quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Entrevista: O PASSO E A PERNA

Um mês após o relançamento da Secção de Orientação do Clube AFIS, Eduardo Ferreira e Pedro Silva explicam como tudo começou e falam dos seus anseios e expectativas relativamente a uma modalidade que tem muito para oferecer.

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No âmbito das actividades curriculares do 11.º Ano Tecnológico-Desporto da Escola Secundária Júlio Dinis, o professor Eduardo Ferreira propõe-se lançar um desafio aos seus alunos. Corria o ano lectivo de 2006-2007 e as tardes de quinta-feira passaram a ser dedicadas a uma modalidade desconhecida de muitos. “Faziamos Orientação e os jovens gostavam. Engraçado é que a ideia passou. Começou a falar-se na Escola e fora dela”, explica. A sua iniciativa acabaria por suscitar algum entusiasmo, na perspectiva do relançamento da modalidade em Ovar. O mais lógico seria a reactivação da Secção de Orientação do Clube AFIS, há longos anos estagnada. Havia, porém, um senão: A Direcção do Clube, às voltas com a 19ª Meia-Maratona Cidade de Ovar, tinha achado a ideia inoportuna e votado pela negativa. Ainda assim, com AFIS ou sem AFIS, a Orientação haveria de ir avante.

Num quente final de tarde de sexta-feira, às portas do Verão, o Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar foi palco dum encontro que não poderia ter sido mais conclusivo. Eduardo Ferreira foi um dos convidados. Partilhou do entusiasmo dos presentes e sentiu que a ideia tinha pernas para andar. Sabia que o seu esforço merecia ser ampliado e, apesar da ausência de elementos do Clube AFIS, ali estavam a autarquia e dois dos mais proeminentes clubes de Orientação do nosso país – o Ori-Estarreja e o Grupo Desportivo 4 Caminhos (GD4C) -, na pessoa dos seus presidentes, a dar-lhe a mão. A Direcção do AFIS, porém, acabaria por reconsiderar. “A partir daqui, procurei reunir um núcleo de pessoas que me dessem garantias de desenvolver um bom trabalho e, com toda a nossa inexperiência, fomos para a frente”, concretiza Eduardo Ferreira.


“Gostávamos de criar um público”

Uma das pessoas que aderiu ao convite foi Pedro Silva: “O Eduardo pediu-me ajuda no sentido de relançar a Secção. Era a minha estreia no associativismo mas achei a ideia interessante, já que a Orientação permite um contacto muito estreito com a natureza e eu gosto desse tipo de actividades. Portanto… cá estou eu”, começaria por dizer. Mas há muito trabalho pela frente: “Numa primeira fase, pretendemos chegar à população do concelho de Ovar. Gostávamos de criar um público para a Orientação. Desde logo, indo ao encontro dos associados do Clube. Depois, nas Escolas, criar uma via para chegar até aos jovens, explicar-lhes os fundamentos da Orientação e levá-los a praticar a modalidade.”

“Para levar por diante este esforço de promoção e divulgação da modalidade contamos, fundamentalmente, com o apoio dos AFIS e com a disponibilidade do Ori-Estarreja e do GD4C.” Quem o afirma é Eduardo Ferreira, para logo de seguida reclamar outros apoios: “A Orientação constitui uma forma de promover o concelho, pelo que se justifica que a autarquia nos venha a apoiar de forma consistente. Só assim, à semelhança de outros clubes, poderemos vir a organizar provas que tragam a Ovar orientistas de todo o lado.” De forma realista, Pedro Silva vai admitindo: “Devemos ter consciência de que este é um processo em que temos de lançar bases com alguma calma. Não podemos estar a bater à porta das várias entidades sem termos algo para lhes mostrar. Daí ter surgido a 1.ª Prova de Orientação, a qual veio revelar-se como um bom contributo nesse sentido e julgo que temos algumas condições para tentar envolver a Câmara Municipal de Ovar numa próxima iniciativa e, gradualmente, angariar outro tipo de apoios para as iniciativas da Secção.”


“Temos capacidade para evoluir”

A 1ª Prova de Orientação merece, da parte de ambos, um balanço muito positivo. “Quem participou ficou entusiasmado”, resume Eduardo Ferreira. “Poderíamos ter tido um número mais elevado de participantes mas queríamos testar, sobretudo, os aspectos organizativos. Não queríamos abrir as portas a toda a gente e, de repente, vermos que não tínhamos capacidade para responder a todas as solicitações. Daí termos quase personalizado a divulgação e limitado o número de participantes.” Mas há aspectos a corrigir: “Já contávamos com as várias observações que nos fizeram e estaremos atentos para que as falhas não se repitam no futuro.”

Esse futuro, para Pedro Silva, engloba uma prova urbana, bem no centro da cidade, já em Janeiro de 2008: “Na verdade, a 1ª prova foi a ‘prova zero’. Sentimos que temos capacidade para evoluir, que podemos ser um pouco mais ambiciosos. Será interessante fazer uma prova no coração de Ovar no sentido de criar um pouco mais de dinâmica, de nos aproximarmos da população, porque é inevitável as pessoas confrontarem-se com a prova que está decorrer e procurarem inteirar-se do que se passa.” Mas a concretização desta iniciativa comporta uma dificuldade: “Neste tipo de modalidade a existência de um mapa é fulcral. E nós não temos um mapa do centro da cidade adaptado a este fim. Sentimos que a transposição das plantas existentes para um mapa de Orientação não será um processo de grande complexidade mas necessitará duma forte conjugação de interesses e de apoios. Está tudo dependente disso mesmo”, conclui.


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Orientação e Natureza

Apesar das excelentes condições naturais que o nosso concelho oferece para a prática da Orientação, não se pode escamotear o facto de se tratar duma área particularmente sensível do ponto de vista ambiental. Será a Orientação inimiga do ambiente? Eduardo Ferreira rejeita veementemente a ideia: “Há mesmo uma empatia entre a Orientação e a Natureza”, afirma. Para o seccionista, “chamar as pessoas para a floresta encerra em si a ideia de todos fazermos um esforço no sentido de a preservar, de a manter limpa. Fruir aquele espaço, respirar aquele ar, ajuda-nos a perceber melhor a riqueza do espaço envolvente. Seria mesmo um contra-senso destruí-lo.”

Também Pedro Silva considera que “esta é uma altura privilegiada para desmistificar a ideia que algumas pessoas possam ter da Orientação. Neste tipo de provas há, naturalmente, um espírito competitivo, mas há também muita gente que opta por ter uma atitude mais lúdica, fazendo a prova a passo, ao seu ritmo, interagindo com o espaço duma forma muito intensa. Além disso, é uma preocupação das organizações, no final de cada prova, zelar para que não fiquem resíduos espalhados no terreno. E são os próprios participantes, muitas vezes, a auxiliarem-nos nesse trabalho.”


“Também se faz Orientação na sala de aulas”

As ideias, contudo, não se ficam por aqui. Tornar o sítio na Internet [www.afis.pt] mais informativo, promover a participação em provas organizadas por outros clubes, realizar acções de formação e ir ao encontro das escolas, são outros grandes objectivos no curto e médio prazo. “Contactámos já as três grandes escolas do concelho”, adianta Eduardo Ferreira e concretiza: “Queremos que os alunos venham fazer um percurso de Orientação, na Primavera, no mesmo local onde decorreu a 1ª Prova. O nosso objectivo é ter 200 alunos por escola a participar. E queremos alargar esta dinâmica às Escolas do Ensino Básico. Também se faz Orientação na sala de aulas.”

Sinteticamente, Pedro Silva a concluir: “No seio do Clube AFIS, os nossos objectivos não passam, claramente, por competir com a Meia-Maratona Cidade de Ovar, em termos de projecção, por exemplo. Não temos capacidade para o fazer nem está nos nossos horizontes. Até porque, associados à Orientação, há aspectos relativamente complexos, tanto ao nível técnico, como logístico. Teremos que cumprir gradualmente certas exigências e dar passos fundamentados nesse sentido. Gostaríamos, isso sim, de sentir que existe um grupo de pessoas motivadas em torno da Orientação, com vontade de participar e que esse grupo fosse crescendo aos poucos. Não temos objectivos concretos quanto ao número de pessoas que mobilizamos ou de provas que organizamos. Vamos devagar. Só não podemos é dar um passo maior do que a perna. Até porque a perna, neste momento, é curta.”

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

FOTOS 1ª PROVA



Aprecie os testemunhos duma tarde memorável.

JOAQUIM MARGARIDO

A 1ª PROVA NA IMPRENSA

Foram muitas as publicações - sobretudo online - que dedicaram algum do seu espaço ao assunto.

Se quiser saber mais, consulte:
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JOAQUIM MARGARIDO

O QUE ELES DISSERAM...


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Têm a palavra alguns dos protagonistas na 1.ª Prova de Orientação do AFIS:

“Foi interessante passar pelos espetos a correr, a adrenalina. Estivemos sempre juntos, nunca nos perdemos e foi espectacular pela camaradagem e pelo espírito de equipa. E também pelo contacto com a natureza. Quando houver uma próxima vez vamos voltar e, quem sabe, um destes dias aventuramo-nos a fazer um percurso sozinhos.”
João Silva, Tiago Santiago e Francisco Sebe, estudantes

“Treinamos muito a vertente física mas há poucas possibilidades de fazermos treino técnico. Ter um percurso destes montado para virmos cá treinar é excepcional. É aquilo que não há! E depois temos o convívio, reencontramos aqui o pessoal e, no meio da floresta, então, é ainda melhor.”
Jorge Dias (ADFA)

“Este mapa está muito bom, actualizado e foi um bom treino. Só andei um bocado perdido no ponto 5. Pensei que estava mal colocado mas fui eu que saí mal. Sempre que surgirem oportunidades destas espero poder voltar.”
Hélder Marcolino (GD4Caminhos)

“Mais do que para o AFIS, o relançamento da Secção de Orientação é uma mais valia para o Concelho de Ovar. Devemos agradecer ao Ori-Estarreja todo o apoio prestado e louvar a atitude dos Quatro Caminhos que aparecem aqui a ajudar-nos sem qualquer outro tipo de interesse que não apenas pela amizade e pela promoção da modalidade. Esperamos poder continuar a contar com a sua presença no futuro porque todos temos muito a aprender com eles.”
Manuel Ramos, Presidente do Clube AFIS

“Uma primeira experiência muito agradável, onde se conjugam inúmeras vertentes que colocam à prova as qualidades e capacidades de cada um. Felicito o AFIS por ter relançado esta modalidade que ajuda a mente e sobretudo permite reforçar o espírito de entreajuda no seio do grupo.”
Conceição Vasconcelos, Vereadora do Desporto da CM Ovar

“Temos de manter um contacto permanente com os mapas, não basta correr. É um luxo para um Clube que está a começar poder contar com uma cartografia deste nível. E hoje foi óptimo, porque foi possível fazer treino orientado, num espaço excelente para a prática da modalidade. Além disso, foi muito importante para nós estarmos cá a apadrinhar a estreia do AFIS e esperamos que continuem a trabalhar desta forma organizada e consistente, certos de que há ainda um longo caminho a percorrer.”
Fernando Costa (GD4Caminhos)

“Tivemos um número significativo de participantes e parece-nos que, independentemente de a organização ter tido algumas lacunas, que são naturais, toda a gente se divertiu. Não estão calendarizadas outras actividades do género mas, atendendo à receptividade que a iniciativa teve, outras iniciativas irão certamente surgir muito em breve, numa tentativa de cativar mais gente para a prática da modalidade.”
Pedro Silva, Seccionista de Orientação do Clube AFIS


JOAQUIM MARGARIDO

1ª PROVA DE ORIENTAÇÃO AFIS

SOB O SIGNO DO ENTUSIASMO

Após um longo interregno de quase dez anos, o Clube AFIS procedeu ao relançamento da Secção de Orientação, fazendo disputar na tarde do passado sábado a sua 1.ª Prova.

O local escolhido foi a mancha florestal a norte da Pousada da Juventude e o esforço de divulgação resultou num total de três dezenas e meia de entusiásticos participantes. O Clube AFIS contou com o inestimável apoio do Clube Ori-Estarreja nos aspectos eminentemente logísticos relacionados com a cartografia e a sinalização dos pontos. Destaque igualmente para a presença de doze elementos do Grupo Desportivo 4 Caminhos (Senhora da Hora) a apadrinhar esta edição primeira, entre os quais Joana Costa, vice-campeã latina de Distância Longa em Cadetes Femininos.

Para muitos, esta iniciação à modalidade encerrou um verdadeiro convite à descoberta e à aventura. A tarde amena e uma floresta feita jardim, matizada de tons de verde e lilás, reforçaram o profundo e irrecusável desafio. E, no respeito pelas regras mais elementares da Orientação, os participantes lá foram partindo, individualmente ou em grupo, para um belo passeio de 2.900 m, distribuídos por 8 pontos intermédios de passagem obrigatória. Jorge Dias e Fernando Costa foram monitores atentos e empenhados, revelando enormes qualidades pedagógicas e um profundo conhecimento específico, que motivaram e entusiasmaram os menos familiarizados com as particularidades da Orientação.

Num mapa altamente técnico, o percurso escolhido revelou-se muito simples, com inúmeros pontos de referência facilmente identificáveis, o que permitiu uma progressão segura e um adequado contacto com a sinaléctica mais comum. Um ou outro percalço de permeio, fizeram notar que esta é uma modalidade que exige concentração, rapidez de raciocínio e capacidade de decisão. Mas a descoberta duma nova baliza, a correspondente elevação dos níveis de confiança e auto-estima e a superação do percurso, constituíram elementos determinantes para o balanço final extremamente positivo que cada um fez da experiência.

Saúda-se o relançamento da Secção de Orientação do Clube AFIS e aguardam-se novas iniciativas. Há um capital de entusiasmo gerado por esta 1.ª Prova que não se pode desperdiçar. As condições naturais da nossa floresta, um excelente mapa para a prática da modalidade e muita gente jovem (e menos jovem) curiosa por descobrir aquilo que de espectacular a Orientação encerra, são “matéria-prima” que justifica uma elevada dose de optimismo. Se a isto acrescentarmos o dinamismo da Secção de Orientação do Clube AFIS, o empenho dos seus membros e os indispensáveis apoios por parte da autarquia e de alguns emblemas com créditos firmados, tanto nas vertentes técnica como organizativa, teremos reunidas todas as condições para que o concelho de Ovar volte a ser uma referência incontornável no panorama da Orientação a nível nacional e internacional.

JOAQUIM MARGARIDO