constituiu passagem obrigatória na parte final dos percursos do 2º dia. E os estacionamentos ocupavam também uma extensa área de restolho recentemente ceifada. Na cerimónia de encerramento, os dirigentes do Halden, clube organizador, ofereceram ao proprietário, devidamente emoldurada, uma reprodução de toda a área cartografada, incluindo a zona de habitação, armazéns e currais. Haviam de ver a cara feliz do proprietário!

Foi esta situação que Fernando Costa e o GD4C conseguiram, numa escala certamente mais modesta, reproduzir no Vale da Silvana, cujo proprietário, como foi explicado no domingo, alterou o seu plano de sementeiras para permitir a realização da prova.Estes sucessos não são obra do acaso. Resultam de negociação e entendimento. É preciso concertar, envolver, ser maestro, mesmo que (sobretudo se) discretamente.

Quando no domingo vi os olhos mal dormidos do Fernando, lembrei-me de outro momento em que ele estava tão ou mais exausto mas que representou outro êxito monumental do GD4C: o desfecho do POM em Viana do Castelo, há cinco anos. Ninguém colhe o que não semeou.

As manhãs de festa têm por detrás muitas noites de vigília. Parabéns ao Fernando e aos 4 Caminhos. É um orgulho para a orientação portuguesa ter clubes com esta capacidade de organização.

Manuel Dias



Passa por ser estranho a escassez de comentários àquilo que se vai fazendo pela Orientação no nosso País. Numa modalidade que se constitui num manancial inesgotável de conversas e troca de impressões, é quase incompreensível haver tão poucos de nós a partilhar as suas experiências e opiniões através da escrita. Tal verificou-se – uma vez mais! – no NAOM. Do pouco que se escreveu sobre o evento, aqui transcrevi, com o devido respeito e a mais sincera vénia, o apontamento do Manuel Dias. Um homem que, como poucos, vive e sente por dentro a Orientação. Obrigado, Manuel Dias, por este momento sublime.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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