Domingo, 12 de Fevereiro de 2012

PORTUGAL O' MEETING 2012: FALTAM 6 DIAS!



O PORTUGAL O' MEETING

Com a fasquia elevada ao nível duma Taça do Mundo, a Figueira da Foz recebeu entre os dias 13 e 16 de Fevereiro de 2010 a 15ª edição do Portugal O’ Meeting. A organização conjunta do Clube de Orientação do Centro e da Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense, com Duarte Santo e Vítor Rodrigues ao leme da vasta nau, cotou-se em elevadíssimo plano, deixando plenamente satisfeitos os 1822 participantes, 1187 dos quais estrangeiros em representação de 30 países. A competição decorreu na Praia da Leirosa, Lagoa das Braças (Quiaios) e Lagoa da Vela (Bom Sucesso), com um total de 24 percursos distintos conforme os escalões etários. Complementarmente à vertente competitiva “pura e dura”, houve lugar a uma prova de Orientação de Precisão, a uma Estafeta da Amizade que juntou crianças de ambos os sexos até aos 13 anos de idade e a um Sprint nocturno na Costa de Lavos. Com 279 inscritos, o escalão de Elite Masculina estabeleceu um novo máximo absoluto e teve no italiano Mikhail Mamleev o grande vencedor. Scott Fraser (Grã-Bretanha) e Fabian Hertner (Suiça) ocuparam as posições imediatas enquanto Diogo Miguel, no 22º lugar, cotou-se como o melhor português. No sector feminino, a suiça Simone Niggli repetiu a vitória de 2002, no concelho vizinho da Marinha Grande e, curiosamente, numa edição do POM organizada também pelo Clube de Orientação do Centro. Helena Jansson (Suécia) foi uma digna segunda classificada, perdendo por escassa diferença para a sua grande opositora. O terceiro lugar coube à russa Yulia Novikova, enquanto a melhor portuguesa, Maria Sá, se quedou pela 24ª posição.


A REGIÃO

As cavalhadas de Vildemoinhos têm a sua origem no ano de 1652. O rio Pavia, que nos dias de hoje quase não tem significado, era nesta altura um rio com alguma dimensão e pujante nas suas águas. Os agricultores necessitavam da água para regarem as suas culturas e os trambelos necessitavam da água para fazerem mover as mós que moíam os cereais em Vildemoinhos. Mas alguns agricultores mal intencionados fizeram açudes e represaram as águas do rio Pavia, de tal forma que os pesados rodízios das 43 mós deixaram de se mexer e os moinhos pararam. Os moleiros queixavam-se dos agricultores que lhes roubavam a água, estes retorquiam que precisavam dela para regar as suas novidades. Os tumultos repetiram-se de tal maneira que foi necessário policiar a estrada de Vildemoinhos. Mas os moleiros, com a sua vontade de resolver o problema, vão rio acima e destroem os açudes e põem de novo a água a correr. Os moinhos tornam a moer e assim está assegurado o sustento deste povo. Os proprietários reclamaram ao juiz do povo. Os interpelados responderam que nem frutas nem hortaliças faltavam na praça e que o pão posto à venda era caro e não chegava para consumo. Segue-se um recurso dos proprietários para as autoridades de Lisboa e estas dão razão aos moleiros. A notícia desta sentença chega à câmara em 20 de Maio de 1653. Os moleiros deliraram de entusiasmo e resolveram ir, na noite de 23 para 24 de junho, em luzida cavalgada a São João da Carreira, agradecer ao santo. Para isso vestiram os seus melhor fatos, enfeitaram de fitas burros e cavalos e, levando à frente um grande “Estrondo” , puseram-se em marcha, com todos os seus serviçais, atrás deles, armados de alavancas, sacholas e roçadoiras bem encavadas, não fosse o diabo tecê-las pelo caminho. É a esta vitória sobre os agricultores que os trambelos agradecem a São João e renovam todos os anos as cavalhadas.


A FIGURA

Supervisor Internacional do Portugal O' Meeting 2012, Luís Santos repete a presença nesta função que já assumira nas edições de 2011 e de 2007, esta última igualmente organizada pelo Clube de Orientação de Estarreja. Iniciou as funções de Supervisor em 2006, sendo esta a terceira vez que trabalha com o Ori-Estarreja e a primeira que trabalha com o Clube de Orientação de Viseu - Natura. Luís Santos entrou na Orientação pela mão de António Aires e ao serviço do CM Arrábida, em 1998, curiosamente num Campeonato Ibérico organizado pelo... Ori-Estarreja. Em 2000 foi pela primeira vez responsável por um evento de Orientação numa prova realizada em Cascais, que serviu de fundação à Secção de Orientação do CDCE, que co-liderou com o primo António Santos. 2002 foi um dos seus anos mais marcantes iniciado com a entrada para a Direcção da Federação Portuguesa de Orientação, acompanhando o primeiro mandato de Augusto Almeida como seu Diretor-Executivo. Ainda em 2002 ajudou a fundar o CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida, com um grupo de 30 amigos, tendo sido o seu primeiro Presidente. Também é cartógrafo de nível 3, traçador de percursos de nível nacional e assume funções na FPO como responsável do Departamento de Competição. Como Diretor de Prova, Mora constitui uma marca fundamental no curriculum organizativo, quer pelo memorável evento do dilúvio da Casa Branca (WRE em 2006), quer pela Direção adjunta do POM 2009 com o amigo António Rodrigues. Regressou à presidência do CPOC em 2011, mas as suas preferências recaem na supervisão e no traçado de percursos.


A TÍTULO DE CURIOSIDADE

O brasão de armas da cidade de Viseu evoca uma antiga lenda segundo a qual aqui teria vivido D. Ramiro II, um rei cristão que, em viagem por outras terras, conheceu a moura Sara, irmã de Alboazar, emir do Castelo de Gaia. Completamente apaixonado pela beleza da moura, raptou-a para si. Ao ser informado do rapto de sua irmã, Alboazar por sua vez raptou a esposa de D. Ramiro, D. Urraca. Ferido em seus brios, D. Ramiro recrutou em Viseu alguns bons guerreiros para o secundar na empreitada de penetrar dissimuladamente no castelo de Alboazar, enquanto estes o aguardavam nas vizinhanças. Desse modo, aguardou um momento em que Alboazar se ausentou à caça, logrando penetrar no castelo, onde encontrou D. Urraca. Esta, ciente da traição do marido, não só se recusou a acompanhá-lo como, decidida a vingar-se do marido infiel, tendo Alboazar regressado da caça, denunciou-o ao seu raptor. Assim capturado, D. Ramiro, foi sentenciado à morte. No dia e hora aprazados para a execução, o condenado pediu, como último desejo, para tocar a sua buzina. Era este o sinal combinado com os seus homens para atacarem o castelo. Ao completar o sexto toque, os homens de Viseu cercaram o castelo, incendiando-o e matando Alboazar.

Saiba tudo em http://www.pom.pt/pt/


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

O MEU MAPA: ELDA RUA, O MAPA DA ATALAIA E O NACIONAL DE ESTAFETAS 1995





Obrigada pelo convite para descrever uma das muitas aventuras que passei neste nosso mundo da Orientação. Claro que as minhas histórias são banais, comparando com as de muitos atletas que a Orientação tem. Mas não quis deixar de participar e, com isto, dei uma volta a todos os mapas e memórias desde 1995 até 2011.

Todos eles têm uma história, umas boas, outras menos boas… E há aqueles em que nem é bom pensar! É precisamente um destes últimos que vou descrever.

Ainda dava os primeiros passos na Orientação, desde sempre vestida com orgulho com a camisola do Ori-Estarreja, quando fomos fazer uma prova na Atalaia: o Campeonato Nacional de Estafetas, a 22 de Outubro de 1995.

Fui a última da minha equipa a partir e, desde que comecei a prova até ao quinto ponto, tudo correu mais ou menos bem. Agora para o ponto 6, é que foi o grande problema… não consegui encontrá-lo! Voltei ao ponto anterior, fiz azimute e fui ter ao que julgava ser o sítio do ponto… mas nada. Não consegui dar com ele!

Andava lá, para trás e para a frente, já a chorar, quando vejo a minha filha a vir direita a mim também a chorar, pois – adivinhem? – estava perdidinha da “Silva” (coisas de principiante, certamente)! Depois de falarmos um pouco, ela seguiu o seu caminho e eu continuei à procura do ponto, sem ter qualquer noção do tempo que já tinha passado.

Entretanto, como já estava cansada, sentei-me, quando vejo chegar um jipe da tropa com pessoal (JÁ!) a levantar os pontos. Foi aí que eu me apercebi onde realmente estava aquele danado do ponto 54 – posso dizer que estava a cerca de 5 metros de distância de onde eu me encontrava!!!

Em seguida, como podem perceber, apanhei boleia com os militares e quando cheguei à zona de concentração (hoje, familiarmente conhecida por Arena), já só restava o autocarro e o pessoal do Ori que estavam à minha espera!

Posso, no entanto, dizer-vos que esta má experiência não me traumatizou. Já fiz imensas provas ao longo destes quase 17 anos, já me perdi algumas vezes e também já ganhei muitas provas. Quem aprende a gostar deste desporto, dificilmente desiste de o praticar!


Elda Rua
Clube de Orientação de Estarreja
Fed 1442

PORTUGAL O' MEETING 2012: FALTAM 7 DIAS!





O PORTUGAL O' MEETING

1500 febras, 50kg de carne picada, 50 kg de carne aos bocados, 400 kg de massa, 100 kg de batatas, 100 kg de cenouras, 35 mil copos de plástico, 5 mil pratos, 5 mil tijelas de sopa, 5 mil talheres, 140 setas de sinalização, 12 tendas de várias dimensões, 4 furgões, 1 camião, 2 Moto4, 2 depósitos de 1500 litros de água cada, 3 km de fita balizadora, 10 PC's, 13 mil panfletos, mais de 20.000 km em viagens de preparação do evento e 10.000 mapas, que em sequência se prolongariam por uma extensão aproximada de 3 km. Aqui ficam, em números redondos, alguns elementos que fazem as contas do Portugal O' Meeting 2012 e que dão uma ideia, ainda que aproximada, da carga logísitica necessária para pôr de pé um evento desta envergadura.


A REGIÃO

De localização privilegiada, impondo-se no alto da sua escadaria, a Igreja dos Terceiros de S. Francisco é um dos mais harmoniosos templos da cidade. O risco da fachada é fruto da mestria do arquitecto António Mendes Coutinho, da cidade de Lamego, que foi discípulo de Nasoni. O corpo principal desta igreja é emoldurado por duas pilastras e rematado por frontão ondulado, num jogo de curvas e contracurvas bem ao gosto da estética barroca. Sobre as pilastras assentam dois fogaréus. Ao centro impõe-se o portal de requintado labor em pedra, num jogo de luz e sombras, de saliências e reentrâncias, contribuindo desta forma para compor um todo, que se quer festivo e exuberante. A dualidade que caracteriza o barroco surge reforçada pelo jogo que se pode estabelecer entre a alvura das zonas a branco e o negrume do granito. Num plano mais recuado, no alçado Norte, existe uma torre sineira, dentro da mesma linguagem da fachada principal. Interiormente é um espaço equilibrado e de linguagem coerente. Apresenta uma só nave, de planta rectangular e coberta de abóboda de berço. A capela-mor, um espaço mais recolhido e intimista, desenvolve-se em planta octogonal e a sua cobertura é feita por uma abóboda de formato de meia laranja de tijolos. Possui o mais harmonioso conjunto de retábulos de talha policromada e dourada da cidade de Viseu, em estilo Rococó. A madeira é pintada e dourada, num fingimento de materiais nobres, como o mármore em diversas cores. Completam-se estes retábulos com uma imaginária rica, merecedora de destaque. O colorido dos retábulos e púlpitos em “lápis-lazúli” combina-se de forma melodiosa com os azuis e brancos das paredes revestidas a azulejos. Os azulejos historiados representam momentos da vida de S. Francisco, num intuito de doutrinação permanente. O órgão que se encontra no coro é uma admirável obra dos finais do século XVIII.


A FIGURA

António Aguiar teve o primeiro contacto com a Orientação no ano de 2005, através do seu filho, que se estava a iniciar na modalidade. Filiou-se no Clube de Orientação de Estarreja e a sua primeira experiência teve lugar em Março de 2006, no Troféu Internacional de Mora e nessa mesma época 2006/2007 federou-se no escalão de competição H45. Em 2008 competiu pela primeira vez em Campeonatos do Mundo, voltando a fazê-lo dois anos depois. A título organizativo, a sua primeira participação ocorreu no exigente POM 2007. Chamado a exercer funções directivas em 2008, as quais exerce até aos dias de hoje, foi o responsável pela equipa da logística no Portugal O-Summer em 2009, mantendo desde então uma função de organização logística em todas as actividades do clube, sendo o principal responsável por esta área. O POM 2012 volta a ser uma organização com elevado grau de exigência e no qual António Aguiar e a sua equipa colocarão à prova, uma vez mais, toda a sua capacidade e empenho.


A TÍTULO DE CURIOSIDADE

Quero que o meu caixão / Tenha uma forma bizarra... / A forma de um coração / A forma de uma guitarra.” Numa das rotundas de saída da cidade de Viseu, que liga a Circunvalação, a Rua do Arco e a EN 229 (Sátão), podemos encontrar a estátua “Rosto do Fado”, obra da autoria de Xico Lucena e tributo a Augusto Hilário da Costa Alves, um dos rostos do fado de Coimbra. Augusto Hilário nasceu em Viseu, em 7 de Janeiro de 1864, tendo frequentado o Liceu de Viseu com o objectivo de fazer os estudos preparatórios para a admissão à Faculdade de Filosofia. A primeira matrícula na Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra terá sido em 1889/1890, mas a partir do ano de 1892/1893 e até 1895/1896, frequentou o curso de Medicina. É claro que durante o seu tempo de estudante cantou e tocou guitarra, tendo feito parte da Tuna Académica da Universidade de Coimbra (no tempo em que o Doutor Egas Moniz, futuro Prémio Nobel da Medicina, era o Presidente da Tuna). Participou também na célebre homenagem a João de Deus, durante a qual, após a actuação, terá atirado a guitarra para a assistência e, claro está, nunca mais a viu. Para obviar a falta da Guitarra, valeu-lhe o Ateneu Comercial de Lisboa que lhe ofereceu a derradeira guitarra em 1895, a Guitarra do Hilário que hoje conhecemos e que se encontra no Museu Académico de Coimbra. Acabou por falecer em Viseu, no dia 3 de Abril de 1896, tendo sido sepultado no cemitério público desta cidade. Numa nota à margem da Certidão de Óbito está “creador do Fado Hilário e poeta e boémio, notável cantor do mesmo Fado conhecido em todo o país pelo Fado Hilário”.

Saiba tudo em http://www.pom.pt/pt/


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO